26 outubro, 2010

João Silva


João Silva
© Jerome Delay/Associated Press


No último sábado, o fotojornalista português João Silva, a viver na África do Sul, pisou uma mina artesanal em Arghandab (um vale perto de Kandahar, Afeganistão) e sofreu ferimentos graves que resultaram na amputação das pernas. Depois de ter sido sedado, João Silva acordou hoje e falou com a mulher num hospital militar norte-americano na Alemanha para onde foi transferido. Nos últimos dias, os adjectivos "destemido", "corajoso", "profissional", "generoso", "melhor" têm sido repetidos por colegas de profissão, amigos e conhecidos. Sofia Lorena falou com alguns deles para escrever o texto publicado hoje no P2 que mostra bem o quanto o fotojornalista português é admirado e acarinhado (aqui).
O blogue do New York Times, jornal para o qual João Silva trabalhava quando ficou gravemente ferido, publicou parte de uma conversa entre o fotojornalista e Michael Kamber (também fotojornalista) onde o repórter português fala do seu percurso profissional e do que o move na profissão (aqui).
João Silva nasceu em Odivelas, em 1966. Partiu ainda criança para Moçambique e depois para a África do Sul. Começou a fotografar aos 23 anos, ao serviço do jornal regional Alberton Chronicle, de Joanesburgo, cidade onde vive. Fez-se notar pela primeira vez em 1992, quando venceu o Ilford Press Photograper of the Year por um trabalho publicado no jornal The Star. A cobertura do quotidiano de violência entre apoiantes de Nelson Mandela e Buthelezi nos arredores de Joanesburgo valeram-lhe reputação, trabalho muitas vezes realizado ao lado de Kevin Carter, Greg Marinovitch e Ken Oosterbroek, quarteto que ficou conhecido como bang bang club. Depois da morte de Oosterbroek, em 1994, e Carter, no mesmo ano, Silva e Marinovitch decidiram relatar em livro as suas experiências dos tempos entre o fim do apartheid e as primeiras eleições livres. A obra bang bang club está agora a ser adaptada ao cinema. João Silva trabalhou como freelancer para as agências Reuters e Associated Press. Desde 1996 que trabalha quase em exclusivo para o jornal New York Times, com quem assinou um contrato em 2000. É um dos fotógrafos da agência PictureNet e já foi distinguido com duas menções honrosas nos prémios World Press Photo.

(obrigado J. P.)

19 outubro, 2010

no doc

Countryside 35x45, de Evgeni Solomin


O doclisboa já vai a meio. Ainda assim, aqui ficam algumas sugestões mais "fotográficas" (ou lá o que isso significa) para as sessões que estão por passar:

Dolce Vida Africana
De Cosima Spender (59', França, Reino Unido, 2008)
"Retrato do fotógrafo africano Malick Sidibé e viagem através da história recente do Mali. As fotografias de Malick Sidibé captam o espírito despreocupado de uma juventude ávida de rítmos internacionais, que afirma a libertação do colonialismo nos primórdios da independência."
21 OUT. 21:00 – Cinema LONDRES - Sala 2
23 OUT. 18:30 – Cinema LONDRES - Sala 2
24 OUT. 20:30 – Cinema LONDRES - Sala 1

Countryside 35x45
De Evgeni Solomin (Rússia, 2009, 43’)
"Na Rússia, há pouco tempo atrás, trocavam-se os velhos passaportes soviéticos por novos passaportes russos. Um fotógrafo de província viaja pela Sibéria, tirando fotografias de passaporte 35x45mm dos aldeões. Através de uma profunda observação da vida no campo, o filme desvela uma poética sobre zonas remotas onde duas culturas se justapõem: a da antiga União Soviética e a da Rússia actual."
20 OUT. 18:30 - Cinema LONDRES - Sala 2
22 OUT. 16:00 - Cinema LONDRES - Sala 1

The Forgotten Space
de Allan Sekula e Noël Burch (Holanda, Áustria, 2010, 110’)
"A câmara segue os contentores de navios de carga, barcos, comboios e camiões, ouvindo trabalhadores, engenheiros, gestores de transportes, políticos e marginalizados pelo sistema global de transportes. O mar é esquecido até que um desastre acontece, mas talvez a maior catástrofe seja a da cadeia global de abastecimento, que pode conduzir a economia mundial ao abismo. Percorrendo uma série de cidades e utilizando uma diversidade de fontes, em que se incluem entrevistas e material de arquivo, este filme é um poderoso ensaio visual. Prémio do júri da secção “Orizzonti” de Veneza 2010."
22 OUT. 20:30 – Cinema LONDRES - Sala 1
24 OUT. 22:30 – Cinema LONDRES - Sala 1

Luz Teimosa
De Luís Alves de Matos (Portugal, 2010, 75’)
“O mundo de Fernando Lemos é feroz e despojado de qualquer lógica externa” disse Jorge de Sena. Este filme é uma jornada surrealista, na busca de uma mulher de uma fotografia de há 50 anos, ou numa divertida partida de cartas. E assim nasce cada palavra dentro de outra palavra e cada imagem dentro de cada imagem.” De quantas facas se faz o amor?”
19 OUT. 20:45 – CULTURGEST - Pequeno Auditório

Double Tide
De Sharon Lockhart (EUA , 2009, 99’)
“Double Tide”, o novo filme de Lockhart, é um belíssimo retrato de uma trabalhadora da apanha de mexilhão na costa do Maine, nos Estados Unidos da América. Uma actividade solitária, ritual, sujeita aos elementos da natureza."
21 OUT. 18:00 – CULTURGEST - Pequeno Auditório

The 400 million
De Joris Ivens (EUA, 1939, 53’)
Na guerra Sino-Japonesa, a luta da frente comum chinesa contra a invasão.
Com fotografia de Robert Capa e música de Eisler.
23 OUT. 16:15 - Cinema CITY CLASSIC ALVALADE - Sala 3

(sinopses: doclisboa)

17 outubro, 2010

as mãos


Entrega da proposta do OE 2011
João Henriques/Público

Na sexta-feira, último dia do prazo para a entrega da proposta para o Orçamento de Estado para 2011, enquanto planeávamos na redacção os últimos acertos do destaque a dar ao assunto na homepage do Público Online disse várias vezes que as fotografias deste momento eram normalmente desinteressantes, sensaboronas, burocráticas. O assunto e o cenário do ritual da entrega do OE no Parlamento não costumam permitir fotografias com fulgor e rasgo.
Passava pouco da meia-noite (o OE 2011 incompleto foi entregue quase a tocar o gongo) quando João Henriques, ainda a limpar o suor da testa, nos trouxe esta imagem que demoliu todos os preconceitos que tinha verbalizado durante a jornada de trabalho.
No meio da balbúrdia em que se transformou o momento exacto da entrega da pen com o documento, João escolheu bem. Para lá da solenidade dos corpos engravatados, da pompa da sala, orientou o olhar para a mão que dá (a de Teixeira dos Santos) e para a mão que recebe (a de Jaime Gama), dando àquele gesto um significado visual rico e contraditório, ao mesmo tempo o mais insignificante e o mais definitivo, como o que foi pintado por Miguel Angelo no tecto da capela Sistina, quando Deus toca a mão de Adão no momento da criação.
Teixeira dos Santos é capaz de ter cometido não um mas vários pecados com este Orçamento. E Jaime Gama está longe de ser um Deus miraculoso e criador. Seja como for, este pode ser o momento que marcará o nosso renascimento ou nosso afundamento económico. Será que este Orçamento nos vai salvar do FMI? Ou será que o FMI vai ser a nossa salvação?

ver

Gerda Taro, milicianas durante um treino na Guerra Civil Espanhola

O International Center of Photography pediu ajuda ao escritor e cronista do El País António Muñoz Molina para identificar locais e personalidades registados em alguns dos negativos da mala mexicana, com imagens de Robert Capa, Gerda Taro, e "Chim" (David Seymour) feitas durante a Guerra Civil espanhola. Essa experiência foi contada na sua crónica habitual do Babelia aqui

11 outubro, 2010

Arpad + Helena

Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes, Budapeste, 13 de Julho de 1930
© FASVS


O site da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva disponibiliza uma pequeníssima amostra da colecção de fotografia da instituição que diz respeito aos dois artistas. Vieira da Silva, escreve-se na página da FASVS, fugia das entrevistas e das objectivas. Dizia que "a objectiva só podia captar um único ângulo e as pes­soas são feitas de muitos". Mas, volta e meia, lá se deixava apanhar. E gostava mais da pose estudada do que da fotografia espontânea - com medo das expressões repentistas e, eventualmente, menos abonatórias.

aqui

10 outubro, 2010

OjodePez


© Giuseppe Moccia


Giuseppe Moccia é o vencedor do III Premio PHotoEspaña OjodePez de Valores Humanos 2010. O portfólio vencedor chama-se El chico de los miércoles e aborda a vida de Christopher, um rapaz de 18 anos com síndrome de Down. O fotógrafo italiano ganha um prémio monetário de 6 mil euros e a oportunidade de expor individualmente na próxima edição do festival PHotoEspaña.
Para além de Moccia, chegaram à fase final do galardão os fotógrafos Marco Di Lauro, Munem Wasif, Álvaro Laiz García, Alessandro Imbriaco, Jacob Aue Sobol, Carlos Luján, Jackie Dewe Mathews, Alexa Brunet e David Rengel. Os trabalhos destes autores podem ser vistos na última edição da revista OjodePez.
O porfólio vencedor será também exposto nas lojas FNAC de Espanha e Portugal.

09 outubro, 2010

regressar

© Enric Vives-Rubio/Público


Fernando Lemos está de regresso a Lisboa. Na semana passada, inaugurou a exposição Isto é Isto e Ex-Fotos na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva que mostra desenho e fotografia. Para hoje, às 15h30, está marcada uma conversa entre o artista brasileiro e os comissários Filipa Valladares e João Pinharanda.
No dia 17 de Outubro começa o Ciclo Fernando Lemos na FASVS que mostrará filmes e documentários sobre o autor.

Eis o programa:

#17 Outubro, 7 e 21 Novembro, domingos, 15h30
Fernando Lemos – atrás da Imagem
De Guilherme Coelho, 2006, 55’

#24 Outubro, 14 e 28 Novembro
Foto Doc: Fernando Lemos
De Camila Garcia e Renato Suzuki, 2005, 30'
Fernando Lemos e o Surrealismo
De Bruno de Almeida e Pedro Aguilar, 2006, 10’

#31 Outubro, 5 Dezembro
Conversas com Glícinia
De Jorge Silva Melo, 2004, 55’

#Janeiro 2011 (em dias a anunciar)
Luz Teimosa
De Luís Alves de Matos, 2010, 75’
(estreia no Doc’Lisboa 2010, 15 Outubro, 19h00, Culturgest)

07 outubro, 2010

Helena

Helena Almeida, Work-32 (Entrado 1), 1977
© Helena Almeida

Quase sempre que há um leilão de relevo internacional de fotografia lá estão as imagens de Helena Almeida lado a lado com os melhores criadores mundiais. A venda da Philips de Pury & Company está agendada para esta sexta-feira e leva à praça um conjunto de 411 lotes de grande interesse. Helena Almeida faz parte do leilão com dois dípticos da série Entrado 1. Cada lote partirá de uma base de licitação de 8000 dólares.

06 outubro, 2010

10x15

Matías Costa, The Family Project, Genealogia, 2010
© Matías Costa


E com pouco se faz muito. A fanzine online 10x15 (a recordar os álbuns das revelações numa hora) já leva 20 edições com um trabalho de comissariado muito apurado de Arantxa Boyero, María Platero, Lucía Morate e Eduardo B. Muñoz. I LOVE LA FAMILIA é o tema genérica do último número que mostra álbuns de Oriana Eliçabe, Wilma Hurskainen, Aurélia Frey, Yosigo, Ellen Nolan, Ricardo Romanoff, Aaron Gustafson, Thomas Doyle, Alfonso Almendros, Argiderphoto, Goiuri Aldekoa-Otalora, Aislinn Leggett, Matías Costa, STEEL5000 e Martín García Blaya.

10x15

05 outubro, 2010

a mala abre-se

Gerda Taro, Navacerrada, Segovia, Espanha, 1937
© International Center of Photography


A história da "mala mexicana" dava um filme. Para já deu uma exposição. As três caixas recheadas com 4500 negativos de 35mm sensibilizados por Robert Capa, Gerda Taro, e "Chim" (David Seymour) durante a Guerra Civil espanhola foram recuperadas em Dezembro de 2007 e boa parte do seu conteúdo pode agora ser apreciado no International Center of Photography (ICP), a instituição que durante anos foi dirigida por Cornell Capa (irmão de Robert) e que, ao longo de anos, negociou a venda da mala. The Mexican Suitcase (patente até Janeiro de 2011) desvenda imagens de três protagonistas de uma nova forma de fotografar conflitos. A exposição mostra provas de contacto de reportagens, reproduções das melhores imagens de cada um dos fotógrafos (76) e dezenas de revistas de todo mundo onde algumas delas foram publicadas.
O ICP organizou um catálogo em dois volumes, onde estão reproduzidas todas as imagens dos negatidos. A obra tem ensaios de Paul Preston, Simon Dell, David Balsells i Solé, Michel Lefebvre, Bernard Lebrun, Brian Wallis, Cynthia Young e Kristen Lubben.

Mais sobre a exposição The Mexican Suitcase aqui
Mais sobre a "mala mexicana" aqui
Crítica do NYT

»»Post relacionado
»(bombons de Capa)


Robert Capa, rio Segre, Aragón,Fraga, Espanha, 1938
© International Center of Photography

04 outubro, 2010

entre aspas


Paul Bowles

Ela abriu a porta. Port estava deitado numa posição estranha, as pernas muito dobradas nas cobertas. Aquele canto do quarto era como uma fotografia imóvel cujo filme fosse bruscamente iluminado no meio de uma corrente de imagens em movimento. Ela fechou a porta suavemente, trancou-a, voltou-se de novo para o canto, e avançou lentamente em direcção ao colchão. Susteve a respiração, debruçou-se, e olhou para dentro dos olhos sem expressão.

Paul Bowles, O céu que nos protege, Assírio & Alvim

óbvio

Helena Gonçalves, José Saramago, 2007
© Helena Gonçalves

Helena Gonçalves fotografou bailarinos do Ballet Gulbenkian (1965-2005), Diogo Dória, Rodrigo Leão e José Saramago. O resultado desse trabalho de retrato (que pôde ser visto no Espaço da Companhia de Teatro Útero, no Ginjal) sublinha os destinos e as actividades de cada sujeito fotografado num jogo óbvio, "demasiado óbvio", nas palavras de José Gil que assina o texto que apresentou a mostra. Aqui

03 outubro, 2010

Visura

Alejandro González, da série Inappropriate Behavior
© Alejandro González


Tenho acompanhado a revista online FotoVisura. Há sempre porfólios com muita qualidade.

Edição nº 10 aqui

02 outubro, 2010

bpb

Martin Parr, Autoportrait
© Collection of Martin Parr



Arranca este fim-de-semana a Brighton Photo Biennial que nesta edição conta com a curadoria do fotógrafo da Magnum Martin Parr. New Documents é o tema genérico que escolheu para o conjunto de exposições que pretendem mostrar "a vibração da prática fotográfica contemporânea, as paixões ecléticas das colecções de fotografia histórica e vernacular e trabalhos inspirados na diversidade de comunidades e contextos de Brighton & Hove".
O bpb apresenta-se como o primeiro festival de fotografia frame-free. O lote de artistas inclui Esteban Pastorino Diaz, Stephen Gill, Rinko Kawauchi, Alec Soth, entre muitos outros.
As exposições podem ser vistas até 14 de Novembro.

Mais informações sobre o bpb aqui

género

Na Índia, não são apenas as classes, as castas e as etnias a cavar mais fundo as diferenças - o género com que se nasce também provoca o abandono, o repúdio e a desonra. As mulheres sabem-no, sentem-no. Sob a batuta da Media Storm, o fotógrafo Walter Astrada alerta para um problema social (e civilizacional) num dos países mais populosos do mundo.


01 outubro, 2010

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(de volta às fotografias)

 
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