22 maio, 2007

conservar


O Clube Português de Artes e Ideias agendou um workshop de conservação de fotografia para os dias 16, 17 e 24 de Junho. A iniciativa é destinada a pessoas que lidam frequentemente com fotografias e pretende fornecer conhecimentos básicos sobre prevenção, deterioração e, claro, conservação.
Estão previstas abordagens aos materiais e equipamentos apropriados para acondicionar cada espécie fotográfica e indicações sobre a forma mais correcta de organizar uma colecção. A digitalização como forma de arquivo será tema de discussão final.
As formadoras têm licenciaturas em Conservação e Restauro do Instituto Politécnico de Tomar.
O programa do workshop está aqui.


Datas
16, 17 e 24 de Junho

Carga horária
15
horas

Preço
150
euros
(desconto de 5 por cento para sócios do CPAI)

Limite de inscrições
12 pessoas

Local
Fábrica da Pólvora, Oeiras

Mínimo de inscrições
7
pessoas

Formadoras
Vanessa R. Duarte
Margarida A. Poeira

21 maio, 2007

macua«»sines

(© José Henriques da Silva/Arquivo Fotográfico Municipal)

Os anos passam, mas a dureza do ofício de quem procura alimento no mar permanece. O Centro de Artes de Sines inaugurou na semana passada uma dupla exposição de fotografia que cruza a faina de dois grupos de pescadores, diferentes apenas pela geografia que ocupam. Uma das mostras, exibe imagens de José Henriques da Silva, que acompanhou os pescadores moçambicanos de Macua de Naharenque durante 23 anos, entre 1957 e 1973. A outra, da autoria de Carlos Seixas, centra-se no registo, ao longo dos últimos anos, da “memória dos que resistem na pesca e fazem resistir a pesca, actividade fundadora do modo de vida e da própria existência de Sines”.

(© Carlos Seixas)

Pescadores de Macua
(José Henriques da Silva)
Pescadores de Sines - III Capítulo
(Carlos Seixas)
Centro de Artes de Sines
Rua Cândido dos Reis, Sines
Tel.: 269 860 080
Email: cas.geral@netvisao.pt
Todos os dias, das 14h00 às 20h00
Até 24 de Junho
Visitas guiadas sob marcação

19 maio, 2007

à venda 3 - o que foi


Já lá vão alguns dias sobre o segundo leilão de fotografia em Portugal, mas, ainda assim, julgo que vale a pena fazer um apanhado do que se passou no CCB.
Depois do efeito novidade e do entusiasmo gerados à volta do primeiro leilão de fotografia (1 de Junho), a segunda venda, apenas cinco meses depois, serviria, sobretudo, para perceber se existem de facto compradores para imagens antigas em Portugal. O leilão de 9 de Novembro mostrou que sim, mas deixou alguns sinais que devem ser considerados pela organização, a cargo da Potássio 4 e da Livraria Campos Trindade: os compradores sabem o que estão a comprar; alguns lotes apresentados como estrelas do leilão foram retirados de praça porque tinham preços demasiado elevados; a exigência com o estado de conservação dos lotes - havia algumas imagens em mau estado ou em muito mau estado - deverá ser cada vez maior; a quantidade de lotes envolvidos neste leilão fez com que a venda se transformasse numa maratona demasiado longa e por vezes demasiado frenética, prejudicando raciocínios mais lentos, sobretudo por parte daqueles que não tiveram oportunidade de ver os lotes antes do leilão; o fraco interesse manifestado pelos poucos lotes de fotografia contemporânea na praça mostra que um eventual leilão centrado em imagens mais recentes deve ter um elevado grau de exigência em relação à qualidade estética ou à importância histórica dessas imagens.A percentagem de lotes vendidos, 62 por cento, é um sinal, ainda que tímido, de que afinal existe um grupo de interessados disposto a comprar fotografia de forma sistemática. Em 400 lotes foram retirados 149, o que não deixa de ser um bom indicador para vendas futuras.Quanto à organização, este segundo leilão revelou nítidos progressos, como a projecção em tela gigante das imagens em praça, que só por uma ou duas vezes falhou, ou a entrega mais eficaz e organizada dos lotes vendidos.


Uma surpresa: Portugal 1934

Surpresas

ESTEREOSCOPIA
Lote 11
(vista da Rua Augusta, Lisboa, cerca de 1900)
Preço: 15 euros (preço de venda 55 euros)
Lote 12
(desfile militar em Lisboa, cerca de 1890)
Preço:
15 euros (preço de venda 45 euros)Os preços iniciais destas duas vistas estereoscópicas foram largamente ultrapassados por um motivo óbvio: todas as imagens de ruas que sofreram mudanças significativas no decorrer dos anos ganham um duplo valor histórico.

ÁLBUNS DE VIAGENS E OUTROS
Lote 49
(álbum de África com o monograma do rei D. Carlos (RCA, ?), cerca de 1890)
Preço: 750 euros (preço de venda 1100 euros)As fotografias de África do século XIX são sempre imagens a ter conta. O facto de existir a possibilidade deste álbum ter pertencido ao rei D. Carlos dava-lhe um valor acrescido que se veio a confirmar na altura de levantar as placas na sala.

MONARQUIA
Lote 57
(desembarque da rainha D. Maria Pia no terreiro do Paço a 6 de Outubro de 1862)
Preço: 90 euros (preço de venda 260 euros)É o caso de uma imagem valorizada essencialmente pelo seu carácter histórico, em contraponto com o mau estado de conservação em que se encontra. Foi a protagonista da primeira grande série de licitações da noite.

ARTES E ARTISTAS
Lote 265
(Fernando Pessoa aos 10 anos, 1898)
Preço:
800 euros (preço de venda 8500 euros)Foi a fotografia que animou o leilão que até este lote não tinha tido ainda uma disputa tão surpreendente. O preço final desta carte-de-visite, arrematada por um alfarrabista de Lisboa, constitui um recorde para venda de fotografias em Portugal.

LIVROS E EDIÇÕES
Lote 376 (Portugal 1934)
Preço:
300 euros (preço de venda: 1375 euros)É uma obra essencial para se perceber o uso da fotografia e da fotomontagem pela máquina do Estado Novo que, à data de publicação desta folhetim de propaganda nacionalista e imperialista, tinha acabado de contratar o antigo jornalista do Diário de Notícias António Ferro para liderar o Secretariado de Propaganda Nacional.
Lote 380 (Images Portugaises)
Preço:
30 euros (preço de venda: 140 euros)Outra edição do período do Estado Novo alvo de grande interesse. A maior parte das imagens reproduzidas no livro são da autoria de Horácio Novais, um dos colaboradores mais assíduos do SPN e mais tarde do SNI.


Uma desilusão: álbum dos Jogos Olímpicos de Berlim, 1936

Desilusões

DAGUERREÓTIPOS, AMBRÓTIPOS E FERRÓTIPOS

Lotes de 1 a 10
(retratos, várias datas)
Preço:
(vários preços)O leilão começou com a venda de daguerreótipos e começou mal. Seguiram-se outros processos da infância da fotografia, mas os lotes foram sendo devolvidos à procedência. As peças que foram levadas à praça tinham de facto pouco interesse para os coleccionadores portugueses. Apenas o lote 1, que foi vendido à posteriori, retratava portugueses.

ÁLBUNS DE VIAGEM E OUTROS
Lote 45
(álbum dos Jogos Olímpicos de Berlim, 1936)
Preço:
400 euros (preço de venda 220 euros)Foi apresentado como uma das estrelas do leilão, mas o interesse na sala acabou por não se verificar. O pregoeiro viu-se obrigado a baixar o preço-base para metade para que alguém levantasse a placa.
Lote 50 (álbum com várias vistas de cidades europeias, cerca de 1880)
Preço:
1000 euros (retirado)É um lote que reunia várias condições para que os compradores fizessem as suas propostas, não fosse um pormenor a eclipsar essas mais-valias: o preço. Foi o primeiro lote de vulto a ser retirado de praça.

MONARQUIA
Lote 64
(rainha D. Amélia com os príncipes D. Luís Filipe, D. Manuel e respectiva comitiva no Egipto)
Preço:
1500 euros (retirada)O pregoeiro até baixou 500 euros ao preço inicial, mas o registo da viagem da rainha e do seu séquito ao Egipto não suscitou a mínima reacção por parte dos compradores. Para além de bem documentada, a fotografia apresentava um estado de conservação excepcional. Argumentos que não convenceram.

CARLOS RELVAS E MARIANA RELVAS
Lote 70
(retrato de Mariana Relvas e Carlos Relvas)
Preço:
600 euros (retirada)O que se passou no primeiro leilão com uma fotografia de Carlos Relvas (escolhida para capa do catálogo do leilão) fazia antever o pior para o conjunto de imagens do fotógrafo da Golegã apresentadas nesta venda. No dia 1 de Junho, a paisagem ribatejana levada à praça foi vendida a custo. Neste leilão, nem os saldos oferecidos pelo pregoeiro salvaram o "amador" da lezíria que dos seis lotes em disputa (da sua autoria e de Mariana Relvas) só três foram vendidos por metade do preço-base.

PERSONALIDADES
Lote 123
(Oliveira Salazar, 1931)
Preço:
200 euros (retirada)Era uma daquelas fotografias que à partida estaria vendida, quer pela excepcionalidade do momento captado pelo fotojornalista Ferreira da Cunha, quer pela importância histórica da imagem. Só que quando se apresentou o lote 123, ninguém disse nada. A imagem haveria de ser vendida à posteriori por 230 euros.

DESPORTO
Lotes 213 a 224

Preço:
vários preçosFoi uma das apostas perdidas neste leilão. As fotografias relacionadas com temas de desporto suscitaram pouco interesse na sala. O pregoeiro tentou, outra vez, preços mais baixos do que estava estipulado no catálogo, mas nem assim os compradores decidiram levar para casa figuras como Eusébio, Coluna ou Torres.

FOTOGRAFIA DE AUTOR
Lote 295
(Saudades do Mar, de Constantino Varela Cid, 1940)
Preço:
600 euros (retirada)Era uma das melhores fotografias do leilão. Ficou sem comprador, tal como os restantes lotes de Varela Cid.

LIVROS E EDIÇÕES
Lote 377 (álbum com várias vistas da região de Sintra)
Preço: 2000 euros (retirada)O lote mais caro do leilão não despertou a mínima curiosidade na sala.
A Potássio 4 colocou os resultados globais deste leilão aqui.

mais livro+fotografia

Fotografia de À Superfície do Tempo – Viagem à Amazónia, Duarte Belo, 2002
(© Duarte Belo)

O Arquivo Fotográfico anda às voltas com o livro de fotografia. Para a próxima conversa sobre esta relação entre o papel impresso e o papel sensibilizado vão estar na sala de leitura do Arquivo Duarte Belo (fotógrafo), José Luís Neto (fotógrafo), José Manuel Rodrigues (fotógrafo) e Manuel Rosa (editor da Assírio & Alvim).


À Superfície do Tempo – Viagem à Amazónia, Duarte Belo, Assírio & Alvim, 2002


A Fotografia e o livro
Arquivo Municipal de Lisboa/Arquivo Fotográfico
21 de Maio, às 18h00
Rua da Palma, 246
Tel. 21 884 4060
Metro: Martim Moniz

18 maio, 2007

BigTIFF

Infinitésima parte vista a 100 por cento de um dos 225 slides
de células de tecido de um cancro da mama (© Aperio)

Por extraordinário que pareça, a medicina é uma das áreas da inteligência humana onde a fotografia mais se reproduz, mais se reinventa, mais inova. Agora, na senda recordista, é a empresa canadiana Aperio a anunciar aquela que garante ser a maior fotografia do mundo, a primeira fotografia de terapíxeis (1 terapíxel = 1 milhão de biliões. Eu sei, é muito milhão para uma imagem só. É muito milhão para o nosso entendimento sequer imaginar).
A fotografia em causa foi comprimida em 143 gigabites, tem mais de um milhão de píxeis de largo e resulta da combinação de 225 slides de células de tecido de um cancro da mama.
Para gravá-la (e dá-la a conhecer) a empresa inventou um novo formato: o BigTIFF (Tagged Image File Format), que pretende ser usado, a partir de agora, em imagens com mais de 4 gigabites. A Aperio promete libertar toda informação acerca do novo formato para que outras empresas possam usá-lo.
A empresa canadiana afirma que o seu sistema de scanning consegue criar imagens digitais de um slide microscópico em minutos. Tudo com grandes dimensões que ultrapassam os 100 000 X 100 000 píxeis. O formato TIFF é um dos mais usados para gravar imagens de alta resolução. Mas, até agora, estava limitado aos 4 gigabites (aproximadamente 30 000 gigapíxeis).
O BigTIFF veio alargar ainda mais o olhar sobre aquilo de que somos feitos ou, como no caso desta fotografia, sobre aquilo que nos destrói.
Há mais informação sobre o formato BigTIFF aqui.

Imagem original, 73,042 x 62,633 píxeis, 575 MB (© Aperio)

17 maio, 2007

juntos


Havia o Concurso de Fotografia CAIS, da Associação CAIS, e o concurso Um Certo Olhar, do Banco Espírito Santo. Agora há o Prémio de Fotografia REFLEX, que junta os esforços de ambas as instituições naquilo que pretende ser uma “valorização da fotografia em Portugal”.
A temática de partida centra-se nos Artistas.

Leia-se o desafio: “Propõe-se o abandono do que é erradamente óbvio e a revelação do que, apesar de ser manifestamente visível, é ignorado e subestimado. Com este tema, desafia-se a descoberta do artista e da sua obra, no mais simples, amplo e desapegado gesto humano, procurando mostrar, no fundo, para o mundo, a Arte que faz nascer, preservar e transformar a verdadeira alma de um povo”.

A cada edição haverá um júri diferente. O grupo que julgará os trabalhos será composto por cinco pessoas: um representante da Associação CAIS, um representante do Banco Espírito Santo e “personalidades da sociedade portuguesa, do campo artístico e da comunicação social”. Serão seleccionados 30 imagens finalistas, sobretudo, pelo seu enquadramento temático e expressão artística. Estas fotografias serão depois publicadas numa edição especial da revista CAIS em Setembro, mês em que serão divulgados os finalistas e os premiados.
As fotografias podem ser enviadas até 1 de Junho. Qualquer pessoa residente em Portugal pode concorrer.
Todas as informações sobre o REFLEX estão aqui.

15 maio, 2007

saldos

José Luís Neto, Irgendwo

De passagem pelo Arquivo Fotográfico Municipal, descobri uma mini feira do livro com catálogos de exposições que já passaram pelas salas da antiga fábrica da Rua da Palma.

As minhas compras:

*terra bendita, fotografias da FSA e Afins. Jorge Calado, Fundação Eugénio de Almeida, Évora, 2000. 9,00 euros;

*México, fotografias 1920-1992. Arquivo Municipal, Lisboa, 1994. 0,50 euros;

*Irgendwo. José Luís Neto, Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, Lisboa, 1998. 3,00 euros;

*Grave, 18 fotografias de Mariano Piçarra para outros tantos aforismos de José Marinho seleccionados por Jorge Croce Rivera. Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, Lisboa, 1999. 6,00 euros.

Sugestões:
* 22474, José Luís Neto»10 euros;
* António Passaporte: Postais de Lisboa»8 euros;
* Cem anos a ranger nas calhas, Eduardo Cintra Torres»18 euros;
* Joshua Benoliel»10 euros;
* Lisboa em vésperas do terceiro milénio, Luís Pavão»14 euros;
* Santo António em Alfama, Georges Pacheco»4 euros;
* Verbos, Pedro Letria»12 euros.


Mariano Piçarra, Grave…

12 maio, 2007

à venda 3 - retratos

Vieram para ficar os leilões de fotografia em Portugal. Depois de um primeiro ensaio apenas com fotografia antiga, e de uma segunda venda que se aventurou timidamente até aos anos 90, temos hoje um leilão no CCB que junta muitas épocas, estilos, técnicas e géneros da fotografia. Escolhi alguns retratos.


Mário Cesariny (© Adriano Miranda)

~Cesariny cru~
O rosto de Mário Cesariny é um rosto difícil de esquecer. Este retrato de Adriano Miranda mostra-nos Cesariny tal com ele é. Tal como ele foi. Com todas as rugas, com todas as concavidades, com algumas manchas na testa e a barba por fazer. É Cesariny.


Turista coreana, Antárctida (© Jordi Burch)

~Rir para não chorar~
Jordi Burch, do colectivo [kameraphoto], deixou de ser um fotojornalista promissor para se transformar num dos nomes que, nos últimos anos, têm construído um dos trabalhos mais coesos na área da reportagem. O conjunto de imagens que vão a leilão fazem parte da exposição Estamos Juntos!, que ainda pode ser vista na Casa Fernando Pessoa.


Rolha Esfusiante (retrato de José Viana), Fernando Lemos

~Lemos contra o marasmo~
Fernando Lemos
deixou-se seduzir pela fotografia entre 1949 e 1952. Só quatro anos. O tempo suficiente para produzir uma obra que marca a fotografia portuguesa, não só pela corrente artística que escolheu, o surrealismo, mas, sobretudo, pela ousadia que, ao tempo, esse gesto significou. O retrato foi um dos seus temas de eleição.


Fernando Pessoa, Foto Aurea

~O Pessoa de Orpheu~
Quando se olha para esta fotografia não temos só a imagem de Fernando Pessoa. Temos a imagem de Portugal. Aquela linha que vai do chapéu aos lábios finos transformou-se num dos nossos ícones culturais. Este instantâneo foi captado no estúdio Foto Aurea, e marcou a fase em que o poeta esteve ligado à revista Orpheu.


Amadeo de Souza-Cardoso, J. Carvalho

~Amadeo só basta~
Foram os quadros que ficaram na retina na exposição Amadeo Souza-Cardoso, Diálogo de Vanguardas (Gulbenkian, 2006). Mas era impossível, até pela dimensão da imagem, ficar indiferente à expressividade do rosto do pintor na fotografia que abria a mostra. Esta fotografia, tirada em Espinho, não tem aquele outro olhar. Mas tem Amadeo.


(© Carlos Ramos)

~Fotografia de moda fora de moda~
A fotografia de moda deixou de ser um género menor há muito tempo... lá fora. Em Portugal, diga-se, não são assim tantos os que a ela se dedicam a tempo inteiro. Carlos Ramos é um dos raros e bons exemplos de quem tenta transformar, pela fotografia, beleza física em estética.


Marianna Relvas (calótipo)

~Marianna, a outra Relvas~
Na história da fotografia portuguesa do século XIX estamos habituados a relacionar o apelido Relvas a uma pessoa: Carlos Relvas, o empenhado fotógrafo amador da Golegã. Marianna também é Relvas, é a segunda mulher de Carlos, e repartiu com o marido a paixão pela fotografia. Não é comum encontrar imagens com esta assinatura no mercado.


Leilão Amadeo
Centro Cultural de Belém
, Sala Maria Helena Vieira da Silva, Lisboa
12 de Maio, 16h00

11 maio, 2007

celebrar Cannes



60 anos. O Festival de Cannes chegou à idade adulta (se é que isso existe). Para comemorar a efeméride, a associação Repórteres Sem Fronteiras decidiu organizar um livro com 100 fotografias dos melhores momentos da principal festa de cinema da Europa. O projecto foi coordenado por Jean-Pierre Lavoignat, durante largos anos director da Studio Magazine. Lavoignat mergulhou nos arquivos das grandes agências e dos fotógrafos mais reputados que cobriram o festival. E daí saíram as estrelas, as passadeiras vermelhas, os longos vestidos (e os curtos também), a irreverência e o glamour de um acontecimento que tem sabido envelhecer.
Os lucros da venda do livro, que custa apenas 8,90 euros, revertem a favor da Repórteres Sem Fronteiras, com o objectivo de financiar acções a favor da liberdade de imprensa.


10 maio, 2007

livros+fotografia


Livros e fotografia. A ligação é antiga. Hoje, às 18h00, José Afonso Furtado (fotógrafo, professor de fotografia e autor, entre outros, de Mundos da Fotografia. Orientações para a Constituição de uma Biblioteca Básica, CPF, Porto, 2006) vai falar em pormenor sobre alguns livros que foram um marco para a fotografia e sobre algumas fotografias que foram um marco para os livros. A ideia é do Arquivo Fotográfico de Lisboa, no âmbito da exposição bibliográfica A Imagem Contextualizada, que, por sua vez, vem a reboque da iniciativa Lisboa – Cidade do Livro.
Os livros escolhidos para a conversa de hoje são um surpresa. A imagem lá de cima é pura especulação.

Arquivo Municipal de Lisboa/Arquivo Fotográfico
Rua da Palma, 246
Tel. 21 884 4060
Metro: Martim Moniz

 fotografiafalada


“As epifanias são momentos únicos - e as flores não se repetem. Estas surpreendem-me sempre. Resultam de uma empatia - e de uma espera. Tudo o que é visto com muita atenção se torna extraordinário. As flores são grandes espectáculos que estão à nossa espera.”

(Susana Neves)
(Público, 07.05.2007)


Viagem ao Pólen Sul. Susana Neves
Nouvelle Librairie Française (Instituto Franco-Português)
Av. Luís Bívar, 91 , Lisboa
De seg. a sex., das 10h30 às 19h30. Sáb., das 10h00 às 12h30
Tel/Fax: 351 213.143.755
E-mail: nlfdel@mail.telepac.pt
Até 31 de Maio

07 maio, 2007

tereza

Tereza Siza (Paulo Pimenta/Público)


Aprecie-se mais ou menos o estilo de liderança. Goste-se mais ou menos da personalidade, Tereza Siza conseguiu fazer um trabalho no Centro Português de Fotografia que será lembrado. Por bons motivos. O CPF nasceu torto e para muitos, onde não me incluo, no sítio errado – no Porto. Aliado a esse ressabiamento de muitas instituições e pessoas ligadas à fotografia em Portugal, em particular em Lisboa, a directora do CPF partiu com outra dificuldade, não menos relevante: a inexistência de uma política nacional para a imagem fotográfica. Não se pode dizer que o CPF tenha conseguido mudar plenamente esse estado de coisas, mas é, de longe, o local onde, no nosso país, a fotografia tem sido tratada com mais inteligência, dignidade e esmero. A independência e o poder conquistados pelo CPF (equivalia a uma direcção-geral do Ministério da Cultura, a única a funcionar no Porto) atormentava ainda muita gente. Com a capa dos constrangimentos orçamentais - que pode servir de desculpa para tudo - a tutela decidiu extinguir os moldes em que até aqui funcionava o CPF, ao abrigo do famigerado PRACE.
Tereza sai por um golpe de secretaria depois de três mandatos e dez anos à frente do CPF. Regressa às aulas de filosofia no ensino secundário em Matosinhos.
É provável que sintamos a falta dela.
Agradeço-lhe os bons momentos que passei nas enxovias da Cadeia da Relação.

“Eu sempre julguei que gerir o CPF ia ser difícil, e é difícil.”
Tereza Siza, Expresso, 03.10.1998


Centro Português de Fotografia, Cadeia da Relação (Paulo Pimenta/Público)

05 maio, 2007

contemporâneas

Killer, 2005 (© Ana Laura Alaez, Galería Moisés Pérez de Albéniz)

Decorre durante este fim-de-semana em San Sebastián a DFoto, a única feira especializada em fotografia e vídeo de criação contemporânea da Península Ibérica. A aposta deste ano é sobretudo em artistas emergentes. Mas há também trabalhos de fotógrafos consagrados como Thomas Ruff, Candida Höfer e John Hilliard. Na DFoto o suporte digital ganha terreno como forma de expressão.
Entre as galerias representadas, há três que viajaram de Portugal: de Lisboa a Galeria Filomena Soares e a Carlos Carvalho, do Porto a Pedro Oliveira. Ao todo há propostas de 41 galerias de 22 nacionalidades que representam 340 artistas.



Marconi Plein, Roterdão, Holanda, 2001 (© Paulo Catrica, Galeria Carlos Carvalho)

04 maio, 2007

retrato oficial

Annie Leibovitz, Rainha Isabel II

A rainha pediu, Annie Leibovitz aceitou. O retrato oficial de Isabel II foi divulgado há poucos dias, na véspera da monarca se deslocar aos Estados Unidos. A rainha aparece na White Drawing Room do palácio de Buckingham com um ar pensativo, sonhador, a olhar para a paisagem que se estende pela janela. A pose clássica (poderá alguma vez ser de outra forma?) foi inspirada (era preciso?) no retrato da rainha-mãe, captado por Cecil Beaton, em 1939. Leibovitz não nega: “Gosto da tradição. As imagens de Cecil Beaton são muito importantes para mim.”, disse durante a cerimónia de apresentação em Buckingham. Isabel II pediu “um retrato muito simples”. Leibovitz cumpriu, mas confessa que sentiu o peso da história quando chegou a hora de disparar.

03 maio, 2007

conversar


conversas objectivas são conversas em torno de alguns usos e domínios onde se move a fotografia. A iniciativa do ciclo de conferências que arranca no dia 5 de Maio, sábado, é da Câmara Municipal de Matosinhos.

O programa é este:

5 de Maio. 21h30
"In the net"
Trabalho de investigação fotográfica de comunidades piscatórias em Matosinhos e em Grismby
Olívia da Silva

26 de Maio.21h30
Digitalização como forma de conservação
Luís Pavão

2 de Junho. 21h30
O Arquivo fotográfico "António da Silva Magalhães de Thomar" - estória de projecto e recuperação
António Ventura

9 de Junho. 21h30
Matosinhos na mira de olhares nacionais e estrangeiros
Tereza Siza

30 de Junho. 21h30
Gerações do fotojornalismo em Portugal
Luiz Carvalho, Fernando Veludo, Gaspar de Jesus

14 de Julho. 21h30
Fotografia documental e critérios de análise de espécies fotográficas
Vitória Mesquita e José Pessoa

21 de Julho. 21h30
Evolução do olhar fotográfico
Maria do Carmo Serén

conversas objectivas:
Auditório da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, Matosinhos

30 abril, 2007


“entre aspas”

“O marido tinha sido segundo clarinete na banda da Marinha, gordo, sério, calado, com um problema de açúcares. Agora já não tinha problema de açúcares nenhum, estava em tipo passe num retrato da cómoda com moldura que por uma unha negra não era prata da boa, ia ser prata da boa quando o fabricante
- Já chega
e a deixá-la assim, com o letreiro Saudade Eterna por baixo a que faltava um último banho e por conseguinte uma das rosas que espiralavam a Saudade Eterna enegrecida, atrás do retrato o clarinete onde ninguém soprava e atrás do clarinete o papel de parede também de rosas com as folhinhas dos caules desmaiadas que o sol batia ali de chapa a tarde inteira sem que nenhuma persiana lhe valesse, esses sóis do Alentejo que desfazem paredes com o hálito e transformam as cores num preto e branco desmaiado e severo que anula tons e matizes.
[...]”


António Lobo Antunes, Violeta, (Visão, 26.04.2007)

27 abril, 2007

INGenuidades, o catálogo

Capa do catálogo INGenuidades…


Já está pronto o catálogo da exposição INGenuidades, Fotografia e Engenharia 1846-2006. Depois do que se viu (e ainda pode ver) na Fundação Calouste Gulbenkian a responsabilidade era grande. A dimensão e a qualidade das imagens seleccionadas por Jorge Calado exigia uma obra à altura. A Gulbenkian soube fazê-la. Esperou até que tudo estivesse pronto. Não caiu no erro fácil de editar o catálogo à pressa para a data da inauguração da mostra. A memória do que se viu na galeria de exposições temporárias perdurará, estou certo, mas é este livro que carregará a responsabilidade de documentar um acontecimento para a fotografia em Portugal difícil de igualar. No arranque da obra, o director do serviço de Ciência da Gulbenkian, João Caraça, fala sobre O mundo maravilhoso de Jorge Calado. A seguir, o comissário explica a origem e o amadurecimento da ideia da exposição e fornece um guia para se entrar mais facilmente no seu conceito (Engenho, Espanto e Maravilha). No final, um texto sobre o Ciclo Vital das Engenharias e um útil conjunto de biografias dos artistas representados. Uma nota ainda para a qualidade de impressão que é irrepreensível ao longo de toda a obra.
A Gulbenkian decidiu prolongar a exposição até ao dia 6 de Maio.

“Jorge Calado quis que nos aproximássemos mais da nossa essência cósmica, a exemplo do que fizeram grandes engenheiros e arquitectos do Renascimento. O caminho que eles então seguiram foi o da representação exaustiva do movimento como expressão da vida e da energia natural. INGenuidades traz-nos, através do olhar fotográfico, o registo sistemático da mudança como indicador maravilhoso da unidade dos seres humanos com a natureza.”

João Caraça

INGenuidades, Fotografia e Engenharia 1846-2006
Jorge Calado
Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2007.
Capa dura, 50 euros

26 abril, 2007

à venda 3

Lote 117. Carlos Lobo
(Surfaces study, 01.2005. Surfaces serie.
Edição limitada assinada, 1/2. Lambda print, 50x50cm)


Já está disponível para download o catálogo do 3ª leilão de fotografia (Amadeo) organizado pela Potássio 4 e pela Livraria Campos Trindade. O site da loja especializada em materiais de conservação restauro disponibiliza também uma galeria com todos os lotes que vão à praça no dia 12 de Maio, no Centro Cultural de Belém. Os 260 lotes podem ser apreciados nos dias 9 e 10 de Maio, na Potássio 4 (loja 4, CCB).
Destaque para uma imagem assinada de Amadeo de Souza-Cardoso, 6 lotes com fotografias de Fernando Pessoa (espólio Ofélia Queiroz), um exemplar de Lisboa cidade triste e alegre de Victor Palla e Costa Martins, e retratos de Almada Negreiros e Ramalho Ortigão. A representar a fotografia antiga aparecem, entre os nomes de J.A.Cunha Moraes, Mário Novaes, San Payo, Marianna Relvas, Giacomo Brogi, Joshua Benoliel, Arnaldo Garcez Rodrigues ou Denis Salgado. Na fotografia moderna e contemporânea há lotes de Fernando Lemos, Eduardo Gageiro, José M. Rodrigues, Paulo Lobo, Marta Sicurella, Carlos Miguel Fernandes ou Paulo Catrica.

Lote 105. J. Carvalho, Espinho
(Amadeo de Souza-Cardoso. Prova assinada e dedicada pelo artista a Arthur Alves Cardoso, Paris, 1908. POP - Printing-out paper, 16.1x11.5cm)

24 abril, 2007

do Brasil

Pormenores de uma combinação de fotografias da família Battistella.
Serra do Corvo Branco, Santa Catarina, Brasil, 17 de Abril de 2007

Durante uma viagem pelo sul do Brasil (nos últimos dias), descobri um placard com esta combinação mágica num sítio mais do que improvável: um posto de abastecimento perdido no meio das terras da serra catarinense. Infinitamente minúsculo pormenor de um país que pode surpreender muito para lá do que pensamos encontrar, a cada curva, a cada pessoa. É urgente voltar para aprender mais e compreender melhor quem fala a nossa língua.
Comigo voltam também os posts, agora mais amiúde.

14 abril, 2007

contagem decrescente

Vista sudoeste do atelier fotográfico de Carlos Relvas, 1876.
Prova de autor em albumina do Álbum Carlos Relvas (© IPM)

Aproxima-se a data da inauguração da Casa-Museu Carlos Relvas, na Golegã. O suplemento Actual, do semanário Expresso, faz hoje capa com o assunto. António Henriques fala da importância do nosso mais ilustre photographo amador, resume as vicissitudes por que passou o projecto de reabilitação do edifício e dá algumas novidades sobres as primeiras iniciativas previstas pela autarquia, entre as quais a realização de cursos livres sobre processos de impressão do século XIX e a inauguração de duas exposições. A primeira (com a abertura do edifício) mostrará imagens tiradas pelo fotógrafo na Golegã e no Ribatejo, a segunda relacionará o trabalho de Carlos Relvas com os primórdios da ilustração jornalística em Portugal. Estão também anunciadas três conferências, sobre Carlos Relvas, sobre a reabilitação do seu atelier e sobre as primeiras técnicas de fotografia. São tudo boas notícias para os apaixonados pela história da fotografia portuguesa do século XIX.

12 abril, 2007

Bresson em Portugal

Truman Capote (© Fondation Henri-Bresson)

“Je cherche surtout un silence intérieur. Je cherche à traduire la personalité et non une expression. Ou même temps, il faut la géométrie.
J`ai prove une grand joie à faire un portrait. C`est la chose la plus difficile car est un duel sans régles, un viol délicat.”
Henri Cartier-Bresson

Os retratos que Henri Cartier-Bresson tirou não mostram só rostos. Mostram, na maior parte dos casos, o que está para lá da expressão, da ruga, do espelho dos olhos. Mostram, paradoxalmente, traços invisíveis como o da personalidade, do espírito ou o do silêncio onde se movem as emoções mais profundas. Le Silence intérieur d'une victime consentante foi a exposição escolhida para inaugurar, no início do ano passado, as salas da Fundação Henri Cartier-Bresson, em Paris. A Fundação Eugénio de Almeida traz agora essa exposição para Évora.
Depois de anos a fio a fotografar guerras e os mais importantes acontecimentos sociais ao serviço agência que ajudou ao fundar, a Magnum, Cartier-Bresson abandonou a reportagem no final dos anos 60. O desejo era regressar ao seu primeiro amor, o desenho, mas a máquina fotográfica nunca saiu das suas mãos, sobretudo para fazer retrato, um dos géneros que mais apreciava.
Agnès Sire, directora da Fundação Henri Cartier-Bresson e comissária da exposição, escreve no catálogo: "(...) pareceu-nos que, ao expormos estes encontros, não estávamos a prestar, mais uma vez, uma homenagem ao talento do fotógrafo, mas também, e acima de tudo, a iluminar inúmeras parcelas do seu ser (...). Porque o olhar dos retratos é, em primeiro lugar, o seu olhar, suspenso no fio que o liga aos outros."

Ezra Pound, 1970 (© Fondation Henri-Bresson)


Um Silêncio Interior: os retratos de Henri Cartier-Bresson
Fórum Eugénio de Almeida, em Évora
Todos os dias, das 09h30 às 18h30. Entrada gratuita
Visitas guiadas
De seg. a sex. feira, para grupos, mediante marcação prévia
Ateliers didácticos
De seg. a sex. feira, para alunos do ensino pré-primária, 1º, 2º e 3º ciclos e secundário, mediante marcação prévia
Programa para as famílias
Sáb. e Dom., às 11h00
Qua., às 15h00
Actividades para crianças dos 6 aos 10 anos acompanhadas por um adulto
Duração: 1h30
Inscrição: 1 euro por pessoa
Até 29 de Julho

os cuvelier

Eugène Cuvelier, Fampoux – Près d`Arras

A leiloeira Sotheby`s leva amanhã à praça, em Nova Iorque, um conjunto de fotografias de Eugène e Adalbert Cuvelier, dois fotógrafos pouco conhecidos que praticaram a “nova arte” entre 1850 e 1860. O espólio que esteve esquecido durante anos inclui 41 imagens de Eugène e apenas duas do seu pai, Adalbert. Um comunicado da leiloeira, que espera realizar entre 1,4 e 2,1 milhões de dólares com a venda, sublinha o facto de a maior parte destas fotografias (em albumina e papel salgado) nunca ter sido vista em público.
Eugène Cuvelier pertenceu à chamada escola de Barbizon, da qual fizeram parte, entre outros, os pintores Camille Corot e Jean-François Millet. Os dois Cuvelier usaram o suporte fotográfico apenas com um fito: fazer arte. Nem pai nem filho se tornaram fotógrafos profissionais. Este conjunto de imagens, que a Sotheby`s afirma estar em excelentes condições, foi descoberto em finais dos anos 80, durante a organização de um leilão em Rhode Island, nos EUA. As provas estavam ainda dentro das caixas de madeira originais do século XIX. Por fora, aparecia a inscrição John C. Bancroft, Newport, R. I.. O texto da leiloeira conta que o americano John Chandler Bancroft estudou pintura em França no início dos anos 60 e teve contacto com os pintores e seguidores da escola de Barbizon. Bancroft terá comprado e enviado as fotografias para os EUA e só foram descobertas no leilão de Rhode Island.
As imagens de Eugène mostram sobretudo os bosques de Fontainebleau. Tanto aparecem paisagens luxuriantes e sumptuosas, como vistas agrestes e despidas.
A Sotheby`s tem aqui vários textos de apoio que ajudam a contextualizar a importância deste espólio.
No mesmo sítio há um excelente vídeo de apresentação do leilão que também pode ser descarregado para iPod.
O catálogo pode ser visto aqui.


Eugène Cuvelier, Route à Briquet

11 abril, 2007

rever

Pintura Habitada

Para quem perdeu a oportunidade de ver o documentário Pintura Habitada durante o último DocLisboa pode agora assistir à sua antestreia na Cinemateca, agendada para sexta-feira, às 21h30. Fugindo ao retrato autobiográfico de Helena Almeida, o filme mostra o universo e a transversalidade dos suportes (fotografia, vídeo, performance, escultura, pintura e desenho) que dão corpo à obra da artista.
Pintura Habitada, primeiro filme de Joana Ascensão, venceu o Grande Prémio Tóbis para Melhor Documentário Português de Longa-Metragem no Festival DocLisboa 2006.
Helena Almeida, nascida em Lisboa em 1934, representou Portugal na Bienal de Veneza de Artes em 2005 com a exposição Intus.
Pintura Habitada competiu em Março no Festival Internacional du Film sur L´Art, em Montreal, no Canadá, e está a ser exibido desde 15 Março (até 12 de Maio) durante uma exposição sobre Helena Almeida na Galeria Helga de Alvear, em Madrid.

06 abril, 2007

*Três perguntas a...

Procissão dos Passos. 1 de Abril, 2007 (© Hugo Delgado)

Hugo Delgado. Nasceu em Braga. Tem 32 anos. Foi colaborador do Público. Fundou recentemente na capital do Alto Minho a WAPA - Wide Angle Photographic Agency.

¿Por que é que fotografas?
Filho de fotojornalista, desde cedo habituado a conviver com máquinas fotográficas e com o stress do fotojornalismo, vem quase por necessidade a experimentação do mesmo estilo de vida. Daí até a profissionalização foi um passo muito curto, talvez um "amor à primeira vista".

¿O que é te levou a fotografar durante anos as mesmas procissões, as mesmas manifestações de fé?
Nascido e criado na "Roma portuguesa", é quase impossível passar ao lado da fé que caracteriza Braga. Fotografo as procissões da Semana Santa desde 1995 e continuo a fazê-lo com um gosto especial - embora pareçam sempre iguais, encontramos sempre algo diferente e vários tipos de manifestações de fé. As expressões que tento captar transmitem isso mesmo "um olhar sobre a fé, as expressões da fé...".

¿Que projectos de ocupam agora?
Estou a preparar o lançamento de dois livros. Um é sobre África, onde abordo temas como a saúde, religião e educação nas antigas colónias portuguesas. O outro andará à volta da religião, não fosse esse o tema forte da cidade onde vivo. Em 2005 fundei a WAPA - Wide Angle Photographic Agency. Quero dar continuidade a este projecto que tenta colmatar uma lacuna que existe na fotografia não só em Braga, mas em todo país: representar e aproximar os trabalhos fotográficos do mercado nacional e internacional, apoiar fotógrafos, incentivar a criação fotográfica, entre outras coisas.

Texto do P2 sobre a exposição.

Procissão dos Passos. 1 de Abril, 2007 (© Hugo Delgado)


Hugo Delgado – Sinais de Páscoa: rostos, luz, sombras, tradição, alegria, fé…
Espaço Braga, Braga Parque
Quinta dos Congregados, S. Vítor
Todos os dias das 10h às 23h.
Até 15 de Abril

Hugo Delgado, Rodrigo Lima, Silvino Rodrigues – Ecce Homo
Museu Pio XII. Lg. de Santiago
De 3ª a dom. (também feriados), 9h30 às 12h30 e das 14h30
às 18h
Até 27 de Maio

05 abril, 2007

Morris e Bush

Uma das facetas do trabalho de Morris...
(Washington D.C., 2005, © Christopher Morris)

Christopher Morris, reputado fotógrafo de guerra actualmente a trabalhar para a Time, esteve em Lisboa para participar numa conferência sobre fotojornalismo organizada pela ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação). Na entrevista que deu a Kathleen Gomes (publicada hoje no P2) fala dos últimos 5 anos a fotografar George W. Bush e os republicanos e da súbita mudança de assunto no seu trabalho. Morris, que no ano passado fez parte do júri do Prémio Fotojornalismo Visão/BES, publicou recentemente o livro My America, um retrato da sua experiência a acompanhar a classe política no poder nos EUA.

“A fotografia de guerra é muito simples: a imagem está lá; se nos pusermos no sítio certo, não temos de trabalhar muito por ela. Mas fazer o que eu faço em política é muito difícil. É mais difícil encontrar a fotografia, o desafio é maior.”

“Quando se é fotógrafo, está-se sempre a editar para que a imagem coincida com a história ou o ambiente que dominou o dia.”

“Não estou a vender o presidente [George W. Bush], estou a documentar este período da América.”


...e a outra (© Christopher Morris)

Galeria de imagens do livro My America.

03 abril, 2007

imaginar imagens

TXT (© [KGaleria])

Os programadores da [KGaleria], do colectivo [KameraPhoto], puseram a imaginação a funcionar. Primeiro a deles, depois a nossa.
Quem entra no rés-do-chão da R. da Vinha está habituado a ver fotografia nas paredes. No projecto TXT não é bem assim. A K propõe uma experiência diferente, muito mais estimulante e divertida que joga com as nossas expectativas em relação à imagem fotográfica. A sala está coberta de folhas brancas A4 pregadas com pionezes com frases que descrevem uma imagem já concretizada. Descrevem uma imagem, mas podem sugerir várias ou, no limite, nenhuma. Pelo menos, foi isso que me aconteceu. As possibilidades são ínfimas e estão apenas dependentes da capacidade imaginativa de cada um. O "livro de instruções" pede para lermos as folhas, imaginarmos o que elas descrevem e, se acharmos a imagem sugestiva, comprarmos a imagem "verdadeira", que é como quem diz aquela que já existe fisicamente.
O exercício é simples, mas serve para reflectir e pôr em causa a nossa atitude para com o fotográfico. Coloca-nos ao nível de um mundo "branco", desprovido de fotografia, mas carregado de imagens depois de "contaminado" pelas palavras. Joga com a ânsia (vício?) de satisfazer visualmente a sugestão de imagens. Espicaça a intrincada relação entre a expectativa que se constrói e a realidade com que somos confrontados. Há, se quisermos chegar à fase de abrir o envelope, lugar para decepção ou para surpresa. A quase imediatez com que tudo isto se pode passar apimenta ainda mais a visita.
Mas não é tudo. A par da expectativa em relação à imagem da fotografia, criou-se também uma expectativa em relação à sua autoria, visto que nenhum texto dá a indicação sobre o fotógrafo que a captou.
Todos os fotógrafos da [KameraPhoto] participaram com as suas imagens e textos. Cada fotografia, com um tamanho aproximado do A4, custa 10 euros e tem uma tiragem limitada de 3. TXT, abreviatura possível para "texto", marca o segundo aniversário da [KGaleria]. Parabéns.

[KGaleria]


TXT - [KGaleria]
Rua da Vinha, 43A, Bairro Alto, Lisboa
De qua. a sáb, das 15h00 às 20h00
Tel.: 21 343 16 76
Email: kgaleria@kameraphoto.com
Até 21 de Abril

 fotografiafalada

Dois Cristos numa rua escura (© Letizia Battaglia)

“Palermo, 1982. De noite, enquanto jantávamos, chegou o telefonema. Sabíamos que tinha acontecido alguma coisa. Numa rua pequena, muito escura, estava um homem caído no chão. A polícia chegou, acendeu uma luz, um polícia levantou a camisola e viu-se este Jesus. Foi uma coisa muito forte. A minha mãe quando viu esta fotografia disse “São dois Cristos”. Estas tatuagens fazem-se na prisão, sabe? Mas era um homem sem nada de especial. Mataram tantos... ele está aqui porque tinha este Cristo.”
(Letizia Battaglia)
Depoimento recolhido por Alexandra Prado Coelho
(Público, 19.03.2007)


Letizia Battaglia - Paixão, Justiça, Liberdade
Libritalia, R. do Salitre 166b.
Até 29 de Abril
Dias 4, 11 e 18 de Abril, documentários sobre a máfia às 19h30

02 abril, 2007

as escolhidas

Trasladação do corpo da Irmã Lúcia para o Santuário de Fátima. Fevereiro de 2006. (Nélson d`Aires, KameraPhoto)

Eis a lista completa dos vencedores da sétima edição do Prémio Fotojornalismo Visão/Bes:

»GRANDE PRÉMIO: Manuel de Almeida (Agência Lusa)

»NOTÍCIAS
Vencedor: Manuel de Almeida (Agência Lusa)
Menção Honrosa: Nicolas Asfouri (AFP)
Menção Honrosa: Daniel Rocha (Público)

»REPORTAGEM
Vencedor:
Nélson d`Aires (KameraPhoto)
Menção Honrosa: Pedro Vilela (freelancer)
Menção Honrosa: Rodrigo Cabrita (Diário de Notícias)

»VIDA QUOTIDIANA
Vencedor: José Carlos Carvalho (Diário de Notícias)
Menção Honrosa: Nicolas Asfouri (AFP)
Menção Honrosa: Alfredo Cunha (Jornal de Notícias)

»RETRATO
Vencedor:
João Carvalho Pina (KameraPhoto)
Menção Honrosa: Jordi Burch (KameraPhoto)
Menção Honrosa: António Luís Campos (4SeePhotographers)

»ESPECTÁCULO
Vencedor: Paulo Freitas (freelancer)
Menção Honrosa: Mário Princípe (freelancer)

»DESPORTO
Vencedor: o júri decidiu não atribuir prémio dada a fraca qualidade das imagens apresentadas.
Menção Honrosa: Rodrigo Cabrita (Diário de Notícias)
Menção Honrosa: Nuno Fox (freelancer)

»NATUREZA
Vencedor: João Paulo Coutinho (Jornal de Notícias)
Menção Honrosa: Joel Santos (Foto Digital)


Os vencedores de cada categoria receberam 2500 euros. O Grande Prémio tem um valor pecuniário de 15000 euros. Manuel de Almeida recebeu ainda uma peça desenhada pela artista plástica Susana Anágua. Os outros premiados recebem troféus concebidos pelo joalheiro Pedro Cruz e pela designer Rita Filipe.
As fotografias vencedoras serão mostradas numa exposição que acompanhará a habitual mostra do World Press Photo. Será também publicado um livro que, para além das imagens galardoadas, mostrará algumas das fotografias mais marcantes apresentadas a concurso.

»Galeria com todas as fotos premiadas.

 
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