Terminam a 30 de Dezembro as candidaturas para as bolsas New Photography da Humble Arts Fundation.
Os pormenores estão aqui
Sol LeWitt
Sylvie Vartan
Mónica Vacas no Ateneu Obreru de Xixón
© Marco Antonio Villabrille

Em boa hora se decidiu organizar uma feira de livros relacionados com fotografia. A iniciativa, que quer tornar-se "regular", tem tudo para ser mais uma semente no cultivo do interesse pelos foto-livros e demais obras do universo da fotografia em Portugal. Nesta primeira edição, que decorrerá em Lisboa no espaço da Fábrica do Braço de Prata, entre os dias 10 e 12 de Dezembro, participam fotógrafos, editores, livrarias, alfarrabistas e galerias com obras a preços baixos (descontos até 20%) e edições limitadas e de autor.
A declaração de intenções dos organizadores (Os Suspeitos, Filipa Valladares e Exposições Fábrica do Braço de Prata) é clara: "Queremos divulgar as edições fotográficas, abrindo o interesse do público para este mercado e criando uma plataforma para o diálogo sobre este meio específico dentro da fotografia, cruzando-o com áreas como o design, as artes plásticas, o jornalismo, o cinema ou a edição em geral." E para além da feira, haverá 2 conferências que abordarão a relação do meio fotográfico com a impressão em livro e com a imprensa (papel e digital).
Que venham mais.
Participantes:
#A Estante
#Alexandria Livros
#Arquivo Municipal de Lisboa – Núcleo Fotográfico
#Chromma
#Fundació Foto Colectania
#Gustavo Gili
#Inc. Livros e edições de autor
#KameraPhoto
#Pente 10
#Pierre Von Kleist
#Vera Cortês – Agência de arte/TIJUANA Lisboa
#Livraria Braço de Prata (Assírio & Alvim, Relógio d’Agua e Cotovia)
Conferências:
Sábado, 11, 17h30
Fotógrafos que também são editores
José Pedro Cortes, André Cepeda, Patrícia Almeida, Carlos Lobo
Domingo, 12, 17h30
Para acabar de vez com o fotojornalismo?
Fotógrafos da Kameraphoto: Céu Guarda (editora de fotografia do Jornal i) e Martim Ramos
Horário da feira:
Sexta-feira: das 18h00 às 24h00
Sábado e Domingo, das 16h00 às 23h00
Entrada livre até às 21h30
Club 13, Nils Petter Löfstedt, Pierre von Kleist Editions
© Pierre von Kleist Editions
Patti Smith e Robert Mapplethorpe em 1969Estão encontrados os vencedores do Prémio Novo Talento FNAC de Fotografia 2010, no qual participei como júri ao lado de António Júlio Duarte (fotógrafo), António Pedro Ferreira (fotógrafo) e Mário Teixeira da Silva (director da galeria Módulo - Centro Difusor de Arte).
Frederico Azevedo arrecadou o prémio principal com o portfólio In Between e Maria-do-Mar Pedro Rêgo foi reconhecida com uma menção honrosa com o trabalho A História de Tudo aquilo que é.
Eis o texto do júri sobre o trabalho vencedor:
“A fotografia de Frederico Azevedo ilustra a forma como muita da fotografia contemporânea, designada habitualmente por plástica, se tem afastado da função de testemunho para se converter inteiramente em obra de arte e assim criar a sua própria história, como diário pessoal, reportagem social ou registo de estados alucinatórios.
Tudo começou no final da década de 60 com a utilização da fotografia pelos artistas conceptuais, onde esta é um simples instrumento para documentar as intervenções em locais afastados do circuito habitual para a arte, galerias ou museus, ou ainda uma via para fixar certo tipo de actividades performativas. A partir daqui, a fotografia ingressou nas escolas de arte e a linguagem fotográfica adquiriu um estatuto de maioridade, passando a ser objecto de investigação, convertendo-se em obra de arte. A fotografia plástica surge assim como alternativa à fotografia documental e à fotografia criativa, não esquecendo que, apesar de estas últimas continuarem hoje presentes, a primeira tem vindo a conquistar um lugar proeminente, tanto no espaço institucional como no do mercado.
Perante as imagens de Frederico Azevedo somos atraídos primeiramente pelos fortes contrastes lumínicos, pela plasticidade expressiva dos negros, pela forma como os vários personagens são fotografados de um modo que não nos ocorre querer saber quem são, ou onde o fotógrafo se cruzou com eles, e ainda a que mundos marginais pertencem. Estes são antes vultos, habitantes sombra de um mundo degradado, claustrofóbico e paralelo ao mundo que nos rodeia a que chamamos normal. Estas fotografias são sobretudo visões de um devir existencial, com os seus medos e as suas angústias. O fotógrafo construiu um corpo fotográfico onde a fotografia documental aparece travestida de intimidade.
Dos mais de duas centenas de portefólios avaliados, In Between de Frederico Azevedo destacou-se claramente pela forte intensidade expressiva e pela perfeita articulação formato – conteúdo. In Between transporta-nos para uma fotografia subjectiva, confessional. Conforme o título deste portefólio, Frederico Azevedo trabalha no limiar de dois mundos, um real, objectivo, que aqui vemos nestas fotografias de um negro exacerbado habitadas por personagens em ambientes de um mundo nocturno e algo fantasmático, o outro, o seu duplo, como querendo fazer entrar o dia na noite. Estas imagens não revelam um outro mundo, mas antes o nosso, por meio do qual o fotógrafo, com uma clara sinceridade, procura libertar-se das suas próprias feridas e fantasmas. Diante deste corpus de trabalho apercebemos quanto de invisibilidade emerge da realidade concreta de uma imagem fotográfica.
Frederico Azevedo, nesta panóplia fotográfica, não procura construir uma tipologia dos muitos e variados exemplares de um mundo suburbano, pelo contrário, In Between funciona como espelho de auto-representação. Casos há na História da fotografia, mais ou menos recente, onde o fotógrafo é o seu próprio modelo, metamorfoseando-se numa série caleidoscópica de personagens, com Frederico Azevedo é o outro a sua imagem ao espelho.”
Mário Teixeira da Silva
Muito interessante o projecto Trasatlántica, organizado pelo festival PHotoEspaña que permite a qualquer pessoa organizar um projecto expositivo a partir de imagens de 40 fotógrafos latino-americanos disponibilizadas online. Entre as propostas enviadas serão seleccionados 6 projectos expositivos que serão mostrados online. Entre esses trabalhos será escolhido uma proposta vencedora que será produzida e mostrada nos centros da Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo de toda a América Latina.
As propostas de comissariado podem ser feitas aqui
João Silva
No último sábado, o fotojornalista português João Silva, a viver na África do Sul, pisou uma mina artesanal em Arghandab (um vale perto de Kandahar, Afeganistão) e sofreu ferimentos graves que resultaram na amputação das pernas. Depois de ter sido sedado, João Silva acordou hoje e falou com a mulher num hospital militar norte-americano na Alemanha para onde foi transferido. Nos últimos dias, os adjectivos "destemido", "corajoso", "profissional", "generoso", "melhor" têm sido repetidos por colegas de profissão, amigos e conhecidos. Sofia Lorena falou com alguns deles para escrever o texto publicado hoje no P2 que mostra bem o quanto o fotojornalista português é admirado e acarinhado (aqui).
O blogue do New York Times, jornal para o qual João Silva trabalhava quando ficou gravemente ferido, publicou parte de uma conversa entre o fotojornalista e Michael Kamber (também fotojornalista) onde o repórter português fala do seu percurso profissional e do que o move na profissão (aqui).
João Silva nasceu em Odivelas, em 1966. Partiu ainda criança para Moçambique e depois para a África do Sul. Começou a fotografar aos 23 anos, ao serviço do jornal regional Alberton Chronicle, de Joanesburgo, cidade onde vive. Fez-se notar pela primeira vez em 1992, quando venceu o Ilford Press Photograper of the Year por um trabalho publicado no jornal The Star. A cobertura do quotidiano de violência entre apoiantes de Nelson Mandela e Buthelezi nos arredores de Joanesburgo valeram-lhe reputação, trabalho muitas vezes realizado ao lado de Kevin Carter, Greg Marinovitch e Ken Oosterbroek, quarteto que ficou conhecido como bang bang club. Depois da morte de Oosterbroek, em 1994, e Carter, no mesmo ano, Silva e Marinovitch decidiram relatar em livro as suas experiências dos tempos entre o fim do apartheid e as primeiras eleições livres. A obra bang bang club está agora a ser adaptada ao cinema. João Silva trabalhou como freelancer para as agências Reuters e Associated Press. Desde 1996 que trabalha quase em exclusivo para o jornal New York Times, com quem assinou um contrato em 2000. É um dos fotógrafos da agência PictureNet e já foi distinguido com duas menções honrosas nos prémios World Press Photo.
(obrigado J. P.)
Entrega da proposta do OE 2011
João Henriques/Público
Na sexta-feira, último dia do prazo para a entrega da proposta para o Orçamento de Estado para 2011, enquanto planeávamos na redacção os últimos acertos do destaque a dar ao assunto na homepage do Público Online disse várias vezes que as fotografias deste momento eram normalmente desinteressantes, sensaboronas, burocráticas. O assunto e o cenário do ritual da entrega do OE no Parlamento não costumam permitir fotografias com fulgor e rasgo.
Passava pouco da meia-noite (o OE 2011 incompleto foi entregue quase a tocar o gongo) quando João Henriques, ainda a limpar o suor da testa, nos trouxe esta imagem que demoliu todos os preconceitos que tinha verbalizado durante a jornada de trabalho.
No meio da balbúrdia em que se transformou o momento exacto da entrega da pen com o documento, João escolheu bem. Para lá da solenidade dos corpos engravatados, da pompa da sala, orientou o olhar para a mão que dá (a de Teixeira dos Santos) e para a mão que recebe (a de Jaime Gama), dando àquele gesto um significado visual rico e contraditório, ao mesmo tempo o mais insignificante e o mais definitivo, como o que foi pintado por Miguel Angelo no tecto da capela Sistina, quando Deus toca a mão de Adão no momento da criação.
Teixeira dos Santos é capaz de ter cometido não um mas vários pecados com este Orçamento. E Jaime Gama está longe de ser um Deus miraculoso e criador. Seja como for, este pode ser o momento que marcará o nosso renascimento ou nosso afundamento económico. Será que este Orçamento nos vai salvar do FMI? Ou será que o FMI vai ser a nossa salvação?
Helena Almeida, Work-32 (Entrado 1), 1977
© Helena Almeida
Quase sempre que há um leilão de relevo internacional de fotografia lá estão as imagens de Helena Almeida lado a lado com os melhores criadores mundiais. A venda da Philips de Pury & Company está agendada para esta sexta-feira e leva à praça um conjunto de 411 lotes de grande interesse. Helena Almeida faz parte do leilão com dois dípticos da série Entrado 1. Cada lote partirá de uma base de licitação de 8000 dólares.
Robert Capa, rio Segre, Aragón,Fraga, Espanha, 1938
© International Center of Photography
Paul BowlesHelena Gonçalves, José Saramago, 2007
© Helena Gonçalves
Martin Parr, Autoportrait
© Collection of Martin Parr
Na Índia, não são apenas as classes, as castas e as etnias a cavar mais fundo as diferenças - o género com que se nasce também provoca o abandono, o repúdio e a desonra. As mulheres sabem-no, sentem-no. Sob a batuta da Media Storm, o fotógrafo Walter Astrada alerta para um problema social (e civilizacional) num dos países mais populosos do mundo.