

Couples (2007)
De Roger Handy e Karin Elsener
Ed. Abrams Image


Atlântico visto do Cabo de Sagres, Pedro Neves Marques
Sem título (Luísa a descascar feijão verde), 2007
Valter Vinagre, auto-retrato, Lisboa, Novembro de 2007
Da série Sob a Pele, 1996-2007
Até chegar ao Olimpo daquilo que é considerado arte, a fotografia foi-se arrastando durante mais de um século pelos equívocos das convenções, das classificações e das diabolizações. Chegou então, não há assim muito tempo, às paredes dos museus e das galerias e ficou por lá, contaminando com a sua linguagem outras artes. Dizem até que, nos últimos anos, veio salvar a pintura de um certo beco sem saída em que estava mergulhada.
É sobre esta penosa marcha da imagem fotográfica rumo a uma "personalidade artística" que vai falar Vicki Goldberg, respeitadíssima crítica de fotografia do New York Times, onde exerceu durante 13 anos, e autora de obras de reflexão como Light Matters, the Power of Photography: How Photographs Changed Our Lives ou American Photography: A Century of Images. Vicki escreveu ainda a premiada biografia de Margaret Bourke-White.
Gloria Swanson, por Edward Steichen
Hillary Swank, por Norman Jean Roy, 2005
O Centro Português de Fotografia acaba de inaugurar novas exposições no edifício da Cadeia da Relação. Uma delas reveste-se de particular interese e importância - a retrospectiva da mexicana Flor Garduño. Maria do Carmo Serén escreve sobre Testemunhos do Tempo o seguinte:
“Quando vemos uma retrospectiva como esta de Flor Garduño, - a sua interpretação do difícil processo de apaziguamento do mundo e do homem no rizoma do sagrado que é a América Latina que bordeja o Pacífico, - evocamos os deuses terríveis que figuravam nos seus diversos nomes: o Sol que brilha e resplandece e que, porque todas as noites morre, no mar e no fim do dia se vinga, como Jaguar ou sombra sedenta de vida, exigindo, para renascer, o mar de sangue guardado nos vasos quiché do jaguar da Guatemala, nos Chacmoll dos Toltecas e de tantas civilizações que continuam a espantar-nos. Vemos, ainda, as imponentes pirâmides onde serpenteia o Sol nascente ou poente, manchadas de sangue pelos sacrifícios de milhares de vidas, um rio de sombras e rituais de expiação, desde o México ao Peru, em imensas avenidas da morte ou na pedra entranhada de uma vegetação enganosa.
O animismo é uma fé pertinaz, está tanto nos esqueletos que abrem boca nas representações ou nos doces da Semana Santa, nos ídolos e nas huacas velhas e novas, na água benta de todas as religiões, nas nossas crenças de um quotidiano espesso do que aquilo em que acreditamos. Aqui, nestas imagens a preto e branco de Flor Garduño, que o sente, (porque, afinal, foi assistente de Manuel Álvarez Bravo), concentra-se um dos mais impressionantes testemunhos da ligação mítica do sagrado e do profano, da perene tentativa do homem em jogar contra o destino. É com imagens suas que o mundo revê muito do sentido da cultura mexicana e da sensibilidade mítica de todos nós. O que Flor Garduño nos diz é que os rituais se inscrevem no corpo, e que, para se controlar o inominável todas as actualizações são necessárias, um Santiago Mata-Mouros, as velas de cera, uma huaca ou um Hermes de pedra solta ou caiada, um padre ou um curandeiro adivinho, uma libação sagrada ou uma procissão no caminho de poeira seca. Seja no “Bestiário”, em “A Água”, nas “Sombras e Metáforas” ou naquelas fotografias portuguesas de 1995, Flor Garduño mostra-nos que a Poesia é, ainda o outro lado do sagrado e do quotidiano de todos os medos e jubilações; no “Sixto” de la Paz, no “Músico en la Nada”!, no “Umbral de Incienso”, no “Regresso à terra”, naquele cenário trágico de “Taita Marcos”, naquela “Arbol de la vida” que angustia e que protege. Porque manter o equilíbrio do cosmos é, ainda, o papel que os deuses nos deixaram e onde se esconde a dívida do sentido de existir.”
Testemunhos do Tempo, de Flor Garduño
Centro Português de Fotografia
Campo Mártires da Pátria, Porto
Tel.: 222 076 310
E-mail: email@cpf.pt
De ter. a sex., das 10h00 às 12h30, das 15h00 às 18h00; sáb., dom e fer., das 15h00 às 19h00.
Entrada livre
Até 16 de Março
Project On the Road: Remembering Kerouac
Project On the Road: Remembering Kerouac
Ian Curtis, Anton Corbijn
Anton Corbijn, A. Curtis, autoretrato
Autoretrato, Martin Parr...Martin Parr
Supermercado Auchan, Calais, França, da série One Day Trip, 1988
(Martin Parr © Magnum Photos)
Vimaranenses, Miguel OliveiraVimaranenses, Ricardo Rodrigues
(© Ricardo Rodrigues)
Annika Von Hausswolff, Untitled, 2003
Teatro Sá da Bandeira
Lisboa, Vladimir GreviEuropa por um canudo
(Ípsilon, 16.11.2007)
Se é esta a visão que os fotógrafos russos têm da Europa, é uma visão muito pobre e redutora. O desafio lançado pelo Museu da Casa da Fotografia de Moscovo a treze fotógrafos russos era que partissem à descoberta de uma parte do Velho Continente que esteve longe do seu olhar durante muito tempo e que, através da sua objectiva, dessem uma imagem sobre o que é este espaço geográfico que hoje lhe morde os calcanhares. Convidaram-se então artistas de diferentes gerações que se lançaram na tarefa de dar um corpo imagético a este puzzle cultural, social e geográfico em que assenta a realidade europeia Ocidental.
O resultado geral é pífio e, salvo um ou outro portfolio no meio de mais de uma centena de fotografias, não há uma proposta mais ousada, um ângulo desconhecido ou um olhar com o qual nos sintamos minimamente afectados, que nos estremeça. Não sentimos quase nada. Ou melhor, o que sentimos é vontade de ir embora quando a exposição ainda nem vai a meio.
Sobram os lugares-comuns, os clichés turísticos, os geometrismos académicos as silhuetas recortadas e até algumas fotografias em que duvidamos se não terá sido um engano a sua selecção, como é o caso de algumas imagens sobre Portugal (Vladimir Grevi), talvez as piores de toda a mostra.
No meio de tanta banalidade, salvam-se as propostas a preto e branco de Vladimir Mishukov e de Igor Mukin, ambas sobre Paris, que ainda assim conseguem fugir do facilitismo com que se pode fotografar a capital francesa. Quer um quer outro, conseguem apanhar com alguma sensibilidade as ruas e os rostos das pessoas que lhe dão vida.
Para lá do deserto de ideias no que nos é mostrado, e da sensação de déjà vu que sentimos ao percorrer estas fotografias, existe uma concentração excessiva de trabalhos nas grandes cidades (Paris, Roma, Veneza, Londres), como se não existisse nada à sua volta.
Esta Europa é uma Europa vista por um canudo com um buraco muito, mas muito estreitinho.
Do livro Dog Days Bogotá, 2007
Georges Dussaud no Porto
Silo-auto
Alex Majoli, Daria, Itália, 2005
Leni Riefenstahl
(© Elliot Erwitt)
Cooperativa dos Pedreiros
Martin Parr, Last Resort, 1983
Joseline Ingabire with her daughter Leah Batamuliza,
Wim Wenders durante a rodagem de Lisbon Story
Pormenor da Última Ceia, de Leonardo da Vinci
Hospital da Trindade
António Júlio Duarte, Goa, 2004
João Pina, Brasil, 2007