15 janeiro, 2008

começar

s/d, s/l
(© Rodrigo Amado)

Close/Closer é a primeira exposição de Rodrigo Amado, músico de jazz contemporâneo e crítico do Público que abraça agora outro percurso artístico na área da criação fotográfica. Amado já fotografa há algum tempo (todos fotografamos), mas só em 2006, depois de um workshop na [Kgaleria], decidiu procurar um fio condutor, uma orientação que lhe permitisse isolar ideias, conceitos e projectos como o que está agora nas paredes do 43A da Rua da Vinha. Para este trabalho de refinamento conceptual e para evitar as “armadilhas” da imagem, Rodrigo Amado procurou a ajuda de outro fotógrafo, António Júlio Duarte, com quem, ao longo dos últimos dois anos, aprendeu a dar corpo a uma estrutura narrativa pela fotografia.
O estofo que acumulou a concretizar ideias no campo da música e porque acredita na transversalidade desse exercício metodológico nos vários campos de criação artística deram-lhe confiança para dar o passo fundamental - mostrar publicamente o seu trabalho.
Entre as centenas de fotografias que estiveram no primeiro grupo, os dois fotógrafos chegaram até um pequeno conjunto de imagens onde se revela um universo íntimo, intimista e ambíguo, porque nela se decidiu expor a proximidade do que nos é distante. É uma aposta arriscada que está ali mesmo na fronteira do registo fotográfico lúdico-familiar e que tem de ser tratada, pensada e editada com pinças para não cair na banalidade pura e simples.
Nestas figuras dispersas de Close/Closer Amado conseguiu fugir ao que era mais fácil obter, escapou a uma “armadilha” – a confiança mansa de quem se dá à objectiva de um grande amigo, de um velho conhecido ou de um familiar que está perto, muito perto. Nesta proximidade fingida conseguimos encontrar o registo de expressões que, sem dramas excessivos ou grandes piruetas, nos dão a dose certa de emotividade.
Por outro lado, perante estas imagens ficamos num limbo - que é sempre incómodo - porque somos convidados a participar e a estar “dentro” de momentos que, nitidamente, não nos pertencem. Agrada-me esta pequena provocação. É corajosa e deixa-nos com vontade de perceber para onde se dirige agora este olhar de quem acredita que o “acto de fotografar aproxima as pessoas”.

Para saber mais sobre o trabalho de Rodrigo Amado clique aqui.

Close/Closer, de Rodrigo Amado
[Kgaleria], Rua da Vinha, 43A
Bairro Alto, Lisboa
Até 26 de Janeiro

s/d, s/l
(© Rodrigo Amado)

3 comentários:

Anónimo disse...

que boa surpresa esta!

pedro paixao disse...

muito bom.

José Júpiter disse...

Foi exactamente aquilo que descreve no último parágrafo que me deixou apaixonado por este conjunto de imagens do Rodrigo Amado. O sentir-me incomodado, dentro de momentos que não são meus nem parecem pedir para o ser. Arriscado e intimidante. Muito bonito.

Só uma coisa me deixou uma dúvida. O aspecto explicitamente "digital" das imagens tem algum objectivo concreto ou foi uma opção meramente estética?

 
free web page hit counter