24 abril, 2010

Paulo Pimenta


Paulo Pimenta/Público



O fotojornalista do Público Paulo Pimenta é o grande vencedor do Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem/Mora. O trabalho vencedor aborda o abandono a que está votada a linha de comboio do Sabor.

Os restantes vencedores são:
Prémio Eleições 2009: Nelson D`Aires (kameraphoto)
Desporto: Jorge Monteiro (gestifutemedia)
Arte e Espectáculos: Gonçalo Rosa da Silva (Visão)
Ambiente: Nuno Ferreira (Correio da Manhã/Lusa Viseu)
Retrato: Guillaume Pazat (kameraphoto)
Vida Quotidiana: João Carvalho Pina (KP); Nacho Doce (Reuters); Nelson d`Aires (kameraphoto)
Notícias: Ricardo Meireles; Nelson Garrido (Público)
Bolsa para trabalho sobre o Alentejo: João Carvalho Pina


Ayperi Ecer


Ayperi Karabuda Ecer




O fotojornalismo não pode mudar o mundo, mas pode pôr o Alentejo no mapa

Sérgio B. Gomes e Susana Almeida Ribeiro

Ayperi Karabuda Ecer. O nome é quase tão cosmopolita como a própria. De ascendência sueca e turca, Ayperi assume actualmente as funções de vice-presidente do departamento de fotografia da agência de notícias Reuters. Passam-lhe diante dos olhos cerca de 2000 imagens por dia. A sua tarefa é gerir uma gigantesca rede de correspondentes em todo o mundo, que produzem algumas das melhores imagens do fotojornalismo contemporâneo. Muitas delas acabam premiadas no World Press Photo, cujo júri de 2010 foi presidido por Ayperi.
Com uma vasta experiência na edição de fotografias, Ayperi já trabalhou um pouco por todo o mundo, de Nova Iorque a Paris. Em Mora, no Alentejo, durante três dias, presidiu ao júri que escolheu os vencedores do Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem que hoje serão divulgados. Cento e noventa fotógrafos, com 5500 fotografias, submeteram os seus trabalhos a este prémio que agora se estreia. Numa entrevista por e-mail ao P2, Ayperi Ecer confessa o seu entusiasmo por projectos multimédia e pelas narrativas fotográficas online, sem nunca esquecer que o fotojornalismo existe porque serve para “tocar as nossas vidas”.

O prémio de fotojornalismo Estação Imagem de Mora teve um recorde de participações logo na primeira edição. Paradoxalmente, há cada vez menos fotojornalistas directamente ligados às redacções portuguesas. O habitual modelo de funcionamento da profissão está falido?
O júri e eu estamos muito entusiasmados pelo facto haver tantas inscrições. Os trabalhos dar-nos-ão uma visão excepcional da fotografia portuguesa.
É verdade que muitos fotógrafos entram nos concursos em busca de patrocínios, porque o mercado editorial é muito pobre. Espero que em Portugal isto seja um sinal de querer transformar este prémio num dos melhores!
A maneira com que olhamos para as notícias está a mudar. Fazer vida como fotojornalista tradicional empregado num jornal será cada vez mais difícil. Haverá, porém, novas possibilidades com Organizações Não-Governamentais ou patrocinadas por instituições, narrações multimédia, como parte dos novos media online, etc. Haverá igualmente novas profissões associadas, como os designers gráficos e especialistas em pós-produção...


Conhece a produção de fotojornalismo português. O que é que espera encontrar?
Sim, conheço, mas não ao pormenor. Espero encontrar uma narração subtil e espero encontrar as mesmas qualidades encontradas na ficção ou no cinema portugueses.


O prémio de fotojornalismo Estação Imagem de Mora está ligado a um programa mais vasto que envolve a fotografia numa região desertificada. Acredita que a imagem fotográfica pode inverter este cenário?
Trabalhar numa região assim é um desafio interessante porque força as pessoas a “escavar mais fundo”, encontrar formas mais subtis de expressão, quer na informação quer nas imagens. De certeza que a história do Alentejo é muito interessante. Pôr o Alentejo no mapa e pôr fotógrafos de topo a trabalhar em torno da região dará um testemunho fantástico.


Ser membro do júri de um concurso de fotojornalismo como o World Press Photo (WPP) implica ver e analisar milhares de imagens. Consegue isolar rapidamente os trabalhos vencedores ou precisa de voltar muitas vezes a fotografias já vistas?
Todos os membros do júri têm experiência em lidar com grande quantidade de fotografias e em fazer edições pertinentes. Actualmente, na Reuters, passam-me pelos olhos por dia cerca de duas mil fotografias. Um vencedor é escolhido colectivamente depois de várias rondas de votações. Se a pergunta é se eu consegui detectar a fotografia vencedora cedo [a mais recente imagem que venceu o WPP, de mulheres num terraço de Teerão a gritar em protesto contra a maneira como decorreram as presidenciais], a resposta é sim, e achei que era muito poderosa.


Os prémios e concursos têm dado algum contributo para a qualidade do fotojornalismo?
Sim, as imagens vencedoras são vistas globalmente e, na melhor das hipóteses, suscitam debate e fazem recair a atenção sobre o fotojornalismo.


Sente que os trabalhos que chegam a prémios como o WPP espelham o estado global do fotojornalismo ou tudo não passa de uma caça ao prémio?
Com uma menor quantidade de revistas existentes globalmente, o WPP mostra um panorama único daquilo que é produzido no mundo. Na última edição, cem mil imagens mostraram às pessoas diferentes estilos e assuntos, as forças e as fraquezas do fotojornalismo. A marca WPP é realmente global, como mostraram os resultados muito variados do último ano.
Quando o fotojornalismo estava no seu melhor, a WPP dava apenas visibilidade a um leque limitado de temas das melhores imagens do mundo. Hoje em dia dá uma perspectiva mais abrangente, uma visibilidade única à profissão como um todo.


As últimas fotografias às quais foi atribuído o World Press Photo of the Year têm estado muito longe dos velhos cânones do fotojornalismo. A imagem que ajudou a distinguir no ano passado [mulheres num terraço de Teerão], surpreende pela composição e pela escala escolhida pelo autor. Por que é que aquela imagem a emocionou tanto?
O concurso World Press Photo consiste em dez categorias com seis prémios, mais menções honrosas e o Prémio World Press Photo of the Year. Cada um deles é importante. Este júri passou demasiado tempo a certificar-se que cada categoria era válida para uma coisa específica. A secção de “spot news” é rica e forte e mostra aquilo que de melhor se faz no fotojornalismo. Porém, chegados ao momento de escolher a imagem do ano, quisemos premiar uma imagem com a qual conseguíssemos conviver durante um ano inteiro e que conseguisse abrir novas perspectivas sobre como abordar a fotografia noticiosa. Não foi, no entanto, uma escolha ideológica. A fotografia de Masturzo [Pietro Masturzo, autor da imagem vencedora] tinha todos os requisitos fotográficos, era uma das histórias mais importantes do ano, com um ângulo que ainda não tinha sido visto. Apesar de os cânticos no Irão serem uma forma de protesto desde o tempo do Xá, nunca antes isso tinha sido documentado. Fomos seduzidos pela qualidade visual da fotografia, mostrando pessoas no seu próprio ambiente, abrindo portas à nossa curiosidade, mostrando que histórias tensas podem igualmente ser abordadas de forma calma e que nem tudo tem que ser claro e frontal...


As imagens que nos chegaram das manifestações no Irão foram talvez mais fortes do que as palavras e obrigaram o mundo a olhar para essa revolta de outra maneira. Nessa altura, os jornais publicaram muitas fotografias captadas por manifestantes e partilhadas na internet. Num cenário em que o poder/dever de informar pela imagem está mais espartilhado do que nunca, que papel tem hoje o fotojornalista?
O papel da informação em todo o mundo está a mudar. O conteúdo produzido pelos cidadãos acrescenta valor ao trabalho dos jornalistas. Este foi claramente o caso no Irão.


O fotojornalismo continua a ter o poder de mudar o rumo dos acontecimentos?
Eu acho que é romântico dizer que o fotojornalismo foi capaz de mudar o curso dos acontecimentos. Manter uma posição tão romântica é capaz de causar mais mal do que bem, uma vez que é passível de causar desilusão. Penso que é uma das razões que faz com que os jovens não acreditem no jornalismo em geral. O fotojornalismo pode ajudar as pessoas a “abrir os olhos” e poderá ter um excepcional impacto nas pessoas mas não pode mudar o mundo.


O ensaio é um género em extinção na generalidade da imprensa generalista mundial. A que se deve este desinteresse?
Essa ausência está mais ligada à economia dos media do que propriamente ao real interesse dos leitores. Se atentarmos naquilo que é publicado, então os leitores só estariam interessados em entretenimento. Eu acredito que eles têm interesses mais profundos. Porém, o modelo económico de produção de reportagens fotográficas profundas não é, claramente, uma prioridade para a publicidade.


Acha que, em termos criativos e de capacidade para reflectir aprofundadamente sobre um assunto, os projectos multimédia online (com dezenas de imagens, som e infografia) podem ser uma alternativa à maneira tradicional de apresentar e divulgar o ensaio?
Eu acredito muito no multimédia. Iniciei uma série de grandes reportagens para a Reuters com a Mediastorm. Fomos nomeados para um Emmy pelo trabalho Iraq: Bearing Witness e acabámos de ser galardoados com o prémio “Melhor Projecto de Documentário 2010 pelo POY [Pictures of the Year Internationl] pelo trabalho Times of Crisis.
As camadas de informação e de narração em multimédia oferecem múltiplas e ricas possibilidades para o fotojornalismo. Cria o desafio de identificar aquilo que melhor pode ser contado apenas por fotografias e o que pode ser combinado com texto, áudio e infografia, para ser contado de forma diferente.


Acredita que a imagem fotográfica é hoje mais poderosa nos media online do que nos media tradicionais?
As imagens noticiosas são ainda muito fortes na maioria dos 11 mil jornais existentes em todo o mundo. A narrativa fotojornalística mais densa é claramente mais poderosa online.


Quão importante é a edição fotográfica hoje?
E edição é agora mais importante que nunca. Principalmente porque o fotógrafo é hoje, por causa da tecnologia, forçado a ser um editor. E é bom que seja um bom editor! As equipas digitais precisam de ter uma excelente organização e ter vários alvos de edição. Há uma quantidade tão grande de imagens online que se os trabalhos não estiverem bem editados vão simplesmente desaparecer.


O suporte digital veio trazer mudanças radicais à profissão e impôs um ritmo de trabalho mais acelerado. Qual foi a mudança fundamental nesta transição?
Acho que é demasiado tarde para voltarmos atrás para qualquer coisa que não seja digital. Esta é a fotografia de hoje e nós devemos deixar de fazer comparações!


Que tipo de acontecimentos mais gosta de ver quando avalia uma fotografia?
Eu gosto de todos os tipos de fotografia, tentando sempre encontrar o melhor dentro de cada género, desde que seja criativo. O fotojornalismo deve tocar as nossas vidas. Não pode ficar concentrado apenas nos testemunhos de injustiças e nos desastres, mas também na alegria e no crescimento. Se tocasse mais as nossas vidas com certeza que teria uma posição mais forte.

Num cenário de devastação como no Haiti, em que circunstâncias é que um fotojornalista deve dizer “já basta”?
Muitas pessoas que fazem parte de organizações internacionais de solidariedade já me disseram que se os fotojornalistas não estiverem presentes em cenários de devastação, é como se essas cenas “não existissem”. Em vez de nos concentrarmos naquilo que poderá ser “demasiado” no Haiti, por exemplo, devemo-nos concentrar naquilo que é “de menos” em muitas áreas dramáticas e esquecidas do mundo.

Uma vez que não é fotógrafa, como é que deu por si a “julgar” as fotografias dos outros?
Sou editora há 25 anos e o meu trabalho consiste em ver o que de melhor existe na fotografia, o potencial de identificação das imagens, muitas coisas que os fotojornalistas, eles próprios, não conseguem ver.

11 abril, 2010

entre aspas


Louis-Ferdinand Céline

Eu dizia-lhe que queria ser escritor, que tinha 15 anos e ele respondeu-me com uma carta de uma imensa ternura: 'Não tenho fotografia porque não sou actor de cinema. Mas se queres ser escritor vê lá porque depois não podes ir ao cinema, não podes ter namoradas, não podes não sei lá o quê... Porque escrever é uma coisa muito difícil e exige muito tempo, tens de passar a vida agarrado ao livro...'

António Lobo Antunes, lembrança de uma carta que escreveu a Céline onde lhe pedia uma fotografia,
in
Ípsilon, Público

10 abril, 2010

Público-20 anos de fotojornalismo (XVI)

© Daniel Rocha/Público

“Os reflexos do comunismo”, um funeral diferente ou o carisma de Cunhal
Daniel Rocha, 2005


Sintetizar na multiplicidade, sintetizar no caos. Na fotografia de Daniel Rocha mostram-se o punho, as palmas e o povo. Mostra-se a bandeira da foice e do martelo a cobrir outro símbolo que fisicamente se eclipsa – o de Álvaro Cunhal. Está tudo lá, numa imagem, até parece simples, mas não é. Para o funeral do carismático líder dos comunistas, foram destacados três fotojornalistas. Daniel Rocha ficou com uma parte do percurso, mais concentrado na multidão. Neste jogo de reflexos, transparências e duplas imagens que se contaminam e se confundem, confrontam-se os mais importantes símbolos do comunismo num momento de transição fundamental. “Fotografar um funeral é diferente de fotografar outro tipo de multidões. Sempre que me compete este tipo de trabalho, tento colocar-me na pele de quem perdeu um familiar, um amigo ou um ídolo carismático como era Álvaro Cunhal”.

08 abril, 2010

Hasselblad para Calle

Sophie Calle
© Yves Géant

A notícia já leva uns dias valentes, mas só agora dei de caras com ela algures por aí: a francesa Sophie Calle é a vencedora do Hasselblad Award 2010, um dos mais reputados prémios de fotografia do mundo que este ano celebra a sua 30ª edição. Calle receberá um milhão de coroas suecas (cerca de 100 mil euros), um diploma e uma medalha de ouro durante uma cerimónia agendada para o dia 30 de Outubro, em Gotemburgo, cidade que receberá uma exposição individual da artista.

A Hasselblad Foundation justificou o prémio de Sophie Calle assim:

For more than three decades, French artist Sophie Calle has been questioning and challenging the relationship between text and photography, private and public personae, truth and fiction, in a groundbreaking, utterly original way. Her conceptually oriented work depicts human vulnerability and examines the interrelationship between identity and intimacy as well as the construction of official history. It evokes narrative, affect and emotion in ways that at the same time touch the viewer deeply and makes her reflect on the possibilities as well as limits of photography. Her contribution to the understanding of the medium of photography has inspired younger generations of artists.

O júri era composto por Claude W. Sui, curador e presidente do Forum of International Reiss-Engelhorn Museums, Mannheim, Alemanha, Ariella Azoulay, professora da Bar Ilan University, Ramat Gan, Israel, Vladimir Birgus, curador, historiador da fotografia, professor e presidente do Institute of Creative Photography da Silesian University de Opava, Praga, República Checa, Sérgio Mah, professor da Universidade Nova de Lisboa e actual comissário do festival PhotoEspaña, Mette Sandbye, crítica e professora da Copenhagen University, Dinamarca.

vender/comprar


Helmut Newton, Seddle II, Paris, 1976


A casa Phillips de Pury tem agendado para o dia 16 de Abril um leilão com tudo o que é estrelas da fotografia dos últimos 50 anos. Aqui

The Election Project

Simon Roberts, Blackpool Promenade, Lancashire, 2008
© Simon Roberts

A maturidade de uma democracia também se prova assim, quando decide colocar-se visualmente em causa. Como no The Election Project, um projecto fotográfico pago pela Câmara dos Comuns que servirá para pensar as eleições e o actual momento político no Reino Unido através das imagens de Simon Roberts.

Infinity Awards

Lorna Simpson, Cloud, 2005
© Lorna Simpson, cortesia da artista e da galeria Salon94, Nova Iorque

Os Infinity Awards do International Center of Photography, de Nova Iorque, foram entregues a:

>John G. Morris: Lifetime Achievement Award
>Peter Magubane: Cornell Capa Award
>Gilbert C. Maurer/Hearst Corporation: ICP Trustees Award
>Raphaël Dallaporta: Young Photographer
>Luc Sante, autor de Folk Photography: The Real-Photo Postcard (2009): Writing
>Looking In: Robert Frank’s “The Americans”, Sarah Greenough (National Gallery of Art): Publication
>Lorna Simpson: Art
>Reza: Photojournalism
>Daniele Tamagni, Gentlemen of Bacongo: Applied/Fashion/Advertising Photography

Paris Art Picture



E, no entanto, ela move-se e faz mover - a fotografia estará no centro das atenções da nova feira de arte contemporânea de Paris, a Paris Art Picture, que tem a sua estreia agendada para o Outono, entre 18 e 21 de Novembro. Serão seleccionadas 40 galerias de arte e editoras especializadas em fotografia, arte digital e vídeo. No anúncio de arranque, a Paris Art Picture convida "profissionais, entusiastas e afficionados" do universo da fotografia.

Mais informações aqui

BES Revelação

© Susana Pedrosa (BES Revelação 2009)


Os portfólios para a sexta edição do prémio BES Revelação podem ser enviados até ao dia 30 de Junho. Podem candidatar-se os criadores com idade limite de 30 anos, à data de 30 de Junho de 2010. Os trabalhos (de tema livre) podem ser apresentados individual ou colectivamente. Os artistas finalistas terão direito a uma bolsa de produção de 7 500 euros e terão os seus trabalhos expostos na Fundação Serralves, no Porto.
Mais informações sobre candidaturas aqui

07 abril, 2010

Private Lives

© André Cepeda, Traseiras, Porto, 2006

O Centro Cultural de Cascais mostra a partir de sexta-feira, dia 9 de Abril, a exposição Private Lives, cujas receitas reverterão a favor da Ser + (Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida). Organizada por Filipa Valladares, Private Lives reúne trabalhos de André Cepeda, Catarina Botelho, Duarte Amaral Netto, José Pedro Cortes, Mariana Viegas, Pedro Magalhães, Rita Castro Neves e Vasco Barata. A exposição pode ser vista até 23 de Maio.

=ColecçãoàVista= 53

Wenceslau Cifka (1811-1883), Château de Sintra, Portugal, 1848
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia



Palácio da Pena

O Palácio Nacional da Pena foi construído em 1836 por ordem de D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha, marido da Rainha D. Maria II. Cognominado "rei-artista", desenvolveu uma paixão por Sintra que o levou a ordenar a reconstrução das ruínas do Convento da Pena de raiz. O fotógrafo Wenceslau Cifka fazia parte da comitiva do Rei D. Fernando II na sua visita a Portugal. A pedido do rei, e após a conclusão da construção, Cifka produz este registo, em 1848. Para isso, utilizou o primeiro processo fotográfico existente: o daguerreótipo. De uma extraordinária qualidade e nitidez, a daguerreotipia, que consistia numa imagem positiva e negativa, formada sobre uma fina camada de prata polida e aplicada sobre uma placa de cobre sensibilizada com vapor de iodo, foi considerada um milagre da ciência e fazia as delícias da burguesia.
(texto:CPF)

Público-20 anos de fotojornalismo (XV)


© Manuel Roberto/Público

“Fátima e futebol”, a esperança ou a força com que se agarra a santa
Manuel Roberto, 2004


Teria Angelos Charisteas arrefecido já o nosso ébrio entusiasmo à volta da selecção? Manuel Roberto não se recorda ao certo se estes rostos em transe pertencem àqueles 40 minutos da final do Euro 2004 em que a selecção portuguesa procurou remar contra uma maré grega que até ao apito final se mostrou demasiado forte e organizada. Do que o fotojornalista se lembra bem é da esperança que reinava naquele momento, fosse qual fosse o resultado a desfavor, fosse qual fosse a derrota que se vislumbrava. Na Praça D. João I, no Porto, os adeptos pressentiam o pior. Devoravam unhas, rezavam e agarravam-se à santa. Manuel Roberto: “Queria encontrar uma imagem que resumisse a ligação entre Fátima e futebol neste momento de desespero colectivo em que a fé que se revela”. Missão cumprida.

 
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