16 dezembro, 2010

alternativos

Bruce Davidson, in Outside Inside
©Bruce Davidson


O crítico de fotografia Sean O'Hagan fez uma lista de sete livros de fotografia do ano para o Observer. Não completamente satisfeito com a escolha (demasiado "natalícia"), seleccionou para o Guardian uma lista alternativa mais pessoal onde aparecem livros raros e também mais caros.
Eis a "segunda" escolha de O'Hagan:

1. Outside Inside by Bruce Davidson, Steidl, £220
2. Before Colour by William Eggleston, Steidl, £40
3. Grimaces of the Weary Village by Rimaldas Viksraitis, White Space, £25
4. New Topographics by Various, Steidl, £44
5. Kanaval by Leah Gordon, Souljazz, £39.99
6. The Jazz Loft Project by Sam Stephenson, Random House, £25
7. Contraband by Taryn Simon, Steidl, £40
8. A Million Shillings by Alix Fazzina, Trolley Books
9. Yangtze – The Long River by Nadav Kander, Hatje Cantz, £55
10. See You Soon by Maxwell Anderson, Bemojake/Self Publish, Be Happy, £20


o amor


Henri Cartier-Bresson, noite de ano novo, Times Square, Manhattan, Nova Iorque 1959

O Focus Project divulgou o primeiro tema do seu concurso internacional de fotografia: o amor. Qualquer fotógrafo pode participar e o pacote de prémios inclui 5 mil doláres, a publicação de um livro, promoção mundial do trabalho vencedor, entre outros.
O prazo para entrega dos portfólios termina no dia 22 de Dezembro. Mais pormenores aqui

15 dezembro, 2010

entre aspas


Alec Soth, Mother and daughter, USA, Davenport, Iowa, 2002
© Alec Soth/Magnum Photos

I fell in love with the process of taking pictures, with wandering around finding things. To me it feels like a kind of performance. The picture is a document of that performance.

Alec Soth, in Magnum Photos Featured Photographer


"C" de volta


A revista C Photo está de volta depois de fechado um ciclo de publicação de dez números. Génesis é o tema dos dois primeiros volumes do novo ciclo de edições, que prometem mostrar os primeiros trabalhos de alguns dos mais importantes e representativos artistas da fotografia contemporânea.
A revista pode ser comprada aqui

14 dezembro, 2010

PHE11

Shilpa Gupta, s/t, 2006
© Shilpa Gupta, cortesia Galerie Yvon Lambert, Paris



A XIV edição do PHotoEspaña, Festival Internacional de Fotografía y Artes Visuales acontece entre os dias 1 e 24 de Julho de 2011. O comissário-geral para as próximas três edições é Gerardo Mosquera que organizará festivais em torno do conceito de interfaces.

DBPP

Thomas Demand, Embassy, VIIa, 2007
(© Thomas Demand, cortesia VG Bild Kunst, Bona, VEGAP, Madrid)


Os quatro finalistas para a próxima edição do Deutsche Börse Photography Prize já foram anunciado pela Photographers’ Gallery de Londres.

São eles:
#Thomas Demand
#Roe Ethridge
#Jim Goldberg
#Elad Lassry

O Deutsche Börse Photography Prize reconhece um fotógrafo vivo, de qualquer nacionalidade, que tenha dado um contributo significativo para a fotografia na Europa, entre 1 de Outubro de 2009 e 30 de Setembro de 2010. O prémio é de 30 mil libras.

voar

Brandám Gómez, Esto nunca Sucedió
© Brandám Gómez



Na última edição da 10x15 o desafio é voar. Sugestões para levantar os pés do chão de Joan Fontcuberta, Ivo Mayr, Florencia Rojas, entre outros. Aqui

13 dezembro, 2010

tentar



Martin Brink, Photos from 2006-2010
© Martin Brink


Terminam a 30 de Dezembro as candidaturas para as bolsas New Photography da Humble Arts Fundation.

Os pormenores estão aqui

09 dezembro, 2010

os melhores



Aqui está a lista dos foto-livros e dos livros sobre fotografia vencedores dos prémios alemães da especialidade Fotobuchpreis:

Medalhas de ouro

#Black Passport, de Stanley Greene/Noor e Teun van der Heijden, Schilt
#Yangtze –The Long River, de Nadav Kander, Hatje Cantz
#The First Retrospective, Lillian Bassman & Paul Himmel, Kehrer
#
The Business of Oil and Gas in Nigeria, Christian Lutz, Lars Müller Publishers
#
Outside/Inside, Bruce Davidson, Steidl

Medalhas de prata

#Latitude Zero, Monique Stauder, Schilt
#
Fluffy Clouds, Jürgen Nefzger, Hatje Cantz
#André Kertész, André Kertész, Hatje Cantz
#
Recollection, Walter Niedermayr, Hatje Cantz
#Lachen auf dem See, Hugo Suter, Lars Müller Publishers
#Tokyo Compression, Michael Wolf, Peperoni Books
#
Julian Schnabel Polaroids, Julian Schnabel, Prestel
#Oil, Edward Burtynsky, Steidl
#
Contraband, Taryn Simon, Steidl
#90 Days. One Dream, Kristian Schuller, Viermament

Teoria/ensaio, medalha de ouro
#The Mexican Suitcase (Robert Capa, Gerda Taro, David Seymour), Cynthia Young, Steidl

Teoria/ensaio, medalha de prata
#Bildbestimmung: Identifizierung und Datierung von Fotografien 1839 bis 1945, Timm Starl, Jonas



08 dezembro, 2010

entre aspas


Sol LeWitt (1928 - 2007), Sunrise and Sunset at Praiano, 1980

Art shows come and go, but books stay around for years. They are works themselves, not reproductions of works. Books are the best medium of works. Books are the best medium for many artists working today.

Sol LeWitt

07 dezembro, 2010

saldos





Há descontos de 25% no site da Phaidon se se comprarem dois ou mais livros desta lista da qual fazem parte The Photobook: A History (vols. I e II) e Photo Trouvée.


retratos de Gageiro


Sylvie Vartan

© Eduardo Gageiro


A dobrar o ano, a [Kgaleria] convoca o trabalho de Eduardo Gageiro mais ligado ao retrato e à figura humana. José Carlos de Vasconcelos escreveu este texto para a exposição Retratos com Histórias que abre portas no dia 9 de Dezembro, às 18h30:


Eduardo Gageiro, fotorrepórter e artista

Ninguém fotografou melhor certo Portugal do que o Eduardo Gageiro. Como fotorrepórter e artista, sem esquecer o cidadão, a sua enorme e notável obra tem-nos muitas vezes dado, de corpo inteiro, a nossa gente, o nosso povo e sua circunstância. Sempre acompanhei o seu trabalho, com crescente admiração, sobretudo depois de eu próprio vir, no princípio da segunda metade dos anos 60, para a redação do Diário de Lisboa, conhecê-lo pessoalmente, encontrá-lo em muitos 'serviços', ambos repórteres, ver como o Eduardo trabalhava e tantas vezes conseguia como que tirar água das pedras... Até hoje. O que lhe tem valido uma justa consagração, também internacional, que alguns, poucos, despeitadamente nunca lhe perdoaram: dentro da profissão, considerando que não era um fotorrepórter mas um «artista», dando a «artista» uma carga depreciativa; fora da profissão considerando que não era um «artista» mas um fotorrepórter, dando a fotorrepórter uma carga depreciativa de sentido contrário... Quando o Gageiro é, precisamente e superlativamente, as duas coisas, que não se excluem, antes se interpenetram e mutuamente valorizam.


Fotorrepórter e artista, Gageiro tem estado, está, sempre presente, aí pelas ruas, pelo país, anónimo, de máquina ao tiracolo, sobretudo entre as "pessoas comuns", nos instantes anódinos, quotidianos, que o seu raro olhar revela em todo o significado e simbolismo, como nos momentos mais importantes da nossa história recente, com natural destaque para o 25 de abril – ele que é, aliás, fotógrafo do 25 de abril desde antes do 25 de abril.O que aqui ele agora nos mostra são retratos, ou "retratos informais", 30 no total: dois de políticos, Salazar e Spínola, tão diferentes entre si como, ambos, excelentes, sobretudo o do ditador solitário frente ao mar no Forte em que cairia da cadeira e do poder; e 28 de outras tantas figuras da literatura, da arte e do espetáculo, portuguesas e estrangeiras.


Como se sabe, o retrato é uma das "disciplinas" preferidas de Gageiro, e daquelas em que mais se tem distinguido. Inclusive a fotografar escritores e artistas, como, entre outros, José Cardoso Pires e Sophia. Cito os dois também porque são de certa forma emblemáticos em relação à sua arte e porque há retratos seus nesta expressiva mostra. O de Sophia, já bastante conhecido, constitui mesmo, em meu juízo, o extraordinário exemplo de como através de uma simples fotografia se podem ‘dar’ os instrumentos, o ambiente e o clima de trabalho de uma grande poeta – e até a elegância, o tom e o espírito não só de uma grande senhora como da sua poesia, ou de boa parte dela.


Entre os outros retratos de escritores, além de um magnífico Jaime Cortesão, de grandeza e perfil proféticos, e de um Mário Cesariny enquanto jovem, completamente diferente e inesperado, quero destacar dois: os de Miguel Torga e José Régio. Ambos talvez ainda mais inesperados do que o de Cesariny, ou do que o de Ferreira de Castro no franciscano quarto do hotel onde em geral vivia e escrevia, mostrando a capacidade de Gageiro colocar os seus retratados em situação (bem patente noutras imagens como a – formidável – de Raul Solnado), e/ou fotografá-los em situações absolutamente surpreendentes. De facto, ninguém esperaria ver Régio, de seu natural tão discreto e reservado, fotografado na cama, de pijama; e ver Torga, que não dava entrevistas, não aparecia e cultivava o mito de «inacessível», no remanso do lar, de casaco e gravata, mas sem sapatos, de meias grossas junto a uma lareira não a sério, como as do seu Trás-os-Montes, mas elétrica, sem brasas, sobre uma carpete…

Mas é impossível falar aqui de outros grandes retratos desta exposição. Sem entrar em brilhantes imagens, fora do universo dominante do Eduardo, como as de Grace Kelly e de Gina Lollobrigida, destacarei, no entanto, além de um Nureyev "homem comum", longe do sortilégio da sua arte e das luzes da ribalta, as por todas as razões fantásticas fotografias de Arthur Rubinstein no Coliseu e de Orson Wells no Guincho: dois verdadeiros "clássicos" nesta tão difícil disciplina.O mesmo se pode dizer, por exemplo, da tão criativa e extraordinária foto de Amália, que como Carlos Paredes surge neste pequena mas impressiva mostra. E não por acaso, a concluir, falo dos dois. É que Amália e Paredes, cada um na sua arte, a primeira a cantar, o segundo com a sua genial guitarra, como ninguém deram voz ao povo português. E sem querer fazer quaisquer comparações, a outro nível, e no domínio da fotografia, sinto que alguma coisa de semelhante acontece com o Eduardo Gageiro.


José Carlos de Vasconcelos
(Este texto segue as regras do novo Acordo Ortográfico)

05 dezembro, 2010

mus

Mónica Vacas no Ateneu Obreru de Xixón
© Marco Antonio Villabrille


Chega a ser desconcertante a osmose perfeita (luminosa) entre modernidade e tradição que a dupla de Gijón Mus (Mónica Vacas e Fran Gayo) consegue impor na música que faz. A imagem de capa do disco La vida condensa bem o caminho trilhado entre a pop e a folk. Entre o cá e o lá, longe.


Y agora tu,
canta por mi
una añada [uma canção de embalar] que diga
'duerme papá,
descansa,
todos seguimos equí'


Añada pal primer mes, Mus, La vida (Green Ufos, 2006)

04 dezembro, 2010

a primeira...


Em boa hora se decidiu organizar uma feira de livros relacionados com fotografia. A iniciativa, que quer tornar-se "regular", tem tudo para ser mais uma semente no cultivo do interesse pelos foto-livros e demais obras do universo da fotografia em Portugal. Nesta primeira edição, que decorrerá em Lisboa no espaço da Fábrica do Braço de Prata, entre os dias 10 e 12 de Dezembro, participam fotógrafos, editores, livrarias, alfarrabistas e galerias com obras a preços baixos (descontos até 20%) e edições limitadas e de autor.

A declaração de intenções dos organizadores (Os Suspeitos, Filipa Valladares e Exposições Fábrica do Braço de Prata) é clara: "Queremos divulgar as edições fotográficas, abrindo o interesse do público para este mercado e criando uma plataforma para o diálogo sobre este meio específico dentro da fotografia, cruzando-o com áreas como o design, as artes plásticas, o jornalismo, o cinema ou a edição em geral." E para além da feira, haverá 2 conferências que abordarão a relação do meio fotográfico com a impressão em livro e com a imprensa (papel e digital).
Que venham mais.

Participantes:
#
A Estante
#Alexandria Livros
#Arquivo Municipal de Lisboa – Núcleo Fotográfico
#Chromma
#Fundació Foto Colectania
#Gustavo Gili
#Inc. Livros e edições de autor
#KameraPhoto
#Pente 10
#Pierre Von Kleist
#Vera Cortês – Agência de arte/TIJUANA Lisboa
#Livraria Braço de Prata (Assírio & Alvim, Relógio d’Agua e Cotovia)

Conferências:
Sábado, 11, 17h30
Fotógrafos que também são editores
José Pedro Cortes, André Cepeda, Patrícia Almeida, Carlos Lobo

Domingo, 12, 17h30
Para acabar de vez com o fotojornalismo?
Fotógrafos da Kameraphoto: Céu Guarda (editora de fotografia do Jornal i) e Martim Ramos

Horário da feira:
Sexta-feira: das 18h00 às 24h00
Sábado e Domingo, das 16h00 às 23h00
Entrada livre até às 21h30

Club 13, Nils Petter Löfstedt, Pierre von Kleist Editions
© Pierre von Kleist Editions

03 dezembro, 2010

entre aspas



To take a photograph is to align the head, the eye and the heart. It's a way of life.


Henri Cartier-Bresson, in Magnum Photos Featured Photographer

Roadside America

Dog Bank Park Bed & Breakfast Cabin, Cottonwood, Idaho, 2004


Jóias à beira da estrada

Luís Maio (Fugas, Público, 30.10.2010)

Learning From Las Legas saiu em 1972 e foi uma pedrada no charco no mundo da arquitectura. O ensaio assinado por Robert Venturi e Denise Scott Brown veio propor a reabilitação da arquitectura vernacular, nos antípodas do funcionalismo e do austero estilo internacional, que então vigoravam no ramo. Contagiados pela vibração popular, os autores improvisaram títulos jocosos para as duas principais categorias de arquitectura que divisaram em Vegas. Chamaram “alpendres decorados” a edifícios frequentemente banais, mas cobertos de reclames, caso por excelência dos casinos da Strip. Atribuíram, por outro lado, a designação de “grande pato” àqueles que pela sua forma publicitam o que vendem – justamente como o mercado de aves construído em betão armado com a silhueta de um pato, que descortinaram em Long Island.

Esta apologia do vernacular antecipou o debate da pós-modernidade, mas na altura indignou os arquitectos sérios e mais genericamente a intelligentsia norte-americana. Learning From Las Legas não foi, no entanto, uma estreia absoluta: dois anos antes, a Liga de Arquitectura de Nova Iorque organizou uma retrospectiva dedicada a Morris Lapidus, autor de uma porção de hotéis surreais, sobretudo construídos em Miami e Hollywood. O autor desse escândalo, que é como quem diz o curador da exposição Lapidus, era John Margolies, então um jovem graduado em Comunicação Social. Voltaria a reincidir pouco depois ao assinar na revista Progressive Architecture uma apologia do Madonna Inn, hotel temático e catedral do kitsch, sediada em San Luis Obispo, na Califórnia.

John Margolies era desde miúdo um apaixonado do vernacular, em particular da arquitectura e do design que cresceram à beira das velhas estradas da América. Learning From Las Legas veio dar-lhe legitimação teórica, mas também um novo estímulo para partir à descoberta de “grandes patos” e “alpendres decorados” pela América fora. Tornou-se então fotógrafo e durante os trinta anos seguintes viajou perto de 150 mil quilómetros. Sempre dentro dos Estados Unidos, sempre na senda dessas peças de desenho extraordinário. Roadside America, editado Taschen, é a mais recente retrospectiva desse extraordinário trabalho de campo.

Paisagens improvisadas
Os motéis e restaurantes à beira da estrada surgiram nos anos 20, os minigolfes e os cinemas drive-in popularizaram-se na década seguinte. A vulgarização dessas atracções e comércios resultou da paixão norte-americana pelo automóvel, desencadeada pelo lançamento do Modelo T da Ford em 1908. A sua rápida produção em série levou à criação quase instantânea de uma intrincada rede rodoviária, cruzando o país inteiro.

Se os automóveis foram feitos para andar, o propósito dos negócios à beira da estrada era desviá-los do caminho. Um desafio nada fácil de resolver, a que os proprietários dos estabelecimento –, na maior parte gente com mais engenho que cultura –, respondeu improvisando estratégias por vezes luminosas, mas raramente subtis de autopromoção. Letras garrafais, tabuletas XL, néones cintilantes e um sem número de fantasias arquitectónicas integraram esse reportório de manobras de diversão, sinalizando e simbolizando uma variedade de tópicos, desde a fome à diversão, passando pela fé e pela moda. Toda uma iconografia de factura popular, respondendo à necessidade básica de chamar à atenção, não propriamente a exigências de apuro estilístico – embora boa parte dessas criações ingénuas tenha vindo a ser mais tarde reabilitada como Pop Art instantânea.

Até que, em 1956, o Governo Federal aprovou uma lei destinando cerca de 33 mil milhões de dólares para a construção de auto-estradas. Passou a ser possível viajar de costa a costa dos Estados Unidos sem precisar de fazer grandes paragens. Para tornar o sistema mais funcional, a lei previa o condicionamento dos acessos às auto-estradas, proibindo qualquer espécie de distracção nas bermas. As novas condições de circulação coincidiram, por isso mesmo, com a multiplicação de estabelecimentos de traça uniforme de marcas como Shell nos combustíveis, Holiday Inn na hotelaria ou McDonald’s na restauração. O êxito destes fenómenos de estandardização e franchising foram a machadada final para muitos negócios independentes de arquitectura ou design únicos, semeados à beira de antigas e cada vez menos usadas rodovias de via dupla.

Broadway Style House, Shreveport, Louisiana, 1982


Consagração da nostalgia
Foi este universo tipicamente norte-americano, entretanto desqualificado como baixa cultura e condenado em nome do progresso, que John Margolies se propôs documentar a partir de meados dos anos 70. Recorreu à fotografia, mesmo sem saber grande coisa de fotografia e ao longo de trinta anos de carreira foi repetindo que não era fotógrafo. John usava máquinas Canon, uma lente básica (há quem prefira dizer “clássica”) de 50 mm e filmes de 25 ASA, um tipo de filme lento, ideal para puxar pelas cores. Nunca chegou, por outro lado, a fazer o upgrade para o digital.
Margolies tinha, no entanto, um método peculiar, ou melhor será dizer a sua própria rotina de campanha. Ele, que vivia em Nova Iorque, partia à exploração de estradas secundárias na América profunda, por temporadas mais ou menos largas (conforme os patrocínios), mas sempre na estação baixa, para evitar eventuais congestionamentos de trânsito. Chegava aos sítios através de uma ou outra dica de edifícios na sua esfera de interesses, depois ia perguntando e descobrindo outros pelo caminho.

Fotografava sempre com céus azuis (pelos quais podia esperar vários dias), de preferência de manhãzinha, condições que lhe permitiam tirar partido das cores mais frequentemente saturadas dos seus temas. Mas não procurava uma perspectiva especial, ou qualquer tipo de efeito autoral. As suas imagens comungam de uma neutralidade, mais tarde revalorizada como o tom perfeito para acentuar a carga dramática/ poética das suas atracções arruinadas.
Os prédios que fotografava poderiam estar ao abandono ou à beira da demolição, mas as suas imagens depressa chamaram à atenção, valendo-lhe uma subvenção da Guggenheim Fellowship em 1978. Outros financiamentos se seguiram, permitindo-lhe passar até quatro meses por ano a fotografar on the road. Depois vieram as exposições, a começar pelos hotéis das montanhas de Catskill, no Museu Cooper-Hewitt de Design de Nova Iorque, em 1980, e as edições em livro, seja sob a forma de catálogo das exposições, seja de antologias temáticas, dedicadas a especialidade como os cinemas drive-in e os minigolfes.

A consagração internacional chegou já no novo milénio, com homenagens em lugares tão distantes quanto Roma e Macau, ao mesmo tempo que o próprio Congresso norte-americano lhe reconheceu o mérito, comprando-lhe fotografias para o seu arquivo. O mesmo é dizer que as imagens de John Margolies e, consequentemente, a arquitectura e o design vernaculares que passou a vida a retratar, já não são considerados uma piada de mau gosto, mas parte integrante da identidade americana.

A paixão de Margolies terá certamente contribuído para a mobilização que se tem verificado nos Estados Unidos no sentido de preservar os seus tesouros à beira da estrada, inclusive requalificando-os como destinos turísticos. Há mesmo um roadsideamerica.com, guia online para atracções estranhas e prodigiosas, do qual muito obviamente a Tashchen tomou o nome de empréstimo para a presente edição. O guia inclui mapas, sugestões de hotéis e dicas para excursões pela América bizarra e artigos sobre temas tão insólitos como cemitérios de cães, mulheres transparentes e bovinos gigantes.

roadsideamerica.com não partilha, no entanto, da visão e do sentido quase missionário subjacentes ao trabalho de Margolies, já comparado a Heródoto, o célebre historiador que na Antiguidade se dedicou a lançar luz sobre civilizações desaparecidas. Não é menos certo, por outro lado, que as imagens do fotógrafo nova-iorquino funcionam para além do documental, seduzindo na mesma medida em que invocam uma América utópica e desaparecida – a América que já não existe mas com que sonha meio mundo. Nesse aspecto, John Margolies não ficará muito a dever a artistas como Edward Hopper ou Norman Rockwell.



Gorilla Girl, Atlantic City, Nova Jérsia, 1978

22 novembro, 2010

Just Kids


Patti Smith e Robert Mapplethorpe em 1969



Quando trabalhava na livraria Scribner Patti Smith sonhava escrever e imaginava como seria receber um National Book Award, os mais reputados prémios de literatura americanos. Na semana passada, a dama do punk-rock saboreou o momento ao vencer o prémio na categoria de Ensaio com o livro Just Kids, onde recorda a Nova Iorque dos anos 60 e 70 bem como a sua relação de amizade com o fotógrafo Robert Mapplethorpe.


A recensão crítica do NYT ao livro está aqui e a do Guardian aqui

21 novembro, 2010

Guy Bourdain




Joana Amaral Cardoso
(Público, P2, 12.11.2010)

Madrid está cheia de imagens de moda: Mario Testino e o seu Todo o Nada no Museu Thyssen Bornemisza, os 100 anos da Vanity Fair, muitos deles inevitavelmente de moda, na Galeria Ivory Press, e as imagens enigmáticas de Guy Bourdain em Message for You (Sala Canal Isabel II) a servir de corolário.

O nome não rola logo da língua fashion, ao contrário do que acontece com Helmut Newton, Richard Avedon ou mesmo do mais contemporâneo e polémico Terry Richardson. Bourdain é tão iconoclasta como eles. Provocador, criou imagens sugestivas nos terrenos da sexualidade ou da violência. Mas ele era mais discreto - não dava entrevistas nem esclarecia confusões biográficas.

O fotógrafo francês, que morreu em 1991, aos 63 anos, queria era ser pintor. Talvez por isso haja ecos de obras de mestres do século XX no seu trabalho, talvez por isso tivesse uma relação difícil com as fotografias que produzia, talvez por isso fosse arredio do circuito da moda (leia-se as festas, os desfiles). "Era excêntrico e não queria ser medíocre", dizia ao El País Samuel Bourdain, o seu filho. Foi apadrinhado por Man Ray e um apaixonado por Magritte.

Tal como Newton, encenava ao detalhe as suas produções para conseguir composições potentes e narrativas de moda que iam da provocação à insinuação, impondo os expedientes mais extremos às suas modelos. Entre as ideias que as suas imagens nos provocam estão o desconforto e o perigo - e não o mais esperado encanto daquela mulher escultural nos seus sapatos altos. "O que vemos em Bourdain é uma ligação de dois grandes temas: desejo e morte", disse ao Telegraph Philippe Garner, um dos directores da leiloeira Sotheby`s.

Em 2003, uma retrospectiva no Victoria & Albert Museum de Londres começava a celebração da sua obra. Agora, além da exposição madrilena, é lançada a monografia In Between, sobre o trabalho de Bourdain, apadrinhado pela Vogue e pela marca de sapatos Charles Jourdan ao longo de uma carreira de 40 anos.

14 novembro, 2010

novos talentos 2010

© Frederico Azevedo

Estão encontrados os vencedores do Prémio Novo Talento FNAC de Fotografia 2010, no qual participei como júri ao lado de António Júlio Duarte (fotógrafo), António Pedro Ferreira (fotógrafo) e Mário Teixeira da Silva (director da galeria Módulo - Centro Difusor de Arte).
Frederico Azevedo arrecadou o prémio principal com o portfólio In Between e Maria-do-Mar Pedro Rêgo foi reconhecida com uma menção honrosa com o trabalho A História de Tudo aquilo que é.

Eis o texto do júri sobre o trabalho vencedor:

A fotografia de Frederico Azevedo ilustra a forma como muita da fotografia contemporânea, designada habitualmente por plástica, se tem afastado da função de testemunho para se converter inteiramente em obra de arte e assim criar a sua própria história, como diário pessoal, reportagem social ou registo de estados alucinatórios.

Tudo começou no final da década de 60 com a utilização da fotografia pelos artistas conceptuais, onde esta é um simples instrumento para documentar as intervenções em locais afastados do circuito habitual para a arte, galerias ou museus, ou ainda uma via para fixar certo tipo de actividades performativas. A partir daqui, a fotografia ingressou nas escolas de arte e a linguagem fotográfica adquiriu um estatuto de maioridade, passando a ser objecto de investigação, convertendo-se em obra de arte. A fotografia plástica surge assim como alternativa à fotografia documental e à fotografia criativa, não esquecendo que, apesar de estas últimas continuarem hoje presentes, a primeira tem vindo a conquistar um lugar proeminente, tanto no espaço institucional como no do mercado.

Perante as imagens de Frederico Azevedo somos atraídos primeiramente pelos fortes contrastes lumínicos, pela plasticidade expressiva dos negros, pela forma como os vários personagens são fotografados de um modo que não nos ocorre querer saber quem são, ou onde o fotógrafo se cruzou com eles, e ainda a que mundos marginais pertencem. Estes são antes vultos, habitantes sombra de um mundo degradado, claustrofóbico e paralelo ao mundo que nos rodeia a que chamamos normal. Estas fotografias são sobretudo visões de um devir existencial, com os seus medos e as suas angústias. O fotógrafo construiu um corpo fotográfico onde a fotografia documental aparece travestida de intimidade.

Dos mais de duas centenas de portefólios avaliados, In Between de Frederico Azevedo destacou-se claramente pela forte intensidade expressiva e pela perfeita articulação formato – conteúdo. In Between transporta-nos para uma fotografia subjectiva, confessional. Conforme o título deste portefólio, Frederico Azevedo trabalha no limiar de dois mundos, um real, objectivo, que aqui vemos nestas fotografias de um negro exacerbado habitadas por personagens em ambientes de um mundo nocturno e algo fantasmático, o outro, o seu duplo, como querendo fazer entrar o dia na noite. Estas imagens não revelam um outro mundo, mas antes o nosso, por meio do qual o fotógrafo, com uma clara sinceridade, procura libertar-se das suas próprias feridas e fantasmas. Diante deste corpus de trabalho apercebemos quanto de invisibilidade emerge da realidade concreta de uma imagem fotográfica.

Frederico Azevedo, nesta panóplia fotográfica, não procura construir uma tipologia dos muitos e variados exemplares de um mundo suburbano, pelo contrário, In Between funciona como espelho de auto-representação. Casos há na História da fotografia, mais ou menos recente, onde o fotógrafo é o seu próprio modelo, metamorfoseando-se numa série caleidoscópica de personagens, com Frederico Azevedo é o outro a sua imagem ao espelho.


Mário Teixeira da Silva





© Maria-do-Mar Pedro Rêgo

03 novembro, 2010

comissariar

© Eunice Adorno

Muito interessante o projecto Trasatlántica, organizado pelo festival PHotoEspaña que permite a qualquer pessoa organizar um projecto expositivo a partir de imagens de 40 fotógrafos latino-americanos disponibilizadas online. Entre as propostas enviadas serão seleccionados 6 projectos expositivos que serão mostrados online. Entre esses trabalhos será escolhido uma proposta vencedora que será produzida e mostrada nos centros da Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo de toda a América Latina.
As propostas de comissariado podem ser feitas aqui

à espera


Não sei se é por causa dos soluços das Mamiya (que acusam o uso de anos e anos). O certo é que António Júlio Duarte parece cada vez mais interessado na imagem em movimento. Rezemos para que os mecânicos consigam encontrar todos os parafusos e molas soltas nessa maravilha do engenho nipónico. Enquanto isso não acontece desfrutemos de trabalhos noutros suportes como aquele que assina com Filipe Felizardo (Place your bets and pray for blood), peça integrada na mostra O que o futuro foi, que estará patente no espaço Laboratório das Artes, em Guimarães, e que utiliza "longas sequências originais de filmagens de luta de grilos na China". Na mesma ocasião António Júlio Duarte apresenta uma sequência de diapositivos que "resultam do corte (em frames) de um filme".

02 novembro, 2010

reprint in real-time

© Paulo Mendes

Acabadinhas de aterrar no meu e-mail, algumas das imagens que Paulo Mendes mostrará na galeria Reflexus, a partir de sábado, na exposição reprint in real-time, dão vontade de ir até ao Porto.

reprint
A reprint is a re-publishing of material that has already been previously published.

The word reprint is used in many fields.
A new printing of a publication which has no changes from the original.
A publication that is reprinted without changes or editing and offered again for sale.
To renew the impression of anything.A copy of an impression from a part of a bibliographic unit, printed from the type image of the original and separately issued.
A new impression of an existing edition, often made by photographic means, or a new edition made from a new setting of type which is a copy of a previous impression, with no alterations in the text except perhaps the correction of typographical errors.
The reprint is much less expensive than a first edition.
The number of copies in a reprint edition is usually less than in the original edition.
To publish something that has been published before.Separately issued reprint of a part of a publication or document.

(in)

real-time

Of or relating to computer systems that update information at the same rate they receive information.
Being instant, instantaneous or immediate.
Real-time computer graphics, the producing and analysis of images in real time.
A system is said to be hard real-time if the correctness of an operation depends not only upon the logical correctness of the operation but also upon the time at which it is performed.
An operation performed after the deadline is, by definition, incorrect, and usually has no value. In a soft real-time system the value of an operation declines steadily after the deadline expires. Massively multiplayer online real-time strategy (MMORTS) is a category for computer games that combines real-time strategy (RTS) with a large number of simultaneous players over the Internet. It is a type of massively multiplayer online game.
Data from the source that are available for use within a time that is short in comparison to important time scales in the phenomena being studied.
Data presented in usable form at essentially the same time the event occurs. The delay in presenting the data must be small enough to allow a corrective action to be taken if required.

26 outubro, 2010

João Silva


João Silva
© Jerome Delay/Associated Press


No último sábado, o fotojornalista português João Silva, a viver na África do Sul, pisou uma mina artesanal em Arghandab (um vale perto de Kandahar, Afeganistão) e sofreu ferimentos graves que resultaram na amputação das pernas. Depois de ter sido sedado, João Silva acordou hoje e falou com a mulher num hospital militar norte-americano na Alemanha para onde foi transferido. Nos últimos dias, os adjectivos "destemido", "corajoso", "profissional", "generoso", "melhor" têm sido repetidos por colegas de profissão, amigos e conhecidos. Sofia Lorena falou com alguns deles para escrever o texto publicado hoje no P2 que mostra bem o quanto o fotojornalista português é admirado e acarinhado (aqui).
O blogue do New York Times, jornal para o qual João Silva trabalhava quando ficou gravemente ferido, publicou parte de uma conversa entre o fotojornalista e Michael Kamber (também fotojornalista) onde o repórter português fala do seu percurso profissional e do que o move na profissão (aqui).
João Silva nasceu em Odivelas, em 1966. Partiu ainda criança para Moçambique e depois para a África do Sul. Começou a fotografar aos 23 anos, ao serviço do jornal regional Alberton Chronicle, de Joanesburgo, cidade onde vive. Fez-se notar pela primeira vez em 1992, quando venceu o Ilford Press Photograper of the Year por um trabalho publicado no jornal The Star. A cobertura do quotidiano de violência entre apoiantes de Nelson Mandela e Buthelezi nos arredores de Joanesburgo valeram-lhe reputação, trabalho muitas vezes realizado ao lado de Kevin Carter, Greg Marinovitch e Ken Oosterbroek, quarteto que ficou conhecido como bang bang club. Depois da morte de Oosterbroek, em 1994, e Carter, no mesmo ano, Silva e Marinovitch decidiram relatar em livro as suas experiências dos tempos entre o fim do apartheid e as primeiras eleições livres. A obra bang bang club está agora a ser adaptada ao cinema. João Silva trabalhou como freelancer para as agências Reuters e Associated Press. Desde 1996 que trabalha quase em exclusivo para o jornal New York Times, com quem assinou um contrato em 2000. É um dos fotógrafos da agência PictureNet e já foi distinguido com duas menções honrosas nos prémios World Press Photo.

(obrigado J. P.)

19 outubro, 2010

no doc

Countryside 35x45, de Evgeni Solomin


O doclisboa já vai a meio. Ainda assim, aqui ficam algumas sugestões mais "fotográficas" (ou lá o que isso significa) para as sessões que estão por passar:

Dolce Vida Africana
De Cosima Spender (59', França, Reino Unido, 2008)
"Retrato do fotógrafo africano Malick Sidibé e viagem através da história recente do Mali. As fotografias de Malick Sidibé captam o espírito despreocupado de uma juventude ávida de rítmos internacionais, que afirma a libertação do colonialismo nos primórdios da independência."
21 OUT. 21:00 – Cinema LONDRES - Sala 2
23 OUT. 18:30 – Cinema LONDRES - Sala 2
24 OUT. 20:30 – Cinema LONDRES - Sala 1

Countryside 35x45
De Evgeni Solomin (Rússia, 2009, 43’)
"Na Rússia, há pouco tempo atrás, trocavam-se os velhos passaportes soviéticos por novos passaportes russos. Um fotógrafo de província viaja pela Sibéria, tirando fotografias de passaporte 35x45mm dos aldeões. Através de uma profunda observação da vida no campo, o filme desvela uma poética sobre zonas remotas onde duas culturas se justapõem: a da antiga União Soviética e a da Rússia actual."
20 OUT. 18:30 - Cinema LONDRES - Sala 2
22 OUT. 16:00 - Cinema LONDRES - Sala 1

The Forgotten Space
de Allan Sekula e Noël Burch (Holanda, Áustria, 2010, 110’)
"A câmara segue os contentores de navios de carga, barcos, comboios e camiões, ouvindo trabalhadores, engenheiros, gestores de transportes, políticos e marginalizados pelo sistema global de transportes. O mar é esquecido até que um desastre acontece, mas talvez a maior catástrofe seja a da cadeia global de abastecimento, que pode conduzir a economia mundial ao abismo. Percorrendo uma série de cidades e utilizando uma diversidade de fontes, em que se incluem entrevistas e material de arquivo, este filme é um poderoso ensaio visual. Prémio do júri da secção “Orizzonti” de Veneza 2010."
22 OUT. 20:30 – Cinema LONDRES - Sala 1
24 OUT. 22:30 – Cinema LONDRES - Sala 1

Luz Teimosa
De Luís Alves de Matos (Portugal, 2010, 75’)
“O mundo de Fernando Lemos é feroz e despojado de qualquer lógica externa” disse Jorge de Sena. Este filme é uma jornada surrealista, na busca de uma mulher de uma fotografia de há 50 anos, ou numa divertida partida de cartas. E assim nasce cada palavra dentro de outra palavra e cada imagem dentro de cada imagem.” De quantas facas se faz o amor?”
19 OUT. 20:45 – CULTURGEST - Pequeno Auditório

Double Tide
De Sharon Lockhart (EUA , 2009, 99’)
“Double Tide”, o novo filme de Lockhart, é um belíssimo retrato de uma trabalhadora da apanha de mexilhão na costa do Maine, nos Estados Unidos da América. Uma actividade solitária, ritual, sujeita aos elementos da natureza."
21 OUT. 18:00 – CULTURGEST - Pequeno Auditório

The 400 million
De Joris Ivens (EUA, 1939, 53’)
Na guerra Sino-Japonesa, a luta da frente comum chinesa contra a invasão.
Com fotografia de Robert Capa e música de Eisler.
23 OUT. 16:15 - Cinema CITY CLASSIC ALVALADE - Sala 3

(sinopses: doclisboa)

17 outubro, 2010

as mãos


Entrega da proposta do OE 2011
João Henriques/Público

Na sexta-feira, último dia do prazo para a entrega da proposta para o Orçamento de Estado para 2011, enquanto planeávamos na redacção os últimos acertos do destaque a dar ao assunto na homepage do Público Online disse várias vezes que as fotografias deste momento eram normalmente desinteressantes, sensaboronas, burocráticas. O assunto e o cenário do ritual da entrega do OE no Parlamento não costumam permitir fotografias com fulgor e rasgo.
Passava pouco da meia-noite (o OE 2011 incompleto foi entregue quase a tocar o gongo) quando João Henriques, ainda a limpar o suor da testa, nos trouxe esta imagem que demoliu todos os preconceitos que tinha verbalizado durante a jornada de trabalho.
No meio da balbúrdia em que se transformou o momento exacto da entrega da pen com o documento, João escolheu bem. Para lá da solenidade dos corpos engravatados, da pompa da sala, orientou o olhar para a mão que dá (a de Teixeira dos Santos) e para a mão que recebe (a de Jaime Gama), dando àquele gesto um significado visual rico e contraditório, ao mesmo tempo o mais insignificante e o mais definitivo, como o que foi pintado por Miguel Angelo no tecto da capela Sistina, quando Deus toca a mão de Adão no momento da criação.
Teixeira dos Santos é capaz de ter cometido não um mas vários pecados com este Orçamento. E Jaime Gama está longe de ser um Deus miraculoso e criador. Seja como for, este pode ser o momento que marcará o nosso renascimento ou nosso afundamento económico. Será que este Orçamento nos vai salvar do FMI? Ou será que o FMI vai ser a nossa salvação?

ver

Gerda Taro, milicianas durante um treino na Guerra Civil Espanhola

O International Center of Photography pediu ajuda ao escritor e cronista do El País António Muñoz Molina para identificar locais e personalidades registados em alguns dos negativos da mala mexicana, com imagens de Robert Capa, Gerda Taro, e "Chim" (David Seymour) feitas durante a Guerra Civil espanhola. Essa experiência foi contada na sua crónica habitual do Babelia aqui

11 outubro, 2010

Arpad + Helena

Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes, Budapeste, 13 de Julho de 1930
© FASVS


O site da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva disponibiliza uma pequeníssima amostra da colecção de fotografia da instituição que diz respeito aos dois artistas. Vieira da Silva, escreve-se na página da FASVS, fugia das entrevistas e das objectivas. Dizia que "a objectiva só podia captar um único ângulo e as pes­soas são feitas de muitos". Mas, volta e meia, lá se deixava apanhar. E gostava mais da pose estudada do que da fotografia espontânea - com medo das expressões repentistas e, eventualmente, menos abonatórias.

aqui

10 outubro, 2010

OjodePez


© Giuseppe Moccia


Giuseppe Moccia é o vencedor do III Premio PHotoEspaña OjodePez de Valores Humanos 2010. O portfólio vencedor chama-se El chico de los miércoles e aborda a vida de Christopher, um rapaz de 18 anos com síndrome de Down. O fotógrafo italiano ganha um prémio monetário de 6 mil euros e a oportunidade de expor individualmente na próxima edição do festival PHotoEspaña.
Para além de Moccia, chegaram à fase final do galardão os fotógrafos Marco Di Lauro, Munem Wasif, Álvaro Laiz García, Alessandro Imbriaco, Jacob Aue Sobol, Carlos Luján, Jackie Dewe Mathews, Alexa Brunet e David Rengel. Os trabalhos destes autores podem ser vistos na última edição da revista OjodePez.
O porfólio vencedor será também exposto nas lojas FNAC de Espanha e Portugal.

09 outubro, 2010

regressar

© Enric Vives-Rubio/Público


Fernando Lemos está de regresso a Lisboa. Na semana passada, inaugurou a exposição Isto é Isto e Ex-Fotos na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva que mostra desenho e fotografia. Para hoje, às 15h30, está marcada uma conversa entre o artista brasileiro e os comissários Filipa Valladares e João Pinharanda.
No dia 17 de Outubro começa o Ciclo Fernando Lemos na FASVS que mostrará filmes e documentários sobre o autor.

Eis o programa:

#17 Outubro, 7 e 21 Novembro, domingos, 15h30
Fernando Lemos – atrás da Imagem
De Guilherme Coelho, 2006, 55’

#24 Outubro, 14 e 28 Novembro
Foto Doc: Fernando Lemos
De Camila Garcia e Renato Suzuki, 2005, 30'
Fernando Lemos e o Surrealismo
De Bruno de Almeida e Pedro Aguilar, 2006, 10’

#31 Outubro, 5 Dezembro
Conversas com Glícinia
De Jorge Silva Melo, 2004, 55’

#Janeiro 2011 (em dias a anunciar)
Luz Teimosa
De Luís Alves de Matos, 2010, 75’
(estreia no Doc’Lisboa 2010, 15 Outubro, 19h00, Culturgest)

07 outubro, 2010

Helena

Helena Almeida, Work-32 (Entrado 1), 1977
© Helena Almeida

Quase sempre que há um leilão de relevo internacional de fotografia lá estão as imagens de Helena Almeida lado a lado com os melhores criadores mundiais. A venda da Philips de Pury & Company está agendada para esta sexta-feira e leva à praça um conjunto de 411 lotes de grande interesse. Helena Almeida faz parte do leilão com dois dípticos da série Entrado 1. Cada lote partirá de uma base de licitação de 8000 dólares.

 
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