24 abril, 2010

Paulo Pimenta


Paulo Pimenta/Público



O fotojornalista do Público Paulo Pimenta é o grande vencedor do Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem/Mora. O trabalho vencedor aborda o abandono a que está votada a linha de comboio do Sabor.

Os restantes vencedores são:
Prémio Eleições 2009: Nelson D`Aires (kameraphoto)
Desporto: Jorge Monteiro (gestifutemedia)
Arte e Espectáculos: Gonçalo Rosa da Silva (Visão)
Ambiente: Nuno Ferreira (Correio da Manhã/Lusa Viseu)
Retrato: Guillaume Pazat (kameraphoto)
Vida Quotidiana: João Carvalho Pina (KP); Nacho Doce (Reuters); Nelson d`Aires (kameraphoto)
Notícias: Ricardo Meireles; Nelson Garrido (Público)
Bolsa para trabalho sobre o Alentejo: João Carvalho Pina


Ayperi Ecer


Ayperi Karabuda Ecer




O fotojornalismo não pode mudar o mundo, mas pode pôr o Alentejo no mapa

Sérgio B. Gomes e Susana Almeida Ribeiro

Ayperi Karabuda Ecer. O nome é quase tão cosmopolita como a própria. De ascendência sueca e turca, Ayperi assume actualmente as funções de vice-presidente do departamento de fotografia da agência de notícias Reuters. Passam-lhe diante dos olhos cerca de 2000 imagens por dia. A sua tarefa é gerir uma gigantesca rede de correspondentes em todo o mundo, que produzem algumas das melhores imagens do fotojornalismo contemporâneo. Muitas delas acabam premiadas no World Press Photo, cujo júri de 2010 foi presidido por Ayperi.
Com uma vasta experiência na edição de fotografias, Ayperi já trabalhou um pouco por todo o mundo, de Nova Iorque a Paris. Em Mora, no Alentejo, durante três dias, presidiu ao júri que escolheu os vencedores do Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem que hoje serão divulgados. Cento e noventa fotógrafos, com 5500 fotografias, submeteram os seus trabalhos a este prémio que agora se estreia. Numa entrevista por e-mail ao P2, Ayperi Ecer confessa o seu entusiasmo por projectos multimédia e pelas narrativas fotográficas online, sem nunca esquecer que o fotojornalismo existe porque serve para “tocar as nossas vidas”.

O prémio de fotojornalismo Estação Imagem de Mora teve um recorde de participações logo na primeira edição. Paradoxalmente, há cada vez menos fotojornalistas directamente ligados às redacções portuguesas. O habitual modelo de funcionamento da profissão está falido?
O júri e eu estamos muito entusiasmados pelo facto haver tantas inscrições. Os trabalhos dar-nos-ão uma visão excepcional da fotografia portuguesa.
É verdade que muitos fotógrafos entram nos concursos em busca de patrocínios, porque o mercado editorial é muito pobre. Espero que em Portugal isto seja um sinal de querer transformar este prémio num dos melhores!
A maneira com que olhamos para as notícias está a mudar. Fazer vida como fotojornalista tradicional empregado num jornal será cada vez mais difícil. Haverá, porém, novas possibilidades com Organizações Não-Governamentais ou patrocinadas por instituições, narrações multimédia, como parte dos novos media online, etc. Haverá igualmente novas profissões associadas, como os designers gráficos e especialistas em pós-produção...


Conhece a produção de fotojornalismo português. O que é que espera encontrar?
Sim, conheço, mas não ao pormenor. Espero encontrar uma narração subtil e espero encontrar as mesmas qualidades encontradas na ficção ou no cinema portugueses.


O prémio de fotojornalismo Estação Imagem de Mora está ligado a um programa mais vasto que envolve a fotografia numa região desertificada. Acredita que a imagem fotográfica pode inverter este cenário?
Trabalhar numa região assim é um desafio interessante porque força as pessoas a “escavar mais fundo”, encontrar formas mais subtis de expressão, quer na informação quer nas imagens. De certeza que a história do Alentejo é muito interessante. Pôr o Alentejo no mapa e pôr fotógrafos de topo a trabalhar em torno da região dará um testemunho fantástico.


Ser membro do júri de um concurso de fotojornalismo como o World Press Photo (WPP) implica ver e analisar milhares de imagens. Consegue isolar rapidamente os trabalhos vencedores ou precisa de voltar muitas vezes a fotografias já vistas?
Todos os membros do júri têm experiência em lidar com grande quantidade de fotografias e em fazer edições pertinentes. Actualmente, na Reuters, passam-me pelos olhos por dia cerca de duas mil fotografias. Um vencedor é escolhido colectivamente depois de várias rondas de votações. Se a pergunta é se eu consegui detectar a fotografia vencedora cedo [a mais recente imagem que venceu o WPP, de mulheres num terraço de Teerão a gritar em protesto contra a maneira como decorreram as presidenciais], a resposta é sim, e achei que era muito poderosa.


Os prémios e concursos têm dado algum contributo para a qualidade do fotojornalismo?
Sim, as imagens vencedoras são vistas globalmente e, na melhor das hipóteses, suscitam debate e fazem recair a atenção sobre o fotojornalismo.


Sente que os trabalhos que chegam a prémios como o WPP espelham o estado global do fotojornalismo ou tudo não passa de uma caça ao prémio?
Com uma menor quantidade de revistas existentes globalmente, o WPP mostra um panorama único daquilo que é produzido no mundo. Na última edição, cem mil imagens mostraram às pessoas diferentes estilos e assuntos, as forças e as fraquezas do fotojornalismo. A marca WPP é realmente global, como mostraram os resultados muito variados do último ano.
Quando o fotojornalismo estava no seu melhor, a WPP dava apenas visibilidade a um leque limitado de temas das melhores imagens do mundo. Hoje em dia dá uma perspectiva mais abrangente, uma visibilidade única à profissão como um todo.


As últimas fotografias às quais foi atribuído o World Press Photo of the Year têm estado muito longe dos velhos cânones do fotojornalismo. A imagem que ajudou a distinguir no ano passado [mulheres num terraço de Teerão], surpreende pela composição e pela escala escolhida pelo autor. Por que é que aquela imagem a emocionou tanto?
O concurso World Press Photo consiste em dez categorias com seis prémios, mais menções honrosas e o Prémio World Press Photo of the Year. Cada um deles é importante. Este júri passou demasiado tempo a certificar-se que cada categoria era válida para uma coisa específica. A secção de “spot news” é rica e forte e mostra aquilo que de melhor se faz no fotojornalismo. Porém, chegados ao momento de escolher a imagem do ano, quisemos premiar uma imagem com a qual conseguíssemos conviver durante um ano inteiro e que conseguisse abrir novas perspectivas sobre como abordar a fotografia noticiosa. Não foi, no entanto, uma escolha ideológica. A fotografia de Masturzo [Pietro Masturzo, autor da imagem vencedora] tinha todos os requisitos fotográficos, era uma das histórias mais importantes do ano, com um ângulo que ainda não tinha sido visto. Apesar de os cânticos no Irão serem uma forma de protesto desde o tempo do Xá, nunca antes isso tinha sido documentado. Fomos seduzidos pela qualidade visual da fotografia, mostrando pessoas no seu próprio ambiente, abrindo portas à nossa curiosidade, mostrando que histórias tensas podem igualmente ser abordadas de forma calma e que nem tudo tem que ser claro e frontal...


As imagens que nos chegaram das manifestações no Irão foram talvez mais fortes do que as palavras e obrigaram o mundo a olhar para essa revolta de outra maneira. Nessa altura, os jornais publicaram muitas fotografias captadas por manifestantes e partilhadas na internet. Num cenário em que o poder/dever de informar pela imagem está mais espartilhado do que nunca, que papel tem hoje o fotojornalista?
O papel da informação em todo o mundo está a mudar. O conteúdo produzido pelos cidadãos acrescenta valor ao trabalho dos jornalistas. Este foi claramente o caso no Irão.


O fotojornalismo continua a ter o poder de mudar o rumo dos acontecimentos?
Eu acho que é romântico dizer que o fotojornalismo foi capaz de mudar o curso dos acontecimentos. Manter uma posição tão romântica é capaz de causar mais mal do que bem, uma vez que é passível de causar desilusão. Penso que é uma das razões que faz com que os jovens não acreditem no jornalismo em geral. O fotojornalismo pode ajudar as pessoas a “abrir os olhos” e poderá ter um excepcional impacto nas pessoas mas não pode mudar o mundo.


O ensaio é um género em extinção na generalidade da imprensa generalista mundial. A que se deve este desinteresse?
Essa ausência está mais ligada à economia dos media do que propriamente ao real interesse dos leitores. Se atentarmos naquilo que é publicado, então os leitores só estariam interessados em entretenimento. Eu acredito que eles têm interesses mais profundos. Porém, o modelo económico de produção de reportagens fotográficas profundas não é, claramente, uma prioridade para a publicidade.


Acha que, em termos criativos e de capacidade para reflectir aprofundadamente sobre um assunto, os projectos multimédia online (com dezenas de imagens, som e infografia) podem ser uma alternativa à maneira tradicional de apresentar e divulgar o ensaio?
Eu acredito muito no multimédia. Iniciei uma série de grandes reportagens para a Reuters com a Mediastorm. Fomos nomeados para um Emmy pelo trabalho Iraq: Bearing Witness e acabámos de ser galardoados com o prémio “Melhor Projecto de Documentário 2010 pelo POY [Pictures of the Year Internationl] pelo trabalho Times of Crisis.
As camadas de informação e de narração em multimédia oferecem múltiplas e ricas possibilidades para o fotojornalismo. Cria o desafio de identificar aquilo que melhor pode ser contado apenas por fotografias e o que pode ser combinado com texto, áudio e infografia, para ser contado de forma diferente.


Acredita que a imagem fotográfica é hoje mais poderosa nos media online do que nos media tradicionais?
As imagens noticiosas são ainda muito fortes na maioria dos 11 mil jornais existentes em todo o mundo. A narrativa fotojornalística mais densa é claramente mais poderosa online.


Quão importante é a edição fotográfica hoje?
E edição é agora mais importante que nunca. Principalmente porque o fotógrafo é hoje, por causa da tecnologia, forçado a ser um editor. E é bom que seja um bom editor! As equipas digitais precisam de ter uma excelente organização e ter vários alvos de edição. Há uma quantidade tão grande de imagens online que se os trabalhos não estiverem bem editados vão simplesmente desaparecer.


O suporte digital veio trazer mudanças radicais à profissão e impôs um ritmo de trabalho mais acelerado. Qual foi a mudança fundamental nesta transição?
Acho que é demasiado tarde para voltarmos atrás para qualquer coisa que não seja digital. Esta é a fotografia de hoje e nós devemos deixar de fazer comparações!


Que tipo de acontecimentos mais gosta de ver quando avalia uma fotografia?
Eu gosto de todos os tipos de fotografia, tentando sempre encontrar o melhor dentro de cada género, desde que seja criativo. O fotojornalismo deve tocar as nossas vidas. Não pode ficar concentrado apenas nos testemunhos de injustiças e nos desastres, mas também na alegria e no crescimento. Se tocasse mais as nossas vidas com certeza que teria uma posição mais forte.

Num cenário de devastação como no Haiti, em que circunstâncias é que um fotojornalista deve dizer “já basta”?
Muitas pessoas que fazem parte de organizações internacionais de solidariedade já me disseram que se os fotojornalistas não estiverem presentes em cenários de devastação, é como se essas cenas “não existissem”. Em vez de nos concentrarmos naquilo que poderá ser “demasiado” no Haiti, por exemplo, devemo-nos concentrar naquilo que é “de menos” em muitas áreas dramáticas e esquecidas do mundo.

Uma vez que não é fotógrafa, como é que deu por si a “julgar” as fotografias dos outros?
Sou editora há 25 anos e o meu trabalho consiste em ver o que de melhor existe na fotografia, o potencial de identificação das imagens, muitas coisas que os fotojornalistas, eles próprios, não conseguem ver.

11 abril, 2010

entre aspas


Louis-Ferdinand Céline

Eu dizia-lhe que queria ser escritor, que tinha 15 anos e ele respondeu-me com uma carta de uma imensa ternura: 'Não tenho fotografia porque não sou actor de cinema. Mas se queres ser escritor vê lá porque depois não podes ir ao cinema, não podes ter namoradas, não podes não sei lá o quê... Porque escrever é uma coisa muito difícil e exige muito tempo, tens de passar a vida agarrado ao livro...'

António Lobo Antunes, lembrança de uma carta que escreveu a Céline onde lhe pedia uma fotografia,
in
Ípsilon, Público

10 abril, 2010

Público-20 anos de fotojornalismo (XVI)

© Daniel Rocha/Público

“Os reflexos do comunismo”, um funeral diferente ou o carisma de Cunhal
Daniel Rocha, 2005


Sintetizar na multiplicidade, sintetizar no caos. Na fotografia de Daniel Rocha mostram-se o punho, as palmas e o povo. Mostra-se a bandeira da foice e do martelo a cobrir outro símbolo que fisicamente se eclipsa – o de Álvaro Cunhal. Está tudo lá, numa imagem, até parece simples, mas não é. Para o funeral do carismático líder dos comunistas, foram destacados três fotojornalistas. Daniel Rocha ficou com uma parte do percurso, mais concentrado na multidão. Neste jogo de reflexos, transparências e duplas imagens que se contaminam e se confundem, confrontam-se os mais importantes símbolos do comunismo num momento de transição fundamental. “Fotografar um funeral é diferente de fotografar outro tipo de multidões. Sempre que me compete este tipo de trabalho, tento colocar-me na pele de quem perdeu um familiar, um amigo ou um ídolo carismático como era Álvaro Cunhal”.

08 abril, 2010

Hasselblad para Calle

Sophie Calle
© Yves Géant

A notícia já leva uns dias valentes, mas só agora dei de caras com ela algures por aí: a francesa Sophie Calle é a vencedora do Hasselblad Award 2010, um dos mais reputados prémios de fotografia do mundo que este ano celebra a sua 30ª edição. Calle receberá um milhão de coroas suecas (cerca de 100 mil euros), um diploma e uma medalha de ouro durante uma cerimónia agendada para o dia 30 de Outubro, em Gotemburgo, cidade que receberá uma exposição individual da artista.

A Hasselblad Foundation justificou o prémio de Sophie Calle assim:

For more than three decades, French artist Sophie Calle has been questioning and challenging the relationship between text and photography, private and public personae, truth and fiction, in a groundbreaking, utterly original way. Her conceptually oriented work depicts human vulnerability and examines the interrelationship between identity and intimacy as well as the construction of official history. It evokes narrative, affect and emotion in ways that at the same time touch the viewer deeply and makes her reflect on the possibilities as well as limits of photography. Her contribution to the understanding of the medium of photography has inspired younger generations of artists.

O júri era composto por Claude W. Sui, curador e presidente do Forum of International Reiss-Engelhorn Museums, Mannheim, Alemanha, Ariella Azoulay, professora da Bar Ilan University, Ramat Gan, Israel, Vladimir Birgus, curador, historiador da fotografia, professor e presidente do Institute of Creative Photography da Silesian University de Opava, Praga, República Checa, Sérgio Mah, professor da Universidade Nova de Lisboa e actual comissário do festival PhotoEspaña, Mette Sandbye, crítica e professora da Copenhagen University, Dinamarca.

vender/comprar


Helmut Newton, Seddle II, Paris, 1976


A casa Phillips de Pury tem agendado para o dia 16 de Abril um leilão com tudo o que é estrelas da fotografia dos últimos 50 anos. Aqui

The Election Project

Simon Roberts, Blackpool Promenade, Lancashire, 2008
© Simon Roberts

A maturidade de uma democracia também se prova assim, quando decide colocar-se visualmente em causa. Como no The Election Project, um projecto fotográfico pago pela Câmara dos Comuns que servirá para pensar as eleições e o actual momento político no Reino Unido através das imagens de Simon Roberts.

Infinity Awards

Lorna Simpson, Cloud, 2005
© Lorna Simpson, cortesia da artista e da galeria Salon94, Nova Iorque

Os Infinity Awards do International Center of Photography, de Nova Iorque, foram entregues a:

>John G. Morris: Lifetime Achievement Award
>Peter Magubane: Cornell Capa Award
>Gilbert C. Maurer/Hearst Corporation: ICP Trustees Award
>Raphaël Dallaporta: Young Photographer
>Luc Sante, autor de Folk Photography: The Real-Photo Postcard (2009): Writing
>Looking In: Robert Frank’s “The Americans”, Sarah Greenough (National Gallery of Art): Publication
>Lorna Simpson: Art
>Reza: Photojournalism
>Daniele Tamagni, Gentlemen of Bacongo: Applied/Fashion/Advertising Photography

Paris Art Picture



E, no entanto, ela move-se e faz mover - a fotografia estará no centro das atenções da nova feira de arte contemporânea de Paris, a Paris Art Picture, que tem a sua estreia agendada para o Outono, entre 18 e 21 de Novembro. Serão seleccionadas 40 galerias de arte e editoras especializadas em fotografia, arte digital e vídeo. No anúncio de arranque, a Paris Art Picture convida "profissionais, entusiastas e afficionados" do universo da fotografia.

Mais informações aqui

BES Revelação

© Susana Pedrosa (BES Revelação 2009)


Os portfólios para a sexta edição do prémio BES Revelação podem ser enviados até ao dia 30 de Junho. Podem candidatar-se os criadores com idade limite de 30 anos, à data de 30 de Junho de 2010. Os trabalhos (de tema livre) podem ser apresentados individual ou colectivamente. Os artistas finalistas terão direito a uma bolsa de produção de 7 500 euros e terão os seus trabalhos expostos na Fundação Serralves, no Porto.
Mais informações sobre candidaturas aqui

07 abril, 2010

Private Lives

© André Cepeda, Traseiras, Porto, 2006

O Centro Cultural de Cascais mostra a partir de sexta-feira, dia 9 de Abril, a exposição Private Lives, cujas receitas reverterão a favor da Ser + (Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida). Organizada por Filipa Valladares, Private Lives reúne trabalhos de André Cepeda, Catarina Botelho, Duarte Amaral Netto, José Pedro Cortes, Mariana Viegas, Pedro Magalhães, Rita Castro Neves e Vasco Barata. A exposição pode ser vista até 23 de Maio.

=ColecçãoàVista= 53

Wenceslau Cifka (1811-1883), Château de Sintra, Portugal, 1848
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia



Palácio da Pena

O Palácio Nacional da Pena foi construído em 1836 por ordem de D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha, marido da Rainha D. Maria II. Cognominado "rei-artista", desenvolveu uma paixão por Sintra que o levou a ordenar a reconstrução das ruínas do Convento da Pena de raiz. O fotógrafo Wenceslau Cifka fazia parte da comitiva do Rei D. Fernando II na sua visita a Portugal. A pedido do rei, e após a conclusão da construção, Cifka produz este registo, em 1848. Para isso, utilizou o primeiro processo fotográfico existente: o daguerreótipo. De uma extraordinária qualidade e nitidez, a daguerreotipia, que consistia numa imagem positiva e negativa, formada sobre uma fina camada de prata polida e aplicada sobre uma placa de cobre sensibilizada com vapor de iodo, foi considerada um milagre da ciência e fazia as delícias da burguesia.
(texto:CPF)

Público-20 anos de fotojornalismo (XV)


© Manuel Roberto/Público

“Fátima e futebol”, a esperança ou a força com que se agarra a santa
Manuel Roberto, 2004


Teria Angelos Charisteas arrefecido já o nosso ébrio entusiasmo à volta da selecção? Manuel Roberto não se recorda ao certo se estes rostos em transe pertencem àqueles 40 minutos da final do Euro 2004 em que a selecção portuguesa procurou remar contra uma maré grega que até ao apito final se mostrou demasiado forte e organizada. Do que o fotojornalista se lembra bem é da esperança que reinava naquele momento, fosse qual fosse o resultado a desfavor, fosse qual fosse a derrota que se vislumbrava. Na Praça D. João I, no Porto, os adeptos pressentiam o pior. Devoravam unhas, rezavam e agarravam-se à santa. Manuel Roberto: “Queria encontrar uma imagem que resumisse a ligação entre Fátima e futebol neste momento de desespero colectivo em que a fé que se revela”. Missão cumprida.

31 março, 2010

Pente 10 outra vez na Paris Photo

Paulo Nozolino, Obs. 2, 2009
©
Paulo Nozolino/Cortesia Galeria Pente 10


A galeria de fotografia Pente 10 vai participar pelo segundo ano consecutivo na Paris Photo, a maior feira de fotografia do mundo. No espaço da galeria serão expostos trabalhos de Rita Barros, Fernando Lemos e Alexandr Glyadyelov. De Paulo Nozolino haverá trabalhos inéditos, captados em 2009, entre os quais o díptico que o Arte Photographica revela em primeira mão.

Público-20 anos de fotojornalismo (XIV)

© Rui Gaudêncio/Público

Um coração ou uma avelã? O fotógrafo de bata, mas sem bisturi
Rui Gaudêncio, 2003


Com a fotografia (e com os fotógrafos) entramos visualmente em muitos locais onde o comum dos mortais nunca vai poder entrar. A fotografia dá-nos essa ilusão da vivência dos lugares e da comunhão com os acontecimentos de uma forma particular e íntima. Rui Gaudêncio foi autorizado a fotografar uma operação ao coração de um bebé de três meses no Hospital da Cruz Vermelha. Recebeu instruções precisas para que não se mexesse a fim de não atrapalhar o desenrolar da cirurgia. Ficou no mesmo sítio durante horas e enfrentou um grande desafio técnico - a baixa intensidade da luz. Foi graças à luz (ou à falta dela) que captou esta imagem que tanto vive na penumbra como na luminosidade. Nestas operações não há listas de espera - são todas urgentes. “O que mais me impressionou foi a escala de tudo o que está envolvido neste tipo de operação a começar pelo bebé, com dois palmos, e pelo coração, do tamanho de uma avelã”.

Aperture #198


Anders Petersen, Paris, 2006
© Anders Petersen

Foi lançada a edição de Primavera da revista da Fundação Aperture. Entre outros artigos e portfólios, destaque para o frente-a-frente entre Elliott Erwitt e Marc Riboud, a análise dos primeiros trabalhos de Anders Peterson e o seu método de fotografar pessoas e a reportagem de Paolo Pellegrin e Scott Anderson sobre a diáspora iraquiana.

=ColecçãoàVista= 52


Francis Frith (1822 – 1898), The Penha Convent, Sintra, Portugal, s/d
Colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior © Centro Português de Fotografia


Sintra

Francis Frith, fotógrafo e editor, foi comerciante de especiarias entre 1844 e 1855, actividade que abandona à medida que desenvolve o seu interesse pela fotografia, surgido na década de 40. Monta um estúdio em Liverpool em 1850 e, cinco anos mais tarde, começa a viajar e a dedica-se em exclusivo à fotografia. Começa por viajar até ao Egipto, em 1856, e percorre vastas áreas do Médio Oriente e da Ásia onde faz séries de grande formato de paisagens e monumentos. Utilizava o processo de colódio húmido, que obrigava a uma perícia extrema por parte do fotógrafo, com impressões em albumina. Em 1859 cria a editora F. Frith & Company em Reigate. Publica imagens estereoscópicas e álbuns de vários locais do mundo. Esta firma manteve-se em actividade até 1970. A sua passagem por Portugal deverá ter sido ocasional, em escala para outros destinos.
(texto:CPF)

26 março, 2010

Jim Marshall 1936 - 2010


Chuck Berry no Madison Square Garden, Nova Iorque, 1969


Morreu Jim Marshall, um dos primeiros fotógrafos a dar imagem ao universo rock 'n' roll. Autor de muitas fotografias icónicas, foi ele que imortalizou, por exemplo, o momento em que Jimi Hendrix pega fogo à sua guitarra no Monterey International Pop Festival, em 1967. Marshall morreu durante o sono na madrugada de quarta-feira em Nova Iorque, onde promovia o seu último livro, Match Prints, feito em parceria com Timothy White.
Mário Lopes escreveu sobre Jim Marshall aqui




Jimi Hendrix no Monterey International Pop Festival, em 1967

Público-20 anos de fotojornalismo (XIII)

© Adriano Miranda/Público

“Queres um desenho?”, a fotografia logo depois de acordar
Adriano Miranda, 2002


“Eu nem acreditei quando me disseram que ia fotografar o monstro do surrealismo português”. Encontro marcado – três horas. O artista dormia, num quarto surreal, claro. E para a entrevista preferiu não abandonar o leito, os seus metros quadrados mais íntimos. Logo aos primeiros disparos Adriano Miranda sentiu uma entrega total à objectiva, uma predisposição para se revelar, entre cigarros atrás de cigarros. Conquistou-se uma empatia e Cesariny lança: “Queres um desenho?”. “Talvez não, ofereço-te para a próxima quando nos voltarmos a encontrar…”. Adriano Miranda nunca mais encontrou Mário Cesariny. Perdeu o desenho do mestre, mas ganhou aquela que é, na sua opinião, a mais feliz e conseguida sessão de retrato que alguma vez realizou. Por esta fotografia sentimos que Cesariny nos topa bem. Mesmo de olhos fechados.

vamos ao circo

© Valter Vinagre


Valter Vinagre acaba de inaugurar no Bartô do Chapitô - Colectividade Cultural e Recreativa de Santa Catarina, em Lisboa, a exposição Paixão que retrata os dias de trabalho na Escola Nacional de Circo do Rio de Janeiro.
Valter resume o encontro com este espaço carioca assim:

Um muro, um portão, a campainha...
- Bom dia!
Três passos e espanto! Estou dentro de um circo. Sim! Num circo, numa daquelas tendas que alegrava a minha infância em domingos especiais: luz, fantasia, animais selvagens, palhaços, malabaristas, trapezistas, ilusionistas, contorcionistas, rebuçados, etc.
Aqui, nesta tenda, não há animais selvagens domesticados ou para domesticar. Aqui, ensina-se toda a arte que tantos domingos especiais trouxeram à minha infância. Este lugar é a Escola Nacional de Circo no Rio de Janeiro onde fotografei durante uma semana, corria o ano de 2002.
Paixão.


Valter Vinagre
Lisboa, 22 de Fevereiro de 2010

22 março, 2010

/uma fotografia, um nome\


Rasto de asteróide
NASA, ESA, e D. Jewitt (Universidade da Califórnia, Los Angeles), fotografia nº STScI-2010-07



Luís Tobias, in Espelho do Começo dos Nossos dias, 2001
© Luís Tobias


Há um paradigma do valor do visual que o Ocidente fez migrar para toda a ciência do Mundo; radica na crença ocidental da centralidade da visão, - na identificação do conhecimento com a visão.

Nesta perspectiva estas duas imagens ancoram o mesmo sentir, mostram-nos qualquer coisa que somos levados a compreender através do fardo incomensurável da nossa experiência e aprendizagem.

A primeira imagem é vista como documental, somos levadas a dar-lhe crédito de inteligibilidade sobre a realidade; a de Luís Tobias é uma imagem produzida a partir de cristais de cloreto de sódio fotografados e tratados em computador. A sensação de acumulação, de condensação de astros em galáxia de constelações ou, já que o título é uma sugestão, de micro-organismos organizando-se no espaço, é uma simulação, um jogo com a nossa aprendizagem. Se a primeira é documento, a segunda pretende-se arte.

A fotografia é o objecto ideal para salientar a sua própria ambiguidade, oscilando entre o artístico e o científico.

A teoria fotográfica encontra facilmente argumentos para as distinguir , mas também para as identificar. Sabemos que a imagem fotográfica de um asteróide, parecendo transportar na cauda uma galáxia luminosa, destacando-.se no azul de um céu que é negro, pois não é o nosso é também uma simulação; uma simulação técnica, artificialmente colorida e iluminada, escolhida porque enquadrada na janela a que o nosso olhar fotográfico e pictórico nos habituou; sabemos que é a distância entre o objecto e a objectiva que cria o manto de estrelas que parece acompanhar o asteróide. Sabemos, enfim, que esta imagem obedece a um programa tecnológico da câmara incorporada no dispositivo de captação. Na fotografia de Luís Tobias também há um programa e um projecto; é um projecto pessoal, que utiliza as virtualidades da câmara e do computador para a sua produção. É apenas nos interstícios das definições que as distinguimos e analisamos.

Mas há mais qualquer coisa. Quando vi a imagem do asteróide que impressionou a sensibilidade do Sérgio, lembrei-me da série do Luís Tobias e comparei-as.

Ambas as imagens são incómodas. Nega-nos o limite, enche-nos do horror do progresso do incomensurável, do imprevisível. E aí é com os gestos da existência que as olhamos, essa existência que, por ser nossa não sentimos, apenas rodeamos de chavões da nossa cultura e aprendizagem. Mas há coisas que vemos com um olhar de longe, como um rosto, um gesto, um movimento fugidio: um ar, quando o silêncio se instala e a palavra se cala. Só temos como utensílios de entendimento a nossa memória e essa é feita de fragmentos, de traços, de fisionomias vagas e improváveis. Quando não comparamos, não dividimos, não seleccionamos, não repetimos, quando não usamos a aprendizagem que nos dá o “eu”com que vivemos e julgamos ser, a existência toma lugar e, com ela, a imprecisão, o medo, a dúvida, a síncrise, num movimento radical para procurar as origens. Por isso o silêncio é a origem que regressa à origem. E é com esses gestos da existência que tentamos depois traduzir em origem do mundo ou origem do homem, que se recebe, num primeiro olhar, cada uma destas imagens fotográficas. A existência, esse retorno à tensão das origens, impõe-se quando a realidade nos perturba, é, naturalmente opaca e implica arremetidas imprevistas. A linguagem, a palavra, é transparente e linearmente coerente. Nos labirintos repetitivos da razão o olhar torna-se inquisidor, analítico na predação do saber acumulado; no incómodo que é o confronto com uma realidade temida, a imprevisibilidade permanece. A estranheza do mundo é a nossa memória imperfeita.

Maria do Carmo Serén

=ColecçãoàVista= 51


Ruben Garcia (1903-1993), Mrs. Mole, s/d.
Fundo Ruben Garcia © Centro Português de Fotografia


Ruben Garcia


Nascido em Sintra em 1903, foi fotógrafo amador desde os vinte anos e engenheiro electrotécnico com formação em construção naval efectuada em Génova. Enquanto fotógrafo, trabalhou com recurso a uma Leica e uma Nikon. Produziu ainda cinema e revelou um profundo interesse pelas correntes artísticas que estetizavam o progresso técnico (abstraccionismo, futurismo, surrealismo e modernismo da Bauhaus). Marcado pela pesquisa de um novo enquadramento, orientado para o novo olhar fotográfico e a descoberta do objecto fotográfico, apresenta ensaios pessoais. Fá-lo com um olhar academista do salonismo nacional oferecendo, em simultâneo, a dominância da verticalidade e da obliquidade sobre a horizontalidade tradicional. É curioso observar como Ruben Garcia fotografa “Mrs. Mole” fazendo-nos evocar Bill Brandt.
(texto:CPF)

Público-20 anos de fotojornalismo (XII)

Alexandre Quintanilha, Porto
© Nelson garrido/Público

“O retrato pela ausência”, a luz do retroprojector e o factor improvisação
Nelson Garrido, 2001


As fotografias não têm som. Mas podem sugeri-lo. Neste retrato de Nelson Garrido, somos levados para o universo sonoro do giz que risca no quadro de ardósia. Os desenhos das equações vieram da mão de Alexandre Quintanilha. A sessão de imagens com professor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, foi curta, não terá durado mais de 20 minutos. Serviu para acompanhar uma das entrevistas de fundo da Pública, Conversas com Vista Para…, de Maria João Seixas. Para projectar a silhueta de Quintanilha no quadro, Nelson Garrido improvisou. Usou a luz de retroprojector da sala de aula. “É um retrato que marca pela ausência da figura real e do rosto. Agrada-me este jogo que não mostra tudo, o jogo da suposição.” O fotojornalista destaca a importância de registar as pessoas no seu ambiente natural. Mas como em quase tudo na fotografia, a regra no retrato é coisa que não existe.

18 março, 2010

começar bem

Sede da Estação Imagem em Mora
© Luís Vasconcelos

É um começo auspicioso para o prémio de fotojornalismo promovido pela Estação Imagem: depois de fechadas as inscrições, registou-se um recorde de candidaturas em comparação com concursos congéneres em Portugal. Foram 233 as candidaturas entregues. O Prémio Internacional de Fotojornalismo recebeu 190 inscrições e a bolsa de 5.000 euros (destinada a apoiar um projecto sobre o Alentejo) tem 30 candidatos.
O prémio Estação Imagem/Mora tem um valor pecuniário de 7.500 euros e contempla ainda outros sete galardões no valor de 2.500 euros cada, nas categorias Notícia, Vida Quotidiana, Ambiente, Acção no Desporto; Artes e Espectáculo e Série de Retratos. Este ano há uma categoria especial sobre o tema 2009 Ano de Eleições.
O júri é liderado pela vice-presidente do departamento de fotografia da agência Reuters e presidente do júri da edição 2010 do World Press Photo, Ayperi Karabuda. Os vencedores serão anunciados no dia 24 de Abril.

17 março, 2010

Público-20 anos de fotojornalismo (XI)

Adriano Miranda, Lisboa
© Adriano Miranda/Público


“Um beijo grande”, a fotografia no momento da despedida
Adriano Miranda, 2000


Uma entrevista a Yasser Arafat não é só uma entrevista. É o confronto com uma imagem icónica – um desafio para qualquer jornalista, talvez um desafio maior para qualquer fotojornalista. Adriano Miranda disparava à medida que a conversa entre o líder da Autoridade Palestiniana e Margarida Santos Lopes se desenrolava. Fotografou muito, porque um momento que inclui este nível de proximidade (alguma intimidade) é coisa que não acontece muitas vezes com líderes de importância global. No fim, Arafat despediu-se com “um beijo grande” na face de cada um dos repórteres. Antes de sair, Adriano Miranda não resistiu a um último olhar. E disparou no momento em que Arafat parece regressar ao seu mundo. A fotografia saiu na primeira página. Adriano gosta de lembrar esta imagem para contrariar a tese dos que acham que não se devem fotografar pessoas de costas. “Podem fotografar-se pessoas de toda a maneira e feitio. Até Arafat.”

Ristelhueber

Sophie Ristelhueber, Eleven Blowups #5, 2006
© Sophie Ristelhueber/adagp

Sophie Ristelhueber (1949, França) é a vencedora do 2010 Deutsche Börse Photography Prize. A artista tinha sido nomeada para a fase final do galardão por uma retrospectiva do seu trabalho apresentada em 2009 no centro Jeu de Paume, em Paris. O trabalho de Ristelhueber aborda essencialmente "o impacto dos conflitos humanos na arquitectura e na paisagem".

Entrevista a Sophie Ristelhueber no Le Monde aqui e galeria de imagens aqui

silêncios

© Eduardo Gageiro


Eduardo Gageiro inaugura a 20 de Março a exposição Silêncios no Centro Cultural de Ílhavo. O mostra pode ser vista até 6 de Junho.

debater

Anna Fox, Cockroach Diaries & Other Stories
© Anna Fox


O vencedor do Deutsche Börse Photography Prize será conhecido hoje. A Photographers` Gallery, onde está patente a exposição com os finalistas, mantém um fórum onde se discutem temas relacionados com o prémio. Um dos tópicos de discussão é What does an annual prize do for photography? Aqui

31


Ann Woo, Cave, 2007, da série Portraits, Landscapes, Still Lives
© Ann Woo

A Humble Arts Foundation inaugurou na galeria Affirmation Arts, em Nova Iorque, a segunda edição da 31 Women in Art Photography, que reúne o trabalho de 31 novas artistas que escolheram a fotografia como principal suporte criativo. A exposição, comissariada por Charlotte Cotton e Jon Feinstein, revela um grande ecletismo ao nível temático. Foi escolhida apenas uma imagem de cada criadora. Aqui

16 março, 2010

Público-20 anos de fotojornalismo (X)

Miguel Madeira, Timor-Leste
© Miguel Madeira/Público



“A feitiçaria protectora”, João da Silva e o arco e a flecha proibidos
Miguel Madeira, 1999


Espreitar por cima do ombro pode até ser mal-educado (ou mal-interpretado), mas tem as suas vantagens. Dá-nos, por exemplo, uma perspectiva muito próxima do olhar dos outros, convida-nos a entrar nos seus limites visuais. Quando os fotógrafos decidem captar imagens por cima dos ombros dos outros, como nesta fotografia de Miguel Madeira, somos confrontados com um paradoxo visual atordoante onde não sabemos bem se somos o fotógrafo ou o espectador. No período pré-referendo em Timor-Leste em que se tentou algum concílio entre os grupos beligerantes, João da Silva, líder da juventude do bairro de Becora, queria ir à sede da ONU armado de arco e flecha. Disseram-lhe que isso não era possível e João procurou um feiticeiro local para lhe substituir a protecção armada por outro tipo de poder.

 
free web page hit counter