07 março, 2009

Batalha de Sombras

Fernando Taborda, Estrada da Vida, 1954


Quando a fotografia portuguesa se movia por sombras
(P2, Público, 7.03.2009)

O palco principal da batalha é o papel fotográfico. As armas escolhidas são variadas, umas mais afiadas que outras, mas há uma que atravessa muitas provas e que se presta a usos diversificados - as sombras, que ora escondem, ora revelam correntes, intenções e influências. Na exposição Batalha de Sombras - a primeira apresentação pública de imagens fotográficas da colecção do Museu do Chiado que hoje é inaugurada no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira - mostra-se também pela primeira vez de forma estruturada e contextualizada a produção fotográfica dos "amadores" dos anos 50 que deram corpo a uma das décadas mais ricas e mais marcantes da história da fotografia portuguesa do século XX, pouco conhecida, pouco estudada, e muitas vezes arrumada em gavetas demasiado estanques.

Ao contrário do que o tema genérico possa sugerir, Batalha de Sombras não trata de lutas do bem contra o mal ou de jogos de poder entre entidades maléficas e anjos protectores. No momento em se davam os últimos retoques nas legendas das fotografias e no grande painel de abertura onde constam as biografias dos autores representados, Emília Tavares, comissária da exposição vinda do MC e que durante mais de dois anos preparou e investigou este período particular da história da fotografia portuguesa, justificava o título com a intenção de conjugar três aspectos: a marginalidade a que foram votados os trabalhos destes fotógrafos (uma escuridão que em alguns casos durou até hoje); a longa noite do contexto histórico, político e cultural do país que remeteu a produção fotográfica de 50 para um silencioso diálogo de sombras, onde a discussão girava quase exclusivamente à volta da técnica; a concretização pela imagem da melancolia, do desalento e da angústia existencial que percorreram a época...

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2 comentários:

Sara disse...

Penso que não percebi uma coisa: a exposição BATALHA DE SOMBRAS também está agora patente no Museu do Chiado?

Filipe disse...

Não tenho a certeza, pois estou longe, mas o que entendi é que a colecção pertencente ao Museu do Chiado está em exposição no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira.

 
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