14 novembro, 2008

Paris#4 (o Japão e o livros)


As prateleiras dos cinco editores japoneses convidados são os espaços mais concorridos do Carrousel. Percebe-se bem porquê. Já tinha ouvido falar muito dos livros de fotografia japoneses. Mas nunca tinha sentido desta maneira e tantas vezes a intensidade que a escolha de um tipo de papel ou o desenho de um livro podem transmitir. Não é que alguma vez tivesse duvidado do que me foram segredando. O certo é que hoje pude confirmar a delícia e o privilégio que é ficar, por exemplo, com o livro de Tamotsu Fuji (Araki, luz) nas mãos, ou o de Yasumasa Morimura que ainda vou descobrir por que é que se chama Barco Negro na Mesa, assim mesmo, em português.
Não há muitos países no mundo onde as revistas e os livros joguem um papel tão importante para a fotografia. No catálogo, Mariko Takeuchi, comissária da representação nipónica, relaciona este enamoramento com a falta de um esquema de galerias ou um mercado organizado de venda de fotografia. E fala também na longa tradição japonesa nos métodos de impressão em papel que conheceu a sua época dourada durante o período Edo (1603-1867).

As editoras e livrarias japonesas no Paris Photo são estas:
»»Akaaka Art Publishing
»»Little More
»»Book Shop M
»»Seigensha Art Publishing
»»Tosei-Sha

Paris#3 (notas)

Asako Narahashi, Kawaguchiko, da série half awake and half asleep in the water, 2003
© Asako Narahashi, Cortesia galeria Priska Pasquer, Colónia


** Quem anda pela cidade não sente que este é o mês em que Paris se torna o centro do mundo na fotografia. A constelação trazida pelas galerias mais destacadas e a maior armada fotográfica japonesa alguma vez vista na Europa mereciam outra visibilidade para lá dos andares subterrâneos do Louvre.*

** As revistas fotográficas digitais quase não têm representação na feira. A honra do convento é salva pelo portal de fotografia berlinense Photography Now. Em contrapartida, as revistas de fotografia em papel tem uma representação de peso e parecem que não param de aparecer novos títulos.*

** No espaço da Simon Finch Rare Books (Reino Unido) a distinção para o livro mais caro pertencia a Les Joux de la Poupe, com fotografias de Hans Bellmer e textos de Paul Éluard (62,500 euros); a primeira edição de The Americans, de Robert Frank, estava a seguir (15,000).*

Paris#2 (abertura)

Kim Joon, Bird Land – Swarovski, 2008
© Cortesia Keumsan Gallery, Seul


A festa de apresentação da Paris Photo aconteceu na quarta à noite no Carrousel du Louvre. Enquanto uns festejavam outros davam os últimos retoques nos trabalhos a expor (por que raio é que nestas ocasiões arranjam sempre uns “happenings” manhosos…).
O resumo em vídeo da festa está aqui

13 novembro, 2008

Paris#1

Keisuke Shirota, A Sense of Distace #33, 2008
© Keisuke Shirota, cortesia Base Gallery, Tóquio


Em japonês fotografia diz-se shashin - reproduzir (sha) a verdade (shin).
Do pouco que vi hoje, a verdade está longe, se é que alguma vez se conseguiu chegar perto dela.




direitos

© François-Marie Banier

No Libération de hoje:
Dizem que a França é país do mundo onde o direito à imagem é mais protegido, tratando anónimos como celebridades. Para o bem e para o mal, já que se o artigo 9º do Código Civil francês fosse aplicado à letra tinha acabado qualquer trabalho artístico que tem a rua como matéria-prima. O último folhetim judiciário à volta deste complexo novelo - com uma ponta no direito à imagem e a outra na liberdade de expressão artística - opõe o fotógrafo François-Marie Banier a Isabelle de Chastenet de Puységur.
A história resume-se assim: Banier publicou uma fotografia de Puységur no livro Perdre la Tête (Outubro de 2005, Gallimard); Puységur diz que a fotografia foi captada sem o seu consentimento e até com a sua oposição; Puységur afirma ainda que a imagem onde aparece está fora do contexto da mensagem global da obra que mostra marginais e excluídos; entre outras coisas Puységur queixa-se de ter sido transformada numa "caricatura burguesa"; Puységur quer 200 mil euros de indemnização; no dia 9 de Maio de 2007 um tribunal de Paris não aceitou a queixa da dama ofendida, mas a dama ofendida recorreu; no dia 5 deste mês, um tribunal de instância superior rejeitou de novo a queixa argumentando que a fotografia publicada não atentava contra a vida privada de Puységur; sobre o direito a reproduzir a imagem, o tribunal também deixa margem de manobra para o autor lembrando o direito à liberdade de expressão artística; e conclui afirmando que a fotografia em causa não atenta contra a dignidade da queixosa; para além de Puységur, marginais e excluídos, o livro mostra um retrato de Claude Lévi-Strauss.

Paris Photo + Mois de la Photo

Tomatsu Shomei, Blood & Rose 2, Tóquio, 1969
© Shomei Tomatsu (cortesia Michael Hoppen)


O Japão já não quer ser exótico

Sérgio B. Gomes
(P2, Público, 13.11.2008)

Quem diz que o Japão ainda é exótico? Nós, que o vemos daqui, à distância, quase sempre desfocado e sobretudo através de imagens mais do que batidas.
Na panorâmica típica, saltam à vista, entre outros clichés, as alpergatas altas de meter o dedo, os quimonos de seda, a cerimónia do chá, a caligrafia ou aquele desporto com homens muito pesados que se atiram de frente uns contra os outros.
O japonesismo fez-se notar no Ocidente a partir da Exposição Universal de Paris de 1867, onde o Pavilhão do Japão deu que falar e espalhou influências que se haviam de manifestar em artes e modos de vida. A novidade exótica desse tempo ficou colada a muito do que a cultura nipónica mostrou deste lado do globo. Paris, no século XIX, deu-nos a imagem do Japão das alpergatas. A Paris Photo, a maior feira de fotografia do mundo, que hoje começa, quer dar-nos outras imagens do Japão que tentam escapar a esse determinismo redutor guiado apenas pela excentricidade de estilo e de gosto. É aqui que estarão os “sentimentos de incompreensão”, e as “sensações de ambiguidade” provocadas pelo mundo e realidade actual do país, promete Mariko Takeuchi, comissária da representação nipónica.
Nunca, desde que começou, em 1997, a Paris Photo tinha convidado um país asiático. Nunca na Europa se tinha visto uma amostra da fotografia japonesa tão vasta em quantidade (130 artistas expostos) e tão rica em qualidade (grandes mestres do século XIX, movimentos “avant-garde” e pós-guerra e parte significativa da mais relevante produção contemporânea, Hiroshi Sugimoto, Nobuyoshi Araki, Daido Moriama…). É o Japão, “convidado de honra”, a tentar aproveitar ao máximo a luz dos holofotes e o interesse crescente pelos seus artistas fotógrafos que não são reconhecidos apenas pela qualidade das imagens que encostam nas paredes mas também pela qualidade das imagens que imprimem em livro, o seu suporte mais acarinhado e rigorosamente tratado, verdadeiro substituto de galerias e museus.
Se há capital da fotografia em Novembro, é Paris e mais nenhuma. A juntar à Paris Photo, que se estende apenas até ao próximo domingo, celebra-se durante este mês a bienal Mois de la Photo cujas exposições - o tema é Fotografia Europeia: Entre a Tradição e a Mudança - se espalham pelos mais variados espaços da cidade. Quatro destaques: Lee Miller, no Jeu de Paume, The School of Dusseldorf, no MAM Ville de Paris, Sabine Weiss, na Maison Européenne de la Photographie e Walker Evans, na Fundação Henri Cartier-Bresson.

Para ver uma galeria sobre a fotografia japonesa no Paris Photo clique aqui
O programa do Paris Photo está aqui
E o do Mois de la Photo aqui
Nota: estarei em Paris durante o fim-de-semana. Escreverei aqui sobre estas duas iniciativas na medida do possível

Homma Takashi, s/t, da série Tokyo and my Daughter, 2005
(© Cortesia Galerie Claud Delank)

ausências

© Rita Barros


A fotografia de Rita Barros está diferente. Muito diferente do que se conhece das séries de retratos embalados pelo jazz, dos quartos e personagens do Chelsea Hotel (Fifteen Years: Hotel Chelsea) e dos registos de incredulidade do período pós-11 de Setembro, em Nova Iorque (Um Ano Depois). Está diferente na cor e na abordagem. No tema e na técnica. Fez um interlúdio na paisagem e no rosto alheio para se ver ao espelho, através de objectos, coisas, lugares e ambientes. As fotografias de Presença da Ausência, que estão em exposição na galeria Pente 10, em Lisboa, fazem uma viagem introspectiva, a um microcosmo vivencial que tendemos a tomar como próximo e aberto, mas que nunca se dá totalmente a ver. É nessa tensão entre o que se mostra e o que fica por se mostrar que reside uma das principais virtudes do conjunto.

Jorge Calado escreveu o texto de apresentação do catálogo. Uma passagem:

(...) Rita Barros limita-se a olhar à sua volta. Muitas vezes, nem precisa de sair de casa. A história do fotógrafo-viajante é um mito; a viagem mais extraordinária está na imaginação de cada um. Rita Barros pensa nas cores e elas aparecem onde menos se espera. Antes de decifrarmos o objecto, regozijamos com o vermelho da lâmpada (uma homenagem ao Red Room de Eggleston?), o verde do selim, o dourado do sapatinho, a sinfonia cromática da toalha. Faz-me lembrar o júbilo da pintura de Matisse.
(...)
in Presenças Concretas, Ausências Abstractas


© Rita Barros

Presença da Ausência, de Rita Barros
Galeria Pente 10
Trav. da Fábrica dos Pentes (ao jardim das Amoreiras), 10, Lisboa
Até 10 de Janeiro

10 novembro, 2008

calendário



Ainda com o calendário de 2008 na parede, a marca de cafés intaliana Lavazza já imprimiu o seu tradicional almanaque para o próximo ano, onde domina de novo a produção extravagante. A vedeta escolhida para carregar no botão foi Annie Leibovitz que se ficou pelos clichés gastronómicos, históricos e sentimentais associados à Itália. A passagem dos meses é enfadonha e carregada de pastiches. Não surpreende.
Para ver todas as imagens do calendário Lavazza 2009 clique aqui


09 novembro, 2008

o regresso dos Murmúrios 2

Murmúrios do Tempo

Os edifícios, como este [Cadeia da Relação, CPF, Porto], guardam uma clareza perversa na sua estrutura, ou na ocultação dos seus desígnios. Guardam e declaram um intocado discurso do poder e, quantas vezes, do arbitrário.

Aqui todos os humanismos se excluem, e as teorias do bem-fazer, as racionalidades do progresso desencadeiam a mesma violência. Porque a civilização que puniu o delito com a pena foi a mesma que isolou a diferença e inventou para o homem incómodo o determinismo do normal e do patológico; determinismo que se afirma ou se branqueia e substitui o crime pela tendência, o homem pelo tipo, a voz pelo silêncio.

As vozes que não são ouvidas, porque menores, porque irrelevantes, enchem de murmúrios edifícios como este, gémeo das genealogias dos maiores, onde a História se inscreve sobre o corpo social que não fala, não deixa marcas, só mal-estar e rumores.

Esta é a mostra de um corpo incógnito, que a História tipificou, retirando-lhe a realidade e o nome. E, porque no seu momento de cientificação, a história criminal é também a história da fotografia, esta é uma montra de solidariedades, entre a fotografia e a repressão: do que se esconde, se insinua, do que se revela e do que se constitui na aliança do judiciário e do fotográfico.

É da natureza da fotografia cuidar da cândida garantia do seu valor de verdade, recolhido da sua tomada directa sobre a realidade. Mais do que qualquer outra, a relação da fotografia com as instituições policiais e judiciárias, esclareceu o que o fotógrafo sempre soube e, no fundo, sempre quis: que a fotografia só fala quando rodeada do simbólico, quando fruto de uma estética da representação que apela ao código social. Ao saber traduzir as ideologias judiciárias da diferença e da exclusão, através de cuidados modelos de degenerados, a fotografia tornou-se responsável pela aceitação dessas infelizes teorias, que ainda informam a nossa mentalidade.

Olhar, hoje, estes corpos de que a instituição judiciária se apropriou, obriga à descodificação paralela os discursos ideológicos e da gramática técnica, estética e social que a fotografia introduzia, - introduz, - no espaço aparentemente inócuo de uma representação verdadeira e directa do real.

Só então, estas imagens, no deliberado despojamento de pertença de todo o lugar físico e social que não seja a prisão, representam o pouco que podem representar, murmúrios sem memória, que atravessam o tempo e nos agridem.

Maria do Carmo Serén
(Texto de introdução do catálogo da exposição Murmúrios do Tempo)

>>Post relacionado
>(o regresso dos murmúrios)

Murmúrios do Tempo
Espaço Cultural Silo, NorteShopping, Porto
Até 5 de Dezembro

08 novembro, 2008

rever os americanos


The Americans
© Robert Frank

Dias antes da memorável noite eleitoral americana, o cronista do Público Pedro Mexia foi buscar a obra seminal de Robert Frank The Americans para contextualizar a forma apaixonada como sempre falamos das ideias e das imagens que nos chegam do lado de lá do Atlântico.

No ano em que se cumprem 50 anos após a publicação da primeira edição de The Americans (Paris, 1958), a editora alemã Steidl decidiu reeditar o álbum que marcou gerações de fotógrafos e lançar um olhar renovado sobre toda a obra de Frank (Zurique, 1924). De tão ambiciosa e particular, a iniciativa foi até baptizada. Chama-se The Robert Frank Project e, para além de reedições das obras clássicas, prevê novas edições de obras mais pequenas e menos conhecidas, publicação de trabalhos nunca mostrados, novos livros e o lançamento de um conjunto de DVD`s com toda a obra filmada. Centrada nas imagens do livro The Americans, mas não exclusivamente, será inaugurada também a exposição Looking In: Robert Frank’s The Americans, que começará uma itinerância na National Gallery ofArt, Washington D.C. (Janeiro 2009).
A Steidl preparou uma brochura para explicar o The Robert Frank Project, onde se conta também a história que levou à publicação de The Americans. Está aqui
Para ouvir Robert Frank a falar sobre Jack Kerouac e The Americans clique aqui (demora a carregar, mas vale a pena esperar)
Para ler a crónica de Pedro Mexia clique aqui

The Americans
© Robert Frank

Carroll


Lewis Carroll como fotógrafo vitoriano

Luís Miguel Queirós
(P2, Público, 04.11.2008)

A historiadora de arte Anne Higonnet acaba de lançar, com a chancela da Phaidon, o livro Lewis Carroll, que reúne, devidamente contextualizadas, 55 fotografias tiradas pelo criador de Alice no País das Maravilhas. Foi este extraordinário livro para crianças, publicado em 1865, bem como a sua sequela, Alice do Outro Lado do Espelho (1871), editados sob o pseudónimo Lewis Carroll, que celebrizaram Charles Dodgson. No entanto, esta singular figura da Inglaterra vitoriana teve muitos outros talentos, da matemática à fotografia.

Muito antes de publicar as aventuras de Alice, presumivelmente inspiradas em Alice Lidell, filha do deão do colégio anglicano onde ensinava, Dogson tinha já um vastíssimo currículo como fotógrafo. Ao longo de 25 anos de actividade - interessou-se pela fotografia quando esta ainda dava os primeiros passos -, produziu algumas três mil imagens. Neste livro encontram-se retratos de parentes de Dogson, paisagens, e também diversas fotografias de crianças, o tema predilecto do autor. Por vezes fotografava-as nuas, o que levou a que sobre ele recaíssem suspeitas póstumas de pedofilia. Uma tese que Higonnet desmonta, fazendo notar que, à luz das convenções sociais vitorianas, as imagens da nudez infantil eram perfeitamente aceitáveis.

Numa época dominada pela perspectiva romântica da inocência da infância, o olhar de Dogson singularizava-se mais pela sua dimensão onírica do que por uma carga sexual que estará mais no olhar contemporâneo do que nas intenções do fotógrafo.

mais cedo

The Transparent City
© Michael Wolf


As promoções de Natal chegam cada vez mais cedo ao nosso bolso. É certo que as luzinhas já começaram a piscar por aqui e por acolá, mas esta coisa de andar a desbaratar os stocks com tamanha antecedência pode ter as suas consequências...
Entre outros descontos, os saldos natalícios da Aperture oferecem uma redução de 50 por cento na assinatura da revista da casa.
A tenda está montada aqui

07 novembro, 2008

aprender

Da série Dancing With Myself, Rosa Diniz, 2008


A escola de fotografia Atelier de Lisboa vai arrancar com dois novos cursos em breve.

São eles:

Auto-Retrato e Auto-Representação
Orientador: Ana Janeiro
8 semanas - 1 sessão semanal
Sexta-Feira, 19h30 - 22h00
De 14 de Novembro a 23 de Janeiro

Laboratório Digital 1
Orientador: João Pisco
6 semanas - 1 sessão semanal
Quinta-Feira, 19h30 – 22h30
De 13 de Novembro a 18 de Dezembro

Mais informações aqui

de passagem


© Daniel Malhão


Daniel Malhão apresenta a sua primeira exposição individual na Galeria Cristina Guerra, em Lisboa. Os lugares de passagem (aeroportos, aviões, salas de espera) formam séries de grandes dimensões onde o tempo da viagem é um dos protagonistas.
A crítica de Jorge Marmeleira publicada no Ípsilon está aqui

Daniel Malhão
Galeria Cristina Guerra
R. de Santo António, 33, Lisboa
Até 22 de Novembro

06 novembro, 2008

desigualdades

Da Série Refeitórios Sociais, Centro Social dos Anjos (Sopa do Barroso)
©Valter Vinagre

O último número da revista Cais é inteiramente dedicado ao tema das Desigualdades. O colectivo Kameraphoto juntou-se à Associação Cais para uma reflexão sobre os problemas e as desigualdades sociais. Participaram Augusto Brázio, Céu Guarda, Guillaume Pazat, Jordi Burch, Martim Ramos, Pauliana Valente Pimentel, Pedro Letria, Sandra Rocha e Valter Vinagre.
Os trabalhos impressos na revista podem também ser vistos na Estação do Rossio, em Lisboa, até 17 de Novembro.


© Céu Guarda

04 novembro, 2008

volver

Volver
© Inês d'Orey

Inês d`Orey continua às voltas com os silêncios que provocamos nos espaços. E à procura de explicar a ligeireza com que deixamos de nos relacionar com lugares de uso rotineiro. Em Volver - onde é protagonista a Escola de Arquitectura da Universidade do Minho, projecto da autoria de Fernando Távora e José Bernardo Távora - são colocados em fricção os sinais de vivência e manejo com os de abandono e depuração.
Em Paris, na FetArt, no âmbito do Mois de la Photo, a fotógrafa do Porto apresenta imagens da série Porto Interior com que venceu o prémio Novo Talento Fotografia FNAC do ano passado.

O texto completo de apresentação de Volver está aqui

[...]
Esta harmonia tranquilizadora, centrada no vazio, no silêncio, por certo tão ao gosto dos arquitectos que projectaram estes espaços (porque se reconhece a partilha de uma geometria que implica a arquitectura e fotografia numa representação abstracta e perene para lá da vida) só é posta em causa, e ainda assim sem comprometer nada, pela invasão lenta das ervas e heras que atacam o recanto da garagem ainda por inaugurar. Imaginamo-las aproveitar o abandono sazonal do edifício, para lentamente reivindicar a ruína e morte temporária da arquitectura. Sabemos ser esta invasão um acto menor e inconsequente no quotidiano da Escola. Mas não menos importante, não fosse a representação a vontade romântica de "tornar presente o que está ausente" quando estamos lá e não vemos o que acontece quando não estamos.

Pedro Bandeira


Volver, de Inês d'Orey
Escola de Arquitectura, Universidade do Minho, Guimarães,
Até 30 de Novembro

03 novembro, 2008

Nicarágua


Nem sempre a abordagem jornalística é a melhor forma de informar, relatar ou explicar acontecimentos. Às vezes é preciso sair da linguagem e dos ritmos particulares desse protocolo para encontrar as imagens que melhor espelham a realidade, para uma aproximação mais eficaz aos pequenos detalhes que tantas vezes carregam as chaves dos mais complexos universos. Quando Susan Meiselas chegou à Nicarágua, no início de 1978, tratou de despir o traje de fotógrafa de guerra. Optou antes por um registo ensaístico, muito mais demorado e paciente, que lhe havia de trazer reputação e glória. Em 30 de Julho de 1978, o New York Times publicou uma série de fotografias suas que acompanhavam uma grande reportagem sobre a ascensão sandinista no país. O brilharete nas páginas do Times abriu-lhe portas para outros zonas quentes do globo, mas Meiselas preferiu ficar na Nicarágua durante largos meses para tentar "acompanhar o ritmo da história".
Em 2004, a fotógrafa da cooperativa Magnum voltou ao país para mostrar as suas imagens aos protagonistas que nelas aparecem. O DVD com essa deslocação (Pictures from a Revolution) é só um extra do álbum Nicarágua, agora reeditado pela Aperture, em colaboração com o International Center of Photography de Nova Iorque.

02 novembro, 2008

o poder


Começa amanhã na Biblioteca Municipal Almeida Garrett e no Cinema Passos Manuel, no Porto, a quinta edição do Ciclo de Fotografia e Cinema Documental - Imagens do Real Imaginado que este ano preparou um conjunto de iniciativas acerca d' O Poder das Imagens. A programação é da responsabilidade do Departamento de Fotografia, Cinema, Audiovisual e Multimédia da ESMAEIPP com o apoio da Alliance Française e do Goethe Institut.

Jorge Campos apresenta o tema assim:

[...]
Este ano, o Ciclo propõe-se interpelar as imagens no contexto das representações e narrativas sobre o mundo. Não é uma questão menor. Concreta e não geral como o termo linguístico, a imagem comunica todo um conjunto de emoções e significados como que obrigando a captar instantaneamente um todo sensorial indiviso. Então, como lidar com ela, agora, no mundo das propagandas silenciosas e das máquinas censurantes? Fazendo das suas narrativas um convite à reflexão ou sucumbindo, talvez com deleite, ao fascínio e à hipnose? Hipóteses a considerar, entre outras, em O Poder das Imagens.

Algumas iguarias do cardápio (textos da organização):

Dia 3
>14h45, BMAG
Masterclass de Christian Milovanoff - O Poder das Imagens
(
Christian Milovanoff é diplomado em Sociologia e em etnografia pela Universidade d’Aix en Provence e em estudos de Arte pela Universidade de Urbino, na Itália. Professor na École Nationale de Photographie d’Arles é autor de vários estudos sobre fotografia, como “As fotografias de Claude Levi-Strauss”, e cinema, nomeadamente sobre as obras dos cineastas Johan van der Keuken e Frederick Wiseman. Foi convidado por duas vezes, entre 1981 e 1986 e 2007-2008, pelo Musée du Louvre para realizar trabalhos de fotografia a partir das obras do Museu que ali foram apresentados. Tem realizado inúmeras exposições na Europa e nos Estados Unidos.)

>16h15, BMAG
Masterclass de Val Williams - Martin Parr: Photographic Works
(Val Williams é professora da University of the Arts London onde dirige o Centro de Investigação “Photography and the Archive”. Editora do livro: Martin Parr: Photographic Works, publicado pela Phaidon Press em 2002 e comissária da exposição: Martin Parr: Photographic Works 1970 - 2002 da Barbican Art Gallery e do National Museum of Photography Film and TV.)

Dia 4
>
14h30, BMAG
Masterclass de Ray Müller - Um pacto com o diabo
(Nascido 1948, Ray Müller cursou Literatura inglesa e francesa, na Universidade de Munique. Estudou cinema em Londres e Montpellier. Depois de terminado o M.A. trabalhou como argumentista e realizador na televisão, especializando-se em documentários. O seu filme mais conhecido e premiado é The Wonderful Horrible Life of Leni Riefenstahl. Ray Müller é professor convidado da Universidade de Berkeley, Califórnia, desde 2006.)

>16h30, BMAG
Filme The Wonderful Horrible Life of Leni Riefenstahl (1993), de Ray Müller
Apresentação do autor
Filme Ein Traum Von Afrika (Um Sonho de África, 2003), de Ray Müller
Apresentação do autor

>21h45, BMAG
Filme Olimpíada (1938), de Leni Riefensthal
Apresentação de Ray Müller

Dia 6
14h30, BMAG
Masterclass de Ulrich Hägele - A Fotografia e o III Reich
(Ulrich Hägele tem formação em Estudos Culturais e História da Arte pela Universidade de Tübingen. Curador de Museus e redactor de Rádio na emissora SWR em Estugarda e Baden-Baden. É investigador em Ciências da Comunicação na Universidade de Tübingen e especialista em Propaganda do III Reich.)

O programa completo está aqui

O Poder das Imagens
Ciclo de Fotografia e Cinema Documental - Imagens do Real Imaginado
Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Cinema Passos Manuel, Porto
De 3 a 7 de Novembro de 2008

01 novembro, 2008

o regresso dos murmúrios



Murmúrios do Tempo é das exposições de fotografia que mais recordo. É daquelas que fulminam. E que nos fazem estremecer. É daquelas onde se sente a vibração máxima dos olhares fotográficos. Esses olhares de espanto, de susto, de altivez, de desespero, de tristeza, de vergonha e de loucura. Esses olhares contrariados de quem foi confinado num espaço, num tempo. De quem ficou duplamente aprisionado. Haverá poucas exposições em Portugal onde o espaço dirá tanto às imagens que guarda e mostra como a Cadeia da Relação e os retratos dos seus indigentes, os figurantes de Murmúrios do Tempo, uma das primeiras exposições do Centro Português de Fotografia (Dezembro 1997).
É difícil imaginar esta sucessão de imagens num espaço como o Silo, do NorteShopping, no Porto. Sobretudo depois do que se viu e onde se viram estes rostos proscritos. Em todo caso, louve-se a iniciativa de trazer de novo à luz fotografias que fazem mais do que se mostrar - sussurram-nos histórias de vida, pequenas ou grandes.

Murmúrios do Tempo
Espaço Cultural Silo, NorteShopping, Porto
Até 5 de Dezembro

de comboio


O Museu Ferroviário de Lousado, de Vila Nova de Famalicão, está a comemorar a primeira viagem de comboio em Portugal (28 de Outubro de 1856) com uma exposição de fotografia (Entrocamento – Ao Encontro da Luz) de José Chambel Cardoso e José Manuel Antunes.


Entrocamento – Ao Encontro da Luz
De José Chambel Cardoso e José Manuel Antunes
Local Museu Ferroviário de Lousado, Vila Nova de Famalicão
Até 28 de Dezembro

31 outubro, 2008

Helmut Newton

Domestic nude, 1993
© Helmut Newton


Helmut Newton fotografava assim

Inês Nadais
(P2
, Público, 31.10.2008)

Nas imagens de Helmut Newton (Berlim, 1920-Los Angeles, 2004), as mulheres comem sexo ao pequeno-almoço: não há espaço para mais nada a não ser para esse mínimo denominador comum da condição humana, como demonstram as fotografias desde ontem expostas na galeria La Fábrica, em Madrid. Ele não mostrava as mulheres como elas eram: mostrava as mulheres como elas iam ser.

Há um extraordinário sentido de futuro nas 18 fotografias agora reunidas em Madrid (11 imagens da série Special Collection, quatro do portfólio Cyberwomen, e ainda Parlour Games, Domestic Nudes e Teacher and Slave): Helmut Newton não era um fotógrafo, era um visionário, e isso faz com que seja possível olhar para estas imagens feitas na década de 90 e ver o futuro, mais do que o passado. Cibermulheres, amazonas domésticas, raparigas com causa (e que dão o corpo por ela): com ele, elas passaram de objectos sexuais a sujeitos sexuais. É essa revolução na história da fotografia (e, em geral, na história da representação da mulher) que a galeria La Fábrica pretende sublinhar nesta retrospectiva (a galeria chama-lhe, em subtítulo, qualquer coisa como Visionando La Mujer del Nuevo Milenio) que fica até ao fim de Novembro.

Filho de uma norte-americana e de um judeu que era fabricante de botões, Helmut Newton nasceu em Berlim, de onde fugiu em 1938, três semanas depois da Noite de Cristal (onda de violência dirigida pelos nazis contra os judeus, na Alemanha e na Áustria). Foi em Singapura, no final desse ano, que se tornou fotógrafo, mas só a partir de 1961 (durante a Segunda Guerra Mundial interrompeu a carreira para conduzir camiões no Exército australiano), ano em que se fixou em Paris, é que definiu mais objectivamente aquilo que lhe interessava e se impôs como a testemunha de um certo mundo (um mundo que ele transformou em iconografia): "Evitei tanto quanto possível fotografar em estúdio. Ao fim e ao cabo, uma mulher não passa a vida sentada ou de pé contra um papel de parede. Embora isso não facilite o meu trabalho, prefiro sair à rua com a câmara, enfiar-me em lugares públicos e privados que geralmente só as pessoas ricas frequentam. Foram sempre esses lugares, normalmente inacessíveis aos fotógrafos, que mais me estimularam."

Os trabalhos que fez para revistas como a Vogue, a Elle e a Marie Claire converteram-no num dos mais célebres fotógrafos de moda (ao ponto de não ser possível fazer a história da moda na segunda metade do século XX sem passar por ele). Não podia ter havido um destino mais surpreendente do que esse para um homem que não tinha uma política de gosto: 'Odeio o bom gosto. É o pior que pode acontecer a um artista.'


Helmut Newton
La Fábrica Galería
Verónica, 13, Madrid
Até 29 de Novembro

Benoit Aquin

Untitled 08, Genghis Khan Braving the Storm Series: The Chinese "Dust Bowl"
Xilinhot, Mongólia, China
© Benoit Aquin

O fotógrafo canadiano Benoit Aquin é o grande vencedor do Prix Pictet 2008, entregue ontem à noite em Paris pelo Prémio Nobel da Paz e antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan. A série reconhecida chama-se The Chinese Dust Bowl e aborda a falta de água e a desertificação na China. O Prix Pictet é o único galardão mundial de fotografia centrado na sustentabilidade. A água foi o tema escolhido para a edição inaugural. A bolsa atribuída é de 50 mil libras (cerca de 60 mil euros).
Na China, Benoit Aquin, 45 anos, registou a maior conversão de terra produtiva em terra árida. Trezentos milhões de pessoas são afectadas pelas tempestades de pó na China provocadas pelos terrenos secos que se estendem por quilómetros. A série vencedora retrata os escassos recursos de água, a desertificação e os refugiados ambientais.
Mais de 200 fotógrafos, de 43 países, foram nomeados nesta primeira edição do Prix Pictet, no qual Jorge Molder, fotógrafo e director do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, participou como júri. Dezoito dos melhores fotógrafos mundiais foram escolhidos para a fase final.
O Prix Pictet, patrocionado pelo banco suíço Pictet & Cie e pelo jornal Financial Times, publicou recentemente o álbum L’eau (TeNeues), uma obra que reúne as melhores fotografias dos finalistas.

Para ver mais fotografias de Benoit Aquin clique aqui

> Post relacionado
>> Prix Pictet

30 outubro, 2008

4-3=1

An American Index of the Hidden and Unfamiliar
© Taryn Simon

O vencedor deste ano do Deutsche Börse Photography Prize 2009 vai ser um destes quatro nomes: Paul Graham (1956, Ing.), nomeado pelo livro A Shimmer of Possibility (steidlMACK, 2007); Emily Jacir (1970, Pal.), nomeada pela instalação Material for a Film, apresentada Bienal de Veneza 2007; Tod Papageorge (1940, EUA), nomeado pela exposição Passing Through Eden - Photographs of Central Park, apresentada na Michael Hoppen Gallery, em Londres; Taryn Simon (1975, EUA), nomeada pela exposição An American Index of the Hidden and Unfamiliar, na Photographers' Gallery, em Londres.

Passing Through Eden - Photographs of Central Park
© Tod Papageorge

29 outubro, 2008

a Oeste, nada de novo 2

Stern portfolio
© Steve Klein

Primeiro Nick Knight, agora Steve Klein. Voltou a polémica sobre as fotografias da não menos polémica campanha Portugal Europe’s West Coast. Já corre um abaixo-assinado online dirigido ao primeiro-ministro a protestar contra a possível escolha do fotógrafo norte-americano que a troco de 1 milhão de euros (!) produzirá a segunda vaga de imagens (6 ao que consta) com o olímpico objectivo de promover Portugal "lá fora".
Klein é um fotógrafo multifacetado com trabalhos que vão desde a performance fotográfica a campanhas publicitárias das mais cotadas marcas do mercado. Não são raras as vezes que estrelas como Madonna ou Brad Pitt entram na sua objectiva.
O contrato estará a ser negociado por um destes organismos ou pelos três ao mesmo tempo: Ministério da Economia e da Inovação; Turismo de Portugal; Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

A petição (que pode ser lida aqui) é uma iniciativa dos "Fotógrafos profissionais de Portugal" e pede a José Sócrates para "salvaguardar, apoiar e promover o trabalho dos profissionais de fotografia portugueses, de forma a proteger a própria imagem do nosso País".

O site de Steve Klein está aqui

>Post relacionado
>> a Oeste, nada de novo

Jesus

Jesus is my Homeboy
© David LaChapelle

Galeria londrina Robilant + Voena mostra a peculiar crítica da sociedade de consumo feita por David LaChapelle através de um conjunto de fotografias que tem Jesus Cristo como protagonista. A série foi originalmente publicada em 2003 na revista inglesa I-D.

LaChapelle explica o trabalho Jesus is my Homeboy aqui

Catografias

© Susana Neves

Faltam poucos dias para o fim da exposição de Susana Neves na Galeria Diferença, em Lisboa. National Catographic Magazine usa de forma sensual a percepção e a escala rumo a universos visuais insuspeitos ou descurados. Pontos de partida: pêlos de gato e pétalas. Pontos de chegada: desconhecidos.

As 'gatografias', expostas na Galeria Diferença, não cumprem uma função meramente documental, nem retratam seres inventados, transicionais, a caminho de um Bestiário surreal (...). São mais desertos de gatos, ou cordilheiras e florestas, descobertos num gato sem mestre, nem cenário outro que a ausência de cenário.
A artista quis olhar para os gatos como se fossem flores. E para as flores como se tivessem todas as qualidades felinas clássicas, o mistério, a leveza, a subtil densidade, a capacidade de voo e outras não nomeáveis, a não ser por recurso à arte aristocrática da poesia. Assim, o outro conjunto de imagens de 'National Catographic Magazine', as metamorfoses de uma pétala transformada em signo, em vez de provir de um
herbarium inventado (...) explora os pontos de contacto entre duas realidades exógenas.

Hikaru Katashi, Para Acabar de Vez Com a Fotografia de Gatos

National Catographic Magazine, de Susana Neves
Galeria Diferença
R. S. Filipe Néri, 42 cave, Lisboa
Até 8 de Novembro

28 outubro, 2008

Jonathan Jones

© Dryden Goodwin/Stephen Friedman Gallery

Andava a passear pelo site do Guardian e encontrei o blogue de Jonathan Jones. Fala sobre arte em geral e, de quando em vez, de fotografia.
Este post é sobre o horror nas fotografias de Alexander Gardner.
E este é sobre as fotografias desenhadas que Dryden Goodwin mostra na Photographers' Gallery, de Londres.


Detalhe de uma vista estereoscópica captada por Alexander Gardner em Richmond, Virginia
(Hulton Archive)

27 outubro, 2008

a América de Chris Morris

My America
© Christopher Morris

Durante os últimos anos, o fotojornalista americano Christopher Morris, que já esteve em Portugal para julgar o Prémio Visão/BES, fotografou exaustivamente os protagonistas da política interna dos EUA, em particular a Casa Branca e o seu principal inquilino. Parte desse trabalho, que mostra política sem mostrar caras de políticos, foi impresso há dois anos no livro My America. Agora que George W. Bush se prepara para sair de cena, a galeria londrina Host decidiu recuperar o olhar astuto de Morris sobre os últimos anos do reinado republicano em Washington. O Guardian foi à exposição e ouviu o fotógrafo para quem W. Bush "até é boa pessoa".

Chris Morris explica o seu trabalho aqui

26 outubro, 2008

viagem a Enschede

(© Kate Jackling/Mark Pattenden)

Era para ser uma "peregrinação de despedida" à última fábrica a produzir os cartuchos de fotografias Polaroid, mas a viagem de dois fotógrafos ingleses - Kate Jackling e Mark Pattenden - a Enschede, na Holanda, transformou-se em algo mais. A autorização sem restrições para registar a fábrica (desde que fosse em suporte Polaroid) substituiu a nostalgia pela força criativa. E o resultado desse percurso pelas entranhas do espaço de onde saíram os derradeiros quadrados brancos de fotografia instantânea vai ser transformado numa exposição e num livro. Esperamos para ver.
Enquanto não chega esse momento, já se pode espreitar para uma amostra desse passado aqui

(a viagem de Kate Jackling e Mark Pattenden a Enschende vem contada na edição de Outubro da Wallpaper que não disponibiliza online os artigos da edição impressa)

(© Kate Jackling/Mark Pattenden)

PHotoGalicia

Sem título, 2007
(
© Victoria Diehl)

O PHotoEspaña tem desde o ano passado uma versão redux - o PHotoGalicia. E, tal como no ano passado, há exposições e actividades nas principais cidades galegas, a saber Vigo, A Coruña, Ferrol, Ourense e Lugo. A fotografia histórica está representada pela grande retrospectiva de W. Eugene Smith e a colectiva Neorealismo: A nova imagem em Itália, 1932-1960. Do lado da fotografia contemporânea há o inquietante e engenhoso projecto do catalão Javier Vallhonrat, a galega Victoria Diehl e o italiano Gabriele Basilico.

Para conhecer o programa do PHotoGalicia clique aqui

 
free web page hit counter