31 julho, 2010

INiepce


© 2010 AAnonymes Project



A curadora Romaric Tisserand andou cinco anos a juntar fotografias antigas. Cinco anos em busca do "acidente deliberado" em imagens perdidas em mercados de velharias, lojas de velharias e bric-a-brac de Buenos Aires, Madrid, Berlim, Paris, Londres, Roma, Havana, Nova Iorque e Lisboa. O resultado dessa procura é o projecto online e a exposição INiepce que junta 365 fotografias vernaculares que para Tisserand possuem um valor estético particular e ajudam a contar uma história da fotografia paralela aos cânones. E não só: ajudam a salvar e a valorizar o património fotográfico que fica fora das assinaturas de nomeada, dos selos de qualidade e das tiragens limitadas.
Romaric Tisserand explica o seu prazer com a fotografia vernacular aqui.
Projecto INiepce

30 julho, 2010

entre aspas

© Jean-Baptiste Mondino


E quando chegámos aqui ao Femina foi a primeira pessoa em que pensei. Na altura, primeiro desenvolvemos a ideia os dois e depois a agência dele entrou em contacto com o management para acertarem o preço das fotos que era um T0 em Lisboa e enviei-lhe um e-mail a dizer que ficávamos amigos à mesma mas que não tínhamos hipótese nenhuma de fazer isso e que ia procurar outra solução, não ia usar essa ideia. e ele, mais uma vez disse: 'Ok. Não, essa ideia tem que andar para a frente, tem que se fazer assim. Desde que se assumam as despesas do estúdio o resto não é mais nada'. E mais uma vez foi ele a fotografar-me. É incrível.

Paulo Furtado aka Legendary Tiger Man, in Playboy

saldos Aperture

© Sylvia Plachy

A Aperture está em saldos de Verão: 30 por cento nos livros e 15 nas fotografias. aqui

26 julho, 2010

O Boxe


A Cinemateca termina o ciclo O Boxe com o documentário Muhammad Ali, The Greatest (França, 1974, 120 min), do mestre William Klein.
A projecção está agendada para amanhã, dia 27, 21h30, na sala Félix Ribeiro, e é uma estreia na Cinemateca Portuguesa.

25 julho, 2010

Gerardo Mosquera





O cubano Gerardo Mosquera é o novo comissário-geral do festival PHotoEspaña para o triénio 2011-13. Crítico, comissário e historiador de arte independente, a viver em Havana, Mosquera faz parte do conselho editorial de várias revistas de arte internacionais é assessor da Academia de Belas-Artes holandesa, fundou a Bienal de Havana e foi curador do New Museum of Contemporary Art, de Nova Iorque. É autor de centenas de ensaios, artigos e comentários em publicações de vários países.

Gerardo Mosquera: Vivimos en la era de la imagen técnica, y la fotografía y el video ya forman parte de nuestra vida cotidiana. Se ha convertido en algo dominante. Dentro de lo que llamamos arte, se ha consolidado como una manifestación propia, al mismo nivel que el resto, y a la vez tiene una presencia crucial dentro de formas artísticas híbridas. También como documentación de performances, intervenciones, etc., donde la fotografía es a menudo “lo que queda” de la acción y lo que se vende.

O PHotoEspaña 2011 decorre entre 1 de Junho e 24 de Julho. Alguns números sobre a edição deste ano que oficialmente termina hoje (há exposições que se estendem até meados de Agosto):
>As 69 exposições já receberam até agora 708 mil pessoas, mais cerca de 15 visitantes que a edição do ano passado.

>O programa de actividades registou o maior número de participantes de sempre, com mais de 7000 pessoas inscritas em oficinas de fotografia, master classes, visitas guiadas, oficinas infantis, conferências e mesas redondas.

>O programa Descubrimientos PHE recebeu mais de 1851 portfólios de fotógrafos de 76 nacionalidades. Pela primeira vez, as candidaturas estrangeiras superaram as espanholas.

>O festival acreditou 977 jornalistas de 35 países.

Entrevista a Gerardo Mosquera publicada na A*DESK

09 julho, 2010

Heavy Storm



(...)
I wish I could hold on a little longer
Still my worried stomach and calm my hunger
I wish I could believe what they taught me

I saw, I saw, I saw, I saw an old photograph
And the picture that appeared, well it took me back to the time
When she was around

She used to play that old mandolin
And the moon and the sea invited her in
I wish that I had told her by then
But she knew deep down that she only wished that time would come back

(...)

Heavy Storm, Klara & Johanna Söderberg (First Aid Kit), The Big Black and The Blue

Europa




Europa é o novo livro do fotógrafo francês Bernard Plossu, andarilho inveterado. A editora espanhola La Fábrica Editorial apresenta a obra como uma selecção de fotografias "cheias de melancolia" e onde são também protagonistas a "penumbra" e a "nostalgia". A panorâmica que Plossu tirou do continente vai desde cidades como Berlim, Madrid e Lisboa a paragens perdidas no mapa.

08 julho, 2010

Pré-Rafaelitas


John Robert Parsons, sob a orientação de Dante Gabriel Rossetti, Jane Morris, 1865
Manuscripts Division, Department of Rare Books and Special Collections, Princeton University Library
© Princeton University Library


O Musée d'Orsay mostra uma boa selecção de fotógrafos que seguiram a estética pré-rafaelita da Inglaterra da segunda metade do século XIX, apogeu da época vitoriana. John Ruskin, principal ideólogo da Irmandade Pré-Rafaelita, defendia um regresso à natureza, ao modo artesal de fazer contra a velocidade e uniformização industrializada, potencial destruidura das "altas qualidades morais" que julgava presentes na arte medieval, algures entre a passagem do gótico para o Renascimento.
Entre pintores e fotógrafos victorianos são comuns os temas históricos retirados de obras de Dante, Shakespeare, Byron ou Lord Tennyson. A mostra estabelece um diálogo entre os quadros de John Everett Millais, Dante Gabriel Rossetti, Ford Maddox Brown e as fotografias de Julia Margaret Cameron, Roger Fenton, Lewis Carroll e Henry Peach Robinson.
Mais informações aqui

04 julho, 2010

Nozolino recusa Prémio AICA/MC


Paulo Nozolino
© Paulo Pimenta/PÚBLICO



Paulo Nozolino recusou o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura (AICA/MC) 2009 em protesto pelo “comportamento obsceno e de má-fé” na actuação do Estado na Cultura.
Nozolino só ficou a saber as condições em que viria a receber o galardão um dia depois da cerimónia de entrega, que decorreu na última terça-feira, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa.
Em declarações ao Público, disse ter aceitado o prémio “por delicadeza” e revelou que tentou informar-se, sem sucesso, sobre as condições em que o valor lhe seria atribuído. Os serviços administrativos do MC comunicaram-lhe então que sobre o valor dos 10 mil euros de prémio, ser-lhe-iam retirados 10 por cento de IRS. Ainda segundo o Público, na mesma mensagem dos serviços administrativos da Direcção-Geral das Artes, era-lhe ainda pedido que preenchesse uma nota de honorários e exigido que apresentasse certidões da situação contributiva, para a Segurança Social, e tributária, junto das Finanças. Perante esta situação, o fotógrafo decidiu recusar o prémio pelo que considerou ser “um comportamento de má-fé do Estado português”.

O comunicado de Paulo Nozolino na íntegra:

Recuso na sua totalidade o Prémio AICA/MC 2009 em repúdio pelo comportamento obsceno e de má fé que caracteriza a actuação do Estado português na efectiva atribuição do valor monetário do mesmo. O Estado, representado na figura do Ministério da Cultura (DGARTES), em vez de premiar um artista reconhecido por um júri idóneo pune-o! Ao abrigo de “um parecer” obscuro do Ministério das Finanças, todos os prémios de teor literário, artístico e científico não sujeitos a concurso são taxados em 10% em sede de IRS, ao contrário do que acontece com todos os prémios do mesmo cariz abertos a candidaturas.

A saber: Quem concorre para ganhar um prémio está isento de impostos pelo Código de IRS. Quem, sem pedir, é premiado tem que dividir o seu valor com o Estado!

Na cerimónia de atribuição do Prémio foi-me entregue um envelope não com o esperado cheque de dez mil euros, como anunciado publicamente, mas sim com uma promessa de transferência bancária dessa mesma soma, assinada por Jorge Barreto Xavier, Director Geral das Artes. No dia seguinte, depois do espectáculo, das luzes e do social, recebo um e-mail exigindo-me que fornecesse, para que essa transferência fosse efectuada, certidões actualizadas da minha situação contributiva e tributária, bem como o preenchimento de uma nota de honorários, onde me aplicam a mencionada taxa de 10%, cuja existência é justificada pelo Director Geral das Artes como decorrendo de um pedido efectuado por aquela entidade à Direcção-Geral dos Impostos para emitir “um parecer no sentido de que, regra geral, o valor destes prémios fosse sujeito a IRS”.

Tomo o pedido de apresentação das certidões como uma acusação da parte do Estado de que não tenho a minha situação fiscal em dia e considero esse pedido uma atitude de má fé. A nota de honorários implica que prestei serviços à DGARTES. Não é verdade. Nunca poderia assinar tal documento.

Se tivesse sido informado do presente envenenado em que tudo isto consiste não teria aceite passar por esta charada.

Nunca, em todos os prémios que recebi, privados ou públicos, no país ou no estrangeiro, senti esta desconfiança e mesquinhez. É a primeira vez que sinto a burocracia e a avidez da parte de quem pretende premiar Arte. Não vou permitir ser aproveitado por um Ministério da Cultura ao qual nunca pedi nada. Recuso a penhora do meu nome e obra com estas perversas condições. Devolvo o diploma à AICA, rejeito o dinheiro do Estado e exijo não constar do historial deste prémio.

Paulo Nozolino, 1 de Julho de 2010

=ColecçãoàVista= 57

Júlia Margaret Cameron (1815-1879), Alethea (Study of Alice Liddell), 1872
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia




Julia Margaret Cameron

Nasceu em Calcutá, viveu na Índia e foi para Inglaterra. A sua casa estava constantemente repleta de artistas e cientistas da época vitoriana. Foi “apresentada à fotografia” aos 48 anos através de uma câmara que recebeu de presente e a partir desse momento dedicou-se, principalmente, ao retrato. Os seus modelos preferidos eram a família, amigos e empregados.
Produziu fortes inovações visuais: grandes aproximações, desfocagens resultantes de lentes mal corrigidas e, sobretudo, um método de impressão no qual era colocado um vidro entre o negativo de colódio e o papel emulsionado. Deste modo, obtinham-se retratos que adquiriam uma aura pelo efeito de flou e espelham, sem sombra de dúvida, a tendência da corrente pictórica romântica do momento, a assim dita pré-rafaelista.
(texto:CPF)

02 julho, 2010

 fotografiafalada


Krakatindur, da série Iceland
© Manel Armengol



(Manel Armengol)

Estas são seguidas. Houve uma noite que não dormi. Estávamos num refúgio. Na segunda viagem tive um ajudante islandês porque não me via capaz de conduzir sempre e transportar todo o material sozinho. Estas duas fotografias foram resultado de uma noite sem dormir porque no refúgio havia muitas pessoas a dormir lado a lado, algumas delas a ressonar… não conseguia dormir. Saí de madrugada. Há uma da manhã, acordei o ajudante e disse-lhe que íamos fazer fotografias. Fui até ao topo da montanha onde estava o refúgio e, quando cheguei, eram duas ou três da madrugada, havia uma luz ténue, silêncio absoluto… Até que vi a primeira luz do sol no pico desta montanha que era de uma coloração ocre. Era uma imagem muito intensa porque tudo à volta era negro, rocha vulcânica… talvez seja uma das imagens desta série em que se nota mais esta tentativa de compenetração com o que estava a ver… creio que transparece, que se percebe isso. É um momento mágico, pode parecer até um pouco teatral, mas foi um momento muito forte, muito real. Não sei se para além de mim, as pessoas conseguirão sentir isso.



Blautaver, da série Iceland
© Manel Armengol




Manel Armengol, Terrae
Galeria Pente 10, Trav. da Fábrica dos Pentes, 10, Lisboa,
Até 3 de Julho

Manuela Marques


Manuela Marques, sans-titre, 2005
© Manuela Marques


A terceira edição do festival Photo Levallois, que decorrerá na cidade francesa de Levallois entre 19 de Novembro e 18 de Dezembro de 2010, terá a participação especial da fotógrafa portuguesa Manuela Marques (Tondela, 1959).

PHE10 - 5 paragens. #5



© Steven Pippin



Entre Tempos… Quantos tempos tem o tempo na fotografia?

Nos primeiros dois anos como comissário-geral, Sérgio Mah optou por centrar a defesa do tema escolhido numa exposição assumindo aí grande parte das despesas da justificação teórica dos eixos centrais do festival – foi assim com Lugar (2008), através da mostra de W. Eugene Smith, e com Quotidiano (2009), através da exposição colectiva Anos 70. Fotografia e Vida Quotidiana. Para a recta final como director artístico do PHotoEspaña 2010, dirigido segundo o tema genérico Tempo, o comissário português fez questão de sublinhar o carácter dialogante da exposição Entre Tempos. Instantes, intervalos, durações com outras propostas programáticas do festival, quer tenham sido orientadas por si ou por comissários convidados.

A ideia é estabelecer relações formais e estéticas entre as várias exposições da secção oficial de maneira alargar ainda mais a reflexão sobre o vasto espectro de práticas visuais que giram em torno das múltiplas (multíplices, paradoxais…) noções do conceito de tempo. O jogo de descoberta de semelhanças, contaminações, familiaridades ou acasos não tem regras de partida, mas o guia oficial do festival pode dar uma ajuda preciosa. Por exemplo, através dele podemos comparar as figuras heróicas da NBA de Paul Pfeiffer, em plena acção e isoladas de todo o ruído visual circundante, com o mergulho para a piscina sobre fundo negro de Pete Desjardin registado pelo engenheiro Harold Edgerton durante as experiências com flash estroboscópico, uma novidade técnica capaz de registar movimentos até então impossíveis de detectar a olho nu.

Entre registos fotográficos, videográficos e fílmicos, ao longo das salas subterrâneas do sempre fresco Teatro Fernán Gómez, há 17 autores para descobrir (ou redescobrir) e que representam uma cartografia possível da ideia de tempo na linguagem fotográfica. Em conversa com o PÚBLICO no dia da inauguração, Mah afirmou que Entre Tempos… é uma exposição para pensar e para se ver devagar. Não só para que se possam estabelecer as relações e os conflitos dialogantes entre as várias propostas criativas, mas também para que se consiga descobrir a beleza nas pequenas diferenças que se estabelecem entre duas imagens separadas apenas por um abrir e fechar de olhos (Jochen Lempert, Cro-Mañon, 2006).


© Tacita Dean



Entre Tempos. Instantes, intervalos, durações
Ignasí Aballí, Daniel Blaufuks, Iñaki Bonillas, David Claerbout, Tacita Dean, Ceal Floyer, Joachim Koester, Jochen Lempert, Mabel Palacín, Paul Pfeiffer, Steven Pippin, Michael Snow, Clare Strand, Hiroshi Sugimoto, Jeff Wall, Michael Wesely e Erwin Wurm
Teatro Fernán Gómez, Plaza de Colón, 4, Madrid
Até 25 de Julho

PHE10 - 5 paragens. #4

Atlas Monograph, Max Pam, T&G Publishing



Os livros e a fotografia já casaram há muito tempo, mas o namoro continua

Já não é só uma tradição (e que boa tradição) – é uma instituição também. A iniciativa Os melhores livros de fotografia do ano mantém-se inabalável desde a primeira edição do PHotoEspaña, em 1998. Todos os anos o festival recebe centenas de cópias de foto livros enviados de todo o mundo, sinal de que o suporte continua vivo e a merecer cada vez mais dedicação de autores e editores.

No conjunto de várias dezenas de obras seleccionadas para os prémios finais deste ano, estão lado a lado livros produzidos por editoras de escala mundial e livros produzidos pelos próprios fotógrafos, em edições de autor cada vez mais cuidadas. Esta profusão de projectos de iniciativa individual no núcleo restrito de finalistas revela também como se democratizou o processo de produção dos foto livros, que há muito deixaram de estar dependentes das grandes tiragens para se tornarem realidade. Com tantas portas fechadas nos tradicionais meios de divulgação e sustento dos autores, quantas vezes os livros não surgem como a única maneira de tornar visível o trabalho de um fotógrafo?

Os melhores livros de fotografia estão, pela segunda vez, no Matadero de Madrid. O festival dá três prémios. O prémio para o Melhor Livro de Fotografia Nacional (livros publicados em Espanha) foi para a reedição de Soviet Aviation (Editorial Lampreave), de Alexander Rodchenko e Varvara Stepanova, um dos vários foto livros produzidos pelo regime soviético para levar à feira mundial de Nova Iorque, em 1939. O mais recente Atlas Monograph (T&G Publishing), do fotógrafo australiano Max Pam, foi considerado O Melhor Livro de Fotografia Internacional. Para além do trabalho fotográfico de Pam, a obra inclui desenhos, pinturas e textos do autor produzidos no decorrer de várias viagens pelo mundo. O prémio para a Editora do Ano foi atribuído à Aperture Foundation, que chegou com várias obras à escolha final, entre os quais o último foto livro da americana Sally Mann, Proud Flesh. De Portugal, só foi seleccionada para a exposição no Matadero a reedição de Lisboa, Cidade Triste e Alegre, de Victor Palla/Costa Martins, publicada pela Pierre von Kleist Editions.



Soviet Aviation, Alexander Rodchenko e Varvara Stepanova, Editorial Lampreave



Os Melhores Livros de Fotografia do Ano
Matadero de Madrid, Chopera, 14
Até 25 de Julho

 
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