26 abril, 2008

aprender

(Casa do Pinhole)

Para quem nunca teve muito jeito para trabalhos manuais e quiser mesmo aprender a construir uma câmara pinhole pode sempre seguir com atenção esta curta para crianças (Una má de contes). A narração é feita em catalão, mas é muito fácil chegar lá a partir de uma caixa de sapatos.

Fotografia pinhole? "Expliquem-me isso como se eu tivesse 4 anos":

24 abril, 2008

pinhole

Estação do Pinhão, Douro
(© Augusto Lemos)


É já no domingo que se comemora o Dia Mundial da Fotografia Pinhole. Em Lisboa, o Clube Buraco da Agulha organizou no Instituto Português de Fotografia várias palestras sobre este tipo de fotografia. No Porto, a pinhole, ou estenopeica, será também celebrada no Centro Português de Fotografia com as "Conversas Estenopeicas" e a exposição Imagens Anunciadas de Augusto de Souza Lemos. Maria do Carmo Serén dá-nos as coordenadas das actividades no CPF:

Às fotografas estenopeicas basta-lhes uma câmara elementar, que lembra a câmara escura; apenas precisam desse espaço e de um orifício (pinhole) para entrar o desenho de luz. E, naturalmente, de bastante paciência para vigiar a exposição longa. A técnica, a sua história, a insistência dos seus movimentos modais até à actual difusão na Internet serão explicadas e desenvolvidas pelo professor e fotógrafo Augusto de Souza Lemos, no dia 26 de Abril, (15h00), no CPF.
Ao mesmo tempo, inaugura-se a sua exposição Imagens Anunciadas, selecção de um trabalho maior que é também o fulcro da sua tese de doutoramento. São, obviamente, imagens estenopeicas e o projecto partir do conhecimento de uma obra editada em 1927, De terra em terra, do médico, arqueólogo e fundador do Museu Etnológico de Belém, José Leite de Vasconcelos reproduz as imagens reais descritas em pormenor por Leite de Vasconcelos, numa obra que praticamente não tem fotografias.
Foi esta lacuna, que é habitual em obras arqueológicas do género, que preferem o desenho, que definiu essas imagens anunciadas e elaboradas nos últimos anos pelo fotógrafo. Porque é, ainda, arqueólogo, Augusto Souza Lemos percorreu trilhos conhecidos e a descobrir, acompanhando as referências escritas e seleccionou em cada trajecto, o que melhor se adaptava à descrição – o que permanecia com pouca alteração.
Fê-lo em imagens estenopeicas, quer por uma questão de sensibilidade estética, quer pelo facto da obra De terra em terra se ter desenvolvido, em artigos para a imprensa entre 1884 e 1916, ou seja, quando o naturalismo e o pictorialismo frequentemente as utilizavam nas suas tomadas de vista e produções.
Apenas aqui e ali verificamos que o progresso invadiu estes lugares - fios de electricidade, renovação de fachadas e pavimentos… Na generalidade é quase, quase, o levantamento que Leite de Vasconcelos poderia ter feito. Mas que levanta problemas diversos, que é estimulante analisar.

Dia Mundial da Fotografia Pinhole
No IFP:
Palestras do Clube Buraco da Agulha sobre a técnica e construção de câmaras estenopeicas nos dias 28, 29 e 30.
Sessões entre as 10 e as 13, entre as 14 e as 18 e entre as 19 e as 23.
IPF, Rua da Ilha Terceira, 31, Lisboa

No CPF:
Inauguração da exposição Imagens Anunciadas, de Augusto de Souza Lemos.
Conferência "Conversas Estenopeicas", por Augusto de Souza Lemos com o seguinte alinhamento: A magia da câmara obscura; David Brewster e a invenção da fotografia estenopeica; A utilização desta técnica fotográfica no pictorialismo; O reaparecer no último quartel do séc. XX; A difusão através da internet
Centro Português de Fotografia
Campo Mártires da Pátria, Porto

começar

(© José Manuel Rodrigues)

Está agendada para o dia 29 a abertura de mais uma galeria em Lisboa exclusivamente dedicada à fotografia contemporânea. As portas da Pente 10 abrem com a exposição Elementos de José Manuel Rodrigues.

Pente 10
Travessa da Fábrica dos Pentes, 10, Lisboa
(ao Jardim das Amoreiras)

23 abril, 2008


entre aspas

Culto a S. Lázaro, Santuario del Rincon, Santiago de la Vega, Cuba, 2007
(
© Pep Bonet)

Nós, fotógrafos, já arriscamos muito, física, psicológica e até financeiramente. A tarefa de salvar o mundo deve ser daqueles que realmente têm o poder
Pep Bonet, Público, 22.04.2008

Para ver mais fotografias de Pep Bonet clique aqui.

hutongs

Pequim, 2006
(© Júlio de Matos)

Esta exposição que ocupa 5 salas no Centro Português de Fotografia (a Sala das Colunas/A.P.R. e as salas que rodeiam o Pátio dos Presos) é a versão maior do projecto que Júlio de Matos começou há anos em visita a Pequim.
Sendo arquitecto, o autor ficou impressionado com o abate anunciado dos bairros populares que se vinham mantendo quase inalteráveis, na estrutura e na função, há cerca de 700 anos. Hutongs são os caminhos e ruazinhas que envolvem as casas que se erguem em volta de pátios, onde uma árvore obrigatória nos evoca os ramos torturados das gravuras chinesas, mas é comum chamar hutong a todo conjunto, a casa e os seus acessos. Porque se avizinhavam os Jogos Olímpicos, o novo plano urbanístico da cidade começou a aniquilar os hutong, construindo no espaço os prédios de arrendamento em altura que, em algumas imagens vemos ameaçar os últimos arruamentos comunitários.
Trata-se de um projecto de autor, uma concepção nostálgica, bem ao modo ocidental, que tenta traduzir nas diversas estratégias que utiliza, (a redução das fotografias ao tom das velhas albuminas que, no século XIX, nos chegavam da China, mas também a selecção de afloramentos de uma cor adequada à memória das imagens chinesas a nanquim e aguarela, as perspectivas, os retratos…) a interpretação do fim de um património e de um ideal de comunidade.
O livro que acompanha a exposição, e donde são retiradas estas imagens responde ainda mais a esse sentir de desastre: os retratos conservam a dignidade de estar que atribuímos à China tradicional, os hutong, perspectivados no conjunto labiríntico ou no pormenor de ornamentação e social, (os belíssimos telhados e os beirais, os defensores tutelares da casa, em pedra, diversos pormenores de museu, o altar dos antepassados e, naturalmente, convivendo na rua ou no interior das habitações, os ícones da sociedade ocidental, desde a bicicleta ao cartaz de propaganda); em hutongs condenados pela proximidade da renovação, circula ainda uma vida que parece calma, um homem brinca com um pássaro de gaiola, uma mulher jaz doente na cama de um quarto que condensa a sua vida, em cenas de neve caminha-se para qualquer lugar, por entre motivos onde acode a tradição mongol. Uma viagem que se anuncia sem regresso.

Maria do Carmo Serén

Pequim, 2006
(© Júlio de Matos)

Fading Hutongs, de Júlio de Matos
Centro Português de Fotografia, Porto
Campo Mártires da Pátria
Tel.: 22 207 63 10
Email: email@cpf.pt
De ter. a sex., das 10h00 às 12h30, e das 15h00 às 18h00.
Sáb., dom. e fer. das 15h00 às 19h00
Entrada Livre
Até 29 de Junho

22 abril, 2008

perto do aço

Homens de aço
(
© Monica Richter)

A Nikon F5 suportou. O corpo da fotógrafa brasileira Mónica Richter não suportaria. Por isso mesmo vestiu um fato especial (espacial) para aguentar os mais de 50 graus que se fazem sentir junto aos fornos onde andou a registar, durante um mês, a rotina da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), em Cubatão, no Brasil. A ideia era experimentar as mesmas condições em que se moviam os trabalhadores para chegar ao que pretendia: "encontrar grafismos dentro de um ambiente muito pesado, muito caótico, muito denso”, transformar a siderurgia "num universo plástico, mas sem esquecer o trabalhador no meio do grafismo”.

(citações recolhidas por Inês Nadais)

Homens de Aço, de Monica Richter
Galeria Bernardo Marques
Rua D.Pedro V, 81, Lisboa
Tel.: +351 91 270 0421
Até 23 de Maio


entre aspas

Santo Sepulcro
(American Colony Studio, Jerusalém)
O pachorrento relogio do corredor começou a gemer as dez; eu devia madrugar; e o dr. Margaride, commovido, agasalhava já o pescoço no seu lenço de sêda. Então antes dos abraços, perguntei aos meus leaes amigos que "lembrançasinha" desejavam d`essas terras remotas onde vivera o senhor. Padre Pinheiro queria um frasquinho d`agua do Jordão. Justino (que já me pedira do vão da janella um pacote de tabaco turco) diante da titi só appetecia um raminho de oliveira, do Monte Olivete. O dr. Margaride contentava-se com uma boa photographia do sepulchro de Jesus Christo para encaixilhar...

Eça de Queirós, A Relíquia, 12ª edição, 1935

20 abril, 2008

desilusão?

© Daniel Malhão

Ainda a propósito dos três finalistas do prémio BESPhoto deste ano, vale a pena ler a crítica que Luísa Soares Oliveira escreveu recentemente no Ípsilon. A fotografia em Portugal é bem mais do que isto, felizmente (...), afirma.

O texto está aqui.

>>Posts relacionados
>1. (4-1=3)
>2. (pensar)
>3. (BESPhoto é photo?)

18 abril, 2008

Penn

Giorgio de Chirico, Roma, 1944
(
© Irving Penn)

Sim, o mestre Irving Penn está vivo. Aos 91 anos continua a trabalhar e ainda fotografa. Na mais recente exposição, organizada pela Morgan Library de Nova Iorque, mostrou 67 retratos de personalidades do mundo artístico. Chamou-lhe Close Encouters, como que a sublinhar a ideia de uma íntima partilha no momento fotográfico. Muitos destes retratos foram feitos ao serviço da revista Vogue, onde começou a trabalhar no início dos anos 40. É o caso desta fotografia temperada com louro de Giorgio De Chirico, a mais antiga da mostra (1944). O ciclo fechava-se com o pintor Jasper Johns, um dos pais da "pop art", retratado há apenas dois anos em Nova Iorque.

Jasper Johns, Nova Iorque, 2006,
(© Irving Penn)

livros 2


As candidaturas ao prémio de Melhor Livro de Fotografia do PHOTOEspaña 2008 estão abertas até ao dia 1 de Maio. As obras devem ter uma data de edição situada entre 1 de Maio de 2007 e 1 de Maio de 2008. Por ano são entregues 3 distinções - melhor livro nacional, melhor livro internacional e melhor editora. Um júri de seis pessoas do mundo da fotografia vai escolher um conjunto de 100 livros que será objecto de uma exposição autónoma no programa do PHE08.

As inscrições podem ser feitas aqui.

>>Post relacionado
>(o livro)

17 abril, 2008

livros 1


O Pictures of the Year International é um prémio alargado de fotografia organizado pelo Donald W. Reynolds Journalism Institute, da Missouri School of Journalism, dos EUA. Da longa lista de prémios, recentemente divulgada, destaco apenas as distinções atribuídas aos álbuns de fotografia, que são, confesso, uma das minhas grandes perdições.
Aqui estão premiados na categoria Best Use Books:

Vencedor: Double Blind: War in Lebanon 2006
Fotografias: Paolo Pellegrin
Texto: Scott Anderson
Publisher: Trolley Books

Menção honrosa: Darfur: Twenty Yers of War and Genocide in Sudan
Fotografias: Lynsey Addario, Pep Bonnet, Colin Finlay, Ron Haviv, Olivier Jobard, Kadir vanLohuizen, Chris Steele-Perkins, and Sven Torfinn
Editora: Leora Kahn
Publisher: Powerhouse Books

Menção honrosa: Surf Club
Fotografias: Craig Golding
Publisher: GB Press

Pela primeira vez, o júri decidiu atribuir ainda o Distinguished Leadership in Photojournalism Award à obra Magnum Founders: In Celebration of Sixty Years, em sinal de reconhecimento pelo papel de "guia" no desenvolvimento do fotojornalismo da cooperativa desde a sua fundação. O livro, limitado a 75 cópias numeradas, contém impressões originais de Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, George Rodger e David Seymour.
Pequenos pormenores com importância: só para fazer a reserva é preciso pagar 2500 dólares e para ter o livro na estante lá de casa é preciso desembolsar 14 500.
Quem quiser perder a cabeça pode fazê-lo aqui.
A lista final de vencedores está aqui.

15 abril, 2008

Christie`s vende - o que foi

Carla Bruni
(Michel Comte)

Durante o fim-de-semana as notícias centraram-se sobretudo na fotografia em pele desnuda da actual primeira-dama francesa, Carla Bruni. Os leilões da Christie`s, que decorreram em Nova Iorque nos dias 10 e 11 do corrente, foram obviamente muito mais do que as sessões fotográficas dos tempos em que Bruni era modelo. A venda de uma colecção que incluía imagens muito variadas - entre autores, estilos e épocas - acabou por ser a mais rentável com um total de 4,6 milhões de dólares. Foi neste conjunto que se vendeu também a fotografia mais cara dos dois dias de leilão - uma imagem de Irving Penn, por 529 mil dólares.
Aqui ficam os lotes mais caros de cada leilão:
(valores em dólares)

#Livros de Fotografia (10 de Abril)
>Jindrich Styrsky, Emilie prichazi ka mne ve snu -- Emily Comes to Me in a Dream. Texto de Bohuslav Brouk. Praga, Edice 69, 1933.
>>193.000


#Fotografias da colecção de Bruce e Nancy Berman (10 de Abril)
>Diane Arbus (1923-1971), Child selling plastic orchids at night, Nova Iorque, 1963.
>>115.000



#Fotografias da colecção de Gert Elfering (10 de Abril)
>Helmut Newton (1920-2004), Sie Kommen ("Nuas e Vestidas"), Paris, 1981.
>>241.000


#Fotografias de Ansel Adams (11 de Abril)
>Ansel Adams (1902-1984), Clearing Winter Storm, Yosemite Valley, 1944.
>>481.000


#Fotografias de vários autores (11 de Abril)
>Irving Penn (1917-), Cuzco Children, 1948.
>>529.000


>>Post relacionado:
>(Christie`s vende)

14 abril, 2008

Burt Glinn (1925-2008)

(© Burt Glinn/Magnum Photos)

Morreu outro grande nome da cooperativa de fotogafia Magnum - Burt Glinn.
Glinn fotografou momentos-chave da Guerra Fria como a marcha de Fidel Castro rumo a Havana, em 1959, e a visita do presidente russo Nikita Khrushchev aos EUA, no mesmo ano.
Entrou para a Magnum em 1951, ao mesmo tempo que Eve Arnold e Dennis Stock - os primeiros americanos a juntarem-se à agência. Os primeiros trabalhos que assinou para a cooperativa retratavam acontecimentos ocorridos no Japão, Rússia, México e Médio Oriente.
Burt Glinn nasceu em Pittsburgh, em 1925, estudou literatura na Universidade de Harvard e trabalhou para revista Life. Ganhou vários prémios e o seu trabalho foi exposto por todo o mundo. Foi presidente da Magnum por duas vezes.

12 abril, 2008

litorais

(Danilo Pavone)

O fotógrafo italiano Danilo Pavone, a trabalhar e a residir em Portugal, acaba de inaugurar no Centro Cultural de Cascais a exposição Litorais, uma viagem nocturna pelos locais onde o mar beija os areais.
Maria do Carmo Serén escreveu este texto de apresentação:

Nada como um litoral de areia para se recuperar a observação repetida de António Machado, o caminho se faz, caminhando. Do litoral não se parte nem se chega, apenas se faz caminhando. Pode ver-se ou adivinhar-se da auto-estrada que avança para lá dos sítios, pode procura-se quando já outros, muitos outros, no Verão o procuraram. Mas o litoral está lá sempre, é um património, um chamamento. Uma espera.
É também uma memória renovada com estas imagens de Danilo Pavone. Quase, quase minimal spaces, se procuramos definições: a figuração destaca-se como escultura errática de ficção científica no espectral luminescente de luz radiante, nas transparências do mar, nas brumas de livro de poesia. Há uma actualização no conceito de paisagem, um criticismo da sociedade do espectáculo, um despojamento muito claro. Um Deadpan, uma angústia e uma solidão maior. Mas também um deslumbramento.
As imagens encharcam-nos de céu e o areal torna-se muito continente, estamos nele. Entramos nos cenários surrealistas, com os seus esqueletos de equipamentos. Sentimos, sentimos sempre, o peso dos céus, o enigma de pertencer.
E então, ali, num entardecer qualquer, com os carros distantes de tão próximos, a percepção de um crime a haver.

Maria do Carmo Serén

>>Post relacionado:
>(uma fotografia, um nome)

Litorais, de Danilo Pavone
Centro Cultural de Cascais
Avª Rei Humberto II de Itália, Cascais
Até 1 de Junho

BESPhoto é photo?

Miguel Soares, retarC, 2008
(© Miguel Soares)

Causa sempre algumas interrogações a escolha dos candidatos e a atribuição do prémio BESPhoto. A edição deste ano, que reconheceu o trabalho de Miguel Soares, não foi excepção. Foi para tentar perceber melhor os parâmetros que regem o galardão e os caminhos que trilha a fotografia contemporânea que Inês Nadais escreveu no P2 o texto O "photo" em BESPhoto está a mais?. A procura de respostas foi feita com a ajuda de depoimentos de Maria do Carmo Serén (investigadora e historiadora) e Ricardo Nicolau (adjunto do director do Museu de Serralves e júri de selecção da edição deste ano do prémio).

O texto pode ser lido aqui.

10 abril, 2008


entre aspas

(J. Pascal Sébah)

-Dize lá, Alpedrinha! Tem-la visto, a Maricoquinhas? Que tal está? hein? Rechonchudinha?
Elle baixou o rosto murcho, onde um estranho rubor lhe avivára duas rosas.
-Já não está... Foi para o Tebas!
-Para o Tebas? Onde há umas ruinas?... Mas isso é no alto Egypto! Isso é em cascos de Nubia! Ora essa!...Que foi ella lá fazer?
-Alindar as vistas, murmurou Alpedrinha com desolação.
Alindar as vistas! Só comprehendi quando o patricio me contou que a ingrata rosa d`York, adorno d`Alexandria, fôra levada por um italiano de cabelos compridos, que ia a Tebas photographar as ruinas d`esses palacios onde viviam face a face Raméses, rei dos homens, e Ammon, rei dos Deuses... E Maricoquinhas ia amenisar "as vistas", apparecendo n`ellas á sombra austera dos granitos sacerdotaes, com a graça moderna do seu guardasolinho fechado e do seu chapeu de papoilas...

-Que descarada! gritei eu, varado. Então com um italiano? E gostando d`elle? Ou só negocio?... Hein, gostando?
-Babadinha, balbuciou Alpedrinha.


Eça de Queirós, A Relíquia, 12ª edição, 1935

09 abril, 2008

»vejamos»» [as sugestões dos leitores]

Hiroshi Sugimoto, Hyena JackalVulture, 1976
(
© Hiroshi Sugimoto)

»»Luís Maio andou pelas terras que vão receber os jogos do Euro 2008, na Áustria e na Suíça, e veio de lá com duas sugestões para os leitores do Arte Photographica. No Museum der Moderne, em Monchsberg (Salsburgo), viu uma grande exposição do japonês Hiroshi Sugimoto, onde são mostradas várias facetas do seu trabalho: Conceptual Forms; Portraits; Lightning Fields; Photogenic Drawning; Sculpture; Seascapes; Architecture; Dioramas; Pine Trees; Theaters; Colors of Shadow. E no Museum Fur Gestaltung, de Zurique, viu a exposição A Fareweell to Movies de Chris Marker, cineasta, fotógrafo, jornalista, viajante, crítico, activista e "bricoleur", como o próprio gosta de se catalogar.

Há mais informações sobre a exposição de Sugimoto aqui.
E para saber mais sobre a mostra de Marker clique aqui.

Chris Marker, Cabo Verde, 1981, "still" de "Staring Back", 2007
(© Chris Marker)

k print

Pauliana Valente Pimentel
(© kameraphoto)

Na K Galeria podemos ver fotografia, conversar com fotógrafos e, desde há uns meses para cá, imprimir fotografia. Na comemoração do 3º aniversário, a K dá um desconto de 15 por cento em todos os trabalhos feitos até 18 de Abril. As fotografias são impressas em jacto de tinta pigmentada e os homens das máquinas da K prometem "controlo absoluto sobre as provas finais".

K Print
R. da Vinha, 43 A (Bairro Alto)
De seg. a sáb., das 11h00 às 18h00
kprint@kameraphoto.com

08 abril, 2008

dominar

Abdullahi Mohammed com Mainasara, Ogere-Remo, Nigéria 2007
(© Pieter Hugo)


Era uma imagem que não conhecíamos. Ou pelo menos a que não estávamos habituados. A imagem das hienas como animais de estimação, como bichos orquestrados (orquestráveis!) para fazer gracinhas e malabarismos circenses. Tínhamos delas a lembrança da boca esfomeada a salivar. Da matreirice inteligente. Do riso mentiroso. Do sentido de oportunidade. Da besta indomável. E agora Pieter Hugo vem-nos mostrar outra coisa - a imagem desse animal indefinido, que nem é cão nem é leão, subjugado aos Gadawan Kura, os guardiões de hienas em língua Huasa. É uma imagem que nos causa desconforto e espanto. E que nos cativa, mais pela agressividade latente do que pela novidade do número. Os Kura usam estas criaturas de pêlo espetado como trampolim social - quem as domina é forte - e como engodo para atrair multidões nas ruas de Lagos, onde, depois da exibição do poder das vergastas e das correntes, vendem remédios manhosos e curandices várias.
Pieter Hugo viajou por duas vezes à Nigéria para retratar esta realidade. O resultado desse trabalho, que foi reconhecido no World Press Photo do ano passado, foi agora editado no álbum The Hyena & Other Man.

Para ler a explicação de Hugo sobre a concretização deste projecto clique aqui.

Mallam Mantari Lamal com Mainasara, Nigéria 2005
(© Pieter Hugo)

/uma fotografia, um nome\

André Príncipe, Smell of tiger

Imaginemos que a mulher não existe. É o título, bem lacaniano, da análise de ética e sublimação, da investigadora americana Joan Copjec. Imaginemos, mesmo, que a mulher, esse ícone ataviado com o desejo masculino, não existe. E confrontemos então esta imagem directa de André Príncipe, uma rapariga onde o excesso desestruturante da mensagem, simplesmente destrói dois atributos clássicos da mulher-objecto, a maquilhagem reparadora e o toucado, velho avatar de sedução. Uma jovem que é, antes de tudo, um olhar sobre nós.

É difícil olhar o desencanto, mais ainda quando nos devolve o desencanto das nossas convicções.

André Príncipe é um puro fotógrafo vagabundo, persegue o mundo todo enquanto se persegue a si mesmo. O que nos mostra é, necessariamente, e quase invariavelmente, um mundo jovem em conflito radical de gerações. Ao usar a fotografia faz ficção com a ficção de ser mas, mercê desta abertura que a fotografia multiplicou, varre o olhar omnisciente do divino que ainda nos afastava, como criaturas dependentes, dos jardins do Paraíso. O mundo da fotografia directa é definitivamente profano e aberto. E, cada vez mais, guarda uma ausência ignorada. Nesse mundo, o homem é visto por todos, no seu contexto, nas suas acções, nas interpretações que o fotógrafo nos propõe.

E talvez por isso mesmo a fotografia vive o seu momento de crise, que o conceptualismo e o pós-modernismo, actuando formalmente e sem auto-crítica, não resolveram. Há quem diga que a imagem da fotografia directa, química ou digital, precisa de actualizar os conteúdos, mostrar o que se passa para quem o vive na superfície das coisas. Porque essa forma de pensar intuitivamente com o choque da imagem, traz consigo o testemunho do tempo que vivemos e é garantia do autêntico. Ficcionado ou não, sentimos com ideias, imagens e fantasias.

A imagem fotográfica, nos seus diversos suportes, tornou-se a paisagem que melhor conhecemos. E, com isso, perdemos os valores em que assentava a nossa cultura de herança grega. Porque mergulhamos, no multiculturalismo da globalização, a diferença tornou-se irrelevante, perdeu-se a identidade e, desse modo, as regras da lógica clássica. Sem o princípio da não-contradição e do terceiro excluído, que a nossa gramática latina e os programas de computadores continuam a usar, a irrealidade e a alteridade, (ser uma e outra coisa, ao mesmo tempo) do mito, organizam o nosso conhecimento e a nossa fruição. É, necessariamente, o fim dos paradoxos e a dificuldade da diferença. Seja no virtual, seja na constatação diária de que 'o que é' nem sempre 'é'. Como uma fotografia nos explica, como o mundo fantasmático de sucedâneos multimédia com que fazemos a vida, nos assegura de segundo a segundo.

Na fotografia de André Príncipe o mundo transforma-se num imenso não-lugar, onde enquadramos homens e coisas em permanentes periferias de uma ideia de cidade, de uma ideia de campo, de praia, de civilizações que aprendemos codificadas em outro tempo e outro espaço. E é nesses lugares inóspitos e quase malditos, por entre luzes dos novos néones da publicidade e da contrição cívica, onde vicejam equipamentos de estruturação do trânsito, que encontramos a poesia e o esplendor desta cultura nova. Aqui e ali há o reencontro com a inevitável solidão do rebanho de sujeitos desligados, o transe maior de uma incapacidade de reagir. No seu mundo de turbulência de luzes e movimento, de agitação não estratificada, a diferença não é provocação nem é aviso. Está ali, simplesmente, desafia um olhar, uma classificação. Esquece-se ou não se esquece. Depois de a ver, de a sentir, afastamo-nos deste olhar cansado da rapariga do autocarro, que nem é interrogativo nem sedutor. Mas é um olhar que diz que é, 'tropeçamos nele como um excedente do mundo'. Disse-o Sartre.

E como o livro de Joan Copjec me foi oferecido incompleto, nunca saberei se o olhar do outro implica ética ou sublimação. Mas sei, sem o ler, que revolve o sentir.

Maria do Carmo Serén

André Príncipe (1976)
Tem formação em fotografia (Curso de Fotografia na Faxx Akademie, Holanda) e em cinema, (curso na área de montagem na Escola Superior de Teatro e Cinema, Lisboa, 1998-2001; Curso de Realização Avançada da FCG/London Film School, 2005). Mostrou o seu trabalho de fotografia nos Encontros de Imagem de Braga, CPF, e Silo. É fundador da editora de livros de fotografia, Pierre von Kleist Editions.

07 abril, 2008

Miguel Soares vence BESPhoto

Miguel Soares, da série Liine, 2007
(Miguel Soares)

Miguel Soares ganhou IV Prémio BESPhoto, um galardão patrocinado pelo Banco Espírito Santo e pelo Museu Colecção Berardo. Os outros participantes da fase final do prémio eram Daniel Malhão e Eurico Lino do Vale. Luísa Cunha, também seleccionada, preferiu ficar de fora. O vencedor vai receber 25 mil euros. Miguel Soares concorreu com três séries de fotografias (planetas, crateras e carros).

"A nossa vontade de aceitar a ilusão, mesmo em casos inverosímeis e tecnicamente imperfeitos, a chamada teoria da Suspension of Disbelief interessa-me imenso. Há coisas que víamos há vinte anos atrás e pareciam altamente verosímeis e realistas e que hoje em dia parecem muito mal feitas", disse o artista sobre os trabalhos enviados a concurso.

O júri de selecção falou numa "reflexão sobre o real, uma ligação estreita entre a música e as imagens e uma análise dos mecanismos que regulam e determinam a percepção. (...)"

Miguel Soares (1970, Braga) tem formação em fotografia (Estudos de Fotografia no Ar.Co, Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisboa) e uma licenciatura em design de equipamento (Faculdade de Belas Artes, Universidade de Lisboa).

Para ver mais fotografias da série Liine clique aqui.
Para ler uma conversa entre o artista e Filipa Ramos clique aqui.

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pulitzer

Andrees Latif
(Reuters)


Foram anunciados hoje os prémios Pulitzer. Na fotografia venceram Adrees Latif, da agência Reuters (Breaking News), com uma das imagens mais reproduzidas nos jornais de todo o mundo no ano passado que mostra o momento em que um jornalista japonês é atingido no meio da repressão das tropas birmanesas contra os manifestantes pro-democracia, e Preston Gannaway, do Concord Monitor (Feature Photography), com um trabalho sobre uma família que tem de lidar com doenças terminais dos pais.

>>Post relacionado
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Preston Gannaway
(Concord Monitor)

Ode

André Gomes, da série Era na Velha Casa (detalhe)

A Ode Marítima do engenheiro Álvaro de Campos, aka Fernando Pessoa, foi o ponto de partida do trabalho que André Gomes agora apresenta no Museu da Electricidade. A crítica do Público Luísa Soares de Oliveira já viu Era na Velha Casa e fez a sua apreciação no Ípsilon aqui.

Era na Velha Casa, de André Gomes
Museu da Electricidade, Lisboa
De ter. a dom., das 10h às 18h
Até 27 de Abril

06 abril, 2008

kg 3

(© Valter Vinagre)

A K Galeria, do colectivo [Kameraphoto], está a comemorar 3 anos. No dia da festa de aniversário, na semana passada, inaugurou a exposição 3, onde cada fotógrafo da casa trabalha a partir de uma imagem já criada por artistas como Robert Mapplethorpe, Thomas Ruff, David Lynch, Antoine d´Agata, Andrei Tarkovski, Alberto Garcia- Alix, Susan Meiselas e Nan Goldin, ou de imagens da actualidade.

Rui Prata, do Museu da Imagem de Braga e dos Encontros de Fotografia da mesma cidade, escreveu um texto a propósito deste projecto que pode ser lido aqui.

Parabéns a Alexandre Almeida, António Júlio Duarte, Augusto Brázio, Céu Guarda, Guillaume Pazat, João Pina, Jordi Burch, Martim Ramos, Nelson d'Aires, Pauliana Valente Pimentel, Pedro Letria, Rui Xavier, Sandra Rocha, Valter Vinagre e Madalena Ávila.

05 abril, 2008

no meio

Iuri Kozirev
(© Rui Gaudêncio/Público)


Iuri Kozirev, fotojornalista de guerra, vive no Iraque há 5 anos. Para este russo da agência Noor, é impossível mostrar a guerra no Iraque sem viver dentro dela. No meio dela. Durante muito tempo.

Kozirev esteve de passagem por Lisboa para apreciar os trabalhos submetidos a concurso do 8º Prémio de Fotojornalismo Visão/BES. O jornalista do Público Paulo Moura entrevistou-o e o resultado dessa conversa está no P2 de hoje aqui.

"Tento estar o mais perto possível, para captar a verdadeira imagem da guerra. Mas é difícil. A maior parte das vezes é impossível. E eu tenho muita pena. Queria mostrar a guerra tal como ela é."
Iuri Kozirev, Público, 5.04.2008

Parte do trabalho de Kozirev na agência Noor está aqui.

03 abril, 2008

augusto

01h27, 18.02.2007
(Augusto Brázio)

É muito raro hoje haver partos em casa nas grandes cidades por isso quando surgiu esta chamada fiquei satisfeito. Quando chegamos a rapariga já estava a meio do parto e logo a seguir do nascimento vieram muitas pessoas ver e pegar no bebé. As vizinhas levaram a criança logo para a rua e a mãe deixou logo de ser a protagonista da situação.

Augusto Brázio
(depoimento recolhido para o portfólio publicado no P2 em 19.03.2008)


Augusto Brázio, de 43 anos, é o grande vencedor do 8.º Prémio Fotojornalismo VISÃO/BES. O fotógrafo, freelancer e membro do colectivo kameraphoto, é o autor desta imagem de uma mulher de 19 anos, que tinha acabado de dar à luz (e ao flash) o terceiro filho em casa quando foi assistida pelo INEM. Para além do Grande Prémio, Brázio venceu também na categoria Notícias.

Esta fotografia faz parte de um grande trabalho feito por Brázio ao longo do ano passado em todo o país. O fotógrafo foi convidado pelo Instituto Nacional de Emergência Médica para retratar o dia-a-dia daquele serviço e o resultado dessa aventura foi publicado recentemente em livro, com textos da jornalista Rita Garcia. Para estar sempre a postos para partir a bordo de uma ambulância ou de um veículo de socorro, Augusto Brázio "acampou" nos CODU (centros de orientação de doentes urgentes) durante noites a fio.

Impressionaram-no o interior das casas, a forma como estavam organizadas (ou desorganizadas), a religiosidade, os símbolos, e a luta de quem tenta resgatar vidas, ajudar os aflitos. Fascinou-o a "oportunidade de ter acesso a um espaço íntimo de uma forma desabrida, de rompante". "Para mim, este trabalho foi mais importante enquanto pessoa do que enquanto fotógrafo", confessou há dias quando falamos sobre o portfólio para o P2.

A lista de prémios ficou distribuída assim:

#Notícias

Vencedor: Augusto Brázio (kameraphoto)
Menções Honrosas: Hernâni Pereira (Diário de Notícias); Mário Proença (World Picture News); Pedro Correia (Jornal de Notícias)

#Reportagem
Reportagem do Quotidiano
Vencedor: Rodrigo Cabrita (Diário de Notícias)
Menções Honrosas: João Carvalho Pina (kameraphoto); Paulo Duarte (Agência ½ de Formato)

#Reportagem Noticiosa
Vencedor: João Carvalho Pina (kameraphoto)
Menções Honrosas: Gonçalo Lobo Pinheiro (freelancer)

#Vida Quotidiana
Vencedor: Bruno Simões Castanheira (Jornal de Notícias)
Menções Honrosas: Artur Vaz Oliveira (freelancer); Paulo Maria (freelancer)

#Retrato
Vencedor: Vasco Neves (Diário de Notícias)
Menções Honrosas: Daniel Rocha (Público); Enric Vives-Rubio (Público)

#Espectáculo
Vencedor: Nacho Doce (Reuters)
Menções Honrosas: Ângela Mendes Ferreira (freelancer); Filipe Paiva (freelancer)

#Desporto
Vencedor: Nicolas Asfouri (AFP)
Menções Honrosas: António Pedro Santos (Sol); Luís Efigénio (freelancer)

#Natureza
Vencedor: Eduardo Barrento (freelancer)
Menções Honrosas: Alfredo Cunha (Jornal de Notícias); José Luís Pereira Jorge (freelancer)

O Grande Prémio é distinguido com 15 000 euros, valor pecuniário superior ao do World Press Photo. O vencedor de cada categoria recebe 2 500 euros. Este ano, o grande vencedor recebe ainda um objecto único desenhado pela artista plástica Susana Guardado. Os outros premiados recebem troféus concebidos pelo joalheiro Pedro Cruz e pela designer Rita Filipe.

As fotos vencedoras do 8º Prémio Fotojornalismo VISÃO/BES serão reunidas numa exposição que irá realizar-se em vários locais do país, em conjunto com a mostra do World Press Photo. A inauguração da primeira exposição está agendada para o dia 9 de Maio no Museu da Electricidade, em Lisboa.

Para ver um fotogaleria com todas as imagens premiadas clique aqui.

debater

Aurélio da Paz dos Reis
(col. Cinemateca Portuguesa)

A Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e o Cinema Passos Manuel organizaram um ciclo de conferências que se propõe analisar e discutir as "alterações decisivas no modo de fazer e pensar a prática da fotografia em Portugal, quer pelo seu crescente cruzamento com o domínio das artes plásticas, como pela confirmação de um campo de investigação incontornável para a discussão da particularidade do meio fotográfico e do seu discurso próprio".

Paralelamente às conferências do projecto Prata - Reflexões Periódicas Sobre Fotografia será inaugurada uma exposição onde se "pretende estimular a criação e a experimentação junto de jovens autores portugueses, reflectindo a problemática da imagem fotográfica em consonância com as temáticas abordadas no seminário". O resultado destes dois momentos ficará registado num catálogo.

As inscrições custam 25 euros (comunidade UP - Universidade do Porto, docentes, não docentes e estudantes) e 35 euros (público em geral) e podem ser feitas aqui.

Programa:

#SESSÃO 01
09 de Abril de 2008 (4ª) – 21h00
Projecção do filme Olho de Vidro – Uma História da Fotografia, 1982, Margarida Gil (90’)
Conferencistas: Margarida Gil (realizadora); Margarida Medeiros (*); Tereza Siza

#SESSÃO 02
16 de Abril de 2008 (4ª) – 21h00
Projecção do filme Genérico Manifesto/Aurélio, 2006, Vítor Almeida (8’); Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança; No jardim, 1896, Aurélio Paz dos Reis
Conferencistas: Vítor Almeida (Realizador) Emília Tavares

#SESSÃO 03
23 de Abril de 2008 (4ª) – 21h00
Projecção do filme Gérard Fotógrafo, 1998, Fernando Lopes (45’)
Conferencistas: Fernando Lopes (Realizador); Alexandre Pomar; Maria do Carmo Serén

#SESSÃO 04
30 de Abril de 2008 (4ª) – 21h00
Projecção do filme Lisboa, Cidade Triste e Alegre, 2005, Luís Camanho (44’)
Conferencistas: Luís Camanho (Realizador); Lúcia Marques; José Soudo; Mário Moura

#SESSÃO 05
07 de Maio de 2008 (4ª) – 21h00
Projecção do filme Por Aqui Quase Nunca Ninguém Passa, 1999, José Neves
Conferencistas: José Neves (Realizador); Delfim Sardo (*); José Bragança de Miranda

#SESSÃO 06
14 de Maio de 2008 (4ª) – 21h00
Projecção do filme Pintura Habitada, 2006, Joana Ascensão
Conferencistas: Joana Ascensão (Realizadora); Isabel Carlos

(*) a confirmar

02 abril, 2008

ler

Fauves 1/Hunted
(
© Joseph Zammit-Lucia)

Remexer em jornais com alguns dias tem sempre as suas vantagens. Acabamos por descobrir sempre alguma coisa que nos interessa. Encontrei estes dois ensaios em línguas diferentes, mas com um propósito bem definido: descodificar as imagens e o envolvimento que mantemos com elas.

O crítico do Diário de Notícias João Lopes fala-nos das Novas Regras para Fotografar Animais, uma reflexão feita a partir do trabalho do fotógrafo inglês Joseph Zammit-Lucia publicado numa das últimas Camera Arts.

No The Guardian, o artista inglês David Hockney instiga-nos a pensar no poder de quem distribui imagens e associa o declínio da igreja à pulverização dos suportes e canais por onde elas circulam.

Um cheirinho de ambos os textos:

"O objectivo é, de facto, reconhecer-lhes o direito a uma identidade própria, mas por uma espécie de nostalgia sem recurso: como se perante o fundo negro das imagens, fora das marcas do seu habitat, cada um deles não pudesse deixar de revelar a intensidade tocante de uma solidão radical. E isso, ironicamente, volta a ser muito humano."
João Lopes, Entre as Imagens, Diário de Notícias, 23.03.2008
(não está disponível online)

"We do not have debates about images. The world of art is separate from the world of images, but the power is with images, not art."
David Hockney, Pictures and Power, The Guardian, 27.03.2008


Don`t get hooked, imagem de uma campanha anti-tabágica retirada das ruas e da televisão em Inglaterra

PHE08

Florian Maier-Aichen, sem título, 2007
(© Florian Maier-Aichen, cortesia Blum & Poe, Los Angeles)


Está apresentado o programa do XI PHotoEspaña. E Portugal é, como se antevia, um dos protagonistas do Festival de Fotografia e Artes Visuais que tem conquistado uma posição de destaque no panorama fotográfico europeu.

Um ano depois de ter experimentado uma edição comemorativa sem tema estruturante e sem a figura de comissário, o festival madrileno volta ao modelo clássico de funcionamento com um fio condutor: Lugar.

Para o Museu Colecção Berardo, em Lisboa, virá a exposição colectiva Utopia (Frédéric Chaubin, Gayle Chong Kwan, Arni Haraldsson, Mathieu Pernot, entre outros). O Museu de Portimão receberá Sem Actividade, um projecto de Ignasi Aballí. Em Madrid, serão expostos os trabalhos dos três fotógrafos finalistas do Prémio BESPhoto (Daniel Malhão, Eurico Lino do Vale e Miguel Soares) e haverá ainda fotografias de Augusto Alves da Silva, Pedro Barateiro e João Maria Gusmão/Pedro Paiva.

A Secção Oficial contará com 32 exposições de alguns dos grandes mestres da fotografia (W. Eugene Smith, Bill Brandt, Robert Smithson) e dezenas de artistas contemporâneos (Javier Valhonrant, Thomas Demand, Roni Horn) que tentarão fazer um diálogo em torno do tema Lugar. Caberão aqui projectos convidados, exposições de prémio de fotografia internacionais e colecções privadas.

No Festival Off as principais galerias de arte de Madrid apresentam 37 exposições que poderão estar fora do tema principal proposto. É também dentro do do Off que decorrerão o Campus PHE - wokshops e conferências - o Descubrimientos PHE - apresentação de portfólios - e o Encuentros PHE - debates à volta da imagem fotográfica.

O lançamento do programa foi acompanhado com a renovação do sítio do festival que pretende tornar-se "um portal de referência para todos os amantes da imagem". Para além do noticiário geral do PHE, a organização quer ter informação permanente sobre a actualidade fotográfica internacional. Haverá um blogue com a participação de vários fotógrafos e será estreada a PHETV, plataforma audiovisual que produzirá especificamente e em exclusivo para o sítio do PHotoEspaña.


entre aspas


"Baixei a cabeça, e murmurei:
-E ainda nós não padecemos bastante... tem a titi razão. Que se não mettesse com saias!
Ella ergueu-se, deu as graças ao Senhor. Eu fui para o meu quarto, fechei-me lá, a tremer, sentindo ainda, regeladas e ameaçadoras, as palavras da titi, para quem os homens 'acabavam quando se mettiam com saias'. Tambem eu me mettera com saias, em Coimbra, no Terreiro da Herva! Alli, no meu bahú, tinha eu documentos do meu peccado, a photographia de Thereza dos Quinze, uma fita de sêda, e uma carta d`ella, a mais doce, em que me chamava 'unico affecto da sua alma' e me pedia dezoito tostões."

Eça de Queirós, A Relíquia, ed. Livraria Lello, 1935

 
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