24 janeiro, 2006

"Não somos um retrato estático"


Vale a pena ler a entrevista que Fernando Lemos concedeu à jornalista Ana Soromenho da revista Única (Expresso, 7 de Janeiro de 2006). Ficam algumas passagens para aguçar a curiosidade:

"Teria uns 18 anos. (...) Quando subi as escadas daquele quarto andar fiquei deslumbrado. Lembro-me de pensar: 'Aqui está a minha gente!'"

"E a fotografia deu-me a impressão de que seria uma abordagem onde poderia entrar pelo lado humano. Nesse acto de retratar a coisa psicológica e fisionómica das pessoas fui encontrando uma tentativa de criar e de fazê-lo através da intimidade."

"Quando fazia retratos gostava de repetir várias formas da cara e de sobrepô-las, porque a nossa cara está sempre a mudar de expressão. Não somos um retrato estático. Uma simples dor de cabeça pode fazer da nossa cara uma figura triste, até inimiga. (...) A minha ideia de fotografia tinha a ver com essa descoberta. De ela se comportar com esse olhar e de também sentir os sentimentos que vai captando."

"Quando se vai por esse lado, por essa espécie de delírio, a gente sente que se depara com situações que ainda não tem nome. Ao tocá-las, percebemos que elas existem, mas não sabemos ainda o que são. E dessa inauguração faz-se um texto, um desenho, uma fotografia."

"A máquina foi criada para ser uma extensão do olho. Tal como um martelo é a extensão do braço. Uma máquina fotográfica ensina-nos constantemente a ver as coisas. Esse é o jogo da aprendizagem, porque o olho ensina a ver. A fotografia parte dessa mágica, está curiosa do seu inconsciente. O que está ali é exactamente um sonho e é preciso descodificá-lo."

"Se ficarmos só a pensar no lugar onde nascemos, só criamos ideias nacionalistas, regionalistas e folclóricas."

"O que me encanta é que se olhe para as minhas fotografias como se tivessem sido feitas hoje. Como proposta fotográfica, como conquista poética, parece que foram feitas agora. Acredito que continuam a ser vistas porque não têm data. Talvez seja essa a sua força."

2 comentários:

janeca disse...

nao sonhas o bem q mesoube ler estes bocados de revista portuguesa!:)
obrigada:) que eu por trento nao tenho estes luxos!:)

Sérgio B. Gomes disse...

Ciao trentina. Ainda vou devagar, devagarinho. Vamos ver se consigo tocar o essencial nessa orgia de imagens em que vivemos.

 
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