14 novembro, 2008

Paris#6 (notas)



Bert Teunissen, On the Road - A Domestic Landscapes Travelog, 2008
© Bert Teunissen, cortesia L. Van Paddenburgh

**Já chove. Os franceses andam com medo das sabotagens nas linhas do TGV. A fotografia de Ségolène Royal reaparece outra vez nos jornais como possível candidata dos socialistas para tentar derrotar Sarkozy em 2012.

**É constrangedora a inexistência de uma representação portuguesa, por mínima que fosse. As únicas excepções vão para Edgar Martins, com fotografias à venda na editora americana Aperture, na Paris Photo, e para Vasco Araújo, que faz parte da programação oficial do Mois de la Photo, no Jeu de paume. Tudo o resto são fugachos de olhares de fora: Antoni Muntadas (Doble Exposure), com duplas paisagens urbanas de Lisboa e Bogotá expostas no mesmo de negativo, na galeria espanhola Moises Perez de Albeniz; e duas imagens soberbas (Portugal, Woman; Portugal, Men) que o americano Ray K. Metzker captou em Lisboa, em 1961.

**Há uma meia dúzia de galerias com fotografia do século XIX na feira, mas, tirando as gueixas retocadas à mão com vermelhos e azuis fortes, não se nota uma grande aposta na fotografia antiga.

**O vencedor do prémio BMW Paris Photo, Yao lu, vende que se farta. E os fotógrafos da China também. A 798 Photo Galery, a única galeria chinesa, não tem mãos a medir. É só bolinhas vermelhas por baixo das fotografias.

**Muitos fotógrafos japoneses vieram com as galerias e editoras do seu país, mas, pelo que se vê na feira, há muito que as galerias do Ocidente encontraram esta pérola asiática da fotografia. Nobuyoshi Araki e Daido Moriyama estão representados em boa parte delas.

**O antigo avançado francês do Manchester United Eric Cantona gosta de fotografia. Da Paris Photo saiu com duas molduras de baixo do braço. Já estavam embaladas com plásticos de bolinhas para rebentar com os dedos, mas deu para perceber que eram a preto e branco.

**Para além de livros de fotografia excepcionais, os japoneses têm os óculos mais bonitos do mundo. A governadora do Alaska e ex-candidata republicana à Casa Branca Sarah Palin já percebeu isso e encomendou um par deles, mas parece que quem ficou a ganhar foi só quem os desenhou. Ainda Bem.

**Teoria pessimamente mal comprovada do ponto de vista científico: a capacidade humana para ver com atenção imagens fotográficas é finita e não vai para além das 2 horas, 39 minutos e 4 segundos.

**A livraria Dennis Ozane, especializada em livros antigos de fotografia, tem à venda quatro títulos portugueses: Lisboa, Cidade Triste e Alegre; Portugal, Terra de Vinho; Angola, 1961-1963; Portugal, SNI.

**No Carrousel do Louvre o café esgotou. Já as rolhas das garrafas de champagne saltaram durante toda a tarde.

3 comentários:

Anónimo disse...

Des yeux qui font baisser les miens,
Un rire qui se perd sur sa bouche,
Voilà le portrait sans retouche
De l'homme auquel j'appartiens

Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.

Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ça me fait quelque chose.

Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.

C'est lui pour moi. Moi pour lui
Dans la vie,
Il me l'a dit, l'a juré pour la vie

http://www.youtube.com/watch?v=DUcJWaC-2Co

A.

tomé disse...

e o que é feito de Nozolino? o que é feito desse grande fotógrafo que tanto quanto sei, viveu em Paris?

talvez já não ligue a estes "espectáculos"?

talvez estes "espectáculos" não lhe liguem?

talvez o trabalho "scalati" tenha sido demasiado desconfortável para os orgulhosos Franceses... de facto, Nozolino não tem os olhos em bico.

Anónimo disse...

Que bonito, A.! Vou juntar à colecção do que sai fora da aridez dos dias.
Pois é o Nozolino, que saudades daquele género!

 
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