02 junho, 2006

Palmas

Esta vista de Lisboa atribuída a Francesco Rocchini foi uma das surpresas do leilão (Martim Ramos/PÚBLICO)


Acabou com palmas o leilão de ontem, o primeiro exclusivamente dedicado à fotografia em Portugal. A venda foi animada com vários lotes a provocarem aceso despique na sala. Ficou provado que a imagem fotográfica tem um mercado em Portugal. A Potássio 4 já anunciou o próximo leilão para Outubro. Parece claro que há aspectos a melhorar.

Os mais disputados:

Daguerreótipos (lote 1)
O primeiro é sempre o primeiro. O estado de conservação dos dois daguerreótipos não era muito famoso, mas o lote 1 acabou por resultar numa disputa interessante. Começou nos 100 euros e acabou nos 280.

Álbum presidencial (lote 30)
Era apontado como um dos grandes protagonistas da noite e acabou por se confirmar como tal. As imagens de Salazar e outras figuras do Estado Novo representadas nesta Visita de S. Ex.ª Presidente da República Óscar Carmona a São Tomé e Príncipe e Lourenço Marques, (1939), merecem ser estudadas, estejam onde estiverem. Começou nos 1000 euros e acabou nos 2600.

Álbum de retratos (lote 44)
Foi a primeira grande surpresa. O álbum tem 88 retratos fotográficos de figuras portuguesas aplicados sobre caricaturas desenhadas. Começou nos 200 e acabou nos 1400.

Campo Pequeno (lote 59)
Outra disputa interessante para um conjunto de duas imagens do interior e exterior do Campo Pequno. Será que foi o efeito actualidade? Começou nos 100 euros e acabou nos 520.

Francesco Rocchini (lote 65)
É curioso que a imagem que é atribuída ao fotógrafo italiano (vista de Lisboa tomada do Castelo de S. Jorge) subiu mais do que a que tem a chancela com o seu nome (Praça do Município). O Tejo com grandes barcos à vela e ainda muito longe de ser atravessado por uma ponte parece ser um exclusivo deste nome: Rocchini. Começou nos 25 euros e acabou nos 260.

Retrato de Salazar (lote 129)
Havia alguma expectativa em relação a esta fotografia, assinada pelo autor (San Payo). É um dos primeiros retratos oficiais do ditador logo depois de ter chegado ao poder. Começou nos 100 euros e acabou nos 520.

Vinhedos do Douro (lote 157)
O fotógrafo Alvão e o Douro confundem-se. Olhar para o Douro que foi, é ver o que Alvão nos deixou - montanha esculpida, vinhedo e o céu a rebentar. Seria um dos lotes que António Barreto decidiu vender? Começou nos 25 euros e acabou nos 540.

"Azeite e Azeitonas" (lote 234)
Foi outra das grandes surpresas da noite. O lote era constituído por duas imagens com um lógica de construção publicitária. Começou nos 50 euros e acabou nos 460.

Arpad Szenes e Viera da Silva (lote 243)
Era uma das grandes apostas da leiloeira que acabou por se confirmar. O retrato de olhares cruzados dos dois pintores é de pequena dimensão, mas chegou para mostrar o génio criativo que morava dentro de cada um deles. Começou nos 800 euros e acabou nos 1300.

Lisboa, Cidade Triste e Alegre, de Costa Martins e Victor Palla (lote 285)
É o Santo Graal dos livros de fotografia do século XX português. Obra de ousadia e modernidade. De estética e olhar fotográfico, por fim. Começou nos 400 euros e acabou nos 1100. Houve palmas.


As desilusões:

Carlos Relvas (lote 64)
O photographo amador da Golegã ficaria constrangido com a importância relativa que deram à sua vista ribatejana. O desinteresse que este lote suscitou já vai revelando algum grau de exigência dos compradores. Começou nos 600 e acabou nos 620.

Rafael Bordalo Pinheiro (lote 68)
Pelo que significa para o espírito de libertinagem e liberdade criativa, merecia muito mais. Era uma prova em muito bom estado de uma face que nos habituámos a conhecer bem. Começou nos 50 euros e acabou nos 160.

Joshua Benoliel (lote 137)
Era uma prova fraquinha. Parece que a sala percebeu bem isso. O Benoliel fotográfico era a antítese do que está nesta fotografia. Era gente, movimento, reportagem. Foi retirada de praça.

D. Amélia (lote 141)
A representação fotográfica monárquica foi só um meio sucesso. Algumas imagens de reis e rainhas ficaram pelo caminho, como uma prova de tamanho avantajado de D. Amélia que não suscitou qualquer reacção. Foi retirada de praça.

Caixa S. Tomé (lote 254)
As imagens coloniais costumam despertar interesse. Estes diapositivos de grande formato tinham boa qualidade e alguns deles eram fotografias de eleição. O lote acabou por não cumprir o protagonismo que lhe era dado. Começou nos 1500 e acabou nos 1600.

3 comentários:

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