05 maio, 2009

à venda

Júlio Augusto Siza
© P4Photography.com

Avizinha-se mais um leilão organizado pela P4 Photography. Desta vez há literatura sobre fotografia (manuais do século XIX, catálogos...), livros de fotografia (Lisboa, Cidade Triste e Alegre começa a ser um habitué) e fotografias de várias épocas e tendências, para além de desenhos e cartazes. Uma das estrelas da venda é o álbum de Júlio Augusto Siza, um fotógrafo pouco conhecido entre nós que revela agora uma interessante produção, paralela à actividade comercial, mais voltada para a paisagem e etnografia, não só na Guiana Inglesa (plasmada neste conjunto), como também em Belém do Pará, onde durante anos manteve um estúdio.
Ângela Camila Castelo-Branco escreveu um artigo que resume muito bem o percurso de Júlio Siza na fotografia. Está aqui

Para folhear o catálogo clique aqui

Prémio OjodePez


Behind the Veil
© Olivia Arthur


O prazo para o envio de trabalhos para o Prémio OjodePez de Valores Humanos termina a 15 de Maio. Podem participar fotógrafos de todo o mundo e de qualquer idade com trabalhos que destaquem valores como a solidariedade, a ética e a justiça. O prémio inclui uma exposição e a publicação, junto com outros finalistas, na revista de Outono da OjodePez.
A vencedora da edição do ano passado foi Olivia Arthur com a série Behind the Veil.
Mais informações e inscrições aqui

04 maio, 2009

=ColecçãoàVista= 15


Vari Caramés (1953), Tránsito I, 1999
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia

Momentos

Vari Caramés começa a fotografar em 1968 com uma Voitglander oferecida pelo seu pai, expondo pela primeira vez em 1980. O universo que retrata nesta série de imagens intitulada Tránsito mostra-nos o desenvolvimento do seu trabalho, imagens que emergem de um sonho nebuloso como peças isoladas mas não soltas de um mundo real, diário, identificável, reconhecível, mas passível de ser interpretado livremente por cada espectador, porque se a familiaridade da imagem é algo comum, o significado é díspar para cada um de nós. Uma aparente simplicidade que nos leva a viagens mais profundas do nosso ser, um momento, um sentimento, uma memória vã de algo que já esquecemos, ou algo presente, vivo, intenso, a cada um, o seu significado. A luz constantemente difusa faz parte do seu trabalho permitindo-lhe mostrar tudo aquilo que o rodeia de forma directa e clara mas nunca óbvia.
(texto:CPF)

comemorar o furo - a prática II

© António Leal
26 de Abril, 2009, Dia Mundial da Fotografia Estenopeica


Fez este domingo uma semana que andámos de caixas de cartão e lata em punho a experimentar a acção da luz no papel sensibilizado. A fotografia estenopeica (pinhole) tem esse condão de nos fazer regressar aos mais primitivos mecanismos da imagem fotográfica e de nos obrigar à simplicidade de procedimentos. Isto para além do entusiasmo (pelo menos para alguns) fornecido pela incerteza quase absoluta do resultado final das provas. Foi vê-los a correr num corropio entre a rua e a câmara escura para comprovar se o Sol tinha feito a parte do trabalho que lhe competia. Quem teve trabalho e paciência com todos foi António Leal. Obrigado.

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01 maio, 2009

a mala

David Seymour, máquina de escrever destruída depois de um bombardeamento, Gijon, Astúrias, 1937

O tesouro começa a revelar-se. A mala mexicana com 126 rolos de negativos de 35 mm pertencentes a Robert Capa, Gerda Taro e David Seymour foi aberta no ano passado. Agora, depois de um cuidado processo de restauro, as fotografias dos três míticos fotojornalistas captadas durante a Guerra Civil de Espanha começam a surgir. A maior parte serão inéditas.

O New York Times conseguiu um exclusivo ao publicar uma dúzia de imagens positivadas dos negativos que estiveram "escondidos" durante mais de 70 anos. Apesar da riqueza do conjunto, NYT sublinha a importância dos rolos atribuídos a Seymour - também conhecido por Chim, um dos fundadores da Magnum. Enquanto as objectivas de Capa e de Taro andaram mais focadas nas vicissitudes do conflito, mais próximas das linhas da frente, Seymour concentrou-se mais nas dificuldades do dia-a-dia da sociedade espanhola. O International Center of Photography, instituição que negociou a entrega da mala mexicana e que cuida agora do seu conteúdo, anunciou para Setembro de 2010 uma exposição retrospectiva dedicada a Chim, que será baseada nas imagens agora tratadas (um terço das fotografias da mala são da sua autoria).

Apesar da esperança alimentada no ano passado sobre a existência do negativo da famosa A Morte de um Miliciano (5 Set. de 1936), não existe na mala mexicana nenhuma sequência deste momento nem tão pouco a matriz que lhe deu origem (as imagens que circulam em papel fotográfico são feitas a partir de cópias vintage). A inexistência daquele que é considerado o Santo Graal da fotografia do século XX não retira um milímetro da importância deste conjunto que tem mais de 4300 imagens (no ano passado estimava-se cerca de 3500). Para Cynthia Young, curadora do ICP e uma das pessoas que esteve mais envolvida no tratamento do espólio, o conteúdo da mala mexicana dá "um entendimento profundo sobre a forma como os três fotógrafos trabalharam durante um curto período no qual criaram os arquétipos da moderna fotografia de guerra".

Para além da retrospectiva dedicada a Chim, o ICP promete também para 2010 uma exposição sobre o conteúdo da mala envolvendo os três fotógrafos.

O artigo do NYT está aqui
e a galeria com imagens da mala mexicana aqui

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© Tony Cenicola/The New York Times

30 abril, 2009

*Três perguntas a...

Foto Estúdio Paris
Colecção Particular

Paulo Seabra (n.1959). Vive e trabalha em Lisboa. Tem formação em artes gráficas, animação, fotografia e vídeo. Trabalhou para publicidade, teatro, festivais de jazz e jornais. A partir de 2003 começou a dedicar-se essencialmente ao vídeo e ao cinema. Em 1993, comprou parte do espólio do Foto Estúdio Paris, à Estrela, Lisboa. Hoje, às 21h00, no Museu do Oriente, no âmbito do festival Indie Lisboa (Festival Internacional de Cinema Independente), apresenta Uns Tantos Milhares de Negativos (repete a 2 de Maio), que fala sobre a descoberta dessas imagens.

O que é que te levou a gravar este filme? Como é que esta parte do espólio da Foto Paris te chegou às mãos?
Chegou como outros espólios, pelas pessoas saberem que sou um apaixonado pelo coleccionismo e fotografia. O que levou a fazer este trabalho foi a riqueza do assunto e a ideia inicial de se filmar em negativo respeitando os próprios negativos.

O registo do filme joga muito com o som e a música deixando, por exemplo, o registo histórico de lado. Quiseste que as imagens brilhassem por si, que contassem a sua história…
Claro. A base das narrativas é a riqueza da linguagem e respeitar a inteligência do espectador, estar subentendido.

Quais são as cenas dos próximos capítulos?
O laboratório. Com a mesma linguagem, descontração e estética, ampliar e revelar alguns dos negativos a cores e preto e branco.

29 abril, 2009

o regresso dos franceses

Mondego, 1994
Pierre Devin © Centro Português de Fotografia DGARQ/MC

Há duzentos anos, o Norte vivia em sobressalto a invasão de Soult. Mas é da lei da guerra e da paz que os ocupantes deixem atrás de si rastos da cultura própria e outras alterações mais gratuitas do futuro. No país, que levaria o seu exército com Wellington a atravessar os Pirinéus, uma outra revolução de advogados estava já em marcha.

Por isso mesmo, este conjunto de exposições não comemora apenas as misérias e as vitórias locais do império napoleónico mas, acima de tudo, os efeitos culturais de sucessivos reconhecimentos.

A Península, respondendo com uma violência inesperada ao exército jacobino, ganhava então o seu cunho de exotismo e barbárie, - a temeridade dos bandoleiros fará eco nos libretos de Ópera, no romance oitocentista e na representação dos seus habitantes. A meados do século XIX, a pátria do Empecinado e do general Silveira era visitada pelas missões fotográficas com o mesmo olhar de descoberta que levava os fotógrafos a Marrocos ou ao Egipto.

Cabo da Europa a que o mar imenso fizera esquecer, são por vezes esses olhares franceses que fazem o país descobrir-se a si mesmo. E é esse olhar do outro que nos confronta ou que dele dá notícia, que aqui se mostra. Inclui grandes fotógrafos franceses, pretéritos ou nossos contemporâneos, todos eles incluídos na Colecção Nacional de Fotografia. Georges Dussaud, que lhe pertence, mostra-nos uma série com que tudo, aqui no Norte, parece fechar, a sua visão da cidade que mal conhecemos.

Enxovia de Santa Ana
Muito cedo a imprensa portuguesa fez saber sobre a descoberta da fotografia apresentada e depois demonstrada por Daguerre. Muito cedo, ainda, fotógrafos e missões fotográficas francesas percorriam o país, anunciando, por vezes, a sua presença.

Depois de cada passagem, alternando lições e sessões de fotografia, os fotógrafos habitualmente vendiam câmaras e equipamentos, que os novíssimos fotógrafos portugueses compravam.
Também por vezes fotógrafos franceses passavam a residir em Portugal. Como Fillon, o simpatizante da Comuna de Paris, que se tornaria o símbolo da elegante prática fotográfica em Lisboa e no Porto. Eça cita-o num dos seus romances e hoje faz parte da nossa história da fotografia. Então já se usava para múltiplos efeitos o carte de visite, uma das mais notáveis colonizações francesas no campo da fotografia.

É o olhar francês nas últimas décadas do século XIX e primeiras do século XX, que aqui vemos.

Enxovia do Senhor de Matosinhos
Nesta representação francesa da segunda metade do século XX encontra-se um dos famosos momentos decisivos de Cartier-Bresson, trabalhos conceptuais de Bernard Faucon, documentalistas de reconhecida estética, Paul Berger, Alain Buttard ou Jean Gaumy, mas dominam quatro projectos feitos em Portugal por Pierre Devin, Guy Le Querrec, Frédric Bellay e Bernard Plossu. De certo modo fica coberto o Portugal geográfico e algumas das mais importantes vertentes da fotografia francesa contemporânea. Seja a poesia divertida de Fréderic Bellay, (que chega a repautar imagens clássicas da Fotografia), as poderosas perspectivas de Pierre Devin, o olhar militante e sensível de Guy Le Querrec ou os olhares oblíquos e breves sobre os gestos da cultura que as câmaras descartáveis detectam neste seu “País da poesia”.

Enxovias de Stª Teresa e de Stº António (Georges Dussaud)
Georges Dusaud, todos o sabem, conhece o país, conhece a cidade. Este percurso pelas nossas coisas, pela nossa gente não é apenas o olhar do fotógrafo flaneur que sempre foi. É um saber de nós, do enigma de uma cidade que não gosta de se denunciar, da atmosfera das suas esquinas e escadinhas perdidas, das fachadas das velhas mercearias finas, dos cafés e passeios ribeirinhos.

A cidade oitocentista da classe média continua a esconder-se por trás do rendilhado de árvores que fazem minúsculos jardins ou alamedas, o clássico “Porto”, de lança repousada espreita, desterrado do centro cívico, para lá das muralhas que nada protegem. Dussaud gosta de gente. Fotografa-a nos seus lugares de afecto, prodigalizando um perto e um longe que a une ou separa. Por vezes deixa que um breve humanismo fotográfico envolva o seu olhar de síntese, mas aqui, nesta série sobre o Porto, há uma outra contemporaneidade, um outro olhar argumentativo que desfaz clássicos enquadramentos e pontos de vista, desfoca os motivos, desvia o olhar das histórias que se contam.

E então as suas imagens compõem uma lição sobre o modo como vemos, hoje, o mundo em imagem, onde tudo é cenário interrompido como um vídeo-clip, onde o sujeito é o zapping da nossa insatisfação. Onde tudo é sempre muito belo como um argumento de vida.

Maria do Carmo Serén

Invisões, Portugal Visto pelos Fotógrafos Franceses, vários autores
Centro Português de Fotografia, Porto
Até 28 de Setembro

aprender


© Pierre et Giles

Está prestes a arrancar (5 de Maio) a segunda edição do workshop de Estética Fotográfica no espaço Yron, em Lisboa. Para além dos nove módulos discutidos em sala haverá uma componente prática que envolve trabalhos no exterior e posterior análise crítica.
Mais informações e inscrições aqui

28 abril, 2009

Joaquim Cabral (1932-2009)



Joaquim Cabral

O português que fotografou na NASA a chegada do homem à Lua

Sérgio C. Andrade

No seu currículo, surgirá sempre em primeiro plano a circunstância de ter sido o único fotojornalista português a ter acompanhado, em Julho de 1969, há quase 40 anos, na NASA, a partida da nave Apollo 11, que levaria o primeiro homem à lua. Mas Joaquim Cabral, falecido no domingo da semana passada em Ovar, aos 76 anos, deixa também o registo de uma carreira marcante no fotojornalismo durante os anos que viveu em Angola, e depois no ensino da fotografia, no Porto e em Matosinhos, a que dedicou a última parte da sua vida.

Esta vertente pedagógica é realçada por Rui Mendonça, professor de Fotografia na Faculdade de Belas Artes do Porto e na ESAD (Escola Superior de Arte e Design), em Matosinhos, que se assume como discípulo devedor da “lição profissional mas também de vida” de Joaquim Cabral. “Sinto-me privilegiado por ter vivido durante vinte anos esta experiência profissional e humana com ele”, diz Mendonça. E cita a importância do trabalho de Joaquim Cabral como técnico de fotografia, tanto nas Belas Artes do Porto, onde ingressou em 1976, após o regresso de Angola, como, mais tarde, a partir de 1990, na ESAD, de que foi um dos primeiros professores e onde permaneceu até há pouco tempo.

Mas voltemos a 1969, àquele momento histórico que Joaquim Cabral viveu e registou no Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, na Florida, quando integrou a privilegiada delegação internacional de fotojornalistas junto dos cientistas e autoridades que acompanharam, da Terra, o lançamento e a aventura da nave Apollo 11 e dos astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins. “Ficou-me na memória o entusiasmo de todos, rompendo a enorme apreensão que ali se sentia”, recordou o fotojornalista, em entrevista ao Diário de Notícias do passado dia 12 de Janeiro.

As suas fotografias foram publicadas na revista Notícia, em Angola, para a qual trabalhava. Mas, nessa altura, já Joaquim Cabral acumulava outras fortes experiências profissionais. Chegado a Luanda no início da década de 50, com apenas vinte anos (tinha nascido em Lamego, em 1932), o fotógrafo acompanhou profissionalmente vários momentos históricos da então colónia portuguesa, desde as viagens de políticos até à guerra colonial. “Mas ele não era um fotógrafo do regime”, diz Rui Mendonça, salientando o profissionalismo do seu trabalho. “Estive em várias guerras”, comentou o fotógrafo ao DN na citada entrevista. “E foram suas” – diz a biografia-homenagem agora divulgada pela ESAD – “algumas das primeiras fotografias” que chamaram a atenção do mundo para a fome no Biafra.

Em 1961, Joaquim Cabral assinou a fotografia da capa da Notícia com Moisés Tshombe, Presidente do Katanga, um efémero estado africano que declarara a secessão, no ano anterior, logo após a independência do Congo Belga (depois Zaire e actual República Democrática do Congo).

Também nos anos 60, o fotojornalista fizera uma volta ao mundo em 37 dias para a mesma revista de Luanda, a convite do Governo de Macau. “Fizemos um número especial sobre Macau. Partimos de Luanda e a viagem de ida teve paragens de dois dias em Lisboa, Roma, Atenas, Istambul, Teerão, Banguecoque e Hong Kong. Para cá, viemos ao contrário, por forma a percorrermos o outro meio mundo: Macau, Tóquio, Honolulu, S. Francisco, Nova Iorque, Lisboa e Luanda”, recordou o fotógrafo ao DN, sobre esta reportagem feita em 1968 para a Notícia.

Em 1971, Joaquim Cabral assinou, com o poeta Herberto Helder, uma reportagem sobre a catástrofe provocada pelas chuvas, que foi intitulada Lobito das águas violentas. No mesmo ano, acompanhou também o Carnaval no Rio de Janeiro.

Depois do regresso a Portugal a seguir à Revolução de 1974, perdeu-se o rasto da sua carreira de fotojornalista, e Joaquim Cabral dedicou-se ao ensino. Mas continuou ligado à fotografia, tendo mesmo participado em exposições colectivas. Rui Mendonça publicou, com a chancela das edições Gémeo, dois livros com obras suas: Envolto na Neblina (2004), sobre a Ria de Aveiro – “de que ele gostava muito”, nota o editor, e Assinatura do Sol (2005), com o registo de trabalhos dos anos 60 em Angola. A ESAD está a preparar uma exposição de homenagem.


Páginas da revista Notícia com a reportagem em Cabo Canaveral

27 abril, 2009

comemorar o furo - a prática

Para Niépce, Lisboa, 2009
Paula Ferreira/Alexandra Gonzalez/Sérgio B. Gomes

Êxito. Sim porque o êxito pressupõe o atingir da meta estipulada. E hoje [domingo] a meta era estimular novos praticantes para um processo fotográfico alternativo com pouco impacto entre nós, a propósito do Dia Mundial da Fotografia Estenopeica [26 de Abril].

Não chegou à dúzia, mas os interessados foram descobrindo as diferentes partes de um todo que constitui a percepção do processo fotográfico: a construção da câmara; a razão da formação da imagem; o tratamento químico-laboratorial que permite revelar e tornar durável a imagem formada pela acção da Luz sobre a emulsão fotográfica, neste caso o papel fotográfico. Este, não para uma qualquer impressora de jacto de tinta, mas obrigando a cuidados baseados em magia de alquimista para tornar visível a realidade formada e manipulada por câmaras que na sua simplicidade obrigam a aprender o manual do bom utilizador, e do trato a dar a um trajecto pela luz feito no recto caminho em direcção à emulsão.

Foram feitos alguns ensaios com câmaras já existentes e assim cativar estes entusiastas, para um pequeno salto: construir a sua câmara estenopeica. E perceberam de imediato a razão do estenopeico e o do pinhole, o grego estenopo passou a parceiro do saxesónico pin-hole e dessa parceria agulha e prego rapidamente abriram espaço nas paredes de caixas e latas. Surgiram então novos objectos adaptados a uma nova utilização - a de produzirem imagens fotográficas. E elas foram surgindo, pelo entusiasmo do fazer, na busca do aprender, realizando obra para mostrar. Desafio aceite. Lavadas e secas as primeiras fotografias, os olhos do grupo brilharam de satisfação.

Como miúdos, ficámos felizes.
Foi um êxito.

António Leal
Clube Buraco de Agulha


She`s gone, 2009
Alexandra Gonzalez

Danny Lyon

Boys With Rubber Bands
Danny Lyon ©
Edwynn Houk Gallery

Desconhecia a obra de Danny Lyon (e ainda desconheço...). Comecei a gostar dela depois de ver uma pequeníssima amostra do seu trabalho e de ler um texto no New York Times (obrigado E.) a propósito do recente lançamento do livro Danny Lyon: Memories of Myself que traça o percurso de mais de 40 anos de carreira daquele que a editora Phaidon classifica como "um dos mais originais e influentes fotógrafos americanos". Lyon (1942) é considerado um dos pioneiros do novo jornalismo fotográfico dos 60 e 70 ao qual se juntaram Mary Ellen Mark e Larry Clark e que surgiu em resposta ao estilo documental revista Life que até então se praticava.
A primeira tentativa para "destruir a Life", que para Lyon dava uma imagem anódina da América, foi feita com a publicação de Bikeriders, fruto de mais de dois anos de viagem como membro do grupo de motoqueiros Outlaws.
Muitas das fotografias agora reproduzidas em Memories of Myself nunca foram mostradas publicamente. O livro reúne uma selecção de ensaios erráticos que vão desde Chicago até Port-au-Prince, Haiti, e Cuba, mais recentemente.
Texto do NYT aqui e galeria aqui

I wanted to change history and preserve humanity, but in the process I changed myself and preserved my own.
Danny Lyon, NYT

=ColecçãoàVista= 14

José Carmo da Rosa, Aldeia da Luz, 1998
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia

Aldeia da luz

José Carmo da Rosa nasceu em Agadir, Marrocos, em 1951. Viveu em Portugal entre 1960 e 1972. Em 1960 passou a viver com a família no Porto, onde permaneceu até à idade de cumprir serviço militar. A partir de 1970, ao invés de ingressar no exército português, resolve "emigrar" para a Europa. Em 1972 opta por viver na Holanda onde frequenta o curso de fotografia na School Voor Fotografie de Haia (1982-1987). Inicia a actividade de fotógrafo profissional em 1988 e trabalha como freelancer para vários jornais, editoras, ministérios e instituições camarárias. Executa projectos fotográficos em Marrocos e Turquia em 1994 e 1995. Em 1998, faz o levantamento fotográfico da Aldeia da Luz no âmbito do projecto da barragem do Alqueva. A vida social e a arquitectura da aldeia são ilustradas antes da subida das águas.
(texto:CPF)

25 abril, 2009

IPF:28

Aurélio da Paz dos Reis, Porto, Biblioteca Municipal, s/d

No dia 28, as sedes do Instituto Português de Fotografia no Porto e em Lisboa merecem uma visita atenta:

»»No Porto: Tereza Siza e Maria do Carmo Serén terão a seu cargo a sessão A origem da Fotografia no Porto: visão crítica dos percursos enquadrada no ciclo Contributos para a História da Fotografia no Porto - uma perspectiva;

»»Em Lisboa: Paula Figueiredo falará sobre fotografia de família e a organização de álbuns familiares, uma área de investigação a que se tem dedicado nos últimos anos. Para além desta sessão, o IPF organizou um curso prático para a realização de um álbum vitoriano e de um álbum do século XX. O curso (21 horas, uma sessão semanal, entre 13 e 30 de Junho) será orientado por Paula Figueiredo e Margarida Duarte, técnica de conservação e restauro de fotografia.


Retrato do estúdio de Emílio Biel, Porto, ca. 1900
(© Colecção Particular)

nan em tibães

Clemens in Nuremberg Eck, 1997
© Nan Goldin


Últimos dias para ver a exposição de Nan Goldin na Galeria Mário Sequeira (Quinta da Igreja, Parada de Tibães, Braga). O conjunto de 40 imagens representa o trabalho intimista e cru desenvolvido pela fotógrafa americana ao longo das últimas três décadas.

Nan Goldin é uma apaixonada historiadora do amor na era da sexualidade fluida, do glamour, da beleza, da violência, da morte, da intoxicação e da farsa. Uma atenção invulgar e atracção pelo drama e pelos lugares comuns da vida estruturam as suas fotografias. Tendo recebido uma câmara quando era adolescente, Goldin começou imediatamente a fotografar os que a rodeavam, um gesto bastante simples mas que se combinou com um sentido de história.

Ao capturar o presente, Goldin sabia, instintivamente, que aquele registo acabaria por produzir um passado. A partir do fluxo da experiência, captura momentos que, cumulativamente, contam histórias de amor, de amizade, de desejo e das suas ressacas. A sua câmara congela as idas e as vindas da experiência social do desejo; o amor e o ódio nas relações íntimas; momentos de isolamento, auto-revelação e adoração.

No trabalho de Goldin, a vastidão da experiência condensa-se em incidentes recordados: o fluxo e o tempo da vida podem ser capturados em imagens dos dias e das noites de pessoas conhecidas. Apesar de uma imagem isolada poder ser devastadora na sua intensidade e beleza, tal como um novelista ou um realizador de cinema, ela pensa simultaneamente em imagens isoladas e em sequências de imagens interligadas que formam uma narrativa.

Tendo intuitivamente desenvolvido o seu ponto de vista a partir de instantâneos dos seus amigos, Goldin encontrou no igualmente amador passatempo dos diapositivos a resposta para a sequenciação e edição de imagens. E descobriu então que o seu interesse pela fotografia residia na criação de narrativas imagéticas.

Ao longo da sua carreira, Goldin registou também espaços sem pessoas: paisagens, cenas urbanas e interiores. Seguindo uma tradição da fotografia que deixa o espaço físico funcionar como metáfora de um estado de espírito, Goldin elaborou um caminho alternativo baseado nas suas próprias viagens pela vida. De várias maneiras, utiliza o vazio destes espaços como uma metáfora da perda.

Nan Goldin é uma retratista de almas. Vê através dos olhos dos seus retratados, em ambas as direcções, e a sua visão inclui amigos, amantes, artefactos, roupa, quartos: o contexto da alma. Ela revê-se nos seus temas; as portas entre a sua vida e o seu trabalho estão sempre abertas de par em par. (...)

(fonte: Galeria Mário Sequeira)

Galeria com fotografias da exposição aqui

Nan Goldin
Galeria Mário Sequeira
Quinta da Igreja, Parada de Tibães, Braga
Até 4 de Maio

23 abril, 2009

Bandeira e multidão, dois símbolos nacionais

© Laszlo Balogh/Reuters


Eduardo Cintra Torres

A fotografia de Laszlo Balogh, da Reuters, mostrando uma bandeira e uma multidão de manifestantes húngaros exigindo eleições antecipadas, no passado dia 5 de Abril, é uma ilustração perfeita da relação próxima entre a bandeira e a multidão como símbolos nacionais.

Quase toda a fotografia é ocupada pela bandeira com as cores da Hungria. No pano estão bordados os dizeres Gloria Victis 1956, glória aos vencidos da revolução de 1956, reprimida pela União Soviética. A bandeira tem o mesmo formato e orientação da fotografia: é como se pudessem coincidir, como se um momento antes a bandeira tivesse coincidido inteiramente com a imagem. Mas não. O momento decisivo foi este em que se cria uma narrativa de reportagem (de acção) que inclui no canto inferior esquerdo a mão que segura o pau de bandeira e no canto oposto, dominando em altura, uma bandeira oficial do país.

O que torna originalíssima esta imagem é que a a bandeira Gloria Victis 1956 está aberta ao centro: tem um buraco que coincide com os limites da representação em mapa da Hungria. E, através do buraco, vê-se a multidão de manifestantes. Há, assim, uma raríssima coincidência entre a bandeira, a multidão nacional (e neste caso nacionalista) e o mapa do país. Três em um. Perde-se quase a percepção da perspectiva e os manifestantes transformam-se em tecido da bandeira.

A relação entre a multidão e a bandeira tem sido muito frequente na arte, na fotografia e na publicidade desde que Eugène Delacroix pintou A Liberdade Guiando o Povo no 28 de Julho de 1830. Escrevi sobre esta relação num texto muito ilustrado publicado na revista online Observatorio (OBS*) com acesso directo por aqui.

deserto

© David Zimmerman


O americano David Zimmerman venceu o L’Iris D’Or para o Fotógrafo do Ano no Sony World Photography Awards 2009, um prémio já anunciado em Cannes no fim da semana passada. A imagem com que Zimmerman arrecadou o galardão principal do concurso estava incluída na categoria Paisagem e revela a limpidez árida do deserto do sudoeste americano, um ecossistema considerado frágil.

“A minha documentação destes notáveis desertos espalhados pelo Arizona, Novo México, Califórnia e Nevada é um esforço continuado para influenciar a preservação destes locais através da consciência, opinião e intervenção pública”, afirmou Zimmerman na cerimónia de entrega do prémio.

O Honorary Judging Committee é composto por 12 membros do World Photography Awards Academy. Bruce Davidson, representante do Honorary Judging Committee, afirmou: “Vivemos numa era de consciência ambiental. É também a era da imagem. Ambas podem co-existir para nos dar uma perspectiva mais clara do uso e abuso dos nossos amados oceanos profundos e terra firme, que se encontram bem mais em risco do que nos atrevemos a admitir. As fotografias de David Zimmerman conseguiram fazer coincidir imagem e significado. Na sua perspectiva sensual e determinada, tomamos consciência de onde como seres humanos nos encontramos no percurso das areias ao longo do tempo”. Para Mary Ellen Mark, esta imagem transmite “uma visão única de beleza, poesia, e de poder, possível numa soberba fotografia de paisagem”.

Na mesma ocasião, o fotógrafo francês e anterior presidente da Magnum Photos Marc Riboud foi reconhecido com o Prémio 2009 Lifetime Achievement Award entregue por Elliott Erwitt.

22 abril, 2009

Amor Cachorro

© Jordi Burch

O fotógrafo do colectivo [kameraphoto] Jordi Burch participará num debate no dia 23 (21h30) sobre um dos seus mais recentes trabalhos, Amor Cachorro, em exposição na galeria P4Photography. Participarão na conversa Ricardo J. Rodrigues, jornalista, e Luís Trindade, director da P4. Amor Cachorro faz um retrato de "mulheres que amam demais" que fazem parte da associação MADA-Mulheres, sediada em S. Paulo, no Brasil. O projecto de Jordi Burch cruzou-se com as palavras da jornalista Marí­lia Gabriela no livro Eu que amo tanto.

Para ver mais fotografias de Amor Cachorro clique aqui

Amor Cachorro, de Jordi Burch
Galeria P4, R. dos Navegantes, 16
Até 20 de Maio

21 abril, 2009

Ballén

© Roger Ballén

Vale a pena olhar para a galeria de imagens de Roger Ballén (n. 1950, EUA) divulgada pelo site do PHotoEspaña. Ballén é um dos formadores deste ano do programa Campus PHE Grandes Maestros organizado pelo festival que inclui também Patrick Faigenbaum, Jim Goldberg, Ángel Marcos, Rosângela Rennó, Stefan Ruiz, Alessandra Sanguinetti, Stephen Shore e Neil Stewart.

Saiba mais sobre o trabalho de Ballén aqui

This day of change

João Pedro Marnoto, Hope
© João Pedro Marnoto


A tomada de posse de Barack Obama, no dia 20 de Janeiro, foi registada à exaustão. As agências de fotografia esgotaram recursos e técnicas para que a grandiloquência do momento escapasse pouco ao testemunho fotográfico. Talvez para tentar fugir à fatalidade que confina a fotografia a um tempo e a um espaço e à noção de que esse pedaço de realidade estaria saturado de imagens-tipo, os responsáveis da Courrier Japon (homóloga nipónica da revista mensal Courrier International) lembraram-se que talvez fosse interessante alargar a outras geografias o olhar para este acontecimento, apenas com um mote comum - Esperança. A pedido da Courrier, 132 fotógrafos espalhados por 79 países captaram imagens do dia em que Obama se tornou Presidente dos EUA. João Pedro Marnoto (n. 1975, Porto) foi o fotógrafo português escolhido. O portfólio que apresentou revela uma leitura muito particular (duplos significados, ironia, fuga aos referentes mais óbvios) e contrastante com a realidade cinematográfica que foi montada em Washington. A escolha do tema das fotografias era livre. Entre os fotógrafos participantes de outros países contam-se, por exemplo, Martin Parr (GB), Stanley Greene (EUA), Kadir Van Lohuizen (Hol.), Paolo Pellegrin (It.) e Malick Sidibé (Mali).
Parte do resultado deste mega-projecto, baptizado como This Day Of Change, já pode ser visto online. Para o dia 25 de Abril está agendado o lançamento de um livro e no 29 será inaugurada uma exposição no Japão.

This Day Of Change está aqui
Mais trabalhos de João Pedro Marnoto aqui

=ColecçãoàVista= 13

Pablo Ortiz Monasterio, Volando bajo, Cidade do México, México, 1987
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia

Voando

Esta é a imagem preferida de Pablo Ortiz Monasterio. Publicada no seu livro La última ciudad, em 1996, ao qual foi atribuído o prémio Best photographic book prize, no Photographic Spring Festival, em Barcelona, em 1998 e o Gold Eye do Festival des 3 Continents, em França, em 1997.
Este fotógrafo e editor nasceu no México e aí desenvolve o seu trabalho. Desde 1978 já dirigiu 3 publicações sobre fotografia: México Indígena, Río de Luz e Luna Córnea. Estudou Economia, pois “(…) naquela época não havia onde estudar fotografia e de alguma forma pensava que os fotógrafos se faziam, não via a fotografia como uma profissão”. Na actualidade, considera que para ser um artista e fotógrafo melhor não precisa de aprender mais sobre técnica, mas sim, aprender a ser uma pessoa melhor.
(texto:CPF)

20 abril, 2009

pulitzer

© Damon Winter, The New York Times

Os prémios de jornalismo Pulitzer (EUA) foram divulgados hoje. Na fotografia foram distinguidos Damon Winter, The New York Times (Feature Photography), pela cobertura da campanha de Barack Obama, e Patrick Farrell, The Miami Herald (Breaking News), pela cobertura das violentas tempestades que atingiram o Haiti no ano passado.
Uma amostra do trabalho de Winter está aqui
E do de Farrell aqui

© Patrick Farrell, The Miami Herald

19 abril, 2009

platinotipia

Chalabre
© M. Q. Rogado, platinum palladium, 20x25



O Museu Nogueira da Silva de Braga está a organizar o 3º Workshop de Impressão Platinum Palladium (Platinotipia), que deve realizar-se entre 16 e 17 de Maio. As inscrições devem ser feitas até 11 de Maio. Mais informações aqui

A impressão em Platina/Paládio tem uma longa tradição, remontando ao início da história da fotografia, apesar da primeira patente do processo só ter sido registada em Inglaterra em 1873 por William Willis. Uma ampla divulgação sucedeu até à I Guerra Mundial, embora a partir desse período, devido às questões de custo e dificuldade na obtenção de platina e paládio, desviados entretanto para aplicações bélicas, o processo tenha caído no esquecimento até aos princípios dos anos 70. Um artigo da época, do 'master printer' George Tice, publicado num volume da Time-Life Books (1972), fez ressurgir o interesse por este tipo de impressão como especialidade fotográfica na área das “fine arts”.
Fotógrafos como Frederick Evans, Edward Steichen, Paul Strand, Alfred Stieglitz ou Edward Weston, entre outros, foram alguns dos mais importantes utilizadores desta técnica desde o séc XIX. Foi no entanto o grande fotógrafo norte-americano Irving Penn, um dos artistas contemporâneos que mais se destacou, imprimindo com grande mestria em Platina/Paládio, uma parte razoável das suas melhores imagens.
A utilização por fotógrafos portugueses desta técnica de impressão foi muito esparsa no século XIX, sendo igualmente rara no século XX, até aos nossos dias.


Fonte: mqrogado.com

espaço

(© Paulo Ricca/Público)


O Centro Português de Fotografia e o Centro de Comunicação e Representação Espacial da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto estão a promover um workshop em "fotografia do espaço de cidade e arquitectura". A iniciativa vai centrar-se na zona da Ribeira do Porto e decorre entre 4 e 8 de Maio. Mais informações aqui

18 abril, 2009

Riboud

Marc Riboud, Peintre de la tour Eiffel, 1953, Paris
© Marc Riboud


O (meio) século XX de Marc Riboud

Sérgio C. Andrade
(P2, Público, 18.04.2009)

Em Novembro do ano passado, por entre a multidão de jornalistas e correspondentes que acompanharam a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, estava um velho senhor de cabelos brancos, 85 anos, que não quis deixar de registar o acontecimento com a sua câmara fotográfica, como o fizera inúmeras outras vezes, ao longo do último meio século, em diferentes partes do mundo. O fotógrafo em causa é o francês Marc Riboud (n. 1923), um nome fundamental da fotografia do século XX, nomeadamente através da sua ligação à agência Magnum, de Henri Cartier-Bresson e Robert Capa.

Uma exposição retrospectiva da obra de Marc Riboud pode ser visitada em Paris, no Musée de la Vie Romantique, até 26 de Julho. Chama-se O Instinto do Instante - 50 Anos de Fotografia e traça, em mais de uma centena de imagens, o percurso aventuroso deste autor para quem a fotografia, "mais do que uma profissão, foi sempre uma paixão muito próxima da obsessão" (diz ele, na abertura do seu site em http://www.marcriboud.com/).

No museu parisiense estão expostas inúmeras das fotografias mais conhecidas de Riboud (verdadeiros documentos históricos), muitas delas inéditas e outras em provas vintage. Entre elas encontram-se, claro, as do pintor da torre Eiffel - que, em 1953, valeram a Riboud a entrada para o "clube" restrito de Cartier-Bresson e Capa -, e as das duas jovens, empunhando uma flor perante os militares em Washington (1967) e levantando o punho, às costas de um manifestante, nas ruas de Paris (1968), que simbolizaram os importantes movimentos sociais e políticos que marcaram esse final da década de 60, nos dois lados do Atlântico.

Mas a câmara de Marc Riboud fotografou também, antes e depois destas datas, os principais protagonistas e os grandes acontecimentos políticos verificados na China e Índia (anos 50), a descolonização da Argélia e de outros países de África, ou ainda a Guerra do Vietname, ajudando assim a fazer o retrato da segunda metade do século XX.

Ao lado destes registos mais históricos, a exposição dá ainda a ver a faceta mais pessoal e íntima da vida deste "homem honesto e corajoso, poeta tão interessado pelo homem como pela natureza, e com uma sensibilidade sempre vigilante e vibrante de ternura e de humor", diz a escritora Sophie Nauleau, no catálogo que acompanha a exposição.

O Instinto do Instante - 50 Anos de Fotografia, de Marc Riboud
Musée de la Vie Romantique, Paris
Até 26 de Julho

17 abril, 2009

A2008PP

Michael Corridori, da série Angry Black Snake
© Michael Corridori

O fotógrafo australiano Michael Corridore venceu o Aperture 2008 Portfolio Prize, hoje anunciado, com o projecto Angry Black Snake. Para além de Corridore, foram distinguidos os trabalhos de Jowhara AlSaud, Colin Blakely, Joe Johnson, Hector Mata e Elizabeth Pedinotti.
Os portfólios vencedores podem ser vistos aqui

comemorar o furo


Mariana Roxo, untitled, Lisboa, Portugal, Worldwide Pinhole Photography Day 2007
© Mariana Roxo


Assinala-se no dia 26 de Abril o Worldwide Pinhole Photography Day. O clube Buraco de Agulha e Instituto Português de Fotografia agendaram um encontro para comemorar este dia e divulgar a fotografia estenopeica. As actividades decorrerão entre as 10h00 e as 17h00 no IPF, em Lisboa, e abordarão os seguintes pontos:

»Introdução à fotografia estenopeica
»Razões do crescimento da prática deste processo de fotografia alternativa
»A rede e a fotografia estenopeica - O mundo através de um estenopo (furo)
»Adaptação de câmaras para a realização de fotografia estenopeica
»Construção/preparação de câmaras para a realização de fotografia estenopeica
»Tratamento laboratorial
»Mostra dos trabalhos realizados
»Mostra de diferentes câmaras
»Mostra de fotografia estenopeica
»Apresentação e publicação de fotografias no sítio Worldwide Pinhole Photography Day

Os participantes deverão levar caixas em que a luz não entre (latas de biscoitos, de bebidas, latas de chá).

O Arte Photographica associa-se a esta iniciativa e publicará os trabalhos que forem produzidos durante esta sessão.

LaChapelle

Statue, da série Deluge, 2007
© David LaChapelle

O fotógrafo americano David LaChapelle deu uma entrevista ao The Art Newspaper onde fala sobre a sua obra, a sua maneira de estar na fotografia e sobre a retrospectiva que tem patente no La Monnaie de Paris, anunciada como a maior exposição do artista jamais realizada em França. Aqui

If I could choose any period to have been an artist, it would definitely be the Baroque

David LaChapelle

 fotografiafalada


August Sander, People of the 20th Century, 1929
© Die Photographische Sammluny/SK Stiftung Kultur, Colónia

O projecto de retratos de Sander para a república de Weimar é um grande monumento da fotografia do século XX. Estabelece um método de trabalho meticuloso e é um dos fundadores da fotografia tipológica. Para ele, uma imagem é sempre insuficiente. O importante era o projecto, a estrutura de trabalho. É esse aspecto que se tenta sublinhar nesta exposição. Não se tratava apenas de incluir boas ou grandes imagens, bons ou grandes autores, mas de compreender métodos de trabalho, produção de conhecimento e de estruturas de arquivo. O arquivo é justamente isso – a produção de conhecimento e de saber.

(Jorge Ribalta, P2, Público, 14.03.2009)

Arquivo Universal - A condição do documento e a utopia fotográfica moderna
Museu Colecção Berardo, Centro Cultural de Belém, Lisboa
Até 3 de Junho

16 abril, 2009

Merce

Merce Cunningham
© Barbara Morgan


Ainda a propósito de fotografia e dança: o bailarino e coreógrafo Merce Cunningham, um dos nomes maiores da dança do século XX, faz hoje 90 anos. Fixei mais o olhar nesta fotografia de Barbara Morgan. Interessa-me a impossibilidade deste movimento tornada possível pela fixação fotográfica. E interessa-me a suspensão neste gesto de clamor que associamos à superfície, ao chão, ao solo. Merce não acusa a gravidade e faz-nos levitar.

imagem da morte

© Brendan Smialowski/Bloomberg News

O poder político americano dos últimos 18 anos negou a existência de imagens de repatriamentos de soldados mortos em combate no estrangeiro. A interdição começou com Bush pai numa tentativa de tornar menos presente (e real) a morte de tropas dos EUA em cenários de guerra. Com a chegada de Barack Obama à Casa Branca, a atitude da Administração americana em relação a este delicado tema mudou substancialmente. Logo nas primeiras semanas depois de ter sido eleito, os jornalistas perguntaram ao Presidente se iria rever esta interdição. Obama disse que sim, mas não se comprometeu. No entanto, na semana passada os media foram informados que podem voltar registar estas operações de repatriamento que decorrem na base aérea de Dover. A decisão não é consensual, como bem mostra Kathleen Gomes no texto A América já não esconde os seus soldados mortos que assina no P2. Aqui


O que importa perceber é: o que é que as imagens dos jornais fazem? Provavelmente dirá que elas informam. Mas, de certo modo, não é assim. Elas sublinham ou reforçam o que já sabemos.

Tim Hetherington, P2, Público, 12.04.2009

 
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