12 outubro, 2009

descobrir

Roald Amundsen e a sua equipa no Pólo Sul, em 14 de Dezembro de 1911
Cortesia da National Library of Australia

O explorador norueguês Roald Amundsen chegou ao Pólo Sul no dia 14 de Dezembro de 1911, 34 dias antes do aventureiro britânico Robert Falcon Scott que, em vez de cães, preferiu apostar em cavalos mongóis para puxar os trenós. As fotografias conhecidas do glorioso feito de Amundsen eram reproduções de uma ampliação de época feita a partir dos negativos originais. Não se sabia do paradeiro dessa ampliação até que, na semana passada, Harald Ostgaard Lund, curador da Biblioteca Nacional da Noruega, desvendou o mistério ao encontrá-la, através de uma pesquisa no google, num álbum intitulado Tasmanian Views, catalogado e digitalizada pela Biblioteca Nacional da Austrália de Camberra, em 2002. "Sabíamos que era uma fotografia da expedição de Amundsen ao Pólo Sul, o que não tínhamos percebido é que se tratava da única no mundo", afirmou Linda Groom, conservadora de fotografia da biblioteca australiana. As dimensões da imagem deram a Lund as pistas necessárias para a conclusão de que se tratava de uma ampliação feita directamente a partir do negativo, cujo paradeiro se desconhece.

Em 1912, assim que atracou no primeiro porto vindo da Antártida, em Hobart, na Tansmânia, Amundsen entregou os negativos para serem revelados no estúdio de JW Beattie. Segundo Groom, Beattie terá dado o trabalho ao seu assistente Edward Searle, que mais tarde juntou num álbum as melhores fotografias que passaram pelas suas mãos. Esse conjunto de imagens foi comprado à família de Searle já sem os negativos pela Biblioteca Nacional da Austrália, em 1965.

Cerca de cinco semanas depois desta imagem ter sido captada, a equipa liderada por Robert Scott também se fez fotografar no mesmo local, junto à tenda onde já ondulava a bandeira da Noruega. Scott escreveu no seu diário: "Great god this is an awful place and terrible enough for us to have laboured to it without the reward of priority".

A Biblioteca da Austrália está a digitalizar a totalidade da sua colecção de fotografias, que inclui cerca de 700 mil provas. Para Groom, são descobertas como a que agora foi feita que dão ao projecto maior relevância e um renovado fôlego. O álbum onde consta aquela que é talvez a única cópia de época que regista a primeira expedição a chegar ao Pólo Sul vai agora viajar para a Noruega para uma exposição que comemorará os 100 anos da façanha de Roald Amundsen.


Esta fotografia tirada por “Birdie” W. R. Bowers foi a última onde apareceram Robert Scott e a sua equipa. No regresso, nenhum dos aventureiros resistiu ao frio, à fome e às violentas tempestades. A tenda com os corpos dos cinco homens, onde estava o diário de Scott e esta imagem, foi descoberta em Novembro de 1912

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Pierre Devin, Mondego 94, 1994
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia


Vale do Mondego

Pierre Devim (1946) foi um dos fundadores do Centre Regional de la Photographie Nord Pas de Calais, França, curioso empreendimento, cuja identidade artística e cultural está no confronto das convicções cívicas e no apego a um território, tendo como objectivo principal a inserção da arte no coração da cidade e a luta contra a segregação cultural. Desde 1987 Pierre Devin promoveu a Missão Fotográfica Transmanche, como forma de questionar publicamente a construção europeia através do apelo a autores de todas as origens para formar um corpus revelador na criação fotográfica contemporânea. Também fotógrafo, levantou questões sobre a paisagem (Thiérache, India do Sul, Rio Mondego), a era pós industrial e a cidade, o relacionamento da fotografia com a literatura, com o cinema, com a escultura. Tem livros publicados em diversos países e possui fotos em diferentes colecções.
(texto:CPF)

08 outubro, 2009

Irving Penn (1917-2009)

Irving Penn Turning Head, Nova Iorque, 1993
© Da colecção Rex, Inc.


Morreu ontem em Nova Iorque Irving Penn, um dos mestres da fotografia de moda e do retrato do século XX, um dos grandes cultores do minimalismo cool e do sujeito fotográfico isolado do seu contexto, quer se tratasse do mais lânguido modelo ou da mais enlameada figura da Nova-Guiné. Acreditava que era contra um pano de estúdio onde o retratado melhor revelava a sua mais pura natureza. O anúncio do desaparecimento de Penn, que contava 92 anos, foi feito por Roger Krueger, o seu assistente de fotografia.

Irving Penn nasceu em Plainfield, Nova Jérsia, em 1917. Formou-se na Pennsylvania Museum School of Industrial Art, onde conheceu Alexei Brodovitch, fotógrafo, designer e um influente professor que deu aulas a Diane Arbus, Eve Arnold, Richard Avedon e Gary Winogrand. É Brodovitch quem leva Penn como assistente para a revista Harper's Bazaar, em 1939. Dois anos depois, começa a trabalhar para os armazéns Saks e viaja para o México, onde fotografa à maneira de E. Atget e W. Evans. Apesar deste interesse pela fotografia, queria ser pintor e é como designer gráfico que entra para a Vogue, em 1943, depois de ter conhecido Alexander Liberman. Conta a agência Associated Press que os fotógrafos da casa ficaram surpreendidos com a sua maneira de apresentar as imagens nas páginas da revista e o director de arte convida-o a fotografar uma capa. Desde então, não mais parou de fotografar. Ao longo dos anos 40, consolida a sua carreira na fotografia de moda e, no final da mesma década, começa a retratar artistas, escritores, gente famosa e gente anónima num estilo muito depurado e simples que se opunha ao retrato captado "em contexto", carregado de matéria, mais em voga na década precedente à guerra. O The Getty Center de Los Angeles expõe actualmente uma série de retratos ligados às profissões captados em Nova Iorque, Paris e Londres. (galeria aqui)

No início da década de 50, nos anos que passou em Paris, o seu estilo austero (mas ao mesmo tempo chic e carregado de glamour) continuou a ser vincado colocando modelos e acessórios de moda contra fundos lisos e limpos à procura de grandes contrastes e silhuetas perfeitas. Os nus desta época embarcam no mesmo estilo, com planos aproximados e iluminação forte que resultam em peles lívidas e linhas vincadas. Penn ganhou reputação e encontrou uma linguagem particular que para a época era tida como radical. Acreditava que o seu sucesso como fotógrafo de moda estava na preocupação com o leitor e não com o modelo.

Para além da moda, um dos fascínios de Penn passava por dar vida e significado a todo o tipo de bric-a-brac encontrado, fruta podre e roupa velha. Nestas fotografias de natureza-morta escolheu a cor para os objectos de luxo e para alimentos refinados e o preto e branco para os objectos apanhados nas ruas de Manhattan. Parte deste trabalho foi apresentado no Metropolitan Museum of Art, em 1977. "Fotografar um bolo pode ser arte", disse em 1953 na inauguração do seu estúdio, de onde saiu trabalho até ao século XXI. Em 1975, o Museum of Modern Art expôs um conjunto de 14 grandes ampliações de beatas de cigarros. A mostra causou polémica, com alguns críticos a afirmarem que se tratava de uma "poderosa elevação do banal ao monumental" e outros a garantirem que não passava de um sinal de "auto-indulgência".

Entre 1964 e 1971 Penn concretizou alguns projectos relacionados com retrato em lugares remotos, fora do universo da moda, mas utilizando o mesmo estilo e as mesmas técnicas de iluminação (transportou consigo as ferramentas essenciais que utilizava em estúdio). Fotografou desde indígenas no Peru, na Nova-Guiné e em Marrocos a hippies em São Francisco. Era um fotógrafo que gostava de revelar as suas imagens. Perseguia a "cópia perfeita". Passou "incontáveis" horas na câmara escura a apurar soluções químicas que lhe fizessem surgir imagens na sua técnica preferida, a platinotipia (também conhecida por platina/paládio).

Irving Penn era irmão de Arthur Penn, realizador de "Bonnie and Clyde". Em 1950, casou com uma das modelos que mais gostava de fotografar, Lisa Fonssagrives, com quem teve um filho, Tom. Doou fotografias à National Portrait Gallery e ao National Museum of American Art, ambos de Washington, e os seus arquivos estão depositados no Art Institute of Chicago. A sua morte, encerra mais um ciclo da época fulgurosa da fotografia de moda de meados do século XX, depois do desaparecimento de outros herdeiros desse labor, nomeadamente Richard Avedon (1923-2004) e Helmut Newton (1920-2004).

(fontes: AP, Dictionnaire Mondial de la Photographie)

O site oficial de Irving Penn lista os seus livros e os livros sobre si. aqui
O extenso obituário do New York Times está aqui

Many photographers feel their client is the subject. My client is a woman in Kansas who reads Vogue. I'm trying to intrigue, stimulate, feed her. (...) The severe portrait that is not the greatest joy in the world to the subject may be enormously interesting to the reader.

/Irvin Penn, New York Times, 1991


Irving Penn em trabalho na Nova-Guiné
© Irving Penn Studio, Inc.,Lisa Fonssagrives-Penn

07 outubro, 2009

os livros do Japão




A editora Aperture prepara-se para lançar uma obra que pode tornar-se no guia de referência para quem procura conhecer melhor o período dourado da edição de livros de fotografia no Japão. Japanese Photobooks of the 1960s and '70s selecciona 40 títulos que exemplificam a busca da excelência no design, na impressão e nos materiais por parte de criadores e editores nipónicos. As reproduções de cada livro, avança a Aperture, são acompanhadas por um texto histórico e por pequenos apontamentos que indicam a importância de pormenores como editores, designers e temas. Haverá, entre outros, obras de Nobuyoshi Araki, Eikoh Hosoe, Yasuhiro Ishimoto, Miyako Ishiuchi, Kikuji Kawada, Daido Moriyama, Shomei Tomatsu e Hiromi Tsuchida. Um dos ensaios de arranque é assinado por Ryuchi Kaneko, curador do Tokyo Metropolitan Museum of Photography, especialista em livros de fotografia japoneses e um dos autores de The History of Japanese Photography. Ivan Vartanian, tradutor de Setting Sun: Writings by Japanese Photographers (Aperture, 2006), é o editor e o autor de outro ensaio.

In the West, we have only known about the pleasures and delights of Japanese photography books in the last decade or so. What a treat to see the picks of one of the great Japanese Photo books collectors, Ryuichi Kaneko. He has a collection to make us all green with envy. For this wonderful book he selects some old favorites, and charms us with many new discoveries.

/Martin Parr


entre aspas

Scarlett Johansson & Dita von Teese, editorial para a revista Flaunt

- Sendo como é, a Eve aceita todas as extravagâncias do tipo, alinha em todas as suas loucuras, chega mesmo a ser apanhada por elas. Às vezes, quando a Eve desatava a chorar sem mais nem menos e o Ira lhe perguntava porquê, ela dizia-lhe: 'As coisas que ele me obrigou a fazer... o que eu tive de fazer...' Depois de ela ter escrito aquele livro, e o casamento dela com o Ira sair escarrapachado em todos os jornais, o Ira recebeu uma carta de uma mulher de Cincinnati. Dizia que, caso ele estivesse interessado em escrever também um livrinho, talvez lhe interessasse vir conversar com ela ao Ohio. Tinha trabalhado num clube nocturno nos anos 30 como cantora e tinha sido uma das namoradas de Jumbo. Dizia que o Ira era capaz de gostar de ver umas fotografias que o Jumbo tinha tirado. Talvez ela e o Ira pudessem colaborar numas memórias conjuntas - ele providenciava as palavras, e ela, por uma quantia a combinar, seleccionava as fotografias. Na altura o Ira estava tão obcecado pela vingança que respondeu à mulher e mandou-lhe um cheque de cem dólares. Ela garantia ter duas dúzias de fotos e ele mandou-lhe os cem dólares que ela pedia só para lhe mostrar uma delas.
- E chegou a recebê-la?
- Ela falava verdade. Mandou-lhe de facto uma na volta do correio. Mas como eu não ia deixar que o meu irmão distorcesse ainda mais a ideia que as pessoas tinham do significado da sua vida, tirei-lha da mão e destruí-a. Uma estupidez. Um assomo sentimental, presumido, idiota e nada inteligente. Pôr a fotografia a circular teria sido coisa pouca em comparação com o que depois aconteceu.

Casei com um Comunista, Philip Roth

06 outubro, 2009

Nobel para o CCD

Os investigadores Willard Boyle (à esq.) e George Smith experimentam, em 1969, dispositivos de imagem baseados na tecnologia CCD
Cortesia Lucent Technologies Inc.

A Real Academia Sueca das Ciências anunciou hoje a atribuição do prémio Nobel da Física a Charles K. Kao, por uma descoberta relacionada com a fibra óptica, e a William Boyle e George Smith, por terem posto em prática nos laboratórios AT&T Bell a primeira tecnologia de imagem que utiliza o sensor digital Charge-Coupled Device (CCD), hoje em dia utilizado em quase todo o tipo de dispositivos relacionados com imagem digital.

Lembra a Academia que a tecnologia CCD usa um efeito fotoeléctrico, precisamente aquele que foi teorizado por Albert Einstein, que valeu ao famoso físico o Nobel de 1921. Através deste efeito os padrões de luz são transformados em sinais eléctricos. A partir deste princípio, Boyle e Smith conceberam um sensor de imagem com velocidades muito elevadas capaz de captar e transformar esses sinais numa grande quantidade de pontos de imagem (píxeis). Pode dizer-se que a última grande revolução na captação de imagens digitais começou com esta descoberta - em alternativa a películas ou outras superfícies sensibilizadas, a luz passou a poder ser capturada electronicamente. Para além de ser usada em máquinas fotográficas digitais convencionais, a tecnologia CCD está presente em múltiplas áreas da ciência, como a medicina, a astronomia e a física. Para a Academia, o Charge-Coupled Device "permitiu-nos ver aquilo que não era possível ver" e "deu-nos imagens cristalinas de lugares distantes do nosso universo e das profundezas do oceano".

O artigo da Wikipedia sobre o CCD está aqui

Sensor CCD
© Christoph Müller

todos

Luísa Ferreira, Lisboa, 2009
© Luísa Ferreira

Entre todas as grandes praças de Lisboa, a do Martim Moniz é talvez aquela que mais sofreu com sucessivos erros urbanísticos e abandono por parte de quem dela devia zelar. Aqui, inexplicavelmente, a opção foi quase sempre rebentar, emparedar, demolir, esconder. Apesar de abraçar uma das zonas mais dinâmicas e cosmopolitas da cidade (e por isso merecedora de mais atenção e cuidado), a principal praça da Mouraria e as ruas que nela desaguam são o espelho da inoperância camarária e autárquica para resolver os problemas mais corriqueiros de quem lá vive e trabalha. A última remodelação da praça (isolada por estrada e carros) não passa de mais um atentado urbanístico a acrescentar aos três que já lá moram há mais tempo (centros comerciais e Hotel Mundial).

Não fosse a dinâmica comercial, cultural e social criada por gentes de diferentes culturas, o Martim Moniz seria apenas mais um lugar moribundo de Lisboa, seria apenas o rosto do falhanço completo da passagem da cidade antiga para a cidade moderna. É por isso que todos os que fazem o quotidiano do Martim Moniz são a sua principal riqueza. Foi a pensar nesse património humano que o Arquivo Fotográfico Municipal convidou cinco fotógrafos para captar as vivências pública e privada desta parte do bairro, um projecto simplesmente apelidado de todos integrado no programa Lisboa, Encruzilhada de Mundos. À vasta experiência a olhar Portugal de Georges Dussaud, juntaram-se distintas relações com o Martim Moniz e a Mouraria de Luísa Ferreira, Camilla Watson, Luís Pavão e Carlos Morganho. Durante 20 dias, estes fotógrafos percorreram o bairro, em conjunto ou separados. O resultado final dessa viagem, cerca de uma dúzia de imagens de cada um patentes no Arquivo, mostra bem como pode ser radicalmente oposta e diversificada a narrativa visual de um espaço geográfico limitado. Enquanto Carlos Morganho se fixou preferencialmente nos rostos e nos olhares, Luís Pavão preferiu as pequenas multidões e as ruas. Enquanto Camila Watson se deslumbrou com os vazios da noite, Georges Dussaud e Luísa Ferreira procuraram o fervilhar que acontece à luz do dia.

Para se ter uma ideia das peripécias urbanísticas pelas quais já passou a Praça do Martim Moniz, o Arquivo organizou também uma projecção de imagens do seu espólio (Artur Pastor, Eduardo Portugal, Joshua Benoliel, Mário Noaves, etc.) que ilustram algumas dessas grandes e pequenas alterações. Em redor da praça, cravadas a edifícios abandonados ou por acabar, há ampliações gigantes do trabalho de Georges Dussaud.

Georges Dussaud, Lisboa, 2009
© Georges Dussaud

05 outubro, 2009

oil

Edward Burtynsky, Alberta Oil Sands #6, Fort McMurray, Alberta, 2007
© Edward Burtynsky, cortesia Nicholas Metivier Gallery, Canadá


Ao longo das últimas duas décadas, o fotógrafo canadiano Edward Burtynsky tem-nos mostrado alguns exemplos das enormes transformações que os mais de dois séculos de industrialização provocaram e continuam a provocar neste globo em que vivemos. Em 2003, depois de muitos anos a fotografar com os pés assentes na terra, Burtynsky, que trabalhou na indústria pesada e em minas de ouro no Canadá antes de se dedicar tempo inteiro à fotografia, começou a alugar helicópteros para captar perspectivas que fugissem aos limites físicos da sua posição e lhe dessem novas linguagens visuais para moldar o seu trabalho. Quando tiradas do ar, as imagens de Burtynsky ganham vastidão e horizontes mais longínquos, mas nunca a uma escala em que se deixa de ter a mínima percepção do que se está a ver - o fotógrafo esteve longe, mas não demasiado longe. Apenas longe o suficiente para nos dar um dos aspectos que mais lhe parece interessar - o contexto. O contexto terrivelmente belo dos golpes que não temos parado de dar à natureza.

Em Oil, a nova exposição que pode ser vista em três galerias, duas americanas e uma canadiana (Nicholas Metivier Gallery, Hasted Hunt Kraeutler, Adamson Gallery), Edward Burtynsky reúne um conjunto de imagens captadas durante a última década relativas ao tema do petróleo, onde aparecem refinarias, parques industriais de carros, auto-estradas e poços. São também mostradas novas imagens de transportes, dos campos de Alberta e dos campos abandonados do Azerbeijão. A exposição é itinerante e, para já, na Europa poderá ser vista a partir de 28 de Novembro na Hiuis Marseille - Museum of Photography e a partir de Dezembro na Torch Gallery, ambos de Amesterdão. A editora Steidl acaba de publicar o livro Burtynsky: Oil com ensaios de Paul Roth, Michael Mitchell, e William E. Rees.
Para ver uma galeria com este trabalho de Burtynsky clique aqui

(...) When the world takes on a surreal, dream-like apperence I stop, and I am compelled to make pictures in those moments. Using the helicopter as a tool, a lofty tripod, I found the strange, dizzying perspective on the landscape provided the new element I was after. The rare bird`s-eye vantage point provides for a view that incorporates the grand scale of what human intervention on our planet quite literally looks like with my desire to transcend that reality and create a work of art.

Edward Burtynsky



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Imogen Cunningham, Day In Arizona, Number 5 (Canyon de Chelly), 1939
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia

Inquietude

Imogen Cunningham (1883-1976), fotógrafa americana, começou a fotografar com apenas 18 anos depois de ter feito os seus estudos universitários na área de Química. Exímia no domínio da técnica, a sua primeira câmara, em formato 10x12, foi mandada vir pelo correio em 1905, quando frequentava o terceiro ano da American School of Art and Photography. As suas primeiras fotografias eram requintes de ousadia, pois aparecia nua em várias delas. Em 1910, já com estúdio próprio, deu início a uma produção que fugia a todas as convenções fotográficas da época: retratos em exteriores e naturezas mortas em enquadramentos extremamente fechados. A partir de 1920 volta-se para os seus temas preferidos: as formas das plantas, flores e nus. Passou a ser um símbolo para a história da fotografia, exemplo de inquietude e anti-convencionalismo.
(texto:CPF)

02 outubro, 2009

snapshot


Fotógrafo desconhecido, 1950s
Colecção de Robert E. Jackson

Em 2007, a National Gallery of Art de Washington apresentou a exposição The Art of the American Snapshot, 1888–1978 organizada a partir da colecção de Robert E. Jackson. A mostra traçou a evolução da fotografia vernacular desde o momento em que George Eastman colocou no mercado a primeira Kodak até aos anos 70. A mesma instituição recupera agora através do seu espaço na net as linhas gerais dessa exposição com uma página especial (aqui) e podcasts com a curadora Sarah Greenough e o coleccionador Robert E. Jackson (aqui).

do sentir


Guillaume Zuili, Untitled, Moscovo, 2000
© Guillaume Zuili/Cortesia Galeria Pente 10, Lisboa

Diz Guillaume Zuili que na fotografia lhe interessa mais sentir do que ver. Se é verdade que tendemos a olhar para a imagem fotográfica como um fim em si, como a concretização derradeira de decisões mentais e de movimentações mecânicas e químicas, também não deixa de ser poderoso o apelo à releitura, à reinterpretação e à narrativa subjectiva que cada fotografia em potência carrega. E, paradoxalmente, é sempre possível fantasiar, inventar novos sentidos, construir universos imaginários a partir deste suporte que um dia "sonhou" encerrar a realidade. Ao optar por impressionar duas vezes cada Polaroid com paisagens distintas a partir do mesmo local, Zuili aveluda-nos o caminho rumo à sobreinterpretação. A projecção em diferentes camadas - que nascem não só da acção óptica, mas também da acção química da superfície sensibilizada e da acção física do autor ao destapar essa superfície - espicaça e atordoa. Confere dinâmica ao acto de "ver", aqui mais acompanhado do "imaginar" e muito mais do "sentir". Na sua forma, as fotografias de Zuili não são abstractas. Mas o certo é que ao procuramos nelas a posição natural das coisas não a encontramos. O que encontramos é um conjunto de véus difusos, umas vezes encantatórios, outras vezes atemorizadores. Ao olharmos para estas imagens tendemos a desarrumar a percepção e a ordem, entrando por esta via no jogo de intenções que definiram o próprio acto criativo, muitas vezes aventureiro ou apenas confiante na mediação do acaso.
Talvez a desestabilização do ver se chame sentir.
Em Exposed Cities Guillaume Zuili faz-nos sentir com ele.


Guillaume Zuili, Untitled, Berlim, 1998
© Guillaume Zuili/Cortesia Galeria Pente 10, Lisboa


Exposed Cities, de Guillaume Zuili
Galeria Pente 10, trav. da Fábrica dos Pentes, 10, Lisboa
Até 21 de Novembro

01 outubro, 2009

/uma fotografia, um nome\


Paulo Nozolino, Tóquio, Japão, 1996
© Paulo Nozolino

E porquê esta imagem, aparentemente límpida e bem calibrada, entre tantas imagens belíssimas de Paulo Nozolino, que fazem capa de revista e fulguram em exposições revisitadas até à exaustão?

Há aqui a comodidade de não haver perplexidade, não há arestas vivas, o enigma é o de todos os dias – não vemos os rostos, a história do personagem: não há ambiguidade nem sobressalto.
Mas nunca, desde o primeiro olhar, “um personagem à procura de autor”, é, decididamente, uma imagem de Nozolino; e sempre me perturbou.

Detecta-se a nova concepção de distância fotográfica, onde ficamos onde estamos, fora de cena, sem perseguir mistificações. O fotógrafo joga com o claro-escuro, (um negro intenso e injusto, um branco de cegar), sem debitar ensaios técnicos que exigem um bloco de notas prévio; mas a fotografia é habitada pela transparência pesada de um entardecer, que reconhecemos existir sem nunca a olharmos, a sentirmos assim, na mínima transparência dos nossos dias.

Tudo se fez, tudo se congregou para definir este cenário de passagem: o contraste da pedra com a marca branca no asfalto, o corte exacto no geometrismo, a ausência de céu, a simetria incómoda, de espelho, dos dois personagens. Ao fundo a sugestão de janelas iluminadas na parede cinza, falsas e oníricas, com ladrilhos que as negam, mas deixando a ilusão persistir.
E, no entanto, para meu mal, não é a análise da composição que me seduz. A sedução é uma apropriação da lisura, uma inconveniência e esta imagem sempre me seduziu.

Porque conheço, todos nós conhecemos, este apressamento quase automático dos nossos fins de dia, estes gestos padronizados, esta negligência física que esconde mal a repetição das nuances e dos códigos. Conhecemos a sobremodernidade onde isto se passa e se interioriza, estes não-lugares onde a comunicação virtual não é comunicação e o perigo é uma coacção. Sabemos deste seguir em frente, sem olhar, tão rápido como a decisão, tão solitário como a esperança. O que esta imagem de Paulo Nozolino nos dá, de forma concentrada, no passo elástico da determinação numa incaracterística esquina de Tóquio, é a nossa pertença a este magnetismo da solidão. Porque nesta nossa cultura, nesta cultura quase universal, que nos identifica, recupera-se o “significante flutuante” de que fala José Gil – a força primária, colectiva, energia do vivo sobre todos os objectos que, mesmo minimamente, o representam. Não é uma varanda para o conhecimento, mas para a identificação, no mar de signos que provoca. O que sabemos com o corpo muitas vezes não tem nome. Na falta de código, sabemos sem significados.

O paradoxo desta fotografia é ligar-nos o corpo cúmplice a esta imitação da vida a preto e branco, para entendermos o sentido que a aprendizagem não nos sabe dizer.

Maria do Carmo Serén

Paulo Nozolino (1955), vive actualmente em Lisboa;
Fotógrafo inveteradamente flâneur é o mais internacional dos fotógrafos portugueses.

Património Mundial

Piso superior da Casa-Estúdio Carlos Relvas
© Miguel Silva (Público/Arquivo)

Casa-Estúdio Carlos Relvas vai ser candidata a Património Mundial. O anúncio vai ser feito hoje no arranque da 2ª Semana da Fotografia da Golegã. António Martiniano Ventura, presidente do Centro de Estudos em Fotografia da Golegã, criado pelo Instituto Politécnico de Tomar e pela Câmara Municipal da Golegã, é o principal impulsionador da organização e implementação do dossier de candidatura que conta já com os apoios de António Pedro Vicente (professor, historiador), Jorge Custódio (director do Museu Nacional Ferroviário), José Soudo (fotógrafo, professor de fotografia), Luís Pavão (fotógrafo, conservador de fotografia e professor), Manuel Silveira Ramos (fotógrafo, professor de fotografia), Pedro Aboim (fotógrafo, investigador de História da Fotografia) e Victor Mestre (arquitecto responsável pelo projecto de recuperação da Casa-Estúdio Carlos Relvas).

Na 2ª Semana da Fotografia da Golegã, que decorre até sábado, haverá um ciclo de conferências cujo tema genérico é A Fotografia nos Museus - Os Museus da Fotografia. Entre os oradores contam-se Grant Romer (director do Programa Avançado de Residências em Conservação de Fotografia da Casa George Eastman, Museu Internacional da Fotografia e do Filme, em Rochester, Nova Iorque), Mattie Boom (conservadora de fotografia no Museu do Risco em Amesterdão e antiga presidente Sociedade Holandesa de Fotografia), Silvestre Lacerda (Director da Direcção-Geral de Arquivos, Centro Português de Fotografia), Luísa Costa Dias (Directora do Arquivo Fotográfico do Arquivo Municipal da Câmara Municipal de Lisboa), Helena Araújo (Directora do Photographia Museu Vicentes do Funchal), Cármen Almeida (responsável pelo Arquivo Fotográfico do Arquivo Municipal da Câmara Municipal de Évora, Luís Pavão e Cátia Fonseca (da Casa-Estúdio Carlos Relvas).

30 setembro, 2009

entre aspas

Allan Grant, actriz Maria Felix em "Juana Gallo", México, 1960
© Time Inc.


(...) Conto isto para melhor compreenderem o meu espanto quando Mãe Mocinha se pôs a falar da minha vida com detalhes que apenas eu próprio julgava conhecer. Era como se fosse eu a falar de mim, embora com a distância e a lucidez de um estranho.

-Essa mulher não está apaixonada por você - disse, referindo-se a Kianda. - Quando olhamos para um espelho, não é o espelho que vemos. O que vemos é a nossa imagem reflectida nele. Você é como um espelho para essa mulher. Ela nem sequer repara em você, filho, está apaixonada pelo próprio reflexo. Do que ela gosta é do seu deslumbramento, gosta da forma como você a vê.
(...)

Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa

29 setembro, 2009

na [Kgaleria]

Bert Teunissen, Domestic Landscapes
© Bert Teunissen

É muito feliz e acertada a passagem de testemunho que as fotografias do peruano Paco Chuquiure fazem ao trabalho do holandês Bert Teunissen na [Kgaleria], em Lisboa. Há em ambos uma procura da pose grave em espaços que são do círculo mais íntimo dos seus protagonistas e uma composição meticulosamente arrumada, como que a tentar parar ainda mais o tempo. Perpassa um sentimento de ligação afectiva com o lugar. Nas imagens a preto e branco de Chuquiure, mais soturnas e comprometidas, encontra-se a mesma dignidade nostálgica das imagens a cores de Teunissen, mais livres e românticas.

O projecto de Paco Chuquiure, Álbum Familiar, retrata a vida dos habitantes de Oásis Villa, uma parcela de terra no distrito de Villa El Salvador, nos arrabaldes de Lima, Peru. Este terreno foi ocupado à força por cerca de 1200 famílias em meados de 2006. As condições de vida estão no limite e os habitantes vivem com ansiedade, na expectativa de serem desalojados pelas autoridades ou pelos donos legítimos daquelas terras. Apesar de viverem na incerteza de ficarem sem o pouco que têm, Chuquiure afirma ter descoberto aqui "o prazer de viver" e uma organização social muito forte presente, por exemplo, nas inúmeras celebrações que tanto podem marcar o nascimento de uma criança como a efeméride do assassinato de um líder local.

Em Domestic Landscapes Bert Teunissen tenta apreender uma luminosidade particular, a luminosidade dos velhos lugares, das velhas casas europeias que, na sua opinião, está a desaparecer à medida que se vão destruindo antigas habitações, tascas e lojas. A faísca que deu início a esta série está na infância do autor que nunca se adaptou bem à mudança para uma casa nova e um estilo de vida urbano. Desde que, há 10 anos, captou uma imagem dentro de uma casa em Castelnau, no sul de França, e sentiu naquela luz uma remeniscência da "sua" antiga luz nunca mais parou. Muitas das imagens de Domestic Landscapes foram captadas em Portugal. O Museu da Imagem de Braga apresentou uma selecção deste trabalho em 2004 e agora é a vez da K Galeria receber estas selectas composições de luz que nos atiram inevitavelmente para quadros de pintores como Vermeer.

Paco Chuquiure, Álbum Familiar
© Paco Chuquiure


Domestic Landscapes, de Bert Teunissen
[Kgaleria], Rua da Vinha 43A – Bairro Alto, Lisboa
De seg. a sex. das 10h às 18h, sáb. das 14h às 19h (excepto feriados)
Até 31 de Outubro

leiloar

Lola Álvarez Bravo, Los Gorriones, 1940s


A casa leiloeira Phillips de Pury & Company agendou para 3 de Outubro em Nova Iorque um leilão com obras da América Latina (ou com ela relacionada) de vários campos artísticos. Há dezenas de lotes de fotografia onde constam reproduções de autores como Manuel e Lola Álvarez Bravo, Graciela Iturbide, Mario Cravo Neto, Miguel Rio Branco, Sebastião Salgado e Flor Garduño. Aqui


Alberto Korda, Guerrillero heroico (Che Guevara), 1960

28 setembro, 2009

On Reading

André Kertész, Greenwich Village, Nova Iorque, 1963
© The Estate of André Kertész/Cortesia de Stephen Bulger Gallery

Há actos do quotidiano que de tão repetidos parecem desprovidos de qualquer interesse visual. E no entanto, olhares mais atentos, como o de André Kertész, conseguiram encontrar nas mais banais vivências do dia-a-dia a beleza. Kertész gostava de ver os outros a ler e passou a registar esse acto de prazer, concentração e magnetismo que, diga-se, está carregado de fotogenia e não é assim tão invisível. On Reading, foi uma das principais apostas de Verão da Photographer`s Gallery de Londres, exposição que ainda pode ser vista até 4 de Outubro. O conjunto reúne imagens captadas entre 1915 e 1980 e para além da leitura celebra o livro como objecto e os espaços onde costuma estar disponível.

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Robert Demachy, Study (Nude), 1906
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia

Erotismo na Fotografia

O francês Robert Demachy (1859-1936), um dos principais teóricos da corrente fotográfica denominada por pictorialismo, fez a sua obra versar sobre temas como o nu e a paisagem da bretanha francesa. Nas artes visuais, o erotismo sempre esteve presente como tema. Na fotografia acontece o mesmo a partir da sua descoberta no século XIX. Para além de Robert Demachy, autores como Henry Voland e Edward Steichen entre outros, trouxeram-no para o registo fotográfico. Barthes define a fotografia erótica como aquela em que o campo cego sai para fora do enquadramento e a nossa imaginação vai além da imagem fixa. O punctum é, portanto, uma espécie de extra-campo subtil, como se a imagem lançasse o desejo para além daquilo que ela dá a ver: não somente para “o resto” da nudez, não somente para o fantasma de uma prática, mas para a excelência absoluta de um ser, alma e corpo intrincados.
(texto:CPF)

24 setembro, 2009

Paraty em Foco

Filipe Berndt, festival Off Paraty em Foco
© Filipe Berndt

Começou o Paraty em Foco - Festival Internacional de Fotografia Fnac que na sua quinta edição tenta compreender algumas das revoluções por que passa a fotografia contemporânea. A cidade histórica brasileira acolhe até ao dia 27 de Setembro uma vasta programação que inclui muitos novos autores. Em paralelo com as exposições, leilões e actividades sociais, foram agendadas para a Casa da Cultura de Paraty uma série de entrevistas públicas que ampliarão as vozes de nomes como Rosângela Rennó, Orlando Brito e Lula Marques, Loretta Lux e Alessandra Sanguinetti (estas conversas poderão ser seguidas em directo por aqui). No campo das mesas redondas, haverá, por exemplo, um encontro da Blogosfera Fotográfica que pretende ser o ponto de partida para a manutenção de um blogue colectivo que junte na mesma morada os saberes de alguns dos melhores blogues brasileiros de divulgação, teoria, criação, investigação e crítica fotográficas.
Na última noite de projecções o colectivo português [Kameraphoto], que participa pela primeira vez no festival, fará uma apresentação de State of Affairs, o seu mais recente projecto que implicou a deslocação de todos os fotógrafos do colectivo para distintos lugares do mundo com o objectivo de captar l´air du temps. Caberá a Jordi Burch explicar a concretização desta ideia.
O Paraty em Foco – Festival Internacional de Fotografia Fnac é realizado pela Galeria Zoom, de Paraty, e pelo Estúdio Madalena, de São Paulo.
O blogue colectivo do Paraty em Foco está aqui


Francesco Zizola, Centro de recuperação para crianças com deficiências graves, Khodjeli, Uzbequistão, 1997
© Francesco Zizola

Shore

Stephen Shore, de Uncommon Places, 5th and Broadway, Eureka, Califórnia, 1974
© Stephen Shore

Vale a pena ouvir esta curta conversa de Stephen Shore com Jean Wainwright sobre o seminal conjunto de imagens que deram forma a Uncommon Places, influência directa para gerações de fotógrafos. Aqui

23 setembro, 2009

Dress Codes


Jeremy Kost, Amanda Backstage at Heatherette, from the series Private Pageantry, 2005–
© Jeremy Kost/Cortesia do artista


O International Center of Photography de Nova Iorque abre ao público no dia 2 de Outubro Dress Codes: The Third ICP Triennial of Photography and Video, a iniciativa que marca o fim de um ciclo de projectos de 2009 dedicados ao mundo da moda e à sua relação com a arte e a sociedade. Através do prisma da moda, no seu conceito mais alargado, a trienal, que se denomina como a única iniciativa regular americana voltada para a criação internacional contemporânea de fotografia e vídeo, pretende "olhar para a proliferação de fotografias e vídeos que exploram a estilização, a imagem e a personalização nas suas criações".
O guião geral é este:
The theme of fashion encompasses a diverse range of practices and ideas, including explorations of identity and affiliation; the production, distribution, and consumption of images and goods; contemporaneity; age; gender; and global industry. The themes of the Triennial express the exuberance, wit, and astute social observation taking place within contemporary image-making. These artists variously explore fashion—whether in everyday dress, haute couture, street fashion, or uniforms—as a celebration of individuality, personal identity, and self-expression, and as cultural, religious, social, and political statements.

Ao todo, serão expostos mais de 100 trabalhos de 34 artistas, entre os quais nomes em ascensão como os de Mickalene Thomas, Yto Barrada, Kimsooja e Thorsten Brinkmann, ou consagrados como os de Cindy Sherman, Stan Douglas e Lorna Simpson. Em conjunto com a editora Steidl, o ICP organizou um catálogo com os trabalhos dos artistas representados na trienal, ensaios dos comissários da iniciativa e excertos de pensadores que ao longo dos tempos problematizaram as relações entre a arte e a moda.

=ColecçãoàVista= 30


Leon Levinstein (1913-1988), Three Women, ca. 1960
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia

Momento de Exposição

Apesar do sucesso do início de 1950, quando obteve alguns prémios, Leon Levinstein só atraiu os olhos do público a partir de 1988, após a sua morte. Não foi o mundo em geral que captou com a sua câmara, mas antes os seus habitantes, os expressivos rostos e gestos. Enquanto espectadores, não temos noção de como se inserem nesse mundo. Desenvolveu um estilo de rua que tornou a sua fotografia directa e chocante, com ângulos baixos, perspectivas a ameaçar o diagonal e peculiares pontos de vista, que exibem ao mesmo tempo complexidade e elegância.
Homem de alma solitária, evitou sempre a intimidade com as pessoas. O único relacionamento sério que teve foi com a fotografia. Num olhar estrangeiro sobre “o pitoresco”, retrata com uma visão romântica o Portugal à beira-mar plantado, a típica Nazaré e a labuta dos pescadores.
(texto:CPF)

22 setembro, 2009

NTF 09

Alexandre Delmar (menção honrosa NTF 08), Deli, 2007
© Alexandre Delmar

O prazo de entrega de portfólios para o prémio Novo Talento Fnac Fotografia 2009 foi adiado para o dia 30 de Outubro. Para descarregar o regulamento clique aqui

entre aspas


© Margaret Bourke-White

- O Teiger, o Sam Teiger, proprietário do Tavern, vê a Eve e traz à nossa mesa uma garrafa de champanhe. O Ira conviado-o a beber connosco e brinda-o com a história dos seus trinta dias como empregado do Tavern em 1929, e, agora que a sua vida se transformou, toda a gente aprecia a comédia dos seus infortúnios e a ironia de o Ira lá ter voltado. Todos nós apreciamos o desportivismo com que ele encara as velhas feridas. O Teiger corre ao escritório, volta com uma máquina fotográfica e tira-nos uma fotografia durante o jantar e, mais tarde, pendura-a na sala de fumo do Tavern, ao lado das fotografias de todos os outros notáveis que por lá tinham passado. Não teria havido qualquer razão para a fotografia não ter continuado lá pendurada até o Tavern fechar, já depois de 1967, se o Ira não tivesse ido parar à lista negra dezasseis anos antes. Soube que a tiraram de um dia para o outro, como se a vida dele tivesse sido transformada em nada.

Casei com um comunista, Philip Roth, ed. Dom Quixote

31 agosto, 2009

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Weegee, duche colectivo durante o Verão, Lower East Side, 1937

(até já)

Para Perpignan

Miquel Dewever-Plana, The other war
Miquel Dewever-Plana/Agence VU

Sempre que tem oportunidade o francês Jean-François Leroy denuncia as dificuldades e os entraves que se colocam no caminho do fotojornalismo. Foi assim quando, por várias ocasiões, participou no júri do prémio Visão/BES Fotojornalismo e foi assim, mais uma vez, na apresentação da edição deste ano do festival Visa pour L`image, que ajudou a fundar e que actualmente dirige. O certo é que sempre que se olha para os trabalhos programados por Leroy em Perpignan encontram-se a acutilância, a oportunidade e força do melhor fotojornalismo do planeta. Este ano, a América do Norte tem um destaque especial no festival. Há uma série inédita de Eugene Richards (War is Personal) que procura o impacto da última guerra do Iraque na sociedade dos EUA, uma reportagem de Miquel Dewever-Plana acerca dos Maras da Guatemala e um trabalho de Jérome Sessini sobre o poder tentacular do narcotráfico no México. Além das imagens ampliadas que questionam o fanatismo no Afeganistão, o iraniano Abbas decidiu mostrar boa parte do making of desse trabalho.

Todas as informações sobre o Visa pour L`image aqui

Zgierz/Lisboa/Bissau

Guiné-Bissau, Bairro Quelele, Mercado © Mikael Levin

Que se saiba a fotografia não tem o dom de curar nada. E raras vezes apazigua ou adormece. Pelo contrário, contribui mais vezes para acicatar emoções, provocar estados de alma e ressuscitar histórias adormecidas resgatando do esquecimento os passos, os sinais, os lugares e os objectos, por mais irreconhecíveis que estejam, por mais desvanecidos se encontrem. Porque para visualizar nem sempre é preciso ver.
Para contar a História de Cristina (Museu Berardo, até 1 de Novembro), Mikael Levin serviu-se da fotografia como filtro difusor de uma narrativa de busca pessoal que só encontra nitidez e contorno no momento em que se torna colectiva (e logo nossa também). O percurso em torno das memórias de uma família judia que, em três gerações, se movimentou por geografias muito díspares é feito em imagens-retalho unidas por uma linha ténue que lhes fornece alguma cumplicidade, é uma linha que sugere viagem, movimento e diáspora que fica mais forte quando se mostram os sinais de um passado familiar, de uma história particular que se quis tornar pública e que se quer tornar origem de novas histórias.
A exposição Cristina`s History mostra imagens de Zgierz, Lisboa e Guiné-Bissau. Zgierz é uma aldeia polaca, origem dos antepassados de Cristina da Silva-Schwarz e Mikael Levin. Uma geração da família passou por Lisboa, depois por Bissau e regressou a Lisboa.
Cristina`s History não é a história de um – é a história de vários. E é também a nossa história.


Zgierz, Fábrica em ruínas © Mikael Levin

Lisboa, Praça do comércio © Mikael Levin

=ColecçãoàVista= 29

Bert Hardy (1913–1995), Row of Sickles, Portugal, Setembro de 1955
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia

Colheita do Arroz


Bert Hardy é um autodidacta. Começou a trabalhar em 1927 como assistente de laboratório no Central Photo Service, em Londres, onde permaneceu até 1936. Foi um dos primeiros fotógrafos a usar uma Câmara Leica de 35 mm, em 1938. De 1941 a 1957 é um dos repórteres da célebre revista Picture Post e será nesta fase que visita Portugal, da Nazaré ao Alentejo, nomeadamente em 1951 e 1955. Nesta revista semanal publicou esta e outras imagens, no artigo intitulado “The Rice Harvest” (sobre a colheita do arroz em Portugal) a 29 de Outubro de 1955.
Foi o fundador da Grove Hardy Ltd. em conjunto com Gerry Grove. Trabalhou ainda como freelancer em fotografia publicitária, ganhando um prémio, com o cartaz para os cigarros Strand, em 1960. Tornou-se agricultor depois de 1964.
(texto:CPF)

25 agosto, 2009

Pacheco no Masters

Calle Habana, Cuba, 2007
© Georges Pacheco

O fotógrafo Georges Pacheco é um dos dez nomeados na categoria Editorial para o prémio Masters promovido pela marca Hasselblad. O trabalho que valeu a Pacheco a presença entre os finalistas mostra Cuba de uma forma perspicaz e descomprometida. A Hasselblad organizou uma exposição que terá uma imagem de cada finalista e que passará nos próximos meses por Hong Kong, Copenhaga, Nova Iorque e Londres. Para além da decisão do júri (do qual fazem parte Anton Corbijn, Douglas Kirkland, Efrem Raimondi, entre outros) o Masters contará, pela primeira vez, com a contribuição do público.
Amostra do trabalho de Georges Pacheco aqui

o luxo

Benedikt Taschen e Helmut Newton com uma cópia de Sumo.
A primeira cópia foi autografada por mais de 80 celebridades que aparecem na obra e foi vendido por 430 mil dólares, em 2000
© Taschen

Os livros de fotografia de luxo são à prova da crise?, pergunta Eleanor Morgan no Guardian. Para tentar encontrar a resposta, Morgan falou com o mais aventureiro dos editores de livros de fotografia - Benedikt Taschen. aqui

 
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