30 maio, 2008

Topologies

(©Edgar Martins)


Edgar Martins lança hoje na Fnac do Chiado, em Lisboa, o seu último álbum Topologies, editado pela Aperture. A sessão começa às 18h30.

29 maio, 2008

inauguração II

(© Mathieu Pernot)

No ano passado, por esta altura, estavam todos ainda muito cautelosos, mas notava-se aqui e ali uma vontade de incluir Portugal no roteiro das exposições do PHotoEspaña. Hoje, o tiro de partida para a 11ª edição do festival é dado em Lisboa, no Museu Colecção Berardo, com a exposição colectiva Utopía. A uma semana da abertura do grosso das propostas do PHE08, em Madrid, o Centro Cultural de Belém recebe os trabalhos de 10 fotógrafos contemporâneos que representam a arquitectura racionalista dos anos 50 e 60 como eco das utopias políticas que correram na primeira metade do século XX.
Frédéric Chaubin, Gayle CHong Kwan, Tacita Dean, Arni Harldsson, Alex Hartley, Wiebke Loeper, Mathieu Pernot, John Riddy, Stuart Whipps e Amir Zaki dão-nos o seu olhar sobre os edifícios construídos para "tornar o mundo um lugar melhor, metáfora da preocupação pelo futuro da sociedade ocidental". O conjunto foi comissariado por Paul Wombell e foi pensado para fazer companhia e entrar em diálogo com a exposição Le Corbusier - Arte e Arquitectura que actualmente também se pode ver no CCB.

Para ouvir a apresentação feita hoje pelo comissário clique aqui.
O texto de Alexandra Prado Coelho sobre a exposição está no P2 de hoje aqui.

Gayle Chong Kwan, Babel
(
© Gayle Chong Kwan)

Utopía, de Frédéric Chaubin, Gayle CHong Kwan, Tacita Dean, Arni Harldsson, Alex Hartley, Wiebke Loeper, Mathieu Pernot, John Riddy, Stuart Whipps e Amir Zaki
PHotoEspaña 2008
Museu Colecção Berardo, CCB, Lisboa

28 maio, 2008

inauguração I

Da série Love Forbids Us To Love
(
© Miguel Santos)

Depois do arranque com um nome consagrado, José M. Rodrigues, a galeria de fotografia Pente 10 aposta agora no trabalho de Miguel Santos que se estreia no suporte fotográfico em Portugal. Love Forbids Us To Love é o título escolhido para o conjunto de 32 imagens captadas ao longo de uma longa viagem por lugares incertos e sempre ao volante de um carro que aqui é bem mais do que um invólucro que serve para nos levar de um sítio para o outro. Há nestas fotografias uma presença constante dessa máquina que vai pautando a velocidade, o percurso, os cenários, a luz, a quase escuridão, a vertigem e até a forma do que ficou registado, como que a imitar o widescreen do pára-brisas. Aqui, são-nos dadas as condições mínimas para a deslocação, a procura ou a fuga. Agora, embarque quem quiser.

Da série Love Forbids Us To Love
(
© Miguel Santos)

Love Forbids Us To Love, de Miguel Santos
Galeria Pente 10, Travessa da Fábrica dos Pentes, 10, Lisboa
(ao jardim das Amoreiras)
Até 27 de Junho

27 maio, 2008

/uma fotografia, um nome\


Virgílio Ferreira, da série Peregrinos do Quotidiano
(© Virgílio Ferreira)

Do baú dos mistérios Virgílio Ferreira retirou os Peregrinos do Quotidiano, série a que pertence esta imagem. Num contexto feérico, que sugere transparências e vidros na inversão das palavras, um jovem caminha para nós, alheio a tudo, mas talvez não à sua própria imagem. A série foi levantada em diversas cidades do Oriente, mas esta cena é-nos familiar, é bem nossa.

Como um executivo juvenilmente negligente, envolvido pela agitação de uma cor verde que cintila, atravessa sem ver uma cidade da nossa cultura da comunicação. Não a aldeia global de uma comunidade utópica, mas a desertificação do gregário: a cidade, qualquer cidade como esta, reduz-se a um imenso átrio de informação, o espaço público afirma-se para lá do fora, inquieta a noite dos seus utentes com a sua presença compulsivamente ligeira; a sua presença permanece subliminar nos desejos e determinações de cada um. É, ainda, uma cidade que se oferece como espectáculo onde os homens entram e saem em diferentes cenários devidamente esclarecidos. No espaço privado que o deve esperar, o jovem da imagem irá desencadear, voluntariamente, um sem número de canais que abrem a constância da rede de informação que nos parece tutelar.

É um contexto asfixiante, mas é o nosso e reverenciado. As imagens fotográficas renovaram a paisagem, que perdeu o bucolismo da beleza de contemplação, mas ganhou o esplendor da invasão dos sentidos. A festa, aqui e em qualquer lugar, é sempre uma manifestação do excesso, uma encomenda de cor e ruído imaginado, - adrenalina e uma viagem consigo mesmo.

Esta fotografia insinua que a festa dos sentidos nos absorve e nos deixa indiferentes. Talvez dê a ligeireza do passo daquele jovem, porque a festa dos sentidos é uma atmosfera que entra com passos leves, engole-nos a percepção, mas deixa marcas, cobra-nos o ritmo e o brilho nos olhos. Sabemos que matou a festa da fundação, onde cada um se pensa outro, no meio do grupo; sabemos que trouxe consigo a banalidade do sentir, a parede de vidro da habituação do corpo, sem imaginário fiável. É vista, ainda, como uma fábrica e solidões, quando sentimos que não nos pertence e a comunidade nos parece tão instável como um rebanho de linfócitos numa lamela de laboratório: recebe informação e dispersa para nenhures. Então, a festa dos sentidos é negra, é uma doença, uma febre.

O culto da efemeridade dá-se bem com estes anúncios, estes avisos e estas luzes coloridas no escuro. Virgílio Ferreira, tendo como simulação apenas o projecto, faz fotografia directa, controla o visível e o invisível, não usa o digital e o computador. Dá-nos pois a realidade envolvida pelo seu imaginário. O que passa necessariamente por estes efeitos bem reais, da globalização do mundo e dos homens. À noite, na indefinição dos equipamentos de apoio, rodeia-nos a floresta rude, imperativa, sem luvas brancas, da informação. Gostaríamos de passar por ela com a atrevida indiferença do jovem com a sua esvoaçante luz verde, tão irreal como um resplendor. Porque, afinal, este mundo é muito belo e pode transmitir ao homem a inefabilidade do existir num passo leve e ligeiro. Virgílio Ferreira colocou o seu personagem a passar ao lado de tudo, pois entendeu que o sujeito da imagem não é ele, mas o mundo que o rodeia. Não se alterou, ao que vemos, o tema da paisagem.

Maria do Carmo Serén

construir

Flags, 2008
(© Thomas Weinberger, cortesia Nusser Baumgart Contemporary, Munique)

O fotógrafo alemão Thomas Weinberger captou a imagem escolhida para a capa do catálogo da exposição Ingenuidades, que no ano passado fez as delícias de quem gosta de fotografia em Portugal. A galeria Nusser & Baumgart Contemporary, de Munique, inaugura no dia 30 uma nova exposição de Weinberger, um ex-arquitecto que tem uma técnica muito particular de construção fotográfica – capta em suporte analógico o mesmo espaço de dia e de noite e faz uma sobreposição digital dos dois negativos. A mostra chama-se Operational Reality, um título que, segundo o artista, se inspira nos actos provisórios dos físicos que adoptam modelos operativos como complemento matemático à compreensão de fenómenos da física quântica.
As fotografias de Weinberger captam sobretudo espaços urbanos e industriais sem pessoas, espaços que habitualmente consideramos desconfortáveis nos arrabaldes ou nas zonas menos nobres das grandes urbes. As imagens finais resultam em lugares-tempo indefinidos, uma realidade visual inventada de luminescência etérea.
Uma dessas construções fotográficas foi captada em Portugal e representa o campo de futebol do Atlético Clube de Portugal, clube da zona de Alcântara, em Lisboa.


Nr. 7, 2007
(© Thomas Weinberger, cortesia Nusser Baumgart Contemporary, Munique)

26 maio, 2008

secret names

(© Inês Gonçalves)

Há um rapaz equipado com o fato e o equipamento do Batman; outro empunha a pose e a convicção de caçador, enquanto outro ainda despe a máscara de um morto-vivo, mas mantém um olhar ao mesmo tempo malandro e atemorizador... Há a pequena cowgirl a olhar o horizonte, a menina que se disfarça de gata escondida dentro de um casaco da irmã mais velha ou da mãe, ou ainda a rapariga que à janela de um automóvel assume a maquilhagem e o olhar de uma Marilyn "inadaptada"...
São todos rostos com nome próprio, mas são secret names, o que significa dizer crianças anónimas captadas num intervalo da correria do Carnaval de Badajoz, no ano 2000.
Secret Names é o título da exposição que a fotógrafa Inês Gonçalves inaugurou este mês na galeria P4Photography, na Rua dos Navegantes, em Lisboa.
É a primeira apresentação pública deste trabalho resultante da participação da fotógrafa num projecto lançado pelo Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporánea (MEIAC), em Badajoz, com o objectivo de fotografar sucessivas edições do Carnaval da cidade, e que envolveu fotógrafos de várias nacionalidades.
Olhando, agora, com o recuo de oito anos, para este trabalho, Inês Gonçalves diz que ele se inscreve na sua atenção ao rosto humano e ao retrato. A artista recorda, contudo, que partiu para este projecto sem programa prévio. "O que mais me chamou a atenção foi a universalidade do imaginário que estas máscaras e estes fatos transparecem", diz, notando que nada neles inscreve o lugar onde estão. "Isto aconteceu em Badajoz, mas podia ser em Portugal ou na América. Todos vêem os mesmos filmes, a mesma televisão, todos participam do mesmo imaginário", acrescenta Inês Gonçalves, que ultimamente se tem interessado mais pela África, continente que diz ter ainda uma identidade que a distingue - está actualmente a trabalhar em S. Tomé e Príncipe, num projecto associado à companhia de teatro Formiguinha, e que inclui a realização de um documentário e de uma exposição.
De regresso a Secret Names, a exposição é apresentada por um texto - Nomes secretos à procura de uma máscara - do poeta João Miguel Fernandes Jorge que, a certa altura, escreve: "De certo modo, nenhum dos fotografados andará longe deste modo de "anjo caído" no espaço do tempo que Inês Gonçalves (con)firmou em fotografia. Eles são registo de silêncio. Um silêncio sem sombra." E foi, de certo modo, um trabalho de silêncio que a fotógrafa procurou na abordagem aos seus "modelos". "Não me interessei pela história particular de cada uma das crianças que fotografei. Limitei-me a pedir-lhes autorização para as fotografar. Quis, sobretudo, registar rostos sem identidade nem pátria. São máscaras universais."

Sérgio C. Andrade (P2, 19.05.2008)


(© Inês Gonçalves)


Secret Names, de Inês Gonçalves
P4Photography, Rua dos Navegantes, nº 16, Lisboa
Até 28 de Junho

Cornell Capa (1918 - 2008)

Cornell Capa, Nova Iorque, 1983
(© Petr Tausk)

Em Dezembro do ano passado, assim que a "mala mexicana" de Robert Capa aterrou nos EUA, a realizadora, comissária e fotógrafa britânica Trisha Ziff levou-a de imediato a casa de Cornell Capa, zeloso guardião do espólio do irmão. Cornell viu os rolos com 3500 negativos de fotografias inéditas da Guerra Civil de Espanha e pode ter cumprido um dos seus últimos desejos: garantir que o trabalho de Robert ficasse ao cuidado do International Center of Photography (ICP) para ser devidamente tratado e divulgado.
Cornell Capa, fotojornalista, editor e fundador do ICP, morreu na última sexta-feira em Nova Iorque. Foi um dos primeiros fotógrafos da revista Life e, em 1954, juntou-se à agência fundada pelo seu irmão, a Magnum, da qual foi presidente entre 1956 e 1960.
Cornell nasceu em Budapeste em 1918 e mudou-se para os EUA em 1937, depois de uma curta estadia em Paris. Como repórter trabalhou na União Soviética e cobriu a Guerra dos Seis Dias, em Israel. Os seus principais trabalhos focaram a política e a pobreza na América Latina, assim como as questões sociais da América. Nos EUA acompanhou ainda o percurso de vários presidentes, entre os quais JFK. Em 1966, fundou o International Fund for Concerned Photography em homenagem ao seu irmão e a outros fotojornalistas que perdem a vida em trabalho. Com esta iniciativa, Cornell ajudou a cunhar o termo "fotografia comprometida". Mais tarde, em 1974, o Fundo viria a dar origem ao ICP, com sede em Nova Iorque, do qual Cornell foi director durante 20 anos.

>>Post relacionado:
>(Os bombons de Capa)

Dissidentes detidos depois do assassínio de Anastasio Somoza, Managua, Nicaragua, 1956
(Cornell Capa/Magnum Photos, cortesia do International Center of Photography)

20 maio, 2008

edgar

Landscapes Beyond: The Burden of Proof
(© Edgar Martins)


Edgar Martins soma e segue. O fotógrafo português, actualmente a viver em Londres, ganhou um prémio na categoria Personal/Fine Art Series da primeira edição do New York Photo Festival. Edgar concorria com trabalhos de outros 19 fotógrafos de todo o mundo.

A lista completa dos premiados pode ser lida aqui.

19 maio, 2008

a bandeira de chaldej

Ievgueni Chaldej, Berlim, 1945
(© Sammlung Ernst Volland / Heinz Krimmer)

O cenário era perfeito, mas a bandeira não mostrava o que devia mostrar: a foice e o martelo no cume do Reichstag (Parlamento alemão), símbolo máximo da derrota nazi aos pés do Exército Vermelho em Berlim, em 1945. A manipulação da famosa imagem do soldado russo está longe de ser pioneira na história da fotografia. Antes de Ievgueni Chaldej, foram muitos os que não resistiram ao retoque, à sobreposição e ao apagamento de pormenores incómodos no negativo. Mas a importância histórica do desfraldar desta bandeira transforma esta mentira de Chaldej num "pecado" ainda maior. Porque era demasiado perfeita, imaculada. E por isso não merecia essa matriz intrujona a roçar o ilusionismo. Como se não bastasse, na mesma imagem foram apagados os dois relógios do pulso do valente soldado soviético, sinal de que teria havido pilhagens durante a tomada final da capital alemã e de que a queda do Terceiro Reich não teria sido uma operação tão bem comportada como o regime estalinista quereria fazer crer.

O museu alemão Martin Gropius organizou uma grande retrospectiva do fotógrafo ucraniano cujo génio vai, obviamente, muito para além das fotografias comprometidas com o regime soviético. Foram escolhidas 200 provas que dão, pela primeira vez, uma visão geral do seu trabalho e onde se nota, segundo a organização, a tensão entre a fotografia de propaganda e a fotografia documental. Todas as imagens vieram da colecção de Ernst Volland e Heinz Krimmer. A exposição é composta ainda por trabalhos dos fotógrafos russos Dimitri Baltermans e Georgi Petrussov.

Nascido em Donetsk, em 1917, Chaldej começou a fotografar para a agência TASS em 1936. Ao serviço dessa agência registou boa parte da Segunda Guerra Mundial, particularmente a partir do momento em que as tropas de Hitler invadem a ex-União Soviética. Depois do conflito trabalhou alternadamente, até 1970, para a TASS e para o jornal Pravda. Morreu em Outubro de 1997.

Ievgeny Chaldej – The Decisive Moment. A Retrospective
Martin-Gropius-Bau, Berlim
Até 28 Julho

16 maio, 2008

à venda 5

Victor Palla, sem título, c. 1952

A Potássio 4 já vai para o quinto. O quinto leilão de fotografia (e não só). Desta vez a casa leiloeira e galeria propõe uma venda monotemática baseada num espólio quase todo inédito do arquitecto Victor Palla, um dos autores do célebre álbum Lisboa, Cidade Triste e Alegre.
Na primeira série de lotes revela-se um fotógrafo surrealista (admirador de Fernando Lemos?) voltado para vários tipos de experimentalismos, como as sobreposições e os cortes. Depois vem outra grande surpresa: esboços de páginas de Lisboa, Cidade Triste e Alegre, material promocional da obra e três livros completos do mítico álbum. Há também vários livros com design assinado por Palla, desenhos a carvão, pintura, colagens e máquinas fotográficas do autor.
O leilão está agendado para o dia 29 de Maio, às 21h30, nas instalações da galeria, na rua dos Navegantes, 16.

O catálogo do leilão pode ser descarregado aqui.

>>Post relacionado:
>(Victor Palla (1922-2006))

Notas manuscritas em provas de página do álbum Lisboa, Cidade Triste e Alegre, c. 1958

15 maio, 2008

O IF volta ao Soares dos Reis

(© António Drumond)

No dia de S. João, em 1976, um grupo de fotógrafos do Porto fundou o IF, (Ideia e Forma) com a intenção, tão eufórica como o dia, de abanar os convencionalismos da fotografia portuguesa. Programa-se uma campanha indefinidamente definida de trazer a público exposições e instruções que divulguem um olhar livre, diverso e reflexivo sobre o tempo e o lugar. O Porto está muito presente. A sigla acabará por definir-se, na divulgação das mostras colectivas dos oito e depois nove amigos, Luís Abrunhosa, Henrique Araújo, Manuel Magalhães, José Marafona, José Carlos Príncipe, João Sotto Mayor, Manuel de Sousa, Mário Vilhena e António Drumond, que não participa nas primeiras actividades.

IF são várias formas de imprimir em ideias
IF não quer dizer “se”
IF é um polígono de lados iguais
IF não entra em competição
IF forma vai tentar ser IF ideia.

Há um eco surrealista no IF, que se manterá e que todos atribuem ao espírito de Manuel Sousa, responsável por fotografias que provocam pela forma ou pela ideia: Esperar por D. Sebastião, quer venha ou não ou a O IF vê estupefacto o Museu da Associação Fotográfica do Porto, verdadeiro cartão de visita do grupo. Manuel Sousa adoece e acabará por morrer, mas o IF sempre guardou a sua memória de olhar desmistificador.

(© Henrique Araújo)

Em Outubro desse ano surge a primeira mostra, Tema livre, aureolada de muitas explicações , (na Bertrand, Lisboa) e, ainda nesse ano, Convívio (Guimarães) e Vilarinho das Furnas, (AFP, APAF, Lisboa e Santo Tirso). No ano seguinte, 1977, três projectos: Comboios d’ontem, imagens d’hoje, Ponte Maria Pia e Imagens do Quotidiano.

Fotografia Experimental e de Vanguarda, em 1978, na Associação Fotográfica do Porto (AFP), divulga a imagem provocatória do grupo O IF vê estupefacto… o Museu da instituição que os acolhe e que sempre frequentaram; Formas, com desdobrável de João Machado, tem na imagem e na palavra uma perspectiva conceptual, incluindo definições retiradas do dicionário. Ou Exercício, coleccionando experiências pessoais, mostrado na Galeria do JN e na Galeria de Arte Moderna, em Belém e no Funchal, já em 1979. Dois anos depois, (1981) é a Nona e em 1982, no Museu Nacional de Soares dos Reis a carismática Esquinas do Tempo, que iria também ser vista em Lisboa.

(© José Marafona)

Esquinas do Tempo faz parte da memória fotográfica do Porto, teve três edições da C.M.P- e criou um género clássico na história da fotografia portuguesa. Imagens onde se comparam velhas tomadas de vista da cidade com tomadas de vista do momento actual, sem indicação de autoria, como uma revisitação da cidade e do seu eventual progresso. Em 1984 há ainda O Porto visto de perto, na Casa do Infante, mas o grupo acabaria por se dispersar. Mas não esquecido: em 2001 surge incluído no Porto 60/70: Os artistas e a Cidade (Museu de Serralves e galeria do Palácio) e em + de 20, Grupos e episódios no Porto do Século XX, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

(© João Sotto Mayor)

É tudo isto que se recupera agora, a partir do dia dos Museus, no sábado, precisamente no Museu Soares dos Reis, no Porto, que pediu ao IF que ainda permanece que fizesse um levantamento do espaço do edifício de forma a representar a instituição na comemoração do dia 17. A mostra que aí se inaugura, Um dia no Museu, tem ainda o espírito do IF, Ideia e Forma e, acima de tudo, a representação do caminho pessoal dos seus autores, bem representado nas imagens que se mostram.

(© Manuel Magalhães)

É um projecto múltiplo de autor, onde tudo que é contemporâneo na fotografia se reencontra, a nova horizontalidade, a simulação, a encenação da imagem, o novo social, os dípticos, o geometrismo, o paradoxo, a cor, a citação. Mas ainda o preto e branco. E continua a existir uma totalidade de partes distintas e autónomas, um IF que é mais ideia que forma, mas que a respeita. São imagens de Henrique de Araújo, António Drumond, João Paulo Sotto Mayor, Manuel Magalhães e Marafona a descobrir e a inventar um museu cheio de sentido e de vida. E descobrir o sentido, desconstruindo, desmistificando, estabelecendo o sentido plástico de inesperados objectos fotográficos, argumentando com as formas submetidas a ideias, é, afinal, toda a história do IF. Que não se submete a um olhar único, mas se conjuga.

Maria do Carmo Serén

Um dia no Museu
Grupo IF: Henrique de Araújo, António Drumond, João Paulo Sotto Mayor, Manuel Magalhães, Marafona
Museu Nacional Soares dos Reis, Porto
Inauguração: 17 de Maio, às 22h00
Até 31 de Julho

13 maio, 2008

vintage erotica




Danny Moynihan é artista, curador, fundador do Photo London, escritor e coleccionador de fotografia. Diz o Telegraph que tem um dos maiores espólios de fotografia vintage erótica. Andava Moynihan a comprar e vender fotografia mais ou menos contemporânea quando descobriu uma pequena colecção de fotografias eróticas de senhoras robustas austríacas a brincar com objectos sexuais. O espanto e a galhofa que esse conjunto provocou no seu grupo de amigos aguçou-lhe a curiosidade e foi juntando sempre mais. E juntou tantas que até fez um livro onde conta a história deste género fotográfico que, para si, pode ser dividido em cinco categorias: the sensual nude, ethnographic tribal nudes, medical photos, posed studio tableaux e straight pornography.

Para ler o artigo do Telegraph sobre Danny Moynihan e a sua colecção clique aqui.


Private Collection: A History of Erotic Photography 1850 to 1940
Danny Moynihan
Ed. Other Criteria

12 maio, 2008

NYPHOTOFest

Penelope Umbrico, Sunset from Flickr, da exposição The Ubiquitous Image
(Huw Porter)


São só quatro dias, mas prometem ser intensos. O New York Photo Festival (de 14 a 18) apresenta-se como o primeiro festival de nível internacional organizado nos EUA. A iniciativa partiu de Daniel Power, da PowerHouse Books, e Frank Evers, da agência VII, que prometem mostrar o melhor da fotografia contemporânea em todas as suas expressões.
Para a primeira edição, convidaram-se quatro curadores: Martin Parr (fotógrafo da Magnum), Kathy Ryan (editora de fotografia da New York Times Magazine), Lesley A. Martin (Aperture Foundation) e Tim Barber (www.tinyvices.com). Para além das exposições organizadas por este painel de curadores, o NYPF terá um vasto leque de actividades em Dumbo, uma zona industrial entre as pontes Brooklyn e Manhattan.

Para ver as principais exposições do NYPF clique aqui.

regressar

Spencer Tunick em Santa Maria da feira, em 2003
(Fernando Veludo/Público)

Durante o Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira de 2003 o fotógrafo americano Spencer Tunick cobriu algumas das praças mais emblemáticas da cidade com corpos humanos sem roupa. Na próxima quarta-feira regressa ao mesmo local para apresentar o resultado desse trabalho. Para além da exposição de fotografia, será também exibido um filme com o making off da sessão.

11 maio, 2008

Helena

sem título, 1996-97
(
© Helena Almeida)

Helena Almeida foi distinguida na semana passada com o Prémio Extremadura 2008. A importância do percurso da artista plástica, que desde muito cedo começou a usar a fotografia como suporte dos seus trabalhos, foi reconhecodo por um júri internacional de cinco elementos que incluia o português João Pinharanda, historiador de arte e crítico, a espanhola Maria del Corral, ex-directora do Cnetro de Arte Reina Sofia, e o argentino Joaquín Salvador Lavado, ou Quino, autor de BD, criador da Mafalda, e último galardoado com este prémio de âmbito ibero-americano. A distinção, no valor de 42 mil euros, será entregue em Novembro.

10 maio, 2008

Guy Le Querrec

Paris, Maio de 68
(Guy Le Querrec
© Magnum Photos)

Foi com ela que a minha vida começou verdadeiramente. Se eu pudesse encontrar esse homem, gostava de lhe agradecer.
Guy Le Querrec, P2, Público, 9.5.2008

A jornalista do Público Kathleen Gomes esteve em Paris a percorrer alguns caminhos por onde passaram as histórias do Maio de 68. No palco da rebelião estudantil, falou com Guy Le Querrec, fotógrafo da Magnum, que na altura começava a despontar para o fotojornalismo. Mais do que nas barricadas, distúrbios e confrontos desse mês agitado, a objectiva de Querrec andou sobretudo focada nas pessoas e nos seus rostos. Passados seis anos, o fotógrafo francês aterrou em Portugal e foi para o Alentejo fotografar o rescaldo do 25 de Abril.
Para ler o artigo sobre Le Querrec clique aqui.

08 maio, 2008

*À conversa com...


(© José Manuel Rodrigues, cortesia Galeria Pente 10, Lisboa)

... José Manuel Rodrigues

Lisboa quase nunca fez parte do roteiro das exposições de José Manuel Rodrigues (Lisboa, 1951). E foi preciso esperar mais de duas dezenas de anos até que Jorge Calado organizasse aqui uma grande exposição individual (Ofertório, 1999), que foi, simultaneamente, a primeira em Portugal. Depois de mais um longo interregno na capital, o fotógrafo alentejano regressa com a exposição Elementos, que inaugura uma nova galeria exclusivamente dedicada à fotografia contemporânea, a Pente 10. A poucos dias da abertura, conversámos sobre o novo trabalho, a fotografia digital a cores e as relações entre o Homem e a Natureza. Aqui fica um resumo desse encontro:

Organizar a exposição
Organizar esta exposição foi um pouco complicado porque o espaço da galeria estava a ser construído e esta exposição tem algo de especial. Foi evoluindo também consoante as obras da galeria. Foi uma experiência nova, quase um diálogo entre arquitectura e fotografia. Tentei mostrar um determinado tipo de sedução para a natureza. Ela chama-se Elementos, porque eles estão presentes. Mas gostava que ela fosse um encontro entre a paixão que temos entre nós e a paixão em relação à Natureza.

Os Elementos na planície
Tenho um grande relacionamento com o Alentejo, claro. O Alentejo é uma zona do país que tem muito poucas pessoas, e isso dá uma oportunidade especial à natureza de, nalguns sítios, ainda estar mais ou menos virgem. Não era capaz de fotografar com grandes angulares, e desde que estou no Alentejo comecei a fotografar com angulares. Em sentido prático, estou muito interessado no problema de escala, da relação positivo/negativo. No Alentejo esse problema de escala - estamos a falar no infinito - coloca-se. E estou também interessado nessa relação do Homem com aquilo de que ele precisa para viver directamente, do contacto com a terra e também aquilo que a natureza nos dá, esse modo contemplativo e de encontro com nós próprios, com a vegetação ou com os animais.

Fotografar o quê?
Agora estou muito interessado no retrato, na presença humana, naquilo que é a felicidade, o que leva as pessoas a fazer determinado tipo de coisas, a relação do Homem com a Natureza, com os seus parceiros. Estou tentando associar a questão do trabalho com conhecimentos ancestrais, que é o conhecimento empírico ... E, neste momento, estou muito interessado no retrato.
(...)
Acho que o acto de fotografar é um tipo de arrumação, uma arrumação especial. Estou muito interessado em fotografar aquilo que não vejo, aquilo que está atrás de mim, atrás dos meus olhos, e, de certa medida, utilizo os meus modelos, utilizo até a própria natureza também para me encontrar a mim próprio.
(...)
Nesta exposição há uma certa geometria. Há uma coisa talvez nova que é este diálogo entre duas facetas, esse tipo de sedução entre um lado positivo e um lado negativo. É como se, na prática, estivesse a pôr a fotografia dentro da própria imagem e a imagem olhar para dentro da imagem. O olhar em si das pessoas talvez esteja a deixar de me interessar no retrato.
(...)
Esta exposição também é uma ode à natureza. Há aqui quatro ou cinco retratos porque nós pertencemos a este grupo que está em confronto com a Natureza e com os animais (...) Há um vitelo aqui nesta exposição que é a parte fulcral - representa fragilidade. É mais confronto do que harmonia, sobretudo também por causa desta oposição entre positivo e negativo e de ter virado algumas coisas ao contrário.
(...)
Sou obcecado pelo detalhe, mas é verdade que muitas das minhas fotografias escondem algo que está muito evidente, mas que, de vez em quando, à primeira não se nota na imagem. Eu tento mais excluir do que incluir, isso é seguro. Se consigo, não sei.

(© José Manuel Rodrigues, cortesia Galeria Pente 10, Lisboa)

A água, o fogo
A água tem sido sempre ao longo do meu percurso o mais importante. Pela sua fluidez, pelo seu reflexo, é como a continuação da objectiva e é soft, tem esta coisa especial de reflectir e mudar continuamente. O fogo, claro, fascina-nos a todos, as mudanças de cores, a destruição e a transformação da massa. É quase, num sentido figurativo, um juízo final, e ao mesmo tempo é também um elemento como a água, que mexe, é volátil. E a fotografia congela determinado tipo de momentos, por exemplo da água e do fogo, de que nós não nos podemos aperceber totalmente... Isso fascina-me.

(© José Manuel Rodrigues, cortesia Galeria Pente 10, Lisboa)

...e o mais difícil?
Talvez o ar... Só podemos senti-lo, não o podemos apalpar... Tenho uma fotografia em que tentei voar, que eu gosto muito, mas é mais uma sensação de sentir. Tenho tido problemas de respiração, por isso o ar... tenho tido quase um conflito com ele para o fotografar. É mais desafiante, mas até agora não tenho conseguido grandes resultados - ele tem-me vencido, até fisicamente.

Novas técnicas
Há pouco tempo a Madrid vi uma exposição do Velásquez no Prado e reparei que a lógica de algumas das técnicas modernas, por exemplo Photoshop, já era usada no final do séc. XVII. Sempre fizémos esse tipo de aproximação e de retoque. Na pintura nota-se mais. (...)
(...)
Comecei a fotografar com suporte digital há algum tempo e isso colocou-me um problema: ter de fotografar duas vezes. Ou seja, primeiro capto a imagem sempre a cores e depois tenho de "refotografá-la" a preto e branco. Isso foi um grande conflito que demorou quase dois anos a ultrapassar e durante esse tempo apercebi-me de que também havia fotografia a cores. Foi uma novidade para mim, a fotografia digital trouxe-me coisas positivas. (...) Apesar de as minhas fotografias a cores, a bem dizer, só terem dois tons, uma coisa que eu reparei há pouco tempo, continuo a fotografar a preto e branco, mas em vez de ser preto e branco pode ser um azul mais claro ou um azul mais escuro, é tudo dual tone. É esquisito. Mas a fotografia a cores está a ser como dantes. Agora consigo controlar todo o processo e isso está a impor-me uma certa disciplina que eu também tinha a preto e branco, na câmara escura, e está a mudar algo em mim. A maneira de fotografar e de... Quer dizer eu gosto muito da fotografia e de todo o processo fotográfico, vivo-o intensamente. Estas impressões também são minhas e isso, esse controle de cor tão preciso é uma novidade, dá-me um grande prazer controlar por zonas, acho isso muito interessante. Depois é um risco, é um crime que compensa porque eu gosto muito de perfeição, e de atingir o máximo dentro das minhas limitações, de conseguir o máximo. Acho que a aventura na minha vida também tem essa parte. Tento controlar todo o processo desde o princípio até ao fim. Esse controle dá-me um grande prazer.

Errância
(...) A minha fotografia está muito ligada directamente ao meu estado existencial e às minhas ligações, às minhas relações. Quando vim para Portugal vinha com uma ideia de fotografar profundamente o nosso país. E como emigrante seduzia-me muito a nossa cultura, as profundezas da nossa sociedade, e, passado algum tempo, já cá dentro, fiquei desiludido com o próprio país. E esta relação influenciou o meu trabalho. (...) A minha fotografia também é um espelho do caos da minha existência.

Sedução?
Não me apercebi de que a imagem que enviei no convite - que achei sedutora, um tipo de sedução ligado ao sexo, à idade, ao vermelho e a outro tipo de elementos - também tinha um conteúdo de uma grande tragédia. Algumas pessoas que receberam o convite disseram-me: "vou mandar-te o convite de volta, detesto a imagem". É violenta, e eu não me tinha apercebido de que era tão violenta.

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É uma grande honra, uma oportunidade e um desafio voltar a Lisboa para inaugurar um espaço novo. Acho que vai melhorar o meu trabalho. (...) Não tenho cuidado da minha imagem, dos meus contactos... e este ponto de partida talvez seja para mim um novo começo - por isso, dois começos.

(© José Manuel Rodrigues, cortesia Galeria Pente 10, Lisboa)

07 maio, 2008

conversar

António Júlio Duarte, do natural/from nature, 2007
(
© António Júlio Duarte)

O tiro de partida para a segunda edição do ciclo de conferências Conversas Objectivas, organizado pela Câmara de Matosinhos, foi dado por José Luís Neto no último sábado. Ao longo dos próximos sábados (até 12 de Julho) haverá outras conversas no auditório da
Biblioteca Municipal Florbela Espanca. Fui convidado para falar sobre a experiência de fazer este blogue. Lá estarei no dia 31 de Maio.

Aqui fica o calendário das próximas sessões, sempre às 17h30:

>>Dia 24 de Maio - Fotojornalismo e os mercados editoriais
Rui Xavier, fotógrafo, Grande Prémio de Fotojornalismo Visão/BES 2001
José Manuel Bacelar, fotógrafo, Grande Prémio de Fotojornalismo Visão/BES 2004
Apresentação: Cesário Alves

>>Dia 31 de Maio - Um blogue de fotografia: a experiência de fazer o Arte Photographica
Sérgio B. Gomes, autor do blogue Arte Photographica, jornalista do Público
Apresentação: Maria Carmo Serén

>>Dia 7 de Junho - Apresentação do álbum "Porto Leixões – Construção da Doca nº1"

>>Dia 14 de Junho - Os "olhares fotográficos" dos estrangeiros - De Charles Legrand e William Barklay a Man Ray
Ângela Camila Castelo-Branco, coleccionadora e sócia-fundadora da Associação Portuguesa de Photographia
Wolfgang Sievers, Henri Cartier-Bresson e Georges Dussaud. Sebastião Salgado e os "Mensageiros da Liberdade". Os olhares de Candida Hoffer, Bert Teunissen e Marta Sicurella
António Faria, coleccionador e sócio-fundador da Associação Portuguesa de Photographia
Apresentação: Tereza Siza

>>Dia 28 de Junho - Rodrigo Amado e António Júlio Duarte: Partilha e Identidade
Rodrigo Amado, músico, jornalista e fotógrafo
António Júlio Duarte, fotógrafo
Apresentação: Tereza Siza

>>Dia 12 de Julho - Viagem pela fotografia
José Manuel Rodrigues, fotógrafo, Prémio Pessoa 1999
Apresentação: Fernando Rocha

06 maio, 2008

Masats sem afición

Ramón Masats, Madrid, 1957
(
© Ramón Masats)

O jornalista do El Mundo Antonio Lucas e o fotógrafo catalão Ramón Masats (Caldes de Montbui, 1931) encontraram-se num café barulhento do bairro madrileno de Salamanca. Falaram sobre fotografia, passado, livros e desencanto. O essencial dessa conversa está aqui.

La realidad está ahí. No he visto más de lo que hayan podido observar otros. Una buena fotografía puede salir de cualquier cosa: de una boda, de un bautizo... No hace falta espectacularidad, sino profundidad... Pero yo ya me he cansado. He colgado las cámaras. Perdí la afición.

Ramón Masats, El Mundo, 27.4.2008

05 maio, 2008

navegar


A Photographers’ Gallery de Londres lançou no mês passado um novo site, um trabalho encomendado à empresa de webdesign Mind Unit. Creative. Para além da fidelização da comunidade ligada ao habitual circuito da fotografia, o novo portal quer ter uma palavra a dizer na formação de novos públicos, desenvolvendo materiais específicos (Exhibition Notes) para professores e outros líderes de grupos. Há também uma aposta grande na venda directa de provas fotográficas (Print Sales Section) com um grupo alargado de artistas que disponibilizaram o seu trabalho. Ainda na área do coleccionismo, a Photographers’ Gallery fornece aconselhamento sobre os melhores investimentos e a melhor maneira de começar a juntar imagens fotográficas.
O destaque da página passa sempre pelas exposições patentes e a navegação é muito intuitiva.

Para navegar pela Photographers’ Gallery clique aqui.

Membro da Pop in Upper School, Eton, 2006/2007
(© Ian Macdonald)

concorrer

Jessamyn Lovell, mommy with a gun, 2004
(© Jessamyn Lovell, vencedora do 2007 Aperture Portfolio Prize)

Estão abertas as inscrições para entrega de portfolios candidatos ao prémio Aperture. A casa-mãe de alguns dos melhores livros de fotografia do mundo explica o propósito do galardão assim: identify trends in contemporary photography and specific artists whom we can help by bringing their work to a wider audience. In choosing the first-prize winner and runners-up, we are looking for work that is fresh and that hasn’t been widely seen in major publications or exhibition venues.
Os trabalhos devem ser enviados até 11 Julho. Todas as informações e regras de candidatura estão aqui.

03 maio, 2008

descobrir

Família de emigrantes portugueses num "bidonville" nos arredores de Paris, 1964
(
© Gérald Bloncourt)

Últimos quinze dias para ver a exposição de Gérald Bloncourt (Haiti, 1926) Por Uma Vida Melhor, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa.
Bloncourt, amigo próximo dos mestres Cartier-Bresson e Willy Ronis, foi um dos poucos fotógrafos a fazer uma trabalho de reportagem aturado sobre o fenómeno da emigração portuguesa para França, desde meados dos anos 50 e ao longo dos anos 60.
Muitas das 50 fotografias reunidas em Por Uma Vida Melhor nunca tinham sido publicadas ou expostas. Este facto, só por si, dá à mostra comissariada por Bernadette Caille uma importância maior. Mas o mais extraordinário é que, quando se percorrem as salas do CCB, percebemos que praticamente não existia em Portugal "uma imagem" do que foi a deslocação de quase um milhão de pessoas de um país para o outro em condições extremas.

Na inauguração da exposição em Lisboa, o jornalista do Público José Vítor Malheiros entrevistou Gérald Bloncourt. A 1ª parte dessa conversa está aqui. E a 2ª aqui.

Para ver uma fotogaleria com algumas imagens da exposição clique aqui.

Por uma Vida Melhor, Gérald Bloncourt
Museu Colecção Berardo, CCB, Lisboa
Até 18 de Maio

chema de regresso

sem título, 2007
(
© Chema Madoz)

Desde a grande exposição na Fundación Telefónica, em 2006, que Chema Madoz não mostrava novos trabalhos em público. Volta agora à Galería Moriarty com um trabalho minimal, como é seu timbre, onde representa apenas letras soltas e relógios de sol. O tempo passou, ainda que pouco, mas o propósito continua o mesmo: converter objectos que nos rodeiam e que marcam o nosso quotidiano em metáforas, às vezes com humor, às vezes com sarcasmo, muitas vezes com poesia. É precisamente a poesia que marca também este regresso primaveril de Madoz com a reedição do esgotado Fotopoemario (La Fábrica), um livro editado em 1996 onde Joan Brossa (Barcelona, 1919-1998) escreveu um poema por cada 12 fotografias do artista madrileno.

"Mi encuentro con las imágenes es fortuito, me tropiezo con ellas. No surgen de un concepto o una idea preconcebida. Trabajo con mi entorno, con lo que me envuelve y me conmueve."

Chema Madoz, El País, 25.4.2008

etcétera, Chema Madoz
Galería Moriarty, libertad nº22, Madrid
Até 10 de Junho

01 maio, 2008

doces nadas

Vanessa Winship, Sweet Nothings
(© Vanessa Winship)

O trabalho Sweet Nothings valeu à inglesa Vanessa Winship o título de Fotógrafo do Ano na primeira edição do Prémio Internacional de Fotografia Sony (SWPA, na sigla em inglês). Sweet Nothings foi também premiado na categoria de Retrato.
O Prémio de Carreira foi atribuído ao americano Phil Stern que, no momento de receber o galardão, propôs um desafio: "elevar a fotografia ao nível mais alto das belas artes". Stern (1919) fotografou inúmeras estrelas de Hollywood dos anos 50 e 60. Acompanhou de muito perto o mundo do jazz e foi também repórter de guerra.

Os prémios nas categorias principais foram distribuídos assim:

#Abstracto: Anita Cruz-Eberhard (EUA), Target Series

#Publicidade: Fabrizio Cestari (Itália), Made in Japan

#Arquitectura: Livia Corona (México), Two millions homes for Mexico

#Moda: Valeska Achenbach (Alemanha) e Isabela Pacini (Brasil)

#Música e Espectáculo: Eduard Meltzer (Suíça)

#Natureza: Giacomo Brunelli (Itália)

#Nu: Natalie Bothur (Alemanha), Ruecksicht

#Fotojornalismo: Moises Saman (EUA), Las bandas de El Salvador

#Ciência: Thomas Deerinck (EUA)

#Desporto: Robin Utrecht (HOlanda), Soccer Team

Moises Saman, Las bandas de El Salvador
(© Moises Saman)

 fotografia europea

Bettina Rheims, Asia Argento, da série Heroines, estudo, Junho de 2005, Paris
(
© Bettina Rheims, cortesia Galerie Jérôme Noirmont, Paris)

Human, all too Human é o tema da terceira edição do festival Fotografia Europea a decorrer na cidade de Reggio Emilia, no norte da Itália. O crítico Elio Grazioli, curador, organizou um conjunto de exposições onde se abordam "conceitos controversos à volta do corpo humano", e onde ele é "explorado de formas radicalmente opostas".

Haverá exposições temporárias até ao dia 8 de Junho e dezenas de seminários, palestras, workshops e performances durante os próximos dias (até ao dia 4 de Maio) que envolverão artistas e críticos.

Jorge Molder é o único fotógrafo português representado e foi escolhido para uma das cinco grandes exposições individuais. As outras pertencem a Raoul Hausmann, Wols, Paolo Gioli e Pierre et Gilles. Há ainda mostras individuais de Erwin Olaf, Ann-Sofi Sidèn, Antoine D'Agata e Aneta Grzeszykowska e uma retrospectiva de Edward Steichen.

O sítio do Fotografia Europea - Reggio Emilia 2008 está aqui.


Jorge Molder, da série Nox, 1999
(© Jorge Molder, cortesia Museu Colecção Berardo, Lisboa)

30 abril, 2008

topologias



Edgar Martins lançou hoje na Aperture Gallery, em Nova Iorque, o seu último álbum: Topologies.

A sinopse do livro diz o seguinte:

"With artful composition and controlled framing—but no digital manipulation—Edgar Martins creates sublimely beautiful views of often un-beautiful sites. Minimalist nighttime beaches, forests ravaged by fires, and Iceland’s stark terrain have all served as subjects for his large-scale color photographs. He also explores the unexpected impact of modernism on the landscape, including startlingly graphic airport runways and colorful highway barriers that, at first glance, read like abstract murals.

Certain themes recur throughout Martins’s work. A sense of place and alienation from it. A sense of mystery—vividly embodied in scenes such as a woman with a bou­quet of balloons on a deserted shore. And a sense that something unsettling has just happened or is about to happen—a fire, an accident, a close encounter with some unspecified danger. As John Beardsley notes, 'Some images are what we habitually expect photography to be—evidence of the world as we think we know it—while others obscure their subjects through an illusionism that borders on magic.'"

/uma fotografia, um nome\

Da série Canada do Inferno, 2005
(© José Afonso Furtado)

Foi um deus menor que criou estes montes desabridos que se esboroam em lascas aguçadas, um deus menor que afundou o rio nas brechas das montanhas, que desenhou esta sequência mortífera de distâncias. A paisagem pode ser esta suspensão do sopro, este arrepio, o abespinhado das urzes secas, estas feridas paralelas de uma louca repetição fractal e desumana das rochas.

De um a outro lado do Douro, o homem construiu uma paisagem que dizem de sucesso, arredondou os montes e traçou simétricos socalcos de patamares de vinha. Há deles paisagens de apaziguamento, porque a mão do homem reconstrói-se também no que faz e aí, estabelece a ponte do domínio. Em José Afonso Furtado também houve tentativa de apropriação e a passagem de qualquer técnica branqueou a sua nudez com equipamentos que abandonou, tão inúteis agora como alheios ao território que infringem.

E por isso mesmo recuperamos teorias da paisagem fotográfica, evocamos a Land Art da American Land dos anos 70 e ecos dos New Topographics, (1975) e do Rephotografic Survey Project, (1977). Nomes como Lewis Baltz, Robert Adams, Mark Klett ou mesmo Misrach pousam naturalmente nesta paisagem sem limites e sem perspectiva, nesta inglória tentativa de afastar o sentimento do sublime que animava a fotografia dos pioneiros e refazer o olhar predador do homem que foi definindo o seu alarme ecológico.

Exemplarmente, Canada do Inferno desmistifica a paisagem mítica, essa exaltação da contingência que está presente no belo sublime de Kant. O que vemos, nesta e noutras imagens dessa série, é o desleixo contaminador da técnica, do construído no casco do planeta. Trata-se pois de uma fotografia conceptual, onde o pecado do mundo se manifesta pelas preocupações da Ecologia. Traz também os seus mitos, o contraste campo e cidade, a sublimação das culturas etnicamente relevantes no meio pastoril, a aceitação da salvaguarda do trilho do caçador. Porque afinal tudo se conluía, nesta saída dos anos da contracultura, em volta de um (re)negado regresso à Natureza.

Fica que desta selvajaria natural e humana, como num filme de quadros pioneiros acelerados ou uma fotografia estereoscópica, os fragmentos de xisto e os equipamentos desabados correm para nós e não para o rio Côa. É obviamente a paisagem que se impõe e sobrevive mal em alertadas imagens do já conhecido; sentimos o estalar da rocha sob os passos que não damos, esquecemos o sentido das ruínas de um progresso qualquer e é pelo trilho dos bichos que perseguimos os horizontes dos montes que se desdobram, apagando-se na distância.

Tal como acontece com esta imagem de José Afonso Furtado, os fotógrafos da Land Art não conseguiram erradicar o universo estético das suas produções. A Natureza continua para lá do fora de campo, bem o sabemos, e o enquadramento é, será sempre, um artifício do autor. Mas este sentimento da fragilidade e insolência da cultura humana, este pesar do mundo sobre as nossas precaridades nasce, é certo, mas está para lá do enquadramento. A teia de informação sobre o mundo e o homem é tecida com as teorias e as práticas, embrenhadas nessa luta desigual entre o consciente e o inconsciente. É com esta guerra que José Afonso Furtado nos lembra, numa imagem que não é politicamente correcta, mas desabridamente actual, que tropeçamos no mundo para nos lembrarmos o pouco que somos.

Maria do Carmo Serén

José Afonso Furtado é director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian. É uma autoridade no campo da evolução do livro para o digital e um conhecido fotógrafo

26 abril, 2008

aprender

(Casa do Pinhole)

Para quem nunca teve muito jeito para trabalhos manuais e quiser mesmo aprender a construir uma câmara pinhole pode sempre seguir com atenção esta curta para crianças (Una má de contes). A narração é feita em catalão, mas é muito fácil chegar lá a partir de uma caixa de sapatos.

Fotografia pinhole? "Expliquem-me isso como se eu tivesse 4 anos":

24 abril, 2008

pinhole

Estação do Pinhão, Douro
(© Augusto Lemos)


É já no domingo que se comemora o Dia Mundial da Fotografia Pinhole. Em Lisboa, o Clube Buraco da Agulha organizou no Instituto Português de Fotografia várias palestras sobre este tipo de fotografia. No Porto, a pinhole, ou estenopeica, será também celebrada no Centro Português de Fotografia com as "Conversas Estenopeicas" e a exposição Imagens Anunciadas de Augusto de Souza Lemos. Maria do Carmo Serén dá-nos as coordenadas das actividades no CPF:

Às fotografas estenopeicas basta-lhes uma câmara elementar, que lembra a câmara escura; apenas precisam desse espaço e de um orifício (pinhole) para entrar o desenho de luz. E, naturalmente, de bastante paciência para vigiar a exposição longa. A técnica, a sua história, a insistência dos seus movimentos modais até à actual difusão na Internet serão explicadas e desenvolvidas pelo professor e fotógrafo Augusto de Souza Lemos, no dia 26 de Abril, (15h00), no CPF.
Ao mesmo tempo, inaugura-se a sua exposição Imagens Anunciadas, selecção de um trabalho maior que é também o fulcro da sua tese de doutoramento. São, obviamente, imagens estenopeicas e o projecto partir do conhecimento de uma obra editada em 1927, De terra em terra, do médico, arqueólogo e fundador do Museu Etnológico de Belém, José Leite de Vasconcelos reproduz as imagens reais descritas em pormenor por Leite de Vasconcelos, numa obra que praticamente não tem fotografias.
Foi esta lacuna, que é habitual em obras arqueológicas do género, que preferem o desenho, que definiu essas imagens anunciadas e elaboradas nos últimos anos pelo fotógrafo. Porque é, ainda, arqueólogo, Augusto Souza Lemos percorreu trilhos conhecidos e a descobrir, acompanhando as referências escritas e seleccionou em cada trajecto, o que melhor se adaptava à descrição – o que permanecia com pouca alteração.
Fê-lo em imagens estenopeicas, quer por uma questão de sensibilidade estética, quer pelo facto da obra De terra em terra se ter desenvolvido, em artigos para a imprensa entre 1884 e 1916, ou seja, quando o naturalismo e o pictorialismo frequentemente as utilizavam nas suas tomadas de vista e produções.
Apenas aqui e ali verificamos que o progresso invadiu estes lugares - fios de electricidade, renovação de fachadas e pavimentos… Na generalidade é quase, quase, o levantamento que Leite de Vasconcelos poderia ter feito. Mas que levanta problemas diversos, que é estimulante analisar.

Dia Mundial da Fotografia Pinhole
No IFP:
Palestras do Clube Buraco da Agulha sobre a técnica e construção de câmaras estenopeicas nos dias 28, 29 e 30.
Sessões entre as 10 e as 13, entre as 14 e as 18 e entre as 19 e as 23.
IPF, Rua da Ilha Terceira, 31, Lisboa

No CPF:
Inauguração da exposição Imagens Anunciadas, de Augusto de Souza Lemos.
Conferência "Conversas Estenopeicas", por Augusto de Souza Lemos com o seguinte alinhamento: A magia da câmara obscura; David Brewster e a invenção da fotografia estenopeica; A utilização desta técnica fotográfica no pictorialismo; O reaparecer no último quartel do séc. XX; A difusão através da internet
Centro Português de Fotografia
Campo Mártires da Pátria, Porto

começar

(© José Manuel Rodrigues)

Está agendada para o dia 29 a abertura de mais uma galeria em Lisboa exclusivamente dedicada à fotografia contemporânea. As portas da Pente 10 abrem com a exposição Elementos de José Manuel Rodrigues.

Pente 10
Travessa da Fábrica dos Pentes, 10, Lisboa
(ao Jardim das Amoreiras)

 
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