30 maio, 2011

entre aspas


Duane Michals, Certain Words Must Be Said, 1976


Fotografar talvez seja assim. Talvez seja este modo de organizar os sentidos como uma ciência do espaço.

João Miguel Fernandes Jorge, "Como se aniquila uma máscara?", in Duane Michals - Há palavras que têm de ser ditas, ed. FCG, 1990

29 maio, 2011

0-series


Oskar Barnack ultrapassou Alphonse Giroux. Um dos raros protótipos das primeiras câmaras fotográficas concebidas por Barnack para a casa Ernst Leitz Optische Werke bateu o recorde de venda em leilão que até agora pertencia a um aparelho Giroux Daguerréotype, construído por Giroux, cunhado de Daguerre, na primeira infância da fotografia. A câmara número 7 de um total estimado de apenas 25 (0-series) foi arrematada por 1,32 milhões de euros por um coleccionador asiático que não quis revelar a identidade na venda organizada pela casa austríaca WestLicht. O recorde alcançado no ano passado pela Giroux Daguerréotype (a primeira máquina vendida em leilão com a assinatura de um dos inventores da fotografia, Louis J. M. Daguerre) foi de 732 mil euros.

As primeiras duas dezenas e meia de câmaras da 0-series foram concluídas em 1923, depois de muitos aperfeiçoamentos que finalmente convenceram Ernst Leitz II a fabricar e a lançar no mercado as míticas Leica, nome comercial com que chegaram às mãos dos compradores em 1925. O aparelho agora leiloado, que se mantém a funcionar perfeitamente e conserva a tinta original do corpo principal, tem ainda a particularidade de ser a primeira Leica a ser exportada já que os registos de fábrica indicam uma entrega em Nova Iorque. Esta é a segunda vez que uma câmara Leica da chamada 0-series é vendida num leilão.

Segundo a casa WestLicht, o leilão deste sábado foi o mais rentável de sempre na especialidade com 94 por cento dos lotes vendidos e 4,42 milhões de euros realizados. Paralelamente ao leilão da técnica fotográfica decorreu um leilão de fotografia, onde os protagonistas foram um lote de quatro daguerreótipos de Auguste Rosalie Bisson, de 1842, que foram vendidos por 222 mil euros. Um dos raros retratos fotográficos de Egon Schiele foi arrematado por 60 mil euros. A imagem do pintor foi captada por Anton Josef Trčka em 1914.

O vídeo com um resumo da venda da câmara mais cara do mundo está aqui. Os resultados do leilão de câmaras e acessórios fotográficos pode ser consultado aqui e os resultados do leilão de fotografia estão aqui

Egon Schiele, Anton Josef Trčka, 1914

27 maio, 2011

/uma fotografia, um nome\


António Drumond, s/ título, 1984
© António Drumond



Conhecemos António Drumond por uma insularidade que transmuta realidades do insólito, encontradas ou produzidas em efeitos de encantamento e alquimia, sempre, mas sempre, racionalizadas.

Nas suas imagens de cor o imaginário da estranheza resolve-se mais no tratamento da tonalidade e na composição, do que no motivo. Esta composição, (porque se trata de uma composição muito elaborada e minuciosa, com selecção de elementos com contraste de cor) surge-nos como um apontamento de um caderno de pintor, um apontamento de Caravaggio: tons fortes e soturnamente carregados, objectos que falam entre si, luminosidades insólitas que dificilmente nos deixam situar a fonte de luz. Caravaggio, como se sabe, iluminava com diversos focos as suas telas, recusando a ilusão do foco do lado do observador.

No entanto esta imagem não é neo-pictorialismo, não tem uma teoria fisiológica ou pictórica de base, não pretende ser a imitação de um “quadrinho” qualquer; baseia-se sim na ideia modernista de objecto fotográfico, que assume o seu fraccionamento próprio em função da câmara. Para um pintor seria um apontamento de caderno, para um fotógrafo é a temática, o motivo.

Produzida nos anos oitenta do século XX, quando o código fotográfico conceptualista se aliava às cores lisas dos cartazes modernistas, afirma-se como textura de cor e objecto, apela tanto ao tacto como à reflexão. É uma composição produzida, um jogo de objectos no seu contexto e tudo assim se completa para criar interstícios e segredos, numa impressão de intimismo que cria o enigma, esse sinal de conjuntura de fim de século que ainda nos rege num tempo de falsa transparência.

Hoje, a imagem digital ganhou o estatuto da informação e da simulação tecnológica e a imagem química ganha a diferença da raridade. António Drumond produziu séries de colagem que afirmavam esse afã do Modernismo em estabelecer comparações e irrupções de tempos e espaços diversos na composição; fez fotografia directa em que deixou a luz ou a cor fazer de sujeito ou fotografia construída regida pelo simbólico ou pelo conceptual, de experimentação em experimentação, mas livre de códigos cerrados. Mas nunca deixou de pensar a fotografia como uma alquimia que permite a transmutação entre um real encontrado ou encenado num objecto fotográfico.

Nesta imagem é a cor e a textura que fabricam a sedução da materialidade e nada, senão a estética do conjunto nos atrai o olhar. E assim contraria a fugacidade que deu em habitar o olhar contemporâneo, simplificando a relação com a obra, o intercâmbio de sensibilidades e emoções, a descoberta dos significantes que se ocultam nos significados.”

Maria do Carmo Serén

26 maio, 2011

Daido Moriyama



Tóquio, 1984
© Daido Moriyama/cortesia Polka Galerie, Paris



O mestre Daido Moriyama (Osaka, 1938) já leva 50 anos de fotografia. A galeria parisiense Polka mostra a partir de 27 de Maio Itinérances. Mémoires de la lumière, o percurso possível de um andarilho que ama a rua e os seus protagonistas, os seus movimentos e as suas geografias de incerteza, de penumbra e de rudeza.

Daido Moriyama começou por interessar-se pela pintura. Desistiu e trabalhou como gráfico em Osaka. Chegou a Tóquio em 1961 e integrou o grupo Vivo que se separou pouco depois. Foi lá que conheceu Eikoh Hosoe de quem se tornou assistente. No início de 1965 realizou em nome próprio uma série sobre a base americana de Yokosuka. Nippon Gekijo Shashincho (Japão - Um Teatro Fotográfico) foi o seu livro de estreia. Nele mostrou imagens de comediantes de rua (des)organizadas em justaposição, uma escolha fora dos cânones que lhe valeu o convite para integrar a seminal revista Provoke em contraciclo com o realismo académico e a fotografia como ilustração do mundo. Em 1972, publica mais dois livros, Karyudo (Caçador) e Sashin yo Sayonara (Adeus Fotografia), considerado um dos mais importantes livros de fotografia de sempre. A obra de Moriyama chegou à Europa apenas em 1985, através da exposição Black Sun - The Eyes of Four, no Museu de Arte Contemporânea de Oxford.

A próxima edição da revista Aperture publicará uma entrevista de Ivan Vartanian
a Moryiama, onde o fotógrafo japonês fala sobre este meio século de máquina na mão e sobre o seu trabalho recente a cor.

A Tate Modern agendou para o final do próximo ano uma exposição que confronta o trabalho de Daido Moriyama com o de outro gigante: William Klein (mais informações aqui).

Photographs are fossils of light and memory, and photographs are the history of memory.


Daido Moriyama, “The Myth of Light”, excerto das memórias “Memories of a Dog”, 2004

24 maio, 2011

Portugal '75



Posters, Lisboa, 1975
© Elizabeth Lennard/Cortesia Galeria Pente 10, Lisboa



Na ressaca do 25 de Abril, no Verão quente de 75, a fotógrafa americana Elizabeth Lennard fotografou um país confuso, um país às apalpadelas e à procura de rumo. A Galeria Pente 10, em Lisboa, mostra 22 imagens captadas durante essa estadia na exposição Portugal '75 que estará patente até ao dia 4 de Junho.
À superfície da imagem fotográfica Lennard gosta de acrescentar as suas cores. Porquê?: “There are many reasons. I like the texture of oil paint on a print. I don't like the object that a color photograph is. Paint gives a more organic, living substance to the hand colored photograph. And I love color.
Em Novembro de 75, a revista Rolling Stone deu espaço ao trabalho de Elizabeth Lennard e descreveu a situação que então se vivia:

Em Agosto de 1975, a fotógrafa Elizabeth Lennard passou três semanas em Portugal a
recolher impressões de um povo recentemente libertado:
Portugal estava totalmente impreparado para uma revolução. É um país perigosamente
desorientado, economicamente deprimido e tecnologicamente e socialmente atrasado –
especialmente nas zonas rurais. Nas aldeias a igreja católica continua a deter o poder. A
maior parte dos camponeses viveu de uma certa forma durante centenas de anos e não é
capaz de mudar. Um dia, numa pequena vila, vimos um grupo de mulheres ajoelhadas à
porta de uma igreja. No centro da igreja havia uma estátua de um santo coberta de dinheiro.
A igreja é tão rica e no entanto esta gente faminta continua a dar o pouco que tem.
Nas cidades as pessoas são mais sofisticadas mas a pobreza continua a ser extrema.
Enquanto que as zonas rurais lembram a América dos anos 50, os centros urbanos evocam
mais São Francisco em 1967. O ambiente é enérgico – como se as ruas tivessem sido
injectadas de adrenalina. Cartazes coloridos e panfletos escondem uma economia em
degradação e um desvanecer da elegância do Velho Mundo. Num café da moda local jovens
fumam erva angolana e um dos mais elegantes restaurantes de Lisboa foi 'libertado'
transformando-se num ponto de encontro informal e descontraído para trabalhadores e
revolucionários. A pornografia é agora legal mas a censura política na imprensa continua.
Na Praça do Rossio, a praça central de Lisboa onde as pessoas costumavam reunir-se para
discutir futebol, debate-se agora política – por vezes até às duas ou três da madrugada. E
todos os cartazes partidários e os graffiti que se encontram por toda a praça – e em todos
os outros sítios – supostamente um barómetro da situação, rapidamente são cobertos pelos
miúdos de rua com a retórica de uma facção oposta.
Ninguém parece saber o que vai acontecer a seguir. É como estar preso no tempo; um povo
atrasado e desorientado com um governo progressista e desorganizado. De acordo com um
lisboeta, até os hábitos de condução foram afectados. As pessoas costumavam ser
razoavelmente civilizadas e conscientes, mas agora conduzem como loucas.


Rolling Stone, Novembro 1975

Para ver mais trabalhos da fotógrafa e realizadora Elizabeth Lennard clique aqui

discography


© António Júlio Duarte



Quantos e quantos não começaram carreiras de fotografia por causa da iconografia ligada à música. Numa das varandas da trem azul jazz store, António Júlio Duarte confessou-se influenciado pelo trabalho de fotografia associado a bandas que ouvia, recordou a poder das imagens do formato LP e gracejou com os desenhos que fazia nas capas de cassetes pirata. A comemorar 10 anos, a Clen Feed Records (ligada à trem azul) desafiou o fotógrafo a conceber 50 capas de discos (suporte e formato CD) para gravações que ainda não existem. Cada imagem (assinada e numerada) e respectiva caixa com CD virgem custa 20 euros. A música inspira imagens. As imagens inspiram música.
Discography pode ser vista até 24 de Junho aqui

Edgar Martins em Veneza



ii, da série A Metaphysical Survey of British Dwellings & Dwarf Exoplanets
© Edgar Martins



Edgar Martins foi um dos 4 artistas escolhidos para representar Macau na Bienal de Veneza, que decorre entre 4 de Junho e 23 de Novembro. O fotógrafo português (que cresceu na antiga colónia portuguesa) foi seleccionado pelo Museu de Arte de Macau e apresentará imagens da série A Metaphysical Survey of British Dwellings & Dwarf Exoplanets.

Portugal será representado por Francisco Tropa na 54.ª edição da Bienal com um trabalho concebido expressamente para o espaço do Fondaco Marcello, um armazém perto do Grande Canal. Scenario é uma exposição comissariada por Sérgio Mah que articula peças escultóricas, máquinas, entre as quais dispositivos de projecção de imagens, e fragmentos da natureza.

23 maio, 2011

PhotoMed

Marselha, 2011
© Cristiana Thoux

E eis que no meio de tanta crise, incerteza, angústia, desgosto, orçamentos abaixo de cão e o diabo a sete surge mais um festival de fotografia: PhotoMed, com base em Sanary-sur-Mer (sul de França) que se focará na fotografia do eixo mediterrânico.
A primeira edição terá como país convidado a Turquia e como convidado de honra Martin Parr. A exposição Magnum Meditérranée mostrará a perspectiva americana desse eixo geográfico através dos trabalhos de Elliott Erwitt, Alex Webb, Leonard Freed, Jim Goldberg, David Alan Harvey, Richard Kalvar, Susan Meiselas, Dennis Stock e Bruce Davidson. A Maison Européenne de la Photographie organizou a mostra MEP/Meditérranée 1960: De Cartier-Bresson à William Klein e haverá exposições de dezenas de outros fotógrafos com trabalho feito sobre a região.
Mais informações sobre o PhotoMed aqui

22 maio, 2011

conhecer

© João Carvalho Pina


João Carvalho Pina e Nelson d`Aires dão uma masterclass de fotojornalismo na Universidade Lusófona, em Lisboa, na terça-feira, dia 24 de Maio, entre as 09h00 e as 13h00 (Auditório Q). A iniciativa está integrada na XIII Semana Internacional do Audiovisual e Multimédia - “Múltiplos Saberes, Múltiplas Experiências” e tem entrada livre.

os livros

Ed Ruscha revê uma cópia de Every Building on the Sunset Strip (1966), fotolivro em formato harmónio


Bruno Santos orienta o próximo curso do Atelier de Lisboa sobre esse extraordinário suporte de comunicação que é o livro de fotografia. O programa prevê uma abordagem histórica do livro de fotografia desde que Fox Talbot decidiu criar The Pencil of Nature e reflexões sobre a importância deste suporte como obra final (cada vez mais, único suporte da obra final). O curso começa no dia 26 de Maio e terá seis sessões (uma por semana, à quinta-feira, entre as 19h45 e as 22h15).

Mais informações aqui

20 maio, 2011

Perpignan


© Jonas Bendiksen/Magnum Photos

A 23ª edição do Visa Pour L´Image de Perpignan já mexe. O programa preliminar de um dos principais festivais de fotojornalismo do mundo foi divulgado e inclui exposições individuais de Martina Bacigalupo (Agence VU), Jonas Bendiksen (Magnum Photos), Jocelyn Bain Hogg (VII Network), Valerio Bispuri, Chien-Chi Chang (Magnum Photos), Fernando Moleres (Panos/laif), Lu Nan (Magnum Photos), entre outros.
O oficina Transmission pour l’image é uma das novidades da programação deste ano. A intenção é permitir que um grupo de fotojornalistas rotinados passe as suas experiências a profissionais em início de carreira. O programa terá uma duração de 3 dias, a inscrição custa 500 euros e envolve conversas com Jérôme Delay, Chris Morris, Jon Jones, João Silva, Mort Rosenblum e Samuel Bollendorff.

Jean-François Leroy, principal responsável do Visa Pour L´Image, escreveu este texto para apresentação do festival:

The timing is difficult. It’s tough writing an editorial the day after Chris Hondros and Tim Hetherington died in Libya.
What is there to say? First, we can talk about them, a bit, and say that they were two of the best of their generation; that they were passionately committed to what they were doing, to providing news, to showing the world to us as it is, with all its brutality and all its stupidity. Our views will be more limited now that they have gone.
We will obviously be paying tribute to them in Perpignan, but we would really have liked to show their work, just like that, with no tears.
We shall also be paying tribute to Lucas Dolega who was assassinated in Tunis.
The year has been packed with news: Côte d’Ivoire, Tunisia, Egypt, Libya, Sudan, Syria, Bahrain, Iraq, Afghanistan, and, of course, the disaster in Japan. The world seems to have had even more dramas than usual.
It is now more essential than ever for us to have direct eye-witness reporting by all these photographers, journalists and cameramen to help us understand the accumulation of events.
Some people say that Perpignan is a bit like a family reunion. Well, this year the family of photographers has certainly been dealt a cruel blow.



Jean-François Leroy

19 maio, 2011

tentar

© David Favrod

Já estão abertas as inscrições para o próximo Aperture Portfolio Prize. O vencedor do ano passado foi David Favrod, fotógrafo nascido no Japão, filho de mãe japonesa e pai suíço - um mescla de culturas que potenciou um portfólio baseado na pergunta Quem sou eu?
Mais fotografias de David Favrod aqui
Mais informações sobre o Aperture Portfolio Prize aqui

18 maio, 2011

1000: obrigado


Temos isto de gostar de números redondos, o que é que se há-de fazer. As contagens para trás tem o dom de nos fazerem lembrar coisas mais ou menos esquecidas, efemérides políticas, efemérides históricas, nascimentos, mortes... As contagens para a frente são avanços, pequenas conquistas.
Aqui ao lado contam-se os "seguidores" (gosto pouco da palavra, prometo mudá-la) deste blogue que hoje chegaram aos 1000. No mínimo, terei conquistado alguma da sua atenção, algum do seu tempo - o que não é pouco.
Obrigado por continuarem a entrar por aqui


Masao Yamamoto, A Box of Ku #613, 1993

prémio


Daido Moriyama em Traces of a Diary - Fragmentos de um Diário


O documentário Traces of a Diary - Fragmentos de um Diário (Portugal 2010, 90'), de André Príncipe e Marco Martins, com produção da Filmes do Tejo, acaba de ser reconhecido com uma menção honrosa no festival de cinema Documenta Madrid. A obra que passou recentemente no festival Indie Lisboa 2011 aborda o trabalho de alguns dos mais reconhecidos fotógrafos japoneses dos últimos anos, entre os quais Daido Moriyama, Nobuyoshi Araki e Kohei Yoshiyuki, entre outros.

Eis a sinopse do filme:

É um filme concebido como uma espécie de diário de viagem, um caderno de notas cinematográfico sobre o trabalho de alguns dos mais significativos fotógrafos japoneses contemporâneos. Através de uma série de encontros com os fotógrafos, os realizadores reflectem sobre a natureza do acto de fazer imagens e contar histórias, sobre o próprio processo diarístico. Ao filmarem com duas câmaras 16mm de corda, Martins e Príncipe valorizam a crueza do espontâneo e do contingente, acima do tratamento estudado. Ao mesmo tempo diário e reflexão sobre o género diarístico, Traces of a Diary é um filme elíptico, uma visão pessoal e dinâmica sobre alguns dos mais importantes fotógrafos actuais e sobre a cidade de Tóquio que eles fotografam.

16 maio, 2011

a-z



O investigador e jornalista Hans-Michael Koetzle é o autor de Photographers A-Z, um álbum de organização enciclopédica sobre os mais influentes fotógrafos do século XX e as suas melhores monografias. O livro editado recentemente pela Taschen (que para já tem apenas versão em espanhol) apresenta 400 autores nucleares dos últimos 100 anos através de facsímiles de livros e revistas. Para além dos "clássicos", a obra promete entradas de fotógrafos que trabalharam em áreas mais "aplicadas", como a arquitectura e a moda.

Photographers A-Z pode ser folheado aqui

mandar postais


A cooperativa Magnum vai lançar uma série de fotógrafos para a estrada nos EUA. O primeiro grupo de viajantes começou no dia dia 12 em San Antonio e, se tudo correr como o previsto, terminará no dia 26 em San Francisco. O trabalho documental de Paolo Pellegrin, Jim Goldberg, Susan Meiselas, Alec Soth, Mikhael Subotzky e da escritora Ginger Strand pode ser seguido no blogue Postcards from America aqui

15 maio, 2011

museu#4

Tancos, Portugal, 1.6.1955


06 maio, 2011

aula aberta

© Jem Southam


O fotógrafo inglês Jem Southam é convidado da próxima aula aberta da pós-graduação Fotografia, Projecto e Arte Contemporânea, organizada pelo Atelier de Lisboa e pelo IPA - Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos. Southam apresentará o seu trabalho esta sexta-feira, às 21h00, nas instalações do IPA (Rua da Boavista, 67, Santos/Cais do Sodré). A sessão, em língua inglesa, é aberta ao público e de entrada livre.
Jem Southam (Bristol, 1950) estudou fotografia na London College of Printing. É professor na School of Art & Media da Universidade de Plymouth, Reino Unido. A paisagem rural inglesa e as mudanças que foi sofrendo ao longo do tempo são o principal objecto do seu trabalho.

Em Fevereiro de 2009, Jem Southam revelou ao The Guardian que a sua fotografia preferida é esta

Jem Southam é representado pela Robert Mann Gallery, de Nova Iorque

05 maio, 2011

mostrar


Pandora Complexa (Júlio Dolbeth e Rui Vitorino Santos)/Café Ceuta

Valente (e inteligente) iniciativa esta de um grupo de artistas do Porto: troca-se por arte quer tão só dar a ver o trabalho de mais de 20 artistas utilizando as montras de lojas de comércio tradicional da cidade. O projecto artístico de intervenção pública, como se denomina, já vai na segunda edição. Começa hoje e termina no sábado. Participam, entre outros fotógrafos, Inês d`Dorey e André Cepeda.
A llista de todos os participantes está aqui

apreçar




Marella Agnelli, Nova Iorque, 1953
Richard Avedon



Gosto de ver o preço que os especialistas de mercado atribuem às fotografias, um suporte que foi sempre difícil de avaliar.

A leiloeira Phillips de Pury & Company, que ultimamente se tem distinguido por frequentes e bons leilões de fotografia, agendou mais uma venda para o dia 19 de Maio, em Londres.

O catálogo arranca com um conjunto de lotes dedicados à fotografia de moda, onde se destacam imagens icónicas como Simone and Nina, Piazza di Spagna (1960), de William Klein, Divers, Horst with Model (Paris, 1930), de George Hoyningen-Huene, e nomes como Herb Ritts, Erwin Blumenfeld e Helmut Newton. Há também retratos intemporais de Richard Avedon e Irving Penn e outros grandes fotógrafos americanos como Walker Evans, Stephen Shore e Larry Sultan. Os fotógrafos ingleses estão representados por E.O. Hoppé, Ian Berry, Roger Mayne, Chris Killip e Tony Ray-Jones.

O lote mais caro do leilão (a base de licitação é de 60 mil libras) é um conjunto de 30 imagens da tribo sudanesa nuba captadas nos anos 70 pela controversa fotógrafa e realizadora alemã Leni Riefenstahl.

Na fotografia contemporânea estão representados Christian Boltanski, Wolfgang Tillmans, Candida Höfer, Edward Burtynsky, entre outros. O catálogo fecha com vários lotes de fotografia subjectiva reunida por um coleccionador europeu ao longo de 25 anos, onde aparecem os nomes de Heinz Hajek-Halke, Christer Stromholm, Toni Schneiders e Kiyoshi Niiyama.

O catálogo pode ser folheado aqui

Um Cowboy no Alentejo


Roland Winter, Mértola, 2010
© Enric Vives-Rubio



Enric Vives-Rubio foi um dos fotógrafos que participou na iniciativa do Público Online 20 Anos/20 Histórias com imagens de Roland Winter, um suíço que decidiu instalar-se em Mértola, perto do célebre Pulo do Lobo, para criar vacas e cavalos quarto-de-milha, os cavalos dos índios americanos. As fotografias de Enric passam agora do ecrã para as paredes do restaurante/tasca Tonga (Av. do Uruguai, 26A, Lisboa). A exposição Um Cowboy no Alentejo é inaugurada este sábado e fica na ementa até ao final de Maio.

Para ver e ouvir um amostra deste trabalho de Enric Vives-Rubio clique aqui

02 maio, 2011

Tim e Chris

Tim Hetherington, fotografia do ano 2007 do World Press Photo, Vale de Korengal, Afeganistão


Na segunda cama estava outro rapaz em tronco nu com os olhos cravados no tecto. A placa dizia apenas 'caso de esgotamento'. 'Sou um cobarde', disse. Era o único sobrevivente dos dez tanques anfíbios que precederam as primeiras investidas de Infantaria. Todos esses tanques se afundaram no mar revoltoso. O rapaz insistiu que devia ter ficado na praia. E eu respondi-lhe que eu também.



Sobre o desembarque na Normandia, II Guerra Mundial, Slightly Out of Focus, Robert Capa, 1947


Os repórteres de guerra Tim Hetherington e Chris Hondros morreram na Líbia no dia 20 de Abril quando cobriam os combates entre forças rebeldes e tropas fiéis a Khadafi, em Misrata. Hetherington, de 40 anos, foi para a Líbia na qualidade de freelance. Hondros, de 41, trabalhava para a agência Getty. Ramón Lobo escreveu no suplemento Domingo do El País um texto sobre estas e outras vítimas de outras guerras.
Simpre demasiado cerca pode ser lido aqui




Samar Hassan, 5 anos, chora o assassinato dos pais por soldados americanos em Tal Afar, no Iraque, 2005
Chris Hondros/Getty Images

 
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