20 maio, 2008

edgar

Landscapes Beyond: The Burden of Proof
(© Edgar Martins)


Edgar Martins soma e segue. O fotógrafo português, actualmente a viver em Londres, ganhou um prémio na categoria Personal/Fine Art Series da primeira edição do New York Photo Festival. Edgar concorria com trabalhos de outros 19 fotógrafos de todo o mundo.

A lista completa dos premiados pode ser lida aqui.

24 comentários:

Anónimo disse...

oh, please... já viram o nome dos outros concorrentes? um concurso sem importância nenhuma. mas como é um português e nós temos complexos içamos as bandeiras todas :-)

Paulo S. Carvalho disse...

A série premiada não foi a 'The Accidental Theorist'?

É que a imagem deste post atira para outro lado.

M0rph3u disse...

Caro anonimo,

Esse tipo de discurso parece-me bastante afastado da realidade e ate' provinciano.
Os nomes podem nao ser os sonantes porque sao de jovens fotografos - muitos deles residentes em Nova Iorque.

O facto de um conterraneo nosso ter sido seleccionado em primeiro lugar de entre uma lista consideravel de concorrentes merece credito e a nossa admiracao.

Faz todo o sentido que se faca um destaque dessa vitoria pessoal do Edgar Martins na imprensa portuguesa.

Nao entendo o seu comentario, pois parece ate' aborrecido por um conterraneo seu estar a ter o destaque merecido.

O merito e' mesmo todo dele e merece os sinceros Parabens.

Imagino que se fizesse fotografia e se candidatasse a um premio como este, que gostaria que o seu feito fosse comentado, por isso nao entendo a sua hipocrisia.
Sera' que e' caso para que se ignore esta situacao?
Como e' que se podera' inverter o nosso isolamento e esquecimento se nos mesmos nos isolamos e nos criticamos uns aos outros.
Felizmente o Edgar vive fora de Portugal e para bem da sua saude mental e' bom que pense em ficar por la'

Anónimo disse...

morph,

provinciano, pequeno e hipócrita é achar que os artistas portugueses tem de estar nos jornais sempre que ganham qualquer coisa, na base do festival da canção de outrora. Ou será que os jovens fotógrafos americanos aparecem no jornal por tão pouco? E o Edgar nem é assim tão jovem, esse seu argumento não ajuda muito...
Há milhares de artistas em todos os países, geniais, muito bons, bons, razoáveis e maus. Aqui como em qualquer outro lugar. Não vale a pena é continuar a pensar tão pequenino e noticiar na imprensa sempre que um jovem português teve uma boa nota numa universidade algures. Think big. O resto é nacionalismo bacoco.

P.S. Eu não critiquei o Edgar e também vivo no estrangeiro há muitos anos...

A miúda que percebe pouco disto disse...

O que é uma boa fotografia? Do que depende? Porque é que o que geralmente o que consideram "bom" nem sempre me toca?

M0rph3u disse...

Ok anonimo,

Vamos la' conversar sobre o assunto.
Nao estou aqui para ofender ninguem, ok?
A questao e' que por acaso tambem vivo fora 'a alguns anos e aqui levo uma injeccao de quao bons os Estados Unidos sao e nao sao e toda a classe jornalistica deles gira 'a volta de temas onde os americanos estao ou onde tem interesses.

Serao eles tambem pequeninos?
Se fosse fazer um inquerito na rua iriam-me dizer que sao o unico pais com uma verdadeira democracia e mais uma quantidade de "verdades".

O que me chateou no seu comentario e' o facto de ter minorizado o evento e o facto do Edgar Martins ter ganho um premio.
E' preciso ter nocao que independentemente do premio ser muito ou pouco consagrado, para o ter recebido e' porque teve valor no seu trabalho.
Eu aqui nao conheco ninguem que ganhe alguma coisa sem ser por merito... para mais se se vier de um pais tao remoto e que se tem de estar constantemente a dizer que nao fica na America do Sul ou que nao e' parte de Espanha.

A meu ver o merito do Edgar Martins esta' em que ele conseguiu que o seu trabalho fosse aceite sem quaisquer complexos de ser Portugues.
Tem tambem merito porque me parece que ser editado pela Aperture e' um "feito".
Conheco alguns fotografos saidos da Columbia e SVA que nao tiveram essa oportunidade e que a gostariam de a ter...
Que mais posso dizer?

Se os papeis fossem invertidos e Portugal fosse uma super-potencia com importancia cultural mundial, imagino que aqui na "aldeia" haveria um jornal ou um blog que iria fazer uma referencia a um tal John Doe que tinha ganho um premio qualquer na bela cidade de Lisboa.
E e' isso que tenho a dizer sobre o assunto.

Penso que o caso do Edgar poderia ser visto como um exemplo para outros que tenham iguais ambicoes e que os motive a prosseguirem os seus sonhos.
A distancia geografica e' apenas uma barreira psicologica.
Aprendi um pouco a custo que por vezes mais vale tentar fora, do que perder tempo a "pregar aos peixes" na nossa propria terra.

Eu nao sou amigo do Edgar e apesar de ja' ter estado na presenca dele nao o posso dizer que o conheca, mas sinceramente nao me envergonho nada que ele ganhe premios como o da NYPhoto e que esteja a ser bem recebido particularmente nesta cidade que tao bem me tem acolhido.
Fico bastante contente, alias; e incentivo a que outros lhe sigam as pegadas e que tentem para o ano.

Cumprimentos

M0rph3u disse...

Cara A miúda que percebe pouco disto disse...

Essa faz parte das perguntas dificeis que qualquer pessoa com pretensao de levar a fotografia mais a serio tem quando se depara com alguma dificuldade em ser aceite.
As minhas sugestoes sao preserveranca, tirar muitas fotografias e ler sobre o assunto.
Existem alguns livros que posso recomendar. Uns sao "classicos", como A camera Clara, de Roland Barthes; About Photogpraphy, da Susan Sontag; Film as Art, Rudolph Arnheim e recentemente comprei um do qual gostei bastante chamado "The Education of the photographer" escrito por um professor e responsavel pelo programa de mestrado em fotografia da School of Visual Arts em Nova Iorque.
Nao e' mais que uma compilacao de textos de varios fotografos e pensadores de imagem famosos; mas acho que vale a pena.

Fotografar e' mais que carregar num botao e regular a abertura e velocidade de obturador de uma maquina.
De certa forma ate' penso que se podera' assemelhar a aprender a tocar piano. Com o tempo descobre-se sobre o que nos faz fotografar e acaba-se por se desenvolver um estilo proprio.

Ha' uma certa tendencia hoje em dia em se querer "complicar" a questao da producao de imagens fotograficas com ideias herdadas das Artes Plasticas, mas independentemente dessas problematicas a Fotografia tem uma linguagem propria e sera' nessa vertente que faco as sugestoes que fiz acerca dos livros.

Nao desista e fotografe.

A miúda que percebe pouco disto disse...

Muito grata m0rp3u pelas dicas e os livros dos quais já conheço dois. É também isto que procuro. Quanto à educação ou aprendizagem que a fotografia requer e que aborda, deixo aqui uma citação de Paul Strang, que vai ao encontro do que expressou, e que me foi facultada por uma amigo pelo qual tenho um enorme apreço e gratidão, num momento em que me senti muito fascinada mas muito pouco vocacionada. Fascinada por o que via do mundo como uma espécie de respiração epidérmica da alma, e terrivelmente decepcionada pelas imagem que capitei …

"I read the other day that Minor White said it takes twenty years to became a photographer. I think that is a bit of a exageration. I would say, judging from myself, that it takes at least eigth or nine years. But it does not take any longer than it takes to learn to play the piano or the violin".

Independente disto, continuo a achar que há outros factores, nomeadamente um certo "dom" e inteligência inerentes que são assim como…a beleza, ou…a capacidade de se fazer ouvir mesmo sem ter grande formação académica. De qualquer modo, e note-se que isto não é uma critica, porque não percebo mesmo nada disto, este é aquele tipo de fotografias que não me move, não me toca, no entanto, é considerada uma fotografia, digna de destaque. Perante algumas imagens, sou como um jovem na força da juventude a querer gostar de Vivaldi, ou como uma criança a quem apetece correr e fazer partidas mas que até está na missa onde tem que se portar bem. Resta saber se esse jovem à custa da cultura e da aprendizagem algum dia vai sentir dentro de si as melodias de Vivaldi e se a criança alguma vez se vai sentir impelida a fazer orações continuas quando a vida lhe for dura e decepcionante. Um pouco a propósito disto, parece que uma vez, uma senhora ao ver as fotografias de Alfred Stieglitz e disse:
" Porque é que estas fotografias não provocam em mim nenhuma emoção?" Ao que ele respondeu com outra pergunta: " Porque é que a senhora não provoca em mim nenhuma erecção?".

M0rph3u disse...

Ola'!

Sinto que o que refere nao e' mais que uma falha que temos na criacao de uma cultura de Imagem.
Existem muitas imagens a circular, mas nao se fala ou pensa muito nelas.
Uma solucao sera' ver mais exposicoes de fotografia e tomar uma atitude critica em relacao ao que se ve.
A questao passa por existirem condicoes para que se proporcionem mais dessas exposicoes.
A cultura acaba por se tornar uma forma de divulgacao de Arte e uma forma de consolidacao de conceitos e tendencias.
Nao existe uma "formula" unica para a fotografia.
Os livros que referi apenas ajudam a compreender varias visoes sobre o assunto - sao visoes pessoais sobre o que e' uma Imagem e qual e' o seu valor.
Cabe a cada um conseguir identificar o que e' para si o valor dessa imagem e dependendo da sua propria experiencia dar valor a certas fases do processo: se a forma como as imagens sao criadas; os temas escolhidos; a seleccao; os detalhes tecnicos...
Mesmo quando nao se gosta e' interessante que se perceba porque.
Porque no porque de nao se gostar podem existir razoes que ate' abonam a favor da imagem em si - podera' dar-se o caso de ate' se gostar do tema, mas achar-se que a concepcao nao foi a melhor, por exemplo.
Isto para mim e' pensar em Imagem com uma atitude critica.
Dizer-se que nao se gosta e' tao simples como classificar um gosto em relacao a alguma coisa entre um "sim" e um "nao", mas muito mais interessante e' que se perceba individualmente as razoes para que a decisao final seja esse "sim" ou "nao".

Considero bastante positivo o trabalho que se faz em divulgacao atraves deste blog, porque de certa forma cria uma circulacao e da' pistas para que se possa procurar mais sobre um determinado assunto.
E' tambem importante, na minha opiniao, que se "consuma" Imagem.
Hoje em dia atraves da Web e' facil encontrar novas imagens e fotografos e perceber com uma certa perspectiva o contexto que e' hoje a Fotografia.
Talvez seja bom comecar por ai, tambem.
A construcao de uma opiniao atraves da visualizacao de imagens em que o veredicto e' um "sim" ou "nao" suportado por "porques" tambem ajuda a construir um fotografo.
Pessoalmente nao acredito que um fotografo tenha de ser um diplomado em Fotografia, embora reconheca que um curso universitario ajuda a criar esta metodologia e de certa forma fornece alguma bagagem sobre cultura de imagem durante o tempo do curso.
Isso nao significa que apos o curso, que nao se precise de ler mais nada, ver imagens de outros ou ate' nao desfolhar os tais "classicos" de vez em quando.
A Fotografia e' para mim um processo continuamente em feedback e so' tirando muitas fotografia e fazendo o que ja' referi e' que uma pessoa interessada em ir mais longe podera' construir o seu proprio estilo e a forma de ver o mundo.
Talvez a verdadeira arte de fotografar esta' na forma como se ve; como nos apercebemos dos outros e do que nos rodeia.
Desta forma, cada um tem a sua propria forma de estar no mundo e como tal podera' nao concordar com as visoes que outros tem sobre essa mesma forma de estar.
Em todo o caso, nao se podera' dizer que o mundo que os outros vem esta' mal ou esta' errado.
Pode-se nao gostar. Isso sim, concordo... mas saliento que e' importante perceber-se porque e nao simplesmente rejeitar.
A fotografia enquanto Arte e' uma linguagem e um contexto - ou varios. Sera' portanto necessario que aprendamos a ler imagens. E' preciso que exista a tal "culturacao "de Imagem.
O que entendo e' que num Pais como o nosso, nao seja facil fazer passar certas barreiras.
Hoje em dia assiste-se a uma fotografia apenas enquanto meio de divulgacao artistica e nao tanto como objecto de arte em si mesmo.
Isso para mim, nao tirando qualquer valor a esta aproximacao, me assusta. E' uma forma igualmente valida de se trabalhar com Imagem, mas que em nada ou pouco contribui para o desenvolvimento da Fotografia enquanto Arte.
Mas seriam estas discussoes aliadas a um forte trabalho de cada um que poderiam contrariar esta tendencia.
Estar so' a falar do assunto e nao ter propostas concretas e' contra-producente.
Por isso so' poderei dizer que se nao gosta destas imagens ou de outras entao procure fazer as suas e que sejam mais do seu agrado.
Quem sabe se nao podera' estar encerrado em si uma nova "grande" fotografa?

Anónimo disse...

morph,

"Eu aqui (estados unidos) nao conheco ninguem que ganhe alguma coisa sem ser por merito..."

that is so not true.

não fossem os americanos os campeões do networking, mas isso também já é um mérito em si, por isso talvez seja verdade.

e essa coisa do "conseguiu que o seu trabalho fosse aceite sem quaisquer complexos de ser Portugues" também só dá razão ao meu argumento de que somos uns complexados. Porque é que o Edgar havia de ter complexos? Pagou para concorrer, foi aceite e ganhou. Mas que era um prémio local, era...

enfim.... finito

M0rph3u disse...

Dou-lhe toda a razao.
Foi um premio local em Nova Iorque aberto a fotografos, de cariz internacional, visto que era aberto a todos os que desejassem pagar a "fee" independentemente de onde sao originarios.
Ja' o BESPhoto e' um premio nacional e de acesso restrito e faz correr muita tinta em Portugal... enfim... (e com muito/bastante networking 'a mistura).
O fenomeno da "cunha" nao e' um exclusivo nosso e espero que nao seja mais um motivo de criacao de complexos. Ha' muitas outras coisas que ate' somos inovadores.

Ha' sempre a maxima do "Act Local, Think Global" - se isto ajudar em alguma coisa. O pior nem e' o "local" ou o "global", mas o "act" em si...

Estou consigo. Nao ha' mais assunto para falar acerca deste assunto.

Cumprimentos

A miúda que percebe pouco disto disse...

Certo m0rph3u, o que diz parece fazer todo o sentido. Vejo-me muitas vezes a reflectir sobre alguns destes aspectos. Para terminar, e neste caso específico, o que digo não é "sim" ou "não" há imagem, nem mesmo faço um juízo de valor sobre a mesma porque nem o poderia fazer por me faltar competência. O que digo é que não há nada nesta fotografia eleita e aplaudida, que me toque, que me mova, um ponto a partir do qual a possa querer pensar o que a faz talvez, ainda mais interessante e me dá a tomada de consciência que sou de facto uma pessoa que não percebe nada disto! Deve perceber que é uma imagem inacessível a uma miúda pouco culta. Na verdade, gostaria de vos ouvir falar sobre ela. Como gostaria! Sim, uma leitura. Faz falta ouvir falar sobre as imagens de facto, ou então é o meu caminho que não me conduz a esses mundos. Muita coisa se diz, certas, dentro de um dado contexto, mas muitas vezes parecem passar ao lado da imagem em si mesma. Muitas vezes as palavras são mais legendas ou muletas explicativas do referente que não reforçam a imagem, antes e subtilmente a desvirtuam enquanto tal. Uma imagem é uma imagem, é um fragmento. Não tem necessariamente que ter ponto de interrogação, paragrafo, travessão, parênteses a acompanhar. Tudo o que se quer dizer tem que estar lá em síntese e em força. Pode ter palavras que a acompanham e a reforçam mas não palavras que dizem o que está oculto num preto quase sem leitura ou que explicitem o que era aquilo que ficou com aspecto desfocado por uma baixa profundidade de campo. A menos que seja uma fotografia de família que serve um dado propósito e é tirada por amor à família e não por interesse em fotografia.

Vou ter em conta o que sugere, com toda a certeza.

A miúda que percebe pouco disto disse...

Agora que vi outras imagens do fotografo Edgar Martins começo a perceber melhor o seu talento. Não irei gastar mais tinta com isto. Fez-me talvez perceber as coisas de outra forma.

Obrigado.

M0rph3u disse...

Ia sugerir isso que acabou por dar conta.
E concordo consigo. Ha' coisas que nao se explicam e entendo que uma pessoa nao se sinta obrigada a compreender tudo o que lhe poem 'a frente apenas porque existem outros a legitimar esses trabalhos.
Cabe-nos a nos mesmos ter curiosidade ou nao em saber mais ou descobrir um pouco mais o que esta' por detras de uma imagem - chegando mesmo ao ponto de a imaginar.

Penso que quando as Imagens tem esse poder de criar a duvida ou o desafio, se tornam mais interessantes.

A publicidade tem feito um bom trabalho de divulgacao da Fotografia, mas por outro lado cria uma certa dependencia. A maioria das imagens tem duplos significados e usam bastante a "sugestao".
Acabamos por ficar um pouco contaminados com esse tipo de estetica e comecamos a recusar outros estilos possiveis, de forma quase inata. A questao esta' em percebermos que isso pode acontecer.
Um pouco como no cinema (e dai que tenha sugerido o livro "Film as Art") que nos empurra normalmente para filmes com uma estetica de principio, meio e fim, com uma narrativa bem definida.
Mas se alguem faz um filme como o Memento (so' para dar um exemplo - como poderia dar o exemplo de um qualquer filme de David Lynch), que nos altera a estetica a que nos normalmente habituam, ficamos mais despertos e a tentar perceber o que aconteceu e ficamos com mais curiosidade (ou nao... ou simplesmente viramos costas e nao gostamos).

O que quis dizer com o "sim"/"nao"/"porque" e' mais o de nao se tirarem conclusoes precipitadas sobre o que nos 'e mostrado e tentar perceber um pouco mais sobre o que se esta' a ver. Uma imagem certamente serao mil palavras, mas para se perceber o corpo de trabalho de um fotografo, uma imagem nao chega, concerteza. E' preciso ir um pouco mais longe e perceber um pouco melhor outros aspectos para alem da tecnica, estetica ou processo criativo.
Digo isto e so' recentemente e' que comecei a perceber a importancia das fotografias do Olafur Eliasson.
Ate' 'a pouco tempo tambem nao lhes achava assim tanta piada e agora mudei de opiniao. Curiosamente tambem eram imagens de paisagens da Islandia...

A miúda que percebe pouco disto disse...

O que diz é interessante. É mesmo isso. O debate sobre alguns destes aspectos, levar-me-ia de certo, a novas paisagens de significado. De qualquer modo, e um pouco hiperbolizado o que quero dizer, mas julgo que entenderá m0rph3u, há que saber ser um bom fotografo num recinto fechado ou num deserto em que nada tem que ser manifestamente vistoso e expressivo e aí conseguir através de uma imagem ou um conjunto de imagens coerentes, expressar a fina melodia do que parceria insignificante e onde o turista não encontraria nada… Estarão em extinção aqueles que pairavam pelas cidades em busca de instantes fugazes e evanescentes onde tudo e todos eram dignos de ser fotografados? E agora os amantes do "imóvel", serão os homens dos espaços, da linha recta, das estruturas urbana, do quadrado sobre quadrado, da paisagem em repouso quase sem "realidade"? Há talvez que ultrapassar a emoção. A emoção na fotografia é talvez o obstáculo que ofusca a limpidez do olhar, a atitude critica mas que a faz uma coisa comercial, vendável. Se não, vejamos o exemplo de uma mãe a olhar enternecida a fotografia de um filho. Mesmo que a palmeira que está atrás pareça sair-lhe mesmo da cabeça não o notará pois o importante é que ele lá esteja e a sorrir. Neste sentido, talvez não goste de uma abordagem mais "artística" isto é, pouco emotiva, onde o filho pareceria menos inteiro. Pode também haver uma emoção semelhante relativamente ao mundo que pode fazer tremer o gesto certeiro, o disparo…Estes homens parecem tão tranquilos no que fazem!... Isto é uma reflexão mesmo experimental, tenho a total consciência. Ando
à procura, a ver e já nem sei bem do que gosto e com que me identifico. Embora o "gostar" ou não cada vez me pareça fazer menos sentido. Mas talvez nada disto seja importante, enquanto penso alto outros fotografam e de outro modo se expressam…

Ainda assim, oxalá que não fique nunca demasiado culta nem por demais critica...

Desculpem. Agora vou-me mesmo calar.Não me agradam os espaços tão abertos cheios de olhos.

M0rph3u disse...

Tambem nao me queria alargar muito neste espaco, pois o que estamos a falar e' um completo desvio ao tema.
Mas respondendo ao que diz, penso que entendo.
Por outro lado, parece-me que me quer dizer que um fotografo tem de ser quase um "virtuoso".
Deveria ser assim realmente, mas por vezes o facto de se ser um excelente tecnico ou o facto de se conseguir captar excelentemente um momento nao pode ser o unico criterio que define uma boa imagem.
Imagem e' informacao e poderao haver conceitos inerentes 'a practica que poderao ter o seu interesse.
A questao passa tambem por haver uma certa abertura do espectador em relacao ao que esta' a ver.
Claro que este ponto e' discutivel, pois o que levou o fotografo a captar a imagem podera' nao estar de acordo ou nao ser do interesse dos demais.
Felizmente hoje em dia temos exemplos dentro da Historia de Arte que mostram que trabalhos que nao foram bem aceites durante a vida de um dado artista por falta de compreensao ou gosto dos seus contemporaneos, foi mais tarde, muitas vezes apos a sua morte.
Nao quero dizer que isso signifique que se pode fazer qualquer coisa apenas com a pretensao que uma obra possa ser devidamente apreciada na posteridade. Mas isso por vezes ainda acontece.
As descricoes de imagens que me da' lembram-me o que se chama agora de "Escola de Dusseldorf". Sao imagens como as do casal Becher e exploradas pelos seus discipulos mais "populares", como Andreas Gursky, Frank Breuer, Candida Hoffer ou Thomas Ruff (entre outros).
Mas mesmo estes fotografos ja' foram considerados vanguardistas quando apareceram e tiveram de lutar pelo seu espaco.

A Fotografia depois tem esta capacidade de ser facilmente "copiada". Alguem que queira seguir esta linha apenas tem de pensar em lentes que nao tenham distorcao e uma capacidade de registo (normalmente grande formato) que proporcione fotografias de grande dimensao (e depois ter dinheiro para as mandar imprimir, claro).
Quanto 'a tematica urbana, eu diria que e' quase "natural". A Fotografia nasceu num periodo industrial onde as pessoas viviam nas cidades.
O proprio facto de se ser "urbano" e viver num espaco cheio de sinais origina uma interaccao entre o individuo-fotografo e o espaco na captura desses mesmos sinais.
E' um espaco onde faz sentido falar-se de semiotica e onde as ideias de Saussure e Barthes ganham vida.
E este aspecto faz-nos pensar na teoria sobre a fotografia, para alem do acto de disparar uma maquina fotografica.

A emocao que refere estara' sempre presente. Assim como tambem existe noutros meios, como a Pintura, Desenho, Escultura.
A emocao e' humana e como tal devera' sempre existir. O facto de hoje se seguirem formas vendaveis tem a haver mais com mecanismos do mercado de arte que nao sao intrinsecos 'a arte em si.
O Mercado da Arte e' como qualquer outro mercado. Vive de receitas de sucesso e os "produtos" tem ciclos de vida.
Se nao existir um dialogo aberto sobre o que e' a Arte, o mais certo e' que o valor de uma obra de Arte passe a ser o mesmo que o de uma coleccao de moda e depois e' esperar que apareca um ciclo que va' redescobrir um artista ja' esquecido.

Mas voltando 'a emocao, nao sei se estarei de acordo consigo. A Arte nao e' matematica - uma ciencia exacta.
Penso que devera' despertar sempre uma emocao qualquer, por muito que evite faze-lo.
Mas penso que em todo o caso esta'-se a referir 'a emocao do acto e isso parece-me que mais ou menos pensado sera' sempre uma relacao entre o fotografo e o objecto fotografado mediado pelo dispositivo que o regista e que e' a maquina fotografica.
Neste aspecto voltamos ao violino e ao piano.
Nao se podera' querer inovar ou mudar o que existe sem haver algum dominio tecnico. Se estivessemos a falar de Pintura, tambem nao seria diferente, penso eu.
O comeco da fotografia sera' sempre na busca de alguma perfeicao ou pelo menos algum dominio tecnico e isso consegue-se quando se percebe que o "olhar" do fotografo e' em grande parte a base desse dominio.
E' preciso ir para tras e' perceber o basico: sera' necessario aprender a ver, para depois conseguir que a maquina capte aquilo que vemos; e para tal e' preciso fotografar bastante ate' se conseguir esse feito.
Depois e' ir experimentando mudar os parametros e ter-se uma atitude critica em relacao aos resultados.
O caminho sera' esse, o da practica e auto-critica ate' se perceber o que se quer fazer e o que se gosta ou nao gosta.
Nao existem formulas certas. O imporante e' mesmo ir fazendo e ir lendo e pensando no que se esta' a fazer.
Acho que ser-se "culto" nao e' um crime e tambem nao conduz a uma vida solitaria na critica.
E' preciso e' tambem saber ouvir o que os outros tem a dizer sobre os assuntos e reflectir sobre eles.

Faca-se silencio entao.

Guto disse...

Olá. Deparei-me com a pergunta "o que é uma boa fotografia?" Proponho um desafio:pensar ao contrário, ou seja perguntar o que faz uma má fotografia. Sugiro uns minutos de reflexão e depois ouvir isto (perdoem-me os que não falam inglês...)http://www.lenswork.com/podcast/LW0354%20-%20Characteristics%20of%20a%20Bad%20Photograph.mp3

Luar Azul disse...

Gostei muito do vosso diálogo, miúda e m0rph3u, só acrescento uma deixa: se as fotos forem como as miúdas haverá aquelas que nos provocam erecção, as que parecem um puzzle, as que nunca entenderemos, as que nos apaixonam, as misteriosas, as belas, as feias mas encantadoras, aquelas que não nos dizem nada ao princípio mas depois nos agarram como peixes no anzol, as que nos deixam no céu, as que nos perseguem, as que nos fazem sentir os maiores, as que nos põem de rastos, as de que só queremos distância...

etc... em todas elas, parece-me bem envolvermos-nos até sermos um com elas, carne e osso, para depois encontrarmos a distância certa entre o nosso caminho e o delas...

Bem hajam, extremamente enriquecedor a vossa troca de ideias!! ^_^

A miúda que não percebe nada disto disse...

Agora com essa sua intervenção Guto, torna-se difícil manter o silêncio. Fiz o exercício: uns minutos de reflexão para ver o que sinto sem suportes nem influências. Ouvi depois, e achei deveras interessante pela clareza de pontos de vista e a capacidade de síntese do essencial, talvez. Da parte que me toca só agradeço. Foi proveitoso para mim, assim como as intervenções de Morph3u. Espero que o administrador deste blog não sinta o espaço invadido por pessoas que, pegando na expressão de Morfh3u, se estão a dar a um "completo desvio ao tema". Mas desvio como? Não estamos nós a reflectir sobre fotografia, estética fotográfica, nós mesmos e o mundo a partir de uma fotografia do fotografo Edgar Martins e onde está presente uma certa percepção subjectiva aliada a todos os fenómenos? É isto possível neste espaço, Sérgio Gomes? Sim, é que um blogue é uma espécie de casa onde podem surgir mais ou menos visitas, quase todas fazem surpresa e entram à vontade porque a porta está aberta. Gostaria dar continuidade ao desafio proposto por Guto se achar entretanto que ainda faz sentido se mais alguém quiser brincar, mas partindo sempre dessa postura: primeiro a reacção espontânea, não aculturada, por assim dizer. Ir a muitas exposições, ler o que outros dizem e a partir daí encontrar o seu jeito, o seu modo, está muito bem, mas primeiro deixo-me ser ignorante porque ao ser ignorante tenho ainda a qualidade do assombro e a frontalidade de dizer o que penso, mesmo que isso não seja "actual","intelectual", "contemporâneo" ou mesmo "correcto"… ou pareça não ter nada a ver. Não tenho nome nem rosto, não tenho que defender nenhuma imagem de mim, não percebo nada de fotografia muito sinceramente, embora já tivesse feito muitos disparos, algumas tentativas. Este meu interesse na conversa é o interesse na aprendizagem do que neste momento me interessa e de alguma forma me intriga por variadissimas razões: A fotografia ou/e a vida. Por isso agradeço e aprecio o que dizem.

Simplesmente Detalhes disse...

Por acaso aqui cai... E ao ler dado discurso, deixou-me perplexa, não sou Portuguesa, mas vivo em PT a algum tempo, e já tinha denotado o quão pessimista são em sua maioria, não isto sendo critica de carácter aviltante, mas sim maneira de estar e cultura, o meu pais vibra com o "povo", seja ganhando prémios ou não, o facto de participar, levar a bom porto ideias e sonhos, é de Louvar que um "jovem" como Edgar sonhe, busque e conquiste, como diz Aristóteles, A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las, e o mérito desta simplicidade está na transformação, na luta, que tão somente deve ser reconhecida por calor e afecto...
Parabéns por divulgar tão nobre feito, pois o tamanho deste vale pela qualidade que se emprega...

M0rph3u disse...

Simplesmente detalhes, concordo consigo. Existe uma tendência para que a larga maioria dos portugueses seja assim. Contudo existe uma outra faixa que nao o é e por isso ainda existe esperança. Não tome conclusões precipitadas.
Mesmo no seu país de origem, concerteza que existem pessoas sempre negativas em relação a tudo o que se faz e o que não se faz. Ninguém é perfeito e nós temos muitos defeitos. Este é só mais um deles.

Cara "miúda", nao estava nada à espera das reacções que houveram à nossa conversa, mas ainda bem que algumas pessoas a acharam enriquecedora.
Penso que quando existe vontade em conversar a comunicação é possível e sem limites geográficos.
Por acaso cheguei ontem a Lisboa e tive já oportunidade de por em práctica o que defendi na nossa conversa.
A exposicao do Museu do Chiado está muito boa e penso que vale a pena a visita. Não é de fotografia, mas também penso que devemos ser multi-disciplinares e não viver dentro de circuitos fechados.
A OpArt poderá ser uma boa base para fotografia mais abstracta - porque não?
Também recomendo a visita a uma nova galeria que abriu a semana passada - Zaum Projects. Tem propostas novas e de artistas não tão conhecidos, mas com um trabalho interessante. Os trabalhos são da exposição inaugural deste espaço. Em termos de fotografia, existem uns trabalhos em caixa de luz que gostaria de voltar a ver com mais atenção e 3 fotgrafias de grandes dimensões - uma delas é-me familiar; as outras nem por isso e tambem gostaria de ver com mais atenção. Em todo o caso recomendo.

Julgo que como disse, o blog tem esta capacidade de ser um espaço de partilha e de trocas e concerteza que o "dono" desta casa não se deve importar que o usemos para outros fins.
As informações que lhe forneci foram algumas que tenho vindo a encontrar. Se porventura encontrar algumas - ou mais alguém, por favor digam. Poderão ser interessantes a outros.
E isto sim é a aprendizagem que refere, julgo eu. Acho que podemos aprender muito uns com os outros e entendo que nao goste de posicionamentos "intelectuais" ou mais dogmáticos que não deixam espaço a que este tipo de conversa se desenvolva - em que uns indivíduos são uma espécie de entidade superior a quem todos os outros têm de se submter.
O melhor que penso que podemos ser é sermos amadores e ignorantes, porque assim temos essa capacidade de aprender tudo.
Espero que possamos "conversar" noutra oportunidade. Até breve.

A miúda que percebe pouco disto disse...

Obrigado, M0rph3u.Valeu!

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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