22 outubro, 2008

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Um Ponto Exacto para Ver
© Hugo Rodrigues Cunha


O projecto Um Ponto Exacto para Ver de Hugo Rodrigues Cunha venceu a 6ª edição do prémio Novos Talentos Fnac Fotografia ao qual concorreram 176 portfolios. O júri, constituído por Fátima Marques Pereira (professora universitária de teoria e história da fotografia), António Pedro Ferreira (fotojornalista do semanário Expresso), António Júlio Duarte (fotógrafo), Miguel von Hafe Pérez (crítico de arte e comissário de exposições) e pelo autor deste blogue, distinguiu ainda com menções especiais os trabalhos A&J, de José Carlos Duarte, e 10 Retratos, 10 Esculturas, de Alexandre Delmar.

A cerimónia de entrega de prémios e a inauguração da exposição do trabalho vencedor acontece no dia 20 de Novembro, na Fnac Almada. As exposições A&J e 10 Retratos, 10 Esculturas vão ser mostradas nas Galerias Fnac Alfragide, no dia 27 de Novembro, e Fnac Viseu, no dia 18 de Dezembro, respectivamente.

Os vecedores das edições anteriores foram Pedro Guimarães, Francisco Kessler, António Lucas Soares, Virgílio Ferreira, João Margalha, Nelson d’Aires e Inês d’Orey.

A declaração do júri sobre o projecto vencedor diz o seguinte:

Um Ponto Exacto Para Ver mostra-nos como a seriação cartográfica através da fotografia pode abandonar a sua condição primeira de documento utilitário e vago de carga simbólica para um objecto estético carregado de referentes que questiona e pensa a maneira como hoje nos relacionamos com uma ideia de espaço em sucessivas aproximações, em novas perspectivas, cada vez mais visível e disponível em todo o tipo de suportes digitais.

A linguagem de registo geotopográfico encontrou na fotografia um dos seus mais poderosos aliados. Ao servir-se dela como suporte não satisfez apenas uma necessidade de representação realística e descritiva - criou, por si, obras de relevância conceptual e poética únicas e forneceu massa criativa a uma grande diversidade de autores ao longo da história da imagem fotográfica. Hoje, representa um dos mais intensos programas de produção artística ligados à fotografia contemporânea.

O trabalho de Hugo Rodrigues Cunha é herdeiro dessa corrente que usa diferentes abordagens da espacialidade à procura de significados travestidos, ocultos, que tentam aproximar-se de uma organização do real, de uma certa ordem do olhar.

Partindo de um visão bidimensional de imagens satélite disponibilizadas pelo programa informático Google Earth, a partir da qual é possível ver boa parte da superfície terrestre, Um Ponto Exacto Para Ver convoca-nos para uma experiência ao mesmo tempo documental e contemplativa, onde, para além do exercício de encontrar as diferenças e as semelhanças num e noutro registo, ganham importância, numa ordem estética, as cargas histórica, social, política, económica e ecológica transportadas pela imagem fotográfica tridimensional. Este último modo de ver dá-nos o "conforto" da verticalidade em relação ao chão e, em muitos casos, a largueza em perspectiva. Mas é só uma liberdade aparente porque, ao mesmo tempo, está lá a visão cega em profundidade, minuciosa em localização e contexto, onde vemos o aguilhão do pionés que nos manieta e orienta o olhar, que nos sublinha a imobilidade fotográfica através de uma longitude e uma latitude.

É uma dualidade visualmente atraente que nos leva a seguir a configuração, recorte e organização do rio Tejo na margem lisboeta, muito perto da desembocadura no mar. À medida que o olhar segue do ponto exacto de onde se vê pela linha do horizonte para onde somos impelidos a ver revela-se uma margem ribeirinha que continua inacessível e em desalinho.

Para lá da emoção que nos provoca a diferença das escalas fornecida pela bidimensionalidade da imagem pública do Google Earth,
Um Ponto Exacto Para Ver incentiva-nos a rever as referências que guardamos de um espaço e a pôr em causa de forma crítica as imagens que temos dele.

5 comentários:

José Carlos Marques disse...

O conceito está bastante interessante. E enquadra-se largamente na contemporaneidade fotográfica. Para além disso, penso que está também inserido naquilo que vêm sendo as escolhas do júri FNAC, portanto não podemos dizer que o prémio tenha sido uma "surpresa".
Claro que vai muita gente passar por cá e pela FNAC para criticar o resultado estético ou a utilização de imagens "roubadas" ao Google... mas isso é outra discussão.

Foi muito bem apresentado, o prémio, Sérgio. Quem se der ao trabalho de ler o texto, percebe fácilmente a escolha do júri.

Ah, e parabéns ao autor, claro.

HRC disse...

Obrigado. Ainda nem acredito muito bem que ganhei...

HRC

José Júpiter disse...

Parabéns Hugo.
Afinal o "boa sorte mútuo" resultou. :)
JCD

Anónimo disse...

Parabéns Hugo Rodrigues Cunha! Um prémio é agradável, mas o processo, a viagem que ao prémio pode conduzir ainda é mais!

M0rph3u disse...

Parabens ao vencedor!
A ideia e' bastante original e parece-me muito bem conseguida.

Espero que esta oportunidade lhe possa trazer novas oportunidades e o incentive a continuar.
Estarei atento.

Cumprimentos

 
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