06 março, 2009
Babelia
O último número do Babelia, o inspirado suplemento cultural do El País, está bem recheado de artigos relacionados com fotografia:
#Alberto Martín critica as exposições de Rineke Dijkstra (Holanda, 1959), Jonathan Hernández (México, 1972) e Paul Schütze (Austrália, 1958);
#Fietta Jarque fala sobre o peculiar mundo de Miroslav Tichý;
#Santiago Belausteguigoitia escreve sobre o fotógrafo israelita Ilan Wolff e a sua opção por uma técnica fotográfica que remonta à pré-fotografia.
escolher
Agnès Sire, Helena Almeida e Paul Wombell são os nomes escolhidos para o júri de premiação do BES Photo 08. Agnès Sire é directora da Fondation Henri Cartier-Bresson e curadora independente; Helena Almeida, artista e vencedora da 1ª edição BES photo; e Paul Wombell, curador independente. O vencedor será decidido no dia 8 de Abril entre um destes três nomes: André Gomes, Edgar Martins e Luís Palma. A inauguração da exposição no Museu Colecção Berardo está agendada para o dia 23 de Março.
Estas são as exposições pelas quais os artistas foram seleccionados:
#André Gomes, Macha, Teatro Municipal de Almada (5 a 27 de Maio de 2007) e no Centro de Artes Visuais, Coimbra (3 de Novembro de 2007);
#Edgar Martins, Topologies, Centro de Artes Visuais, Coimbra (3 de Novembro – 28 de Fevereiro de 2007);
#Luís Palma, Territorialidade, Galeria Presença, Porto (7 de Janeiro a 27 de Fevereiro 2008)
03 março, 2009
Arquivo Universal
Está agendada para terça-feira no Museu Colecção Berardo a abertura ao público da exposição Arquivo Universal - O documento e a utopia fotográfica que reúne mais de mil fotografias, revistas, filmes e documentos. As obras escolhidas têm um lastro temporal muito alargado: entre 1851 e 2008.
Produzida originalmente pelo Museu d'Art Contemporani de Barcelona (MACBA), em co-produção com o Museu Colecção Berardo, Arquivo Universal propõe uma análise alargada "à noção de documento na história da fotografia a partir do estudo e encenação de uma série de debates sobre o género, ao longo do século XX".
O texto de divulgação da exposição revela ainda o seguinte:
“(...) Abordando várias hipóteses sobre os significados e mecanismos do género documental, (Arquivo Universal) traça um itinerário histórico que vai do início da hegemonia da fotografia na imprensa ilustrada, no primeiro terço do século XX, até à alegada crise do realismo fotográfico na era digital, no final do século. A exposição não pretende, no entanto, delinear uma história do género, nem esgota as suas definições possíveis, mas tenta, em vez disso, estudar a forma como tem sido constituído o documento fotográfico – de uma forma consistentemente polémica e ambivalente – em determinados contextos históricos. Desde que Grierson, fundador do movimento documental britânico no final dos anos 1920, definiu o documental como o 'tratamento criativo da actualidade', este género tornou-se a essência dos discursos sobre o realismo na fotografia e no cinema. Não obstante, os conceitos de documento e documentário adquiriram diferentes significados no decorrer do século XX. A complexidade das suas definições deve-se ao facto de que estes conceitos se inscrevem na filosofia do Positivismo, que une o conhecimento científico ocidental, e estão imbricados em campos discursivos e artísticos tão diferentes como as ciências sociais e naturais, o direito e a historiografia.”
A exposição, patente até 3 de Maio, divide-se em três grandes núcleos: As Políticas da Vítima; Espaços Fotográficos Públicos; e a noção da fotografia como um instrumento para as ciências sociais e para a criação de arquivos de imagens em projectos históricos.
salta
Os prémios do III Concurso Epson de Fotografia Digital - que, julgo, só este ano incluíram fotografias provenientes de Portugal - foram entregues na última semana em Madrid. Salta, de Álvaro Sánchez-Montañés (Barcelona), foi reconhecida com a distinção máxima.
O júri era composto por Claude Bussac, directora da PhotoEspaña; Naia del Castillo,
artista multidisciplinar; Lola Garrido, comissária; Enric Galve, presidente
do Salão Sonimagfoto e gestor da EGM Laboratorios Color; Manuel López, director da
revista Foto; Sérgio Mah, professor e comissário de fotografia; e Juan Coromines,
presidente e director geral da Epson Ibérica. Ao todo, o concurso dividiu 30.000 euros em prémios. Entre as distinções principais, há apenas uma imagem enviada de Portugal reconhecida com uma menção honrosa: Saiu p’rá rua de Luís Flores (Lisboa).
A lista com todos os vencedores está aqui
=ColecçãoàVista= 7
Frits Eisenloeffel (1944-2001), Cabo Verde, s/dataColecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia
Tempo de libertação
Frits Eisenloeffel, holandês, formado em Ciências Políticas e Sociais, exerceu jornalismo de imprensa para movimentos de resistência e independência. O uso da fotografia na ilustração dos seus artigos, traçou-lhe a carreira paralela de fotojornalista. Produziu imagens sobre África e as ex-colónias portuguesas, Portugal e a Revolução dos Cravos. As temáticas abordadas e as inclinações políticas e sociais permitiram-lhe o acesso ao interior dos grupos de esquerda. Conviveu com os emigrados portugueses em Paris que recusavam a incorporação para a Guerra Colonial. Teve assim conhecimento da Revolução de 25 de Abril de 1974, da descolonização em África, e do Movimento das Forças Armadas portuguesas. Depois de ter percorrido África na fase da descolonização, e produzido reportagens de sensibilização dos problemas aí vividos, acaba por regressar à Holanda.
(texto:CPF)
02 março, 2009
/uma fotografia, um nome\
“Os fundos negros, deliberadamente produzidos no exterior da figuração, já são comuns nas imagens de retrato do naturalismo fotográfico. Há uma famosa imagem de Alvin Langdon Coburn, de 1906, retratando o polémico escritor Henry James, tão nu como a estátua de “O Pensador” de Rodin que imita e tão rodeado do negro que muito lhe convém.
Mas é no modernismo já moderado de Edward Weston ou Imogen Cunningham que pensamos quando queremos encontrar os antecedentes desta interesseira forma de destacar a figuração.
Os efeitos técnicos da lâmpada de magnésio definem, no fotojornalismo, a noite americana e acrescentam-lhe aquela característica barroca da focagem da cena no interior de um espaço iluminado; este dramatismo, não sendo novo, terá enorme êxito na imagem de imprensa e ajuda-nos a entender o espaço intervalar da cultura entre as duas guerras, que anuncia a banalidade do mundo. O que é comum a todas estas aproximações de uma forma de destacar é a pretendida coincidência entre o exterior e o modo como se organiza e mantém a imagem na nossa vida interior, na nossa evocação.
Por isso falo em cenário barroco. Nesta imagem de Rosa Reis, de esvaimento do corpo, apenas vemos a esforçada expressão do músico e a clarividência minuciosa do instrumento musical, que se impõem pela exuberância de uma luz quase errática. Rosa Reis - que conjuga de forma muito pessoal o humanismo do retrato e do grupo com a eleição da forma produzida pela luz e pela sombra - usa aqui do minimalismo figurativo que o branco parece percorrer na forma fluida do reflexo do metal. E, mais do que em qualquer outra das suas imagens desta série, é o jazz que aqui se contempla, essa colonização da alma que apenas necessita de vagos suportes visuais. A impressão recebida conota-se com a do barroco, é sugestão e ocultamento e toda a figuração, incompleta e fugidia está decisivamente encenada para destacar visualmente o ritmo
que sugere.
O neo-barroquismo que trata da obsessão e transporta consigo o efeito egípcio, (a plenitude do tempo incorporada no momento presente, com uma narrativa mítica sem fim) é uma forma de reagir à linearidade do “actual”. O actual está firmado na legenda da imagem, (denominação e data) e indica o arquivo e armazenamento que hoje nos são tão caros. Mas a imagem não pertence a um acerbo de TV ou vídeo, que permitem o regresso do actual como presente, como reportório. Hoje, como sabemos, com a banalização destes registos, o passado é uma coisa que pode voltar, que é sempre um presente potencial. O efeito egípcio pertence à nossa mentalidade, sabemos bem que nada se pode apropriar exclusivamente do tempo e ninguém pode estabelecer com o tempo actual uma verdadeira relação de co-presença. Na imagem de Rosa Reis joga-se o tempo do jazz, aquele sopro que adivinhamos, porque a imagem tende a isso mesmo, permitir-nos essa apropriação de sentido e de evocação. E, para isso, nada melhor do que esta encenação de luz e sombra que tornam intermitente volumes e figurações, esta relação de orgânico e inorgânico, de permutabilidade que é também a ilusão de som e imagem. Tudo nesta imagem de Rosa Reis se revela e combina entre si, tudo se mistura num espectáculo de possessão.E o conceito, sendo um limite, não se define.”
Maria do Carmo Serén
Rosa Reis, fotógrafa independente e free-lancer,
vive em Lisboa e tem dezenas de álbuns publicados.
01 março, 2009
aprender
O Atelier de Lisboa, Escola de Fotografia e Centro de Artes Visuais, tem mais dois cursos prestes a começar: Fotografia Contemporânea, a 11 de Março, orientado por Bruno Santos, e Linguagem Fotográfica 1, a 17 de Março, orientado por Bruno Pelletier Sequeira. Os programas de estudos estendem-se por 8 semanas ao ritmo de uma sessão por semana (quartas-feiras, em horário pós-laboral).
Mais informações sobre os cursos e programas completos aqui
POYi
Já são conhecidos os vencedores da 66ª edição dos prémios Pictures of the Year International organizados pelo Donald W. Reynolds Journalism Institute, da Missouri School of Journalism, dos EUA.
Emilio Morenatti, da Associated Press, venceu na categoria Newspaper Photographer of the Year, e Uriel Sinai, da Getty Images, foi reconhecido com o Magazine Photographer of the Year.
A lista de vencedores e os trabalhos galardoados podem ser vistos aqui
27 fevereiro, 2009
Walker Evans
À procura da realidade pura e dura
(P2, 27.02.2009)
As letras abandonaram Walker Evans (St. Louis, EUA, 1903-1975), mas Walker Evans nunca abandonou as letras. O falhanço como artífice da palavra escrita, depois de uma passagem pela Sorbonne, em Paris, em 1926, abriu caminho ao inventor do estilo documental na fotografia e ao defensor da imagem fotográfica como "documento lírico, poético" que, além de fazer o registo e a descrição da realidade, consegue criar uma linguagem particular, carregada de signos, ícones e símbolos.
Ao mesmo tempo que lutava por autonomizar as fotografias em relação aos textos que as acompanhavam, no começo dos anos 30, Evans escolhia como principal sujeito das suas imagens justamente as letras que no começo o desdenharam e depois o apaixonaram ao ponto de se ter tornado coleccionador dos reclames originais de papel, lata, madeira ou ferro, que foi registando em película ao longo da carreira. Ou seja, uma dupla apropriação da realidade ou a experiência fotográfica levada ao extremo.
A obsessão pela plasticidade gráfica das letras é apenas uma faceta da obra de Walker Evans presente na grande retrospectiva que agora pode ser visitada na Fundação Mapfre, em Madrid. Uma selecção de mais de uma centena de fotografias - a maior parte das quais são cópias vintage (de época) ou foram reproduzidas com o controlo do próprio autor - traçam o percurso criativo de um nome fundamental para a história da fotografia e raramente visto de maneira coerente e abrangente fora dos Estados Unidos. Organizada a partir de uma colecção privada de alguém que preferiu manter-se no anonimato, a exposição abrange um período que vai desde 1928 até 1975, quase cinco décadas de produção preenchidas com imagens directas, de abordagem apolítica e despidas de artifícios de estilo.
O conjunto está dividido em cinco etapas que correspondem a outros tantos períodos cronológicos. O percurso começa com o deslumbramento com as geometrias da cidade, em Nova Iorque. Passa para um trabalho em Havana, Cuba, onde o fotógrafo se concentra mais nos rostos e na rua. Surgem depois as imagens do tempo em que esteve ao serviço da Farm Security Administration (FSA), uma agência do Governo Federal criada para registar a forma como parte da América, sobretudo o Sul, enfrentava as consequências da Grande Depressão que se seguiu à crise de 1929. É considerado um dos períodos mais marcantes da obra de Evans. Do contacto com o país profundo mergulhado na miséria, na melancolia e na fome nascem algumas das fotografias mais icónicas do seu trabalho. Despedido da FSA por não alinhar na tentação política do projecto, começa a fazer retratos de improviso no metro de Nova Iorque com uma máquina escondida no casaco. Estes rostos soturnos em desalinho formam a quarta etapa. Na última parte da exposição, mais uma opção experimental - as polaróides a cores.
Evans abandonou o preto-e-branco, mas nunca abandonou as letras, inclusive as do seu nome. A representação do "W" foi uma das últimas imagens que captou em vida, em 1975. O "W" de outro americano mais próximo dos nossos dias ainda está bem presente. Como parecem do presente muitas das imagens da América da incerteza e da esperança do New Deal do Presidente Roosevelt, que tentou forjar um novo país, a partir de novos paradigmas. Como também agora se tenta fazer.
26 fevereiro, 2009
=ColecçãoàVista= 6
Miguel Chikaoka (1950), São João, Porto, Portugal, 2000Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia
O São João no Porto é uma festa emblemática da cidade. Na noite de 23 para 24 de Junho a cidade transforma-se. O fotógrafo Miguel Chikaoka, fundador da Associação Fotoativa, passou por aqui e viveu a festa. A série de imagens daí resultantes, havia sido encomendada pelo CPF no ano 2000. Pretendia-se um trabalho que nos desse a visão do outro, dado que a mesma encomenda foi efectuada a mais dois fotógrafos estrangeiros: Adriano Heitmann, em 1998 e a Carel Van Hees, em 1999. Nesta fotografia assistimos ao momento final - o amanhecer nas praias da Foz - depois de uma longa noite de folia a deambular pelas ruas da cidade, começando pela sardinhada, o alho-porro, hoje substituído pelos martelinhos, e, não menos simbólicas as rusgas e cantigas. A fogueira na praia é o fim da festa. Dali volta-se para casa já durante a manhã de 24 de Junho.
(texto:CPF)
25 fevereiro, 2009
Leibovitz nas lonas
Parece Annie Leibovitz, o papa do retrato de celebridades, está com problemas de liquidez, que é como quem diz não tem dinheiro para pagar as contas. Solução: meteu no prego propriedades e parte da obra (direitos de autor, negativos das fotografias incluídos). A contrapartida da Art Capital - que funciona como uma espécie de casa de penhores para artistas de renome nas lonas - é um empréstimo de 15 milhões de dólares (cerca de 11,7 milhões de euros).
O New York Times publicou um texto revelador sobre o assunto aqui
E o Guardian também aqui
leão para Baldessari
John Baldessari foi reconhecido com o Leão de Ouro de carreira da Bienal de Arte de Veneza, que decorrerá em Junho em Itália. Para além de Baldessari, a japonesa Yoko Ono receberá igual distinção. Para o curador geral da bienal, Daniel Birnbaum, o galardão servirá para prestar homenagem "dois artistas cujo trabalho de vanguarda permitiu novas possibilidades de expressão poética, conceptual e social para os artistas de todo o mundo que se exprimem através de todo o tipo de linguagens". Ono e Baldessari receberão o prémio a 6 de Junho, na abertura da bienal, que este ano é dedicada ao tema Making Worlds.
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As primeiras obras de John Baldessari (National City, Califórnia, 1931) tentavam estabelecer ligações entre a pintura e outros tipos de linguagens. A partir de 1963 começa a usar o suporte fotográfico e videográfico. A Europa começa a receber os seus trabalhos a partir de 1971. Os seus trabalhos fotográficos exploram e recodificam os universos das imagens cinematográficas televisivas através da montagem, da descontextualização e da desconstrução. Boa parte da sua matéria prima tem origem em filmes de série "B". O estatuto e o impacto das imagens mediatizadas estão no centro da sua reflexão conceptual. Tem no currículo mais de 200 exposições individuais e mais de 900 colectivas.
(fonte: Dictionnaire Mondial de la Photographie, Larousse)
A página de John Baldessari está aqui
24 fevereiro, 2009
classificação experimental
Há uma exposição de fotografia em Lisboa a criar furor entre a crítica especializada: Trabalho de Campo, de Jochen Lempert. A primeira mostra do artista alemão em Portugal questiona os limites do suporte fotográfico e maneira como a experimentação deste meio transforma a percepção que temos das formas e da natureza.
A crítica que Óscar Faria escreveu no Público está aqui
Este é o texto de apresentação do curador Miguel Wandschneider:
“Antes de eleger a fotografia como medium do seu trabalho artístico, Jochen Lempert (Moers, Alemanha, 1958) dedicou-se intensamente, entre 1979 e 1989, à realização de filmes experimentais no âmbito do colectivo Schmelzdahin. Paralelamente, entre 1980 e 1988, fez os seus estudos universitários em Biologia. De ambas as actividades ficariam traços indeléveis no seu trabalho fotográfico. Este distingue-se, desde logo, pela escolha do assunto: a vida animal, que o artista investiga com um olhar informado e uma curiosidade insaciável, nas suas diferentes formas e nos mais diversos contextos (do habitat natural ao museu de história natural, do jardim zoológico ao meio urbano), mas também nas suas manifestações e representações na vida quotidiana e na cultura material. A este interesse pela vida animal como assunto alia-se uma exploração das propriedades e da materialidade da imagem fotográfica. Jochen Lempert fotografa com uma câmara de 35 mm e a preto e branco, escolhe deliberadamente papéis que não se conformam aos padrões profissionais e tira partido, de forma prodigiosa, do processo de revelação. O seu trabalho define uma posição artística solitária, discretamente construída sem qualquer concessão às tendências e aos cânones dominantes na fotografia contemporânea.”
Miguel Wandschneider
Trabalho de Campo, de Jochen Lempert
Culturgest, Lisboa
Até 10 de Maio
*Miguel Wandschneider fará visistas guiadas à exposição nos dias 28 de Fevereiro e 21 de março
aristocracia+fotografia
As mostras exclusivamente organizadas na rede proliferam (ainda há dias Luís Maio escreveu na Fugas sobre essa nova maneira de organizar e ver exposições de todas as épocas e de todos os universos artísticos). A Sección Nobleza del Archivo Histórico Nacional de Espanha juntou dezenas de imagens que revelam o profundo enamoramento entre a nobreza espanhola e o suporte fotográfico entre 1845 e 1945.
Para visitar Atrapados en Blanco Y Negro clique aqui
Artigo do El País sobre a exposição aqui
23 fevereiro, 2009
“entre aspas”
21 fevereiro, 2009
DBPP countdown
White Tiger (Kenny), Selective Inbreeding, Turpentine Creek Wildlife Refuge and Foundation, Eureka Springs, Arkansas© 2007 Taryn Simon/Cortesia Steid/Gagosia
O crítico do Guardian Adrian Searle visitou a exposição da Photographers' Gallery onde estão os quatro finalistas do Deutsche Börse Photography Prize: Paul Graham (1956, GB); Emily Jacir (1970, Pal.); Tod Papageorge (1940, EUA); Taryn Simon (1975, EUA).
O vencedor será anunciado no dia 25 de Março.
O vídeo de Searle está aqui
20 fevereiro, 2009
=ColecçãoàVista= 5
W. Eugene Smith (1918-1978), Pittsburgh, 1955Colecção Nacional de Fotografia, CNF 1067 © Centro Português de Fotografia
Pittsburgh
Eugene Smith fez as suas primeiras fotografias entre 1933 e 1935. Em 1937 muda-se para Nova Iorque onde trabalhou para a revista Newsweek até 1938. A sua entrada no mundo da fotografia coincide com o grande impacto que as revistas ilustradas tiveram na América e que ofereciam ao seu público uma grande diversidade de temas. As suas impressões fotográficas são marcadas por diferenças muito subtis nas tonalidades e possuem focos brilhantes onde os intensos negros contrastam com o efeito produzido através da aplicação local de descorantes. É convidado pelo jornalista Stefan Lorant a produzir 100 fotografias sobre o renascimento de Pittsburg, mas Smith pretendia retratar a cidade industrial e a sua vivência, o resultado foram 2000 imagens de um total de 10.000 negativos.
(texto:CPF)
18 fevereiro, 2009
*Três perguntas a...
Runcorn (2007), da série Subtopia, The New Towns Archive (work in progress)
© Paulo Catrica
Paulo Catrica nasceu em Lisboa, em 1965. Tem formação em fotografia da Ar.Co (Lisboa) e do Goldsmith’s College (Image & Communication, University of London). Tem também formação superior em História (Universidade Lusíada, Lisboa). Foi bolseiro da Fundação da Ciência e Tecnologia, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Centro Português de Fotografia. Expõe regularmente desde 1998 e está representado em várias colecções de fotografia públicas e privadas. Mostra actualmente no Silo-Espaço Cultural (Porto) o projecto ReHospitalidade: H08, um conjunto de imagens sobre os espaços frios e impessoais de alguns hotéis londrinos.
Por que é que fotografas?
É uma pergunta ambígua, aparentemente simples e terrivelmente complexa tal como o são as fotografias.
As fotografias são um modo de me relacionar com um conjunto de interesses que me fascinam e interrogam. E confesso que gosto que outros olhem para as coisas como eu as vejo.
Faço fotografias de lugares, em torno da ideia de apropriação da paisagem, da maneira como a vivemos quotidianamente. Interessa-me o modo como a paisagem é pensada e desenhada como é consequência de uma conjuntura ideológica, económica e social.
As fotografias por vezes respondem a assuntos sobre os quais pretendo reflectir, outras talvez por curiosidade ou intuição são de algo que eu próprio ainda não consigo compreender. Assim, partilho o enigma.
As fotografias que faço estão quase sempre relacionados com os assuntos fotografados - digamos que têm uma abordagem "realista". No entanto, as fotografias constroem um espaço autónomo, afastando-se dos assuntos que tratam, são contraditórias. As minhas imagens pretendem criar um lugar imaginado que às vezes fica perto de coisas que de facto existem, outras vezes não. Acredito na capacidade critica das fotografias, mas outras vezes creio que apenas funcionam como um acto contemplativo.
As fotografias são assustadoramente omnipresentes. Falo de todas as fotografias, as de família, as da parede do museu, as dos jornais, da publicidade... são impossíveis de classificar, incompletas, banais, transversais e por isso tão fascinantes.
Depois de anos a fotografar territórios em desalinho com a paisagem envolvente, o que é que te levou a registar este mundo quase asséptico e irrepreensivelmente aprumado dos hotéis de design?
Esta série H08 que está em exposição no Silo foi criada a partir de uma encomenda para o projecto Allgarve.
A primeira ideia foi tratar a evolução do conceito de hotel, cruzando uma perspectiva cronológica com as tipologias arquitectónicas do moderno - definidas pela História da Arte/Arquitectura. Através de imagens-síntese, umas abstractas outras mais referenciadas, pretendia fotografar alguns dos arquétipos dos hotéis do século XX - como o Savoy, em Londres, o Ritz, em Lisboa, o Infante Sagres, no Porto - e cruzá-los com fotografias de Hotéis indeferenciados, tipo Ibis em parte nenhuma ou os Easy Jet Hotel – menos espaço e sem serviço.
Entendi mais tarde que esta ideia era demasiado próxima do documental, um território com o qual me identifico, mas que no caso se afastava do conceito da exposição. Houve ainda que superar dificuldades logísticas e de produção que se prendiam com o acesso e liberdade total para fotografar. Poderiam resultar se houvesse tempo para as maturar o que envolvia fotografar mais que uma vez em cada um dos cenários escolhidos. Revisitar e re-fotografar são condições que procuro garantir sempre que faço um projecto.
Depois de uma ida ao Zetter, que não conhecia, e de ter visto o Yotel, em Heathrow, decidi concentrar-me apenas em hotéis urbanos desenhados recentemente e onde a arquitectura é indissociável do design. De facto hoje o design de interiores através da manipulação e associação de objectos, recria imagens e atmosferas para tipos de consumidores identificados por estudos de marketing. Mais design e menos arquitectura, a atmosfera sobrepõe-se ao espaço.
A imagem para estes lugares é crucial, todos os elementos são pensados como se fossem intemporais. Não existe espaço para a improvisação, acidente, desgaste ou erosão dos materiais. Uma espécie de exercício, minimalista na procura e barroco na criação.
Mas esta incursão nos hotéis de design foi um desvio. São fotografias de objectos, do design da arquitectura, são imagens de imagens, passe o pleonasmo.
Que projectos te ocupam agora? Vais continuar a olhar para estes lugares de tempo indefinido?
Estou a trabalhar no meu doutoramento, na Universidade de Westminster, em Londres. A investigação associa uma componente prática visual, a outra teórica, ou escrita. A prática trata as New Towns, a paisagem urbana construída no pós Segunda Guerra Mundial, na Grã Bretanha – entre 1946 e os anos 1980 foram construídas 32 novas cidades para responder a necessidades criadas pela guerra: habitação, ordenamento do território e implementação do Estado Social. Na génese, estas cidades condensam elementos das utopias do final do séc. XIX que resultaram na construção das cidades-jardim, com a racionalidade e a funcionalidade do planeamento moderno saídos da carta de Atenas. Ao longo de quarenta anos estes modelos foram-se adaptando às diferentes contingências políticas e históricas e incorporando arquitectos e urbanistas críticos do movimento moderno. Estas cidades são uma utopia de estado, foram criadas por decreto, contemporâneas e semelhantes no ideário a Brasília – não decerto na escala e na ambição.
O meu trabalho pretende construir uma New Town imaginária com fragmentos de sete cidades, correspondendo estas a períodos históricos diferentes. São arquitectura em contexto ou apenas fotografias de paisagem.
A componente teórica pretende reflectir sobre o impacto da fotografia na matriz ideológica da arquitectura e do urbanismo moderno, a ideia de que a paisagem disciplinada e ordenada pode ser regeneradora e projectar um futuro melhor - a new landscape for a better tomorrow. Relacionando a história e a teoria da fotografia e da arquitectura com questões nucleares do pensamento crítico moderno do século XX. Através da análise de fotografias e do seu contexto histórico, como exemplo, as de Charles Marville, Atget, Rodchenko, Bill Brandt, Humphrey Spender ou Luigi Ghirri, ect.
A apresentação final prevê uma exposição, que espero mostrar em diversos locais da Inglaterra e a publicação de um livro, assim a crise o permita.
Estou também a terminar uma monografia de um trabalho que fiz entre 2005 e 2008, com o Teatro S. Carlos. São fotografias que tratam um momento de transição na vida do edifício, uma espécie de estratigrafia ou arqueologia visual do espaço.
Espero, quando voltar a Portugal, recomeçar a fotografar um projecto que explora o conflito entre a tentativa de disciplinar o caótico – os PDMs imaginários e os delírios autárquicos - e apropriação mais ou menos quotidiana que tem na auto-construção a sua essência.
Viver num país pré-moderno pode ser muito saudável, e a paisagem portuguesa é fantástica do ponto de vista da fotogenia. Uma constante surpresa onde o espaço privado invade o público e este não se sabe bem o que é. Em Inglaterra está tudo disciplinado e vedado, o acesso é muito difícil, por isso a paisagem (seja lá o que for) é apenas uma imagem. Fotográfica ou outra.
ReHospitalidade: H08, de Paulo Catrica
Silo-Espaço Cultural, NorteShopping, Porto
Até 28 de Fevereiro
17 fevereiro, 2009
Lynne Cohen na K
[Kgaleria]
Rua da Vinha, 43 A, Lisboa
1 de Março
15 fevereiro, 2009
fotografia+música
Kazuo Ohno (Naoya Ikegami, Tóquio, 1977), The Crying Light, Antony And The Johnsons(© Naoya Ikegami)
O namoro entre a fotografia e a música é antigo. Começou a sério com as capas dos discos de jazz e foi ficando cada vez mais cúmplice com os concertos ao vivo ou com as fotografias promocionais dos músicos.
Nos últimos tempos vieram parar-me às mãos três discos com sonoridades muito diferentes onde a imagem fotográfica se revela com poder através de formatos criativos também muito diversificados.
Em The Crying Light, de Antony And The Johnsons, não é só o retrato de capa do bailarino japonês Kazuo Ohno, de 102 anos, que nos comove - no interior, as imagens de Don Felix Cervantes são igualmente singulares e sedutoras.
Em O Maquinista, projecto a solo do vocalista dos Hipnótica, João Branco Kyron, a fotografia aparece como suporte requintado e parceiro de ambientes. Cada disco é acompanhado com uma fotografia de uma série de quatro imagens originais e numeradas da autoria de Lois Gray (a minha mostra o nevoeiro a abraçar o casario velho e desordenado - obrigado L.)
Em Niña de Fuego, é Buika que pega na máquina para nos mostrar dezenas de auto-retratos onde a pele e o corpo são protagonistas.
14 fevereiro, 2009
ECT sobre os prémios WPP08
O crítico do Público Eduardo Cintra Torres é um espectador atento à criação fotográfica contemporânea e ao fotojornalismo em particular.
Eis o texto que escreveu para o Arte Photographica sobre os prémios World Press Photo 2008 ontem divulgados:
“Não há luz ao fundo da porta do fundo das nossas casas
O Iraque e o Afeganistão desapareceram dos prémios World Press Photo relativos a 2008. Não há entre as fotografias premiadas nada da guerra no Iraque (mas ainda há guerra no Iraque? Esta semana, em Badgad, o movimento do anti-american radical cleric Al-Sadr, como lhe chama a imprensa americana, patrocinou uma boa exposição de pintura contemporânea iraquiana). Do Afeganistão, nada também. E do Médio Oriente, onde ocorreram duros combates entre Israel e o Hamas, chega apenas uma fotografia, anterior ao conflito. É uma imagem de perturbadora beleza: quatro manifestantes palestinos procuram abrigar-se debaixo de uma oliveira isolada enquanto pelo chão se espalha uma nuvem de gás lacrimogéneo; a mancha branca do gás é bela, igual aos farrapos de nuvens verdadeiras no céu azul com que parece misturar-se, o nevoeiro lacrimoéneo quer esconder o mal que alberga; e a oliveira, tão bonita, símbolo de paz, no meio da pequena clareira onde o gás ainda não chegou, parece o antídoto contra o gás venenoso, mas, na sua velhice, enrosca-se em si mesma, dando um movimento adicional à imagem que nos diz como a paz é torta e difícil naquele lugar. A fotografia não ganhou o primeiro prémio, nem as fotografias do conflito mais ilustrado deste ano, o da guerra na Geórgia, que aos tanques e militares preferiram gente que chora mortos: o fotojornalismo, como a pintura desde pelo menos a Segunda Guerra Mundial, não quer saber de vitórias militares, apenas vê derrotas humanas.
É o caso das guerras tribais no Quénia, que motivaram imagens premiadas, fotografias extraordinárias que mostram que não há ali diferença entre vencidos e vencedores, os que matam e os que morrem são intermutáveis, é terrivelmente difícil sentir pena, apenas se sente horror pelo grau zero a que chega o valor da vida: aquela criança que à porta de casa agita as mãos quando chega o assassino de cacete na mão tem o horror da morte espelhado no gesto.
Há ainda outras guerras destacadas pelos prémios deste ano. São as guerras da natureza contra o homem, a que chamamos catástrofes naturais: um terramoto na China premiou um instantâneo com o primeiro lugar nessa categoria e originou um outro segundo prémio para uma fotografia que parece caótica por nos transmitir o caos da destruição em Beichuan; um ciclone em Myanmar arrancou o terceiro prémio de reportagem; um vulcão no Chile transmitiu toda a beleza da explosão ao primeiro prémio na categoria Natureza. Há também as guerras nas favelas, as guerras de gangues, o terrorismo em Bombaim. E sobra sangue: sangue no desporto (no judo, no boxe), sangue nos chãos de zonas de conflito e sangue que escorre debaixo da manga dum manifestante em Atenas, numa fotografia de impressionante composição: em primeiro plano, à direita, a manga dum blaser, o sangue que escorre pela mão, a mão que segura um dossiê, mão de professor. À sua frente, os escudos da polícia de choque: o sangue é o índice da violência e da irredutibilidade das posições.
Todavia, dentre todas as imagens, o júri escolheu para fotografia do ano a imagem de um polícia dentro de uma casa desocupada. Ele está armado, aponta a arma para uma divisão da casa que não podemos ver. O chão da divisão em que nos encontramos com ele está caótico: caixotes espalhados, lixo, papéis, mobílias velhas. Na parede ao fundo, um aplique torto; na casa de banho pela porta aberta em frente, a mesma desarrumação. Só a legenda nos pode explicar esta imagem marcada por uma violência que já passou (a desarrumação) e por uma violência que poderá chegar (o polícia que se precavê de arma apontada). Esta guerra é outra, diz a legenda: “Economia dos EUA em Crise: depois dum despejo, o detective Robert Kole tem de garantir que os moradores saíram da sua casa. Cleveland, Ohio, 26 de Março”.
Esta guerra chegou ao interior dos Estados Unidos. É mesmo uma guerra, vê-se os indícios dela. E é um drama, vê-se pela composição: a parede do fundo é como um pano de teatro paralelo aos espectadores (nós que vemos a fotografia), há portas como no teatro, há um movimento subtil do polícia, como os dos actores no palco. Há suspense: que poderá acontecer na outra divisão da casa? Estará alguém lá? Imaginamos que a família saiu, de rastos pela miséria que sobre ela se abateu, e vingando-se, deixando o lixo para quem vier a seguir: mas será que a família desesperada se esconde ainda no quarto ao lado?
A composição como de um palco de teatro favorece a organização harmónica, fornecendo a compreensão estética que compensa o caos dos elementos soltos. E essa harmonia é reforçada por um elemento paradoxal: o polícia, que parece estar do lado direito da imagem, por já ter ultrapassado a porta do fundo, está afinal exactamente no centro geométrico da imagem: o colt que traz à cintura marca o ponto em que as diagonais se intersectam.
Lemos as imagens da esquerda para a direita, e aqui essa narrativa só nos promete incerteza e a hipótese de conflito e de medo. Como nos quadros, a luz vem da esquerda, do passado, dos tempos alegres em que a família viveu nesta casa; a escuridão está à frente do polícia e por isso à nossa frente, do lado direito, é o negro para lá da porta, o Adamastor da crise. É para lá que o polícia aponta a arma: para o futuro, para a crise, para uma guerra em potência dentro das nossas casas — aquele vazio negro é o túnel sem luz ao fundo que nos ameaça a todos. Esta fotografia é um ícone da crise que chegou, da crise que está, da guerra das famílias contra a crise, o Adamastor, o monstro negro. É o ícone do fim da era Bush e das suas guerras pelo mundo fora, é o ícone do início da era Obama, da guerra interior com que se vêem a braços milhares de milhões de famílias, empresas, polícias e policiados da América e de cada país do mundo. ”
Eduardo Cintra Torres
13 fevereiro, 2009
12 fevereiro, 2009
Eluana

Eluana Englaro morreu na segunda-feira, depois de 17 anos em estado vegetativo e depois de 11 anos de envolvimento numa batalha legal pela liberdade de decidir o momento do fim da sua vida. Nos últimos dias entrámos na vida desta italiana e ficámos a conhecer o seu sorriso rasgado por imagens de um tempo em que a fatalidade de um acidente de viação ainda não tinha acontecido. Não foram tornadas públicas imagens recentes de Eluana que ilustrassem a condição em que vivia. Desconheço o motivo dessa decisão. Mas seja ele qual for, é certamente herdeiro dos legítimos direitos à imagem e à reserva da intimidade. No entanto, ao olhar para a rapariga escondida atrás da cortina de banho, de chuveiro na mão, ou para qualquer uma das outras fotografias que a família decidiu partilhar, questiono-me se não será mais intrusivo este contacto com momentos da vida de Eluana que, na verdade, não deviam ser chamados para o caso.
três olhares
Haverá poucos lugares públicos onde se cruzam e acontecem tantas experiências pessoais e colectivas como os hospitais. Os fotógrafos Luís Ferreira Alves, Olívia da Silva e Paulo Pimenta foram convidados a registar algumas parcelas desse emaranhado de situações, ambientes e paisagens numa das maiores unidades de saúde do país, o Hospital de São João, no Porto, que comemora 50 anos. O resultado dessas três abordagens pode ser visto até 15 de Março no Centro Português de Fotografia.
Curtos depoimentos sobre a exposição 3 formas de ver:
11 fevereiro, 2009
Fairey vs AP
Parece que vamos ter batalha legal interessante entre a Associated Press e o artista Shepard Fairey a propósito da imagem que inspirou o poster icónico de Barack Obama. Depois do primeiro processo movido pela AP, agora é Fairey que quer que um juiz declare como fair-use a utilização da fotografia do repórter freelance Mannie Garcia. Os advogados do criador do cartaz argumentam que o uso da fotografia foi tomado apenas como uma "referência" para criar uma imagem visual com outros "significados" e "diferentes mensagens". Acho que o caso ainda é capaz de levar o seu tempo até ficar resolvido.
O New York Times conta todos os pormenores aqui
>post relacionado
>>Obama BD
10 fevereiro, 2009
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Valter Vinagre (1954), Carta do Sentir #22, 2000
Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia
Sentir
Valter Vinagre é natural de Anadia e formou-se no AR.CO – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa. Iniciou a sua actividade fotográfica em 1980. O cariz documental marca o início do seu percurso, que viria a ser mais orientado para uma abordagem mais interiorizada da paisagem, dos lugares e das pessoas.
No portfólio Carta do Sentir, o autor mostra o que ninguém vê ou quer saber. Estas imagens são esculturas da natureza, formas puras, fragmentos da paisagem abandonada que parecem ter sido esculpidos com todo o rigor e perfeição.
O sentimento é o elemento de ligação entre nós e estes pedaços de vida que nos transportam para outra dimensão. Nestas paisagens despojadas de sentido é estabelecida a ligação entre a morte e a vida, o esquecimento e a valorização da existência, o on e o off.
(texto:CPF)
09 fevereiro, 2009
images'10
Geert Goiris (vencedora da 6º Grande Prémio Internacional de Fotografia de Vevey), Whiteout, 2008© Geert Goiris
O Festival de Artes Visuais de Vevey, na Suíça, está a receber portfólios candidatos a integrar a sua próxima edição, agendada para Setembro de 2010. Os trabalhos podem enviados até ao dia 30 de Abril por aqui



























