05 fevereiro, 2012

da viagem


© Jorge Lima Alves

Fotografia e viagem
Jorge Lima Alves

Viajar e fotografar são, para mim, prazeres inseparáveis. Mesmo em Lisboa, quando saio para a rua com uma máquina fotográfica na mão, transformo-me instantaneamente num turista. Turista sim, não temo a palavra. Faz-me rir a conotação negativa que ela ganhou e a presunção com que algumas pessoas reivindicam: "Eu não sou turista, sou um viajante". Esquecem que nem todos os turistas andam atrás de postais ilustrados, e que nem todos os viajantes estão animados das melhores intenções. Adiante.

Quando acabamos a viagem, a única coisa que fica são as coisas que compramos e as fotografias. Tudo o resto (as paisagens magníficas, os templos espectaculares, a gastronomia) acaba por parecer um sonho, pois se escapa por entre os dedos, como água ou areia. Não fomos feitos para possuir nada: tudo o que podemos fazer é esquecer e sonhar.

Louco como sou, gostaria de fotografar até o que já não existe. Ou o que ainda não existe. Como seria interessante, por exemplo, poder tirar fotos da Antiguidade, da Idade Média e, já agora, do Futuro. Viajar no tempo... isso sim, seria viajar.

Não sou muito original: gostaria de ver o mundo todo. Adoraria dar a volta à prisão, como dizia Marguerite Yourcenar. Com toda a razão: aprisionados neste mundo, condenados à morte, esperamos a nossa hora de desaparecer, sem saber o que nos espera. Mas supondo que há vida depois da morte, uau... que viagem!

1 comentário:

Bamberita disse...

"Não fomos feitos para possuir nada: tudo o que podemos fazer é esquecer e sonhar."

Adorei tudo no blog> fotos&textos.
Seguindo!

 
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