17 dezembro, 2008

glamour + Marilyn

Andre de Dienes (1913-1985), Marilyn Monroe, Tobey Beach, 1949

Marilyn Monroe ainda vende. E bem. No meio de estrelas como Ava Gardner, Raquel Welch, Kim Basinger, Monica Bellucci e Michelle Pfeiffer, foi Marilyn quem mais brilhou na primeira parte do leilão da Christie's Icons of Glamour and Style: The Constantiner Collection que ontem decorreu em Nova Iorque.
O conjunto de fotografias da colecção Constantiner é formado por 320 lotes e inclui alguns dos mais famosos nomes ligados à fotografia de moda e glamour, como Richard Avedon, Irving Penn y Robert Mapplehorpe. Era nas mãos do casal Constantiner que estava a maior colecção privada de fotografias do alemão Helmut Newton.
Uma das figuras mais representadas neste conjunto era Marilyn Monroe, retratada por Andy Warhol, André de Dienes, Tom Kelley, Elliott Erwitt, Eve Arnold, Gary Winogrand, Milton Greene e Bert Stern, autor da mítica sessão de hotel que ficou conhecida como The Last Sitting. O portfolio feito para a Vogue americana estava planeado para sair em Setembro de 1962, quando surgiu a notícia da morte de Marilyn, em Agosto desse ano. A Vogue mudou o texto e transformou a sessão de Stern num tributo.
Pode seguir o leilão da Christie's e os resultados das vendas aqui

movimento + variedade

Robert Frank, The Americans
© Robert Frank

É raro ter este movimento e esta variedade de pessoas na rua. Robert Frank explica no New York Times por que é que esta é uma das suas fotografias preferidas da sua obra-prima The Americans, que está a comemorar 50 anos.

identidade

Robert Capa, A Morte de um Miliciano, 1936


À dúvida cíclica sobre a teatralização do momento da mais conhecida fotografia de Robert Capa e da Guerra Civil de Espanha segue-se agora o desmentido da teoria segundo a qual o miliciano que tomba no terreno se chama Frederico Borrell García. O documentário La Sombra del Iceberg, rodado por Hugo Doménech y Raúl M. Riebenbauer, demonstra através de documentos e testemunhos que a identidade deste soldado não era afinal um dado tão certo quanto se queria fazer crer. O filme estreia na sexta-feira em Espanha.
O El País publicou um artigo sobre este assunto que pode ser lido aqui

Armengol + saldos

Manel Armengol, Ropa estendida no Bairro del Carmelo, Espanha, 1976
© Manel Armengol


A coordenadora da Fundación Foto Colectania em Portugal, Filipa Valladares, vai fazer no sábado (às 15h30, entrada gratuita) uma visita guiada à exposição Manel Armengol - Transições, 70s em Espanha, China, Estados Unidos, patente no Arquivo Fotográfico Municipal, em Lisboa.
No mesmo dia, o Arquivo e a Foto Colectania promovem uma feira do livro de fotografia com descontos que podem ir até aos 50 por cento.

>Post relacionado
>>Transições

Transições, 70s em Espanha, China e Estados Unidos, de Manel Armengol
Arquivo Municipal de Lisboa/Arquivo Fotográfico
Rua da Palma, 246
Até 30 de Janeiro

16 dezembro, 2008

agir

Porto
(© Espólio Fotográfico Português)


Foi lançada ontem no Palácio da Bolsa do Porto a empresa Espólio Fotográfico Português que tem à sua guarda mais de 500 mil imagens da antiga Casa Beleza, que esteve instalada naquela cidade durante mais de meio século. A iniciativa de comprar o arquivo da Beleza, formado maioritariamente por fotografias das décadas de 20, 30, 40 e 50 do século XX, partiu de Mário Ferreira que promete comprar outros espólios representativos da memória visual portuguesa.
Durante o anúncio formal da empresa foi também lançado um livro e o um site, que está preparado para comercializar as cerca de 300 mil imagens já digitalizadas. A edição do álbum e o processo de tratamento de imagens foram orientados por Fernando de Sousa.
A Casa Beleza tinha como principal negócio o retrato de estúdio, por isso é natural que a maior parte das imagens do EFP estejam relacionadas com essa actividade. Mas há também muitas fotografias de paisagem, fotografias de cariz industrial, resultantes de encomendas específicas feitas ao estúdio.
Para além de inédita, a iniciativa do empresário portuense é louvável, porque através dela se contribui para a salvaguarda do património fotográfico português, desde sempre tão mal tratado e tão mal conhecido.

O site (muito bem estruturado e de pesquisa fácil) da Espólio Fotográfico Português está aqui


Douro, barco rabelo
(© Espólio Fotográfico Português)

15 dezembro, 2008

fotografia e vídeo

Ngarambe Rukambika, 49 anos, no hospital de Masisi, Kivu Norte
© Cédric Gerbehaye/Agence Vu

Discutíamos à mesa de um jantar de amigos o que é que hoje tem mais importância na informação que se mostra na Net, se é o vídeo ou a fotografia. A resposta, que parece simples, tem um campo de análise demasiado intrincado e veloz para se poder isolar. E depois há a dificuldade de enquadrar as novas linguagens que se criaram com a junção dos dois suportes num só, onde aparecem também o som e a infografia. Nada que a televisão e o cinema já não tivessem feito antes, mas raramente, creio, com o grau de sofisticação e intensidade dos trabalhos que têm sido produzidos por empresas como a MediaStorm, para citar um dos exemplos mais conseguidos.
Escusado será dizer que, entre pão e vinho, as conclusões foram poucas. Se a vantagem tende a cair mais para um suporte em determinadas narrativas, noutras ganha o poder da imagem fixa, ainda que apareça lado a lado com a imagem em movimento. Mas, quando vejo estórias como a que é contada no novo site dos Médicos Sem Fronteiras (Condition: Critical - Voices From The War In Eastern Congo) sinto que a fotografia de registo jornalístico encontrou na Net um espaço perfeito para se mostrar.

Os MSF são das poucas ONG`s na região Este da República Democrática do Congo, onde regressaram os conflitos entre senhores de guerra. A população civil do Kivu Norte e Sul foi apanhada no meio das disputas e sofre com o isolamento e a indiferença da comunidade internacional. Para denunciar a catástrofe humanitária que está a atingir a região, os MSF lançaram a campanha Condition: Critical que contou com a participação do fotógrafo Cédric Gerbehaye (Agence Vu).

(Se não conseguir ver o vídeo abaixo clique aqui)


13 dezembro, 2008

Mad

Claraboia do espaço Mad Woman In The Attic

Não sei exactamente o que é que esteve na origem do projecto Mad Woman In The Attic, no Porto, mas a simples ideia de conseguir fintar as convenções dos espaços tradicionais de divulgação artística com aquilo que está à mão de semear é por si só digna de registo. Mostra ousadia, originalidade e peito aberto perante os circuitos institucionalizados que, normalmente, têm as portas fechadas a cadeado para novos projectos. A arrecadação onde se instalou Mad Woman In The Attic tem uns 10 metros quadrados e está dentro de um prédio de habitação no centro do Porto.
A última proposta deste espaço, gerido e programado por André Sousa, é de André Cepeda que mostra apenas uma fotografia de um projecto que pretende dar imagem às condições sociais degradantes que se vivem em algumas zonas do Porto.
Os trabalhos apresentados podem ser visitados apenas no dia da inauguração ou nas três semanas seguintes, por marcação.

Lab.65

Pedro Guimarães)

Inaugura hoje no Porto (18h00, Centro Comercial Bombarda, Rua Miguel Bombarda, 285) a exposição/venda de fotografia Lab.65 Revisited que propõe trabalhos de 22 fotógrafos portugueses contemporâneos. As edições "limitadas alargadas", que podem ir dos 75 aos 500 exemplares, fazem com que a galeria possa fazer preços mais baixos, entre os 30 e os 300 euros. As imagens vendidas serão numeradas e acompanhadas por um certificado de autenticidade e biografia do autor.
Haverá fotografias de:
Ana Luandina - Ângela M. Ferreira - Alexandre Delmar - Carlos Cézanne - Hugo Olim
Juão Coração - João Leal - João Margalha - Rita Castro Neves - Pedro Guimarães - Pedro
Magalhães - Inês d’Orey - Teresa Sá - José Carlos Nascimento - Margarida Paiva - Marcus
Garcia Moreira - Paula Abreu – Paulo Pimenta - Miguel Meira - Rui Pinheiro - Miguel Fukutomi - Manuel Luís Cochofel


entre aspas

Antoine Fauchery, Austrália, 1858, Fauchery-Daintree Album

Para ela ver, retira as fotografias de grupo que constituem o âmago da sua colecção. Para a visita do fotógrafo alguns dos mineiros vestiam o seu melhor fato domingueiro. Outros contentam-se com uma camisa lavada, com as mangas arregaçadas até cima para mostrar os braços musculosos, e talvez um lenço de pescoço lavado. Enfrentam a máquina fotográfica com a expressão de grave confiança que assomava naturalmente aos homens no tempo da Rainha Vitória, mas que agora parece ter-se sumido da face da Terra.

J.M. Coetzee, O Homem Lento, D. Quixote, 2008

11 dezembro, 2008

em conjunto

Sebastian Hacher, Bolivianos en Buenos Aires: la fiesta es aquicito, 2008
(© Sebastian Hacher/Cooperativa Sub)

Inaugura hoje em S. Paulo, no Brasil, a exposição Laberinto de Miradas 3 - Coletivos fotográficos Ibero-Americanos onde estará representada a mais recente criação fotográfica não só de colectivos de fotógrafos, mas também de espaços culturais alternativos e grupos de acção social que utilizam a imagem fotográfica como principal meio de expressão. No dia em que abre ao público a mostra, começa também na Galeria Olido o Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero–Americanos, iniciativa que nasceu de uma parceria entre o Centro Cultural Espanha em São Paulo e Claudi Carreras, comissário da exposição. O encontro vai ser acompanhado pelo blogue Garapa que terá também uma página no Flickr

Estes são os colectivos presentes na exposição:

Argentina: Cooperativa Sub e Fundación PH15
Brasil: Cia de Foto, Rolê e Observatório de Favelas
Espanha: Blank Paper, No Photo e Pandora
Guatemala: FotoKids
México: Monda Foto e Taller Fotográfico de Guelatao
Peru: Archivo Tafos e Supay Fotos
Portugal: Kamera Photo
Venezuela: ONG - Organización Nelson Garrido

Laberinto de Miradas 3 - Coletivos fotográficos Ibero-Americanos
Galeria Olido, São Paulo, Brasil
Até 1 de Março de 2009

Molder deixa CAM

Jorge Molder
(© Adriano Miranda/Público)

Jorge Molder vai deixar de ser director do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Fonte do gabinete de comunicação da Gulbenkian disse ao Público que Molder “solicitou à fundação a reforma antecipada e consequentemente a cessação das suas funções enquanto director do Centro de Arte Moderna, com efeitos a partir de 11 de Janeiro, por motivos de carácter pessoal”.
Jorge Molder era director do CAM desde 1994 e vai ficar ligado à instituição como "consultor".

10 dezembro, 2008

Leibovitz em Londres

Annie Leibovitz, Londres, 2008
(© Leon Neal/AFP)

Alexandra Lucas Coelho esteve em Londres na inauguração de Annie Leibovitz - A Photographer''s Life, 1990-2005. A fotógrafa americana está nos píncaros do mediatismo e aparenta lidar com esse estrelato como um maestro lida com uma orquestra. O texto de Alexandra está no novo site do Ípsilon aqui

Annie Leibovitz - A Photographer''s Life, 1990-2005
National Portrait Gallery, Londres
Até 1 de Fevereiro

09 dezembro, 2008

linhas abandonadas

Mohave and Milltown #3, 2004
© Mark Ruwedel

Nos blogues do The Guardian, Liz Jobey escreve sobre um álbum recente do fotógrafo americano Mark Ruwedel (Westward: The Course of Empire, Yale University Art Gallery, 2008) que passou os últimos 15 anos a registar as linhas abertas durante o século XIX e que agora estão abandonadas. E não são só as linhas e o trabalho de as instalar que são do tempo dos cowboys. Há nestes registos qualquer coisa de "olhar primitivo", uma aproximação inóspita a lugares de quase ninguém. O post de Jobey está aqui

traseiras de Serralves

(© Nelson Garrido/Público)

Fotografia, medo e preconceito - a bordo do 200 da STCP, rumo às traseiras de Serralves.

200
Forasteiro: - Boa noite. Este passa por Serralves?
Condutor: - Não.
Forasteiro: - Não? Mas disseram-me que sim.
Condutor: - Não passa.
Forasteiro: - E perto? Passa perto?
Condutor: - Hmmm. [ar de enfado] Não. Era o 207, mas já fez a recolha.
Ex-"guna": - Olhe lá! Então este não passa nas traseiras de Serralves?
Condutor: - Hmmm... é capaz. Sou novo nesta linha. Não conheço bem aquela zona...
Ex-"guna": -É no Lordelo homem, perto do Campo Alegre!
Condutor: - ...
Ex-"guna": - Então aquilo não são as traseiras de Serralves?
Condutor: - ...
Forasteiro: - É muito longe? Quanto tempo leva a pé?
Ex-"guna": - São aí uns 1o minutos a andar bem. Vou sair lá. Posso dizer-lhe o caminho.
Forasteiro: - Ah, ok. Obrigado. Quero um bilhete.

Fotografia
Ex-"guna": - Vai haver alguma festa em Serralves?
Forasteiro: - Não. É só a inauguração de uma exposição de fotografia.
Ex-"guna": - Gosto de Serralves. É bom ir para lá.
Forasteiro: - Pois é. Acho que é um orgulho para o Porto ter Serralves.
Ex-"guna": - Lá isso é. A minha casa fica mesmo nas traseiras.
Forasteiro: - Ena! Uma casa com vista para Serralves!
Ex-"guna": ...
Forasteiro: - Assim ficas a um passo...
Ex-"guna": - Quando era mais puto ia lá roubar laranjas. Aquilo era a casa do conde. Tinha boas laranjas.
Forasteiro: - Roubar laranjas?
Ex-"guna": - Sim. Mas há pouco tempo fui lá participar numa cena de fotografia.
Forasteiro: - Ai sim?
Ex-"guna": - Foi bem giro.
Forasteiro: - E que tal foi a experiência?
Ex-"guna": - Eles tinham de tudo na... como é que se diz...
Forasteiro: - ...na câmara escura.
Ex-"guna": - Sim, isso. Tinham as águas, o papel... tudo. Era para aprender do início ao fim. Para vermos como é que se faz a fotografia antiga.
Forasteiro: - Fotografia antiga?
Ex-"guna": - Sim, a que aparece em fotografia mesmo.

Próxima paragem: Lordelo (traseiras de Serralves)

Medo
Ex-"guna": -É aqui que saimos.
Forasteiro: - Ok.
Ex-"guna": - Isto é perto.
Forasteiro: - Então em que direcção é?
Ex-"guna": - É por ali.
Forasteiro: - Hã, bem, então obrigado...
Ex-"guna": - Eu também vou para lá.
Forasteiro: - Ai sim..
Ex-"guna": - Eu moro nessa direcção. Aqui isto está rodeado. Ali é o bairro H., ali o bairro S., e ali o bairro R.
Forasteiro: ...
Ex-"guna": - E aqui é o antigo hotel I. que está a ser recuperado.
(edifício preto, esventrado, de fios ao pendurão)
Ex-"guna": - Passo aqui todos os dias. É um bocado feio. São as traseiras de Serralves. Ali à frente tem uma fábrica antiga toda arrebentada.
Forasteiro: - É um bocado escuro...
Ex-"guna": - Pois é. Às vezes a minha mulher está ali na paragem de carro e dá-me boleia. Prefiro não me chatear.
Forasteiro: - ...
Ex-"guna": - Isto às vezes não é certo. Está ali a fábrica...
(o passeio estreita)
Ex-"guna": - Passa.
Forasteiro: - Não, passa tu.
Ex-"guna": - Tu primeiro.
Forasteiro: - Obrigado.
(o passeio alarga)
Ex-"guna": - Pronto. Agora é por ali. É só seguires em frente que vais lá dar.
Forasteiro: - Obrigado. Então boa-noite.

Fim de preconceito
Ex-"guna": - Boa-noite. Continuação.

07 dezembro, 2008


entre aspas

Capa de Chet Baker and Strings, a partir de fotografia de William Claxton

(...) Perguntamos a Joaquim Paulo se existe algo de particular na imagem gráfica dos discos de jazz que não tenha paralelo noutros géneros musicais. 'A fotografia. A relação dos fotógrafos com os músicos e com o jazz era especial. Os fotógrafos eram fãs, gostavam daquilo, eram quase 'groupies'. Era uma pequena família. Os fotógrafos de jazz de um certo período [anos 60] são extraordinários: William Claxton, Burt Goldblatt, Charles Stuart...'
(...)

Ípsilon (5.12.2008), Jazz para os Olhos, sobre Joaquim Paulo, autor de Jazz Covers (Taschen, 2008)

06 dezembro, 2008

revelar

© David Infante


Inaugurou ontem no Museu de Serralves a exposição BES Revelação, que na sua quarta edição reconheceu os trabalhos de David Infante, Mariana Silva e Nikolai Nekh. O júri de selecção foi composto por Bruno Marchand (curador independente), Pierre Muylle (curador no S. M. A. K., Gent, Bélgica), Ricardo Nicolau (Museu de Serralves) e Sandra Terdjeman (curadora e gestora de projectos na Kadist Art Foundation, Paris).
Tirando os conjuntos de fotografias a preto e branco apresentados por David Infante (Évora, 1982), os restantes projectos escolhidos são representativos do rumo das anteriores edições do prémio que distinguiu propostas que se socorrem de linguagens fotográficas que estão fora do que vulgarmente certificamos como objecto fotográfico.
Nikolai Nekh (Slavyansk-na-Kubani, Rússia, 1985) apresenta uma instalação que envolve sete imagens transformadas em formato postal e um vídeo. Nos "postais", devidamente engaiolados em expositores próprios, emerge a experiência pessoal dos lugares e a memória que deles se guarda ou não se guarda, como revela "a carta ao pai" também usada no conjunto. No vídeo Vento Branco, Nekh partiu de gravações familiares para desconstruir a realidade de acontecimentos pessoais valendo-se da edição (corte, escolha de velocidade).
Mariana Silva (Lisboa, 1983) concebeu um espaço onde o espectador pode escolher pequenos registos fílmicos do período pós-25 de Abril e manobrá-los em moviolas (aparelhos que projectam as imagens em pequenos ecrãs). Todos os filmes foram alterados de forma a que cada fotograma se sobreponha ao seguinte criando um efeito de ligeiro desconcerto e ilusão. O projecto propõe uma reflexão sobre a função documental da imagem e questiona o seu poder enquanto reduto privilegiado de arquivo da memória colectiva.
Fui convidado para escrever o texto sobre o trabalho que David Infante tem desenvolvido nos últimos anos. Para ler esse ensaio clique aqui

BES Revelação, David Infante, Mariana Silva e Nikolai Nekh
Museu de Serralves, Porto
Até 15 de Março, 2009

05 dezembro, 2008

mudança

Gail and Dale, Pacifica (I), 2007
© Katy Grannan


A Photographers' Gallery de Londres abre a sua nova morada no sábado, 16 - 18 Ramillies St., a dois minutos da paragem de metro de Oxford Circus.
Com a mudança de coordenadas, surgem também novas exposições, uma livraria renovada e os habituais espaços de venda de provas fotográficas contemporâneas e café.
A programação da nova temporada está aqui

04 dezembro, 2008

incentivar

Kumari & Anapayini, Alachua, 2006
© Michael Bühler-Rose

A última bolsa da Humble Arts Foundation (concedida duas vezes por ano, Primavera e Outono) foi atribuída ao americano Michael Bühler-Rose que submeteu a concurso um interessante trabalho de retrato que nos leva também o olhar para a elegância, harmonia e sumptuosidade dos saris com dobras a fazer lembrar a pintura clássica.
Ainda dentro da Humble Arts Foundation vale a pena passar pelo trabalho Nevada Rose, de Marc McAndrews.

O statement de Michael Bühler-Rose é este:

In my project Constructing the Exotic I look at the ideas and structures of exoticism by photographing the theatrical reality of Eastern-raised women in the West and the unique relationship they create with the Western landscape and conventions of exoticism within the history of painting. In continuing my practice, I am interested in looking further into the political structures inherent within historical works.

Beyond the beauty of the Dutch Still-life lays the evidence of Dutch colonial power: its imports of exotic spices and goods from India. You can currently purchase any of these Indian imports, plus anything else you can find in the streets of Delhi, Mumbai, Kolkata, or Chennai, in the 'Little India' sections of various major cities of the world. This new project 'Little Indian Still-lifes' will feature a mixture of contemporary and traditional items purchased in these 'Little Indias', including Bollywood videos; Indian fruits, vegetables and flowers; cloth; lamps; betel nuts; magazines; posters; books; jewelry; and cooking utensils, among other items.

The photographs will reference the lighting, compositions, and scale of the Dutch still-life tradition in order to create an aesthetic experience of near recognition while still allowing disorienting puncture points to come through. Although visually similar to the Dutch still-life, these pictures do not evidence Western colonial power but rather a reverse of power, of India settling the West.

dar a ver

(© PowerHouseBooks)


A editora PowerHouse Books, de Brooklyn, Nova Iorque, está a organizar a sua quinta análise crítica de portfolios, uma iniciativa dirigida a fotógrafos emergentes e a nomes já firmados. Um painel alargado que envolve críticos, editores, galeristas e fotógrafos vai analisar dezenas de trabalhos para lhes dar um enquadramento e dirigi-los para áreas específicas.
O Annual powerHouse Portfolio Review dura apenas um dia e acontecerá em Fevereiro de 2009 na PowerHouse Arena, em Brooklyn. Cada portfolio será visto por cinco críticos individualmente. As inscrições são limitadas e podem ser feitas aqui

02 dezembro, 2008

=ColecçãoàVista= 1

Desde a última remodelação do Público que o P2 divulga, todos os dias, um texto e uma imagem referentes às colecções de museus e instituições públicas nacionais. Algumas destas peças são facilmente reconhecíveis porque fazem parte das exposições permanentes, mas outras raramente foram vistas em público. Há cerca de um mês, chegou a vez da fotografia e da Colecção Pública de Fotografia que está à guarda do Centro Português de Fotografia. Este espólio começou a ser organizado (e comprado) em 1989 por iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura de então que pretendia assinalar os 150 anos do anúncio oficial da invenção do suporte fotográfico. Jorge Calado foi responsável pelas aquisições e comissariou uma exposição, em 1990, que reuniu 152 fotografias das 346 que até então tinham sido reunidas. São desse conjunto as imagens publicadas diariamente nas páginas de abertura do P2 e que o Arte Photographica reproduzirá também semanalmente a partir de hoje. Os textos são da responsabilidade do CPF.

(...) colecção pública não apenas no sentido ingénuo de estar aberta ao povo para visita, mas principalmente no sentido nobre do termo, de ter sido feita com o dinheiro de todos nós, e a todos pertencer. Colecções públicas são as do Estado e acabou. (...)

Jorge Calado, in 1839-1989 Um Ano Depois, SEC, 1990, Porto


Jorge Henriques, s/título, anos 1970
© Centro Português de Fotografia/DGARQ


Jorge Henriques (1912-1988) cresce na Lousã, conclui o liceu em Cernache de Bomjardim e entra para a Faculdade de Ciências de Coimbra, nos Preparatórios de Medicina. Tendo reprovado, é-lhe exigido pelo pai que regresse. Recusa tal imposição e vai para Lisboa trabalhar como funcionário público. Em 1943 vem prestar serviço para o Porto. No início dos anos 50 Henriques começa a fotografar. Tinha quase quarenta anos quando resolveu destinar as manhãs de domingos e feriados à actividade. Até ao meio-dia, percorria com a sua câmara o Porto ribeirinho. Procurou a autenticidade da cidade, tendo na mira o rio, o conjunto de mulheres e crianças, e a luz que rasga as suas fotografias. Soube aproveitar o efeito da contra luz para definição da imagem que queria colocar no seu cenário.
(texto: CPF)

Cuba - 50 anos

Girl in a brothel, Havana, Cuba, 1954
© Eve Arnold/Magnum


A Magnum organizou uma exposição em Londres para assinalar o 50º aniversário da Revolução cubana que se comemora no dia 1 de Janeiro de 2009. A mostra reúne provas vintage e contemporâneas do período pré-revolucionário captado por Eve Arnold, dos acontecimentos que destronaram o regime de Fulgencio Batista registados por Burt Glinn e dos principais protagonistas da Revolução (Fidel e Che) fixados por Rene Burri e Elliott Erwitt. Os trabalhos de Alex Webb, David Alan Harvey e Christopher Anderson mostram já o dia-a-dia cubano durante a liderança de Fidel Castro. E há ainda fotografias dos correspondentes Andrew Saint George e Bob Henriques, que a Magnum classifica como "rarely seen", dos avanços das tropas de Castro rumo a Havana.
O site da Magnum tem uma galeria com algumas imagens da exposição aqui


Cuba, 1998
© David Alan Harvey/Magnum


Cuba: 50 Years of Revolution
Magnum Print Room, Londres
Até 30 de Janeiro de 2009

26 novembro, 2008

Colecção BES sai do escuro

Thomas Struth, Shangai Panorama, 2002
© Thomas Struth/BESart – Colecção Banco Espírito Santo

Está feita a primeira grande apresentação pública da colecção de fotografia que o Banco Espírito Santo foi juntando ao longo dos últimos quatro anos. As comissárias espanholas María de Corral e Lorena Martínez de Corral escolheram cerca de 300 obras, entre mais de 450 trabalhos, que pretendem "contar o presente, e imaginar um hipotético futuro" através da produção fotográfica contemporânea que envolve mais de 150 artistas, que podem ser nomes consagrados ou valores emergentes. A mostra O Presente: Uma Dimensão Infinita, que ficará como uma das mais marcantes exposições de fotografia contemporânea alguma vez realizadas em Portugal, tem uma característica que a atravessa - a diversidade, característica fundamental da génese coleccionista que está na base deste conjunto que é uma boa amostra das últimas duas décadas de criação fotográfica em Portugal e no estrangeiro. Outra das boas surpresas é a confirmação de uma presença assinalável, em quantidade e qualidade, de autores portugueses ao longo dos vários núcleos expositivos. No texto de apresentação, as comissárias avisam que a divisão por temas "não pretende em absoluto classificar ou categorizar, mas apenas dar maior fluidez e clareza ao percurso". E acrescentam: "cada uma das oito secções gira à volta de certos traços, obsessões ou ideias comuns, estranhas afinidades ou encontros peculiares, independentemente da geografia e do enquadramento temporal". As salas vão-se sucedendo segundo os seguintes temas: Naturezas; Universos Privados; Retratos; Narrações; Ficções e Realidades; Sociedade e Vida Urbana; Conceitos, Ideias e Críticas; Espaços, Lugares, Objectos; Arquitecturas.

Hiroshi Sugimoto, Mechanical Forms, Worm Gear, 2004
© Hiroshi Sugimoto/BESart – Colecção Banco Espírito Santo


O Presente: Uma Dimensão Infinita, BESart Colecção Banco Espírito Santo
Museu Colecção Berardo, Centro Cultural de Belém, Lisboa

Até 25 de Janeiro

transições

Militar con cámara fotográfica, Xangai, China, 1979
© Manel Armengol

No final dos anos 70, à medida que cumpria a agenda de serviço com uma máquina carregada com película a cores, Manel Armengol (Badalona, 1949) sacava de vez em quando uma segunda câmara equipada com filme a preto e branco para um trabalho mais ousado e pessoal, capaz de o libertar dos requisitos cénicos do acontecimento que podia ou não tornar-se notícia. A necessidade de um outro olhar sobre a realidade que se deparava à sua frente foi tornando obrigatória esta "segunda" máquina, muito mais atenta às geometrias, aos silêncios, às sombras e aos reflexos. E foi sobretudo a partir deste registo que se revelaram ensaios sobre modos de estar, de sobreviver e de combater.
Transições, 70s em Espanha, China e Estados Unidos mostra três países em mudança social e política através de um olhar por vezes harmonioso e próximo, outras vezes mais contundente e distante. As 75 fotografias de Armengol escolhidas pela comissária Irene de Mendoza são um bom prenúncio para inauguração da actividade expositiva da Fundação Foto Colectania em Portugal. Convém sempre recordar - ou descobrir, como é o nosso caso - aqueles que ousaram fazer diferente aquilo que lhes estava destinado. Os que abriram caminho e se esforçaram para nos dar uma visão alternativa das coisas.


Te amo, Manhattan, EUA, 1978
© Manel Armengol



Transições, 70s em Espanha, China e Estados Unidos, de Manel Armengol
Arquivo Municipal de Lisboa/Arquivo Fotográfico
Rua da Palma, 246
Até 30 de Janeiro

24 novembro, 2008

ostentação

The Millionaire Fair, Crocus Expo International Exhibition Center, Moscovo, Rússia, 2007
© Martin Parr

Nos últimos anos, Martin Parr tem concentrado a objectiva e o flash para pessoas que gostam de ostentar os seus bens ou que adoram mostrar o quanto são ricos e famosos. As feiras de arte e os desfiles de moda são o tipo de acontecimento ideal para esta fogueira de vaidades e os locais onde o fotógrafo inglês mais tem procurado matéria-prima para o seu projecto. O The Art Newspaper contratou Parr para fotografar a última edição da Frieze Art Fair a partir deste olhar mordaz para a ostentação.
O fotógrafo da Magnum fala um pouco sobre este projecto aqui

Paris#8 (rescaldo no Público)

© Emmanuel Nguyen Ngoc/Paris Photo


O texto que escrevi para a edição impressa do Público acerca do rescaldo da participação japonesa na Paris Photo está aqui

23 novembro, 2008

EUA 70`

Garry Winogrand, Los Angeles, Califórnia, 1969
© The estate of Garry Winogrand, cortesia Fraenkel Gallery, San Francisco

Seventies, Le Choc de la Photographie Américaine é uma das mais fortes exposições do Mois de la Photo que está a decorrer em Paris. Construído a partir da colecção da Biblioteca Nacional de França - que tem mais de 3 mil fotografias provenientes dos EUA deste período -, o conjunto traça uma boa perspectiva do que foram estes anos de liberdade criativa e experimentações férteis. As provas de época estão divididas em seis sequências temáticas que não pretendem fazer historial cronológico, mas sim um percurso plástico indicador de tendências e escolhas dialogantes.

São elas:
Des Précurseurs;
L`influence du Snapshop;
Géométrie et espace;
Paysage;
Matière et Forme;
Le Miroir Obscur.

Para ver uma apresentação em vídeo da exposição feita pela comissária Anne Biroleau clique aqui

"I wanted Christina to learn some responsibilities for cleaning her room, but didn`t work", da série Suburbia, 1971
© Bill Owens

»vejamos»» [as sugestões dos leitores]

Edward Steichen, visitantes da exposição The Family of Man, Moscovo, 1959

»»Alexandra Libânio sugere uma visita à exposição Archivo universal. La condición del documento y la utopía fotográfica moderna, patente no Museu d`Art Contemporani de Barcelona. A mostra, centrada na noção de documento ao longo da história da fotografia, está dividida em duas partes: a primeira apresenta alguns dos principais debates sobre o documento fotográfico no período moderno, entre 1850 e 1980; a segunda foca este debate na trajectória histórica de Barcelona, aqui entendida como caso específico de estudo.
Depois de Barcelona, a exposição viaja até Lisboa, para o Museu Colecção Berardo (09.03.2009 a 03.05.2009).

O texto de apresentação da exposição está aqui

21 novembro, 2008

/uma fotografia, um nome\

Manuel Valente Alves, Le temps retrouvé
© Manuel Valente Alves

Fotografar não é apenas “o acto fotográfico” como quer Philippe Dubois. É também o depois, o muito depois: seleccionar, escolher o suporte e, cada vez mais, cortar, manipular. Porque é este hoje o tempo da fotografia e, como nós, a imagem não se quer imutável.

Mas no acto fotográfico há ainda o enorme “antes”, mais ou menos atento, mais ou menos denso. Faz-se uma imagem porque sim, porque se tem uma câmara ou porque cá dentro tudo se conjuga e a síntese parece estar ali, naquele momento. E a imagem, esta ou aquela, trazem consigo um pouco do mundo irredutível à captação.

Manuel Valente Alves habituou-nos à solidez do seu conceptualismo; por vezes militante, extremamente conceptualizado ou minimalista, obrigando a libertar o olhar da forma e procurando o sentido. Uma chamada de atenção para o nosso descontentamento ou uma hipótese de descoberta de uma cultura que abandonara a natureza do mundo. Vindo da pintura, recusou as gavetas do estilo e definiu os recursos das artes como um código de pesquisa e decifração.

Mas num pintor, o que faz a sublimação das pulsões pode ser a cor. E é com o olhar de pintor que Manuel Valente Alves construiu esta imagem. Os azuis são quase impressionistas porque a refracção do ar os liquefaz, mas a intensidade ambígua do céu e os reflexos amarelos da luz fazem lembrar a intemperança de William Blake: estes vultos indeterminados seguem em frente inconscientes do abismo. O céu deste entardecer tem a cor de uma estação que envelhece.

O que a fotografia nos diz é muito do que queremos ver.

A composição fotográfica, definindo um espaço cénico, pode ser como o espelho de Alice, a vida é aí que reside, tão arbitrária ou louca como a que deixou para trás. Não interessa a ausência, a nossa recusa do realismo perfeito, o selo do pretérito que a qualifica. Com ou sem perspectiva cónica nós entramos no espelho, seguimos o anzol do enigma. Somos, para a imagem, o seu mundo invisível, mas também o caçador que persegue a presa. E aí o suporte deixa de interessar, papel ou digital, uma parede, um livro ou um ecrã, a imagem é o jardim secreto dos nossos sustos ou das nossas memórias.

Nem mesmo a fixidez da imagem pode esconder a vida que a anima, o movimento que suspendeu. Nem a (calculada) distância percorrida, abrindo um espaço de sedução entre nós e os ciclistas que rodam, lhe retira a realidade. A composição e o enquadramento que são o seu autor – e que nos dão o passaporte para a descoberta e a empatia – abrem uma totalidade enfeitada de detalhes onde nos procuramos: a fotografia é, antes de tudo um modo de existência, está ali porque o acontecer esteve ali.

Mas construir um jardim secreto é um recurso à poesia e à ilusão perceptiva, do fotógrafo e do observador. O perigo é a contemplação, que não faz mal a ninguém, mas que nos tira a liberdade do olhar.

Maria do Carmo Serén

Manuel Valente Alves é médico, professor, editor e fotógrafo.
Dirige o Museu de Medicina da F.M./U.L. e programou em colóquios e encontros (ex. O Impulso Alegórico) a relação arte e Medicina

20 novembro, 2008

debater

© Rita Barros, cortesia Galeria Pente 10, Lisboa


O ciclo de debates ArteCapital na Arte Lisboa deste ano abre com um painel que discutirá O Coleccionismo de Fotografia no Mercado Ibérico (19h00).
Moderadora: Filipa Valladares (Fundación Foto Colectania)
Convidados: Bruno Santos (fotógrafo e professor); Mário Teixeira da Silva (coleccionador e galerista), Margarida Medeiros (crítica e professora universitária), Norberto Doctor (galerista, Madrid).

19 novembro, 2008

toda a LIFE online

Alfred Eisenstaedt, The Parisians, Parc de Montsouris, Paris, 1963
© Time Inc.

WOW! É de ficar de boca aberta: o Google vai disponibilizar online todo o arquivo da LIFE. São só 10 milhões de imagens, das quais 97 por cento nunca foram vistas pelo comum dos mortais. Para já, apenas 20 por cento do arquivo está digitalizado, mas o Google promete libertar o resto "nos próximos meses".

A viagem começa aqui

 
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