06 abril, 2006

"...e aí pouso a câmara e ajudo"


De passagem por Lisboa para presidir ao júri do Prémio Fotojornalismo Visão/BES, James Nachtwey aceitou falar com Alexandra Prado Coelho (Público, 30.03.2006). Algumas passagens dessa entrevista:

"As pessoas esperam estar a falar para o mundo através dos jornalistas, estão a falar para a capacidade de compaixão dos outros, estão a colocar as suas esperanças em nós. É nossa responsabilidade e desafio responder-lhes. Somos o mensageiro"

"As situações que nós cobrimos são tão maiores do que nós. Não há razão alguma que justifique que eu entre na tragédia de outros e faça uma história sobre mim"

"Em algumas situações raras percebo que sou o único que pode ajudar e aí pouso a câmara e ajudo"

"Ao longo dos tempos, houve sempre uma relação entre tragédia e beleza, em todas as formas, literatura, pintura, música. Eu não inventei essa relação. Tomo consciência dela. E fotografo-a"

7 comentários:

Anónimo disse...

O Jim é grande!

Anónimo disse...

Uma das acusações que foi feita ao Kevin Carter - Fotojornalista Sul Africano e um dos fundadores do Bang Bang Club - foi o porquê de não ter ajudado a menina sudanesa que se arrastava em busca de auxílio, sob o prenúncio de morte personificada pelo abutre... Com essa foto ganhou um prémio pulitzer e gerou uma grande polémica. Ao mesmo tempo que todos sentiram o horror daquele momento, muitos também questionaram e criticaram o facto de ele nada ter feito para ajudar aquela criança. Qual é o real papel do fotojornalista, registar/denunciar o que vê ou ser um participante activo e ajudar quem precisa?
Foi somente uma das questões que precipitou o seu suicídio..
Penso que esta foto do James a ajudar responde a essa questão.

Anónimo disse...

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marcm disse...

Atitude louvável. Tomara que todos os jornalistas e fotógrafos fossem assim. Eu não compro a tese de que um jornalista / fotógrafo não se pode envolver, bla, bla, bla. Somos pessoas, temos sentimentos, temos consciência... perante a miséria, a única opção possível é a solidariedade. Claro que quando há outras pessoas para fazer esse trabalho, o jornalista deve resignar-se ao seu papel de comunicador, mas quando as não há, cabe a ele, como pessoa, dar a mão. Senão é um ser sem escrúpulos e não será digno de ser reconhecido pelo seu trabalho. Que eu saiba, não se dão prémios aos animais por serem bestas. Mesmo que essa imagem sirva para denunciar uma situação e valha milhões em ajudas, ninguém garante que isso aconteca, portanto, mais vale salvar uma pessoa que seja. Senão, a única atitude digna é entregar o valor do eventual prémio àqueles que sofreram e deram ao fotógrafo a possibilidade de ser reconhecido. Fique com o prestígio e partilhe o prémio com quem mais o merece: as vítimas / protagonistas em questão. Aquele que fica impassível perante uma pessoa a morrer e não faz nada por ajudá-la quando não há mais ninguém que possa assití-la só tem um nome: assassino. Uma vida vale mais que mil imagens!

Anónimo disse...

Bonito discurso...não conheço a foto, onde a poderei ver?

Anónimo disse...

a internet é um mundo...encontrei o que procurava...chocante...mas...se cada fotografo deixasse a camara...se fosse eu, não teria reagido assim...mas a questão é...falamos falamos e o que fazemos nos!? nada...cada um isolado em si... o eu , esse eu... tão individualista...

Anónimo disse...

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