Cristina Garcia Rodero, Bajo el Magnolio, Furnas, São Miguel, 2006
(Colecção Encontros de Fotografia © Cristina Garcia Rodero) E eis que a “região All” (que dizem que fica lá para baixo, para os lados do Algarve) é benzida este Verão com o programa All, uma massagem de cultura factor 40, para não fazer mal nenhum.
O Ministério da Economia e Inovação e o Turismo de Portugal andam a pensar no assunto há algum tempo. Olharam para os exemplos de outras regiões com mar, areia e clima quase-tropical e chegaram à conclusão que o que é preciso quando se sai da praia de havaianas e a pele a latejar é um banho rejuvenescedor de exposições de arte contemporânea e concertos. Muitos concertos.
Do que se sabe, foram investidos 3 milhões de euros para dar alegria e
life-style aos veraneantes que frequentam a “região All”. Metade deste orçamento, dizem, vai direitinho para a “divulgação”.
Mas afinal, o que é que queriam exactamente estas pessoas que nos governam quando pensaram em dar um “all” da sua graça à “região All”? Uma resposta tirada do site da iniciativa:
“
O que é o ‘Allgarve’?
É um programa integrado de eventos de animação que pretende, através do life-style, glamour e espírito cosmopolita que estes imprimirão, proporcionar experiências que marquem todos os que nele participarem.
Este programa será promovido tanto em Portugal como no estrangeiro, junto dos turistas potencialmente interessados em aderir ao espírito dos eventos.”
“
Life-style, glamour e espírito cosmopolita”. Eu também quero “aderir”!
O “programa integrado” inclui “eventos” de fotografia, a saber as exposições
Procurar Portugal 1994-2006,
Procurar Portugal 1990-1996, ambas comissariadas pelo director do
centro de artes visuais de Coimbra,
Albano Silva Pereira. Não deixam de ser irónicos os títulos destas exposições no Algarve: uma região onde cada vez mais é preciso procurar Portugal.
Nos últimos anos, a alemã
Candida Höffer, a britânica
Hannah Collins e a holandesa
Rineke Dijkstra têm voltado regularmente a Portugal para concretizarem trabalhos que, segundo o texto de apresentação, não são “
uma busca saudosista ou retrógada”, mas a “
procura das condições culturais de um país cuja identidade é a de um processo de negociação com a sua história e a sua tradição a partir de um ponto de vista contemporâneo.” Diz-se ainda que nestas propostas de
Procurar Portugal 1994-2006 existem “
mais diferenças do que similitudes”.
Já em
Procurar Portugal 1990-1996, o comissário foi buscar ao arquivo dos defuntos Encontros de Fotografia de Coimbra encomendas feitas entre 1990 e 1996 a cinco fotógrafas
Debbie Fleming Caffery,
Flor Garduño,
Cristina Garcia Rodero,
Martine Voyeux e
Inês Gonçalves. Debbie Fleming Caffery fotografou um Portugal rural em Vale do Mondego, Flor Garduño a relação do Norte com a natureza e os costumes ancestrais, Cristina Garcia Rodero os rituais católicos dos Açores, Martine Voyeux foi à procura da Lisboa popular, Inês Gonçalves tentou encontrar uma identidade nacional fotografando filhos de imigrantes.
Anabela Mota Ribeiro conversou com as três fotógrafas representadas em
Procurar Portugal 1994-2006. Nos próximos dias farei
posts com as transcrições com excertos dessas entrevistas publicadas na imprensa num suplemento especial sobre o badalado “programa integrado Allgarve”.
A par das exposições serão editados dois catálogos com textos de Albano Silva Pereira, Anabela Mota Ribeiro, Eduardo Paz Barroso, Filipa Oliveira e Nuno Crespo.
Procurar Portugal 1994-2006
Candida Höffer, Hannah Collins, Rineke DijkstraMuseu Municipal, Faro
Até
30 de Setembro
Procurar Portugal 1990-1996
Colecção dos Encontros de Fotografia
Debbie Fleming Caffery, Flor Garduño, Cristina Garcia Rodero, Martine Voyeux e Inês GonçalvesGaleria Trem, Faro
Até
30 de Setembro