30 janeiro, 2011

museu #1




Aborrecido com a falta de visibilidade das centenas de fotografias vernaculares que por fortuna me vieram parar às mãos, decidi inaugurar um museu cá em casa. Era uma decisão que já andava a fermentar há algum tempo, mas só agora, com o apoio mecenático certo (gentilmente fornecido pela Selectal, milhos híbridos) foi possível concretizar.
Chama-se museu do encontrado (nome provisório) e mora por cima do contador do gás, em frente do contador da água e por baixo do contador da luz.
Será um museu independente, mal-iluminado e empírico. Ou seja, será um museu muito voltado para a experiência dos sentidos ainda que privilegie também o "factor decoração" (um museu fica sempre bem em qualquer lado).
Será um museu sensível ao acaso e à sugestão.
Não terá sensores para medir a actividade sísmica, nem securitas.
Mas tem bengaleiro. E biblioteca.
Estará aberto à hora de almoço.
A entrada é à borla, mas está sujeita a certas condições de admissão (limpar os sapatos antes de entrar, por exemplo).
A loja do museu, por seu lado, tem horários indefinidos. Não aceita dinheiro, cheques ou cartões. Só faz troca por troca.
A galeria principal, devidamente equipada com uma moldura transparente de acrílico, recebeu a exposição inaugural com pompa (ao som de sória, stória, de Mayra Andrade) e circunstância (um brinde de abafado).
A imagem desta moça voluptuosa que acompanhava os maços de tabaco em tempos idos foi escolhida por um comissário com pouquíssima reputação.
As exposições têm data de início, mas não têm data de fim.
Este espaço digital procurará reproduzir com o máximo de fidelidade que uma cópia permite as revelações à vista no museu do encontrado.
É ir passando por cá.

29 janeiro, 2011

mais Gageiro



Sylvie Vartan

© Eduardo Gageiro



A [KGaleria] informa que a exposição Retratos com Histórias de Eduardo Gageiro tem tido muito êxito e por isso será prolongada até quinta-feira, dia 3 de Fevereiro.

28 janeiro, 2011

entre aspas


My work is based in trust. I don't work well just snapping pictures, although some people would say the opposite. I really feel like intimacy and trust are the guide to my work.


Jim Goldberg, in Magnum Photos Featured Photographer

26 janeiro, 2011

novos

Mathieu Bernard-Reymond, Exxon Mobil 9am to 11am, 2005
© Mathieu Bernard-Reymond


A Humble Arts Foundation concluiu o segundo volume do The Collector’s Guide to New Art Photography que foi editado por amani olu e Jon Feinstein. A obra aponta trabalhos de 100 fotógrafos de todo mundo que apresentam as propostas mais "desafiadoras e inovadoras".

A lista completa dos nomes seleccionados está aqui
E aqui são partilhadas imagens de alguns autores




Daniel Coburn, Deedra, 2010
© Daniel Coburn

20 janeiro, 2011

Makulatur

Paulo Nozolino, Obs. 2, 2009
©
Paulo Nozolino/Cortesia Galeria Pente 10


Dizem que é o trabalho mais "pessoal" de Paulo Nozolino. A Galeria Quadrado Azul, em Lisboa, inaugura no dia 24 de Fevereiro Makulatur, a nova exposição do fotógrafo lisboeta, dois anos depois de bone lonely patente no mesmo espaço. Seis dípticos representam a "perda" a "raiva" e a "mácula", a palavra que mais inspirou Nozolino. Em Março de 2010, Arte Photographica revelou em primeira-mão um dos dípticos que fará parte da mostra.
(obrigado C.)

na história

Fernando Taborda, Estrada da Vida, 1954


O primeiro volume da enciclopédia da História da Fotografia Europeia que compreende o período entre 1900 e 1938 vai incluir entradas sobre a actividade fotográfica de países periféricos, entre os quais Portugal. A obra, editada pela FOTOFO, ONG sediada em Bratislava, na Eslováquia, apresenta-se como o mais completa trabalho sobre a fotografia europeia do século XX. Ao longo dos três volumes (o último ainda está por editar) estão representados 35 países, investigados por mais de 50 especialistas de várias nacionalidades. O segundo volume compreende o período entre 1939 e 1970 e o terceiro entre 1971-2000.
(obrigado E.)

parr por parr



Martin Parr é dono de uma das mais críticas representações fotográficas do mundo contemporâneo na sua expressão mais colorida e kitsch. O olhar irónico, mordaz e bem humorado que imprimiu em trabalhos sobre o modo de vida da classe média valeu-lhe sucesso e continua a inspirar gerações de fotógrafos.
Paralelamente ao talento do olhar, é conhecida a verbe fácil e eloquente do homem-que-adora-coleccionar-tudo-e-mais-alguma-coisa-desde-que-isso-possa-ser-fotografado-e-editado-em-livro. A excelente colecção Blow Up Libros Únicos, da espanhola La Fabrica, acaba de publicar um novo título que reproduz uma longa entrevista de Quentin Bajac (director de fotografia do Musée National D'Art Moderne, Centre Pompidou) ao fotógrafo inglês. O livro chama-se (egocentricamente, claro) Martin Parr por Martin Parr. A conversa aconteceu em Janeiro de 2010, em Bristol, e analisa a obra de Parr bem como o seu percurso pessoal e profissional. O fotógrafo seleccionou 48 imagens para acompanhar a entrevista que promete revelar detalhes das múltiplas facetas do Parr fotógrafo, historiador, editor, comissário e coleccionador.

18 janeiro, 2011

motion pictures


Motion Pictures. O fotógrafo Henry Jacobson escreve na Visura sobre os 10 filmes que um fotógrafo deve ver.
A lista está aqui

14 janeiro, 2011

a cidade das cidades

Esther Bubley, Plataforma ferroviária elevada na 3ª Avenida

Nova Iorque
Descobrir a cidade das cidades
(P2, Público, 14.01.2011)

A visão repetida de imagens de um certo tema torna-nos mais ou menos indiferentes ao seu conteúdo. E o olhar tende a ficar domesticado com o já visto, com o familiar. Podem ser imagens datadas ou mais próximas do nosso tempo. Podem ser rostos, objectos, desastres naturais ou paisagens bucólicas. Mas é com as imagens das cidades que esse sentimento de lugar-comum mais acontece. Cidades como Nova Iorque, que parece estar desde sempre plantada no nosso imaginário – à força de a vermos representada em todas as artes visuais, temos a doce ilusão de a conhecermos bem, de já lá termos estado.

Para quem vive do negócio das imagens fotográficas, o cliché pode ser um obstáculo. Ou então pode ser um desafio. A casa livreira Taschen é mais conhecida por escolher os desafios em vez de ficar presa aos obstáculos. A empreitada que recentemente decidiu levar a cabo, ao organizar livros de fotografia sobre grandes cidades, mostra que não se intimida com o já visto, com o já feito. E mostra como pode ser limitada e ultrafragmentada a imagem global dos lugares que julgávamos visualmente adquiridos.

Primeiro com Los Angeles, depois com Berlim e agora com Nova Iorque (Retrato de uma Cidade está traduzido em português), a Taschen demonstra que o filão de imagens das grandes cidades está longe de se ter esgotado. E que ainda é possível surpreender.


Anónimo, Mulberry Street, 1900
Library of Congress, Prints & Photographs Division, Detroit Publishing Company Collection


Ao longo de quase 600 páginas, a história de Nova Iorque, a que já chamaram capital do mundo, conta-se desde meados do século XIX, altura em que apareceu a fotografia, até aos nossos dias. A obra está dividida em cinco partes: A cidade da reinvenção; Alcançar o céu; A capital do mundo; Ruas ameaçadoras; Da tragédia ao triunfo. O puzzle urbanístico e social representado vai desde as terraplenagens da formação da metrópole e do desafio da construção dos edifícios em altura até às noites loucas dos clubes de jazz e à devastação causada pelos atentados de 11 de Setembro.


A ordem escolhida pelo autor, Reuel Golden, antigo editor do British Journal of Photography, é cronológica. À medida que os anos avançam ao longo da obra, vão-se misturando cada vez em maior número imagens icónicas com outras inéditas e mais inesperadas. Ao todo, foram escolhidas imagens de dezenas de arquivos e colecções pessoais de mais de 150 autores, entre os quais alguns dos mais cotados fotógrafos do século XX, como Alfred Stieglitz, Paul Strand, Walker Evans, Weegee, Bruce Davidson, Helen Levitt e James Nachtwey. Ao mesmo tempo que nos serve o “conforto” das imagens reconhecíveis, este “retrato de uma cidade” é condimentado com a surpresa e a revelação das fotografias nunca vistas, de pessoas anónimas, do quotidiano, da vibração e do caos urbano, aquelas que tornam possível a viagem. Sem deslocação física.




Steve Schapiro, fotograma de Taxi Driver, de Martin Scorsese, com Robert De Niro, 1976

08 janeiro, 2011

Matador N




A edição N da revista Matador foi integralmente dirigida pelo artista plástico Miquel Barceló. A editora responsável pelo projecto Matador promete uma edição onde o artista espanhol dá corda a todas as uas "paixões, obsessões, inquietudes e caprichos".
A N será oficialmente lançada no dia 25 de Janeiro.

07 janeiro, 2011

Brangulí

© Brangulí, ANC

O trabalho dos fotojornalistas da primeira metade do século XX ainda é pouco conhecido e muito menos estudado e problematizado. Regra geral, conhecem-se as fotografias reproduzidas nos jornais da época e pouco mais. Raramente se faz uma panorâmica fora desse universo. Cada vez que salta para a luz um espólio destes caçadores de imagens, pioneiros na arte de testemunhar o quotidiano com o intuito de partilha, é sempre importante por causa desse "buraco" visual que persiste. Mas, sobretudo, é deslumbrante a relação entre fotógrafos e fotografados impregnada de candura, tensão e curiosidade.
Josep Brangulí (Hospitalet de Llobregat, 1879 - Barcelona, 1945) é um dos grandes fotojornalistas espanhóis. A Fundación Telefónica, em colaboração com o Arxiu Nacional de Catalunya, que guarda o espólio Brangulí, dá a conhecer até 30 de Janeiro o trabalho deste cronista social através de uma exposição antológica dividida em mais de 30 blocos temáticos, onde, por exemplo, está presente a celebração nas ruas de Barcelona com a chegada da Segunda República, a vida nas praias ou as festas populares.
(obrigado m.)

na rua

Nova Iorque, EUA, 1969

© Magnum Photos
Integrado na bienal Format International Photography, em Derby, no Reino Unido, a cooperativa Magnum leva a cabo uma oficina de trabalho orientada para a prática, edição e publicação de fotografia de rua.
A iniciativa, que decorrerá durante cinco dias, terá a como formadores três fotógrafos da agência: Bruce Gilden, Richard Kalvar e Chris Steele-Perkins. As candidaturas podem ser feitas até 19 de Janeiro.
Durante um mês, o Format11 promete reflectir sobre as várias estratégias da fotografia de rua segundo o tema genérico Right Here Right Now: Exposures From the Public Realm.
Todas as informações sobre esta oficina de trabalho aqui

 
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