30 abril, 2012

tentar

© Maria Gruzdeva (esq.) © Roman Sakovich (dir.)

A cooperativa Magnum e a  agência de talentos IdeasTap estão a recolher candidaturas para o prémio Magnum & IdeasTap Photographic Award 2012 vocacionado para fotojornalistas em início de carreira.

Mais pormenores aqui

17 abril, 2012

Mauro


Lubumbashi 26b,
Mauro Pinto

O fotógrafo moçambicano Mauro Pinto é o vencedor da 8ª edição do BesPhoto, cujo prémio pecuniário ascende aos 40 mil euros. Os restantes artistas nomeados eram Duarte Amaral Netto (Portugal), Rosangela Rennó (Brasil) e Cia de Foto (Brasil).

A exposição com os trabalhos dos quatro finalistas pode ser vista até 27 de Maio no Museu Colecção Berardo (Centro Cultural de Belém, Lisboa). Depois será apresentada na Pinacoteca de São Paulo entre 16 de Junho a 5 de Agosto de 2012.

Mauro foi reconhecido com o trabalho Dá Licença, que mostra o interior de casas do bairro da Mafalala, em Maputo, onde viveram muitos dos que protagonizaram a independência moçambicana.

O júri que atribuiu o prémio era composto pela canadiana Dominique Fontaine (curadora, investigadora e assessora cultural da plataforma POSteRIORI, em Montreal), o belga Dirk Snauwaert (curador e diretor do Wiels Arts Center for Contemporary Art, Bruxelas, membro do júri do prémio Edvard Munch Award for Contemporary Art, Noruega) e o alemão Ulrich Loock, professor e curador independente, director do Kunsthalle Bern e do Museu de Serralves. O prémio foi atribuído por unanimidade.

Segundo o júri, citado num comunicado da organização, esta escolha “resulta da forma como esta série revela a entrega do artista à realidade das pessoas que habitam os espaços aqui retratados, ao mesmo tempo que transmite uma perspetiva histórica e sociológica da realidade contemporânea moçambicana através deste bairro da capital. É de destacar a forma como o artista utiliza a luz dando vida aos elementos presentes. Da cor aos objetos, é de realçar a capacidade com que o seu trabalho nos transporta para uma realidade habitada. Sem artifícios na sua essência, a consistência da apresentação do trabalho de Mauro Pinto foi um factor decisivo na escolha do vencedor. Igualmente relevante é o facto de terem sido tiradas cerca de mil fotografias, entre as quais, o artista selecionou o conjunto de doze que deu origem ao projeto expositivo apresentado.”

Helena Almeida foi a vencedora da 1ª edição, em 2004, José Luís Neto venceu em 2005, Daniel Blaufuks em 2006, Miguel Soares em 2007, Edgar Martins em 2008, Filipa César em 2009 e Manuela Marques em 2010.

Sobre o percurso de Mauro Pinto (texto: organização BesPhoto)

Mauro Pinto (1974) nasceu em Maputo, onde vive e trabalha. Dos primeiros contactos com o fotógrafo português Alexandre Júnior, durante a sua adolescência, surgem as primeiras experiências no domínio da fotografia. No final dos anos de 1990 fez um curso de fotografia na Monitor Internacional School (Joanesburgo), e, pela mesma altura, um estágio com o fotógrafo José Machado, assumindo desde logo como profissão a atividade fotográfica. Em 2002 integra pela primeira vez a PhotoFesta – Festival Internacional de Fotografia (Maputo), voltando a participar na edição de 2006. Em 2003 participa nos Rencontres de Bamako, Biennale Africaine de la Photographie e na coletiva Saudade de L’espoir (Ilha da Reunião). Em 2004 apresenta o seu trabalho na 35.ª edição de Les Rencontres d’Arles e nas III Jornadas África-Brasil (Brasília), e, no ano seguinte, no Fórum Social Mundial (Porto Alegre). Em 2006 integra a exposição Réplica e rebeldia, apresentada em Maputo, Luanda, Praia, Salvador da Bahia, Brasília e Rio de Janeiro. Participa ainda na exposição Vers Matola no Espace 1789 Saint-Ouen, em Paris. Em 2008 integra a primeira edição da bienal Picha! Les Rencontres de l’image de Lubumbashi. No ano seguinte, integra a exposição Maputo, a Tale of One City, que inaugura no Oslo Museum e percorre diferentes cidades da Noruega, e a 2.ª Bienal de Arte Contemporânea de Salónica. Já em 2010, participa mna coletiva Ocupações temporárias 20.10 (Maputo), no Festival mondial des arts nègres (Dakar), e na 2.ª edição de El Ojo Salvaje – Segundo Mes de la Fotografia en Paraguay, sendo o primeiro artista africano a integrar aquela mostra. A sua primeira exposição individual realizou-se em 2002 na Fortaleza de Maputo, destacando-se, as seguintes: Portos de convergência (Centro Cultural Franco-Moçambicano, Maputo, 2005), Lubumbashi interiores – exteriores (Lubumbashi, 2007), Uma questão de Estado (Rua D’Arte, Maputo, 2010); e, em Portugal, Maputo – Luanda – Lubumbashi (Influx Contemporary Art, Lisboa, 2011).

14 abril, 2012

mora 2012


O Prémio de Fotojornalismo 2012 Estação Imagem | Mora foi atribuído a António Pedrosa, pela reportagem Iraquianos, sobre a vida de uma comunidade de 120 pessoas de etnia cigana, do Bairro do Iraque, na vila transmontana de Carrazeda de Ansiães.

11 abril, 2012

crónica #1


Man Ray, Rayography


Poder escolher
(Comecei uma crónica regular na revista 2 de domingo que aqui vou reproduzindo. 08.04.2012)

A impressão que dá é que ainda nem começámos a choramingar por ela quando, na verdade, já está em marcha o cortejo fúnebre. A fotografia analógica (e todos os rituais de produção e de criação que lhe estão associados) anda por aí como um morto-vivo a cavar sepulturas sem saber muito bem quando e onde será enterrada - é um ser moribundo que vai tendo os seus cantos de cisne nos noticiários à medida que vão sendo anunciados golpes de punhal num corpo já ferido.

Apesar de a certidão de óbito já ter sido declarada, a morte propriamente dita ainda não aconteceu. Talvez só agora, numa altura em que a rainha da festa fotográfica - a Kodak - está à beirinha de queimar os últimos cartuchos, tomemos consciência do fim desse casamento onde afinal sempre houve espaço para três - a óptica, a química e a mecânica.

Creio que nesta fase de agonia interessa pouco comparar virtudes e defeitos do que existia e do que existe. Trata-se de um exercício inócuo, para não dizer impossível de estabelecer - o abismo entre as práticas do digital e do analógico não são apenas distantes, em certos aspectos são antagónicos.

Será talvez o momento de tentar perceber o que deixaremos de ver e de fazer com o fim da película fotossensível e da revelação química. E isto tem pouco a ver com o romantismo saudosista da escuridão do laboratório ou com lágrimas vertidas "pelo que foi e que não volta a ser".

O exercício que Tacita Dean fez com Film, apresentado este ano na Tate Modern, em Londres, incita-nos a, pelo menos, pararmos para identificar algumas das coisas que dificilmente voltaremos a ver (ou criar) da mesma maneira. Isto apesar de sabermos que a artista inglesa é uma parte interessada no processo em si (a sua matéria-prima criativa está ligada aos suportes analógicos e à problemática do sua extinção). Dean lembra-nos (como se já fosse preciso lembrar-nos de coisas que ainda ontem aconteceram) o potencial plástico e a variedade de recursos que se podem associar à película para gritar: "Salvem o analógico!"

Menos comprometido e longe do fetichismo pelo suporte, Rui Poças, director de fotografia de Tabu, rodado em película a preto e branco, apontou (no Ípsilon) aquela que será uma das principais feridas abertas com o fim do analógico - o desaparecimento da escolha.

A esta míngua de alternativas aos pixéis podíamos acrescentar outras perdas, como a rejeição do acidente e do acidental, a renúncia do erro e da distracção, acasos do processo e limitações do suporte que tantas vezes foram validados como arte. Na fotográfica também.



»Tacita Dean sobre Film  

 
free web page hit counter