01 junho, 2010

Sally Mann


Sally Mann, Vinland (1992) da série Immediate Family
© Sally Mann/Gagosian Gallery



A última edição da Guardian Weekend Magazine publica uma reportagem sobre a primeira exposição individual da americana Sally Mann no Reino Unido. A mostra, que será inaugurada a 18 de Junho na The Photographers' Gallery de Londres, percorre alguns do trabalhos mais marcantes das diferentes fases da carreira de Mann desde que começou a fotografar, nos anos 70.
O artigo do Guardian está aqui

German Faces

Collie Schorr, Game Keeper, 2004
© Collier Schorr, cortesia 303 Gallery, Nova Iorque


Sérgio B. Gomes
(Público Online, 31.05.2010)

German Faces, da artista americana Collier Schorr, é a exposição que marca o arranque do PhotoEspaña, o festival de fotografia e artes visuais da capital espanhola, que estendeu mais uma vez até ao Museu Colecção Berardo parte da sua programação. No último ano como comissário do festival, o português Sérgio Mah escolheu trazer a Lisboa o trabalho meticuloso que Schorr tem vindo a desenvolver ao longo das últimas duas décadas na cidade alemã de Schwäbisch Gmünd, um conjunto que junta fotografia, vídeo, desenho colagem e que aborda as marcas da história e da memória nos lugares e nos gestos do quotidiano. A mostra, organizada em jeito de retrospectiva, abre amanhã ao público.

Para Mah, que fecha o seu ciclo de três anos como comissário do PhotoEspaña com o tema genérico Tempo, Collier Schorr “é uma das mais importantes artistas da actualidade”. Faz parte de uma geração “que está a fazer um trabalho muito interessante na actualização do histórico”, utilizando “de uma forma muito particular os cânones artísticos para abordar grandes questões da história”.

E uma das grandes questões da história à qual Schorr se dedicou ao longo dos últimos anos foi a II Guerra Mundial e as ressonâncias que o conflito continua a provocar na sociedade alemã. Collier Schorr (n.1963, Nova Iorque) chegou Schwäbisch Gmünd com um olhar de turista, mas à medida que se foi integrando na comunidade local quis aprofundar e problematizar “o seu quotidiano, os seus traços culturais e as suas idiossincrasias psicossociais”.

Ao longo das cinco salas que acolhem a mostra no Museu Colecção Berardo, o espectador é confrontado com imagens em diferentes suportes e dimensões que sugerem pequenas narrativas, que mostram pequenos detalhes, que apelam aos pormenores, que iludem a certeza entre o que faz parte do universo ficcional e o que faz parte do universo real. Nas palavras de Mah, a intenção é “perceber até que ponto a representação dos lugares não nos proporciona apenas uma consciência do espaço visível”, tendo em conta que os lugares “são depósitos de memórias” que articulam o passado e o presente.

Convocar o passado
Num percurso temático e formal pouco linear, Schorr (de ascendência judaica) convoca símbolos do passado nazi da Alemanha para questionar a forma como essa referência histórica ainda influencia a vida quotidiana e para perceber de que modo desperta expectativas, traumas e temores. Ao lado de retratos de rapazes fardados e com símbolos que nos ligam a um momento histórico preciso e dramático há imagens de momentos indefinidos no tempo e de objectos do quotidiano que dão referências abstractas e abrem campo à especulação e à dualidade de sentidos. Numa das imagens da série que mostra flores suspensas na paisagem por linhas, o bucolismo das diferentes cores e da claridade solarenga esconde o peso simbólico de fardas nazis e material de guerra que ali foi enterrado por um ex-militar. “Este é um lugar estigmatizado pela memória, guerra, nacionalismo, emigração e reconstrução social, ou seja, uma realidade marcada pelo seu tempo que a artista procura explorar de forma a fazer emergir os seus efeitos psíquicos e sociais”, explica Sérgio Mah no texto de apresentação da mostra.

Durante uma visita à exposição com um grupo de jornalistas na véspera da inauguração ao público, Collier explicou que não está interessada em fazer um trabalho que espelhe simplesmente “a luta do bem contra o mal”. “As minhas fotografias têm muito de comentário. O meu trabalho não é sobre tudo e mais alguma coisa. Quero que as pessoas entendam aquilo que quero dizer sobre um tema.” E para tentar concretizar essa tarefa, Collier veste a pele não só de fotógrafa, mas também de antropóloga social, psicanalista, arqueóloga e contadora de histórias.

A variedade de aproximações formais ao tema está bem espelhada na montagem final da exposição, que tanto inclui fotografias e desenhos realizados segundo as regras do documentalismo mais pragmático (os retratos fazem lembrar as séries tipológicas que August Sander realizou para a república de Weimar) como colagens resultantes de derivações ficcionais ou simples fotocópias de fotografias coladas na parede classificadas por Collier como “anotações”, como as que os escritores fazem ao lado dos textos.

Em vez de procurar a monumentalidade, os “vestígios da guerra” à larga escala, como o tema à primeira vista poderia sugerir, Collier orientou o seu discurso visual para universos ligados ao vernacular, ao bucólico, ao sexual e ao fetichista, problematizando a história, a memória colectiva e a identidade social a partir de uma escala micro, sem nunca sair dela.

A localidade de Schwäbisch Gmünd, bem como os rostos e os objectos que lhe dão forma, “compõem uma metáfora da Alemanha do pós-guerra, uma sociedade presa na sua própria história”, e que, por este trabalho, demonstra ter ainda alguns fantasmas no armário.

O restante programa do festival PhotoEspaña 2010 começa no dia 9 de Junho em Madrid e Cuenca, localidade que receberá a mostra Batalha de Sombras que reúne alguns dos autores mais representativos da produção fotográfica portuguesa dos anos 50. A maioria das exposições estará patente até ao dia 25 de Julho.

Haywagon, 2009
© Collier Schorr, cortesia 303 Gallery, Nova Iorque

30 maio, 2010

Giroux Daguerréotype


Peter Coeln, da WestLicht Photographica, com a Giroux Daguerréotype
© WestLicht Photographica

Uma das raras primeiras máquinas assinadas por um dos inventores da fotografia, o francês Louis J. M. Daguerre, foi vendida em leilão por um preço recorde de 732 mil euros. O aparelho Giroux Daguerréotype foi produzido em Paris em 1839 pelo cunhado de Daguerre, Alphonse Giroux. O comprador é um coleccionador internacional que não quis revelar a identidade.
Até agora, nunca tinha sido vendida em leilão uma máquina assinada por Daguerre. Os exemplares que chegaram até aos nossos dias, cerca de uma dezena, estão em museus. O aparelho foi colocado na leiloeira austríaca WestLicht, especializada em máquinas e fotografia antiga, que em 2007 já tinha vendido uma máquina semelhante produzida pelo fabricante Susse Frères por um valor recorde de 576 mil euros, mas sem a assinatura de um dos inventores da fotografia.
Segundo a WestLicht, o aparelho de 170 anos, construído em madeira de cedro e de nogueira, apresenta todos os componentes ópticos, o interior em veludo preto e a placa com a assinatura e identificação do fabricante em "extraordinárias" condições. A existência desta Giroux Daguerréotype nunca tinha sido documentada até este leilão.
A autenticidade do aparelho foi assegurada por Michael Auer, um perito em máquinas fotográficas antigas de renome internacional e autor de vários livros sobre o assunto. O lote incluía ainda um livro de instruções original de 24 páginas, também ele extremamente raro. O antigo dono recebeu a máquina nos anos 70 como presente do pai por ter passado no exame final do curso de óptica. Estava na mesma família há várias gerações, no Norte da Alemanha.

Os resultados do leilão podem ser consultados aqui

25 maio, 2010

entre aspas

Paolo Pellegrin, Gaza 2009
© Paolo Pellegrin/Magnum Photos

I'm more interested in a photography that is 'unfinished' - a photography that is suggestive and can trigger a conversation or dialogue. There are pictures that are closed, finished, to which there is no way in.

Paolo Pellegrin, in Magnum Photos Featured Photographer

distinguir II


O festival Emergent - Photography and Visual Arts International, de Lleida, Espanha, abriu inscrições para prémio Emergent - Fundació Sorigué 2010 dirigido a qualquer aluno europeu de uma escola de fotografia, belas-artes ou comunicação audiovisual.

Mais informações aqui

distinguir


© Público


A partir da próxima edição, os Encontros da Imagem de Braga vão passar a atribuir o prémio Emergentes DST, um galardão que pretende distinguir todos os anos "a melhor obra de fotografia a nível internacional". Os pormenores do prémio serão apresentados esta quinta-feira no Museu da Imagem, em Braga, às 11h00.

=ColecçãoàVista= 55

Ed van der Elsken (1925–1990), Paris, França, 1951
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia


Vida em imagens
Ed van der Elsken, fotógrafo e realizador, é o enfant terrible da fotografia holandesa.
O tema principal do seu trabalho era a sua própria vida. Durante 40 anos exprime pela imagem fotográfica e cinematográfica, os encontros com as pessoas que com ele se cruzam.
Nascido em Amesterdão em 1925, trabalha de 1950 a 1954 em Paris, onde vive com Ata Kando. Regressa a Amesterdão onde permanece até 1971.
Entre as muitas viagens que realiza devido ao seu trabalho faz, entre 1959 e 1960, uma longa viagem ao mundo. É acompanhado por Gerda van der Veen, sua segunda mulher, de quem tem dois filhos. Faz reportagens a cores para a revista mensal Avenue durante as várias jornadas.
A partir de 1971 vive perto de Edam deslocando-se com frequência ao Japão e a Amesterdão. Tem outro filho com a terceira mulher, Anneke Hilhorst.
O seu primeiro livro - Love on the left bank - foi publicado em 1956 e tornou-o imediatamente conhecido.
Morre em 1990, dois anos depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro.
(texto:CPF)

24 maio, 2010

Animais de estimação


Valter Vinagre, da série Animais de Estimação
© Valter Vinagre



Quanto mais exposições vejo em antigos espaços industriais semi-abandonados mais tenho a certeza que não há melhor lugar para mostrar fotografia. A Antigua Fábrica de Tabacos de Madrid é só mais um exemplo recente da reconversão de um colosso edificado em lenta podridão num local vivo, prenhe de ideias e manifestações criativas. Desde o início do mês uma exposição duplamente colectiva aborda questões relacionadas com o meio ambiente, no ano em que se celebra a biodiversidade. E.C0 2010 reúne imagens de vinte colectivos de fotógrafos da Europa e da América do Sul. A [kameraphoto] é a representante portuguesa. Antes da partida para Madrid, conversei com Valter Vinagre sobre o ensaio escolhido que aborda o fascínio pelos animais embalsamados:


Qual era o desafio de partida?
Era fotografar algum tema relacionado com biodiversidade em Portugal. Foram convidados colectivos de vários países da Europa e da América do Sul.

Esta actividade da taxidermia está em extinção? Foi fácil encontrar pessoas que se dedicassem a ela?
Não. A maioria já tem muita idade. Encontrei uma pessoa que ainda faz e tem 80 e tal anos. Está sempre a criticar o pessoal que se metia a fazer esse trabalho sem saber muito bem o que estava a fazer.

Como é que te lembraste desta “fauna” que ainda sobrevive em muitas casas portuguesas?
Nunca tenho bem a noção de quando é que a ideia para um trabalho mais alargado surge. Durante a realização deste projecto tentei recordar-me do momento em que o assunto se atravessou à minha frente e me fez pensar, mas não consegui isolá-lo. O tema da morte, dos “cães danados”, de uma certa noção de ruína tem-me acompanhado… Quis registar a teimosia humana, a necessidade que temos de tentar perpetuar memórias, neste caso memórias naturais em extinção.
Quando nos chegou este desafio e se começou a discutir, na [kameraphoto], o que é que se ia fazer, lembrei-me logo dos animais embalsamados que muitas vezes aparecem expostos nos cafés. E fui, também, à procura deles em espaços mais privados. Para o conjunto de 12 imagens que apresento acabei por seleccionar apenas uma captada em cafés. As restantes foram tiradas em espaços privados.

Não deixa de ser interessante reconhecer que o conjunto pode ser lido também como a antítese da biodiversidade, se entendermos o termo na sua noção mais restrita, ou seja, como o conjunto de todas as espécies e seres vivos nos seus ecossistemas
Agrada-me esse contra-pé com o tema proposto. Há também alguma ironia no título da série, animais de estimação, tendo em conta que estes animais eram selvagens e acabam por ser domesticados depois de mortos, tornaram-se queridos das pessoas e como tal foram embalsamados e não destruídos. Em alguns casos, eram animais domésticos cujos donos os quiseram perpetuar desta forma.

Outra coisa extraordinária é que esta actividade pode ajudar a limitar ainda mais a biodiversidade, tendo em conta a procura de animais exóticos e raros para embalsamar
Sim, é verdade. Mas há um dado curioso: esta actividade tornou-se cada vez mais rara por causa de uma lei que a enquadrava e que levantou o boato de que era proibido ter em casa animais embalsamados em perigo de extinção, o que fez com que muita gente deitasse fora esses animais e que a actividade acabasse também por sofrer… Ironicamente, isto significa que alguns animais embalsamados podem ser duplamente raros. Há poucos embalsamamentos bem executados. E a maior parte dos que existem estão nos museus.

Há também uma mensagem que é: atenção porque qualquer dia para ver uma determinada espécie só desta maneira.
Sim. Há um lado do trabalho que pode funcionar como alerta.

E a abordagem? Todo este universo à volta da taxidermia é um pouco kitsch
Muito. Para além de mostrar os animais, quis dar um pouco do universo que os rodeia. Interessa-me muito a memória dos lugares, os ambientes em que as coisas aparecem e se constroem.

O conjunto dá um ambiente assustador, a fazer lembrar filmes de classe Z. Apesar de “domesticados” estes animais têm um ar tenebroso, agressivo. O flash sublinha esse aspecto e parece que os apanhaste em flagrante no seu meio natural
É uma maneira de sublinhar ainda mais a ilusão de vida que se pretende criar com o embalsamamento. Por outro lado, ao dar parte do cenário onde estão arrumados, remeto para o seu lado doméstico e… definitivamente domesticado. São usados como bibelots.

E por que é que o colectivo decidiu apresentar o trabalho de uma pessoa?
Achamos que era a maneira de apresentar um trabalho mais homogéneo, em vez de estar a juntar uma ou duas imagens de várias pessoas para um total que não ultrapassará as 15 fotografias. Com o devido respeito, quisemos fugir um pouco ao estilo national geographic. Até porque nenhum de nós trabalha a natureza de uma forma recorrente a partir de um ponto de vista tão estreito e académico.

E conheciam as abordagens dos outros colectivos?
Antes de começar a trabalhar nestas imagens, não.

Queres continuar a fotografar este universo?
Sim, interessa-me muito. Para já, quero continuar a fotografar na região da Beira-Baixa. E depois ir pelo país.

O tema é biodiversidade, mas este trabalho é mais sobre a morte do que sobre a vida

É mais sobre a morte, nitidamente. Não quis ir pelo lado do troféu de caça, mas mais pelo apego que as pessoas demonstraram ter por estes objectos que antes de serem bibelots foram animais vivos.



Valter Vinagre, da série Animais de Estimação

© Valter Vinagre

21 maio, 2010

MadridFoto


© Nuno Cera
Cortesia galeria Pedro Cera
A fotografia portuguesa vende bem
Sérgio B. Gomes (P2, Público, 21.05.2010)

Voltar. A fotografia portuguesa saiu-se bem na MadridFoto e por isso as quatro galerias lisboetas que se instalaram na capital espanhola entre 12 e 16 de Maio querem regressar à única feira internacional de fotografia da Península Ibérica, que teve este ano a sua segunda edição. A grande maioria dos autores nacionais representados conseguiu vender trabalhos.

Apesar de uma semana cheia de vicissitudes e acontecimentos extraordinários que afastaram visitantes e compradores (desde o anúncio de medidas de austeridade em Portugal e Espanha à Gran Via engalanada - e alcatifada de azul - para comemorar 100 anos e celebrar Santo Isidro), o balanço global dos galeristas portugueses é positivo. Para a Galeria Filomena Soares, em particular, o arranque da feira não podia ter sido melhor: logo no primeiro dia uma obra da dupla Dias & Riedweg (Cada coisa seu lugar. Outro lugar, outra coisa, 2009) foi reconhecida com o prémio Comunidad de Madrid, o que significa que foi comprada para a colecção desta instituição. Para Manuel Santos, um dos directores da galeria, é em tempo de crise que "vale a pena apostar" em arte. Até ao último dia da feira tinha vendido obras dos portugueses Vasco Araújo, Helena Almeida e João Penalva. Entre os artistas estrangeiros, foram negociados trabalhos de Günther Förg, Shirin Neshat e Allan Sekula.

A Galeria Pedro Cera, que se estreia numa feira exclusivamente dedicada à fotografia, vendeu imagens dos três autores que levou até à capital espanhola. Pedro Cera dá conta de um momento de algum constrangimento, mas desdramatiza: "Foi muito produtivo ter vindo. Há muitos coleccionadores cautelosos e que sabem que o cenário é difícil, mas não é dramático." As fotografias vendidas tinham valores entre os 7500 euros (Pedro Barateiro) e os 3750 (André Cepeda).

Na Carlos Carvalho, a única galeria portuguesa repetente da feira, as fotografias de Isabel Brison (Lisboa, 1980) foram das que mais interesse suscitaram. As duas fotografias que ainda estavam na parede (da série Maravilhas de Portugal, trabalhos entre a desordem paisagística e a poluição visual) venderam quatro cópias a 1200 euros, mas o galerista afirma ter vendido outros trabalhos da artista ("Quantas tivéssemos, quantas vendíamos"). Apesar do sucesso das imagens de Brison, o retorno dos custos da deslocação até Madrid não ficou garantido. "Acho que não vamos conseguir pagar a feira, mas como temos um bom grupo de artistas que utiliza a fotografia era muito importante estarmos cá." Uma das vendas mais simbólicas foi a de uma imagem de Daniel Blaufuks para a Fundació Foto Colectania de Barcelona, a primeira do artista português numa das mais importantes colecções de fotografia de Espanha.

A Módulo, de Mário Teixeira da Silva, um dos primeiros galeristas a expor fotografia em Portugal, decidiu apostar num espaço totalmente preenchido com fotógrafos portugueses: Rodrigo Amado, Brígida Mendes, António Júlio Duarte, Virgílio Ferreira e Ana Telhado. No último dia da feira confirmaram-se as vendas de imagens de António Júlio Duarte, Rodrigo Amado e Brígida Mendes. O galerista mostrou-se satisfeito por ter regressado "ao circuito das feiras pequenas" e sem "poluição visual". "O formato desta feira agrada-me. Há muita qualidade na maioria das galerias e julgo que tem pernas para andar", disse ao P2.

Fora das galerias portuguesas, a londrina White Space Gallery (uma das mais concorridas da MadridFoto) vendeu a única imagem exposta de José Pedro Cortes (1300 euros). Já a Galería La Caja Negra (Madrid) que representa Edgar Martins não conseguiu negociar nenhuma das fotografias da nova série do artista, The Reluctant Monoliths, que isola paisagens e objectos urbanos sobre fundo negro.

As imensas bancadas vazias que rodearam o espaço da feira no Palácio dos Desportos (no centro de Madrid) acabaram por resultar numa metáfora perfeita em relação ao número de visitantes que ao longo dos dias pareceu sempre demasiado escasso. Em conversa com o P2, Giulietta Speranza, a directora artística da feira, mostrou-se "muito satisfeita" com a qualidade dos trabalhos e com o facto de, este ano e a seu pedido, boa parte das 58 galerias participantes terem apostado também em autores clássicos e provas vintage (de época).

A feira do ano que vem já começou a ser pensada. É provável que a próxima MadridFoto volte a andar com a casa às costas.

18 maio, 2010

=ColecçãoàVista=54

Berenice Abbott (1898-1991), 7th Ave. between 12th and 13th Street, New York City, 1936
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia



New york, New York

Abbott consagra a paixão pela fotografia em 1923, altura em que Man Ray procura alguém que nada saiba sobre fotografia e acaba por contratá-la como assistente de câmara escura. Impressionado com o seu trabalho, apresenta-a a Eugène Atget. A fotógrafa desenvolve grande admiração por Atget e consegue, pouco antes da sua morte, persuadi-lo a sentar-se para um retrato [1927]. É numa visita a Nova Iorque, quando procura ostensivamente uma editora para resgatar o esquecimento da obra de Atget, que Abbott vê na cidade o potencial fotográfico. Decide ficar para fotografar o urbanismo com a diligência e atenção ao detalhe que tanto admirou em Atget. O seu trabalho é hoje um testemunho histórico dos edifícios destruídos e bairros de Manhattan..
(texto:CPF)

08 maio, 2010

Mudanças

José Manuel Ballester
© José Manuel Ballester

Pausa para mudanças. Até já.

02 maio, 2010

J. Laurent

Palácio de Monserrate, Sintra (Colecção Alexandre Ramires)


O pioneiro francês que fotografava ao ritmo do comboio

Sérgio C. Andrade
P2, Público (1.05.2010)

A convicção de Ângela Castelo-Branco, a comissária portuguesa da exposição J. Laurent e Portugal - Fotografia do Século XIX, na Torre do Tombo, em Lisboa (até 31 de Maio), é que este pioneiro francês da fotografia (1816-1886), mas que desenvolveu o mais importante da sua actividade a partir de Madrid, onde montou o seu estúdio e se tornou numa espécie de fotógrafo oficial da casa real, visitou e fotografou Portugal em 1869, tendo mesmo ficado por cá até ao início do ano seguinte.

Ainda que não tenham sido até agora descobertos testemunhos que permitam fixar com certeza histórica a data da viagem, a comissária e investigadora da história da fotografia socorre-se de elementos como o calendário do desenvolvimento da rede ferroviária no nosso país para avançar o ano de 1869. "O fotógrafo deslocava-se de comboio devido à quantidade de material necessário para a obtenção dos negativos em vidro de colódio húmido que tinham de ser sensibilizados e revelados no local onde se fotografava", escreve Ângela Castelo-Branco no texto de apresentação da exposição - que, no ano passado, foi apresentada no Centro Português de Fotografia/Cadeia da Relação, no Porto, e que deverá poder vir ainda a contar com um catálogo que documente a importância de Laurent para a história da fotografia.

J. (que pode ser lido Jean ou Juan) Laurent "foi o primeiro fotógrafo a fazer o levantamento paisagístico e patrimonial da Península Ibérica", diz ao P2 a comissária da exposição, relevando "a grande visão comercial" que presidiu a este projecto de "inventário". Publicou em 1872 e 79, no seu Catálogo de los retratos que se vendem en casa de J. Laurent, a série de fotografias que realizara em Portugal. Nelas destacam-se paisagens, retratos (género a que Laurent se dedicou no início da carreira, e que está também ainda pouco documentado) e registos de vários monumentos, mas há também pintura e escultura fotografadas em instituições como as academias reais das Ciências e de Belas-Artes, em Lisboa.

Mas são principalmente os monumentos mais conhecidos do património português que foram documentados pela objectiva de Laurent, e que na Torre do Tombo podemos agora revisitar, recuando à segunda metade do século XIX: o Palácio de Monserrate, em Sintra, os Jerónimos, em Lisboa, os mosteiros da Batalha e de Alcobaça, a igrejas de Santa Cruz, em Coimbra, dos Clérigos, no Porto, ou do Bom Jesus, em Braga...

Para além de Castelo-Branco, a exposição J. Laurent e Portugal (integralmente constituída por imagens originais, e que inclui também algumas "vistas" de Espanha) é igualmente comissariada por Alexandre Ramires e pelo espanhol Carlos Teixidor, curador dos espólios fotográficos de J. Laurent, que estão depositados no Instituto do Património Cultural de Espanha e no arquivo Ruiz Vernacci, em Madrid.


Elche, Alicante, Espanha (Colecção Nuno Borges de Araújo)

24 abril, 2010

Paulo Pimenta


Paulo Pimenta/Público



O fotojornalista do Público Paulo Pimenta é o grande vencedor do Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem/Mora. O trabalho vencedor aborda o abandono a que está votada a linha de comboio do Sabor.

Os restantes vencedores são:
Prémio Eleições 2009: Nelson D`Aires (kameraphoto)
Desporto: Jorge Monteiro (gestifutemedia)
Arte e Espectáculos: Gonçalo Rosa da Silva (Visão)
Ambiente: Nuno Ferreira (Correio da Manhã/Lusa Viseu)
Retrato: Guillaume Pazat (kameraphoto)
Vida Quotidiana: João Carvalho Pina (KP); Nacho Doce (Reuters); Nelson d`Aires (kameraphoto)
Notícias: Ricardo Meireles; Nelson Garrido (Público)
Bolsa para trabalho sobre o Alentejo: João Carvalho Pina


Ayperi Ecer


Ayperi Karabuda Ecer




O fotojornalismo não pode mudar o mundo, mas pode pôr o Alentejo no mapa

Sérgio B. Gomes e Susana Almeida Ribeiro

Ayperi Karabuda Ecer. O nome é quase tão cosmopolita como a própria. De ascendência sueca e turca, Ayperi assume actualmente as funções de vice-presidente do departamento de fotografia da agência de notícias Reuters. Passam-lhe diante dos olhos cerca de 2000 imagens por dia. A sua tarefa é gerir uma gigantesca rede de correspondentes em todo o mundo, que produzem algumas das melhores imagens do fotojornalismo contemporâneo. Muitas delas acabam premiadas no World Press Photo, cujo júri de 2010 foi presidido por Ayperi.
Com uma vasta experiência na edição de fotografias, Ayperi já trabalhou um pouco por todo o mundo, de Nova Iorque a Paris. Em Mora, no Alentejo, durante três dias, presidiu ao júri que escolheu os vencedores do Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem que hoje serão divulgados. Cento e noventa fotógrafos, com 5500 fotografias, submeteram os seus trabalhos a este prémio que agora se estreia. Numa entrevista por e-mail ao P2, Ayperi Ecer confessa o seu entusiasmo por projectos multimédia e pelas narrativas fotográficas online, sem nunca esquecer que o fotojornalismo existe porque serve para “tocar as nossas vidas”.

O prémio de fotojornalismo Estação Imagem de Mora teve um recorde de participações logo na primeira edição. Paradoxalmente, há cada vez menos fotojornalistas directamente ligados às redacções portuguesas. O habitual modelo de funcionamento da profissão está falido?
O júri e eu estamos muito entusiasmados pelo facto haver tantas inscrições. Os trabalhos dar-nos-ão uma visão excepcional da fotografia portuguesa.
É verdade que muitos fotógrafos entram nos concursos em busca de patrocínios, porque o mercado editorial é muito pobre. Espero que em Portugal isto seja um sinal de querer transformar este prémio num dos melhores!
A maneira com que olhamos para as notícias está a mudar. Fazer vida como fotojornalista tradicional empregado num jornal será cada vez mais difícil. Haverá, porém, novas possibilidades com Organizações Não-Governamentais ou patrocinadas por instituições, narrações multimédia, como parte dos novos media online, etc. Haverá igualmente novas profissões associadas, como os designers gráficos e especialistas em pós-produção...


Conhece a produção de fotojornalismo português. O que é que espera encontrar?
Sim, conheço, mas não ao pormenor. Espero encontrar uma narração subtil e espero encontrar as mesmas qualidades encontradas na ficção ou no cinema portugueses.


O prémio de fotojornalismo Estação Imagem de Mora está ligado a um programa mais vasto que envolve a fotografia numa região desertificada. Acredita que a imagem fotográfica pode inverter este cenário?
Trabalhar numa região assim é um desafio interessante porque força as pessoas a “escavar mais fundo”, encontrar formas mais subtis de expressão, quer na informação quer nas imagens. De certeza que a história do Alentejo é muito interessante. Pôr o Alentejo no mapa e pôr fotógrafos de topo a trabalhar em torno da região dará um testemunho fantástico.


Ser membro do júri de um concurso de fotojornalismo como o World Press Photo (WPP) implica ver e analisar milhares de imagens. Consegue isolar rapidamente os trabalhos vencedores ou precisa de voltar muitas vezes a fotografias já vistas?
Todos os membros do júri têm experiência em lidar com grande quantidade de fotografias e em fazer edições pertinentes. Actualmente, na Reuters, passam-me pelos olhos por dia cerca de duas mil fotografias. Um vencedor é escolhido colectivamente depois de várias rondas de votações. Se a pergunta é se eu consegui detectar a fotografia vencedora cedo [a mais recente imagem que venceu o WPP, de mulheres num terraço de Teerão a gritar em protesto contra a maneira como decorreram as presidenciais], a resposta é sim, e achei que era muito poderosa.


Os prémios e concursos têm dado algum contributo para a qualidade do fotojornalismo?
Sim, as imagens vencedoras são vistas globalmente e, na melhor das hipóteses, suscitam debate e fazem recair a atenção sobre o fotojornalismo.


Sente que os trabalhos que chegam a prémios como o WPP espelham o estado global do fotojornalismo ou tudo não passa de uma caça ao prémio?
Com uma menor quantidade de revistas existentes globalmente, o WPP mostra um panorama único daquilo que é produzido no mundo. Na última edição, cem mil imagens mostraram às pessoas diferentes estilos e assuntos, as forças e as fraquezas do fotojornalismo. A marca WPP é realmente global, como mostraram os resultados muito variados do último ano.
Quando o fotojornalismo estava no seu melhor, a WPP dava apenas visibilidade a um leque limitado de temas das melhores imagens do mundo. Hoje em dia dá uma perspectiva mais abrangente, uma visibilidade única à profissão como um todo.


As últimas fotografias às quais foi atribuído o World Press Photo of the Year têm estado muito longe dos velhos cânones do fotojornalismo. A imagem que ajudou a distinguir no ano passado [mulheres num terraço de Teerão], surpreende pela composição e pela escala escolhida pelo autor. Por que é que aquela imagem a emocionou tanto?
O concurso World Press Photo consiste em dez categorias com seis prémios, mais menções honrosas e o Prémio World Press Photo of the Year. Cada um deles é importante. Este júri passou demasiado tempo a certificar-se que cada categoria era válida para uma coisa específica. A secção de “spot news” é rica e forte e mostra aquilo que de melhor se faz no fotojornalismo. Porém, chegados ao momento de escolher a imagem do ano, quisemos premiar uma imagem com a qual conseguíssemos conviver durante um ano inteiro e que conseguisse abrir novas perspectivas sobre como abordar a fotografia noticiosa. Não foi, no entanto, uma escolha ideológica. A fotografia de Masturzo [Pietro Masturzo, autor da imagem vencedora] tinha todos os requisitos fotográficos, era uma das histórias mais importantes do ano, com um ângulo que ainda não tinha sido visto. Apesar de os cânticos no Irão serem uma forma de protesto desde o tempo do Xá, nunca antes isso tinha sido documentado. Fomos seduzidos pela qualidade visual da fotografia, mostrando pessoas no seu próprio ambiente, abrindo portas à nossa curiosidade, mostrando que histórias tensas podem igualmente ser abordadas de forma calma e que nem tudo tem que ser claro e frontal...


As imagens que nos chegaram das manifestações no Irão foram talvez mais fortes do que as palavras e obrigaram o mundo a olhar para essa revolta de outra maneira. Nessa altura, os jornais publicaram muitas fotografias captadas por manifestantes e partilhadas na internet. Num cenário em que o poder/dever de informar pela imagem está mais espartilhado do que nunca, que papel tem hoje o fotojornalista?
O papel da informação em todo o mundo está a mudar. O conteúdo produzido pelos cidadãos acrescenta valor ao trabalho dos jornalistas. Este foi claramente o caso no Irão.


O fotojornalismo continua a ter o poder de mudar o rumo dos acontecimentos?
Eu acho que é romântico dizer que o fotojornalismo foi capaz de mudar o curso dos acontecimentos. Manter uma posição tão romântica é capaz de causar mais mal do que bem, uma vez que é passível de causar desilusão. Penso que é uma das razões que faz com que os jovens não acreditem no jornalismo em geral. O fotojornalismo pode ajudar as pessoas a “abrir os olhos” e poderá ter um excepcional impacto nas pessoas mas não pode mudar o mundo.


O ensaio é um género em extinção na generalidade da imprensa generalista mundial. A que se deve este desinteresse?
Essa ausência está mais ligada à economia dos media do que propriamente ao real interesse dos leitores. Se atentarmos naquilo que é publicado, então os leitores só estariam interessados em entretenimento. Eu acredito que eles têm interesses mais profundos. Porém, o modelo económico de produção de reportagens fotográficas profundas não é, claramente, uma prioridade para a publicidade.


Acha que, em termos criativos e de capacidade para reflectir aprofundadamente sobre um assunto, os projectos multimédia online (com dezenas de imagens, som e infografia) podem ser uma alternativa à maneira tradicional de apresentar e divulgar o ensaio?
Eu acredito muito no multimédia. Iniciei uma série de grandes reportagens para a Reuters com a Mediastorm. Fomos nomeados para um Emmy pelo trabalho Iraq: Bearing Witness e acabámos de ser galardoados com o prémio “Melhor Projecto de Documentário 2010 pelo POY [Pictures of the Year Internationl] pelo trabalho Times of Crisis.
As camadas de informação e de narração em multimédia oferecem múltiplas e ricas possibilidades para o fotojornalismo. Cria o desafio de identificar aquilo que melhor pode ser contado apenas por fotografias e o que pode ser combinado com texto, áudio e infografia, para ser contado de forma diferente.


Acredita que a imagem fotográfica é hoje mais poderosa nos media online do que nos media tradicionais?
As imagens noticiosas são ainda muito fortes na maioria dos 11 mil jornais existentes em todo o mundo. A narrativa fotojornalística mais densa é claramente mais poderosa online.


Quão importante é a edição fotográfica hoje?
E edição é agora mais importante que nunca. Principalmente porque o fotógrafo é hoje, por causa da tecnologia, forçado a ser um editor. E é bom que seja um bom editor! As equipas digitais precisam de ter uma excelente organização e ter vários alvos de edição. Há uma quantidade tão grande de imagens online que se os trabalhos não estiverem bem editados vão simplesmente desaparecer.


O suporte digital veio trazer mudanças radicais à profissão e impôs um ritmo de trabalho mais acelerado. Qual foi a mudança fundamental nesta transição?
Acho que é demasiado tarde para voltarmos atrás para qualquer coisa que não seja digital. Esta é a fotografia de hoje e nós devemos deixar de fazer comparações!


Que tipo de acontecimentos mais gosta de ver quando avalia uma fotografia?
Eu gosto de todos os tipos de fotografia, tentando sempre encontrar o melhor dentro de cada género, desde que seja criativo. O fotojornalismo deve tocar as nossas vidas. Não pode ficar concentrado apenas nos testemunhos de injustiças e nos desastres, mas também na alegria e no crescimento. Se tocasse mais as nossas vidas com certeza que teria uma posição mais forte.

Num cenário de devastação como no Haiti, em que circunstâncias é que um fotojornalista deve dizer “já basta”?
Muitas pessoas que fazem parte de organizações internacionais de solidariedade já me disseram que se os fotojornalistas não estiverem presentes em cenários de devastação, é como se essas cenas “não existissem”. Em vez de nos concentrarmos naquilo que poderá ser “demasiado” no Haiti, por exemplo, devemo-nos concentrar naquilo que é “de menos” em muitas áreas dramáticas e esquecidas do mundo.

Uma vez que não é fotógrafa, como é que deu por si a “julgar” as fotografias dos outros?
Sou editora há 25 anos e o meu trabalho consiste em ver o que de melhor existe na fotografia, o potencial de identificação das imagens, muitas coisas que os fotojornalistas, eles próprios, não conseguem ver.

11 abril, 2010

entre aspas


Louis-Ferdinand Céline

Eu dizia-lhe que queria ser escritor, que tinha 15 anos e ele respondeu-me com uma carta de uma imensa ternura: 'Não tenho fotografia porque não sou actor de cinema. Mas se queres ser escritor vê lá porque depois não podes ir ao cinema, não podes ter namoradas, não podes não sei lá o quê... Porque escrever é uma coisa muito difícil e exige muito tempo, tens de passar a vida agarrado ao livro...'

António Lobo Antunes, lembrança de uma carta que escreveu a Céline onde lhe pedia uma fotografia,
in
Ípsilon, Público

10 abril, 2010

Público-20 anos de fotojornalismo (XVI)

© Daniel Rocha/Público

“Os reflexos do comunismo”, um funeral diferente ou o carisma de Cunhal
Daniel Rocha, 2005


Sintetizar na multiplicidade, sintetizar no caos. Na fotografia de Daniel Rocha mostram-se o punho, as palmas e o povo. Mostra-se a bandeira da foice e do martelo a cobrir outro símbolo que fisicamente se eclipsa – o de Álvaro Cunhal. Está tudo lá, numa imagem, até parece simples, mas não é. Para o funeral do carismático líder dos comunistas, foram destacados três fotojornalistas. Daniel Rocha ficou com uma parte do percurso, mais concentrado na multidão. Neste jogo de reflexos, transparências e duplas imagens que se contaminam e se confundem, confrontam-se os mais importantes símbolos do comunismo num momento de transição fundamental. “Fotografar um funeral é diferente de fotografar outro tipo de multidões. Sempre que me compete este tipo de trabalho, tento colocar-me na pele de quem perdeu um familiar, um amigo ou um ídolo carismático como era Álvaro Cunhal”.

08 abril, 2010

Hasselblad para Calle

Sophie Calle
© Yves Géant

A notícia já leva uns dias valentes, mas só agora dei de caras com ela algures por aí: a francesa Sophie Calle é a vencedora do Hasselblad Award 2010, um dos mais reputados prémios de fotografia do mundo que este ano celebra a sua 30ª edição. Calle receberá um milhão de coroas suecas (cerca de 100 mil euros), um diploma e uma medalha de ouro durante uma cerimónia agendada para o dia 30 de Outubro, em Gotemburgo, cidade que receberá uma exposição individual da artista.

A Hasselblad Foundation justificou o prémio de Sophie Calle assim:

For more than three decades, French artist Sophie Calle has been questioning and challenging the relationship between text and photography, private and public personae, truth and fiction, in a groundbreaking, utterly original way. Her conceptually oriented work depicts human vulnerability and examines the interrelationship between identity and intimacy as well as the construction of official history. It evokes narrative, affect and emotion in ways that at the same time touch the viewer deeply and makes her reflect on the possibilities as well as limits of photography. Her contribution to the understanding of the medium of photography has inspired younger generations of artists.

O júri era composto por Claude W. Sui, curador e presidente do Forum of International Reiss-Engelhorn Museums, Mannheim, Alemanha, Ariella Azoulay, professora da Bar Ilan University, Ramat Gan, Israel, Vladimir Birgus, curador, historiador da fotografia, professor e presidente do Institute of Creative Photography da Silesian University de Opava, Praga, República Checa, Sérgio Mah, professor da Universidade Nova de Lisboa e actual comissário do festival PhotoEspaña, Mette Sandbye, crítica e professora da Copenhagen University, Dinamarca.

vender/comprar


Helmut Newton, Seddle II, Paris, 1976


A casa Phillips de Pury tem agendado para o dia 16 de Abril um leilão com tudo o que é estrelas da fotografia dos últimos 50 anos. Aqui

The Election Project

Simon Roberts, Blackpool Promenade, Lancashire, 2008
© Simon Roberts

A maturidade de uma democracia também se prova assim, quando decide colocar-se visualmente em causa. Como no The Election Project, um projecto fotográfico pago pela Câmara dos Comuns que servirá para pensar as eleições e o actual momento político no Reino Unido através das imagens de Simon Roberts.

Infinity Awards

Lorna Simpson, Cloud, 2005
© Lorna Simpson, cortesia da artista e da galeria Salon94, Nova Iorque

Os Infinity Awards do International Center of Photography, de Nova Iorque, foram entregues a:

>John G. Morris: Lifetime Achievement Award
>Peter Magubane: Cornell Capa Award
>Gilbert C. Maurer/Hearst Corporation: ICP Trustees Award
>Raphaël Dallaporta: Young Photographer
>Luc Sante, autor de Folk Photography: The Real-Photo Postcard (2009): Writing
>Looking In: Robert Frank’s “The Americans”, Sarah Greenough (National Gallery of Art): Publication
>Lorna Simpson: Art
>Reza: Photojournalism
>Daniele Tamagni, Gentlemen of Bacongo: Applied/Fashion/Advertising Photography

Paris Art Picture



E, no entanto, ela move-se e faz mover - a fotografia estará no centro das atenções da nova feira de arte contemporânea de Paris, a Paris Art Picture, que tem a sua estreia agendada para o Outono, entre 18 e 21 de Novembro. Serão seleccionadas 40 galerias de arte e editoras especializadas em fotografia, arte digital e vídeo. No anúncio de arranque, a Paris Art Picture convida "profissionais, entusiastas e afficionados" do universo da fotografia.

Mais informações aqui

BES Revelação

© Susana Pedrosa (BES Revelação 2009)


Os portfólios para a sexta edição do prémio BES Revelação podem ser enviados até ao dia 30 de Junho. Podem candidatar-se os criadores com idade limite de 30 anos, à data de 30 de Junho de 2010. Os trabalhos (de tema livre) podem ser apresentados individual ou colectivamente. Os artistas finalistas terão direito a uma bolsa de produção de 7 500 euros e terão os seus trabalhos expostos na Fundação Serralves, no Porto.
Mais informações sobre candidaturas aqui

07 abril, 2010

Private Lives

© André Cepeda, Traseiras, Porto, 2006

O Centro Cultural de Cascais mostra a partir de sexta-feira, dia 9 de Abril, a exposição Private Lives, cujas receitas reverterão a favor da Ser + (Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida). Organizada por Filipa Valladares, Private Lives reúne trabalhos de André Cepeda, Catarina Botelho, Duarte Amaral Netto, José Pedro Cortes, Mariana Viegas, Pedro Magalhães, Rita Castro Neves e Vasco Barata. A exposição pode ser vista até 23 de Maio.

=ColecçãoàVista= 53

Wenceslau Cifka (1811-1883), Château de Sintra, Portugal, 1848
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia



Palácio da Pena

O Palácio Nacional da Pena foi construído em 1836 por ordem de D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha, marido da Rainha D. Maria II. Cognominado "rei-artista", desenvolveu uma paixão por Sintra que o levou a ordenar a reconstrução das ruínas do Convento da Pena de raiz. O fotógrafo Wenceslau Cifka fazia parte da comitiva do Rei D. Fernando II na sua visita a Portugal. A pedido do rei, e após a conclusão da construção, Cifka produz este registo, em 1848. Para isso, utilizou o primeiro processo fotográfico existente: o daguerreótipo. De uma extraordinária qualidade e nitidez, a daguerreotipia, que consistia numa imagem positiva e negativa, formada sobre uma fina camada de prata polida e aplicada sobre uma placa de cobre sensibilizada com vapor de iodo, foi considerada um milagre da ciência e fazia as delícias da burguesia.
(texto:CPF)

Público-20 anos de fotojornalismo (XV)


© Manuel Roberto/Público

“Fátima e futebol”, a esperança ou a força com que se agarra a santa
Manuel Roberto, 2004


Teria Angelos Charisteas arrefecido já o nosso ébrio entusiasmo à volta da selecção? Manuel Roberto não se recorda ao certo se estes rostos em transe pertencem àqueles 40 minutos da final do Euro 2004 em que a selecção portuguesa procurou remar contra uma maré grega que até ao apito final se mostrou demasiado forte e organizada. Do que o fotojornalista se lembra bem é da esperança que reinava naquele momento, fosse qual fosse o resultado a desfavor, fosse qual fosse a derrota que se vislumbrava. Na Praça D. João I, no Porto, os adeptos pressentiam o pior. Devoravam unhas, rezavam e agarravam-se à santa. Manuel Roberto: “Queria encontrar uma imagem que resumisse a ligação entre Fátima e futebol neste momento de desespero colectivo em que a fé que se revela”. Missão cumprida.

31 março, 2010

Pente 10 outra vez na Paris Photo

Paulo Nozolino, Obs. 2, 2009
©
Paulo Nozolino/Cortesia Galeria Pente 10


A galeria de fotografia Pente 10 vai participar pelo segundo ano consecutivo na Paris Photo, a maior feira de fotografia do mundo. No espaço da galeria serão expostos trabalhos de Rita Barros, Fernando Lemos e Alexandr Glyadyelov. De Paulo Nozolino haverá trabalhos inéditos, captados em 2009, entre os quais o díptico que o Arte Photographica revela em primeira mão.

Público-20 anos de fotojornalismo (XIV)

© Rui Gaudêncio/Público

Um coração ou uma avelã? O fotógrafo de bata, mas sem bisturi
Rui Gaudêncio, 2003


Com a fotografia (e com os fotógrafos) entramos visualmente em muitos locais onde o comum dos mortais nunca vai poder entrar. A fotografia dá-nos essa ilusão da vivência dos lugares e da comunhão com os acontecimentos de uma forma particular e íntima. Rui Gaudêncio foi autorizado a fotografar uma operação ao coração de um bebé de três meses no Hospital da Cruz Vermelha. Recebeu instruções precisas para que não se mexesse a fim de não atrapalhar o desenrolar da cirurgia. Ficou no mesmo sítio durante horas e enfrentou um grande desafio técnico - a baixa intensidade da luz. Foi graças à luz (ou à falta dela) que captou esta imagem que tanto vive na penumbra como na luminosidade. Nestas operações não há listas de espera - são todas urgentes. “O que mais me impressionou foi a escala de tudo o que está envolvido neste tipo de operação a começar pelo bebé, com dois palmos, e pelo coração, do tamanho de uma avelã”.

Aperture #198


Anders Petersen, Paris, 2006
© Anders Petersen

Foi lançada a edição de Primavera da revista da Fundação Aperture. Entre outros artigos e portfólios, destaque para o frente-a-frente entre Elliott Erwitt e Marc Riboud, a análise dos primeiros trabalhos de Anders Peterson e o seu método de fotografar pessoas e a reportagem de Paolo Pellegrin e Scott Anderson sobre a diáspora iraquiana.

=ColecçãoàVista= 52


Francis Frith (1822 – 1898), The Penha Convent, Sintra, Portugal, s/d
Colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior © Centro Português de Fotografia


Sintra

Francis Frith, fotógrafo e editor, foi comerciante de especiarias entre 1844 e 1855, actividade que abandona à medida que desenvolve o seu interesse pela fotografia, surgido na década de 40. Monta um estúdio em Liverpool em 1850 e, cinco anos mais tarde, começa a viajar e a dedica-se em exclusivo à fotografia. Começa por viajar até ao Egipto, em 1856, e percorre vastas áreas do Médio Oriente e da Ásia onde faz séries de grande formato de paisagens e monumentos. Utilizava o processo de colódio húmido, que obrigava a uma perícia extrema por parte do fotógrafo, com impressões em albumina. Em 1859 cria a editora F. Frith & Company em Reigate. Publica imagens estereoscópicas e álbuns de vários locais do mundo. Esta firma manteve-se em actividade até 1970. A sua passagem por Portugal deverá ter sido ocasional, em escala para outros destinos.
(texto:CPF)

26 março, 2010

Jim Marshall 1936 - 2010


Chuck Berry no Madison Square Garden, Nova Iorque, 1969


Morreu Jim Marshall, um dos primeiros fotógrafos a dar imagem ao universo rock 'n' roll. Autor de muitas fotografias icónicas, foi ele que imortalizou, por exemplo, o momento em que Jimi Hendrix pega fogo à sua guitarra no Monterey International Pop Festival, em 1967. Marshall morreu durante o sono na madrugada de quarta-feira em Nova Iorque, onde promovia o seu último livro, Match Prints, feito em parceria com Timothy White.
Mário Lopes escreveu sobre Jim Marshall aqui




Jimi Hendrix no Monterey International Pop Festival, em 1967

 
free web page hit counter