“Photography is still instinctual, but I am more disciplined now. I am trying to make every frame count, just as in Tai Chi every breath counts.”
Chien-Chi Chang, in Magnum Photos Featured Photographer
O espaço Imagerie, em Lisboa, organiza vários cursos relacionados com fotografia. A oferta é diversificada e vai desde wokshops de iniciação à fotografia digital até às técnicas alternativas de impressão, como a cianotipia e a goma bicromatada.
As informações, incrições e preços dos cursos estão aqui

A obra fotográfica de e sobre a escritora e viajante suíça Annemarie Schwarzenbach (1908-1942) será apresentada a partir do dia 22 de Fevereiro de 2010 no Museu Colecção Berardo, em Lisboa. Schwarzenbach - irreverente, obsessiva e irrequieta - vagueou por quatro continentes (Europa, Médio Oriente, África e América do Norte) e passou várias semanas em Lisboa (1941-1942), onde registou a cidade (essas imagens estão nos Arquivos Literários Suíços).
A exposição, comissariada por Emília Tavares e Sónia Serrano, apresentará cerca de 200 fotografias acompanhadas de textos literários, jornalísticos e outra documentação original que ilustram a vida e obra da autora. Esta será a primeira e mais abrangente exposição internacional dedicada à sua produção fotográfica. Será editado um catálogo, Auto-retratos do Mundo.
A mostra ficará patente até 15 de Abril.
Pilar Albarracín, da série 300 mentiras
© Pilar Albarracín
A Galeria Filomena Soares, em Lisboa, mostra a primeira parte da série 300 Mentiras da fotógrafa sevilhana Pilar Albarracín. É um trabalho engenhoso e desafiante (a lembrar Erwin Wurm) que nos confronta com a ilusão e com a representação sempre coladas à imagem fotográfica.
O texto de apresentação de 300 Mentiras diz o seguinte:
“A procura da verdade tem motivado um trabalho incessante entre os filósofos e grandes pensadores ao longo dos séculos; e, cada vez mais, as suas descobertas têm conduzido a diversos caminhos. Mas quais seriam os caminhos percorridos se fosse "a busca da mentira" a guiar a inquietude do pensamento?
Pilar Albarracín já começou a percorrer esta segunda via através dum projecto de grande alcance intitulado as 300 mentiras (da história), a primeira parte do qual se apresenta aqui.
Utilizando a fotografia, a artista constrói, modifica ou recria momentos da história expondo "acontecimentos reais" que, na realidade, nunca ocorreram. Assim, Pilar Albarracín traz de volta ao campo da arte um debate que tem permanecido aberto na historiografia desde os anos oitenta, altura em que o historiador britânico Benedict Anderson abalou alguns pilares da disciplina com a sua pergunta "... e se, pelo contrário, a "antiguidade" fosse, em certas conjunturas históricas, a inevitável consequência da "novidade?"[1]. Com esta interrogação Anderson estaria a sugerir a existência de práticas de construção do futuro a partir de um passado imaginado.
Ao mesmo tempo, e dentro do mesmo contexto disciplinar, a tradição - devido à sua íntima relação com a história - tem-se tornado no alvo das atenções e um dos eixos centrais da obra de Albarracín desde o princípio. Tal como explicam Eric Hobsbawm e Terence Ranger[2], certas tradições com suposta origem na antiguidade são frequentemente recentes ou são inventadas para alimentar uma determinada situação, usufruindo da legitimidade irrefutável de raízes culturais que remontam aos tempos ancestrais.
E é da história recriada e das tradições inventadas que se alimenta a obra 300 mentiras de Pilar Albarracín, uma obra que oscila constantemente entre a realidade e a ficção, o acontecimento real e o inventado, a imagem e a imaginação, e que se baseia num vaivém constante entre os planos do autêntico e do reconstruído para, no final, atingir a recriação duma nova autenticidade. A chave interpretativa da sua obra reside no imaginário colectivo e no sistema de símbolos interiores que actuam como repositórios das ligações de significados entre a mentira representada e a possível realidade histórica subjacente.
Cada fotografia que dá expressão ao projecto é uma obra em si mesma, dotada de autonomia e portadora dos seus próprios significados. No entanto, fios subtis ligam cada uma das imagens às outras, conferindo-lhes a coerência de um sistema sustentado pelos motivos que revelam toda a trajectória da artista. Cada "mentira", perfeitamente identificável com um determinado momento histórico, uma tradição, um contexto ritual ou uma fase da existência, é atravessada por conteúdos mais abrangentes nos quais a artista se apoia: a identidade procurada, negada ou afirmada; as culturas baseadas no género; a tensão entre a vida e a morte; a luta pelo poder como fenómeno ancestral e actual; as assimetrias sociais, de género, étnicas e de estatuto social; a submissão ao poder estabelecido.
Todos estes elementos têm estruturado a obra de Pilar Albarracín desde que começou a dar os primeiros passos no mundo da arte. Têm servido de base a trabalhos fotográficos, performances e instalações, marcados por uma forte carga de ironia e humor satírico, destinados a provocar o diálogo sobre a ordem sócio-sexual estabelecida, derrubar os modelos comuns da feminilidade e masculinidade ou desmistificar as construções estereotipadas do " espanhol", através do aproveitamento de certos elementos do folclore andaluz.
Em 300 mentiras. Primeira parte todos estes temas se reúnem e interligam entre si graças a imagens que partilham do mesmo código simbólico para recriar uma história crítica - embora fictícia - que, assim, é tão credível como a versão oficial adoptada arbitrariamente.”
Elena Sacchetti Dezembro 2009
[1] Anderson, Benedict (1983), Imagined Communities, Verso, London - New York, p. 20.
[2] Hobsbawm & Terence Ranger (1983), The invention of tradition, Cambridge University Press, Cambridge.
João Paulo Serafim, da série Museu Improvável, 2006-09
© João Paulo Serafim
Na próxima sexta-feira, dia 12 de Fevereiro, João Paulo Serafim faz uma apresentação do seu trabalho no Atelier de Lisboa (Av. António Augusto Aguiar, 80 - 3ºEsq). A entrada é livre, mas limitada aos lugares disponíveis.
A partir do dia 26 de Fevereiro, o fotógrafo orientará no mesmo espaço o curso Ficção e Construção, onde se pretende "fazer uma reflexão sobre a construção/ficção na fotografia e na arte contemporânea". Esta formação tem uma duração de 7 semanas (1 sessão semanal, às sextas, das 19h30 às 22h30).
A National Portrait Gallery de Londres está prestes as abrir portas da grande exposição Portrait de Irving Penn (1917-2009) que reúne mais de 120 imagens, muitas vintage, entre um período amplo que vai desde os retratos feitos para a Vogue, nos anos 40, até ao seu mais recente trabalho. Quem comprar online o catálogo (o primeiro a centrar-se em exclusivo no trabalho de retrato de Penn) antes do início da exposição, agendado para o dia 18 de Fevereiro, tem direito a um desconto. aqui
Uma colecção exemplar
A colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior foi integrada na Colecção Nacional de Fotografia após a sua compra a Francisco José de Brito Belchior, em 2006. Fazem parte deste conjunto documentos de extrema raridade que datam desde o séc. XIX ao séc. XX. Encontra-se igualmente representado o trabalho de reconhecidos fotógrafos estrangeiros que se fixaram em Portugal ou que por cá passaram em missões fotográficas. Constituída essencialmente por paisagens de Portugal, aspectos de carácter social e regional, monumentos, interiores, retratos individuais e de grupo, construções de pontes e caminhos-de-ferro, esta documentação é valiosíssima pelo seu testemunho. A ilha da Madeira está também fortemente representada com cerca de 80 documentos fotográficos.
(texto:CPF)
© Filipa César© André Cepeda
© António Pedro Ferreira
António Pedro Ferreira
Os portugueses em França, depois dos bidonville
Sérgio B. Gomes
P2, Público, 30.01.2010
Para os fotógrafos, há poucos dias assim. Dias em que se realizam as quatro ou cinco melhores imagens de uma carreira. As mais marcantes, as que melhor sintetizam ambientes, vivências, estados de espírito - a carga emotiva. “É coisa rara”, garante António Pedro Ferreira que, na verdade, conseguiu registar numa tarde aquelas fotografias que guarda no Olimpo de todos os momentos que passaram pela sua objectiva. E foram muitos.
O homem com o dedo no gatilho (que faz lembrar a inocência do rapaz de granada na mão de Diane Arbus) e a mulher de bata prostrada sobre mesa são dois desses momentos fundamentais para o fotojornalista do semanário Expresso que, no início da década de 80, testemunhou o quotidiano da comunidade de emigrantes portugueses nos arrabaldes de Paris, quando os bairros de lata (os tristemente famosos bidonville) já tinham sido substituídos por outro tipo de guetos, erguidos em prefabricado, cercados de arame farpado e com saída para um viaduto.
Quando chegou a Paris em 1982, recém-formado em medicina, para fazer um estágio na prestigiada cooperativa de fotojornalismo Magnum (façanha até hoje inédita entre fotógrafos portugueses), o projecto para estudar de forma demorada e consistente a presença dos portugueses em França já estava bem delineado. Foi graças a ele (e a cartas de recomendação assinadas por nomes como Jean-Claude Lemagny, conservador de fotografia da Biblioteca Nacional de França, historiador e crítico de fotografia que ficou deslumbrado com trabalhos anteriores de António Pedro Ferreira) que ganhou o único lugar da primeira bolsa de fotografia criada pela Secretaria de Estado da Cultura. Mas foi sobretudo graças a um talento em ascensão que as portas da exclusiva Magnum se abriram para um longo trabalho documental.
Toda a abordagem formal do ensaio em Paris havia de ser marcada por livros de fotografia de Cartier-Bressen, Josef Kudelka, Tony Ray-Jones, Robert Frank, Edouard Boubat e William Klein (principal referência) consultados em Lisboa nas bibliotecas da Alliance Française, do Instituto Britânico ou à socapa na livraria Buchholz (Gypsies, de Koudelka era meticulosamente arrumado no fim de uma pilha de outros livros para não ser comprado). “Os livros de fotografia ensinaram-me a ver”, lembra António Pedro Ferreira.
Na agência, o trabalho do fotógrafo era orientado por Jimmy Fox, rédacteur-en-chef, que não abria mão de ver as provas antes de todos. Pelo menos uma vez por mês, cumpria-se o ritual de discutir as últimas imagens que mostravam todo o tipo de manifestações sociais, o dia-a-dia de portugueses que moravam em aglomerados como St. Denis e Gentilly. O resultado de mais de dois anos a acompanhar esta realidade é um retrato cru de uma comunidade relativamente desorientada, socialmente deslocada, angustiada e triste, fechada nas suas associações e colectividades.
Para além da importância como documento social, este ensaio deu passos inovadores. “O que é notável nestas fotografias é que elas marcam o início de uma nova atitude no fotojornalismo português. Estávamos perante um jovem que queria intervir na sociedade, testemunhando, convergindo com uma preocupação inabalável de produzir fotografias com referências. Fotografia pura e dura. Daí a Magnum e o aval de qualidade que sempre atestou ao seu trabalho”, escreve Luiz Carvalho no texto de Segunda Escolha, um conjunto de 20 fotografias com que a K Galeria, em Lisboa, inaugurou o ciclo de exposições de 2010. Segunda Escolha, entenda-se, apenas porque a maioria das imagens são inéditas e porque a primeira escolha deste trabalho foi feita para uma exposição no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, em 1998.
A K Galeria procura agora transformar esta exposição em livro. Para que fique gravado de maneira mais ampla e duradoura o que foi a odisseia da emigração portuguesa em França. Para que possa ser dado como exemplo o que foi um raro ensaio visual de jornalismo na história da fotografia em Portugal.
© António Pedro Ferreira
Sérgio C. Andrade
P2, Público, 29.01.2010
Aurélio da Paz dos Reis costuma ser recordado como pioneiro do cinema português. A sua efémera aventura cinematográfica no final de 1896 atirou para segundo plano a sua extensa e notável obra de fotógrafo, em que registou vários momentos na vida social e política do país na viragem dos séculos XIX-XX. Entre esses episódios está o movimento que haveria de levar à implantação da República (na imagem acima, o registo de um impressionante comício republicano realizado no Porto, em 1908), e de que Paz dos Reis foi não só testemunha, com a sua câmara fotográfica, como protagonista: foi um dos sublevados do 31 de Janeiro de 1891, a malograda revolta do Porto cuja próxima efeméride é pretexto para o lançamento, no domingo, das comemorações do centenário da República.
O programa começa com a inauguração da exposição Resistência. Da alternativa republicana à luta contra a ditadura (1891-1974), que reúne em nove núcleos distribuídos pelos diferentes espaços do Centro Português de Fotografia (CPF)/Cadeia da Relação, no Porto, uma perspectiva histórico-documental sobre esse percurso entre o 31 de Janeiro e o 25 de Abril.
Realizada com base em fotografias - mas também em filmes, testemunhos audiovisuais e textos -, esta não é, contudo, uma exposição de arte fotográfica. "Aqui não temos fotografias originais, temos reproduções de chapas e de páginas de diferentes publicações. Muitas vezes custa sacrificar uma boa fotografia do ponto de vista estético para dar lugar a outra cujo potencial narrativo é mais adequado ao projecto documental", justifica Tereza Siza, comissária da exposição em parceria com o historiador Manuel Loff (a montagem cenográfica é do designer Andrew Howard).
As três centenas de imagens reunidas na Cadeia da Relação pertencem a vários arquivos institucionais e particulares (Dgarq, CPF, Assembleia da República, Hemeroteca de Lisboa, Arquivo Histórico-Militar e Fundação Mário Soares, mas também às colecções pessoais de Artur Santos Silva, Mário Marques e Alfredo Ribeiro dos Santos) e testemunham praticamente um século da História portuguesa, desde o 31 de Janeiro até à Revolução dos Cravos. Os comícios, a festa e as figuras da República, o 28 de Maio de 1926 e a primeira tentativa de revolta logo no início do ano seguinte, também no Porto, os anos do Estado Novo e do salazarismo, na sua suposta (e imposta) pacatez e ordem, os movimentos da Resistência, desde as greves dos anos 40 até às campanhas presidenciais de Norton de Matos e de Humberto Delgado, e, claro, o 25 de Abril de 1974 - são as várias estações desta visita guiada. Para ver até ao próximo 5 de Outubro, dia do centenário da República.
Fundo Aurélio da Paz dos Reis © Centro Português de Fotografia/DGARQ/MC

Há dois novos livros no mercado sobre outras tantas revoluções na história da fotografia da segunda metade do século XX. Starburst: Color Photography in America 1970-1980 (Hatje Cantz, 2010), com ensaios de Kevin Moore, Leo Rubinfien e James Crump, explica como é que o uso da cor veio inaugurar novos modos de ver. The Düsseldorf School of Photography, com texto de Stefan Gronert, fala sobre a evolução e a importância da escola de Düsseldorf na produção contemporânea de fotografia.
O blogger Jörg M. Colberg escreveu duas resenhas críticas sobre cada uma das obras aqui
Weegee, On the fire-escape, Nova Iorque, E.U.A., c. 1940Ruas de Nova Iorque
Fotografou a preto e branco o mundo em que vivia, com uma câmara Speed Graphic, noite após noite nas ruas, registou os criminosos e as vítimas, algum glamour e os extraordinariamente pobres, uma certa sociedade nova iorquina dos anos 30 e 40 do Século XX incongruente com o nosso imaginário. Era essa a sua função enquanto repórter, mas Weegee (1899-1968) era um perfeccionista, sabia o que procurava e não era apenas a última notícia, a mais sonante para os matutinos do dia seguinte, procurava uma imagem em concreto. Viu o seu trabalho publicado em jornais e revistas como o P.M., Life, Vogue, Holiday, Look ou Fortune. As suas imagens são tão fantásticas quanto cruas, mas é aí que reside o seu encanto.
Typo do Celles, in Africa Occidental, Album Phographico e Descriptivo, por C. Moraes, III parte, 1885-1888
Colecção Nacional de Fotografia©Centro Português de Fotografia
José Augusto Cunha Moraes
Fotógrafo de destaque quando se fala da antiga colónia angolana e do seu povo, desenvolveu trabalhos fotográficos de carácter antropológico e exploratório que constituem verdadeiras fontes de informação etno-geográficas do território. Características raciais, detalhes de vestuário, ornamentos e artefactos das diversas etnias, aspectos paisagísticos e a implantação dos colonos portugueses, são pormenores que não escapam à sua objectiva.
Em 1863 passa viver em Luanda onde o pai dirigia uma casa fotográfica. Com a perda precoce dos pais, acaba por voltar para Portugal, mais precisamente para o Porto, onde conclui os estudos. Já de volta a África, toma conta do negócio da família e fá-lo prosperar.
Regressa novamente ao Porto em 1897 e emprega-se na Casa Biel como sócio da secção de publicações.
(texto:CPF)

A exposição colectiva a State of Affairs do colectivo [kameraphoto], no espaço Plataforma Revólver, foi prolongada até ao dia 16 de Janeiro. O (bem) renovado site da K mostra os vários pontos do mundo que ligaram este ambicioso projecto que envolveu 13 fotógrafos, em 13 cidades, durante 7 dias. As 91 imagens seleccionadas formam uma panorâmica peculiar deste puzzle geográfico. Aqui
Plataforma Revólver
Rua da Boavista nº 84, 1º, Lisboa
De seg. a sáb. das 14h00 às 19h30