Miquel Dewever-Plana, The other war
Miquel Dewever-Plana/Agence VU
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Miquel Dewever-Plana, The other war
Miquel Dewever-Plana/Agence VU
Zgierz, Fábrica em ruínas © Mikael Levin
Lisboa, Praça do comércio © Mikael Levin
Bert Hardy (1913–1995), Row of Sickles, Portugal, Setembro de 1955Colheita do Arroz
Benedikt Taschen e Helmut Newton com uma cópia de Sumo.
Alfredo Cunha (1953), Estaleiros do Douro, 1997Fotografia Directa
Alfredo Cunha é filho de fotógrafo. Começou a fazer fotografia por obrigação. É após uma viagem à Suécia, no início da década de 70 do século XX, do contraste suscitado entre diferentes realidades, que, no regresso a Portugal, toma consciência que a fotografia lhe permite registar um país desadequado. O 25 de Abril dá-se quando tem 20 anos e trabalha no jornal O Século como repórter, arrepende-se até hoje de ter tirado poucas fotografias. A sua preocupação social está patente no seu trabalho e nesta imagem publicada no livro A Norte. As suas imagens incluem toda a informação necessária sobre o homem, vê-se o ambiente e o material de trabalho. São imagens directas, sem qualquer efeito fácil.
(texto:CPF)
Dominique Mérigard (1964), Sem título, 2001Terra fecunda
Dominique Mérigard, nascido em Châtellerault, em 1964, e com uma carreira no mundo da fotografia bastante extensa, a par da actividade de professor, inspirou-se, tal como tantos outros autores, na região única do Douro. O olhar deste fotógrafo francês trespassa esta zona de contrastes, produzindo imagens de uma terra envolta em mistério, mas onde a acção humana está presente pela imposição da sua vontade e força de trabalho. A presença do homem completa a paisagem da natureza dura mas bela. As vinhas são o mote da fecundidade onde o vinho gerado alimenta e fortalece os varões na luta intemporal contra a austeridade campestre. São imagens contemplativas que nos transportam para o fenómeno do Douro, terra geradora de sentimentos.
(texto:CPF)
Retrato de William Henry Fox Talbot (início da década de 1840)
Oan Kim, da série Je suis le chien Piti
© Oan Kim
Se há coisas que se podem repetir no tempo com alguma nitidez, há outras que se vão desvanecendo, às vezes irremediavelmente. François Barré, presidente do festival francês desde 2001 e um dos artífices deste novo alento, lembra algumas das características que já estão muito longe dos "heróicos" primeiros anos: os Encontros deixaram de ser apenas "profissionais" para se "destinarem a todos e abrirem a todos"; as máquinas Leica deixaram de ser as únicas "relíquias" da prática fotográfica; o preto e branco e o suporte analógico deixaram de ser opções exclusivas da imagem fixa (em contramão, a cor passou a estar "por todo o lado" e o digital "invadiu o planeta fotografia"). Barré proclama no texto de apresentação deste ano a "continuação do espectáculo" ("apesar da crise") e antevê edições de "extraordinária mutação".
Enquanto espera pelas imagens de mudança do futuro, o festival olha para as imagens de ruptura que ajudaram a construir o seu (nosso) passado. A programação dos Encontros, a decorrer até 18 de Setembro, assenta em dois eixos principais: 40 ans de Rencontres celebra a dedicação e os múltiplos talentos de Robert Delpire (criador da célebre colecção de livros de fotografia Photo Poche) e reúne exposições de novos talentos escolhidos por antigos directores artísticos e fotógrafos que ajudaram a escrever a história do festival; 40 ans de ruptures integra trabalhos apresentados em Arles que provocaram debate e desafiaram convenções. É aqui que se encontra a retrospectiva de Duane Michals e as exposições dos 13 fotógrafos escolhidos pela americana Nan Goldin, comissária convidada deste ano e uma das muitas fotógrafas lançadas pelo festival de Arles. Goldin apresenta ainda imagens das séries The Ballad of Sexual Dependency e Soeurs, Saintes et Sybilles e fotografias da sua colecção privada. Paulo Nozolino é outro dos fotógrafos da ruptura representados, ao lado de Brian Griffin, Eugene Richards, Martin Parr e René Burri.
Eugene Richards, do livro The Blue Room, Corinth, Dakota do Norte, 2006
© Eugene Richards
Neal Slavin (1941), Jeweller, 1968Olhar Peregrino
Nascido em Brooklyn, em 1941, Neal Slavin destaca-se como fotógrafo, trabalhando com pequenos e médios formatos, e ainda como cineasta e produtor.
Slavin procura para a sua obra “identidade e percepção, pessoas públicas e privadas”. Revela um especial interesse por “imagens simbólicas”, que expressam emoções e ideias.
Em 1968, Slavin recebe uma bolsa e vem para Portugal fotografar aspectos arqueológicos. Acaba também por captar outras imagens, das quais se destaca a dezena representativa, que enriquece, desde 1997, a Colecção Nacional de Fotografia do CPF.
Também conhecido pelo seu trabalho editorial na The New York Times Magazine e Rolling Stone, Slavin tem, mais recentemente, dedicado especial atenção à direcção de filmes.
Neal Slavin fotografa quem estamos a tentar ser, a fim de descobrir quem realmente somos.
(texto:CPF)
Susana Pedrosa (Coimbra, 1983) apresentou "um projecto que comunica com as experiências linguísticas e conceptuais das décadas de 1960-70. Recorrendo a agendas e calendários emprega a fotografia, mais especificamente a projecção de diapositivos, para descrever a passagem do tempo".
Ana Braga (Porto, 1986) recorreu "à ampliação de imagens de arquivo, nomeadamente detalhes de vegetação, subverte as capacidades narrativas da projecção de diapositivos, confrontando-nos com pequenas diferenças na repetição".
Inês Moura (Coimbra, 1984) "propõe-se traduzir para os seus projectos - em fotografia, mas também em desenho - o carácter poroso, não definitivo, constantemente alterável" de São Paulo, Brasil.
Cada uma das artistas receberá uma bolsa de produção no valor de 7.500 euros, apoio destinado à realização dos trabalhos a apresentar, a partir de 13 de Novembro, no Museu de Serralves.
A acompanhar a reflexão provocada pela publicação das imagens de The Ruins of the Gilded Age, Edgar Martins divulgou também um conjunto de fotografias suas legendadas com as quais pretende realçar alguns pontos da argumentação. Aqui estão elas:
Untitled, from the series Ruins of the Gilded Age, 2008 (Georgia, USA)
© Edgar Martins
Untitled, from the series When Light Casts no Shadow, 2008 (Portugal)
© Edgar Martins
From the series When Light Casts no Shadow, this is yet another picture which looks highly symmetrical, but which does not resort to any kind of digital or analogical mirroring techniques.
Whenever possible I purposefully seek locations and real life objects with these characteristics.
Between 2006 and 2008, I was granted unrestricted access to some of the most interesting airports in Europe.
Some of these airports are unique in that the runways and standing areas are surfaced in back tarmac and not the usual concrete. Over time, parts of these airports have fallen into disuse and become dilapidated, and it is this that drew me to them.
I chose to photograph almost exclusively at night, utilizing large format cameras, the airport's floodlights and long exposures of up to two hours in order to register minute tonal differences between blacktop and night sky, my camera picking out fluorescent signs and markings on the ground - and also the patterns of the weeds that had grown in cracks that had occurred due to lack of maintenance. The result is an imagery that is even more abstract and enigmatic than that of an earlier series.
Untitled, from the series When Light Casts no Shadow, 2008 (Portugal)
© Edgar Martins
Untitled, from the series The Accidental Theorist' 2007 (Portugal)
© Edgar Martins
Ugo Mulas, rReflectindo sobre a obra de Michelangelo Pistoletto, Vitalità del negativo, Roma, 1970
No final de 2008, os ataques a um dos hotéis mais luxuosos de Bombaim, na Índia, deu os primeiros sinais ao mundo do poder das redes sociais na internet para difundir mensagens escritas e imagens. Nos últimos tempos, desde o Irão até à China, têm-se sucedido os exemplos de como a tecnologia pode ser uma arma contra a repressão e a intolerância. O poder das imagens e da informação de rédea solta é de tal forma poderoso que até os estados mais zeladores da democracia e da liberdade se mostram beliscados com ele. Barack Obama, por exemplo, manifestou-se de "coração partido" com as imagens recentes da iraniana Neda Agha-Soltan em agonia e lembrou "a liberdade de expressão" em defesa da sua divulgação. Já quando as imagens incómodas se relacionam com assuntos internos "a questão" passa a ser outra. Vale a pena ler este artigo de Randy Cohen, no New York Times, sobre o medo que as imagens continuam a causar.