25 novembro, 2013

vendem-se livros


© Aperture


Está aí à porta mais uma edição da feira do livro de fotografia na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa. A venda decorre nos dias 29 e 30 de Novembro e 1 de Dezembro e acolherá também edições de autor.
Em paralelo à feira, decorrerão conversas, apresentações de livros e revistas. Segundo a organização, o primeiro dia vai centrar-se no fotojornalismo e nas questões da publicação como fontes de transmissão da informação; o segundo dia estará ligado à auto-edição/livro de autor; e o terceiro dia será dedicado à distribuição e às livrarias especializadas. A entrada é gratuita em todas as iniciativas.

Participantes:
Alexandria Livros, Almedina, Assíria & Alvim, A Pequena Galeria, B-Shop Museu Berardo, Edições 70, Estação Imagem, Ghost, Kameraphoto, Livraria Braço de Prata, Lomography, Reuters Pictures, Stet, The Portfolio Project, Pierre von Kleist, Photo Book Corner, XYZ Books Lisbon

24 novembro, 2013

os melhores fotolivros

Os finalistas



Já são conhecidos os vencedores do Paris Photo–Aperture Foundation PhotoBook Awards que são organizados em duas categorias: First PhotoBook e PhotoBook of the Year. Nesta última categoria foi reconhecido A01 [COD.19.1.1.43] — A27 [S | COD.23], de Rosângela Rennó (edição de autor). O prémio para melhor primeiro fotolivro foi atribuído a KARMA, de Óscar Monzón (RVB Books/Dalpine). na categoria PhotoBook of the Year o júri decidiu ainda atribuir uma menção especial ao livro War/Photography: Images of Armed Conflict and Its Aftermath, de vários autores e concebido por Anne Wilkes Tucker e Will Michels e Natalie Zelt.

Em 2012, os prémios foram para Concresco, de David Galjaard, edição de autor (First PhotoBook) e City Diary, de Anders Petersen, Steidl (PhotoBook of the Year went to).
O livro de Rosângela Rennó já tinha vencido um prémio nos Encontros de Fotografia de Arles deste ano.

Todos os livros finalistas serão alvo de crítica e análise no jornal PhotoBook Review, a publicação bianual da Aperture especializada em fotolivros.

Os dez finalistas para PhotoBook of the Year:

Holy Bible
Fotógrafos: Adam Broomberg and Oliver Chanarin
Editor: MACK, London / Archive of Modern Conflict, London

New York Arbor
Fotógrafo: Mitch Epstein
Editor: Steidl, Göttingen, Germany

Iris Garden
Fotógrafo: William Gedney
Text: John Cage
Editor: Little Brown Mushroom, Minneapolis

The Black Photo Album / Look at Me: 1890–1950
Fotógrafo: Santu Mofokeng
Editor: Steidl / The Walther Collection, Göttingen / New York

Surrendered Myself to the Chair of Life
Fotógrafo: Jin Ohashi
Text: Nobuyoshi Araki
Editor: AKAAKA, Tokyo

A01 [COD.19.1.1.43] — A27 [S | COD.23]
Fotógrafo: Rosângela Rennó
Editor: RR Edições, Rio de Janeiro

Rasen Kaigan
Fotógrafo: Lieko Shiga
Editor: AKAAKA, Tokyo

Birds of the West Indies
Fotógrafo: Taryn Simon
Editor: Hatje Cantz, Ostfildern, Germany

The PIGS
Fotógrafo: Carlos Spottorno
Editor: Phree and Editorial RM, Madrid

War/Photography: Images of Armed Conflict and Its Aftermath
Fotógrafos: Various
Autores: Anne Wilkes Tucker and Will Michels, with Natalie Zelt
Editor: Museum of Fine Arts Houston / Yale University Press, New Haven

Os vinte finalistas para First PhotoBook:

World of Details
Fotógrafo: Viktoria Binschtok
Editor: Distanz, Berlin

A Period of Juvenile Prosperity
Fotógrafo: Mike Brodie
Editor: Twin Palms Editors, Santa Fe

Encouble—Paraître
Fotógrafo: Delphine Burtin
Editor: Edição de autor

Speaking of Scars
Fotógrafo: Teresa Eng
Editor: If / Then Books, London

Pools
Fotógrafo: Craig Fineman
Editor: Stussy / Dashwood Books, New York

The Canaries
Fotógrafo: Thilde Jensen
Editor: LENA Publications, Truxton, New York

Nine Nameless Mountains
Fotógrafo: Maanantai Collective
Editor: Kehrer Verlag, Heidelberg, Germany

Top Secret: Images from the Stasi Archives
Fotógrafo: Simon Menner
Editor: Hatje Cantz, Ostfildern, Germany

KARMA
Fotógrafo: Óscar Monzón
Editor: Dalpine, Madrid / RVB Books, Paris

Karczeby
Fotógrafo: Adam Pańczuk
Editor: Edição de autor

The Fourth Wall
Fotógrafo: Max Pinckers
Editor: Edição de autor

History of the Visit
Fotógrafo: Daniel Reuter
Editor: Edição de autor

Silvermine
Fotógrafo: Thomas Sauvin
Editor: Archive of Modern Conflict, London

Beautiful Pig
Fotógrafo: Ben Schonberger
Editor: Edição de autor

Grays the Mountain Sends
Fotógrafo: Bryan Schutmaat
Editor: Silas Finch Foundation, New York

Down These Mean Streets
Fotógrafo: Will Steacy
Editor: b. frank books, Zürich

Return to Sender
Fotógrafo: Sipke Visser
Editor: Edição de autor

Ad Infinitum
Fotógrafo: Kris Vervaeke
Editor: Edição de autor

Dalston Anatomy
Fotógrafo: Lorenzo Vitturi
Editor: Jibijana Books em associação com SPBH Editions, London and Milan

La Montagne Dorée
Fotógrafo: Myriam Ziehli

Editor: Edição de autor


À esquerda, KARMA,de Óscar Monzón; à direita, A01 [COD.19.1.1.43] — A27 [S | COD.23], de Rosângela Rennó

19 novembro, 2013

Archivo



A Archivo está à admitir portfólios para a edição de Inverno de 2013. Só até ao dia 20 de Novembro. O tema é private.


18 novembro, 2013

os corpos de Helena

© Helena Almeida

Os gestos tantas vezes repetidos
Luísa Soares de Oliveira (ípsilon, Público, 15.11.2013)

De Helena Almeida, uma das grandes artistas portuguesas, pensaria o visitante mais atento já conhecer bem a sua obra. Imaginaria, antes de visitar esta exposição, fotografias ou um filme onde a artista declinaria um trabalho sobre o lugar do corpo (que é o seu) no espaço do atelier, o movimento e a resistência, a representação e a apresentação, e mesmo a possibilidade de estabelecer relações de proximidade conceptual com a pintura e a poesia, como tem sido constante na sua obra. Mas não; Helena Almeida surpreende-nos com este Andar, Abraçar, a sua mais importante individual desde a retrospectiva de 2004, no CCB.

As peças nas salas de entrada, um filme e uma série de fotografias, concretizam a surpresa. Há nelas dois corpos unidos, um feminino e outro masculino, ora por um abraço, no primeiro caso, ora pelas pernas atadas que percorrem com esforço o espaço do atelier. Pontualmente, no filme, a artista baixa-se para apertar os nós que juntam a sua perna à do companheiro, firmando assim uma ligação que perdura interminavelmente no ecrã. Sabemos que esse companheiro é Artur Rosa, marido de Helena Almeida e autor das fotografias que materializam o seu trabalho desde os seus inícios. Noutras imagens, a artista volta a surgir isolada no plano da imagem. Assim acontece na série Seduzir e nas Telas Habitadas da década de 70, onde se veste de branco para se deixar parcialmente tapar, ou perfurar, uma tela branca. Seduzir não é o único verbo utilizado nesta mostra. O próprio título, Andar, Abraçar, constitui, nas palavras do curador, Delfim Sardo, dois actos “fundadores de humanidade”. Recordamos, a este propósito, os trabalhos de Leroi-Gourhan, por exemplo, que demonstraram inequivocamente que, sem a postura erecta – sem o andar sobre dois pés unicamente -, nunca o ser humano teria sido capaz de linguagem, de arte. Do mesmo modo, a relação com outrem, e sobretudo com um outrem que não é o reflexo de si, mas diferente de si, é também exclusivo do humano: o Aberto de Giorgio Agamben, por exemplo, não é mais do que esta possibilidade de se abrir ao desconhecido, de querer conhecer, de não se limitar nem se ensimesmar na imagem de si. Mas as peças de Helena Almeida não nos mostram os corpos idealizados de uma humanidade no seu apogeu. Pelo contrário; são corpos cansados, envelhecidos, em que os pés se arrastam num espaço que, através da gravidade, da tensão, do próprio atar sempre recomeçado dos nós que os ligam, em tudo joga contra eles. Como se o tempo que a acção dura e as próprias condições físicas da artista e do seu par tudo fizessem para negar esse fundamento do humano que Sardo refere.

Contudo, na obra de Helena Almeida, esse andar e abraçar implicam necessariamente a existência de um outro que se confunde com a própria imagem. As pernas unidas por cabos, os abraços de dois torsos negros que não conseguimos desligar visualmente um do outro, trazem em si a marca do tempo em que os gestos se repetiram, ainda que doutra forma, vezes sem fim. A partir de agora, e em todas as peças da exposição, a figura de Artur Rosa estará implícita – não apenas em Seduzir, onde uma mão da artista se baixa até ao nível dos pés, como nas imagens onde, de sapatos de salto alto, a mesma dobra uma perna e se faz fotografar de costas.

A exposição completa-se com peças mais antigas que esclarecem o percurso da artista. Já referimos Tela Habitada, onde o rosto parece querer perfurar uma tela muito fina montada numa grade. Ou ainda Estudo para Dois Espaços, onde dois dedos funcionam como elo de união entre uma superfície branca e outra negra, como mais um abraço entre o que é semelhante mas diferente, agora estritamente no plano da cor. Tela Habitada, por outro lado, marca uma separação: a da pintura, que é afinal a sua área de formação, e essa imagem do corpo que Helena Almeida apenas transmite através da fotografia. O título, como tantas vezes sucede na sua obra, surge como paradoxal, o que é decerto o modo de nos abrir, ainda mais, novos sentidos de leitura.

04 novembro, 2013

alô!

Cooking fish, Cooking of Spain and Portugal
© Time-Life Books

Está aí alguém?
(Revista 2, 20.10.2013)

Agora sim. Depois de um ano de troca de argumentos, os especialistas da NASA confirmaram na revista Science que a estóica sonda Voyager 1 está mesmo num espaço muito distante. Atravessou a fronteira da heliopausa e chegou ao "abismo do espaço interestelar", ou seja, a uns 19 mil milhões de quilómetros do Sol. Levado pelo entusiasmo de saber que um objecto fabricado pelo homem alcançou pela primeira vez tão medonha distância, andei a vasculhar os arquivos online da NASA e, para além de coisas interessantes acerca das missões da Voyager, descobri muitos GIF animados e páginas de fundo preto com letras de verde fluorescente, isto é, uma viagem aos confins intergalácticos da Net.

A Voyager 1, lançada em 1977 com a missão de observar o sistema solar exterior, deu muitas alegrias à ciência, à astronomia e à fotografia. Para além de nos ter dado a primeira panorâmica do nosso sistema solar, transportou para o espaço uma espécie de bilhete de identidade da humanidade em imagens (fotográficas e não só) para extraterrestres verem (se é que vêem). A ideia foi de Carl Sagan, astrobiólogo, astrónomo, astrofísico, cosmólogo, escritor... Convicto da existência de vida noutros lugares, o autor de Contacto convenceu a NASA a incluir registos de imagens fotográficas e som. A ideia era que pudessem servir como amostras de uma atitude pacífica e que fizessem uma apresentação daquilo que somos, que fossem os Murmúrios da Terra (como lhe chamou Sagan num livro de 1978). Uma equipa liderada por Timothy Ferris (colaborador da revista Rolling Stone) concebeu um disco de ouro (o famoso The Golden Record), com registos de sons da Terra, excertos de músicas (Chuck Berry incluído) e 115 imagens (electronicamente gravadas). A NASA aprovou a ideia. A escolha do "melhor da Terra" demorou dez meses. Talvez por causa da instabilidade significante da fotografia (que é capaz de mudar de sentido por efeito da variação dos contextos) e algum moralismo à mistura. A agência vetou uma imagem que mostrava um homem e uma mulher grávida, nus, de mãos dadas e que até estavam numa pose "pouco erótica".

A equipa que escolheu as fotografias explicou que o critério não era estético. A preocupação principal era seleccionar imagens que fossem ricas em informação e capazes de a transmitir de forma clara. Não se sabe se este objectivo foi inteiramente alcançado, porque (ainda) não recebemos resposta dos destinatários. Mas, ao olharmos para o peixe grelhado (douradas?) da fotografia Cooking fish, Cooking of Spain and Portugal que viajou a bordo da Voyager 1, de uma coisa podemos ter a certeza: se decidirem aterrar na Península Ibérica, os alienígenas não ficarão mal servidos.

colecção Amieira - o arranque

Luíz Carvalho, Ao Correr do Tempo


Podia ser só para contrariar. Para tentar fazer o contraponto da letargia, da inépcia, do esquecimento... A colecção de livros de fotografia que o empresário e ex-jornalista Manuel Falcão acaba de lançar podia encontrar razão de ser apenas nesse exercício de remar contra a maré. E isso já seria um "grande desafio" perante a inexistência de uma tradição assertiva de edição de livros de fotografia e de fotolivros de que Portugal padece desde sempre. Falcão, que começou a trabalhar em jornais como repórter fotográfico (foi fundador do Blitz e de O Independente, trabalhou no Expresso, no Se7e e na Visão), quer abraçar esse desafio com a colecção Amieira. Mas quer um pouco mais. Quer "tornar acessíveis e fáceis de manusear" os livros de fotografia de qualidade, quer dar corpo a uma série "coerente graficamente". E, sobretudo, conquistar novos leitores para o suporte impresso, em livro, já que os jornais e as revistas portuguesas deixaram de privilegiar a grande reportagem ou o ensaio fotográfico.


O espectro de géneros que a colecção Amiera (localidade do Alto Alentejo, terra natal de Manuel Falcão) pretende abarcar é muito diversificado (moda, publicidade, ensaio...) e tanto pode incluir trabalhos inéditos como olhares sobre uma obra de décadas, como é o caso do livro de estreia, Ao Correr do Tempo, que percorre o trabalho de Luiz Carvalho, antigo fotojornalista do semanário Expresso. Ao longo de 64 páginas, revela-se o olhar de um repórter que insistiu "sempre" em conciliar "uma visão pessoal com a de jornalista". O objectivo da colecção (cada volume custará 17 euros) passa por publicar entre quatro a seis livros por ano. No final de 2014, será feito um balanço, momento em que Manuel Falcão decidirá se vale a pena continuar ou não. O próximo volume dará a ver um trabalho inédito que Clara Azevedo (outra antigo colaboradora do Expresso, entre várias outras publicações) tem desenvolvido em Cuba ao longo dos últimos anos. Mostrará fotografia de rua e terá um cunho ensaístico.



Luíz Carvalho, Ao Correr do Tempo

luísa cunha


© Luísa Cunha


Horizonte e Limite
(Nuno Crespo, ípsilon, 01.11.2013)

Estar na paisagem sempre foi uma experiência que pôs em movimento muitos processos criativos, não só por motivos estéticos, mas também pela "potência artística" da experiência de imersão numa qualquer geografia natural ou urbana. São conhecidos os passeios românticos, o Wandern, as deambulações modernas e o modo como foram para muitas gerações de artistas verdadeiros modelos de prática artística. As duas experiências partilham uma mesma característica, que é a da fusão com o objecto da visão: ser um todo com o que se observa, partilhar as suas perplexidades, ser indissociável do que se vê. Só que no caso dos românticos essa experiência dirige-se à transcendência e, por isso, à sua própria superação, e ao invisível expresso na paisagem visível mas para lá do visível, enquanto no caso dos modernos (pense-se no pintor moderno de Baudelaire ou no Malte Laudris Brigge de Rilke) é nas próprias coisas que se quer permanecer: bem no centro de cada coisa, na sua interioridade.

A nova série de fotografias de Luísa Cunha é um caso notável deste encontro. A artista junta os aspectos mais decisivos daquelas duas modalidades de perder-se no exterior e consegue construir uma obra em que a paisagem é mais uma suposição do que uma existência real. Já em obras anteriores tinha explorado a acção de andar pela cidade como forma de conhecer um território e de medir o tempo, mas também lidado com a paisagem natural. Aliás, está no centro do trabalho desta artista, conhecida por usar o som e a palavra dita ou escrita, um modo particular de perceber o espaço e de nele encontrar uma posição para o seu corpo.

Nesta nova série de fotografias não há propriamente cidade ou natureza, mas há um permanente deslocamento de toda a representação em direcção a uma espécie de abstracção do corpo que percorre a paisagem e a um apagamento dos elementos visuais que ocupam o horizonte. Por isso, nestes trabalhos, o confronto principal é com o cinzento e com a ausência de elementos pictóricos que possibilitem organizar a imagem e construir o horizonte. São fotografias que podem, com rigor, ser descritas como abstractas e monocromáticas, sem com isso anular as múltiplas tensões que as percorrem, sobretudo por a sua visualidade residir na relação imediata que estabelecem com a acção que lhes deu origem. Ou seja, são obras que apresentam e expressam o seu próprio processo. E este processo é o gesto de olhar em volta, voltando-se sobre si próprio com os olhos fixos no céu, na tentativa de desenhar o horizonte. Tarefa dificultada por se tratar de um conjunto de imagens feitas na ilha da Madeira e, por isso, onde o horizonte, de tão vasto, deixa de significar uma relação com a infinitude, a lonjura e o indeterminado, para passar a significar uma relação com o fechamento, a clausura, a claustrofobia. Sendo uma experiência física de confronto com o mar, o céu e o momento em que estes se fundem, não há aqui mais mar e céu, mas uma única coisa que se fecha sobre quem a vê e o encerra numa espécie de exílio terrestre. Um jogo entre a experiência do horizonte e a sua ausência, transformada em clausura, que as imagens da artista tomam como sendo a sua vocação. Trata-se de apontar a câmara para o horizonte e procurar o ponto ínfimo em que a terra, o mar e o céu se tocam e perceber fundamentalmente a ausência de elementos de orientação e de condução da atenção, experimentando com toda a intensidade a falência da visão e a dissipação da atenção: por mais que se olhe, não há onde pousar a visão.

Claramente, estes trabalhos fazem parte do vocabulário característico de Luísa Cunha, não só por a fotografia não ser uma ferramenta estranha a esse corpo de trabalho, mas porque, à semelhança de muitas das suas obras, a sua tentativa é a da descrição rigorosa, paciente, atenta do que a rodeia e do modo como o seu corpo mede a exterioridade, o espaço, as coisas. E, por isso, há uma espécie de cinematografia inerente à experiência destas obras e que é revelada não só pela circularidade das imagens, mas pela sua colocação na galeria à altura dos olhos, como que a construir um panorama ou, se se preferir, uma visão sinóptica da relação entre o limite e o ilimitado do horizonte.



Ongoing Landscapes, de Luísa Cunha
Galeria Miguel Nabinho. Lisboa. Rua Tenente Ferreira Durão, 18B.
Tel.: 213830834. 3ª a Sáb. das 14h às 20h.
Até 31/12


© Luísa Cunha

 
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