20 abril, 2008

desilusão?

© Daniel Malhão

Ainda a propósito dos três finalistas do prémio BESPhoto deste ano, vale a pena ler a crítica que Luísa Soares Oliveira escreveu recentemente no Ípsilon. A fotografia em Portugal é bem mais do que isto, felizmente (...), afirma.

O texto está aqui.

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>1. (4-1=3)
>2. (pensar)
>3. (BESPhoto é photo?)

39 comentários:

pedro martins s. gomes disse...

é impressionante a quantidade de disparates que L.S.O, escreve em tão poucas linhas.
A critica nos jornais está tão fraca que é impossivel levantar aqui qualquer tipo de discussão.
Dizer que a fotografia não é central no trabalho de Helena Almeida, ou afirmar que o trabalho de M. Soares não é conceptual pq é infográfico e chamar-lhes imagens virtuais, quando não o são, são apenas 3 exemplos.

Mário Nogueira disse...

"A fotografia em Portugal é bem mais do que isto, felizmente (...), afirma."

Plenamente de acordo. Pena é que não seja devidamente reconhecida...

Cumprimentos

nunoamaro disse...

Será que, se eu fotografar um cágado de pernas para o ar, o BES me dá 25000€?

É impossível levar esta coisa do BESphoto a sério. E a auto-proclamação do BES como "mecenas da fotografia em Portugal" é uma verdadeira anedota.


Cumps.

Paulo V. disse...

para o nunamaro:

Não pá, se fotografares um cágado de pernas para o ar, estás a copiar o trabalho do João Seguro, como podes ver no site da galeria lisboa 20.
http://www.lisboa20.pt

Paulo V.

Paulo V. disse...

Quem mais tem dificuldade em "encaixar" a existência do BES Photo, acabam por ser fotógrafos amadores, que andam à volta do Ansel Adams. A fotografia não parou em 1930! Não se esqueçam que A. Adams usou aquilo que era o ultimo grito da tecnologia da altura. A fotografia nunca parou de evoluir.

Susana Vinhais, Almada, PT disse...

Sim fotografia engloba também:
PinHole, Daguerreotipo, Radiografias, Scannar facturas antes que desapareçam, photomaton, Linhof, Multigrade, Gimp, Fotografos amadores, , f64, desporto, cinema, Janelas bonitas com a tinta a descascar, bill brandt, estereoscopia, jornalismo, hubble, macroscopia, homem na lua, desenhar com luz foto+grafia), e muito muito mais... a lista é interminavel, FELIZMENTE!!

Mas metam uma coisa na cabeça: o BES Photo destina-se a artistas que expuseram individualmente em Galerias de Lisboa no ano anterior!
Tão simples quanto isso!!

M0rph3u disse...

Este assunto e' abordado e acaba por ser comentado pelas mesmas pessoas.
Nao fico imune 'a facilidade com que se tem de aceitar porque e' assim ou que existem inovacoes tecnologicas.
Nao deixa de ser um facto.
E em cada comentador vejo partes de "verdade", mas um discurso que se encerra nesses factos e' apenas um grito na multidao sem existencia de reflexao sobre o que se esta' a falar.
Entao ficamos por aqui? O que os "senhores do juri" dizem e' certo e pronto, agora ficamos 'a espera do proximo ano ansiosamente?
Sinceramente, a seleccao nao primou por rigor.
Os premios sao para fotografos que expuseram ou tambem para as galerias?
Pelo que sei existiram melhores exposicoes de fotografia na P4, mas infelizmente a P4 ainda nao e' uma super galeria (daquelas que anunciam na ArtForum).
Agora descobriu-se em Portugal o que os Conceptualistas andavam a fazer 'a 30 anos nos EUA... que bom!
Mas e' so' pena que nao se tenha acesso ao que esses artistas fizeram, pois ainda sem computadores ou qualquer outro tipo de tecnica, os conceitos eram realmente fortes.
Sugiro umas idas a museus com trabalhos realmente seminais dentro da area da fotografia conceptual, para que se entendam os erros cometidos.
Qualquer semelhanca e' pura coincidencia.

João S. Caeiro, Lisboa disse...

Por favor...
a galeria p4 nasceu no final de 2007!!
Já o juri tinha nomeado os candidatos há 3 meses!
E ainda não fez exposições individuais de ninguém!
m0rph3u, tenha dó.

Susana Vinhais, Almada, PT disse...

O prémio não se destina a fotógrafos ou galerias. Destina-se a artistas que trabalhem com fotografia, entre outros suportes.
E que tenham exposto numa galeria de lisboa no ano anterior.
é necessário dizer isto quantas vezes?

M0rph3u disse...

Tenho do' e outras notas musicais.
Por favor contribua positivamente para a discussao. Com isto quero dizer vamos falar de fotografia.
A minha contribuicao para esta conversa e' no sentido de se discutir fotografia e nao de atacar ninguem pessoalmente.
Ja' agora, caro Joao gostaria de saber a sua opiniao sobre o seu assunto.

Cara Susana, eu tambem gosto de usar ironia, mas gostaria de mostrar o seu ponto de vista?
Percebo que tem focado o aspecto que o premio e' para artistas e que tenham exposto em Lisboa... e?... mais alguma coisa interessante que queira partilhar com os demais?
Nao pensei que ja' tinham reduzido "territorio nacional" 'a Capital...
Tambem gostaria de perguntar quando e' que a Fotografia deixou de ser Arte?...
A separacao de fotografo do artista parece-me um pouco desajustada.
Ainda que muitos fotografos possam trabalhar comercialmente nao sao simples ajustadores de composicao e "carregadores de botao".
Nao e' exactamente o mesmo que um pintor da construcao civil e um pintor de belas-artes... ou sera' que estamos a querer fazer voltar a fotografia 'a situacao original - em que teve de lutar por um lugar nas artes, ainda que contra a vontade dos pintores?
Alguem consegue dizer alguma coisa que faca sentido?...

Susana Vinhais, Almada, PT disse...

M0rph3u:
Lançar larachas como a da p4 é que é lançar poeira para os olhos e isso é que não contribui para nada. Pura desinformação.
O que quero dizer é que, sim, na prática o território estará reduzido a lisboa, porque normalmente convidam um juri que reside em lisboa, e que dificilmente poderia percorrer o pais durante um ano.
Logo, se se critica o BES Photo, então faça como o Alexandre Pomar: ele sugere REALMENTE alternativas, ou seja, outros artistas que expuseram na zona de lisboa no ano anterior. É por aqui que pode começar uma critica construtiva e não com frases bombásticas ou sugerindo galerias que simplesmente não existiam há 6 meses.

A distinção entre fotógrafo e artista existe.
A fotografia obviamente é considerada arte. Mas quando um artista só se dedica á fotografia, ele é considerado um Fotógrafo, ou Fotógrafo Profissional, e aí deixa de entrar nos parâmetros pelos quais o regulamennto do BES Photo se rege: distinguir artistas que trabalhem a fotografia entre outros suportes.

Lanço-lhe então um repto: sugira 4 nomes de pessoas que tenham exposto individualmente em 2007, que tenham já um curriculum considerável, e que pudesssem ter feito parte deste BES Photo.

João S. Caeiro, Lisboa disse...

A minha opinião é que os 2 juris decidiram, tá decidido. E se querem discutir o assunto, informem-se e usem argumentos válidos. Para o debate ter algum interesse.

M0rph3u disse...

Que nao seja por um erro de calculo que nao se faz esta discussao.
Tambem nao e' preciso comecar a mandar pedras por causa dos 6 meses, ou sera'?

Bem, vamos por partes, porque estou bem disposto. :)

A razao que a Susana apresenta em que normalmente convidam um juri de Lisboa parece-me uma critica ao BESPhoto em relacao 'a composicao do Juri de Seleccao - contudo nao e' coerente e aqui nao lhe vou dizer que mandou uma "laracha", como me acusou de ter feito por causa dos 6 meses - mea culpa, mas acho que se estamos a falar de "pedra na mao" entao devemos ter mais cuidado com o que dizemos.

O Juri de seleccao foi composto na maioria por pessoas de Lisboa (e' um facto) mas nao podera' ser ignorado o facto de ter sido tambem constituido por Albano da Silva Pereira - o director do Centro de Artes Visuais (CAV) e um dos responsaveis pela divulgacao e exposicao de fotografia fora de Lisboa e com bastante sucesso (em Coimbra); outro e' Ricardo Nicolau que e' director adjunto do Museu da Fundacao de Serralves.

A escolha nao cobre o Pais inteiro, e' certo, mas temos o Porto e Coimbra representados e por figuras que tem sido das mais activas em termos de fotografia, em Portugal - e dai que tenham sido escolhidos para fazer parte do Juri de Seleccao, que quer queiramos ou nao e' o Juri mais importante de todo o processo, pois e' quem escolhe os candidatos que irao apresentar os fotografos ou artistas que usam fotografia que irao ser comissionados para realizar o projecto final que sera' sim, candidato ao premio; e que sera' entao julgado pelo Juri de Premiacao.

Por outro lado, o Juri nao e' aparece por "geracao espontanea". Os seus elementos deverao ser conhecedores do panorama nacional e nao apenas de Lisboa, de forma a conseguirem cumprir o que diz o regulamento.
Ora se um destes elementos do Juri estiver sem paciencia e nao quiser ir mais longe do que o fundo da sua rua entao sim... o fotografo ou artista que ira' seleccionar e' o da "galeria do seu bairro".
Se esse e' o seu papel, entao a responsabilidade e' grande e devem-no fazer o mais isentos possivel - nao apenas baseado numa questao de comodismo pessoal.

Concluo pela resposta da Susana que concorda que este aspecto do juri de seleccao em alguma forma interfere na seleccao dos nomeados.
Depois e' um pouco risivel a situacao do "estar em Lisboa e andar a percorrer o Pais"... ate' parece que e' um Pais enorme e que e' preciso andar dias ou semanas inteiros para chegar a qualquer lado. Hoje em dia, em 2 horas chega-se a qualquer lado... haja vontade.
Claro que haveria sempre de ser feita uma seleccao, pois e' impossivel estar em todo o lado, mas consegue-se ir perfeitamente para alem da Segunda-Circular.

Se porventura sair de Lisboa ou da area de residencia, sem ser para os seus proprios assuntos pessoais, e' um grande incomodo e se um elemento do Juri de Seleccao nao se encontra nas condicoes necessarias para estar de acordo com o regulamento, deveria apenas ser honesto consigo, com o premio e com os fotografos/artistas e recusar agradecidamente a sua nomeacao para tal cargo; pois infelizmente nao se pode comprometer com a tarefa que lhe pedem.
Aqui penso que seria o mais justo para todos. Poderia ser que noutra altura da sua vida pudesse a vir desempenhar esse cargo.

O regulamento...
Este ponto ja' tinha sido referido pela Susana noutro comentario ao mesmo tema e para que nao hajam duvidas, o melhor e' mesmo consulta'-lo aqui.
Diga-me la' onde esta' o "(...)Mas quando um artista só se dedica á fotografia, ele é considerado um Fotógrafo, ou Fotógrafo Profissional, e aí deixa de entrar nos parâmetros pelos quais o regulamennto do BES Photo se rege: distinguir artistas que trabalhem a fotografia entre outros suportes."...

Quando muito leio 1.1. Podem ser objecto de selecção os criadores portugueses, ou residentes em Portugal, que tenham efectuado uma exposição de obras de suporte fotográfico em território português no período de 12 meses anteriores ao da atribuição do prémio.
Nao sera'o Fotografo um criador, porque apenas compoe o que sera' a Imagem, ajusta a exposicao (ou nem isso) e carrega num botao de um dispositivo?
Isso fara' com que seja menos criador que um artista-plastico?
O "suporte fotografico" significa o que, exactamente?...
Que um artista-plastico que faz pintura e em virtude de existirem poucos premios da especialidade em Portugal (dado os alunos de Pintura que saiem todos os anos das FAculdades), pode pintar, digitalizar a sua obra e imprimi-la numa impressora de jacto de tinta (pigmento) e fazer uma exposicao individual em algum lado e estar assim candidato a um premio de fotografia - desculpe, suporte fotografico?
Talvez nao seja ma' ideia, mas assim porque e' que o BES se assume como Mecenas da Fotografia?... Alguem esta' a "camuflar a verdade" sobre o premio, entao?
Sera' a Susana que nao leu bem o regulamento? Os elementos do Juri de Seleccao? Os artistas? Os fotografos indignados por nao se reverem nos seleccionados?...
Afinal que premio dubio e' este, que pode ter todas e mais algumas interpretacoes?...

Penso que o maior problema reside exactamente neste primeiro filtro.
A ambiguidade do que podera' ser um seleccionado BESPhoto e' tal, que quase da' a entender que e' por medo que nao exista "input" suficiente na Fotografia, para que se justifique fazer um premio com esta dimensao; por outro lado, essa questao levanta-se contra o proprio premio, quando parece mais um premio de artes plasticas camuflado e que poe practicamente o que parece indicar a sua finalidade, para um segundo plano (estou a ser complacente, visto que realmente o Fotografo, como apenas isso mesmo, nao parece ter um lugar - embora esteja a ser injusto, pois o ano passado ganhou justamente um Fotografo: Daniel Blaufuks; assim como no ano anterior tinha ganho outro e que este ano foi membro do juri de seleccao - Jose' Luis Neto).

Sinceramente, o que me parece e' que este premio e' mais uma forma de legitimacao do artista dentro do panorama do mercado de arte em Portugal - felizmente, isso nao parece ter grande efeito fora do Pais.
As pessoas com valor acabam por ser reconhecidas e ninguem sabe sequer o que e' o Premio BESPhoto... em especial, pela caracteristica de ser demasiadamente "local" para ser olhado com respeito.
O facto do Juri de Premiacao ser "estrangeiro" e' mais uma forma de acentuar o papel de legitimador dos artistas seleccionados e do proprio premio, mas sempre orientado para "dentro" (devido ao regulamento restrito).
Acreditem... em Nova Iorque, Londre ou Paris ninguem sabe o que e' o BESPhoto...
Penso que temos uma perspectiva engracada sobre nos mesmos: ir para fora de Lisboa e' uma viagem interminavel de 2 horas (em media) e temos um unico Premio de fotografia ou suporte fotografico que ninguem conhece... mas que gera imensa controversia... :) e' isto que me faz rir!
E o que me faz rir e' que as pessoas nao pensem sobre o que e' realmente o premio - um subsidio 'a practica artistica.

Sinceramente e' necessario! Os artistas nao tem rendimento fixo, como a maioria dos que tem emprego e nao sei se receberao a totalidade do premio; concerteza que parte dele sera' sujeito a impostos, como toda a gente, claro...

A questao do premio e' mais a questao da "oportunidade futura" e o facto do premio ser uma especide de "primus inter pares" para os artistas; mas mais uma vez, apenas no contexto do mercado de arte nacional. E' completamente irrelevante o facto do artista ter ganho um premio em Portuga (desculpe Lisboa) e dize-lo em Nova Iorque... quando muito sera' apenas porque o facto de ter esse premio lhe permitiu chegar a essa cidade.
Caso o seu trabalho nao fale por si, e' completamente irrelevante.
Concluo so' com o facto de os artistas ate' podem trabalhar com outros suportes, mas sao unicamente seleccionados por, numa dada exposicao, terem usado "suporte fotografico" e o que quer que tenham feito, aconteceu 12 meses antes da atribuicao do premio... tao vago que pode caber um pequeno mundo...

Quanto aos 4 elementos, 'a mais de 3 anos que vivo fora de Portugal (como podera' ja' ter constatado pela minha falta de pontuacao), mas conheco e sigo o trabalho de alguns fotografos-artistas pelos quais tenho respeito; e ainda que nao tenha estado presente nas suas exposicoes, pude ver as suas imagens que foram mostradas na altura.
Destaco:
* Fuga, de Mariana Viegas (Agencia Vera Cortez, Janeiro de 2007 http://www.marianaviegas.com/fuga.html ): gosto particularmente da forma como a artista que usa fotografia para captar a paisagem natural - e' como pode reparar, um trabalho quase de pintura de uma artista que usa fotografia dentro do seu corpo de trabalho;

* Locations, de Patricia Almeida (Kgaleria, Fevereiro de 2007): um trabalho fotografico onde existe um certo retrato da paisagem tambem, mas acentuadamente suburbana. Gosto bastante do olhar desta fotografa em relacao ao ambiente que a rodeia;

* Things, de Margarida Correia (galeria 111): gosto muito do trabalho desta artista. Tive a oportunidade de ver alguns dos novos trabalhos na Arte Lisboa (tambem no stand da galeria 111) e penso que sao trabalhos que valem enquanto fotografia. Nesta exposicao a artista fotografa foca o espaco privado(que e' alias um permanente no seu trabalho);

* Cadmo e Harmonia, de Manuel Valente Alves (Casa da Cerca, Almada) - Sao fotografias de viagem, onde os sinais urbanos e uma certa ausencia de referencias primam no seu trabalho (trabalho igualmente fotografico);

* Tropicalismos Luso e outras Naturezas Mortas., de RitaGT (PessegoPraSemana, Porto): exposicao onde a artista (que usa aqui fotografia) invoca com ironia simbolos nacionais - uma exposicao usando o suporte fotografico Duratrans em caixas de luz;

* Sara & Andre', dos proprios (tambem no PessegoPraSemana) - um trabalho que nao e' exclusivamente de fotografia, mas que usa suporte fotografico;

Mais uma vez cai no "erro" do juri de seleccao - escolhi artistas plasticos que usam fotografia e nao fotografos per se (ainda que a Mariana Viegas, Patricia Almeida e Magarida Correia usem quase sempre fotografia e sejam fotografas em quase 100% dos seus trabalhos).

Talvez a questao aqui seja a dificuldade que os "nao-estudantes de artes plasticas" tem em conseguir legitimar o seu trabalho, de forma a que o possam expor num espaco de arte ou galeria.

Felizmente, a questao do "espaco fisico" nao tem sido um factor de impedimento entre os criadores nacionais de Imagem e e' com enorme prazer que vejo trabalhos conceptualmente interessantes e com boa execucao em lugares como o Flickr, por exemplo.

Sao portugueses; muitos nao estudaram arte, mas tem um trabalho que do ponto de vista artistico e fotografico parecem-me propostas bem mais interessantes do que as que se podem ver muitas vezes nos espacos de exposicao e comercio de arte.
Existira' aqui um desajuste entre a "realidade de facto" e a "realidade legitimada"?
Existe uma separacao clara entre o que e' legitimado e o que existe e que e' partilhado livremente na Web.
Nao me parece que estes trabalhos (de comunidades virtuais, como o Flickr), apesar de serem imagens digitais, se impressos em aluminio com todas as tecnicas mais avancadas de impressao fotografica, se envergonhariam alguem e nao poderiam ser passiveis de ser vendidas em galerias? No fundo os fotografos tambem usam as mesmas tecnicas para produzir as suas imagens (com retoques em Photoshop e que nao critico, pois antigamente faziam o mesmo nas maquinas de revelacao e ampliacao - ou mesmo com tinta)
Provavelmente nao teriam o factor "charme" de dizer que a fotografia foi criada por um artista (ou apropriada ou apenas "tocada", por esse artista, ou qualquer outra tecnica que possa ser objecto de discussao sobre o modo de se produzir arte contemporanea)... mas a questao e' que do ponto de vista de enriquecimento da Arte Fotografia poderiam ate' contribuir para um discurso mais enriquecedor, pois do ponto de vista tecnico usam as ultimas novidades da pos-producao, o que nivela a questao dos "maneirismos" que por vezes sao introduzidos, tanto por artistas, como por fotografos.
O premio infelizmente nao contempla estas pessoas e e' pena... tanto que existem pessoas a fazer trabalhos incriveis e com bastante carga conceptual (e tambem tem outros interesses na vida, como Filosofia, Sociologia, Antropologia e outras areas do conhecimento acabadas em "logia") - pessoas interessantes e que tem alguma coisa a partilhar com o resto do mundo (se tivessem vivido noutra epoca ate' poderiam ser considerados "artistas").

O premio legitima assim, o circulo restrito dos que existem no mercado da arte e que com este premio veem a sua posicao e situacao legitimada e consolidada, para alem do apetecivel premio monetario. Nao consigo criticar esta parte do premio. Realmente admiro a forma como muitos dos nossos artistas conseguem laborar na sua actividade artistica num Pais onde nao existem practicamente oportunidades.
Agora se assim o e', mais valia que o BES pensasse noutra forma de "ajudar" a practica artistica. Pelo menos nao se deveria assumir como defensor da Fotografia em Portugal, mas sim ser um Mecenas das Artes Visuais. Quando fosse a dar o premio, diria apenas que so' aceitava tudo - ja' vi inclusive trabalhos impressos em tela e com boa qualidade; nao vejo porque excluir alguem que use este meio para imprimir os seus trabalhos, para uma exposicao.
Assim nao haveria qualquer polemica e podiamos estar todos ocupados a fazer outra coisa em vez de andarmos a trocar emails a insultarmos-nos mutuamente.
Talvez ate' pudessemos estar a fazer arte contemporanea. Um conceito; um curso numa escola de pesquisa de arte; uma exposicao algures (aqui ja' legitimada pelo facto de se ser estudante numa escola de pesquisa de arte) e dai ate' ao premio e' um salto! Ah! Nao esquecer de comprar papel fotografico e carregar os tinteiros da impressora; ou procurar servicos de impressao digital (por exemplo, FinePrint, colorPhoto, a Blues no Porto e outros do genero)...
Agora nao basta estar aqui a mandar comentarios uns aos outros! Peguem la' nas maquinas ou procurem imagens. Leiam bons livros aprendam programas de edicao de imagem (ou nao) e facam qualquer coisa... Um dia podem ser voces os eleitos (mas por favor nao esquecam a frequencia nessas tais escolas, por favor...).

Quanto ao "Curriculo consideravel", nao vi nada disso no regulamento... talvez a Susana me queira explicar o que quer dizer com isso?...
A unica coisa que vi no link acima foi: "5.3. Os trabalhos que os autores apresentam deverão ser, ou trabalhos fotográficos originais e inéditos, ou recentes (não mais de três anos), não podendo ser apresentadas obras que tenham sido mostradas publicamente no ano anterior à apresentação do prémio."
E agora que vi isto quer dizer que os artistas ou fotografos que mencionei tambem nao poderiam ser seleccionados, visto que as exposicoes que referi foram realizadas 'a menos de 12 meses (antes que seja ja' delapidado em praca publica). Significaria que as exposicoes a seleccionar deveriam-se encontrar entre 2004 e 2007 (nao inclusivo).
Em todo o caso e ainda fui procurar no dicionario, nao fosse estar descontextualizado, um autor, segundo o dicionario da Priberam e': o que é causa, motivo, origem ou agente de alguma coisa;fundador;inventor;escritor de obra literária ou científica;aquele que intenta acção judicial;progenitor, chefe;cabeça.... mais uma vez aqui nao vejo onde e' que os seleccionados tem de ter um "curriculo consideravel"... o premio e' referente a exposicoes que se tenham realizado em territorio portugues por autores de nacionalidade portuguesa ou residentes em Portugal e em que tenham usado suporte fotografico...
Nao e' nenhum "premio carreira", ou premio para artistas ou o que quis insinuar...

Ja' agora aproveito tambem para lhe fazer o mesmo repto e gostaria que fizesse a Susana uma escolha e que explicasse minimamente o porque da sua escolha (desta vez com atencao 'as datas).
Pode ser?

Cumprimentos

P.S. - Concordo com o Joao. Esta' decidido e ponto final. Ate' para o ano!

Susana Vinhais, Almada, PT disse...

Bom post.
Finalmente algum conteudo.
Acho que ao contrário de outros concursos, ditos de fotografia, neste caso (como no caso do Uniao Latina) há uma idade para se entrar nestes prémios.
E se o Manuel Valente Alves já não tem idade para este tipo de competições; a Rita GT, a P. Almeida,ou a Sara e Andre não desenvolveram ainda trabalho suficiente para ganharem o maior premio portugues. seria um exagero. mas há tempo.
Quanto á Margarida e á Mariana, nao duvido que venham a ser nomeadas nos proximos anos.

M0rph3u disse...

Aconselho a Susana a ler o regulamento, que esta' disponibilizado no link que propositadamente inclui (e volto a incluir com todo o gosto) no (longo) texto.
Nao ha' limite de idade. Ate' o Manoel de Olveira poderia ter concorrido, se ivesse feito a tal exposicao em territorio portugues e em suporte fotografico, dentro do prazo.
O que refere sobre a Uniao Latina e' outro assunto, que so' tem em comum com este o facto de ser tambem um premio.
Sendo assim, poderei apenas dizer que o Manuel Valente Alves nao foi um dos seleccionados pelo Juri de Seleccao...

Quanto 'a Patricia Almeida, parece-me que tem algum desconhecimento sobre quem eu estou a falar. A Patricia Almeida tem uma carreira com algum tempo.
Talvez nao seja das pessoas mais faladas em Portugal, porque talvez ate' tenha aparecido antes do tempo.
Ela e' membro de por exemplo, a Piece of Cake - um projecto europeu de Imagem Contemporanea e tem pelo menos um livro editado, para alem de ter estado presente em varias exposicoes colectivas e varias edicoes de feiras que comecam agora a ser mais notadas, como a Feira de Leipzig.
Por outro lado, esta fotografa/artista tem colaborado bastante na 'area comercial da fotografia - nomeadamente na area da musica.
Felizmente, porque nao existem "bolsas" para toda a gente... mas por outro lado, nao me parece que isso seja um impedimento para se ser um "artista".
Existem exemplos "historicos": Fernando Pessoa teve varios empregos; e Franz Kafka tambem tinha a sua "vida-dupla" (entre o seu emprego numa seguradora e o de ser escritor)e nao e' por isso que os seus genios sao diminuidos.

Por outro lado, nao referi o Edgar Martins, mas obviamente sera' outro "fotografo-seleccionavel" numa futura edicao, concerteza, por todo o trabalho que tem vindo a desenvolver e que tem tido (especialmente) reconhecimento fora de Portugal.

Volto tambem a dizer que o premio BESPhoto nao e' um "premio carreira", embora se sinta que existe um certo reconhecimento do percurso dos seleccionados. Contudo nao penso que isso seja um factor que reduza o premio.
Seria so' necessario alguma clareza, e e' tudo.
Os resultados deste premio definem certas tendencias, que como referi ate' nem sao novidade, pois as "redes virtuais" nesse caso sao entao o avant-garde da imagem contemporanea portuguesa.

Mas o que a Susana refere e' um facto, realmente. O BESPhoto e' o "grande premio", pois para quem tem menos carreira ou trabalho para mostrar existe o BES Revelacao; contudo o regulamento nao diz que o vencedor tem obrigatoriamente de ter um percurso nas "Artes Visuais"... Se isso assim e' entendido, e' porque o Juri assim o determina.
Quando o vencedor do ano passado foi Daniel Blaufuks senti ate' uma certa justica. Nao foi um reconhecimento de trabalho feito. Ele trabalha realmente bastante e e' uma das maiores referencias em termos de Fotografia em Portugal.
Obviamente que teria de ganhar o premio, mas nao pelo percurso em si, mas pelo trabalho sempre sem falhas que nos costuma habituar.
O percurso e' mais uma coerencia, do que outra coisa.

Sinto que dei algum conteudo para a discussao, mas realmente fico cansado que ninguem mais o de...
Ficou o vazio da sua proposta dos seus 4 nomeados que tambem lhe pedi.

José Júpiter disse...

É quase sempre improdutivo ler sobre as polémicas do BESPhoto.

O BES "quer ser" mecenas da fotografia em Portugal. Mas não o é. O tempo o dirá.

O modelo actual do prémio BESPhoto é limitado mas algum critério haveria de ter. Não quer dizer que seja um bom critério.

Esse modelo não vai durar muito tempo. Não existe produção nacional suficiente para suportar o critério actual do BesPhoto e a sobreposição de polémicas terá que acabar se para dar algum tipo de credibilidade a este prémio.

A Fotografia tem tantas frentes de actuação e aplicação que não podemos colocar tudo no mesmo saco, pelo menos nos tempos que correm. No cinema existem festivais e galardões em animação, filmes fantásticos/terror, independente e comercial, documental, etc.. Há géneros que se tocam. O base será sempre um critério e uma escolha fundamentada.

As propostas apresentadas em todas as edições têm mais interesse no âmbito das Artes Plásticas que no da Fotografia em geral. O primeira edição demarca logo essa diferença ao premiar Helena Almeida.

Existem muitos "executantes" ou fotógrafos que não têm pretensões a artistas, por não terem nada a dizer nem a acrescentar. Assim como há pintores que não são artistas (basta ir ao hipermercado e perceber do que é que estou a falar). Chamemos-lhes "entertainers" ou assim. Se houvesse um prémio que considerasse esses, os dias do ano eram poucos...

E para quem vai ao CCB ver o BESPhoto e gosta de fotografia num registo mais documental, perde muito se não for ver o impressionante conjunto de imagens (pessimamente produzidas pela EPSON) de Gérard Bloncourt, "Por uma Vida Melhor".

Adiante.

M0rph3u disse...

Concordo com o que o Jose' refere e penso que o premio tem alguns dos pontos que o Jose' refere em atencao.

Pela razao que apresenta em relacao a haverem demasiados produtores de Imagem e' que a seleccao e' feita sobre aqueles que tem as tais pretensoes e que devidamente fizeram uma exposicao demonstrando isso mesmo.
Ao mesmo tempo isso remete o problema da Arte Fotografica para uma logica de mercado, pois a legitimacao da existencia dessas exposicoes deve-se a um interesse orientado ao mercado da fotografia.
Neste ponto e devido ao facto de se falar pouco (ou nao suficientemente em profundidade) sobre o ambito da Fotografia enquanto Arte de producao de Imagem, as referencias acabam por cair dentro de tendencias de mercado.
Nao esta' mal nem bem... e' mais um uso que se faz de Imagem.
O que penso e' que e' limitado, na medida em que e' superficial.

Devo esta situacao 'a propria situacao da Arte, em que caminha devido a uma serie de referencias com origem no pensamento da critica de arte em que o julgamento deu origem a um excesso de academismo.
Isso mesmo e' defendido nos dias de hoje por alguns dos nossos criticos de arte referencia.
Existe uma continuidade baseada na Arte Conceptual Americana, com infuencias teoricas saidas da revista October.

O que seria e' que este premio ajudasse a construir uma identidade fotografica e ajudar a construir um dialogo em relacao 'a Fotografia que se produz em Portugal.
Penso que apesar das polemicas, isso ate' tem sido conseguido em certa parte.
Seria bom que o BES tambem promovesse a criacao de documentacao que ajudasse 'a construcao de um dialogo em volta da Fotografia Contemporanea (se juntar Arte Contemporanea e Fotografia).
Isso sim, poderia ajudar a dissipar alguma da ma' disposicao e assim passariamos a perceber o porque de certas opcoes. Seria um principio.
Os proprios elementos de ambos os Juris poderiam ate' teorizar ou ter a sua palavra e ajudar a construir o contexto das suas opcoes.
Isto seria uma medida, na minha humilde opiniao, bem constructiva.

E' que convenhamos, sem conhecimento do contexto e' realmente dificil emitir qualquer julgamento.
Por outro lado, tambem nao penso que estar constantemente a recorrer a formulas de outros artistas, amplamente justificadas por outros tantos teoricos, sirvam de exemplo para a nossa propria realidade - por muito valor que contenham.

Por exemplo, fala-se muito de Jeff Wall, mas nao se tenta perceber o contexto que o influencia. A propria situacao de recorrer ao Cinema e' um conceito muito enraizado numa cultura Pop norte-americana.
Seria "estranho" que Jeff Wall apresentasse um trabalho de influencias Coreanas - embora nos dias de hoje em que as fronteiras sao mais tenues devido ao fenomeno da Globalizacao isso ate' pudesse ser possivel...

Contudo e' necessario perceber melhor os contextos.

Por exemplo, estive a ver rapidamente Flickr do Jose' e reconheco uma serie de situacoes que se o Jose' tivesse uma galeria, talvez pudesse ser um "artista-fotografo" legitimado pelo mercado e um potencial nomeado ao Premio.
As suas fotografias dos silos, assim como de outras situacoes que estao directamente ligadas ao mar, ou 'a agua poderiam ser traduzidas em Arte legitima.
Passo a explicar.
O Jose' tem tudo o que e' necessario para se criar um texto "critico" que de alguma forma legitimasse o seu trabalho.
Nao estou a ser ironico e gostei mesmo muito do que vi.
As fotografias dos silos, por exemplo, se combinadas em arranjos poderiam ser relacionados com um trabalho fotografico e que e' quase universal, comecado pelos Becher em Dusseldorf.
Isto podera' parecer presuncoso, mas na realidade nao o e'.
A referencia existe na Historia da Fotografia e ve-se uma transposicao da mesma estetica para uma situacao mais "local", de influencia quase mediterranica, sobre uma actividade economica - a agricultura (nomeadamente cerealifera).
Existe uma "colagem" (ainda que possa ter sido inconsciente) de principios esteticos.
Nao me parece mal, pois existe um outro "artista fotografo", tambem alemao, que o faz com postes electricos e com sucesso (Frank Breuer).
Alguns trabalhos nesta direccao poderiam ajudar o Jose' a estabelecer e a ser reconhecido.
As fotos do Mar ou da 'agua seriam quase uma sequencia logica desta primeira orientacao.
Talvez comecasse com os farois da costa portuguesa - com o mesmo tipo de conceito estetico e acabaria com situacoes de fotografia de praia - mais uma vez colando-me ao conceito de outro alemao, neste caso Thomas Struth e as suas fotografias de pessoas em espacos museologicos.
Faltaria o que, para que fosse um artista com sucesso reconhecido? Impressoes com grandes dimensoes profissionalmente impressas. Algumas exposicoes dentro do Pais e fora dele, especialmente.

O meu conselho e' que continue, pois esta' a fazer um bom trabalho.

João S. Caeiro, Lisboa disse...

a sensação que tenho é que se uma pessoa se dedicar a sério á fotografia, com conceitos e projectos individuais sérios, apresentados regularmente sob a forma de exposições individuais, numa das 30 melhores galerias portuguesas, essa pessoa corre o risco de, ao fim de alguns anos de provas dadas (10 anos no minimo)ser seleccionado para o BES Photo.
Isto não está escrito em nenhum regulamento, é senso comum.
E faz-me pensar que não há nada de errado com este prémio e que ele faz todo o sentido.

M0rph3u disse...

Todos temos direito 'a nossa opiniao, concerteza.

A forma como o Joao coloca o seu ponto de vista e' inteiramente valida.
Deixa transparecer que visto que o premio e' o unico em Portugal na 'area e com relevancia nacional deve entao ser entendido como uma "recompensa" pelo trabalho feito ao longo de uma vida com seriedade e dedicacao.
Tudo bem... e' uma interpretacao que se pode dar a um premio desta dimensao.

Por outro lado, penso que o premio deveria ter mais responsabilidade e que deveria ser realmente uma celebracao 'a Fotografia - consistentemente suportada com documentacao.
Lembro-me do Project Room do CCB, em que foi muito bem gerido.
Nao era um premio, mas gerou conhecimento, divulgacao de arte, documentacao. Isto para mim e' saudavel ao crescimento sustentado e cria realmente valor dentro do meio.

Um premio carreira e' simpatico como reconhecimento do trabalho realizado.
Mas neste ultimo premio nao me parece que tenha sido esse premio carreira, que tanto defende, que foi atribuido.
Devido essencialmente ao facto do premio ter um regulamento, e nao ser regulado por senso comum, procurou-se quem tinha feito exposicoes em "suporte fotografico" e que fossem relevantes.

Foi um premio "falencia de melhores opcoes" e ate' existiam solucoes, mas que nao foram devidamente consideradas.
O premio tem um bom regulamento e e' bem intencionado.
Agora saibam-no interpretar e fazer com que a Fotografia seja realmente Arte, senao nao vale a pena andar a apregoar que e' um bom premio, quando se verificam situacoes como as verificadas.
Se se quer justificar as opcoes entao e' preciso que o publico seja "educado" e para isso e' preciso fazer mais algum trabalho que fazer seleccoes de trabalhos polemicos.
A polemica pode ser interessante, quando e' discutida sustentadamente e com apoio a documentacao.
Para quem tem alguma cultura de Imagem e esta' habituado a ver varios trabalhos fotograficos fica uma sensacao de que faltou qualquer coisa...
O que e' que se quis provar com isto tudo?
E' que ate' aqui os premios tinham sido realmente atribuidos a pessoas com trabalho reconhecido e que tem contribuido constructivamente e sustentadamente para a Fotografia.

João S. Caeiro, Lisboa disse...

mOrph3u,
nao, nao acho que seja um prémio de carreira ou de fim de vida. Não se põe velhinhos a concurso. seria cruel.
Nao é concerteza o unico premio na "área". e se não há mais a culpa nao será do banco.
é apenas uma confirmação de percurso já consolidado. Numa idade em que as pessoas ainda se possam prestar a concursos e a serem "avaliadas" por supostas sumidades.

Numa coisa estou de acordo, são poucos, principalmente com a desistencia deste ano. se fossem 5 ou 6 seria mais interessante.

Em relação ao premiado já não estou nada de acordo consigo. O M.Soares trabalha a apropriação fotográfica há quase 20 anos e o trabalho dele é sério e discreto. São 20 individuais e quase 200 exposições colectivas, á margem das instituições e dos lobbys lusos. Muitas delas pela europa e estados unidos. Apenas há 2 ou 3 anos começaram a reparar nele cá dentro. O seu trabalho é de um experimentalismo constante e de recusa de "usar receitas" como grande parte dos artistas e fotógrafos fazem. Ainda por cima são trabalhos dificilmente vendáveis. Sinceramente acho que se fez justiça. basta inspeccionar o site dele (andei por lá umas 2 horas!). goste-se ou não há ali muito trabalho com muito conteudo e
que levanta muitas questões.
O percurso dos restantes dois candidatos não é comparável e acho que seria muito pior se um deles tivesse ganho.

tomé disse...

Antes de se criticar o "banco-foto" é preciso reconhecer o debate que ele introduziu num País em que os "artistas" (e os não-artistas) têm de emigrar para poder comer. E há também que reconhecer, comparando com tantos outros mega-concursos que se realizam lá fora, até demonstra uma certa dignidade. O programa que se propõe cumprir é louvável, pena é que a sua execução esteja minada de tiques elitistas-pseudo-qualquer-coisa que o tornam tão previsível.

Alguém disse aqui com uma grande naturalidade que o prémio se limita à capital porque o Júri é Lisboeta e não tem guito pa gasolina. Talvez a Galp possa disponibilizar um petroleiro e se possa também passar a auto-intitular "mecenas nacional da fotografia"?

De resto, tudo o que há a apontar de negativo ao banco-foto já foi apontado pelo Alexandre Pomar ( http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/2008/04/tinha-escritopr.html ) melhor do que por qualquer jornal.

M0rph3u disse...

Talvez tenha sido um pouco injusto com o Miguel Soares, como o Miguel refere.
Mas em todo o caso, penso que seria importante reflectir sobre o que e' o premio.
Reconheco o valor do artista Miguel Soares - em especial pela sua coerencia e capacidade de por os seus conceitos em practic em mais de um "meio". Para alem do video, animacao e fotografia ele tambem e' musico.
Aprecio estas qualidades, pois demonstra um grande sentimento de experimentacao e de procura artistica.
Reflecte um pouco o processo de criacao artistica que essas pessoas que vivem mais 'a margem e que se dedicam 'a arte vivem dentro do panorama nacional.

Por outro lado, gostava que o Premio fosse um contributo para a Fotografia, enquanto Arte e nao volto a afirmar que seria de todo positivo que o BES pensasse em catalizar os resultados dos premios que promove com a publicacao de documentacao que crie algum valor para a Fotografia.
Isto sim enriqueceria o contexto das opcoes, como ja' referi anteriormente.
Bem mais interessante que patrocinar uma pagina de uma fotografia famosa num Semanario.

A questao e' esta. A intencao e' boa. O regulamento e' bom, mas nao ha' contexto; nem criacao deste, nem do conhecimento que potencialmente geraria.

Se o meu ponto de vista for a Fotografia enquanto Arte e nao o papel do produtor dessa mesma Arte Fotografica, gostaria que premios como este ajudassem a determinar ou a cristalizar de alguma forma o que e' ser-se produtor de Imagem em Portugal.
Isto sim e' educar o Publico.
A manipulacao esta' muito bem, assim como estaria qualquer outra tecnica fotografica.
A montagem ou colagem ja' nao e' nenhuma novidade no meio das artes plasticas. O periodo Dada e' ate' bem conhecido pela divulgacao de trabalhos artistas usando essa tecnica.

Neste caso quando falo em falencia - e' mais por sentir que nao houve um esforco na Seleccao, nem tao pouco perceber como e' que se pode dar um rumo 'a producao de imagem no Pais.
A indefinicao e' tao grande, que nao da' para entender a mensagem do Juri de Seleccao.
E aqui nao julgo os trabalhos dos artistas. Eles sabem do que fazem, melhor do que ninguem e a critica desse trabalho cabe aos criticos de arte.
Mas em relacao ao premio, o publico espera que o vencedor seja alguem que de alguma forma vai marcar uma nova tendencia ou que e' alguem a seguir com atencao - uma referencia.
E ai ja' nao posso concordar com o Joao. E perceba-me... nao tem nada a haver com o trabalho do Miguel Soares, mas dado que a tecnica que usa nao e' nova (lembre-se dos Dada) e que hoje em dia muitas pessoas a usam... o mesmo poderia falar dos trabalhos dos outros seleccionados.
Nao vejo como 'e que esta edicao do premio enriqueceu a fotografia ou a producao de imagem em Portugal.
E acredite, nao e' nada contra os fotografos ou artistas que participaram nele.

E concordo, o Alexandre Pomar ja' fez uma analise do assunto. De qualquer forma nao acho que nao deva emitir a minha opiniao acerca desse mesmo assunto.

Susana Vinhais, Almada, PT disse...

Há por aqui muita gente apreciadora do foto-jornalismo que acha a arte contemporânea algo de pseudo intelectual.
Reparem nisto. As pessoas desde que nascem que vêm foto jornalismo diariamente. nem que seja num jornal desportivo. é um assunto discutido diariamente, nem que seja pelas imagens e noticias impressas em jornais. é por isso um assunto "compreendido" por uma grande parte da população. o foto jornalismo é familiar para todos.
Mas essas pessoas não querem entender a arte contemporanea, porque desde duchamp o conceito nao tem parado de evoluir. e dá trabalho ler livros. o conceito do foto jornalismo é algo estático e isso não tem nada de mal.
Eu adoro foto jornalismo e adoro arte contemporanea.
Se me parece normal que alguns artistas apareçam nos jornais quando são noticia,
Já não me parece tão normal que todos os foto jornalistas queiram expor em museus de arte contemporanea.
isso so se justifica em casos muito especificos, e nao me parece que isso deva ser motivo para odios,mas sim para admiraçao mutua.

joao s. caeiro, lisboa disse...

m0rph3u,
de facto parece-me imprescindivel que ambos os juris passem a emitir textos sobre as duas decisoes, nem que seja sob a forma de um parágrafo de cada jurado.
isso iria exclarecer bastante.

Quanto á segunda parte, não podemos exigir que os premiados tenham inventado uma nova técnica da noite para o dia.
aliás diga-me algum fotografo, seja de que pais for, que tenha inventado uma tecnica inovadora nos ultimos 10 ou 20 anos e ficarei surpreendido.

M0rph3u disse...

Continuo 'a espera da sua seleccao, Susana...

Em todo o caso ninguem aqui estava a defender "furiosamente" o foto-jornalismo.
Falou-se vagamente no assunto e ninguem foi assim tao emocional que merecesse a sua resposta.

Tambem ninguem disse que nao gostava de Arte Contemporanea.
Alias, no meu caso, adoro (ou amo mesmo) Arte Contemporanea, mas isso parece-me irrelevante para a discussao deste tema.

Por outro lado concordo consigo em relacao ao facto de haver uma constante interaccao com trabalhos de foto-jornalismo e que isso pode ser um factor que adormeca o olho e impressione o espirito relativamente a esse tipo de trabalhos.

Alias, a imagem e' sempre percepcionada e a "aprendizagem" do olho e' tambem parte importante no processo de criacao de Imagens.

Gostava que pudesse ter desenvolvido um pouco mais a questao da Arte Contemporanea em relacao 'a criacao de Imagem.
O Duschamp foi importante certamente, mas acabou por ser redescoberto bem mais tarde pelos conceptualistas e minimialistas, nos anos 60.
Talvez ai a situacao da Arte Contemporanea se tenha consolidado e libertado de certa forma do Modernismo.
Em todo o caso, o que refere nao e' uma dualidade entre o genero fotografico Foto-Jornalismo e Arte Contemporanea...
Se alguem decidir apropriar-se justamente de fotografias de Foto-Jornalismo e fazer um trabalho de arte contemporanea em que poderia eliminar ou acentuar certos aspectos da fotografia teria uma fusao de dois mundos.

Isso ate' poderia ser um trabalho interessante, em suporte fotografico (ou que se apropria dele) que poderia ser nomeado... porque nao?
Desde que o conceito fosse igualmente interessante e a intervencao na fotografia de alguma forma levantasse alguma questao importante para a Fotografia?
Isto seria uma evolucao, porque de alguma forma ha' uma questao ou uma identificacao de um problema e a sua apresentacao poderia gerar um debate ou a criacao de um "novo" estilo, ou uma abordagem fotografica com base no tema proposto.

La' esta' um bom exemplo de que a Fotografia e a Arte Contemporanea podem gerar um estilo fotografico ou uma practica fotografica interessante - Fotografia Contemporanea.

Nao estou contra isto, de forma alguma. So' me parece que as seleccoes do Premio foram um pouco desajustadas por nao entender de que forma contribuem para a practica fotografica nacional.
Falta o tal trabalho de contextualizacao, que devera' ser um pouco mais que um daqueles livros bonitos para ter na mesa da sala.

M0rph3u disse...

Joao, se lhe perguntasse se conhecia algum "produtor de imagem" que usasse apropriacao como parte do processo de criacao de imagem, que nomes me responderia?
Seja sincero.

Obrigado

João S. Caeiro, Lisboa disse...

m0rph3u,
quando me pergunta isso o primeiro nome que me vem á cabeça é obviamente warhol, que aliás responde á sua anterior questão, ja que ele tambem se apropria de imagens do fotojornalismo.
Depois de alguns nomes mais obscuros como Joseph Cornell (que nos anos 30 se apropriava de pelicula cinematografica), a arte pop, ou richard prince. a ligação dos dadaistas aparece-me menor porque eles apropriam-se mais de ilustração e gravuras do que de fotografia impressa. e quando a usavam era de amigos, e porque a dimensão remete mais para os "crafts". depois desses a lista é extensa. mas estes sao os primeiros que me saltam.

quando diz "espera que o vencedor seja alguem que de alguma forma vai marcar uma nova tendencia ou que e' alguem a seguir com atencao " isso parece-me Bes Revelação! :)

M0rph3u disse...

Bom... esperava que os nomes fossem portugueses, pois a questao aqui e' sobre um premio para criadores portugueses ou residentes em territorio portugues.
Contudo peco-lhe desculpa, pois tambem nao tinha especificado.
No entanto e no seguimento do seu raciocinio, penso que os artistas que mencionou tambem nao usaram impressoes dos originais dos quais se apropriaram.
Apropriaram sim de jornais e revistas - dai serem artistas considerados Pop (recorriam a materiais ou a meios considerados populares).
Andy Warhol usou bastante a "popular" (e agora moribunda) Polaroid e as cameras de 16mm para os seus trabalhos, mas isso e' uma apropriacao do meio.
Quanto ao resto dos trabalhos apropriou-se de marcas do conhecimento geral. O que tambem nao e' assim tao estranho, visto que este artista ganhava a vida como ilustrador de publicidade.
Joseph Cornell, sinceramente nao conheco, mas ja' vou procurar - obrigado pela referencia.
Quanto a Richard Prince e' conhecido o seu trabalho em que se apropriou de imagens de campanhas publicitarias da Marlboro (tive recentemente a oportunidade de as ver, ate'...).
Dai nao entendo que os Dadaistas sejam menores. Se atender ao "processo" artistico, vai encontrar semelhancas e talvez o trabalho desses artistas que mencionou apareceu na sequencia do trabalho comecado pelos Dadaistas... ou nao tera' sido?
Considerar este periodo como menor (e que ate' 'a um par de anos recebeu um grande destaque e uma mega producao do MoMA) e' um bocadinho rejeitar a importancia da Historia da Arte como area academica das Belas-Artes.
Tem nocao disso, nao tem?

O que quis dizer com a nova tendencia e' mais o ser reconhecidamente alguem que enriqueceu a Imagem (porque nao faz sentido falar de fotografia) criada em Portugal com um caminho ou um trabalho que tenha um destaque merecido.
Volto a afirmar que nao e' o trabalho dos artistas que ponho em causa, mas sim os criterios de seleccao.
Por outro lado, talvez o Jose' Jupiter tenha razao e a principal razao da "falencia" do premio se deva 'a abundancia de produtores de Imagem que se enquadrem dentro do regulamento do mesmo premio.
E talvez isto nos faca pensar nas palavras do Mario Nogueira - ha' mais fotografia (ou producao de imagem) do que a que o Juri de Seleccao quis fazer crer.
A questao e' que o Juri selecciona dentro do material disponivel e talvez esse nao tenha sido escasso.
O que leva a crer que o o Juri selecciona em cima do filtro da seleccao dos comerciantes de arte.
Dai que tenha dito que o premio de alguma forma tambem ajuda a promover esses comerciantes de arte, dos quais os seleccionados fazem parte ou colaboram.
Nao me parece que seja um juizo errado de todo... talvez apenas especulativo.
Por outro lado, este facto demonstra que o mercado de arte em Portugal e' pequeno e nao oferece condicoes para que exista maior producao.
Isso tambem pode ser validado no esforco que algumas galerias ( e nao sao 30, mas umas 10, quando muito) tem feito em promover-se fora do Pais - uma forma encontrada por conseguir colmatar as difuculdades do (amadurecido e escasso) mercado de arte portugues.

Relativamente 'a questao que me colocou anteriormente em relacao 'a "tecnica nova".
Posso-lhe falar da miniaturizacao - uma tecnica de desfoque selectivo e de base digital amplamente usada por utilizadores de redes virtuais (como o Flickr) e que consiste na producao de imagens em que o efeito final e' semelhante a uma miniatura (da fotografia original).
Este tipo de "processo" e' como lhe disse usado por muita gente - em especial devido ao facto de ser facil de realizar em Photoshop (usando uma fotografia tirada de um ponto mais alto e recorrendo ao filtro "lens blur" usando mascaras selectivas; e mais uns ajustes com o "blur"); contudo existe um artista-fotografo que tem o seu trabalho reconhecido e legitimado com esta tecnica - o argentino Esteban Pastorino Diaz.
Nao sei se isto responde 'a sua pergunta... mas realmente nao tive tempo de procurar mais nenhuma e este parece-me uma resposta legitima, pois 'a 10 anos seria mais ou menos complicado realizar tal tarefa (nao digo impossivel, atencao).
Se for 'a Fnac ou a outra grande livraria e consultar o Vitamin Ph (Phaidon) tem la' este artista devidamente legitimado pela equipa de curadores que organizou esta edicao.
Nao sei se o artista referido foi o "criador" da tecnica, mas em todo o caso o seu trabalho e' justamente legitimado por a usar.
A forma (que conheco) "nao-digital" de simular esta tecnica nao cria exactamente o mesmo efeito e de qualquer forma a imagem teria de ser editada e pos-produzida; mas em todo o caso podera' consultar este produto: Lens Babies.

carlos pinho disse...

para que servem estes prémios? alguem me sabe dizer?

Anónimo disse...

Para ganhar 25 mil euros por exemplo...
Nada mau

M0rph3u disse...

Bem... para que serve um premio - qualquer premio?
O premio e' uma atribuicao de reconhecimento numa dada 'area - como nestes casos; ou entao como fruto de uma seleccao aleatoria ou de sorte.

Neste caso especifico trata-se da primeira situacao.
Existe um regulamento; uma estrutura de juris com a finalidade de cumprir esse regulamento e uma "populacao" de individuos que, encontrando-se nas condicoes do regulamento esta' sujeita a ser seleccionada.

O resultado do premio e' fruto de um processo dividido em varias fases: a fase de producao artistica; a aceitacao do projecto por parte do espaco onde o artista-fotografo propoe o seu projecto e, finalmente, a avaliacao do Juri de Seleccao e eventual seleccao desse projecto (ou nao).
Caso o artista-fotografo tenha sido seleccionado pelo seu projecto exposto dentro do prazo em que a equipa composta pelo juri de seleccao entao tera' a oportunidade de realizar um novo trabalho que sera' entao apreciado pelo Juri de Premiacao.
Daqui saira' um vencedor.

O vencedor e' reconhecido pelo seu projecto; a galeria 'a qual pertence tem mais uma razao que legitima a venda dos seus trabalhos; os elementos do Juri dao por findado o seu trabalho; a entidade que patrocina o evento ve a sua posicao consolidade no sentido de criacao da sua propria imagem como impulsionadora da producao da Imagem em Portugal (um gasto de marketing institucional que cria "awareness" da instituicao como Mecenas da Fotografia - e que para alem disso tem alguns beneficions fiscais, como os propostos pelo Decreto-Lei N.º 74/99,de 16 de Março publicado em DR n.º 63 - I série A, vulgo Lei do Mecenato Cultural).

O premio justifica-se e e' uma mais-valia, ou seria, caso todos os agentes envolvidos tivessem criado isso mesmo... uma "mais-valia".
Em relacao 'a justificacao da existencia do premio; justifica-se porque nao existe nada do genero em Portugal e sera' necessario apoiar a criacao artistica com o seu devido reconhecimento.
Reconheco, porem, que existe uma dificuldade em cumprir as intencoes especificadas no regulamento do mesmo, em virtude dos outros agentes nao estarem a corresponder 'as expectativas do mesmo premio.
Talvez as expectativas sejam demasiadamente altas e em lugar do premio se devesse apostar noutro tipo de solucoes que trouxessem igualmente reconhecimento 'a instituicao BES como Mecenas e que ajudasse a desenvolver o meio.
A educacao ou apoio 'a educacao, a criacao de espacos para exposicao, o apoio 'a producao de exposicoes de criadores de imagem nacionais ou estrangeiros que sejam referencias e a criacao de documentacao que realmente enriqueca o meio parecem-me decisoes acertadas e que num futuro proximo poderiam promover a practica da criacao de Imagem e criar assim massa-critica para que acontecesse um premio desde genero.
Caso contrario, todos os anos haverao estas ou outras "desilusoes".
Por outro lado, e' bom entender que este nao e' o unico premio de Imagem - o outro e' igualmente patrocinado pelo BES e destina-se a autores mais novos (vulgo "artistas emergentes"); mas mais uma vez aqui e isso parece um assunto ja' esquecido, nem todos os nomeados usaram imagens em suporte fotografico. Este premio e' mais um caso de um premio atribuido a um Mecenas da Fotografia, mas com uma orientacao para as Artes Visuais.
Claramente esta' no regulamento que o premio nao e' de fotografia, nem sequer menciona que os projectos submetidos sao, ou devem ser, em suporte fotografico.
O premio tem um limite de idade (ate' 30 anos) e e' um apoio 'a producao dos projectos propostos e que foram seleccionados por um corpo de juri.
Mais uma vez nesta situacao se denota um pouco a ambiguidade do que e' ser um Mecenas da Fotografia.
Nao digo com isto que o premio nao faca sentido - faz todo o sentido, mas dentro do contexto certo.
Na ultima edicao do premio, apenas um dos candidatos apresentou realmente fotografias, os restantes apresentaram trabalhos conceptuais e dentro de uma orientacao puramente conceptual - um trabalho em video (ok... sao imagens em movimento) e o outro podera' ser considerado um trabalho documental em que a fotografia e' usada enquanto meio de registo (que capta as fases de uma batata que vai apodrecendo ao longo do tempo - isto dito de forma rapida e que podera' ser considerada "redutora"; caso contrario a peca evoca a questao da temporalidade e da impermanencia que segue a tradicao da Arte Conceptual).

joao s. caeiro, lisboa disse...

m0rph3u:
miniaturização, como lhe chama é possivel fazer desde que existe fotografia. e é extremamente facil de fazer com um ampliador de há 100 anos.
basta ampliar a imagem, recortá-la nas várias áreas a que queremos dar diferentes desfoques, e voltar a ampliar a imagem usando esses recortes como máscaras (até podemos pintar os recortes de preto para nao haver reflexos indesejados), protegendo o resto do papel,
fazendo uma exposição faseada em que cada zona tem uma focagem (ou desfocagem diferentes), é mesmo muito simples de fazer. e basta jogar um pouco com a altitude a que pomos as mascaras em relação ao papel, e com o ligeiro movimento que damos ás ditas máscaras ou recortes para obter um resultado "pro".
Claro que também se pode usar uma câmara de lentes descentráveis do tipo Linhof, que já existem há quase um século.
E também se pode usar com uma simples caixa de sapatos (pinhole) curvando as zonas do papel que queremos desfocar.

Anónimo disse...

carlos pinho, porquê essa pergunta sonsa? você nem parece uma criança de 10 anos. até já sabe fazer blogues.
E o morphas ainda se dá ao trabalho...
mas se calhar tem mesmo 10 anos...

M0rph3u disse...

Tudo bem, Joao. Mas quando comparo o processo que me descreve com os cerca de 5 minutos em que o faco no Photoshop dou valor 'as evolucoes tecnicas que culminaram na Imagem Digital...
Talvez desde que nao existam processos opticos novos a considerar, nao existem novas tecnicas.
Ate' 'a uns anos as novidades seriam mais nos processos de revelacao ou ampliacao... mas agora tudo e' virtualmente possivel de ser realizado... realmente.
O facto da tecnica ser "nova" e' mais fruto do que sao as practicas ou tecnicas correntes.
A fotografia chegou a um ponto em que nao basta ser um registo do momento - passou a ser uma ideia, um conceito.
E isso e' verificado desde Gordon Matta-Clark (e os Cibachromes das suas intervencoes); Robert Smithson (e o registo das suas obras - sendo a mais conhecida "Spiral Jetty"; ate' Vik Muniz em que composicoes visuais criadas a partir de materiais invulgares sao registados tambem em fotografia.
Claro que usando uma maquina de grande formato com fole ou corpo variavel em parte faz tambem o efeito; mas vamos a ser honestos...
Quanto e' que custa uma maquina desse tipo? Qual o custo de impressao de revelacao de uma chapa?
O computador e' uma solucao muito mais limpa e acaba por ser mais barata por funcionalmente servir parar realizar variadas tarefas.
E' concerteza uma ferramenta importante para a criacao de Imagem, nos tempos que correm.

Mas isto e' uma questao puramente tecnica.
A outra questao e da qual nao me queria afastar e' a da Linguagem Fotografica. E' diferente de andarmos a falar da habilidade de cada um, ou mesmo do conceito que o projecto criado.
Nao falo da Linguagem do Artista. Falo... de Semiotica, de Barthes e ate' de Deleuze (porque nao) que muito contribuiram para que a Fotografia (ou imagens em movimento) fosse uma Arte e que cimentou uma serie de questoes que me parecem relavantes para a Fotografia enquanto Arte.
Era a isto que me referia, Joao.

carlos pinho disse...

caro anónimo as crianças fazem as perguntas mais interessantes. respondendo agora ao M0rph3u. A mais valia é um conceito marxista que significa a parte não paga do salário. Mas não é a única razão pela qual não tenho essa consideração pelo prémio.

M0rph3u disse...

Caro Carlos, apesar das suas consideracoes sobre o significado do conceito de "mais-valia" e' no mercado do capital que tem encontrado o seu significado.

O que me diz ate' causa um certo desconforto, pois pensei que vivia num mundo capitalista.
Tem a certeza do que esta' a dizer?

O que me diz em relacao 'a producao de valor (inclusive, porque e' que existe um imposto que a todos causa alguma despesa e que tem o nome de Imposto sobre o Valor Acrescentado), numa perspectiva de uma economia de mercado?
Sera' que a economia Marxista (planificada) tem realmente como finalidade a producao de valor?
Nao estara' o Carlos a confundir alguma coisa?
Realmente nunca li o Capital, mas na minha ingenuidade e observacao dos factos parece-me que o que disse e' um pouco absurdo.

E mantenho que o premio e' justificavel - apenas sera' necessario que se criem condicoes para que ele nao deixe de ter sentido.
Entretanto apos esta (longa) discussao tenho reflectido e cheguei 'a conclusao que provavelmente eu tenha uma visao algo "poetica" do que deveria ser a finalidade deste premio.
E' tudo uma questao de expectativas.
Talvez o premio seja so' isto: promocao de uma entidade e manutencao do que existe, sem ter qualquer finalidade de acrescento de valor ou criacao de um discurso com vista a melhorar a Fotografia enquanto Arte.

E' apenas um evento anual,unico (e portanto legitimador, devido ao caracter da sua restritividade no acesso - que cria 'a sua volta uma certa ideia "Benjaminiana" de "aura"), e que com o tempo acabara' dormente (e poderei ate' mesmo dizer aborrecida) e que aos olhos do publico deixara' de ter qualquer significado, ou mesmo importancia.
Passara' a fazer parte de um universo em que os seus unicos interessados sao e dita entidade patrocinadora e as outras partes envolvidas - sejam os artistas seleccionados, as suas galerias (e claro, familiares, amigos e simpatizantes).
Mas claro, tudo isto que digo e' puramente especulativo.

carlos pinho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
carlos pinho disse...

caro M0rph3u, desculpe mas tenho a certeza. Não sendo necessário ler o capital, uma breve consulta à wikipédia, reza assim: "Mais-valia é o nome dado por Karl Marx à diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, que seria a base da exploração no sistema capitalista."
mas não fique agora a pensar que eu sou um especialista economia, limito-me a ter cuidado com os conceitos.
De qualquer forma, mas não me parece oportuno discutir agora o marxismo. o que não significa que não se possa discutir política. penso até que faz todo o sentido. Ainda para mais, tendo em conta que esta discussão se gera no âmbito de prémio que tem muito mais de político do que de poético, como aliás, acabou de reconhecer.
Daí essa pergunta aparentemente infantil:"para quê serve o prémio?
" questão à qual poderíamos sempre
acrescentar:"a quem serve o prémio"?

J. Pedro Reis, Queluz disse...

Carlos Pinho,
hoje em dia não vale a pena ter certeza sobre muitas coisas.
O conceito de mais-valia alargou-se
nos últimos 100 anos.
Significando hoje também: "Aumento de valor adquirido por uma mercadoria ou por um bem patrimonial por influência de factores/fatores estranhos ao proprietário."
como pode consultar no site "Ciberdúvidas da Lingua Portuguesa". é também usado na giria do futebol como pode ver no mesmo site. Portanto MAIS VALIA estar calado.
Voltem por favor a debater fotografia.

 
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