30 maio, 2010

Giroux Daguerréotype


Peter Coeln, da WestLicht Photographica, com a Giroux Daguerréotype
© WestLicht Photographica

Uma das raras primeiras máquinas assinadas por um dos inventores da fotografia, o francês Louis J. M. Daguerre, foi vendida em leilão por um preço recorde de 732 mil euros. O aparelho Giroux Daguerréotype foi produzido em Paris em 1839 pelo cunhado de Daguerre, Alphonse Giroux. O comprador é um coleccionador internacional que não quis revelar a identidade.
Até agora, nunca tinha sido vendida em leilão uma máquina assinada por Daguerre. Os exemplares que chegaram até aos nossos dias, cerca de uma dezena, estão em museus. O aparelho foi colocado na leiloeira austríaca WestLicht, especializada em máquinas e fotografia antiga, que em 2007 já tinha vendido uma máquina semelhante produzida pelo fabricante Susse Frères por um valor recorde de 576 mil euros, mas sem a assinatura de um dos inventores da fotografia.
Segundo a WestLicht, o aparelho de 170 anos, construído em madeira de cedro e de nogueira, apresenta todos os componentes ópticos, o interior em veludo preto e a placa com a assinatura e identificação do fabricante em "extraordinárias" condições. A existência desta Giroux Daguerréotype nunca tinha sido documentada até este leilão.
A autenticidade do aparelho foi assegurada por Michael Auer, um perito em máquinas fotográficas antigas de renome internacional e autor de vários livros sobre o assunto. O lote incluía ainda um livro de instruções original de 24 páginas, também ele extremamente raro. O antigo dono recebeu a máquina nos anos 70 como presente do pai por ter passado no exame final do curso de óptica. Estava na mesma família há várias gerações, no Norte da Alemanha.

Os resultados do leilão podem ser consultados aqui

25 maio, 2010

entre aspas

Paolo Pellegrin, Gaza 2009
© Paolo Pellegrin/Magnum Photos

I'm more interested in a photography that is 'unfinished' - a photography that is suggestive and can trigger a conversation or dialogue. There are pictures that are closed, finished, to which there is no way in.

Paolo Pellegrin, in Magnum Photos Featured Photographer

distinguir II


O festival Emergent - Photography and Visual Arts International, de Lleida, Espanha, abriu inscrições para prémio Emergent - Fundació Sorigué 2010 dirigido a qualquer aluno europeu de uma escola de fotografia, belas-artes ou comunicação audiovisual.

Mais informações aqui

distinguir


© Público


A partir da próxima edição, os Encontros da Imagem de Braga vão passar a atribuir o prémio Emergentes DST, um galardão que pretende distinguir todos os anos "a melhor obra de fotografia a nível internacional". Os pormenores do prémio serão apresentados esta quinta-feira no Museu da Imagem, em Braga, às 11h00.

=ColecçãoàVista= 55

Ed van der Elsken (1925–1990), Paris, França, 1951
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia


Vida em imagens
Ed van der Elsken, fotógrafo e realizador, é o enfant terrible da fotografia holandesa.
O tema principal do seu trabalho era a sua própria vida. Durante 40 anos exprime pela imagem fotográfica e cinematográfica, os encontros com as pessoas que com ele se cruzam.
Nascido em Amesterdão em 1925, trabalha de 1950 a 1954 em Paris, onde vive com Ata Kando. Regressa a Amesterdão onde permanece até 1971.
Entre as muitas viagens que realiza devido ao seu trabalho faz, entre 1959 e 1960, uma longa viagem ao mundo. É acompanhado por Gerda van der Veen, sua segunda mulher, de quem tem dois filhos. Faz reportagens a cores para a revista mensal Avenue durante as várias jornadas.
A partir de 1971 vive perto de Edam deslocando-se com frequência ao Japão e a Amesterdão. Tem outro filho com a terceira mulher, Anneke Hilhorst.
O seu primeiro livro - Love on the left bank - foi publicado em 1956 e tornou-o imediatamente conhecido.
Morre em 1990, dois anos depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro.
(texto:CPF)

24 maio, 2010

Animais de estimação


Valter Vinagre, da série Animais de Estimação
© Valter Vinagre



Quanto mais exposições vejo em antigos espaços industriais semi-abandonados mais tenho a certeza que não há melhor lugar para mostrar fotografia. A Antigua Fábrica de Tabacos de Madrid é só mais um exemplo recente da reconversão de um colosso edificado em lenta podridão num local vivo, prenhe de ideias e manifestações criativas. Desde o início do mês uma exposição duplamente colectiva aborda questões relacionadas com o meio ambiente, no ano em que se celebra a biodiversidade. E.C0 2010 reúne imagens de vinte colectivos de fotógrafos da Europa e da América do Sul. A [kameraphoto] é a representante portuguesa. Antes da partida para Madrid, conversei com Valter Vinagre sobre o ensaio escolhido que aborda o fascínio pelos animais embalsamados:


Qual era o desafio de partida?
Era fotografar algum tema relacionado com biodiversidade em Portugal. Foram convidados colectivos de vários países da Europa e da América do Sul.

Esta actividade da taxidermia está em extinção? Foi fácil encontrar pessoas que se dedicassem a ela?
Não. A maioria já tem muita idade. Encontrei uma pessoa que ainda faz e tem 80 e tal anos. Está sempre a criticar o pessoal que se metia a fazer esse trabalho sem saber muito bem o que estava a fazer.

Como é que te lembraste desta “fauna” que ainda sobrevive em muitas casas portuguesas?
Nunca tenho bem a noção de quando é que a ideia para um trabalho mais alargado surge. Durante a realização deste projecto tentei recordar-me do momento em que o assunto se atravessou à minha frente e me fez pensar, mas não consegui isolá-lo. O tema da morte, dos “cães danados”, de uma certa noção de ruína tem-me acompanhado… Quis registar a teimosia humana, a necessidade que temos de tentar perpetuar memórias, neste caso memórias naturais em extinção.
Quando nos chegou este desafio e se começou a discutir, na [kameraphoto], o que é que se ia fazer, lembrei-me logo dos animais embalsamados que muitas vezes aparecem expostos nos cafés. E fui, também, à procura deles em espaços mais privados. Para o conjunto de 12 imagens que apresento acabei por seleccionar apenas uma captada em cafés. As restantes foram tiradas em espaços privados.

Não deixa de ser interessante reconhecer que o conjunto pode ser lido também como a antítese da biodiversidade, se entendermos o termo na sua noção mais restrita, ou seja, como o conjunto de todas as espécies e seres vivos nos seus ecossistemas
Agrada-me esse contra-pé com o tema proposto. Há também alguma ironia no título da série, animais de estimação, tendo em conta que estes animais eram selvagens e acabam por ser domesticados depois de mortos, tornaram-se queridos das pessoas e como tal foram embalsamados e não destruídos. Em alguns casos, eram animais domésticos cujos donos os quiseram perpetuar desta forma.

Outra coisa extraordinária é que esta actividade pode ajudar a limitar ainda mais a biodiversidade, tendo em conta a procura de animais exóticos e raros para embalsamar
Sim, é verdade. Mas há um dado curioso: esta actividade tornou-se cada vez mais rara por causa de uma lei que a enquadrava e que levantou o boato de que era proibido ter em casa animais embalsamados em perigo de extinção, o que fez com que muita gente deitasse fora esses animais e que a actividade acabasse também por sofrer… Ironicamente, isto significa que alguns animais embalsamados podem ser duplamente raros. Há poucos embalsamamentos bem executados. E a maior parte dos que existem estão nos museus.

Há também uma mensagem que é: atenção porque qualquer dia para ver uma determinada espécie só desta maneira.
Sim. Há um lado do trabalho que pode funcionar como alerta.

E a abordagem? Todo este universo à volta da taxidermia é um pouco kitsch
Muito. Para além de mostrar os animais, quis dar um pouco do universo que os rodeia. Interessa-me muito a memória dos lugares, os ambientes em que as coisas aparecem e se constroem.

O conjunto dá um ambiente assustador, a fazer lembrar filmes de classe Z. Apesar de “domesticados” estes animais têm um ar tenebroso, agressivo. O flash sublinha esse aspecto e parece que os apanhaste em flagrante no seu meio natural
É uma maneira de sublinhar ainda mais a ilusão de vida que se pretende criar com o embalsamamento. Por outro lado, ao dar parte do cenário onde estão arrumados, remeto para o seu lado doméstico e… definitivamente domesticado. São usados como bibelots.

E por que é que o colectivo decidiu apresentar o trabalho de uma pessoa?
Achamos que era a maneira de apresentar um trabalho mais homogéneo, em vez de estar a juntar uma ou duas imagens de várias pessoas para um total que não ultrapassará as 15 fotografias. Com o devido respeito, quisemos fugir um pouco ao estilo national geographic. Até porque nenhum de nós trabalha a natureza de uma forma recorrente a partir de um ponto de vista tão estreito e académico.

E conheciam as abordagens dos outros colectivos?
Antes de começar a trabalhar nestas imagens, não.

Queres continuar a fotografar este universo?
Sim, interessa-me muito. Para já, quero continuar a fotografar na região da Beira-Baixa. E depois ir pelo país.

O tema é biodiversidade, mas este trabalho é mais sobre a morte do que sobre a vida

É mais sobre a morte, nitidamente. Não quis ir pelo lado do troféu de caça, mas mais pelo apego que as pessoas demonstraram ter por estes objectos que antes de serem bibelots foram animais vivos.



Valter Vinagre, da série Animais de Estimação

© Valter Vinagre

21 maio, 2010

MadridFoto


© Nuno Cera
Cortesia galeria Pedro Cera
A fotografia portuguesa vende bem
Sérgio B. Gomes (P2, Público, 21.05.2010)

Voltar. A fotografia portuguesa saiu-se bem na MadridFoto e por isso as quatro galerias lisboetas que se instalaram na capital espanhola entre 12 e 16 de Maio querem regressar à única feira internacional de fotografia da Península Ibérica, que teve este ano a sua segunda edição. A grande maioria dos autores nacionais representados conseguiu vender trabalhos.

Apesar de uma semana cheia de vicissitudes e acontecimentos extraordinários que afastaram visitantes e compradores (desde o anúncio de medidas de austeridade em Portugal e Espanha à Gran Via engalanada - e alcatifada de azul - para comemorar 100 anos e celebrar Santo Isidro), o balanço global dos galeristas portugueses é positivo. Para a Galeria Filomena Soares, em particular, o arranque da feira não podia ter sido melhor: logo no primeiro dia uma obra da dupla Dias & Riedweg (Cada coisa seu lugar. Outro lugar, outra coisa, 2009) foi reconhecida com o prémio Comunidad de Madrid, o que significa que foi comprada para a colecção desta instituição. Para Manuel Santos, um dos directores da galeria, é em tempo de crise que "vale a pena apostar" em arte. Até ao último dia da feira tinha vendido obras dos portugueses Vasco Araújo, Helena Almeida e João Penalva. Entre os artistas estrangeiros, foram negociados trabalhos de Günther Förg, Shirin Neshat e Allan Sekula.

A Galeria Pedro Cera, que se estreia numa feira exclusivamente dedicada à fotografia, vendeu imagens dos três autores que levou até à capital espanhola. Pedro Cera dá conta de um momento de algum constrangimento, mas desdramatiza: "Foi muito produtivo ter vindo. Há muitos coleccionadores cautelosos e que sabem que o cenário é difícil, mas não é dramático." As fotografias vendidas tinham valores entre os 7500 euros (Pedro Barateiro) e os 3750 (André Cepeda).

Na Carlos Carvalho, a única galeria portuguesa repetente da feira, as fotografias de Isabel Brison (Lisboa, 1980) foram das que mais interesse suscitaram. As duas fotografias que ainda estavam na parede (da série Maravilhas de Portugal, trabalhos entre a desordem paisagística e a poluição visual) venderam quatro cópias a 1200 euros, mas o galerista afirma ter vendido outros trabalhos da artista ("Quantas tivéssemos, quantas vendíamos"). Apesar do sucesso das imagens de Brison, o retorno dos custos da deslocação até Madrid não ficou garantido. "Acho que não vamos conseguir pagar a feira, mas como temos um bom grupo de artistas que utiliza a fotografia era muito importante estarmos cá." Uma das vendas mais simbólicas foi a de uma imagem de Daniel Blaufuks para a Fundació Foto Colectania de Barcelona, a primeira do artista português numa das mais importantes colecções de fotografia de Espanha.

A Módulo, de Mário Teixeira da Silva, um dos primeiros galeristas a expor fotografia em Portugal, decidiu apostar num espaço totalmente preenchido com fotógrafos portugueses: Rodrigo Amado, Brígida Mendes, António Júlio Duarte, Virgílio Ferreira e Ana Telhado. No último dia da feira confirmaram-se as vendas de imagens de António Júlio Duarte, Rodrigo Amado e Brígida Mendes. O galerista mostrou-se satisfeito por ter regressado "ao circuito das feiras pequenas" e sem "poluição visual". "O formato desta feira agrada-me. Há muita qualidade na maioria das galerias e julgo que tem pernas para andar", disse ao P2.

Fora das galerias portuguesas, a londrina White Space Gallery (uma das mais concorridas da MadridFoto) vendeu a única imagem exposta de José Pedro Cortes (1300 euros). Já a Galería La Caja Negra (Madrid) que representa Edgar Martins não conseguiu negociar nenhuma das fotografias da nova série do artista, The Reluctant Monoliths, que isola paisagens e objectos urbanos sobre fundo negro.

As imensas bancadas vazias que rodearam o espaço da feira no Palácio dos Desportos (no centro de Madrid) acabaram por resultar numa metáfora perfeita em relação ao número de visitantes que ao longo dos dias pareceu sempre demasiado escasso. Em conversa com o P2, Giulietta Speranza, a directora artística da feira, mostrou-se "muito satisfeita" com a qualidade dos trabalhos e com o facto de, este ano e a seu pedido, boa parte das 58 galerias participantes terem apostado também em autores clássicos e provas vintage (de época).

A feira do ano que vem já começou a ser pensada. É provável que a próxima MadridFoto volte a andar com a casa às costas.

18 maio, 2010

=ColecçãoàVista=54

Berenice Abbott (1898-1991), 7th Ave. between 12th and 13th Street, New York City, 1936
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia



New york, New York

Abbott consagra a paixão pela fotografia em 1923, altura em que Man Ray procura alguém que nada saiba sobre fotografia e acaba por contratá-la como assistente de câmara escura. Impressionado com o seu trabalho, apresenta-a a Eugène Atget. A fotógrafa desenvolve grande admiração por Atget e consegue, pouco antes da sua morte, persuadi-lo a sentar-se para um retrato [1927]. É numa visita a Nova Iorque, quando procura ostensivamente uma editora para resgatar o esquecimento da obra de Atget, que Abbott vê na cidade o potencial fotográfico. Decide ficar para fotografar o urbanismo com a diligência e atenção ao detalhe que tanto admirou em Atget. O seu trabalho é hoje um testemunho histórico dos edifícios destruídos e bairros de Manhattan..
(texto:CPF)

08 maio, 2010

Mudanças

José Manuel Ballester
© José Manuel Ballester

Pausa para mudanças. Até já.

02 maio, 2010

J. Laurent

Palácio de Monserrate, Sintra (Colecção Alexandre Ramires)


O pioneiro francês que fotografava ao ritmo do comboio

Sérgio C. Andrade
P2, Público (1.05.2010)

A convicção de Ângela Castelo-Branco, a comissária portuguesa da exposição J. Laurent e Portugal - Fotografia do Século XIX, na Torre do Tombo, em Lisboa (até 31 de Maio), é que este pioneiro francês da fotografia (1816-1886), mas que desenvolveu o mais importante da sua actividade a partir de Madrid, onde montou o seu estúdio e se tornou numa espécie de fotógrafo oficial da casa real, visitou e fotografou Portugal em 1869, tendo mesmo ficado por cá até ao início do ano seguinte.

Ainda que não tenham sido até agora descobertos testemunhos que permitam fixar com certeza histórica a data da viagem, a comissária e investigadora da história da fotografia socorre-se de elementos como o calendário do desenvolvimento da rede ferroviária no nosso país para avançar o ano de 1869. "O fotógrafo deslocava-se de comboio devido à quantidade de material necessário para a obtenção dos negativos em vidro de colódio húmido que tinham de ser sensibilizados e revelados no local onde se fotografava", escreve Ângela Castelo-Branco no texto de apresentação da exposição - que, no ano passado, foi apresentada no Centro Português de Fotografia/Cadeia da Relação, no Porto, e que deverá poder vir ainda a contar com um catálogo que documente a importância de Laurent para a história da fotografia.

J. (que pode ser lido Jean ou Juan) Laurent "foi o primeiro fotógrafo a fazer o levantamento paisagístico e patrimonial da Península Ibérica", diz ao P2 a comissária da exposição, relevando "a grande visão comercial" que presidiu a este projecto de "inventário". Publicou em 1872 e 79, no seu Catálogo de los retratos que se vendem en casa de J. Laurent, a série de fotografias que realizara em Portugal. Nelas destacam-se paisagens, retratos (género a que Laurent se dedicou no início da carreira, e que está também ainda pouco documentado) e registos de vários monumentos, mas há também pintura e escultura fotografadas em instituições como as academias reais das Ciências e de Belas-Artes, em Lisboa.

Mas são principalmente os monumentos mais conhecidos do património português que foram documentados pela objectiva de Laurent, e que na Torre do Tombo podemos agora revisitar, recuando à segunda metade do século XIX: o Palácio de Monserrate, em Sintra, os Jerónimos, em Lisboa, os mosteiros da Batalha e de Alcobaça, a igrejas de Santa Cruz, em Coimbra, dos Clérigos, no Porto, ou do Bom Jesus, em Braga...

Para além de Castelo-Branco, a exposição J. Laurent e Portugal (integralmente constituída por imagens originais, e que inclui também algumas "vistas" de Espanha) é igualmente comissariada por Alexandre Ramires e pelo espanhol Carlos Teixidor, curador dos espólios fotográficos de J. Laurent, que estão depositados no Instituto do Património Cultural de Espanha e no arquivo Ruiz Vernacci, em Madrid.


Elche, Alicante, Espanha (Colecção Nuno Borges de Araújo)

 
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