28 janeiro, 2012

lana





A estrela já existia, mas dizem que só agora é que nasceu porque a pop a deu à luz. Lana del Rey - peçam-lhe trejeitos de diva dos anos 50, mas nada de canções ao vivo (o que é que isso interessa?).


Now my life is sweet like cinnamon 
like a Fuckin dream im living in 
baby luv me cause i'm playin on the radio 

Lick me up and take me like a vitamin 
Cause my body's sweet like sugar venom o yeah 
bay luv me cause i'm playin on the radio.

Lana del Rey



26 janeiro, 2012

conversar


Conspiración
© Carmela García

À boleia da exposição Políptico, que mostrará no Espaço BES Arte e Finança seis interpretações de outros tantos fotógrafos dos painéis de São Vicente, a conferência A Emergência da Fotografia no Panorama Internacional das Artes contará com intervenções de Agnès de Gouvion St. Cyr, Albano Silva Pereira (CAV), Nuno Aníbal Figueiredo (Número/Interferências), Pierre Gonnord, Rachel Korman (Carpe Diem) e Valter Vinagre (Kameraphoto). É no Institut Français, em Lisboa, sexta-feira, 27, às 19h00.

25 janeiro, 2012


Entre aspas


© Perez Siquer


REPRESENTAÇÃO

Porque tu és imagem

falo de ti verão como se fosses
uma fotografia ou o seu real

Gastão Cruz, Observação do Verão, Assírio & Alvim

24 janeiro, 2012

o trabalho


John Heartfield, AIZ, nº 44, 1934


Uma alma avisada e atenta fez-me chegar às mãos o livro que resultou da exposição A Hard, Merciless Light. The Worker-Photography Movement, 1926-1939, que esteve no Centro de Arte Reina Sofia em meados do ano passado e que problematizou uma investida temática da fotografia ainda pouco estudada relacionada com a reacção das classes operárias às más condições de trabalho. A obra reúne uma série de ensaios e documentos apresentados durante um seminário que aconteceu em Madrid por vários especialistas e historiadores de toda a Europa, entre os quais Emília Tavares, do Museu do Chiado, Lisboa. Detalhes sobre o livro aqui 




regressar


Alunas e professoras na Escola Primária de santa Luzia na década de 1920


Revisitar Guimarães para lá das muralhas
Sérgio C. Andrade
(P2, Público, 16.12.2011)

Chama-se A Cidade da Muralha, mas a intenção é que os vimaranenses não fiquem dentro de muralhas mentais passadistas, do género “nesta altura é que a cidade era bonita!”. Eduardo Brito apresenta assim a exposição de que é comissário, e que foi inaugurada no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (CAAA), em Guimarães, em mais uma iniciativa da Capital Europeia da Cultura.
A exposição mostra uma selecção de 124 fotografias das mais de seis mil que integram o espólio das antigas Foto Eléctrica-Moderna e Foto Moderna, que existiram na cidade entre 1910 e 1987, e que foi recentemente adquirido pela Associação Muralha.
Com a inauguração da exposição, é simultaneamente feito o lançamento do site do projecto Reimaginar Guimarães (www.reimaginar.org). Ao longo de 2012, aí será actualizado o trabalho de levantamento e digitalização deste espólio fotográfico, que, sendo na sua maior parte inédito, permitirá aos vimaranenses o reconhecimento da sua cidade e memórias.
No decorrer do levantamento, Eduardo Brito, um museólogo formado em Direito e também com experiência em fotografia, foi a certa altura surpreendido com uma fotografia da sua avó, dos anos 20. Esta situação vai certamente repetir-se com os vimaranenses que contactarem com estas imagens históricas.
A Cidade da Muralha “explora a relação de possibilidades infinitas que os arquivos sempre oferecem”, diz o comissário. Mas a sua preocupação principal foi “criar narrativas”. A mostra organiza-se em cinco eixos temáticos: começa com a cidade desaparecida (há imagens, por exemplo, do Teatro Afonso Henriques e da Igreja de S. Paio, já demolidos); passa pela cidade das pessoas no seu quotidiano, ofícios, festas e cultos; documenta acontecimentos e episódios (a visita de um cardeal não identificado aquando do Congresso Eucarístico de 1927, ou um exercício de bombeiros em 1909); testemunha como o(s) fotógrafo(s) da Moderna regressaram várias vezes aos mesmos lugares; e também o processo de construção da cidade que Guimarães hoje é, no seu espaço público e edificado. Durante a Capital Europeia da Cultura, o projecto Reimaginar Guimarães e o acervo da Muralha vão dar origem a quatro novas exposições, uma delas com os trabalhos fotográficos do arqueólogo Martins Sarmento, mas também os de figuras que saíram ou passaram por Guimarães, como o documentarista Silvino Santos ou o fotógrafo Antero Frederico de Seabra.



Operários numa fábrica de cutelaria não identificada na década de 1930

Patrícia + David-Alexandre



Está prontinho para encomenda ou para compra directa a segunda edição de All Beauty Must Die, os livros onde Patrícia Almeida & David-Alexandre Guéniot põe toda a criatividade, cuidado e sabedoria. Há uma edição de 25 exemplares que vem acompanhados com uma serigrafia (90 euros). Estão aqui

o segredo




Há sempre boas razões para ir a Paris. Aqui fica mais uma: A New History of the Latin-American Photobook, a exposição que pela primeira vez faz o estado da arte do fotolivro sul-americano. É uma mostra que começou no livro que o crítico, historiador e comissário espanhol Horacio Fernández concebeu para a editora Aperture. Na comissão de sábios estão Marcelo Brodsky, Iata Cannabrava, Lesley Martin, Ramon Reverté e o inevitável Martin Parr que chamou aos fotolivros da América do Sul "o segredo mais bem guardado da história da fotografia".Foi durante o fórum de fotografia da América latina em São Paulo, em 2007, que surgiu a ideia de cartografar os livros de fotografia feitos naquele espaço geográfico que até agora não tinha nenhum levantamento sistemático e crítico do que de melhor se fez e publicou durante o século XX. A empreitada demorou três anos e alcançou a edição de 19 países, de Cuba à Patagónia. A exposição em Paris, no Le Bal, apresenta 40 fotolivros produzidos entre 1921 e 2012 e será acompanhada de um programa de encontros, debates e performances.
Mais informações aqui

17 janeiro, 2012

ainda (e sempre) à procura

Werner Gräff, Es kommt der neue Fotograf! (Aí vem o novo fotógrafo!), 1929

 

Ao fim e ao cabo, andamos todos à procura de alguma coisa. O Fotomuseum Winterthur, por exemplo, decidiu empreender uma busca pelos novos sentidos teóricos que enquadrem o realismo fotográfico. Podia-lhes dar para pior, mas não. E até convidaram gente de gabarito para atirar as primeiras achas para a fogueira cujas chamas se alimentarão no blog still searching. O primeiro é o teórico e historiador de fotografia alemão Bernd Stiegler que, acompanhado por David Campany e Martin Jaeggi, promete abrir ao longo das próximas seis semanas novos campos teóricos a propósito dessa imensidão significante a que chamam realismo fotográfico. Seguem-se Aveek Sen, Walead Beshty e Hilde Van Gelder.
A discussão já começou com o primeiro post, Imperfection, aqui



Werner Gräff, Es kommt der neue Fotograf! (Aí vem o novo fotógrafo!), 1929

11 janeiro, 2012

quinhentos




Era cada tiro, cada melro. As crónicas de Álvaro Domingues no Público de há uns anitos eram os mais certeiros diagnósticos sobre esse desporto nacional a que temos vindo a dedicar-nos febrilmente mais ou menos desde a primeira tarde - o da autodestruição (ou o da construção autodestrutiva, dependendo das épocas e de quem manda).
As crónicas acabaram, para desalento de milhão e meio de seguidores quando o facebook ainda mamava no dedo. Mas a verve é coisa que não se deixa intimidar por classificados nem se perde assim como quem perde berlindes a jogar ao abafa. Olhar de falcão como tem, Domingues não se podia ficar pela palavrinha escrita, lançando-se também na empreitada fotográfica que já nos deu, por exemplo, "A Rua da Estrada" (Dafne, 2010), um roadlivro pelas valetas viçosas deste nosso Portugal, uma charada do mais sério que há ao modo inventivo com que vamos ocupando espaços e construindo paisagem pitoresca, pincaresca, à picareta e à cacetada. Com esse livro, o geógrafo (e professor na faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto) deu início a uma trilogia que agora se vê numa encruzilhada onde todas as tabuletas mostram em alto relevo a palavra crise. Como Álvaro Domingues não é J. R. R. Tolkien, é muito melhor, de certeza que não vamos ter o problema de ficar a meio do caminho como ficou o bacoco do Frodo Baggins assim que se impunha atirar o anel malvado para o caldeirão. Vai daí que para que as coisas tomem o seu caminho natural (sem precisarmos de ajuda das Estradas de Portugal) é preciso fazer uma subscrição do segundo tomo desta corrida, "Vida de Campo", que se atira ao "mau viver" do mundo rural, opúsculo que só sentirá o peso do prelo quando 500 alminhas disserem "sim, eu quero!" na página www.alvarodomingues.net, onde o mapa do tesouro está todo explicado, incluindo a preciosa indicação do NIB para onde se devem mandar os 18 euricos que é quanto custa o bilhete de ida ("Vida de Campo" será enviado para casa, numerado e assinado pelo autor. Impressão até fim de Março, diz a Dafne).
Como para a ida parece que vamos ficar aviados, para a volta, se não houver pneus furados nem avarias na carruagem, temos prometido em jeito de grand finale "Volta a Portugal" (lá quando chegar 2013), um livro que a Sicasal não se deve dar ao luxo de não apoiar.



10 janeiro, 2012

João

Uma das três fotografias captadas por João Silva depois de ter pisado uma mina
© João Silva



No ano passado, o mais importante festival de fotojornalismo do mundo, o Visa pour L`Image de Perpignan, decidiu mostrar o trabalho de João Silva no Afeganistão, depois do acidente que em 2010 lhe amputou as duas pernas. A associação cultural Estação Imagem, de Mora, empenhou-se em trazer a essa exposição para Portugal em parceria com a Direcção-geral de Arquivos/Centro Português de Fotografia e o apoio do festival e do New York Times, jornal para o qual João Silva trabalha. João Silva - Afeganistão abriu ao público este sábado no CPF, Porto, e pode ser visitada até 24 de Março. Paulo Moura falou com João Silva a propósito da exposição, conversa na qual vieram à baila os dilemas com que os fotojornalistas se confrontam na hora decidir. No ípsilon da última semana aqui



Nunca pensei que o que fazemos é uma coisa má. Somos fotojornalistas. Não somos nenhuma ONG. Há situações em que podemos ajudar as pessoas, e isso acontece muitas vezes. Levamos feridos para o hospital, etc. Mas não estamos lá para ajudar. O nosso papel é outro. O fotógrafo ajuda com as imagens. A nossa responsabilidade são as escolhas que fazemos. Temos de decidir como usamos a máquina, para informar o mundo. Porque aquilo para onde apontamos é o que o leitor vai perceber da situação.

João Silva, entrevista a Paulo Moura, ípsilon, Público, 06.01.2012

09 janeiro, 2012

à espera da "C"



Está prestes a sair a próxima edição da "C", a revista anual editada pela Yvorypress que este ano tem como tema genérico Posed/Not Posed. Tobia Bezzola, do Kunsthaus de Zurique, foi o editor convidado a organizar este número que abordará a tensão latente entre a mais pura espontaneidade e a ambição de conseguir a expressão perfeita e a busca da pose como linguagem fotográfica. A "C" contará com portfólios Rico Scagliola & Michael Meier, Jacques Henri Lartigue, Thomas Struth, Pawel Juszczuk, Federico Patellani, Edward Quinn, Hester Scheurwater, Garry Winogrand, Guy Bourdin, Jules Spinatsch, Ghislain Dussart e Slim Aarons.

05 janeiro, 2012

Eve Arnold 1912- 2012




Mário Lopes (publico.pt, 05.01.2012)

Fotografou Marylin Monroe no set do seu último filme, “Os Inadaptados”, e mostrou, rua a rua, rosto a rosto, a vida no bairro nova-iorquino do Harlem. Viajou até aos Emiratos Árabes Unidos quando estes, na década de 1970, eram um mistério para o Ocidente, e captou Isabel II, muito pouco majestática, de sorriso muito humano. Aproximou-se de Paul Newman ou James Cagney, acompanhou Malcolm X na luta pelos direitos civis, fotografou o basfond cubano de prostituição e rostos derrotados e teve como primeiro grande trabalho uma série sobre o nascimento. Eve Arnold, a primeira mulher admitida nos quadros da Magnum e um dos nomes maiores da geração de ouro da fotografia no século XX, morreu hoje, quinta-feira, aos 99 anos.

A mulher cujo trabalho foi descrito por Robert Capa, um dos fundadores da Magnum, como estando “metaforicamente entre as pernas de Marlene Dietrich e as vidas amargas dos trabalhadores migrantes na apanha de batata”, vivia numa casa de repouso em Londres, a cidade que a acolhera no início da década de 1960.

Nascida em Filadélfia em 1912, filha de imigrantes russos, Eve Arnold chegou tarde à fotografia. Inicialmente inclinada a seguir uma carreira na medicina, o rumo da sua vida foi alterado quando recebeu de um namorado uma câmara Rolleicord. Nova Iorque foi o primeiro alvo do seu olhar, em que a pulsão documental era profundamente tocada pelas obsessões marcantes da sua vida. “[Certos] temas ressurgem uma e outra vez no meu trabalho”, cita-a nesta quinta-feira o site da NBC. “Fui pobre e quis documentar a pobreza; perdi uma criança e era obcecada com o nascimento; estava interessada na política e queria saber como afecta as nossas vidas; sou uma mulher e quis conhecer as mulheres”.

Arnold entrou para Magnum em 1951 e tornou-se membro efectivo em 1957. Nos anos seguintes, viajou mundo fora para documentar a vida na União Soviética e na China, ou o universo feminino no Dubai. Em Inglaterra, desviou o olhar da emergente “swinging London” para se concentrar naquilo que era ainda uma sociedade profundamente classista – registava lordes em caçada ou veteranos abandonados da segunda Grande Guerra. “A coisa mais difícil no mundo é pegar no mundano e tentar mostrar quão especial é”, afirmou.

Os seus trabalhos mais famosos serão, porém, os que fez com estrelas como Joan Collins, Isabela Rossellini, Marlene Dietrich ou, principalmente, Marylin Monroe, que fotografou pela primeira vez em 1951 e que acompanhou até à sua morte. Com todas elas, construiu uma intimidade que a câmara reflectia de forma pungente. “Aquilo que tentei fazer foi envolver as pessoas que estava a fotografar”, cita-a o Telegraph. “Se estivessem dispostos a dar, eu estava disposta a fotografar”.

No período mais intenso da sua carreira, as décadas de 1950, 60 e 70, trabalhou com a Life, Esquire, Stern, Paris-Match ou com o Sunday Times, e, ainda que a cor faça parte de muito do seu espólio, sempre preferiu o preto-e-branco.

Apesar da obra que deixa e da paixão que revelou pela sua arte, dela não se poderemos afirmar ter fotografado até ao fim. “Julgo que, se alguma vez me sentir realizada, terei que parar. O que nos guia é a frustração”, disse em tempos. Em 2009, porém, quando a actriz Angelica Huston lhe perguntou se ainda fotografava respondeu, que “isso” tinha acabado. “Já não consigo segurar a câmara”, explicou.

04 janeiro, 2012

tentar




A Scopio, publicação de fotografia ligada ao espaço de fotografia da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto com uma linha editorial ligada à imagem e reflexão sobre as mais diversas acepções de espaço, organizou um concurso internacional através do qual pretende seleccionar um trabalho para a terceira edição da revista que tem uma periodicidade anual. O tema é circunscrito à noção Aboveground - Territory. As candidaturas podem ser enviadas até ao dia 15 de Fevereiro.
Os pormenores sobre este concurso estão aqui



 
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