07 maio, 2007

tereza

Tereza Siza (Paulo Pimenta/Público)


Aprecie-se mais ou menos o estilo de liderança. Goste-se mais ou menos da personalidade, Tereza Siza conseguiu fazer um trabalho no Centro Português de Fotografia que será lembrado. Por bons motivos. O CPF nasceu torto e para muitos, onde não me incluo, no sítio errado – no Porto. Aliado a esse ressabiamento de muitas instituições e pessoas ligadas à fotografia em Portugal, em particular em Lisboa, a directora do CPF partiu com outra dificuldade, não menos relevante: a inexistência de uma política nacional para a imagem fotográfica. Não se pode dizer que o CPF tenha conseguido mudar plenamente esse estado de coisas, mas é, de longe, o local onde, no nosso país, a fotografia tem sido tratada com mais inteligência, dignidade e esmero. A independência e o poder conquistados pelo CPF (equivalia a uma direcção-geral do Ministério da Cultura, a única a funcionar no Porto) atormentava ainda muita gente. Com a capa dos constrangimentos orçamentais - que pode servir de desculpa para tudo - a tutela decidiu extinguir os moldes em que até aqui funcionava o CPF, ao abrigo do famigerado PRACE.
Tereza sai por um golpe de secretaria depois de três mandatos e dez anos à frente do CPF. Regressa às aulas de filosofia no ensino secundário em Matosinhos.
É provável que sintamos a falta dela.
Agradeço-lhe os bons momentos que passei nas enxovias da Cadeia da Relação.

Eu sempre julguei que gerir o CPF ia ser difícil, e é difícil.
Tereza Siza, Expresso, 03.10.1998


Centro Português de Fotografia, Cadeia da Relação (Paulo Pimenta/Público)

5 comentários:

carlos lobo disse...

É mais uma tristeza do nosso governo... Os organismos que não dão prejuízo fecham enquanto que autênticos buracos no sistema continuam a funcionar. Tereza Siza fez um excelente trabalho com os escassos meios disponíveis e volta ao ensino. Se fosse um ex-ministro, talvez tivesse um tacho na administração de uma qualquer empresa pública. Enfim...
É mais um sinal do amor à cultura no nosso país. Se fosse um museu de carros antigos, talvez o Rui Rio se manifestasse contra.

nunoamaro disse...

E tudo isto é triste, e tudo isto é fado...

Cumps.

Paulo disse...

Creio que o Sérgio no seu texto fala de uma questão essencial...goste-se ou não do estilo olhe-se para o que fez e não fez ou não pôde fazer.
A Teresa Siza é uma pessoa de uma entrega total e de uma dedicação profissional extrema. O minimo que se deveria fazer era agradecer publicamente o seu papel. Particularmente em tempos tão conturbados e com sucessivos ministros que desinvestiram sucessivamente no CPF amputando algumas das suas vertentes mais singulares, como poderiam ter sido, os concursos para edição, as bolsas de estudo ou o desenvolvimento de uma política continua e consolidada do tratamento de arquivos.
Lembremo-nos que o CPF tem nove anos e que instituições semelhantes em países da 'nossa' comunidade europeia fazem este trabalho á décadas. È triste. A nós, cabe-nos inverter este estado de coisas.
Um abraço

Anónimo disse...

Que volte depressa ás aulas de filosofia!!!!!!a filosofia precisa dela,a fotografia nem por isso!
N.Migueis

Mário disse...

As coisas ou são demasiado rasteiras ou são super elitistas. O caso do CPF parace-me enfermar deste mal. Independentemente das questões orçamentais e das suas motivações, não me parece que o gosto pela fotografia possa florescer (perdoem-me a imagem bucólica) se só podemos escolhaer entre a tasca e o palácio aristocrático (sem desprimor para ambos).

 
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