10 Novembro, 2009
das cidades
Visura
09 Novembro, 2009
=ColecçãoàVista=36
Nuno Félix da Costa, Sem título, s/ d,Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia
Nuno Félix da Costa nasceu em Lisboa em 1950. É médico psiquiatra no Hospital de Santa Maria e Professor da Faculdade de Medicina e do Instituto de Ciências de Saúde. Desde 1983 que tem dado a conhecer o seu trabalho em exposições individuais e colectivas de pintura e fotografia. Nos seus projectos artísticos, o autor tem associado poesia a estas duas componentes. Um exemplo disso é Arte Última, editado em parceria com a Casa Fernando Pessoa e acompanhado por poemas do poeta português.
Nesta imagem, o autor usa uma técnica diferente que resulta da junção de impressão de fotografia digital com desenho. É uma técnica muito curiosa pela utilização do pixel e também do traço. Talvez a falta de “consistência” do digital tenha levado o autor a graffitar posteriormente as imagens.
(texto:CPF)
08 Novembro, 2009
Zmâla

Chegou-me às mãos uma nova revista onde a fotografia de reportagem é a principal protagonista: a Zmâla. O título, com sede em França, quer mostrar nas suas páginas o que de melhor é registado pelos colectivos de fotógrafos de todo o globo. A reportagem de João Pina nas favelas do Rio de Janeiro representa o colectivo português [KameraPhoto]. Há também lugar para ensaios como o que Gilles Mora escreveu sobre o futuro e os problemas actuais que se colocam à fotografia de rua. A revista é editada pela Photographie & Compagnie, um casa independente que dá início à sua actividade com este projecto. A Zmâla custa 19 euros. Está à venda na sede da [KameraPhoto], em Lisboa, e pode ser encomendada pelo mail: zmalaphoto@gmail.com
06 Novembro, 2009
A&J
O que me surpreendeu quando vi as fotografias de A&J de José Carlos Duarte no ano passado foi sobretudo essa capacidade de retratar um happening casamenteiro de uma forma tão distanciada e ao mesmo tempo tão íntima. Ficamos a imaginar os corpos completos que se vestem assim, os seus rostos, as suas expressões de contentamento, de emoção e euforia. Ficamos a imaginar o que se diz naquele grupo de pernas armadas com saias de cetim. Entramos no sonho daquele rapaz esgotado que caiu redondo no sofá gigante à espera que a meia da noiva seja finalmente cortada e leiloada. Vemos (será que vemos?) a festa a decorrer, os bolos e balões mas nunca provamos pitada que seja do prato principal. E, paradoxalmente, é a partir de uma certa sonolência e algum desapego que entramos como convidados especiais nesta festa que celebrou também o registo fotográfico do pico de felicidade, sempre coberto (negado?) pelo véu do corte e do descontexto.
A&J foi reconhecido com uma menção honrosa no prémio Novos Talentos FNAC Fotografia 2008. A FNAC Sta. Catarina, no Porto, mostra este trabalho até 31 de Dezembro.
© José Carlos Duarte
Robert Frank no Estoril
Depois de ter pousado a máquina fotográfica, no final dos 50, o mestre americano Robert Frank passou a dedicar-se mais à imagem em movimento. Mesmo depois de ter regressado à fotografia, durante os anos 70, Frank não mais deixou de fazer cinema e vídeo. No ano passado, a editora alemã Steidl começou a editar em DVD toda a cinematografia de Robert Frank que é composta por mais de 25 obras. O projecto Robert Frank - The Complete Film Works terminará no Outono do próximo ano, para quando está prevista a distribuição das quatro películas mais recentes, rodadas entre 2002 e 2006.
Conversations in Vermont (26´, 1969), o primeiro de vários títulos autobiográficos, pode ser visto no DocLisboa do ano passado. Agora, o Estoril Film Festival, apresenta a partir de hoje uma ampla selecção de obras do realizador nas Robert Frank Sessions.
O programa está aqui
05 Novembro, 2009
“entre aspas”
“O ajudante de farmácia pediu para falar com o senhor doutor, gostaria que o senhor doutor lhe dissesse se tinha, sobre a doença, uma opinião formada, Não creio que se lhe possa chamar, em sentido próprio, uma doença, começou por precisar o médico, e depois, simplificando muito, resumiu o que investigara nos livros antes de ter cegado. Algumas camas adiante, o motorista escutava com atenção, e quando o médico terminou o seu relato, disse de lá, Aposto que o que sucedeu foi terem-se entupido os canais que vão dos olhos até aos miolos, Forte besta, resmungou indignado o ajudante de farmácia, Quem sabe, o médico sorriu sem querer, na verdade os olhos não são mais do que umas lentes, umas objectivas, o cérebro é que realmente vê, tal como na película a imagem aparece (...)”
03 Novembro, 2009
Georgian Spring
Alex Majoli, Olhando através do monóculo de um sniper, checkpoint na Ossétia do Sul© Alex Majoli/Magnum Photos
Depois do lançamento do álbum Georgian Spring é a vez de brilhar o site com os dez ensaios de fotógrafos da Magnum que andaram pela Geórgia na tentativa de construir um retrato identitário daquele país. A página georgianspring.com explica todos os pormenores do projecto, apresenta vídeos, podcasts e os portfólios de todos os fotógrafos envolvidos: Antoine d'Agata, Jonas Bendiksen, Thomas Dworzak, Martine Franck, Alex Majoli, Gueorgui Pinkhassov, Martin Parr, Paolo Pellegrin, Mark Power e Alec Soth. Aqui
Deutsche Börse
Os fotógrafos nomeados para a fase final do Deutsche Börse Photography Prize foram recentemente anunciados pela londrina The Photographers’ Gallery, parceira do galardão. Anna Fox (Ing., 1961), Zoe Leonard (EUA, 1961), Sophie Ristelhueber (Fr., 1949) e Donovan Wylie (Ing., 1971) concorrem para o prémio máximo que será divulgado no dia 17 de Março de 2010. Antes desse anúncio, será apresentada uma exposição dos finalistas que poderá ser vista entre 17 de Fevereiro e 18 de Abril.
O prémio anual, no valor de 33 mil euros, reconhece um artista vivo, de qualquer nacionalidade, que através de uma exposição ou de um livro "tenha contribuído de forma marcante para o panorama da fotografia europeia" entre 1 de Outubro de 2008 e 30 de Setembro de 2009. O júri da edição deste ano será composto por Olivia Maria Rubio (directora de exposições da galeria La Fabrica, Madrid), Gilane Tawadros (líder da Design Artists Copyright Society, curador e escritor), James Welling (artista) e Anne-Marie Beckmann (curadora da Art Collection Deutsche Börse).
02 Novembro, 2009
=ColecçãoàVista=35
Alvin Langdon Coburn, Decorative Study, 1906Forma abstracta
Alvin Langdon Coburn (1882-1966) pertence à geração de fotógrafos que trouxe a mudança da arte pictórica do século XIX para o estilo de fotografia de orientação vanguardista. Fez experiências com perspectivas e desenvolveu um interesse por estruturas e formas abstractas.
Em 1916 escreveria palavras nas quais ecoava o manifesto de Stieglitz em favor da exploração das qualidades próprias à fotografia e o abandono de referências estéticas alienígenas: “O que nós precisamos na fotografia é mais sinceridade, mais respeito pelo nosso meio e menos respeito por convenções decadentes”, dizia Coburn, e acrescentava: “Isso faz-me querer gritar, ‘Acordem!’ ‘Façam alguma coisa ultrajantemente ruim, desde que isso seja revigorante”. Havia ali um convite à ousadia e à criatividade que, se hoje soa muito permeado pelo “progressismo” da época, ainda assim permanece uma das mais vigorosas páginas escritas em torno da estética fotográfica. (texto:CPF)
Pierre von Kleist
Já não era sem tempo: há uma nova editora de livros de fotografia em Portugal, iniciativa de André Príncipe e José Pedro Cortes. Chama-se Pierre von Kleist, tem publicado um livro, Silence, de José Pedro Cortes, o segundo a caminho, VOL.I, de Pauliana Valente Pimentel, e o terceiro agendado para Dezembro, uma reedição de Lisboa, cidade triste e alegre, de Victor Palla/Costa Martins que contará com um ensaio de Gerry Badger um dos autores do celebrado The Photobook - A History. O lançamento do álbum de Pauliana Valente Pimentel acontece na quarta-feira, na galeria lisboeta 3+1, R. António Maria Cardoso, 31.
VOL.I, Pauliana Valente Pimentel450
Para a história da Universidade de Évora
Sérgio C. Andrade
(P2, 1.11.2009)
É um levantamento histórico-sociológico aquele que a Universidade de Évora decidiu agora fazer, na passagem dos 450 anos de ensino na instituição. A reitoria decidiu assinalar a efeméride com um projecto triplo: uma exposição, um livro e um vídeo, que fazem uma súmula daquilo que é a realidade actual na universidade. O seu dia-a-dia, dentro e fora de portas, a população estudantil que a frequenta e as actividades em que se envolve ao longo do ano lectivo: o estudo e o lazer, a investigação laboratorial e o trabalho de campo, as praxes e o desporto, a relação com as pedras e os lugares históricos de Évora...
Da exposição de fotografia ocupou-se o colectivo Kameraphoto, que reuniu 13 fotógrafos – Alexandre Almeida, Augusto Brázio, Céu Guarda, Guillaume Pazat, João Pina, Jordi Burch, Martim Ramos, Nelson d’Aires, Pauliana Valente Pimentel, Pedro Letria, Sandra Rocha e Valter Vinagre.
“Esmiuçaram” a universidade de ponta a ponta, e do início ao fim de um ciclo, “percorrendo salas de aula, bibliotecas, laboratórios de investigação e herdades experimentais, espiando os alunos e os professores nas cerimónias académicas, na lavra dos campos, nas pesquisas arqueológicas, nas cirurgias veterinárias, na observação da fauna oceânica, nas expressões artísticas e no desporto, no namoro, no lazer e nas tradicionais praxes académicas”, como descreve o reitor, Jorge Araújo.
Tudo isto está registado num retrato constituído por 170 imagens, realizadas “sem
maquilhagem nem peruca”, e que poderão ser vistas a partir de hoje, e até 31 de Dezembro, no Palácio da Inquisição, na galeria de exposições da Fundação Eugénio de Almeida – que futuramente será a sede do Museu de Arte Contemporânea de Évora.
Acresce à exposição e ao livro um vídeo de 16 minutos, intitulado A Rede, realizado por Rui Xavier, também membro do colectivo Kameraphoto. No conjunto, um testemunho da vida real da Universidade de Évora, ao mesmo tempo para registar História e ficar para a História.
Augusto Brázio, Hospital Veterinário, pós-operatório, Março, 2009© Augusto Brázio
450, [Kameraphoto]
Fundação Eugénio de Almeida, Palácio da Inquisição, Évora
Até 31 de Dezembro
01 Novembro, 2009
PHE Trasatlántica
Não são novidade as ambições extra fronteiras do festival PHotoEspaña que em edições anteriores já se estendeu para França e Portugal. Agora, atravessou o Atlântico para se instalar na América do Sul instituindo um novo fórum. A iniciativa foi apelidada de Trasatlántica e a motivação principal passa por "promover o encontro de profissionais e criar redes de trabalho no âmbito da fotografia e das artes visuais" naquele continente. O fórum arranca no início de Novembro e prolonga-se até Janeiro de 2010 em vários países latino-americanos. Haverá crítica de portfólios, selecção dos melhores trabalhos para futuras exposições, incentivo ao comissariado online, encontro de críticos, teóricos e investigadores de fotografia e envolvimento de instituições de fotografia da América do Sul.
O site do Trasatlántica tem os pormenores. aqui
as 100
Na última semana a agência Reuters divulgou uma selecção das suas 100 fotografias da década. Na escolha, prevalecem as imagens de guerra, calamidade, medo e catástrofe. A década que agora passa não se apresenta assim tão diferente de outras que já passaram. E, por este prisma, parece que continuamos a gostar de olhar o sofrimento dos outros (Sontag).
29 Outubro, 2009
/uma fotografia, um nome\
Esta imagem pertence a uma série de três, A céu aberto, que vi pela primeira vez em Braga, nos Encontros da Imagem em 2002; a autora cedeu-me duas para uma publicação recente. Trata-se de uma transfiguração: a figura curvada que se encontra em primeiro plano irá transmutar-se numa nuvem compacta de flores vermelhas que parecem papoilas; na terceira fotografia apenas vemos um compacto conjunto de flores. São imagens muito belas, onde a dominante é a cor esparsa das papoilas. Esta imagem é a primeira da série.
Mas quando as vi ocorreu-me de imediato uma novela de Boris Vian, na qual uma rapariga doente dos pulmões apenas sobrevivia aspirando a vitalidade flores que sucessivamente lhe traziam e que, também sucessivamente, murchavam: era um trocadilho, mas arrepiava. Na série de Graça Sarsfield as flores investem sobre a mulher vergada, quase indistinta na penumbra e ocupam todo o seu espaço. É a vanguarda de um enxame de flores sedentas do corpo que flutuam à altura dos nossos olhos, um enxame de flores vermelhas de sangue.
E, no entanto, há uma delicadeza, uma estética muito clara na composição que sempre se sobrepõe à nossa consternação. As flores de fogo, frágeis como um sopro, não rimam com este sentimento nem com o fim das coisas, fins de dia, fins de luz. Acodem no fim da vida, como participantes, como homenagem. Talvez por isso mesmo me acudam velhas hipóteses de Pitágoras sobre a contínua encarnação, o ciclo de nascimentos das almas pouco responsáveis.
Mas seja para contar esta história ou fazer uma narrativa qualquer, confrontamos uma encenação fabulosa, um enquadramento de mistério, profundamente onírico: a sombra da mulher suficientemente vergada para deixar visível a janela por onde entram, uma a uma, as papoilas e, ao mesmo tempo, definir os contornos da figura na penumbra; esta semi-obscuridade esclarecida não pela clarabóia mas pela luz da sala adjacente, o envelhecimento e abandono de todo o contexto… é todo o ritual mistérico que se define. A luz vem com as papoilas vermelhas acabará por encher o espaço e retirar outra informação quando o enxame de flores absorver a mulher.
São imagens perversas, na fragilidade da sua indeterminação. É uma narrativa perversa que retira à ideia da flor a sua benignidade e beleza. Um pesadelo muito belo.
… A obra fotográfica sempre foi uma obra aberta.
Maria do Carmo Serén
Graça Sarsfield trabalha e vive no Porto.
=ColecçãoàVista= 34
Gérard Castello-Lopes, Portimão, Portugal Curiosidade
Personalidade de destaque no panorama da fotografia portuguesa, além de profissional de cinema e crítico, Gérard Castello-Lopes, nascido em Vichy em 1925, viveu em Lisboa, Cascais e Estrasburgo, fixando mais tarde residência em Paris. Como autodidacta, dedica-se à fotografia a partir de 1956 tendo como referência Cartier-Bresson. Caracterizam-no dois períodos, o da década de 50, em que mostra um registo sobre Portugal, e o da década de 80 sobre o Mundo. Nas suas próprias palavras, a fotografia é a sua maneira de “bloquear o Mundo”. Fotografa a preto e branco, e frequentemente inscreve no título o lugar geográfico e data.
Esta imagem, produzida em momento decisivo, sugere-nos uma paragem no tempo e aguça a observação e a curiosidade de perceber o que está para além do olhar e dos olhares.
(texto:CPF)
26 Outubro, 2009
“entre aspas”
“Levantou-se com cuidado, às apalpadelas procurou e enfiou o roupão, entrou na casa de banho e urinou. Depois virou-se para onde sabia que estava o espelho, desta vez não perguntou Que será isto, não disse Há mil razões para que o cérebro humano se feche, só estendeu as mãos até tocar o vidro, sabia que a sua imagem estava ali a olhá-lo, a imagem via-o a ele, ele não via a imagem.”
Misrach e Beard
25 Outubro, 2009
Pina no El País
Dois alegados traficantes de droga detidos durante uma operação da polícia no bairro de Acari, Rio de Janeiro, Brasil© João Pina
O fotógrafo do colectivo [KameraPhoto] João Pina assina no El País uma grande reportagem sobre o quotidiano das favelas do Rio de Janeiro. As imagens são acompanhadas de um texto de Bernardo Gutiérrez e podem ser vistas aqui. É deprimente reparar que não existe hoje em Portugal jornal ou revista com orçamento para pagar com regularidade trabalhos de fundo com esta qualidade.
Adenda: a prestigiada The New Yorker foi primeira publicação a divulgar um conjunto de imagens deste trabalho de João Pina que tem fotografado as favelas do Rio desde há dois anos e meio. A galeria é acompanhada com um depoimento de Jon Lee Anderson que assina o texto Gangland na edição de 5 de Outubro.
desenhos de Eggleston

Pela primeira vez desde que foi lançada, em 1952, a Aperture Magazine reproduz na capa um desenho e não uma fotografia. Para o número de Outono, a revista da Aperture Fundation escolheu um desenho abstracto do mestre William Eggleston, o primeiro a apresentar uma exposição de fotografia a cores no MoMA de Nova Iorque, em 1976. É a primeira vez que esta faceta de Eggleston para lá da fotografia é publicamente divulgada.
23 Outubro, 2009
Prix Pictet para Nadav Kander
Kofi Annan, antigo líder das Nações Unidas e presidente honorário do Prix Pictet, anunciou ontem à noite em Paris o vencedor do Prix Pictet 2009 para a sustentabilidade ambiental: Nadav Kander, fotógrafo israelita a viver no Reino Unido. Ao fotógrafo americano Ed Kashi foi atribuída uma bolsa anual para trabalhar em Madagáscar com a ONG Azafady num projecto relacionado com a degradação dos solos e a desertificação de certas regiões do país. O tema deste ano do Prix Pictet era a Terra. Nadav Kander foi escolhido pelo portfolio Yangtze, The Long River Series, 2006-07, que mostra as bruscas mudanças na paisagem e nas localidades chinesas que se situam ao longo do rio Yangtze.
Kander e Kashi foram seleccionados de uma lista de 12 nomes que incluíam Darren Almond, Christopher Anderson, Sammy Baloji, Edward Burtynsky, Andreas Gursky, Naoya Hatakeyama, Nadav Kander, Ed Kashi, Abbas Kowsari, Yao Lu, Edgar Martins e Chris Steele-Perkins.
Annan aproveitou a ocasião do anúncio dos prémios para lançar um recado para a cimeira de Copenhaga sobre as alterações climáticas que se avizinha: “Only weeks separate us from the decisive negotiations on climate change in Copenhagen. We are confronted with the vital need to prepare the political momentum necessary for a fair and effective post-Kyoto agreement. The images in front of us remind us of the fragility of our planet and the damage we have already done. When we see these photographs we cannot close our eyes and remain indifferent. Through our actions and voices, we must keep building the pressure to secure urgent action at Copenhagen and beyond.”
Por seu lado, Francis Hodgson, presidente do júri, sublinhou a qualidade excepcional dos trabalhos deste ano e acrescentou: “The shortlisted photographers set the Jury an immense problem and I am grateful to my fellow judges for their insight, expertise and good humour.”
Todos os portfolios dos 12 finalistas podem ser vistos até 24 de Novembro numa exposição inaugurada na galeria Passage de Retz, em Paris. A mostra andará depois em itinerância por vários países. Não há ainda nenhuma data prevista para Portugal. O catálogo da exposição foi publicado pela teNeues.
O site de Nadav Kander tem uma galeria com fotografias de Yangtze, The Long River Series, 2006-07 aqui
Há cerca de um ano, o fotógrafo falou com Leo Benedictus do Guardian acerca daquela que considera ser a sua melhor fotografia. aqui
20 Outubro, 2009
fazer zoom
A mentira é um dos temas eleição do realizador americano Errol Morris, autor, entre outros, do documentário Standard Operating Procedure, que aborda o escândalo das fotografias da prisão iraquiana de Abu Ghraib tiradas por soldados americanos. Os ensaios que Morris tem publicado no blogue Zoom (New York Times) a propósito da mentira na fotografia (mas não só) são particularmente interessantes e muito úteis para quem se interessa por discussões (sempre frutíferas) como a que aborda a fiabilidade das imagens ou a que trata casos históricos de propaganda com recurso à fotomontagem.
Os últimos posts de Morris (dois primeiros de uma série de sete) recuperam as polémicas acerca das fotografias manipuladas/"encenadas" durante o período da Grande Depressão. Arthur Rothstein é um dos fotógrafos da agência do Governo dos EUA Farm Security Administration no centro da discussão. Mas o texto vai mais além questionando o "puritanismo" regularmente associado a todo o trabalho feito ao serviço da FSA. No post mais recente, Errol Morris entrevista James Curtis, professor da Universidade de Delaware e autor do ensaio revisionista Mind’s Eye, Mind’s Truth: FSA Photography Reconsidered (1991).
Está previsto para o fim deste ano a publicação de um livro que reúne uma selecção de ensaios de Errol Morris.
o Zoom está aqui
19 Outubro, 2009
Pessoa no Mercado
O Mercado de Santa Clara é um navio de ferro forjado meio à deriva mesmo no coração da Feira da Ladra de Lisboa. Desde há umas semanas, tem um novo inquilino - a Casa Fernando Pessoa, que ali instalou uma galeria. O espaço abriu com uma exposição de fotografia que já passou no início do ano pela casa do poeta em Campo de Ourique (a CFP chama-lhe uma "nova versão") - Lisboa Revisitada. Partindo do desespero, da indefinição e da angústia do heterónimo Álvaro de Campos, Jorge Colombo tenta captar a imagem de uma Lisboa bucólica, caótica, cabisbaixa e triste.
O catálogo pode ser visto e folheado aqui
Eis o poema de onde partiram as fotografias:
Lisboa Revisitada (1926)
Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja--
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas por dentro de todas as hipóteses que eu
poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número de porta que me deram.
Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta--até essa vida...
Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia
sem leme;
Não sei que ilhas do Sul impossível aguardam-me náufrago;
Ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.
Não, não sei isto, nem outra cousa, nem cousa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.
Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar,
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos, todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligadas por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?
Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.
Outra vez te revejo--Lisboa e Tejo e tudo--,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...
Outra vez te revejo,
Sombra que passa através de sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...
Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim--
Um bocado de ti e de mim!...
Lisboa Revisitada, de Jorge Colombo
Galeria Fernando Pessoa, Mercado de Santa Clara, Campo de Santa Clara, Lisboa
De ter. a sáb., entre as 11h00 e as 17h00
16 Outubro, 2009
“entre aspas”
“Devo dizer-te que pressenti o que estava para acontecer; ou melhor, percebi que estava para acontecer qualquer coisa, que não ia exactamente favorecer os intentos da Eve e, por isso, não fiquei tão espantado como a minha filha. A Lorraine irrompeu em lágrimas, a Doris disse 'Saia desta casa', e o Ira e eu levantámos a Eve do chão, levámo-la para o patamar e depois pela escada abaixo, e conduzimo-la à estação de Penn. O Ira ia sentado à frente, ao meu lado, e ela ia sentada atrás como se esquecida de tudo o que se tinha passado. Durante o trajecto para a estação conservou sempre o mesmo sorriso, o que fazia para as câmaras, e por baixo daquele sorriso não existia absolutamente nada, nem a sua personalidade, nem a sua história, nem sequer a sua infelicidade. Ela era apenas o que tinha estampado no rosto. Não estava sequer sozinha. Não havia ninguém para estar sozinha. Fossem quais fossem as origens vergonhosas de que tinha passado a vida a fugir, o resultado tinha sido este: alguém de quem a própria vida tinha fugido.”
Polaroid de regresso
Como Lázaro de Betânia, a Polaroid morreu mas vai voltar à vida. E bem pode dizer-se que o seu santo milagreiro foi o The Impossible Project, o grupo liderado por Florian Kaps (fundador do polanoid.net) que, depois do encerramento da fábrica de cartuchos Polaroid em Enschede, na Holanda, nunca deixou morrer a esperança de ver outra vez no mercado a "velha" fotografia analógica instantânea. E conseguiu, o lobby a favor da ressurreição da Polaroid resultou: em Junho o Summit Global Group anunciou a compra dos direitos de exploração da marca até 2014 e, depois de meses de especulação, o consórcio anunciou há dois dias que vai voltar a colocar no mercado a "maioria" dos formatos de filmes e novas máquinas, projecto que inclui também modelos digitais. Os produtos devem ficar disponíveis em meados de 2010. O The Impossible Project ficará responsável pelo fabrico das películas. Porque afinal "impossível" é só uma palavra.
>The Impossible Project
>Comunicado do Summit Global Group
>Posts relacionados
>>Saudades da Plaroid
14 Outubro, 2009
J. Laurent
Não são muitos os exemplos de registo fotográfico metódico da monumentalidade e das vistas pittorescas no Portugal da segunda metade do século XIX. Há os levantamentos mais virados para a arquitectura de J. Possidónio Narciso da Silva, as edições do Archivo Pittoresco e de Monumentos Nacionaes e pouco mais. Já os fotógrafos estrangeiros que por cá passaram durante esse período não foram tão parcimoniosos. Como é o caso de J. Laurent (1816-1886), um francês que se estabeleceu em Madrid e que se deslocou várias vezes a Portugal, onde captou centenas de fotografias reproduzidas em álbuns como Œuvres d'Art en Photographie - L'Espagne et le Portugal au Point de vue artistique, monumentale et pittoresque (1872).
J. Laurent e Portugal - Fotografia do século XIX é o título da exposição que será inaugurada no dia 17 de Outubro no Centro Português de Fotografia, no Porto. A mostra - organizada pela Associação Portuguesa de Photographia e produzida pelo CPF em parceria com a Torre do Tombo - integra provas oriundas de colecções privadas e instituições públicas. Ângela Camila Castelo-Branco e Alexandre Ramires (APPh) e Carlos Teixidor (curador dos espólios fotográficos de J. Laurent depositados no Instituto do Património Cultural de Espanha) são os comissários que trabalharam na vasta obra de Laurent relativa a Portugal que inclui imagens de monumentos, obras de arte, arquitectura e paisagens, vistas estereoscópicas e retrato.
Em Abril de 2010, a exposição poderá ser vista na Torre do Tombo, em Lisboa.
da história
Wenceslau Cifka (1811-1883), daguerreótipo, Château de Sintra, Portugal, 1848Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia
Foi recentemente distribuído com o Diário de Notícias o volume relativo à Fotografia em Portugal da autoria de Maria do Carmo Serén. A obra, que faz parte da colecção Arte Portuguesa coordenada por Dalila Rodrigues, viaja pela história da imagem fotográfica em Portugal desde os primeiros sinais de que a daguerreotipia estava a caminho até aos autores mais contemporâneos como André Cepeda, André Príncipe, Edgar Martins e Virgílio Ferreira.
Eis o índice:
>Inventariação e registo: Século XIX e inícios do século XX
>>O arquivo do mundo. Catalogação de um "museu imaginário"
>>Amadores e estrangeiros
>>A fotografia portuguesa no Oitocentos: décadas de 50 e 60
>>Fotografia da classe científica
>>Maturidade da fotografia de estúdio, adesão social e sua instrumentalização
>>>Casas fotográficas
>>A Exposição Internacional de Fotografia do Porto (1886) e a Arte Photographica
>>A fotografia de reportagem e do acontecimento
>O fotógrafo vagabundo e a consciência da "aura". A primeira metade do Século XX e a conjuntura humanista de 60 e 70
>>Clandestinos na verdade do mundo
>>Entre o modernismo das elites artísticas e o salonismo tecnicista português
>Fotógrafos e fotografias, ensaios e tendências
>>Nos efeitos de um tempo político e ideológico: Nozolino, Molder e Helena Almeida
>>Na nova fotografia
>>Temas de crise e de crítica
>>Inquietação e paisagem
>>Fotografia, arquitectura e urbanismo
>>Do conceptualismo às estratégias pós-modernistas
>>Um novo olhar crítico na fotografia portuguesa
>>A instalação como discurso
>>E um discurso do instantâneo produzido
>>Humano, demasiado humano
13 Outubro, 2009
“entre aspas”
“Assim fui vivendo, ou quase vivendo, entre festas, sexo, drogas e, vez por outra, um desfile de modas. Cheguei a desfilar em Paris para os irmãos Congo. Não me lembro de tudo. A minha memória é uma estrada cheia de buracos, e que não me leva a lugar nenhum. Trago sempre comigo um álbum de fotografias porque vivo com medo de me perder de mim.”
12 Outubro, 2009
descobrir
Roald Amundsen e a sua equipa no Pólo Sul, em 14 de Dezembro de 1911Cortesia da National Library of Australia
O explorador norueguês Roald Amundsen chegou ao Pólo Sul no dia 14 de Dezembro de 1911, 34 dias antes do aventureiro britânico Robert Falcon Scott que, em vez de cães, preferiu apostar em cavalos mongóis para puxar os trenós. As fotografias conhecidas do glorioso feito de Amundsen eram reproduções de uma ampliação de época feita a partir dos negativos originais. Não se sabia do paradeiro dessa ampliação até que, na semana passada, Harald Ostgaard Lund, curador da Biblioteca Nacional da Noruega, desvendou o mistério ao encontrá-la, através de uma pesquisa no google, num álbum intitulado Tasmanian Views, catalogado e digitalizada pela Biblioteca Nacional da Austrália de Camberra, em 2002. "Sabíamos que era uma fotografia da expedição de Amundsen ao Pólo Sul, o que não tínhamos percebido é que se tratava da única no mundo", afirmou Linda Groom, conservadora de fotografia da biblioteca australiana. As dimensões da imagem deram a Lund as pistas necessárias para a conclusão de que se tratava de uma ampliação feita directamente a partir do negativo, cujo paradeiro se desconhece.
Em 1912, assim que atracou no primeiro porto vindo da Antártida, em Hobart, na Tansmânia, Amundsen entregou os negativos para serem revelados no estúdio de JW Beattie. Segundo Groom, Beattie terá dado o trabalho ao seu assistente Edward Searle, que mais tarde juntou num álbum as melhores fotografias que passaram pelas suas mãos. Esse conjunto de imagens foi comprado à família de Searle já sem os negativos pela Biblioteca Nacional da Austrália, em 1965.
Cerca de cinco semanas depois desta imagem ter sido captada, a equipa liderada por Robert Scott também se fez fotografar no mesmo local, junto à tenda onde já ondulava a bandeira da Noruega. Scott escreveu no seu diário: "Great god this is an awful place and terrible enough for us to have laboured to it without the reward of priority".
A Biblioteca da Austrália está a digitalizar a totalidade da sua colecção de fotografias, que inclui cerca de 700 mil provas. Para Groom, são descobertas como a que agora foi feita que dão ao projecto maior relevância e um renovado fôlego. O álbum onde consta aquela que é talvez a única cópia de época que regista a primeira expedição a chegar ao Pólo Sul vai agora viajar para a Noruega para uma exposição que comemorará os 100 anos da façanha de Roald Amundsen.
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Pierre Devin, Mondego 94, 1994Pierre Devim (1946) foi um dos fundadores do Centre Regional de la Photographie Nord Pas de Calais, França, curioso empreendimento, cuja identidade artística e cultural está no confronto das convicções cívicas e no apego a um território, tendo como objectivo principal a inserção da arte no coração da cidade e a luta contra a segregação cultural. Desde 1987 Pierre Devin promoveu a Missão Fotográfica Transmanche, como forma de questionar publicamente a construção europeia através do apelo a autores de todas as origens para formar um corpus revelador na criação fotográfica contemporânea. Também fotógrafo, levantou questões sobre a paisagem (Thiérache, India do Sul, Rio Mondego), a era pós industrial e a cidade, o relacionamento da fotografia com a literatura, com o cinema, com a escultura. Tem livros publicados em diversos países e possui fotos em diferentes colecções.
(texto:CPF)

























