30 novembro, 2011

a menina


© Paulo Pimenta/Público



Gérald Bloncourt foi um dos fotógrafos que mais contribuiu para denunciar as condições sub-humanas em que viveram muitos milhares de portugueses que passaram a salto para França na década de 60 à procura de uma vida melhor. Há três anos, Bloncourt mostrou em Lisboa (no Museu Berardo) o resultado desse trabalho que a par da denúncia revelou imagens de qualidade elevada. Uma das imagens emblemáticas do longo ensaio no meio da lama dos tristemente célebres bidonville mostra uma criança de seis anos com uma boneca no regaço. O P2 desta terça-feira conta a história de Maria da Conceição Tina, a petite portugaise, que, há pouco tempo, se redescobriu (e redefiniu) no confronto com a sua imagem e no diálogo com quem a criou - Gérald Bloncourt. Um belo texto na primeira pessoa organizado por Patrícia Carvalho. Fazem falta os jornais que nos dão pedaços de vida assim.


O texto A menina da fotografia cresceu e chama-se Maria da Conceição Tina está aqui


© Paulo Pimenta/Público

29 novembro, 2011

saldos na k




A [kameraphoto] tem livros em saldos.
São eles:
- DR – Diário da República
- Lusofonia
- State of affairs
- 450

Tudo junto dá 85€ (antes 175€)

Mais aqui

24 novembro, 2011

feirar


Paulo Pimenta, da série Na casa de, 2011
Paulo Pimenta



Decorre este fim-de-semana a segunda edição da Feira do Livro de Fotografia na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa. Estarão representados fotógrafos, editores, livreiros, alfarrabistas e galeristas para darem a conhecer as suas propostas no campo da edição de fotolivros.
Este ano, a organização promete criar "um espaço particular para os projectos de livro de autor, alguns ainda em processo de desenvolvimento e outros já concluídos, de modo a provocar, nesta fase, a reacção do público".
Ao longo do fim-de-semana serão apresentados novos livros e revistas e decorrerão quatro conversas com temas diversificados em torno da fotografia: o lugar da fotografia em Portugal, a construção da narrativa em fotografia, a transmissão da realidade local para um plano internacional e a luz, tema que a organização promete de uma maneira"talvez surprendente para os fotógrafos e gente da imagem".
A Feira do Livro de Fotografia decorrerá entre 25 a 27 de Novembro na Fábrica do Braço de Prata, onde podem ser vistas oito exposições de fotografia inseridas na iniciativa Mês da Fotografia.

Os participantes:

- Agence VU’ (Agência de Fotografia)
- Alexandria Livros (Alfarrabistas)
- Almedina (Livraria/Editora)
- Arquivo Municipal de Lisboa – Arquivo Fotográfico
- Assírio & Alvim (Editora)
- B-Shop Museu Berardo/In-úteis (Loja/Livraria)
- Book House Residence (Livraria)
- Braço de Ferro (Editora)
- Colorfoto (Loja de Fotografia)
- Corrente d’Arte (Galeria de Arte)
- Dafne (Editora)
- Edições 70 (Editora)
- Editora IST Press (Instituto Superior Técnico)
- Estação Imagem (Associação Cultural)
- Kamera Photo (Colectivo de Fotógrafos)
- Gustavo Gili (Editora)
- Livraria Braço de Prata (Livraria)
- Letra Livre (Livraria/Alfarrabistas)
- Polaroid The-impossible-project
- Reuters Pictures (Agência de Fotografia)
- Scopio (International Photography Magazine)
- Vera Cortês – Agência de arte

Conversas:
Sexta-feira, 25
19h30 - O lugar da fotografia em Portugal | com Emília Tavares, João Tabarra, José Luís Neto e Sérgio Gomes.

Sábado, 26
18h30 - Reportagem fotográfica: construção de uma narrativa - ESTAÇÃO IMAGEM |
com Paulo Pimenta, Nelson Aires e José Carlos Carvalho, moderado por Luís Vasconcelos.
19h30 - Lançamento em Lisboa do 2ºnúmero de Scopio (International Photography Magazine) | com Pedro Leão, Tiago Casanova, Susana Ventura e Pedro Gadanho.
20h30: Ver para fora de dentro - REUTERS | com Paul Hanna, José Manuel Ribeiro e Rafael Marchante, moderado por Bruno Portela.

Domingo, 27
19h30: Um outro olhar sobre a Luz | com Pedro Lopes - Megarim.

Horário da feira:
Sexta-feira das 17h00 às 22h00
Sábado e domingo das 15h00 às 21h00
Entrada livre

23 novembro, 2011

Passaram os dias




Lara Jacinto, da série Arrefeceu a cor dos teus cabelos,2011 
© Lara Jacinto


Este é o texto que escrevi para o Prémio Novo Talento FNAC Fotografia 2011:


Passaram os dias
Sérgio B. Gomes

A imagem que abre o portefólio de Lara Jacinto é um desses bons exemplos de síntese visual onde apetece repousar o olhar. Coexistem nela a tensão e o simbolismo de um momento paradoxal que, ao mesmo tempo, separa e junta duas pessoas. Conjugam-se a mecânica do quotidiano da persiana e a vidraça (que as separa) com a troca de olhares e o manto de luz (que as une). No meio de tudo, o reflexo da silhueta de um encontra o outro, mas em vez de ofuscar e de distorcer, revela. A motivação da série que venceu o Prémio Novo Talento FNAC Fotografia 2011 está relacionada com a representação da vulnerabilidade a que estamos sujeitos à medida que o tempo se vai atravessando nas relações, nos lugares, nos sentimentos, na pele, no cabelo... E também com o sentimento de perda provocado pela impossibilidade de repetir o que se passou, pela dificuldade de encontrar em si e no outro sinais do que já foram.

É uma silhueta enigmática esta que se esconde para revelar. É nela que se pode encontrar também o programa fundamental de toda a série que se resume num verso que Miguel Torga parece ter escrito de propósito para aqui. Como um dardo que se afunda na mouche, o título Arrefeceu a cor dos teus cabelos, verso do poema Vénus Envelhecida (Miramar, 16 de Agosto de 1963), sintetiza na perfeição a ideia de desencanto que percorre todas as imagens. No perfil negro da imagem inaugural, a auréola de luz afogueada, a chama que mantém uma réstia de fulgor, parece mais condenada a esmorecer do que a atear o que quer que seja. Uma figura que pede a revelação do segundo verso do poema que sentencia: O tempo tudo apaga e desfigura...

A imagem de arranque é perturbadora e eficaz na mensagem. Sintetiza bem, como lhe compete. Mas é no ensaio que o talento de Lara Jacinto melhor se revela, mostrando coerência nas escolhas e capacidade de captar um estado de espírito (no caso um mal de vivre), nem sempre fácil de conseguir transmitir de forma eficaz através de um número alargado de imagens. O desafio a que se propôs era arriscado. O ideário que o baliza assenta sobretudo em premissas de extrema subjectividade e aposta na latência psicológica das imagens, deixando de lado aquilo que as coloca mais perto da evidência documental. É um trabalho labiríntico que serpenteia por entre imagens de expressão melancólica e confessional pelo tempo que passou e imagens que deixam no ar sentimentos contraditórios, como no abraço iluminado, onde tanto se pode vislumbrar a certeza do fim como a tímida vontade de recomeçar.

O jogo de espelhos, já o sabemos, é uma das metáforas preferidas da imagem fotográfica. O confronto entre o que somos e o que vemos (entre o que somos e o que outros vêem em nós) continua a fascinar e encontra na fotografia um dos seus terrenos mais férteis pela sua capacidade de potenciar imagens dentro da imagem. Arrefeceu a cor dos teus cabelos é herdeiro desse exercício de descoberta, de (re)conhecimento introspectivo e de duplicação visual que vai muito além da causalidade de um efeito mecânico, procurando sobretudo a problematização de sentimentos (e sentidos) rumo àquilo a que podemos chamar de ensaio sobre a percepção de si. Vemos ao longo da série como os protagonistas se colocam em causa, como se enfrentam e tomam consciência do que são individualmente, na tentativa de contribuir para o juízo colectivo que necessariamente procuram e cujo desfecho se revela enigmático, incerto. São as imagens a criar uma tensão subliminar que cativa, que nos mantém despertos e interessados a entrar neste retrato da decepção, neste encontro com a certeza da força do tempo.

A diversidade de abordagens que se estende ao longo do trabalho revela-se um dos seus principais argumentos narrativos. A conjugação acertada de imagens que carregam um lado performativo, teatral, com outras de representação mais incisiva e directa têm a virtude de nos transportar de forma eficaz para a experiência da vida quotidiana, que está, aliás, no centro de todo o ensaio.

Vem de longe a ligação entre fotografia e performance ligada ao quotidiano. Nos anos 70 conheceu um impulso significativo com trabalhos que colocaram o foco criativo na cumplicidade entre a imagem teatralizada e os micro-acontecimentos da quotidianidade (Sophie Calle, Duane Michals…) rumo à noção de que a vida contemporânea não está apenas determinada pela realidade (real), encerrando também experiências mais próximas da ficção, do imaginário e do virtual. Foi uma abordagem que implicou a redefinição dos critérios que definiam o documento fotográfico e que aproximou a prática artística da realidade social.

Nessa procura do momento em que Arrefeceu a cor dos teus cabelos, onde o suporte fotográfico é sobretudo usado como um espaço cénico, competem ainda os objectos, os recantos e as superfícies marcadas pelo passar dos dias, dos anos. Não entram aqui como adereços menores, mas como poderosos reflexos do desmaio a que tudo está sujeito. Através deles, Lara Jacinto estende uma teia de referências determinante para concretizar um corpo de trabalho coeso e uma proposta criativa implicada no seu conjunto.

No sofá estafado, nas flores e nas plantas em definhamento mora a imagem da vulnerabilidade que é também a deles. Do confronto com a imagem de si e do outro, nasce a percepção da inevitabilidade da mudança e da transformação. Um momento fundador no qual a fotografia participa como testemunha inquisidora, um momento onde se pode aplicar o seu duplo poder que acelera e trava – o fim.





Vénus envelhecida
Arrefeceu a côr dos teus cabelos
O tempo tudo apaga e desfigura...
Que palha triga, sensual, madura
O loiro resplendor que rememoro!
Chove ou sou eu que choro
Desiludido?
Como era quente o ouro da seara!
Ah, deusa sem tiara
Mito desvanecido!

Miguel Torga
Miramar, 16 de Agosto de 1963


Lara Jacinto, da série Arrefeceu a cor dos teus cabelos,2011
© Lara Jacinto






20 novembro, 2011

Doodle Daguerre




O Google fez o favor de nos lembrar na sexta-feira - através dos seus famosos Doodles - que Louis Jacques Mandé Daguerre nasceu há 224 anos.


Louis Jacques Mandé Daguerre 
Jean-Baptiste Sabarier-Blot (1801-1881)

17 novembro, 2011

O livro


 Gérard Castello-Lopes


O livro da exposição de homenagem a Gérard Castello-Lopes, Aparições - A fotografia de Gérard Castello-Lopes 1965 -2006, que foi concebida por Jorge Calado, será apresentado por António Barreto no dia 23, terça-feira, no espaço BES Arte & Finança, em Lisboa. A exposição pode ser vista até 12 de Janeiro.

15 novembro, 2011

NTFF 2011 - Vencedoras

Lara Jacinto, da série Arrefeceu a cor dos teus cabelos
© Lara Jacinto


Lara Jacinto é a grande vencedora do Prémio Novo Talento FNAC Fotografia 2011. O portefólio Arrefeceu a cor dos teus cabelos (verso de um poema de Miguel Torga) aborda a vulnerabilidade a que estamos sujeitos à medida que o tempo vai atravessando as relações, os lugares, a pele, e tenta captar o sentimento de perda provocado pela impossibilidade de repetir o que se passou, pela dificuldade de encontrar em si e no outro sinais do que já foram. Lara Jacinto nasceu em Leiria, em 1982. É licenciada em Design Multimédia pela Universidade da Beira Interior e terminou em 2011 o curso profissional do Instituto Português de Fotografia. Desde 2009 que trabalha com fotografia.

Ana Maria Russo foi reconhecida com uma menção honrosa pela série 4/365, um trabalho que mostra as transformações da natureza em recantos inóspitos ao longo das estações do ano.

Fizeram parte do júri António Júlio Duarte (fotógrafo), António Pedro Ferreira (fotógrafo), Mário Teixeira da Silva (director do Módulo – Centro Difusor de Arte, em Lisboa) e o autor deste blogue.




Ana Maria Russo, Outono 1, da série 4/365
© Ana Maria Russo

09 novembro, 2011

Struth no Porto

Thomas Struth, Museo del Prado, Madrid, 2005
©
Thomas Struth


Volta ao mundo com Thomas Struth
Sérgio C. Andrade (P2, Público, 29.10.2011)

Chama-se apenas Fotografias 1978- 2010, e é disso que verdadeiramente se trata na exposição que abriu ao público no Museu de Arte Contemporânea de Serralves (MACS), no Porto. É a primeira apresentação antológica em Portugal do trabalho do alemão Thomas Struth (n. Dusseldorf, 1954), o fotógrafo que durante as últimas três décadas deu a volta ao mundo e o registou numa escala até agora raras vezes vista: pela diversidade, pela dimensão e, claro, pelo ponto de vista.

“Uma das grandes questões da fotografia é como condensar uma narrativa numa imagem parada, especialmente se essa narrativa é complexa: que escolhas fazemos, onde localizamos a câmara, como enquadramos os espaços, as pessoas, os objectos que fazem essa narrativa? Esta é a luta do meu trabalho”. Thomas Struth explicou assim a motivação da sua obra, na quinta-feira, na visita em que guiou os jornalistas pela dezena de espaços que as suas fotografias ocupam em dois pisos do MACS.

A exposição do artista alemão ao Porto no final de um circuito europeu que começou em Zurique (Kunsthaus) e passou depois pela sua cidade natal (Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen) e por Londres (Whitechapel Gallery).

“Agora é a grand finale”, exclamou o director do MACS, João Fernandes, explicando que a montagem da exposição, comissariada por James Lingwood, obrigou a uma adaptação especial aos espaços do museu. O comissário notou que a montagem tinha seguido o princípio da “profundidade de campo”, aproveitando as próprias potencialidades narrativas das salas de Serralves — bem diferentes dos espaços mais amplos e convencionais dos museus onde as fotografias tinham sido mostradas antes.

A exposição abre sob o signo da alta tecnologia, numa sala onde saltamos do Instituto Max Planck, na Alemanha, para o Centro Espacial Kennedy, nos EUA. Continua, depois, numa verdadeira volta ao mundo — como o manifesto de “um artista na época do capitalismo globalizado”, diz João Fernandes —, em sucessivas séries temáticas, que identificam também diferentes momentos da obra de Struth. Nelas avultam a atenção aos contrastes de cidades e arquitecturas que parecem fantasmáticas mas que evidenciam os saltos no tempo; a perspectiva com que Struth capta as multidões que visitam os grandes museus e outros lugares “sagrados”; ou a rendição com que fotografa o emaranhado cromático de florestas de diferentes países e continentes, quase “como se fossem quadros de Jackson Pollock”, notou o director do MACS.

“Estas imagens só existem porque a fotografia pareceu-me ser a melhor técnica, o melhor formato, para eu expor as narrativas que tenho na minha cabeça”, concluiu Struth.


(Thomas Struth falou ao Guardian sobre a sua imagem preferida. aqui)

08 novembro, 2011

V&A

Curtis Moffat (1887-1949), Dragonfly, c. 1930


A galeria de fotografia do Victoria and Albert Museum de Londres foi renovada e está mais do que pronta para mostrar aquela que é considerada a mais antiga colecção museológica de fotografia do mundo (começou a ser organizada em 1857). Há imagens de tudo quanto é nome reconhecido, desde Julia Margaret Cameron, Henri Cartier-Bresson, Man Ray e Afred Stieglitz a Diane Arbus e Irving Penn. A colecção do museu só é enriquecida com imagens até 1960. O V&A justifica esta opção com a "mudança" ocorrida na natureza do meio desde então.
O crítico do Guardian Jonathan Jones viu a exposição e escreve sobre ela aqui


04 novembro, 2011

Frida Kahlo

Tina Modotti e Frida Kahlo, c. 1928



As fotografias saíram do armário da Casa Azul
(P2, Público, 04.11.2011)

Para se chegar a este tesouro, o imenso espólio pessoal de um dos casais pop do mundo da arte do século XX, Frida Kahlo e Diego Rivera, não foi preciso qualquer mapa. Sabia-se a localização exacta — há 50 anos que o “X” estava marcado em duas casas de banho da Casa Azul de Coyoacán, no México. Foi lá que, pouco antes de morrer, em Novembro de 1957, Rivera decidiu condenar à escuridão do tempo (em armários, caixotes e baús) boa parte dos pertences dos dois. O muralista pediu 15 anos de nojo, mas a amiga e fiel depositária das chaves do segredo, Dolores Olmedo, levou essa vontade ao extremo considerando que Rivera jamais quereria tornar pública a intimidade do casal.


E assim, pelo menos duas portas da Casa Azul, mais ligada a Frida do que a Diego, ficaram vedadas durante décadas a olhares estranhos. O tempo foi chamado ao seu labor inexorável, aguçando a curiosidade (a fotógrafa mexicana Graciela Iturbide realizou uma série de imagens na casa de banho de Frida em 2004), potenciando uma carga simbólica e mistério. Até à morte da guardiã das chaves. Em 2007, os novos responsáveis pelo Museu Frida Kahlo decidem que aquele é o momento para entrar nas divisões proibidas, tinha Frida nascido há 100 anos, tinha Diego morrido há 50. O lugar “X” da Casa Azul, o espaço onde porventura se escondiam os últimos pequenos nadas de Diego e Frida, o pouco de privado de uma vida muito pública, estava inventariado de forma geral pela mão do muralista. Mas o certo é que durante meio século poucos sabiam de que pérolas se formava este tesouro e qual era a sua verdadeira dimensão.

As arcas e os roupeiros foram abertos e o que se descobriu levou quase três anos a classificar: 22 mil documentos, 6500 fotografias, milhares de livros e revistas, dezenas de desenhos, objectos pessoais, roupa, medicamentos, jogos… Coisas de uma vida recheada. Uma vida intensa, bem plasmada nas imagens fotográficas recolhidas, às quais o historiador Pablo Ortiz Monasterio se dedicou para dar corpo a uma exposição que a Casa Azul/Museu Frida Kahlo mostrou no ano passado. Frida Kahlo – As suas fotografias, que reúne mais de 250 imagens, viaja pela primeira vez para fora do México para ser apresentada, hoje, na Casa da América Latina, em Lisboa. A exposição estará no Museu da Cidade, em Lisboa, até 29 de Janeiro.

O tesouro fotográfico que o casal foi juntando como um scrapbook (mais Frida do que Diego) absorveu todo o tipo de imagens. Aparecem banais registos familiares (o pai de Frida era fotógrafo), referências à luta política, o fascínio por Diego e a sua obra, o corpo estropiado e, claro, o folclore mexicano, tão querido à pintora que, apesar de uma grande proximidade com a prática fotográfica, não terá feito mais do que meia-dúzia de imagens. Do agitado círculo de amigos (e de amantes) faziam parte fotógrafos, por isso não é de estranhar que se tenham conservado imagens variadas de nomes entretanto consagrados como os de Tina Modotti, Edward Weston, Nickolas Muray, Martin Munkácsi, Manuel e Lola Álvarez Bravo, Gisèle Freund, entre outros.

É uma constelação que para o crítico e comissário espanhol Horacio Fernández, autor de um dos ensaios do catálogo, não chega para ultrapassar Frida Kahlo como principal referente de tudo o que é imagem na exposição. Mesmo sabendo que as fotografias não são da sua autoria (ao contrário do que o título da exposição pode sugerir), é a força aglutinadora da sua fi gura que vislumbramos, como um grande puzzle, no qual todas as fotografias que saíram agora do armário se encaixam para dar forma a mais um auto-retrato de Frida Kahlo.




Nickolas Muray, Frida Kahlo, Nova Iorque, 1946

entre aspas

Memorial aos soldados russos mortos, Daguestão, Rússia, 2000
© Thomas Dworzak/Magnum Photos


I like the fact that I am not in control, that the photographs are what happens, rather than the result only of the decision I make. You could say that’s the downside of photography, but it’s also why it is magic.


Thomas Dworzak, Magnum Featured Photographer

 
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