15 dezembro, 2008

fotografia e vídeo

Ngarambe Rukambika, 49 anos, no hospital de Masisi, Kivu Norte
© Cédric Gerbehaye/Agence Vu

Discutíamos à mesa de um jantar de amigos o que é que hoje tem mais importância na informação que se mostra na Net, se é o vídeo ou a fotografia. A resposta, que parece simples, tem um campo de análise demasiado intrincado e veloz para se poder isolar. E depois há a dificuldade de enquadrar as novas linguagens que se criaram com a junção dos dois suportes num só, onde aparecem também o som e a infografia. Nada que a televisão e o cinema já não tivessem feito antes, mas raramente, creio, com o grau de sofisticação e intensidade dos trabalhos que têm sido produzidos por empresas como a MediaStorm, para citar um dos exemplos mais conseguidos.
Escusado será dizer que, entre pão e vinho, as conclusões foram poucas. Se a vantagem tende a cair mais para um suporte em determinadas narrativas, noutras ganha o poder da imagem fixa, ainda que apareça lado a lado com a imagem em movimento. Mas, quando vejo estórias como a que é contada no novo site dos Médicos Sem Fronteiras (Condition: Critical - Voices From The War In Eastern Congo) sinto que a fotografia de registo jornalístico encontrou na Net um espaço perfeito para se mostrar.

Os MSF são das poucas ONG`s na região Este da República Democrática do Congo, onde regressaram os conflitos entre senhores de guerra. A população civil do Kivu Norte e Sul foi apanhada no meio das disputas e sofre com o isolamento e a indiferença da comunidade internacional. Para denunciar a catástrofe humanitária que está a atingir a região, os MSF lançaram a campanha Condition: Critical que contou com a participação do fotógrafo Cédric Gerbehaye (Agence Vu).

(Se não conseguir ver o vídeo abaixo clique aqui)


3 comentários:

Anónimo disse...

No rectângulo preto, onde supostamente iria ver imagens em movimento, nada sucede!

Obrigado.

Sérgio B. Gomes disse...

É provável que não tenha instalado a última versão do Adobe Flash Player. De qualquer maneira vou colocar o link directo para este trabalho antes do rectângulo.

M0rph3u disse...

Relativamente 'a questao das linguagens penso que passa tudo por uma questao de disponibilidade do espectador e do tipo de informacao ao qual o material visual ou audiovisual se refere.

Se o momento e' o de George W. Bush a ser atacado por um sapato de um jornalista, entao o video sera' o mais apropriado pois a sequencia de imagens fala por si e por muito que pudesse ser descrita por palavras e por uma imagem a ilustrar, nao se aproximaria do facto; caso seja um artigo, em que o jornalista pega em palavras de alguem (por exemplo, do Primeiro-Ministro que refere que 2009 sera' um ano dificil) e as analisa dentro de um contexto que pode ir para alem dessas mesmas palavras, o video torna-se irrelevante e uma simples imagem basta para ilustrar o artigo.

E' uma questao de disponibilidade do espectador e o aspecto funcional da informacao em questao.

A questao das diferencas entre a Web relativamente 'a televisao e cinema parece-me que nao e' assim tao complexo e prende-se apenas por uma questao de partirem de paradigmas diferentes: sao ambas unidireccionais, mas tem diferentes granularidades ao nivel do poder de escolha do espectador.

Se a TV tem um poder de escolha maior que o do cinema (pelo menos nos nossos dias), pois permite o "zapping", a Web vai ainda mais longe e consegue por todo o poder do lado do espectador.
E' o espectador que escolhe o que quer ver guiado muitas das vezes pela sua necessidade de informacao ou simples curiosidade.
Contudo nao encontro qualquer antagonismo entre a fotografia e o video - apenas uma questao de um ou o outro formato poder ser mais ou menos adequado 'as necessidades, curiosidade ou tempo desse mesmo espectador.
A dinamica da Web permite ainda a existencia de slideshows com reportagens fotograficas que podem ser acompanhadas por um texto audio ou escrito e ai existe um hibrido interessante que ultrapassa a questao estatica da fotografia, mas que tambem nao tem a dinamica do video.

E' so' a minha opiniao e tem um valor relativo.

Ja' agora os meus parabens pelo Ipsilon. So' um pormenor, o cinza dos textos por vezes dificultam a leitura.

 
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