14 março, 2008

nomeados

Daniel Malhão

Foi ontem inaugurada no Museu Colecção Berardo a exposição da 4ª edição do prémio BESPhoto que mostra trabalhos recentes de Eurico Lino do Vale, Daniel Malhão e Miguel Soares.
Estes três artistas foram seleccionados para a fase final do galardão por um júri composto por Albano da Silva Pereira, José Luís Neto, Leonor Nazaré, Nuno Crespo e Ricardo Nicolau. O vencedor será anunciado no dia 7 de Abril.

Eurico Lino do Vale


Miguel Soares

13 março, 2008

mudança

Andei aqui a fazer umas mudanças no template do blogue e isto é capaz de demorar um bocadinho até ficar como deve ser...

12 março, 2008

»vejamos»» [as sugestões dos leitores]

Simone Veil, ministra da Saúde, 1974
(© Martine Franck/Magnum Photos)


A revista Slate decidiu assinalar o Dia da Mulher (8 de Março) com um ensaio da Magnum onde aparecem algumas personalidades femininas que se destacaram na política e assumiram o poder durante os últimos 50 anos de História.
A sugestão é de Joana Amaral Cardoso.

Para ver todas as imagens desta fotogaleria clique aqui.

11 março, 2008

{photoarquia}


...until you hear a click...
Andei a limpar o pó à meia-dúzia de máquinas antigas que fui juntando ao longo dos últimos anos. Encontrei este folheto dentro da caixa carcomida de uma Kodak Baby Brownie em baquelite preta.
Não resisto a transcrever uma parte das explicações técnicas sobre o funcionamento deste "bebé" da Kodak. Mostra-nos a enorme distância a que já estamos deste mundo...
Este post inaugura também uma nova secção aqui no Arte Photographica - {photoarquia} - que falará da arqueologia e da história da fotografia.

Instantaneous snapshots
You can take snapshots in bright sun, or when the sun is obscure by light cloud, during the hours between two hours after sunrise and two hours before sunset.
Firs lift up the front frame of the viewfinder and set both frames upright. Hold and aim the camera as shown in the illustrations. Keep your hand well away from the lens.
Hold the camera level and perfectly still when photographing. Push the Shutter Lever slowly and evenly to the left until you hear a click - this indicates that the exposure has been made. When the shutter is released, another click will be heard - this is the shutter returning to the set position and not another exposure being made. Do not jerk he shutter lever, otherwise the picture will be blurred. It is always safer to take snapshots with the sun behind you or slightly to one side - if you expose with the sun in front of you it may shine into the lens and spoil the picture.
To photograph a moving subject, choose a viewpoint where any movement is toward or away from the camera - never across it.

10 março, 2008

NAF ameaçado

Carlos M. Fernandes, Kaluptein, 2001
(© Carlos M. Fernandes)


O Conselho Directivo e a Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico preparam-se para atirar o Núcleo de Arte Fotográfica (NAF) deste universidade para fora do espaço onde funcionou nos últimos 30 anos. A ideia é transferir o NAF para o Tagus Park,em Oeiras, onde funciona o segundo e novo pólo do IST. Se a mudança se concretizar, o NAF perde dois dos seus principais trunfos na já difícil afirmação das técnicas tradicionais de fotografia - a centralidade na cidade e a presença no maior pólo do IST. O NAF lutava por uma complementariedade entre os velhos modos de criar fotografia e a avalanche do digital. Agora, com esta situação, luta tão simplesmente pela sua existência.


"O NAF (Núcleo de Arte Fotográfica) do Instituto Superior Técnico é um sigla mágica de grandes tradições. Por ele passaram todos os estudantes do Técnico (e doutras escolas) com veleidades fotográficas. Alguns tornaram-se grandes profissionais da arte e engenho da fotografia. Foi também no NAF (então Secção Fotográfica da AEIST) que nos meus tempos de estudante - já lá vão quatro décadas - aprendi os rudimentos da revelação e vi nascer a minha primeira imagem latente. Nessa altura, os meus interesses eram químicos, não fotográficos. Como de propósito, aquela Secção Fotográfica estava cravada na ilharga do Pavilhão de Química. Já havia olhares cobiçosos sobre espaços alheios, mas fotógrafos e químicos coexistiam em serena harmonia. Lembro-me de descer a escada lateral do Laboratório de Química Analítica (que Deus tenha!) e de voltar à direita para entrar pela portinha mágica que dava acesso à câmara escura."
Jorge Calado, Engenhos e Visões

06 março, 2008

photo london adiada

Lisa Kereszi, Gael dressing, State Palace Theater, New Orleans, 2000
(
© cortesia da Yansey Richardson Gallery, Nova Iorque)

A edição deste ano da Photo London, agendada para este mês, foi cancelada por causa da demissão de Valérie Fougeirol, directora da Paris Photo que, desde o ano passado, tomou conta da organização do festival da capital inglesa.
Os organizadores franceses prometem o regresso do Photo London para 2009. O Paris Photo não sofrerá qualquer alteração e acontecerá em Novembro.

05 março, 2008

/uma fotografia, um nome\

Xangai, 2002
(© António Júlio Duarte)
Há um mistério incómodo nas fotografias de António Júlio Duarte. O que a crítica, desta ou daquela maneira tem sublinhado e que não se reduz à reconhecida tensão de cores e enquadramentos. Gosto desta imagem e de muitas outras, incluindo as da fase a preto e branco. E eu, que gosto mais de gatos, até parece que entendo a interdita miséria e o destroçado abandono dos seus cães vadios.

Esta imagem de uma Xangai, que podia ser ali à esquina, é relativamente recente e já perdeu decisivamente a agudeza da cor, mas manteve essa exploração miudinha dos gestos, que é uma das glórias deste fotógrafo. António Júlio Duarte é um dos grandes fotógrafos nacionais, um daqueles de que nos apropriamos para vitoriar o país. Mas quem gosta de classificações a partir de correntes, tem sérias dificuldades em situá-lo, o que, na realidade, é de bem menor importância no seu trabalho.

Margarida Medeiros parece ter intuído o nó da diferença, usa mesmo o conceito freudiano de heimlich, na sua caracterização mais labiríntica, quando, pela forma positiva de entendimento domesticado, (porque unheimelich, o seu contrário, significa mesmo estranheza), heimlich, paradoxalmente, associa familiaridade a estranheza e ocultação. Como se, naquelas coisas que julgamos reconhecer, um elemento repentinamente perturbador nos desencaminhe. O que faz enigmáticas as suas imagens.

Eu acho mesmo que António Júlio Duarte, que traz sempre a sua câmara a tiracolo, presumindo-se que pesquisa a poesia ou o desvario do acontecer, não é, verdadeiramente, um fotógrafo flâneur. Vagabundeia em trilhos interiores que alucinam a imagem fotográfica, como se procurasse um palco para os seus fantasmas depressivos. E aí, nesse cenário, se conjugam os segredos de um real visível e de um “real” psicanalítico, que é a febre de viver na falta, sabe-se lá de quê. A contingência, como sabemos, fabrica as polaridades da vida, perversas ou sadias, insuspeitadas ou deliberadamente reprimidas, os anjos do bem e do mal em contínua oposição, um olhar que alberga transparência e inquietação. E são essas pequenas percepções que perpassam nas suas imagens, que nos falam de um olhar inquieto, dentro e fora, dum descobrir e descobrir-se que, naturalmente, segue de argumento em argumento.

Talvez por isso, os personagens de António Júlio mostram-se frequentemente em retirada, de costas voltadas; mas não há deficit de avaliação porque a clareza dos gestos do corpo supre outra qualquer informação: ombros que se esgotam de cansaço, desajustes de troncos que ferem de desânimo ou se endireitam com entusiasmo, o perfil da sedução num volteio de roupa, o refechamento duns pés encolhidos. Nesta imagem, o corpo todo que podemos ver fala da expectativa da jovem ao telefone: os ombros direitos – excessivamente tensos no brilho neo-clássico da camisa,- a ligeiríssima inclinação da atenção na nuca perfeita, o comedido afastamento do dispositivo mecânico para garantir a unidade do corpo e do sentir, enfim, o decidido apoio da mão direita no suporte do varão. À sua volta sabemos que a vida circula, alheia e impensada, em segundo plano. O cenário é a parede verde da cabine que recorta o desenho onde o gesto se inscreve. A suspensão do olhar faz-se no centro. O real capta-se por fascinação, é certo, mas pode tornar-se possessão. Do fotógrafo e nossa. O sentimento da arte é afim do real, insinua-se nele o sentido oculto, mas não fica percepção, só fulguração e arrepio. Por isso mesmo é incómodo, não termina no studium, não fala, não se anuncia. É só um clarão, uma passagem. A falta, que está associada ao objecto parcial, a um objecto de substituição como a imagem fotográfica, apela ao desejo.

É bom saber que se trata, afinal, de um registo de experiência. Onde se passa qualquer coisa para lá do que se vê e nos perturba.

É só assim que se passa, guardamos no corpo, num afloramento de toque, a rapariga da blusa de cetim.

Maria do Carmo Serén

António Júlio Duarte (Lisboa, 1965)
Dezenas de publicações e trabalhos bibliográficos;
Presente em colecções nacionais/internacionais.
Vive e trabalha em Lisboa

01 março, 2008

bombons de Capa

Robert Capa, Teruel, Espanha, Janeiro de 1938
(© Cornell Capa/Magnum Photos)

Há uma verde, uma vermelha e uma bege.
Diz quem já esteve perto delas que bem podiam ter sido caixas de bombons. Talvez por causa dos quadradinhos como que a separar formas e sabores.
São três caixas, mas são uma - juntas formam a mala mexicana que antes de ser mexicana foi a mala que o fotógrafo de guerra Robert Capa deixou para trás quando, em 1939, abandonou Paris rumo a Nova Iorque, logo depois dos primeiros disparos que marcaram o início da II Guerra Mundial.
E os quadradinhos não guardam doces. Guardam rolos de negativos de quase 3500 fotografias – quase todas serão inéditas - tomadas durante a Guerra Civil de Espanha, entre 1936 e 1939, não só por Capa, mas também por Gerda Taro, sua companheira de trabalho, de aventura e romance, e David Seymour “Chim”, o trio que contribuiu de forma decisiva para uma nova maneira de dar a ver a guerra, estando dentro dela e não apenas a observá-la.
(...)
O artigo completo publicado na Pública está aqui.

Robert Capa, telefonema para o comando militar, Rio Segre, na frente de Aragão, 7 de Novembro de 1938
(© Cornell Capa/Magnum Photos)

29 fevereiro, 2008

3 nomes mais 1

(© Bruno Castanheira/Público)

Foram hoje revelados os nomes de três membros do júri do Prémio de Fotojornalismo Visão/BES: Philip Blenkinsop fotógrafo freelancer, Jean-François Leroy, presidente do festival de Perpignan, e Susan Smith, directora-adjunta de fotografia da National Geographic.

O texto de apresentação do júri, da responsabilidade da direcção da revista, comete a indelicadeza de citar um trabalho de João Carvalho Pina como um "exemplo" para concorrer à nova categoria desta edição, Reportagem Quotidiana. Esta estranha inclinação a priori por um eventual participante não é só injusta para com os outros concorrentes. É, em primeiro lugar, injusta para com o próprio. Imagine-se que João Carvalho Pina até ganha um prémio. E imagine-se que até ganha um prémio naquela categoria...

28 fevereiro, 2008


entre aspas

Alfred Stieglitz, Barn, Lake George, 1920
(©George Eastman House, Rochester, Nova Iorque)

O telefone despertou-me numa fria manhã de Junho. Sentei-me na cama. A luz, lá fora, inerte e alheia, morria numa lenta gradação de cinzentos. Era triste como uma fotografia antiga.

José Eduardo Agualusa, Pública

21 fevereiro, 2008

O Arquivo

Daniel Blaufuks lança o livro inspirado na exposição O Arquivo no dia 23 de Fevereiro, último dia da mostra, na Galeria Vera Cortês, em Lisboa.

"Este livro recolhe alguns textos espalhados, aos quais decidi dar a importância que merecem. Outros são textos pedidos propositadamente a autores, com os quais sinto afinidades e partilho alguns universos. Também decidi incluir palavras mais antigas, que não perderam o seu interesse e que se relacionam, de certa forma, com o contexto em que insiro meu trabalho. Ainda um ou outro texto da minha autoria, que acompanham as imagens aqui publicadas. Claro que, como todos os outros, também este é um arquivo incompleto.
Daniel Blaufuks

A próposito de livros, o Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa agendou para o dia 28 de Fevereiro, às 17 horas, uma conversa entre o crítico Nuno Crespo e o autor.

20 fevereiro, 2008

*Três perguntas a...


Miguel Barreira
(Pedro Cunha-Público)

Miguel Barreira, 33 anos, fotógrafo do diário desportivo Record, vencedor da 3º prémio da categoria Desporto do World Press Photo 2008.

¿O que te levou a submeter esta fotografia a concurso?
Pelo ângulo invulgar esta fotografia torna-se especial. Foi por causa disso que a mandei para o World Press Photo. Foi tirada de uma fortaleza com vista para a Praia do Norte, na Nazaré. Deu-me uma perspectiva de pássaro desta tentativa de sair da onda. No momento do caos ele [Jaime Jesus], quer sair dali mas não pode. Na areia, onde se costuma fotografar, era impossível consegui-la.

¿Pensaste que poderias ter alguma hipótese com esta fotografia no concurso deste ano?
Achei que era especial. Mas comecei a acreditar mais quando o director da melhor revista de "bodyboard" do mundo, a Movement, da Austrália, para onde também a mandei, me respondeu a dizer que tinha gostado muito e que a considerava “a trippy shot”, uma foto louca. Se consegui que o director desta revista e de um país de grandes ondas achasse isto.... Ele perguntou-me se a tinha conseguido a partir de um helicóptero e eu ri.

¿O que achas da fotografia vencedora do World Press Photo deste ano, o soldado “no fim da linha” do britânico Tim Hetherington, tirada nas trincheiras do Afeganistão?
É mais uma foto de guerra, mas num ano que não foi um ano de guerra. O ano de 2007 não foi o ano da guerra no Iraque, nem da guerra no Afeganistão.

(Depoimento recolhido por Ana Machado)

Para ler a crónica de Eduardo Cintra Torres sobre duas das fotografias vencedoras na categoria Desporto clique aqui.

Para ver uma fotogaleria com algumas fotografias premiadas clique aqui.

Miguel Barreira, 3º prémio da categoria Desporto


entre aspas


John Baldessari
Noses & Ears, Etc. (Part Four): One Altered Person with Two Paintings, 2007

Uma fotografia e uma pintura são a mesma coisa: informação visual. O que se pode ver nas minhas obras não é nem fotografia nem pintura, mas sim um híbrido.

John Baldessari, El País, 4.02.2008

John Baldessari

18 fevereiro, 2008

/uma fotografia, um nome\

Corpo Grego
(© Danilo Pavone)


Fotograficamente, aqui celebra-se o corte e a distorção. Mas, antes, no olhar total, celebra-se o corpo. Danilo Pavone, que se licenciou em Belas Artes em Bolonha, chama ao conjunto onde se insere esta imagem, “Corpo Grego”, lembrando talvez aquelas figurinhas de terracota que já encantaram Eça de Queirós, - couros e core que nos ensinaram mais sobre harmonia do que os módulos humanos da escultura grega clássica.

E então o fotógrafo distorceu a harmonia do corpo, cindiu-a em pedaços e, em segunda instância, dividiu o corpo horizontalmente. Porque se trata de uma opção fotográfica, que em si mesma encerra já esse momento fundamental, o “cut”. Porque é essa a lei da fotografia, que nos habituou a ver o mundo não em síntese, mas em fragmentos, com fora de campo inteligíveis, porque um dos papéis da arte é precisamente ser uma metáfora do entendimento.

O gesto do corte é uma forma de violência contra o espaço e o tempo que parecem constituir a nossa forma de estar no mundo. A imagem fotográfica instaura uma catástrofe no devir inevitável do tempo, interrompe, suspende o tempo e fracciona, isola, uma pequeníssima parte da extensão. O fotógrafo, insiste Philippe Dubois, trabalha sempre com a faca. Aqui, nesta imagem de Danilo Pavone, o tempo não tem qualquer arrimo, pois o fundo neutro não nos dá um só elemento simbólico que nos permita situá-la no tempo. E o tempo da tomada de vista morreu em si mesmo, escapou-se para lá dela um outro tempo de um fluir contínuo; a fotografia é sempre uma imagem singular.

Mas é uma fotografia refeita, performativa. Deixa-nos uma série de pistas: esta insistência no fraccionamento do homem que vivemos desde o “homem demolido”, dos anos sessenta, e se agrava comos novos fantasmas do virtual. E, também por isso mesmo, a força agónica da separação, da perda, onde, a mal, se recupera o corpo depois da falta. Há um traço demoníaco na diluição da orelha de fauno, no estreitamento do braço, no seio quase clonado no feminino, na reconstituição de mau laboratório. E nesse uso da faca digital que arrisca destruir a beleza clássica, transparente na codificação negada, impõe-se uma outra estética que se insinua na descodificação do belo como excesso de composição, abrindo o abismo da perversidade. A teoria fotográfica contemporânea inventou o jogo da clarificação: a fotografia é índice de qualquer coisa, não é a coisa; é presente eterno, é sempre pretérito, é a cinza que ficou de um teletransporte granulado. A fotografia é a brecha, bem o sabemos. Do pensar e do sentir.
E é, naturalmente, um olhar. Um olhar informado, que argumenta, que descarrega no corte do mundo, todo o invisível que a formação do fotógrafo assim revela. Clandestinas, seguem as contradições da alma que criam a diferença, nesta dobra mal sustentada que é a nossa vida: a fotografia é sempre um corte, a faca inteligível no abismo, acorda em nós a certeza de que todas as nossas convicções caminham no fio do arame.

Maria do Carmo Serén

Danilo Pavone (Catânia, 1971),
Foi fotógrafo militar do Exército italiano,
fez levantamentos fotográficos de Arqueologia,
é habilitado em conservação e restauro fotográfico.
Com fotografia de autor esteve na Arte Lisboa 2005 e 2006, no Centro Português
de Fotografia, em 2007, nas Bienais de V. N. de Cerveira e V. F. de Xira (1º Prémio em 2003).
Trabalha em Condeixa.

17 fevereiro, 2008

olhar de Johnny


Johnny Deep é um dos actores vivos que melhor sabe olhar para as câmaras. Este mês com a estreia de Sweeney Todd, o seu quinto filme com Tim Burton, inundou as capas das revistas de todo mundo. Esta fotografia que fez a primeira página da Esquire, versão espanhola, foi das que mais me impressionou.

15 fevereiro, 2008


entre aspas

(© Daniel Blaufuks)

445. Uma fotografia não necessita de ser um documento, pode ser uma canção. Não necessita de ser matéria, pode aspirar a ser orgânica.

Daniel Blaufuks, Setembro

13 fevereiro, 2008

»vejamos»» [as sugestões dos leitores]

Robert Capa
(© Cornell Capa/Magnum Photos)

David Clifford chama-nos a atenção para esta história que já tem uns dias, mas é de ler e chorar por mais. Encontraram um dos Santos Graais da fotografia: a "mala mexicana" de Robert Capa com milhares de fotografias captadas durante a Guerra Civil de Espanha.

Está tudo contado no New York Times aqui.

Robert Capa
(© Cornell Capa/Magnum Photos)

11 fevereiro, 2008

+WPP

Platon para a Time, Vladimir Putin, Rússia
(1º Prémio na Categoria Retrato)

Não é de invejar nem um bocadinho a tarefa dos membros do júri que todos os anos elegem a fotografia vencedora do concurso World Press Photo. Deve ser angustiante. Escolher uma fotografia. A melhor. A que condensa numa superfície o máximo de emotividade, expressividade, dramatismo, rigor técnico, criatividade ou a mais simples feição de desespero, cansaço, aflição. Isolar uma fotografia. Torná-la só no meio da orgia das imagens. Tão-só como o soldado que ficou na objectiva do britânico Tim Hetherington, o grande vencedor da edição deste ano de um dos mais conceituados galardões de fotojornalismo do mundo.
Na verdade, este militar só não ficou para sempre sozinho nesta fotografia de Hetherington porque há um olhar fugaz que o liga a quem o vê. É pouco definida essa ligação, como pouco definida é a textura que chegou até nós. Mas é suficiente para o acompanharmos na sua solidão, para partilharmos o seu drama no atoleiro em que os Estados Unidos se meteram no Afeganistão. O soldado do 2º Batalhão Aerotransportado do Exército americano está sozinho e não está. Nós estamos com ele e a fotografia que o fixou está acompanhada por outras do mesmo autor que ganharam o 2º prémio na categoria de Notícias.

Tim Hetherington para a Vanity Fair
Não deixa de ser surpreendente que a imagem vencedora venha do Afeganistão que, a par do Iraque, foi um dos cenários mais recalcados visualmente dos últimos anos. Era difícil trazer dali um momento que contasse uma história diferente da que todos os dias nos entram pelos olhos dentro. Para o júri deste ano, Hetherington conseguiu-o. Não só com uma, mas várias fotografias feitas para um trabalho encomendado pela revista Vanity Fair.
Numa apreciação imediata nota-se uma presença assinalável do preto e branco na edição deste ano do concurso. E há alguns prémios para fotografias neste suporte em categorias onde não é tradicional o seu uso, como o Desporto (o caso da fotografia do português Miguel Barreira).
Na galeria de premiados salta também à vista o retrato de Vladimir Putin feito pela agência britânica Platon e que foi capa da revista Time na tradicional votação para a personalidade do ano. Putin tem um olhar gélido, implacável. Não é um simples retrato, claro. Revela bem a frieza com que nos habituámos a olhar para o Presidente russo. É um retrato psicológico, que tem de ser lido para lá da pele de Putin.
Os olhos e o olhar são muitas vezes importantes na fotografia. Dão-nos o contacto. Dão-nos a "química". Outras nem por isso. É preferível imaginá-los. Como quis que fizéssemos Ariana Lindquist com esta figura esbranquiçada de cara cortada, sem olhar, mas com glamour e muito mistério.

(P2, 09.02.2008)

Ariana Lindquist, rapariga mascarada de boneco animado, Xangai
(1º Prémio na Categoria Arte e Entertenimento)

10 fevereiro, 2008

dupla pose

Amélia Rey Colaço (1898-1990), s/d, Photographia Londres, Lisboa

Há dias alguém deixou em cima da minha mesa de trabalho um álbum de fotografias de antigas glórias do teatro português editado no final do ano passado. Parei mais tempo nestes dois retratos de dupla pose, de dupla actuação.

Rostos e poses
Museu Nacional do Teatro

Dezembro, 2007

Esther Leão (1897-1971), s/a, s/d

08 fevereiro, 2008

Miguel Barreira

Miguel Barreira, 3º prémio da categoria Desporto

Há 34 anos que um fotógrafo a trabalhar em Portugal não recebia um prémio do World Press Photo. Miguel Barreira, fotógrafo do jornal Record, quebrou o enguiço e conquistou um terceiro lugar na categoria de Desporto. O primeiro português a conseguir um reconhecimento semelhante foi Eduardo Gageiro, em 1974, com uma fotografia do general Spínola.
A jornalista do Público Online Ana Machado falou hoje com Miguel Barreira e o resultado dessa troca de impressões está aqui.
Para ver uma galeria com todas as imagens vencedoras clique aqui.

vencedora

Tim Hetherington para a Vanity Fair

Esta foi a fotografia que o júri do World Press Photo considerou a World Press Photo of the Year 2007. Foi captada pelo britânico Tim Hetherington no Afeganistão.

07 fevereiro, 2008

»vejamos»» [as sugestões dos leitores]

Tragédia de Bhopal III, Bhopal, 1984
(© Raghu Rai)
»»Susana Ribeiro, de Coimbra, diz-nos que convém não perder as exposições de Raghu Rai (Retratos da Índia), em Madrid e em Barcelona. As mostras antológicas traçam o percurso do fotógrafo entre 1964 e 2007. Madrid ficou com as imagens a preto e branco e Barcelona com o fotografias a cores.
Em 1971, Henri Cartier-Bresson viu uma exposição de Ranghu Rai em Paris. Essas imagens ficaram-lhe na memória e em 1977 convidou Rai para se juntar à agência Magnum.

O jornal El Mundo dá-nos uma amostra do que podemos encontrar em Madrid e Barcelona aqui.

Nova Deli, 1988
(© Raghu Rai)

01 fevereiro, 2008

/uma fotografia, um nome\

The Diminishing Present
(© Edgar Martins)

Esta cultura que vivemos, onde se juntam a sociedade de massas e da multimédia a pecados velhos, despertou medos arquétipos e fez deles as banalidades que desfrutamos com comunitária ligeireza em filmes de Carpenter, Tim Burton, Cronenberg, Ridley Scott ou Wes Craven; permite-nos ainda aclimatarmo-nos a figuras de reconhecimento como qualquer Alien, a Matrix de Morpheus e Neo ou Constantine ou a renovados vampiros e mortos-vivos. Este tema de abominação paredes meias com o de contaminação é comum na Fotografia e em qualquer outra arte contemporânea, mas amalgama-se, como efeito perverso, com a inquietação solitária e o desespero miudinho que nos atravessam em lugares de estranheza.

A própria civilização mediática e electrónica vai criando os seus sítios estranhos, como os não-lugares da sobremodernidade de Marc Augé, que é tudo o que nos rodeia para nos fazer livres e felizes: as temíveis estações de metro fora de horas, os aparcamentos vazios com a sua aparelhagem expectante, as arriscadas caixas de multibanco, as indicações, a sinalética, os cartazes que nos dizem como conversar com os nossos fantasmas.

Outro efeito da ordenação da cultura mediática é o desprazer que nos causam as periferias. Temática de reflexão social e montra de desregulamento cívico, a periferia tem deficit de equipamentos básicos, desertifica-se nas horas de trabalho, é marcada pela incompletitude. É o sítio bárbaro por excelência, porque muito próximo e tentacular: não é já o arrabalde simpático e de lazer, mas um caos sorrateiro que cresce de fora contra a cidade.

Tornou-se, naturalmente, um tema fotográfico, mais, um tema da arte do visual, seja no conceptualismo, seja nos humanistas. A ideia de periferia mexe-se no espaço ético e a sobremodernidade.

Edgar Martins, que desenvolveu o seu mérito académico na Grã-Bretanha, assumiu este tema conceptualmente e acabou por desenvolver um tipo de olhar que nos remete tanto às concepções de Axel Hütte, como aos justos devaneios ecológicos e etnológico dos americanos New Topographics, nomeadamente na sua série Buracos Negros e Outras Inconsistências.

Esta fotografia pertence à série seguinte, The Diminishing Present, o que já diz tudo sobre a evolução do seu imaginário. Porque, afinal, esta paisagem molhada pelo nevoeiro, cabe no nosso museu imaginário fotográfico; estamos habituados a estes caminhos de bichos traçados no terreno, a um qualquer renque de árvores indecisas num horizonte qualquer, apesar da dimensão e da cor digitalizada, apesar do céu vazio que apontam a pós-modernidade. Mas aqui há qualquer coisa de novo e perturbador: pela geometria ajardinada das árvores? Pela opacidade do ar? Pela luz espectral?

A tentação é não relevar a imagem do referente natural que traz consigo, mas associá-la a outros lugares que conhecemos de filmes ou de vídeo-clips, já que se trata de um esvaziamento e de um não-tema. A informação que presta é obviamente conceptual, mas o todo, olhando-nos, afirma o que bem reconhecemos, a solidão, o incómodo da névoa, a humidade do chão, o corte com a transparência do futuro: o que está para lá no espaço e, necessariamente no tempo, e não vemos, não adivinhamos. E que a opacidade brumosa nos esconde. Edgar Martins não nos oferece uma paisagem, mas o padrão processual para a sintetizar. Tudo o que se mostra e o que se oculta, o que sabemos e o que sentimos perverte a informação. E inquieta, desestabiliza.

Maria do Carmo Serén

Edgar Martins (1977-), vive e trabalha, como fotógrafo e editor (The Moth House) na Grã-Bretanha, onde foi premiado (2003, 2005) e considerado “um dos mais influentes jovens artistas que usam o medium fotográfico”. Expõe habitualmente na China, Inglaterra e Portugal

31 janeiro, 2008

remexer


(© Daniel Blaufuks)

Daniel Blaufuks inaugurou na galeria Vera Cortês a sua primeira exposição depois de ter sido reconhecido com o Prémio BES Photo 2006. O conjunto de fotografias e instalações agora apresentado, intitulado O Arquivo, retoma os temas da memória, da apropriação e da efemeridade dos suportes. Em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flor, o fotógrafo inaugurou Álbum, uma mostra com as mesmas propostas conceptuais, mas independente de O Arquivo.

450. Um arquivo não é uma colecção, porque um coleccionador escolhe e um arquivista não tem escolha possível.
[...]
493. Os críticos de arte e o público em geral têm dificuldade em compreender exposições de fotografia, cujo tema não seja facilmente reduzido a uma frase só: esta exposição é sobre esta zona, é sobre a auto-representação, é sobre este grupo de pessoas, é sobre esta indústria. A fotografia torna-se assim importante pela sua agenda e não pelo que possa representar ou inspirar.

Setembro, Daniel Blaufuks

Margarida Medeiros escreveu uma crítica à exposição O Arquivo no ípsilon que pode ser lida aqui.


(© Daniel Blaufuks)

O Arquivo
Vera Cortês Agência de Arte, Lisboa
Av. 24 de Julho, 54, 1º Esq.
Até 23 de Fevereiro

Álbum
Centro Cultural Vila Flor, Guimarães
Avenida D. Afonso Henriques, 701
Até 6 de Abril

tornar vivo

John A. Coffer
(© Fred D. Conrad/The New York Times)

Andava a rever uns posts antigos ainda em estado de latência (draft) e encontrei esta reportagem do fotógrafo do New York Times Fred R. Conrad sobre John Coffer, um personagem que faz questão em viver à século XIX e que encontrou na ferrotipia (tintype) um modo de subsistência e uma forma de nos lembrar que os primitivos processos fotográficos ainda são executáveis e podem continuar vivos.
Conrad participou numa das sessões anuais gratuitas sobre ferrotipia (tintype) organizadas por Coffer e ficou apaixonado por este antigo suporte em que a emulsão é feita com colódio húmido sobre ferro.

Para ver mais fotografias de Fred R. Conrad tiradas durante esse "jamboree" clique aqui.
O artigo sobre John Coffer está aqui.

John A. Coffer na sua quinta, em Dundee, Nova Iorque
(© Fred D. Conrad/The New York Times)

30 janeiro, 2008

david vs david


O mercado da imagem publicitária anda sempre muito atento aos sinais e aos símbolos que marcam tendências, ao mínimo frou frou sobre esta ou aquela pose que ultrapassa a tentativa de nos vender alguma coisa e se instala na discussão pública ou na simples conversa de café. Não é fácil surpreender neste universo. E é por isso que, de vez em quando, as marcas espreitam por cima do ombro à procura de "inspiração" na concorrência. Como neste caso, onde, convenhamos, a cor da tanga de David Beckham não foi a única coisa copiada do anúncio que trouxe David Gandy para a ribalta.

28 janeiro, 2008

tornar comum

Alfred T. Palmer, balão, Parris Island, Maio de 1942
(No known restrictions on publication)

Metro (?), Bain News Service, entre 1910 e 1915
(No known restrictions on publication)

O flickr e a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos juntaram-se para um grande projecto, o Commons, que disponibiliza duas grandes colecções de fotografia histórica sobre as quais a biblioteca não possui propriedade intelectual. Ou seja, são imagens "sem restrições conhecidas de direitos de autor", que entraram no domínio público e podem ser utilizadas por qualquer pessoa ou instituição. A designação em inglês é no known copyright restrictions.
Os espólios agora publicados no flickr, um de fotografia a cores dos anos 30 e 40 (1615 imagens) e outro de fotografia a preto e branco dos anos 10 (1500 imagens), não estavam propriamente escondidos. A Biblioteca do Congresso, um das primeiras instituições públicas americanas a perceber a importância da Internet, já as tinha digitalizadas e prontas para serem apreciadas através do seu sítio. Mas esta parceria com o flickr dá outra visibilidade a estas duas colecções.
A ideia é que os utilizadores do popular portal de troca de imagens façam comentários e apontem pormenores que enriqueçam o valor histórico das fotografias e contribuam também para sua valorização enquanto objecto estético. Quem estiver registado no flickr pode, por exemplo, dar o seu contributo (tags) sobre o tipo de estampado da camisa da trabalhadora que aparece na fotografia aqui publicada. Para além destas informações, os internautas podem fazer simples comentários às imagens. Só esta já levava 70, da última vez que passei por lá.
A colecção de fotografias a cores engloba imagens tiradas por fotógrafos que trabalharam entre 1939 e 1944 para o projecto governamental encomendado pela Farm Security Administration (FSA), mais tarde Office of War Information (OWI), que pretendia captar os vários aspectos da vida social, as áreas rurais e a mobilização para a II Guerra Mundial nos EUA.
As imagens a preto e branco foram captadas por fotógrafos que trabalharam para o Bain News Service. Aqui há uma grande diversidade de temas entre os quais competições desportivas, retrato de celebridades, crime, desastres, actividade política e o quotidiano de Nova Iorque.
No lançamento deste projecto piloto, o flickr anunciou que pretende alargar este modelo de publicação a outras instituições culturais de todo o mundo que estejam interessadas em partilhar as suas colecções.

Para consultar, gravar ou comentar as imagens destes dois espólios clique aqui. Sirvam-se. Vale a pena.

David Bransby, trabalhadora da Vega Aircraft Corporation, Burbank, Califórnia, Junho de 1942
(No known restrictions on publication)


Germany Schaefer, Washington AL, Bain News Service, 1911
(No known restrictions on publication)

25 janeiro, 2008

conhecer lee

Lee Miller Wearing Yraide Sailcloth Overalls, 1930
(© George Hoyningen Huene)

A RTP2 passa hoje à noite, às 23h25, o documentário Lee Miller, the Mirror Crossing (1995, 55’), um filme de produção francesa sobre a vida e obra da fotógrafa e modelo americana. Miller (Poughkeepsie, 1907 – Sussex, 1977), que foi uma das musas de Man Ray, é-nos apresentada pelo seu filho David Scherman, também fotógrafo.

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24 janeiro, 2008

matança à vista

(© Nelson Garrido)

O mais certo é que Nelson Garrido (fotografias) e Alexandra Lucas Coelho (texto) tenham ficado com frieiras nas orelhas e na ponta do nariz lá para cima, em Montalegre. Se foi assim, valeu bem a pena a coceira porque o trabalho que nos ofereceram na última edição da revista Pública é do melhor que temos visto no casamento da palavra escrita com a imagem fixa.

Para ver e ler a reportagem Abre o Porco clique aqui.

(© Nelson Garrido)

22 janeiro, 2008

premiar

José Luís Neto, Irgendwo

O fotógrafo José Luís Neto vai fazer parte do júri da primeira edição do Sony World Photography Awards, um concurso aberto à participação de “profissionais” e “amadores”. Entre o painel de jurados há vários fotógrafos de renome, editores, galeristas e críticos. Os trabalhos podem ser enviados até ao dia 31 de Janeiro e os vencedores serão conhecidos no dia 24 de Abril, em Cannes, França.
Os galardões estão distribuídos por várias categorias e haverá também um grande prémio individual, L`Iris d`Or Prize, para o melhor conjunto de fotografias.

Para concorrer ou saber mais sobre este novo prémio clique aqui.

 
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