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30 abril, 2009

*Três perguntas a...

Foto Estúdio Paris
Colecção Particular

Paulo Seabra (n.1959). Vive e trabalha em Lisboa. Tem formação em artes gráficas, animação, fotografia e vídeo. Trabalhou para publicidade, teatro, festivais de jazz e jornais. A partir de 2003 começou a dedicar-se essencialmente ao vídeo e ao cinema. Em 1993, comprou parte do espólio do Foto Estúdio Paris, à Estrela, Lisboa. Hoje, às 21h00, no Museu do Oriente, no âmbito do festival Indie Lisboa (Festival Internacional de Cinema Independente), apresenta Uns Tantos Milhares de Negativos (repete a 2 de Maio), que fala sobre a descoberta dessas imagens.

O que é que te levou a gravar este filme? Como é que esta parte do espólio da Foto Paris te chegou às mãos?
Chegou como outros espólios, pelas pessoas saberem que sou um apaixonado pelo coleccionismo e fotografia. O que levou a fazer este trabalho foi a riqueza do assunto e a ideia inicial de se filmar em negativo respeitando os próprios negativos.

O registo do filme joga muito com o som e a música deixando, por exemplo, o registo histórico de lado. Quiseste que as imagens brilhassem por si, que contassem a sua história…
Claro. A base das narrativas é a riqueza da linguagem e respeitar a inteligência do espectador, estar subentendido.

Quais são as cenas dos próximos capítulos?
O laboratório. Com a mesma linguagem, descontração e estética, ampliar e revelar alguns dos negativos a cores e preto e branco.

20 março, 2009

*Três perguntas a...

Luiz Pacheco
© Pedro Loureiro

Pedro Loureiro. Nasceu na Gafanha da Nazaré, em 1969. Estudou fotografia na MI21/Ecole des Arts et Metiers de l’image, em Paris. De 1991 a 1998 foi fotógrafo do semanário O Independente. Em 1996, foi bolseiro do programa comunitário Leonardo da Vinci, em Paris. Ajudou a fundar a KameraPhoto, agência de fotógrafos, em 2002, e a K Galeria, em 2005. Entre 1998 a 2005 foi fotógrafo da revista Grande Reportagem, e entre 2006 a 2008 editou a revista Notícias Sábado. Actualmente é free lancer e fotógrafo residente na revista de literatura LER. Desenvolve projectos na área da edição e multimédia. Já publicou fotografias e portfólios em dezenas de jornais e revistas nacionais e internacionais. Vive e trabalha em Lisboa. Expõe actualmente Fotografias 94-05 na livraria e galeria Vemos, Ouvimos e Lemos, em Serpa.


Por que é que fotografas?
Fotografo porque me interessa o outro. Interessa-me a vida dos outros, as histórias que têm para contar, não no sentido voyeur, de ir à procura da intimidade. De alguma forma também há intimidade quando me contam histórias, mas nunca fotografo ninguém sem pedir autorização e sem ter uma pequena conversa e explicar o que é que estou a fazer, o que é que pretendo das pessoas. Salvo raras excepções, falo sempre com as pessoas, tento saber um pouco mais sobre elas.

Não tenho a ousadia de achar que pela fotografia conto a verdade ou faço um mundo melhor - não acredito muito na verdade da fotografia, a verdade da fotografia é sempre relativa.

As tuas fotografias apresentam-se muitas vezes distanciadas do sujeito mas nunca a um ponto de se perder o envolvimento mínimo com o que nos queres mostrar. Dão a informação necessária a partir de um ponto que parece sempre no limite de qualquer coisa. O que é que te leva a optar por este espaço de intermediação?
O que me interessa muitas vezes é fotografar uma narrativa - todas as imagens têm pequenos pormenores que nos permitem construir uma narrativa à volta dessa pessoa. Muitas das minhas imagens têm sido feitas com a intenção de serem publicadas em revistas e jornais, estamos a falar de informação de imprensa. Tento sempre contar uma história em cada fotografia. Mas sei que aquelas imagens vão ter uma determinada escala e por isso tenho de ter algum cuidado a fotografar. Mas também há uma vontade própria, ou seja, quando estou a fotografar não penso se as imagens são para tal ou tal sítio.

Esse distanciamento permite ter narrativas à volta das personagens que são sempre centrais e nunca colaterais. Quando capto pessoas, tento dar o olhar que me é dirigido e depois passá-lo para quem vê. As fotografias têm de ter uma leitura própria e a maneira como as pessoas vão ler as minhas fotografias sempre se me colocou. O espaço que guardo entre mim e o sujeito permite-me dar um bom enquadramento da história - da mesma maneira que um texto não começa numa frase e acaba na outra, também as imagens têm de ter uma ordem de leitura. As minhas fotografias têm sobretudo informação e essa informação é conseguida guardando uma certa distância. Hoje não há muito espaço para este tipo de fotografia, infelizmente foi-se perdendo.

Tens uma vasta experiência na área do fotojornalismo e já acompanhaste diferentes projectos editoriais ao longo dos últimos anos. A que é que atribuis a actual encruzilhada em que está envolvida a produção fotográfica documental de grande fôlego em Portugal?
Tenho dúvidas que haja produção documental de grande fôlego em Portugal - não me parece que esteja a haver. Há de facto muitos jornais, muitas revistas e há pessoas óptimas a trabalhar, mas produção documental não existe. A imprensa tem aí um papel, mas não é exclusivo. Na verdade, se juntarmos todos os trabalhos que os fotojornalistas têm feito talvez consigamos encontrar um conjunto de imagens sobre o que é que foi o país nos anos 80 e nos anos 90. Hoje, as instituições que deveriam pensar nisso não o fazem - o CPF não existe, não é dotado de verbas, o Arquivo Municipal de Lisboa não é dotado de verbas, não há dinheiro, mas, no entanto há dinheiro para vir o Nick Knight e para vir o Steven Klein [para fotografar as campanhas de publicidade Portugal Europe's West Coast]. Aí fala-se sempre em milhões e pergunto por que é que esses milhões não são aplicados num conjunto de fotógrafos, de arquitectos, de artistas plásticos, de pintores que documentem e pensem o que há em Portugal.

Ao contrário de outros países não se está a fazer nada. Em França, por exemplo, o Ministério da Agricultura tem uma série de fotógrafos durante o ano inteiro a registar como é hoje a agricultura em França. E comparam como é que foi a agricultura nos anos 70, como é que foi nos anos 80, e como é que as coisas chegaram onde chegaram. Cá não há ninguém. Acho que o problema da falta de produção documental em Portugal passa mais por aí do que propriamente pelos jornais que não têm de ter essa responsabilidade. Há instituições e ministérios que deveriam ter essa responsabilidade e não a têm.

Daqui a uns anos vamos estar a perguntar como é que este país era há 10 ou há 20 anos. Se isto continua assim, havemos de chegar a 2020, a 2030 sem registos nenhuns. Curiosamente os fotógrafos até fazem mais esse registo em termos internacionais - vão mais à Holanda, à Inglaterra, à Alemanha - do que cá em Portugal. Muitas vezes nem estamos a falar de grandes verbas, estamos a falar de coisas muito pequenas.

Há na fotografia em Portugal um problema que não sei identificar. Vejo muitas exposições, mas é tudo muito efémero. O documental e o fotojornalismo não estão na moda. Há até uma vergonha de os meter na parede, uma vergonha de nós próprios, e isso é uma coisa também muito portuguesa, mas já era tempo de acabar. Tenho muita pena, mas produção documental de grande fôlego em Portugal não há.

17 março, 2009

*Três perguntas a...


self-portrait
© Rita Barros


Rita Barros nasceu em Lisboa. Tem um mestrado em Art in Media; Studio Art, da New York University/International Centre of Photography, e uma licenciatura em Photography, da SUNY (State University of New York). Tem retratos e paisagens urbanas publicadas em vários jornais e revistas. Expõe individualmente desde 1992. A série Quinze Anos: Chelsea Hotel é um dos principais marcos da sua carreira. Mostra actualmente o trabalho Wall, na Casa da Cerca, Centro de Arte Contemporânea, em Almada, e participa na exposição colectiva Artistas Portugueses Lá Fora, no Museu da Electricidade, em Lisboa. Vive e trabalha em Nova Iorque.

Por que é que fotografas?
Fotografo pela mesma razão que me levanto todos os dias, tomo um duche, um café. Não por hábito, mas por ser assim que vivo e que encaro o mundo. A fotografia, para mim, é uma conversa que mantenho, uma maneira de comunicar através das cores e formas e que ultrapassa a dislexia e a confusão do significado das palavras.

Em Wall, a maleabilidade do corpo é um contraponto à força pictórica e imutável de uma superfície plana. Esta coreografia táctil que ambiciona superar os limites da física é também uma tentativa de transportar a tua fotografia rumo a universos narrativos mais ficcionais?
Tenho uma forte ligação à narrativa: contar uma história, exprimir uma ideia que não tem de ser objectiva. Em Wall continuo uma ideia iniciada em 2000: através de uma sequência de acções conto uma história de uma forma puramente visual e sem o apoio da escrita. Os títulos são as “pistas” para a ideia que é desenvolvida. No caso de Wall, a parede serve de metáfora e apoio para uma queda e um querer transcender o real. Tenho também uma grande ligação com a literatura o que tem decididamente influenciado o desenvolver destas histórias que conto.

Desde 2000 que crias pequenos livros fotográficos artesanais de tiragem muito limitada. Que importância atribuis a estes objectos? O que é que te leva a produzi-los?
Foi depois de ter feito o livro sobre o Chelsea Hotel que decidi que o formato da edição era ideal para apresentar narrativas que ficam contidas num espaço delimitado criando assim uma experiência intimista: um livro. Como objecto que é, o livro carrega toda uma sensualidade do ser tocado e o leitor ao manuseá-lo participa no movimento da narrativa. Também é importante o facto de os meus livros serem construídos à mão e de haver um envolvimento total e físico nesta criação (contrariamente às edições de tipografia). Cresci rodeada por livros com encadernações muito bonitas. O meu pai era um colecionador que partilhava a sua paixão e que me fazia apreciar a beleza e raridade das suas aquisições.

18 fevereiro, 2009

*Três perguntas a...

Runcorn (2007), da série Subtopia, The New Towns Archive (work in progress)
© Paulo Catrica


Paulo Catrica nasceu em Lisboa, em 1965. Tem formação em fotografia da Ar.Co (Lisboa) e do Goldsmith’s College (Image & Communication, University of London). Tem também formação superior em História (Universidade Lusíada, Lisboa). Foi bolseiro da Fundação da Ciência e Tecnologia, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Centro Português de Fotografia. Expõe regularmente desde 1998 e está representado em várias colecções de fotografia públicas e privadas. Mostra actualmente no Silo-Espaço Cultural (Porto) o projecto ReHospitalidade: H08, um conjunto de imagens sobre os espaços frios e impessoais de alguns hotéis londrinos.

Por que é que fotografas?
É uma pergunta ambígua, aparentemente simples e terrivelmente complexa tal como o são as fotografias.
As fotografias são um modo de me relacionar com um conjunto de interesses que me fascinam e interrogam. E confesso que gosto que outros olhem para as coisas como eu as vejo.
Faço fotografias de lugares, em torno da ideia de apropriação da paisagem, da maneira como a vivemos quotidianamente. Interessa-me o modo como a paisagem é pensada e desenhada como é consequência de uma conjuntura ideológica, económica e social.
As fotografias por vezes respondem a assuntos sobre os quais pretendo reflectir, outras talvez por curiosidade ou intuição são de algo que eu próprio ainda não consigo compreender. Assim, partilho o enigma.
As fotografias que faço estão quase sempre relacionados com os assuntos fotografados - digamos que têm uma abordagem "realista". No entanto, as fotografias constroem um espaço autónomo, afastando-se dos assuntos que tratam, são contraditórias. As minhas imagens pretendem criar um lugar imaginado que às vezes fica perto de coisas que de facto existem, outras vezes não. Acredito na capacidade critica das fotografias, mas outras vezes creio que apenas funcionam como um acto contemplativo.
As fotografias são assustadoramente omnipresentes. Falo de todas as fotografias, as de família, as da parede do museu, as dos jornais, da publicidade... são impossíveis de classificar, incompletas, banais, transversais e por isso tão fascinantes.

Depois de anos a fotografar territórios em desalinho com a paisagem envolvente, o que é que te levou a registar este mundo quase asséptico e irrepreensivelmente aprumado dos hotéis de design?
Esta série H08 que está em exposição no Silo foi criada a partir de uma encomenda para o projecto Allgarve.
A primeira ideia foi tratar a evolução do conceito de hotel, cruzando uma perspectiva cronológica com as tipologias arquitectónicas do moderno - definidas pela História da Arte/Arquitectura. Através de imagens-síntese, umas abstractas outras mais referenciadas, pretendia fotografar alguns dos arquétipos dos hotéis do século XX - como o Savoy, em Londres, o Ritz, em Lisboa, o Infante Sagres, no Porto - e cruzá-los com fotografias de Hotéis indeferenciados, tipo Ibis em parte nenhuma ou os Easy Jet Hotel – menos espaço e sem serviço.
Entendi mais tarde que esta ideia era demasiado próxima do documental, um território com o qual me identifico, mas que no caso se afastava do conceito da exposição. Houve ainda que superar dificuldades logísticas e de produção que se prendiam com o acesso e liberdade total para fotografar. Poderiam resultar se houvesse tempo para as maturar o que envolvia fotografar mais que uma vez em cada um dos cenários escolhidos. Revisitar e re-fotografar são condições que procuro garantir sempre que faço um projecto.
Depois de uma ida ao Zetter, que não conhecia, e de ter visto o Yotel, em Heathrow, decidi concentrar-me apenas em hotéis urbanos desenhados recentemente e onde a arquitectura é indissociável do design. De facto hoje o design de interiores através da manipulação e associação de objectos, recria imagens e atmosferas para tipos de consumidores identificados por estudos de marketing. Mais design e menos arquitectura, a atmosfera sobrepõe-se ao espaço.
A imagem para estes lugares é crucial, todos os elementos são pensados como se fossem intemporais. Não existe espaço para a improvisação, acidente, desgaste ou erosão dos materiais. Uma espécie de exercício, minimalista na procura e barroco na criação.
Mas esta incursão nos hotéis de design foi um desvio. São fotografias de objectos, do design da arquitectura, são imagens de imagens, passe o pleonasmo.

Que projectos te ocupam agora? Vais continuar a olhar para estes lugares de tempo indefinido?
Estou a trabalhar no meu doutoramento, na Universidade de Westminster, em Londres. A investigação associa uma componente prática visual, a outra teórica, ou escrita. A prática trata as New Towns, a paisagem urbana construída no pós Segunda Guerra Mundial, na Grã Bretanha – entre 1946 e os anos 1980 foram construídas 32 novas cidades para responder a necessidades criadas pela guerra: habitação, ordenamento do território e implementação do Estado Social. Na génese, estas cidades condensam elementos das utopias do final do séc. XIX que resultaram na construção das cidades-jardim, com a racionalidade e a funcionalidade do planeamento moderno saídos da carta de Atenas. Ao longo de quarenta anos estes modelos foram-se adaptando às diferentes contingências políticas e históricas e incorporando arquitectos e urbanistas críticos do movimento moderno. Estas cidades são uma utopia de estado, foram criadas por decreto, contemporâneas e semelhantes no ideário a Brasília – não decerto na escala e na ambição.
O meu trabalho pretende construir uma New Town imaginária com fragmentos de sete cidades, correspondendo estas a períodos históricos diferentes. São arquitectura em contexto ou apenas fotografias de paisagem.
A componente teórica pretende reflectir sobre o impacto da fotografia na matriz ideológica da arquitectura e do urbanismo moderno, a ideia de que a paisagem disciplinada e ordenada pode ser regeneradora e projectar um futuro melhor - a new landscape for a better tomorrow. Relacionando a história e a teoria da fotografia e da arquitectura com questões nucleares do pensamento crítico moderno do século XX. Através da análise de fotografias e do seu contexto histórico, como exemplo, as de Charles Marville, Atget, Rodchenko, Bill Brandt, Humphrey Spender ou Luigi Ghirri, ect.
A apresentação final prevê uma exposição, que espero mostrar em diversos locais da Inglaterra e a publicação de um livro, assim a crise o permita.
Estou também a terminar uma monografia de um trabalho que fiz entre 2005 e 2008, com o Teatro S. Carlos. São fotografias que tratam um momento de transição na vida do edifício, uma espécie de estratigrafia ou arqueologia visual do espaço.
Espero, quando voltar a Portugal, recomeçar a fotografar um projecto que explora o conflito entre a tentativa de disciplinar o caótico – os PDMs imaginários e os delírios autárquicos - e apropriação mais ou menos quotidiana que tem na auto-construção a sua essência.
Viver num país pré-moderno pode ser muito saudável, e a paisagem portuguesa é fantástica do ponto de vista da fotogenia. Uma constante surpresa onde o espaço privado invade o público e este não se sabe bem o que é. Em Inglaterra está tudo disciplinado e vedado, o acesso é muito difícil, por isso a paisagem (seja lá o que for) é apenas uma imagem. Fotográfica ou outra.

ReHospitalidade: H08, de Paulo Catrica
Silo-Espaço Cultural, NorteShopping, Porto
Até 28 de Fevereiro

*Debate a 28 de Fevereiro (18h00) com Paulo Catrica, Ricardo Nicolau (crítico de arte), Diogo Seixas Lopes, Paulo Martins Barata e Luís Tavares Pereira (arquitectos) sobre as transformações que marcam os espaços da indústria hoteleira.

20 fevereiro, 2008

*Três perguntas a...


Miguel Barreira
(Pedro Cunha-Público)

Miguel Barreira, 33 anos, fotógrafo do diário desportivo Record, vencedor da 3º prémio da categoria Desporto do World Press Photo 2008.

¿O que te levou a submeter esta fotografia a concurso?
Pelo ângulo invulgar esta fotografia torna-se especial. Foi por causa disso que a mandei para o World Press Photo. Foi tirada de uma fortaleza com vista para a Praia do Norte, na Nazaré. Deu-me uma perspectiva de pássaro desta tentativa de sair da onda. No momento do caos ele [Jaime Jesus], quer sair dali mas não pode. Na areia, onde se costuma fotografar, era impossível consegui-la.

¿Pensaste que poderias ter alguma hipótese com esta fotografia no concurso deste ano?
Achei que era especial. Mas comecei a acreditar mais quando o director da melhor revista de "bodyboard" do mundo, a Movement, da Austrália, para onde também a mandei, me respondeu a dizer que tinha gostado muito e que a considerava “a trippy shot”, uma foto louca. Se consegui que o director desta revista e de um país de grandes ondas achasse isto.... Ele perguntou-me se a tinha conseguido a partir de um helicóptero e eu ri.

¿O que achas da fotografia vencedora do World Press Photo deste ano, o soldado “no fim da linha” do britânico Tim Hetherington, tirada nas trincheiras do Afeganistão?
É mais uma foto de guerra, mas num ano que não foi um ano de guerra. O ano de 2007 não foi o ano da guerra no Iraque, nem da guerra no Afeganistão.

(Depoimento recolhido por Ana Machado)

Para ler a crónica de Eduardo Cintra Torres sobre duas das fotografias vencedoras na categoria Desporto clique aqui.

Para ver uma fotogaleria com algumas fotografias premiadas clique aqui.

Miguel Barreira, 3º prémio da categoria Desporto

29 novembro, 2007

*Três perguntas a...


Valter Vinagre, auto-retrato, Lisboa, Novembro de 2007
(© Valter Vinagre)

Valter Vinagre. Nasceu em Avelãs de Caminho, em 1954. Vive e trabalha nas Caldas da Rainha e em Lisboa. Frequentou o Plano de Estudos em Fotografia do Ar.Co em Lisboa, entre 1986 e 1989. Expõe individualmente desde 1988 e colectivamente desde 1989. Publicou mais de uma dezena de livros de fotografia, entre os quais Cá na Terra (texto de Manuel Hermínio Monteiro), Na Cidade (texto de Jorge Calado) e Topografias do Vinho e da Vinha. Está representado em vários colecções públicas e privadas. Faz parte do colectivo [kameraphoto]. Expõe actualmente no Voyeur Project View, em Lisboa, um conjunto de oito imagens a que chamou Sob a Pele, 1996 - 2007.

¿Por que é que fotografas?
Fotografo movido por ideias que me levam a interpelar o mundo que nos rodeia e com a certeza de que a minha percepção das coisas visa não tanto a representação da realidade, mas a realidade da representação.

¿A palavra cartografia aparece muito associada ao teu trabalho mais recente. Por que linhas queres que sigamos?
Sim é verdade que a palavra "cartografia" aparece cada vez com mais frequência associada ao meu trabalho. Quando fotografo sigo várias estratégias na obtenção do resultado final. Não estou preocupado em dar pistas ou forçar leituras a quem vê os meus trabalhos. Pelo contrário, procuro dar liberdade total de interpretação - que cada um retire das minhas imagens a sua história. Interessa-me cada vez mais dar a ver simplesmente o que se nos apresenta como uma evidência.
Tenho utilizado uma estratégia "cartográfica" porque me parece a mais acertada como método e a que melhor se adapta à minha maneira de trabalhar.

¿Em Sob a pele, 1996-2007 temos a representação da mudança carnal num suporte que na verdade a aprisiona na imobilidade fotogénica. Este aparente paradoxo foi um empecilho?
Em Sob a pele, 1996 - 2007 a representação do real do corpo feminino não existe. Existe sim o que chamo realidade da representação - uma representação da evidência que nesta série realizo através de um grau de quase abstracção.
Neste como em outros trabalhos importa-me dar a ver não tanto o que reflecte a realidade por fora, não tanto o manto opaco da aparência , mas a falha nesse manto. Dar a ver por dentro , no ponto mais denso, o ponto de enfoque que vai imiscuir-se na falha da representação, esta encenação da imagem.
Creio que é através da representação das evidências , do questionar o que está para lá da representação da realidade que fujo aos vários empecilhos que cada novo trabalho me pode trazer.

Da série Sob a Pele, 1996-2007
(© Valter Vinagre)

28 outubro, 2007

*Três perguntas a...


Sem título, 2007
(© Carlos M. Fernandes)

Carlos M. Fernandes. Nasceu em Luanda em 1973. Vive e trabalha em Lisboa. Estudou fotografia no Ar.Co, em Lisboa (1994-1996), e é mestre em Engenharia Electrotécnica e de computadores, pelo Instituto Superior Técnico. Nas exposições individuas destacam-se Kaluptein (Espaço à P`Arte, Lisboa, 2001), trabalho publicado em livro (IST Press), e Mittel/Europa (Ministério das Finanças, Lisboa, 2006). Ainda em 2006, inaugurou a colecção Reticências, da IST Press, com o ensaio de fotografia I-S-T 95-75-15. Este ano, foi um dos artistas que integrou a exposição colectiva INGenuidades, Fotografia e Engenharia 1846-2006, comissariada por Jorge Calado. O trabalho de Carlos M. Fernandes pode ver-se actualmente na colectiva Atlas, patente até 10 de Janeiro na recém-inaugurada Galeria P4.

¿Por que é que fotografas?
Como escrevi na introdução a um dos meus trabalhos, fotografa-se para contornar a finitude e para celebrar. Com a(s) fotografia(s) temos a ilusão de viver continuamente no presente. Como os animais. Sem sofrimento. Mas logo a condição humana nos afasta desta ilusão confortável, e a fotografia transforma-se em ferramenta de arqueologia. Nessa altura uso-a para investigar o passado colectivo.

¿O teu Atlas do Atlântico é dos que mais terra e cidade tem. Onde é que descobriste esse mar aqui?
Falando literalmente, encontramo-lo como refúgio de uma terra estéril. O solo islandês, feito de lava, é uma barreira para o fogo; este, no entanto, manifesta-se expelindo água para um ar saturado de enxofre. Terra, ar, água e fogo; os quatro elementos clássicos chocam com violência. O mar é o factor redentor deste cenário cruel, é a fonte de riqueza e de serenidade. Está sempre presente quando falamos da Islândia.
Mas o meu Atlas é mesmo um Atlas, talvez mais do que a génese da palavra Atlântico. É a criatura condenada a sustentar a sua própria existência sobre os ombros. É Sísifo. É o Homem. E é parte de uma trilogia que acolhe também a contemplação do Rui e o confronto entre os guerreiros do João e o ambiente.

¿As pessoas nas tuas fotografias aparecem quase sempre como sombras ou silhuetas longínquas. Queres dizer que somos assim tão indefinidos nos espaços que ocupamos?
Aparecem como sombras e raramente aparecem! Os espaços urbanos e os vestígios das pessoas interessam-me mais. Mas se te referes apenas a Atlas/Islândia, onde existe uma presença humana mais intensa do que o habitual, então podemos ir por outro caminho. A Natureza oprime(-me). Os meus lugares de Atlas são a Natureza em estado bruto, selvático. Perante a inclemência dos elementos e do tempo (e aqui uso o termo no seu sentido cronológico, e não meteorológico) somos, talvez, indefinidos. Mas entre o simples mortal e o herói (trágico), entre o guerreiro primitivo e o homem engenhoso, não há uma separação clara. (Por isso chamei, a Atlas, Uma História de Deuses e de Homens.) As minhas silhuetas ocupam os espaços vazios do Rui Fonseca. E o João Mariano dá-lhes uma forma mais palpável. O conjunto tenta lançar alguma luz sobre a indefinição.

23 outubro, 2007

*Três perguntas a...

Vera Lúcia Carmo, auto-retrato, 2007

Vera Lúcia Carmo. Nasceu em Gaia em 1980. Vive e trabalha no Porto. Tem formação superior em Artes Plásticas/Escultura da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Durante o curso descobriu a fotografia. Primeiro usou-a como meio de registo e documentação e, depois, como suporte de criação autónomo. Enquanto estudou Escultura concluiu pequenas formações na área da fotografia. Em 2002 fez a primeira exposição na iniciativa “Jovens Criadores de Aveiro”. Desde então participa em pequenas mostras colectivas. Actualmente frequenta o segundo ano do curso profissional do IPF - Instituto Português de Fotografia no Porto. O trabalho Still Moving Frames, que lhe valeu uma menção especial do júri na última edição do prémio Novos Talentos FNAC Fotografia, pode ser visto na loja de S. Catarina, no Porto, até 23 de Janeiro.

¿Por que é que fotografas?
Fotografar é uma forma de materializar realidades que não aconteceram. São passados e futuros paralelos.

¿Dizes que o teu trabalho teve origem na linguagem dos sonhos. Este sonho de Still Moving Frames aconteceu-te mesmo?
Não e sim... exploro sensações de sonhar... retiro as situações ou as pessoas dos sonhos e concentro-me apenas nas emoções que ficam. Ou seja, o significado destes lugares é simbólico, é sensorial. Há um lado pessoal, mas é referencial e não narrativo.

¿Afinal, de que linguagem te sentes mais próxima aqui: a do movimento do cinema ou a da quietude da fotografia?
Este projecto tem uma influência muito presente do cinema, mas vive sobretudo da intersecção entre o cinema e a fotografia, vive de um jogo de memória que fragmenta o movimento, mas não o congela. Penso que fiquei exactamente a meio caminho entre as duas linguagens.

18 julho, 2007

*Três perguntas a...

Jordi Burch, auto-retrato, Mindelo

Jordi Burch. Fotógrafo de Lisboa, de 28 anos. Afirma-se, trabalho a trabalho, como um dos mais talentosos fotojornalistas da nova geração. Nasceu na Catalunha, mas vive em Portugal desde os 5 anos. Tem formação em Fotografia e Historia da Arte (ArCo, Lisboa). Faz da fotografia a sua actividade principal desde 1998. Publica regularmente na imprensa portuguesa e internacional. Faz parte dos colectivos [kameraphoto]. Estreou-se este ano muma grande exposição com Estamos Juntos!, na Casa Fernando Pessoa. Está agora a ultimar um documentário sobre o fim da Polaroid, onde o escritor e fotógrafo Pedro Paixão é o protagonista.

¿Por que é que fotografas?
Faço fotografia porque é a linguagem que melhor conheço para exprimir o que quer que seja. Sendo que ainda não a conheço bem. Daí o interesse em estar sempre a fotografar, a procurar linguagens novas dentro da própria fotografia. Dá-me a sensação que são infinitas.

¿Estamos Juntos! é uma exposição de balanço ou um ponto de partida?
Estamos Juntos! tinha de ser a minha primeira exposição. A ideia de um sentimento global, de que estamos juntos com todas as diferenças e que com isso somos ainda mais felizes. Somos de várias cores e feitios e isso faz com que nos possamos admirar uns aos outros sem monotonia. Não somos iguais, mas estamos juntos e isso é lindo.

¿No último leilão da Potássio 4, dentro do grupo de fotografia contemporânea as tuas fotografias foram das poucas a serem todas vendidas. A que é que achas que se deve este interesse? Acreditas que os leilões de fotografia têm espaço no mercado da fotografia em Portugal?
Fiquei muito feliz com a venda das minhas fotos. Fiquei também surpreendido. Não é muito habitual, em Portugal, comprar fotografias em exposições. Num leilão é diferente, talvez as pessoas já pensem em gastar dinheiro numa fotografia. É muito bom que isso aconteça. É muito bom que críticos de arte se manifestem sobre as fotografias que vão a leilão. Que façam com que nós, fotógrafos, sejamos um pouco mais humildes e que trabalhemos com sentido crítico. Há países em que os fotógrafos sofrem com as críticas, em Portugal sofre-se pela falta dela.

27 junho, 2007

*Três perguntas a...



Inês d`Orey, auto-retrato, Porto, 2007
(© Inês d`Orey)

Inês d`Orey. Fotógrafa do Porto de 29 anos. Tem formação superior em Relações Internacionais, Culturais e Políticas (Universidade do Minho) e uma especialização em fotografia (London College of Printing). Entre 1999 e 2002 foi bolseira do Centro Português de Fotografia. Já participou numa dezena de exposições colectivas. Desde 2001 que expõe individualmente. Vencedora do prémio Novo Talento FNAC Fotografia 2007 com o projecto Porto Interior. Foi uma das fotógrafas seleccionadas para a exposição de novos talentos DESCUBRIMIENTOS da PHOTOESPAÑA2007.

¿Por que é que fotografas?
Uma imagem forte que capte a atenção tem o poder de proporcionar uma nova forma de perceber o mundo, o poder de estimular emoções, de envolver a todos os níveis.
Fotografo para captar a realidade, ciente de que a corrompo. Gosto desta capacidade da fotografia nos ajudar a interpretar qualquer coisa, de dar a interpretar qualquer coisa, por mais banal que seja. De uma forma inesperada ou diferente, mas sempre tendo como ponto de partida a realidade física, aquela onde somos e não aquela que vemos. A fotografia permite, eventualmente, chegar a esse lugar e agrada-me, acima de tudo, esta ideia de criar artefactos geradores de experiências, nomeadamente emocionais, que permitem, de algum modo, sentir, mais do que pensar.

¿O que procuras mostrar neste Porto Interior?
De certa forma, uma surpresa pela ausência de vida, de movimento, de dados que permitam identificar na totalidade, de dados que permitam situar no tempo. Se calhar, em vez de mostrar, ou para lá de mostrar, procuro antes suscitar. O que se vê poderá ter muitas leituras. Interessa-me mais essa ideia de diversidade do que os respectivos conteúdos. Mas claro que quando se olha o Porto Interior, há conjecturas que se poderão formar, que podem ser interessantes, divertidas, sérias, pertinentes.
Acho que a fotografia comunica tanto através do que se vê, do que se interpreta como estando lá, como pela ausência de informação. Todas as imagens de Porto Interior foram captadas em espaços de acesso público por uma minha forma de ver muito privada. Todos estes espaços podem ser visitados e encontram-se quase todos ainda em funcionamento. A maior parte enche-se frequentemente de pessoas e de barulho e de coisas a acontecer, coisas perfeitamente normais como uma conversa, um cigarro a fumar-se, uma correria para chegar a qualquer lado, um encontro de convívio num sábado à tarde. Interessa-me despertar a imaginação: o que aconteceu antes e o que vai acontecer depois. E, porventura, a possibilidade do tudo que poderá significar.
A ausência e a ideia de tempo parado são um artifício desenvolvido no Porto Interior, que permite explorar este campo. E neste intervalo, entre esses dois momentos – o antes e o depois -, que é a fotografia, procuro intensificar sensações e sentimentos que se associam ao vazio: a melancolia, o abandono, a perda, a inaptidão, a duração, a solidão, a ausência, a desistência, o frio, o silêncio, o conforto, a calmia, a lonjura.
Acho que é uma procura que acaba por reflectir uma experiência urbana, como vivo e como vejo uma cidade, a minha cidade. Por ser tão minha, aos olhos dos outros, esta poderia ser uma cidade qualquer, onde se chega e se passa a descobrir, velha mas como nova.
Simultaneamente, tenho muito pouco poder sobre este Porto Interior. Ele próprio vai-se mutilando e alterando continuamente. Ao construir este trabalho, vou também mantendo, da forma que me é possível, a minha própria cidade, o lugar onde sou. É uma mundividência subjectiva e particular.

Imagino que entrar na casa das pessoas, nos seus espaços mais privados, para tirar fotografias não tenha sido tarefa fácil. Fala-nos um pouco do lado prático da concretização deste projecto.
Na realidade, todos os lugares que fotografei são de uso público ou semi-público. Isto não significa que seja imediato obter autorização para fotografar. Há locais onde basta chegar, pedir autorização e se podem logo fotografar. Outros sítios, os mais públicos de todos, não requerem pedidos de autorização, fotografam-se apenas, qualquer pessoa os poderá fotografar.
Como faço, profissionalmente, fotografia de arquitectura, tenho acesso a espaços que fotografo como trabalho.
Há, no entanto, instituições que simplesmente não permitem fotografar, como o Instituto de Medicina Legal ou edifícios militares.
Não fiz uma lista a priori do que iria fotografar. Os motivos vão surgindo com o próprio desenvolvimento do projecto. Há locais que me ocorreram de imediato, outros de que me vou lembrando ao longo do processo, ainda outros que vou descobrindo enquanto percorro a cidade, ou outros que surgem em conversas com outras pessoas. Na verdade, a lista não se completou ainda, sei que há fotografias que ainda quero fazer, e sei também que há sítios que ainda hei-de descobrir. De certa forma, este Porto Interior vai-se construindo à medida que vai crescendo. E acredito que poderia continuar ad eternum: como a própria cidade; impossível de conhecer ou captar na totalidade. Isto faz de mim alguém à deriva. Gosto desta sensação.

Monte Aventino, da série Porto Interior (© Inês d`Orey)

06 abril, 2007

*Três perguntas a...

Procissão dos Passos. 1 de Abril, 2007 (© Hugo Delgado)

Hugo Delgado. Nasceu em Braga. Tem 32 anos. Foi colaborador do Público. Fundou recentemente na capital do Alto Minho a WAPA - Wide Angle Photographic Agency.

¿Por que é que fotografas?
Filho de fotojornalista, desde cedo habituado a conviver com máquinas fotográficas e com o stress do fotojornalismo, vem quase por necessidade a experimentação do mesmo estilo de vida. Daí até a profissionalização foi um passo muito curto, talvez um "amor à primeira vista".

¿O que é te levou a fotografar durante anos as mesmas procissões, as mesmas manifestações de fé?
Nascido e criado na "Roma portuguesa", é quase impossível passar ao lado da fé que caracteriza Braga. Fotografo as procissões da Semana Santa desde 1995 e continuo a fazê-lo com um gosto especial - embora pareçam sempre iguais, encontramos sempre algo diferente e vários tipos de manifestações de fé. As expressões que tento captar transmitem isso mesmo "um olhar sobre a fé, as expressões da fé...".

¿Que projectos de ocupam agora?
Estou a preparar o lançamento de dois livros. Um é sobre África, onde abordo temas como a saúde, religião e educação nas antigas colónias portuguesas. O outro andará à volta da religião, não fosse esse o tema forte da cidade onde vivo. Em 2005 fundei a WAPA - Wide Angle Photographic Agency. Quero dar continuidade a este projecto que tenta colmatar uma lacuna que existe na fotografia não só em Braga, mas em todo país: representar e aproximar os trabalhos fotográficos do mercado nacional e internacional, apoiar fotógrafos, incentivar a criação fotográfica, entre outras coisas.

Texto do P2 sobre a exposição.

Procissão dos Passos. 1 de Abril, 2007 (© Hugo Delgado)


Hugo DelgadoSinais de Páscoa: rostos, luz, sombras, tradição, alegria, fé…
Espaço Braga, Braga Parque
Quinta dos Congregados, S. Vítor
Todos os dias das 10h às 23h.
Até 15 de Abril

Hugo Delgado, Rodrigo Lima, Silvino Rodrigues – Ecce Homo
Museu Pio XII. Lg. de Santiago
De 3ª a dom. (também feriados), 9h30 às 12h30 e das 14h30
às 18h
Até 27 de Maio

14 março, 2007

*Três perguntas a...

Auto-retrato, 2007

Maria Carapeto. Nasceu em S. Pedro do Corval, no Alentejo. Tem 46 anos. Estudou fotografia na Cooperativa Árvore, no Porto, na Aula do Risco, em Lisboa, e na Universidade de Brighton, na Inglaterra, onde viveu dez anos. Regressou a Portugal e trabalha como fotógrafa freelance. Tem uma paixão por roupas antigas e pelos mistérios que carregam. Na série The poetics of clothes adensa o imaginário sobre este tema concentrando a objectiva em pequenos pormenores do vestuário feminino. Em Junho de 2006, publicou na Egoísta, dedicada ao Renascimento, um conjunto de fotografias a que chamou Desencontros. Recentemente, no número especial da mesma revista, dedicada a Agustina Bessa-Luís, mostrou imagens que remetem para o imaginário ligado aos colares de pérolas na obra e na figura da escritora. Prepara o livro Ausência, com texto de Paulo Barriga.

¿Por que é que fotografas?
Quantas vezes me pergunto a mim mesma!

¿O que é que te dá o desfoque que não te dá a nitidez?
Para além da estética visual, a ideia de memória.

¿Que projectos te ocupam agora?
O projecto de um livro de fotografia e escrita, em colaboração com Paulo Barriga, que se chamará Ausência. Vai ser publicado pela 100Luz, de Castro Verde, no final da Primavera. Para além disso, tento dar seguimento a mais uns quantos work in progress.


The poetics of clothes, 2002 (© Maria Carapeto)

27 fevereiro, 2007

*Três perguntas a...


Augusto Alves da Silva, sem título, 2005-2006
(cortesia Galeria Fonseca Macedo, Ponta Delgada)

Na volta do correio ao *Três perguntas a..., Augusto Alves da Silva, um dos finalistas do Bes Photo, remete para as respostas que deu a Ricardo Nicolau publicadas no catálogo da exposição. Ficam algumas passagens dessa conversa:

Para mim, que gosto de clareza, o negócio da venda de obras de arte, o mundo galerístico, é o sistema mais turvo que conheço. O que eu valorizo nas encomendas institucionais é não ter de pensar em vendas.

A fotografia suscita sempre um grande equívoco, que sempre me fascinou: toda a gente tira fotografias, toda a gente tem máquinas fotográficas. As pessoas que me estão a encomendar um trabalho julgam que sabem exactamente o que é e para que serve a fotografia e já têm um modelo na cabeça do que pretendem, que normalmente é o modelo standard de reportagem que melhor lhes pode publicitar a instituição.

Aquele pressuposto de que a fotografia é um gerador de estereótipos, e que a forma como as imagens são contextualizadas modifica o que se vê, coloca a pessoa que trabalha com esse medium numa posição delicada, em que tem sempre de pensar nas implicações éticas de gerar determinado tipo de imagens e de as fazer circular.

Tento construir uma espécie de universo fotográfico em que não abdico da sofisticação, mas em que qualquer pessoa pode, à partida, ver alguma coisa com que se identifique. Depois ensaio formas de interferência entre as imagens que possam criar uma espécie de curto-circuito que, idealmente, deveria fazer rebentar a instalação dentro da cabeça, fazer saltar os disjuntores do quadro (...).

Quero que as minhas imagens, porque aparentemente cristalinas, possam cativar quaisquer pessoas, para depois confundi-las. Se se sentirem confusas é porque estão a raciocinar. Talvez comecem a não tomar como garantido aquilo que está à frente delas. Isto de que estou a falar, por mais perigosa que seja a palavra, é claramente da ordem da ideologia.

O enquadramento é o primeiro acto de manipulação. Não há forma mais imediata de mostrar o que é uma fotografia que mostrar alguém a fotografar.

19 fevereiro, 2007

*Três perguntas a...

© Susanne Themlitz, da série
Territórios e Estagnações Ambulatórias, 2006

Susanne S. D. Themlitz. Artista plástica lisboeta, de 38 anos. Vive e trabalha entre Lisboa e Colónia, na Alemanha. Tem formação de base de escultura e desenho (Ar.Co). À semelhança de Vasco Araújo, é uma das artistas seleccionadas para a fase final do Prémio Bes Photo que usa o suporte fotográfico em projectos não exclusivamente fotográficos (instalação, pintura). Extroversão (Agência Vera Cortês) foi a mostra que convenceu o júri a incluí-la na edição deste ano do prémio.

¿Por que é que misturas tintas com sais de prata?
Uma pergunta culinária... Metemos farinha nos crepes, alho nos bifes e sal nas batatas. Mas para chegar à resposta, o assunto parece-me menos culinário e mais existencial. Terra para o trigo, vacas para os bifes e água para as batatas, e muita outra coisa... para a série dos Errantes (entre também muita outra coisa) - tinta.

¿Dizes: Quando me vejo nos espelhos à volta, o tempo não anda, enquanto a imagem reflectida continua a crescer. A imagem do real já ultrapassou definitivamente a percepção que temos do real?
Não sou eu quem fala nos espelhos e na imagem reflectida. Escrevi sim o texto para o catálogo que funciona como peça: No Laboratório Introspectivo há duas pessoas a conversarem - Uma e Outrem. Acho que nem Uma nem Outrem se referem à ideia que a realidade é um carro na auto-estrada que pode ser ultrapassado (para usar a tua expressão) ou que ultrapassa outros que vão a passo de caracol. Trata-se menos de uma corrida, mas mais de raciocínios e de ligações sinápticas.

¿Os lugares-fábula oníricos e desconcertantes que nos dás a ver continuam a interessar-te? Para onde nos leva a seguir a tua imaginação?
Não faço ideia.

02 fevereiro, 2007

*Três perguntas a...

© Vasco Araújo, Trabalhos para Nada - O homen que confundiu a sua Mulher com um chapéu, 2007 (Pormenor da instalação, fotofrafia c-print, 70x50cm)

Vasco Araújo. Nasceu, vive e trabalha em Lisboa. Tem formação em Escultura (FBAL) e em Artes Plásticas (Maumaus). Expõe individualmente desde 2000. Em 2003 ganhou o prémio EDP Novos Artistas. Usa o suporte e a linguagem fotográficas regularmente no seu trabalho que se centra no ficcionamento de personagens e de vidas paralelas. Foi escolhido para integrar a fase final do BES Photo por várias exposições em que participou e/ou realizou, entre as quais, Densidade Relativa (CAMJAP da Fundação Calouste Gulbenkian) e O que eu fui (Galeria Filomena Soares).

¿O que é que te dá a linguagem fotográfica?
A fotografia é o registo do passado que te dá a hipótese de falar no presente e projectar no futuro. Ou seja, ao usar sobretudo imagens que fazem referência ao passado, mesmo que ele seja relativamente próximo, obtenho uma universalidade capaz de estabelecer contacto directo com o público que as vê, não colocando assim as imagens ou os conceitos em causa. O que provoca uma reacção directa nesse público, criando-lhe, desta forma, a possibilidade de construir uma posição crítica.

¿As obras onde usas a fotografia sugerem uma dupla paragem do tempo. É para sublinhar a finitude? De nós? Das coisas?
Sim, é o sublinhar de uma história, de um passado. Todas as imagens levam-nos para um fim, que pode ser variado, mas invariavelmente é o da morte, a nossa última existência. No projecto que fiz na galeria Filomena Soares no ano passado, O que eu fui, uma instalação com fotografias de estátuas de cidade eram acompanhadas de som, pelo qual podíamos ouvir um texto, onde uma mulher quase a morrer fazia a análise em retrospectiva da sua vida, ironizando e, ao mesmo tempo, julgando a sua felicidade, organização e inteligência. As estátuas são o último monumento à humanidade, elas estão sempre presentes entre nós e quase nunca as observamos. O facto de as ter fotografado, sobretudo de tão perto, obrigava o público a tê-las como corpo presente onde uma voz lhes dava vida.

¿Que projectos te ocupam agora? Continuam a envolver fotografia?
De momento estou a preparar um projecto em vídeo para o Baltic Art Center, em Newcastle, em Inglaterra. Este projecto não tem directamente a ver com fotografia mas baseia-se também neste mesmo princípio que falei, o uso do passado para falar no presente e projectar no futuro. Vai chamar-se, About being different.

26 janeiro, 2007

*Três perguntas a...

I Spy, da série Collected Short Stories, 2003 (160x120 cm, © Daniel Blaufuks)

Daniel Blaufuks. Fotógrafo lisboeta com um trabalho ligado à imagem conceptual. Começou a estudar fotografia no Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual), Lisboa, e continuou no Royal College of Art, Londres, e na Watermill Foundation, Nova Iorque. Para além do suporte fotográfico usa outros meios para apresentar as suas obras, como o vídeo e os livros. Tem também um trabalho paralelo como documentarista. No ano passado foi seleccionado para a recta final do prémio BES Photo. A série que expõe agora no Centro Cultural de Belém dá a ver imagens de Terezín (antes chamada Theresienstadt, República Checa), uma localidade transformada em campo de concentração pelos nazis alemães.
Nota: com este *Três perguntas a..., inaugura-se uma série de pequenas conversas com os artistas escolhidos para a edição deste ano do BES Photo.

¿Por que é que fotografas?
A fotografia é apenas uma desculpa para um outro segredo.

¿Na série Terezín, as fotografias estão impressas com grandes margens brancas. Quiseste transmitir serenidade, candura?
As margens correspondem à paginação do livro, que é a base final do projecto, isto é, as fotografias são páginas do livro ampliadas. Daí que algumas apareçam descentradas. Mas penso que desta forma demonstro também o meu respeito pelos locais e rostos fotografados, suavizando a sua apresentação neste formato.


¿O que é que pensas dos usos menos convencionais que se fazem hoje da fotografia?
Não sei exactamente ao que aqui te referes. Mas a fotografia não é já necessariamente o que Robert Frank uma vez descreveu como "apenas uma folha de papel". Pode sê-lo, mas pode também ser exactamente o contrário - uma fotografia pode ser pequena, pode ser grande, pode inserir-se numa arquitectura, ou apenas num postal, fazer parte de um jornal ou de uma página na net.
Passámos da folha de papel para uma selva de imagens, em que o nosso olhar é constantemente invadido por imagens na televisão, publicidade na rua, nos jornais e tudo é passível de ser fotografado. Uma floresta democrática, como lhe chamou William Eggleston.
Para que uma imagem faça alguma diferença nas nossas vidas, nem que seja por segundos, necessita de uma intenção clara e precisa por parte do seu criador. E uma imagem numa parede de uma galeria não é igual, mesmo sendo uma fotografia idêntica, a uma imagem no exterior de um prédio no centro de uma cidade. Daí que a minha fotografia seja também um trabalho sobre a relação da imagem com outras imagens, públicas ou privadas, e com o espaço em que se insere, sobre como e onde a imagem é apreendida e sobre as suas possíveis leituras.

08 janeiro, 2007

*Três perguntas a...


Auto-retrato, 2002

Augusto Brázio. Fotógrafo alentejano a trabalhar em Lisboa, membro da agência [kameraphoto]. Ligado ao extinto suplemento DNa, do Diário de Notícias, desde a sua fundação, construiu aí uma forma muito particular de retrato, de grande capacidade narrativa. Continua a assinar no DN imagens da fisionomia humana, agora com um pendor mais sofisticado. Para o álbum Olha pra mim (Oficina do Livro), seleccionou dezenas de retratos que traçam um percurso marcado pela eficácia na hora de dar a ver o outro. Eduardo Prado Coelho assina os ensaios da obra.


¿Por que é que fotografas?
Tenho enorme curiosidade pelo que me rodeia. A imagem fotográfica é consequência.

¿O que é um bom retrato? O que é que procuras no retratado quando lhe apontas a objectiva?
Pode-se conhecer o outro com o que dele se mostra? A labuta não tem fim. Quanto ao bom retrato...

¿O retrato ocupou uma parte significativa do teu trabalho nos últimos anos. Continua a surpreender-te a figura humana?
Só faz sentido andar neste ofício se tiver toda a disponiblidade para a surpresa, positiva ou negativa, pequena ou grande... No final, é sempre olhar o outro.


António Ramos Rosa


Graça Moraes

09 dezembro, 2006

*Três perguntas a...


Candida Höfer

Candida Höfer. Fotógrafa alemã que pratica o que se convencionou chamar de Nova Objectividade, corrente fundada por Bernd e Hilla Becher, professores de Höfer, que inclui ainda nomes como Thomas Ruff, Andreas Gursky ou Thomas Struth. No ano passado, o Centro Cultural de Belém desafiou-a para um grande projecto envolvendo espaços interiores de monumentos e edifícios, públicos e privados, portugueses. As 83 fotografias penduradas nas paredes do CCB mostram o resultado das quatro visitas que Höfer fez a Portugal entre Outubro de 2005 e Julho de 2006. A exposição chama-se Em Portugal.


¿Por que é que fotografa?
O que é que queria que eu fizesse? Que pintasse? (risos) Comecei a tirar fotografias porque era o suporte mais fácil para criar um trabalho.

¿O que é que tenta mostrar-nos nestas fotografias de grande formato?
Durante algum tempo eram mais pequenas, mas, à medida que foram crescendo em tamanho, foi também aumentando a sensação de estarmos dentro delas, dentro daquele espaço. Acontece a mesma coisa quando se publica um livro pequeno ou um livro grande. No caso de haver interiores, é nos livros de maiores dimensões onde nos sentimos mais dentro da situação.

¿Pretende continuar a captar espaços vazios?
Sim! (risos) Às vezes acontece haver pessoas nos espaços que quero fotografar, mas desde que não perturbem o meu trabalho não me importo que estejam lá.


Candida Höfer, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra I, 2006

23 novembro, 2006

*Três perguntas a...

Daniel Barroca, fotografia anónima encontrada na rua, sem data

Daniel Barroca. Artista plástico de Lisboa. Expõe actualmente na Galeria Baginski a série de vídeos Vazio e um conjunto de desenhos. Os três vídeos apresentados foram captados em locais distintos e privilegiam a saturação digital criada pelo zoom, pelo desfoque e pela manipulação de cor e velocidade.

Texto de apresentação da exposição em pdf.

¿Acredita na capacidade das imagens para “invocar” o que “não tem nome e que é vital”?
É uma coisa muito religiosa. Há uma necessidade de que isso seja possível. Continuamos a ter necessidade de ter uma vida espiritual.

¿Que critérios usa para perceber que as imagens lhe estão a mostrar aquilo que nunca se viu?
Não sei se nunca se viram. Eu é que nunca as vi. Tem a ver com a utilização da imagem para ir percebendo como é que se formou a minha sensibilidade, como a influência da fotografia, ou das coisas exteriores a nós, aquelas que nos vão ensinando a olhar para o mundo (e a fotografia é importante quando falamos sobre isso, porque é um suporte que nos vai enquadrando o olhar, nos vai formando a sensibilidade, tal como a televisão e o cinema o fazem). No meu trabalho uso as imagens para perceber como é que isso funciona sobre mim e para encontrar uma espécie de vias de escape, uma brecha nesse cenário. Agarro nas imagens para perceber como é que elas se posicionam, como é que elas são. Para perceber como é que elas agem sobre mim e como é que eu posso agir sobre elas. Uma imagem que me satisfaz é aquela que tem a capacidade de me revelar alguma coisa que eu não sabia. E aí estou a dar e receber ao mesmo tempo.

¿Que suporte melhor se adapta a esta tentativa de mostrar “as coisas concretas da vida”?
É pelo desenho. Muito contaminado pelo olhar da fotografia. Não procuro uma forma de lidar com isso muito racional. O desenho é uma coisa que acontece muito naquele momento não é uma coisa muito planeada. Não tem a ver com fazer imagens ou vídeo e depois editá-las e conviver com elas muito tempo. O desenho é uma coisa muito mais imediata. Tem um imediatismo muito diferente da fotografia, mas quando falo do imediatismo no desenho estou a considerar a fotografia nessa relação.


Daniel Barroca, Vazio #3 (film still), dv, cor, stereo, 6`40, 2006


Vazio, Daniel Barroca
Galeria Baginski, R. da Imprensa Nacional, nº 41, c/v esq.
De ter. a sáb., das 14h00 às 18h00
Até 21 de Dezembro

08 novembro, 2006

*Três perguntas a...

Lote 339. Rica mulher Gentia, fotógrafo não identificado, Goa, finais do séc. XIX, albumina (14x18 cm.)

Luís Trindade e Bernardo Trindade. Os primos Trindade têm o negócio das antiguidades no sangue. Luís abriu a Potássio 4, dedicada à conservação e restauro, Bernardo segue as pisadas do pai na livraria Campos Trindade, especializada em obras antigas, mapas e gravuras. Os dois assumiram em Junho deste ano a responsabilidade de organizar pela primeira vez um leilão de fotografia em Portugal. O segundo está marcado para amanhã.

¿Por que é que decidiram fazer este leilão agora quando passaram apenas 4 meses da primeira venda de fotografia organizada em Portugal?
Luís Trindade - Este leilão já estava a ser organizado antes do 1º leilão de Junho. Sempre acreditamos que era um projecto para ficar. Achamos que era importante melhorar rapidamente alguns aspectos que tinham ficado aquém do que pretendíamos.
Bernardo Trindade - Vimo-nos a braços com a recepção de muitos lotes e espólios particulares para futuros leilões, talvez devido à grande visibilidade que o leilão teve por parte da imprensa. Nota-se também um capital de confiança, que penso termos conquistado com a boa organização do leilão (não renegando alguns aspectos a melhorar) e também com a boa percentagem de lotes vendidos.

¿Acreditam que se podem consolidar os leilões de fotografia em Portugal?
LT - Sim. Além destes leilões estamos já a explorar outras áreas. É esperar para ver…
BT - Não só acredito, como tenho a certeza que este caminho que nós tomámos veio fazer renascer o interesse já existente na área da fotografia com que todos os dias deparo na minha livraria alfarrabista. Foi também curioso ver no primeiro leilão o aparecimento de potenciais futuros coleccionadores, pessoas esclarecidas, que sabiam exactamente aquilo que queriam comprar, e que não tinham ainda aparecido no percurso “tradicional” do comércio de fotografia antiga dos alfarrabistas e antiquários. É perfeitamente possível realizar 3 leilões de fotografia por ano no nosso país.

¿O catálogo do próximo leilão já está a ser organizado? Haverá mais fotografia contemporânea?
LT - Sim, já está a ser organizado. Já temos confirmados alguns fotógrafos contemporâneos e fotojornalistas para os próximos leilões. Continuamos a receber propostas até Dezembro.
BT - Temos recebido muitos lotes nestes últimos tempos e o que posso dizer é que estamos a ser muito mais exigentes na qualidade dos lotes a ir à praça. A fotografia contemporânea vai estar bem representada no 3º leilão, a realizar no próximo ano.

 
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