22 novembro, 2010

Just Kids


Patti Smith e Robert Mapplethorpe em 1969



Quando trabalhava na livraria Scribner Patti Smith sonhava escrever e imaginava como seria receber um National Book Award, os mais reputados prémios de literatura americanos. Na semana passada, a dama do punk-rock saboreou o momento ao vencer o prémio na categoria de Ensaio com o livro Just Kids, onde recorda a Nova Iorque dos anos 60 e 70 bem como a sua relação de amizade com o fotógrafo Robert Mapplethorpe.


A recensão crítica do NYT ao livro está aqui e a do Guardian aqui

21 novembro, 2010

Guy Bourdain




Joana Amaral Cardoso
(Público, P2, 12.11.2010)

Madrid está cheia de imagens de moda: Mario Testino e o seu Todo o Nada no Museu Thyssen Bornemisza, os 100 anos da Vanity Fair, muitos deles inevitavelmente de moda, na Galeria Ivory Press, e as imagens enigmáticas de Guy Bourdain em Message for You (Sala Canal Isabel II) a servir de corolário.

O nome não rola logo da língua fashion, ao contrário do que acontece com Helmut Newton, Richard Avedon ou mesmo do mais contemporâneo e polémico Terry Richardson. Bourdain é tão iconoclasta como eles. Provocador, criou imagens sugestivas nos terrenos da sexualidade ou da violência. Mas ele era mais discreto - não dava entrevistas nem esclarecia confusões biográficas.

O fotógrafo francês, que morreu em 1991, aos 63 anos, queria era ser pintor. Talvez por isso haja ecos de obras de mestres do século XX no seu trabalho, talvez por isso tivesse uma relação difícil com as fotografias que produzia, talvez por isso fosse arredio do circuito da moda (leia-se as festas, os desfiles). "Era excêntrico e não queria ser medíocre", dizia ao El País Samuel Bourdain, o seu filho. Foi apadrinhado por Man Ray e um apaixonado por Magritte.

Tal como Newton, encenava ao detalhe as suas produções para conseguir composições potentes e narrativas de moda que iam da provocação à insinuação, impondo os expedientes mais extremos às suas modelos. Entre as ideias que as suas imagens nos provocam estão o desconforto e o perigo - e não o mais esperado encanto daquela mulher escultural nos seus sapatos altos. "O que vemos em Bourdain é uma ligação de dois grandes temas: desejo e morte", disse ao Telegraph Philippe Garner, um dos directores da leiloeira Sotheby`s.

Em 2003, uma retrospectiva no Victoria & Albert Museum de Londres começava a celebração da sua obra. Agora, além da exposição madrilena, é lançada a monografia In Between, sobre o trabalho de Bourdain, apadrinhado pela Vogue e pela marca de sapatos Charles Jourdan ao longo de uma carreira de 40 anos.

14 novembro, 2010

novos talentos 2010

© Frederico Azevedo

Estão encontrados os vencedores do Prémio Novo Talento FNAC de Fotografia 2010, no qual participei como júri ao lado de António Júlio Duarte (fotógrafo), António Pedro Ferreira (fotógrafo) e Mário Teixeira da Silva (director da galeria Módulo - Centro Difusor de Arte).
Frederico Azevedo arrecadou o prémio principal com o portfólio In Between e Maria-do-Mar Pedro Rêgo foi reconhecida com uma menção honrosa com o trabalho A História de Tudo aquilo que é.

Eis o texto do júri sobre o trabalho vencedor:

A fotografia de Frederico Azevedo ilustra a forma como muita da fotografia contemporânea, designada habitualmente por plástica, se tem afastado da função de testemunho para se converter inteiramente em obra de arte e assim criar a sua própria história, como diário pessoal, reportagem social ou registo de estados alucinatórios.

Tudo começou no final da década de 60 com a utilização da fotografia pelos artistas conceptuais, onde esta é um simples instrumento para documentar as intervenções em locais afastados do circuito habitual para a arte, galerias ou museus, ou ainda uma via para fixar certo tipo de actividades performativas. A partir daqui, a fotografia ingressou nas escolas de arte e a linguagem fotográfica adquiriu um estatuto de maioridade, passando a ser objecto de investigação, convertendo-se em obra de arte. A fotografia plástica surge assim como alternativa à fotografia documental e à fotografia criativa, não esquecendo que, apesar de estas últimas continuarem hoje presentes, a primeira tem vindo a conquistar um lugar proeminente, tanto no espaço institucional como no do mercado.

Perante as imagens de Frederico Azevedo somos atraídos primeiramente pelos fortes contrastes lumínicos, pela plasticidade expressiva dos negros, pela forma como os vários personagens são fotografados de um modo que não nos ocorre querer saber quem são, ou onde o fotógrafo se cruzou com eles, e ainda a que mundos marginais pertencem. Estes são antes vultos, habitantes sombra de um mundo degradado, claustrofóbico e paralelo ao mundo que nos rodeia a que chamamos normal. Estas fotografias são sobretudo visões de um devir existencial, com os seus medos e as suas angústias. O fotógrafo construiu um corpo fotográfico onde a fotografia documental aparece travestida de intimidade.

Dos mais de duas centenas de portefólios avaliados, In Between de Frederico Azevedo destacou-se claramente pela forte intensidade expressiva e pela perfeita articulação formato – conteúdo. In Between transporta-nos para uma fotografia subjectiva, confessional. Conforme o título deste portefólio, Frederico Azevedo trabalha no limiar de dois mundos, um real, objectivo, que aqui vemos nestas fotografias de um negro exacerbado habitadas por personagens em ambientes de um mundo nocturno e algo fantasmático, o outro, o seu duplo, como querendo fazer entrar o dia na noite. Estas imagens não revelam um outro mundo, mas antes o nosso, por meio do qual o fotógrafo, com uma clara sinceridade, procura libertar-se das suas próprias feridas e fantasmas. Diante deste corpus de trabalho apercebemos quanto de invisibilidade emerge da realidade concreta de uma imagem fotográfica.

Frederico Azevedo, nesta panóplia fotográfica, não procura construir uma tipologia dos muitos e variados exemplares de um mundo suburbano, pelo contrário, In Between funciona como espelho de auto-representação. Casos há na História da fotografia, mais ou menos recente, onde o fotógrafo é o seu próprio modelo, metamorfoseando-se numa série caleidoscópica de personagens, com Frederico Azevedo é o outro a sua imagem ao espelho.


Mário Teixeira da Silva





© Maria-do-Mar Pedro Rêgo

03 novembro, 2010

comissariar

© Eunice Adorno

Muito interessante o projecto Trasatlántica, organizado pelo festival PHotoEspaña que permite a qualquer pessoa organizar um projecto expositivo a partir de imagens de 40 fotógrafos latino-americanos disponibilizadas online. Entre as propostas enviadas serão seleccionados 6 projectos expositivos que serão mostrados online. Entre esses trabalhos será escolhido uma proposta vencedora que será produzida e mostrada nos centros da Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo de toda a América Latina.
As propostas de comissariado podem ser feitas aqui

à espera


Não sei se é por causa dos soluços das Mamiya (que acusam o uso de anos e anos). O certo é que António Júlio Duarte parece cada vez mais interessado na imagem em movimento. Rezemos para que os mecânicos consigam encontrar todos os parafusos e molas soltas nessa maravilha do engenho nipónico. Enquanto isso não acontece desfrutemos de trabalhos noutros suportes como aquele que assina com Filipe Felizardo (Place your bets and pray for blood), peça integrada na mostra O que o futuro foi, que estará patente no espaço Laboratório das Artes, em Guimarães, e que utiliza "longas sequências originais de filmagens de luta de grilos na China". Na mesma ocasião António Júlio Duarte apresenta uma sequência de diapositivos que "resultam do corte (em frames) de um filme".

02 novembro, 2010

reprint in real-time

© Paulo Mendes

Acabadinhas de aterrar no meu e-mail, algumas das imagens que Paulo Mendes mostrará na galeria Reflexus, a partir de sábado, na exposição reprint in real-time, dão vontade de ir até ao Porto.

reprint
A reprint is a re-publishing of material that has already been previously published.

The word reprint is used in many fields.
A new printing of a publication which has no changes from the original.
A publication that is reprinted without changes or editing and offered again for sale.
To renew the impression of anything.A copy of an impression from a part of a bibliographic unit, printed from the type image of the original and separately issued.
A new impression of an existing edition, often made by photographic means, or a new edition made from a new setting of type which is a copy of a previous impression, with no alterations in the text except perhaps the correction of typographical errors.
The reprint is much less expensive than a first edition.
The number of copies in a reprint edition is usually less than in the original edition.
To publish something that has been published before.Separately issued reprint of a part of a publication or document.

(in)

real-time

Of or relating to computer systems that update information at the same rate they receive information.
Being instant, instantaneous or immediate.
Real-time computer graphics, the producing and analysis of images in real time.
A system is said to be hard real-time if the correctness of an operation depends not only upon the logical correctness of the operation but also upon the time at which it is performed.
An operation performed after the deadline is, by definition, incorrect, and usually has no value. In a soft real-time system the value of an operation declines steadily after the deadline expires. Massively multiplayer online real-time strategy (MMORTS) is a category for computer games that combines real-time strategy (RTS) with a large number of simultaneous players over the Internet. It is a type of massively multiplayer online game.
Data from the source that are available for use within a time that is short in comparison to important time scales in the phenomena being studied.
Data presented in usable form at essentially the same time the event occurs. The delay in presenting the data must be small enough to allow a corrective action to be taken if required.

 
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