01 agosto, 2007

Ingmar

Ingmar Bergman ensina o seu filho Daniel a manobrar uma câmara,
perante o olhar descontraído de Kibi Laretai, a mãe
(© AFP/Pressensbild)

Duas imagens de Ingmar Bergman (1912-2007) que me ficaram na retina.

Ingmar Bergman em Estocolmo, em 1957
(Scanpix)

30 julho, 2007

 fotografiafalada

Alturas do Barroso, Serra do Barroso, Dezembro de 1983
(© Georges Dussaud)

Fiz esta fotografia numa reportagem sobre a matança do porco, perto do Natal. É uma criança que participava no trabalho, um pouco como espectador, no entanto, ele tem também a sua faca na mão. Tem um rosto muito expressivo. Para a sua idade, ele demonstra um sentido de responsabilidade. Há nele qualquer coisa já de adulto.

(Georges Dussaud)
Depoimento recolhido por Sérgio C. Andrade, Público, 23.07.2007

Retrospectiva de Georges Dussaud
Centro Português de Fotografia
Campo Mártires da Pátria, Porto
De ter. a sex., das 15h00 às 18h00. Sáb., dom. e feriados das 15h00 às 19h00
Entrada livre
Até 16 de Setembro

27 julho, 2007

Hannah Collins

Hannah Collins, True Stories (Lisbon 2), 2006
(Colecção BES Art © Cortesia da artista)


(extracto da entrevista do catálogo Procurar Portugal 1994-2006)

Anabela Mota Ribeiro: No seu trabalho você estica essa artificialidade até ao seu limite máximo. E ao mesmo tempo revela uma artificialidade caótica, com antenas parabólicas nos telhados, e as obras na cidade. Deseja criar uma oposição entre a ideia de perfeição e o toque humano?
Hannah Collins: Não vejo o natural e o artificial nesses termos, é menos limitado do que isso, e mais como uma maneira de utilizar os meios como eram utilizados inicialmente para registar um espaço físico. Continuo a trabalhar simplesmente com os mesmos meios, as lentes da máquina fotográfica notam muitas coisas que não podem ser vistas pelo olho humano, mas isso é feito num momento que então é estendido por esse processo. (...) Nunca fui uma construtora de momentos, isso é o trabalho clássico do repórter de notícias. De qualquer maneira sou uma escultora ou artista, portanto muitos outros factores contribuem.

O espaço ocupado pelo homem é um dos seus assuntos principais. Também gosta de trabalhar com comunidades marginais, portanto gosta de fotografar pessoas. Pensa em fotografar os portugueses? Como é que eles gostariam de ser fotografados?
Posso facilmente imaginar-me a fazer um filme em Portugal, não tanto como fotografia.

O que poderíamos aprender sobre Lisboa e a alma dos portugueses pelas suas fotos?
Portugal tem uma realidade rica e complexa, e de certo modo muito humilde, com grandes raízes culturais que podem ser exploradas de várias maneiras. Eu faria talvez um filme sobre pessoas que se encontram para o pequeno almoço num bar perto das docas. Há uma sobreposição maravilhosa das pessoas com os sítios nas regiões de Portugal que visitei.

Que podemos aprender sobre você nestas imagens?
Eu estou interessada no espaço mental tanto como no espaço físico e gosto de fazer fotografias, e ver coisas dessa maneira mantem-nas simples.

Estas séries incompletas, (começadas há alguns anos), são como um diário da sua vida?
É um projecto contínuo que vai durar quanto tempo for necessário. É bom voltar de vez em quando ao projecto e trabalhar com mais imagens. Espero um dia fazer uma exposição delas todas juntas, msa como a série não está completa isso ainda não aconteceu.

Hannah Collins, True Stories (Lisbon 4), 2006
(Colecção BES Art © Cortesia da artista)


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Procurar Portugal 1994-2006
Candida Höffer, Hannah Collins, Rineke Dijkstra

Museu Municipal, Faro
Até 30 de Setembro

Platt

Banda Aceh, Indonésia, 2005 (© Spencer Platt/Getty Images)

A última edição da revista Visão publica uma entrevista com Spencer Platt, o vencedor do World Press Photo. Platt fala sobre a imagem que lhe valeu o galardão máximo no concurso e sobre as suas referências na fotografia que são Paulo Nozolino e Larry Burrows.

É muito mais difícil uma foto chamar a atenção hoje do que há 50 anos.

Ainda penso que a imagem parada é o meio de comunicação mais poderoso do mundo. Mas onde estará dentro de 20 ou 30 anos? Receio pelo seu futuro.

Spencer Platt

26 julho, 2007

saldos


Koudelka

A prestigiada editora de livros de fotografia Aperture está a oferecer 30 por cento de desconto em alguns dos seus títulos para quem encomendar através do site, até 31 de Julho. No mesmo espaço é possível comprar com 15 por cento de desconto edições limitadas de fotografias de artistas como Martin Parr, Sylvia Plachy, Edward Steichen e Paul Strand.

mais««««««««««»»»»»»»»»»largo

Preoperative panoramic X-ray showing the left lower semi-impacted 3rd molar
(© Head & Face Medicine)

Com a ajuda de Hugo C. decidi fazer uma pequena mudança no template do blog alargando-o mais uns píxeis, para que as fotografias mostradas possam respirar ainda mais.

 fotografiafalada

Agrelos, Serra do Barroso, Agosto de 1981
(© Georges Dussaud)

Esta é duma reportagem sobre as debulhadas. Era Verão. Fazia muito sol e calor. Uma mulher que estava à janela convidou-nos a beber um copo de vinho. Disse-lhes que as ia fotografar e elas puseram-se nesta posição. São mãe e filha, e esta pôs o cão sobre os joelhos. Vi nele o filho que ela não teria. Foi algo perturbador: há uma evidência de pobreza, mas ao mesmo tempo uma dignidade impressionante.

(Georges Dussaud)
Depoimento recolhido por Sérgio C. Andrade, Público, 23.07.2007

Retrospectiva de Georges Dussaud
Centro Português de Fotografia
Campo Mártires da Pátria, Porto
De ter. a sex., das 15h00 às 18h00. Sáb., dom. e feriados das 15h00 às 19h00
Entrada livre
Até 16 de Setembro

24 julho, 2007

Rineke Dijkstra

(©Rineke Dijkstra)

(extracto da entrevista do catálogo Procurar Portugal 1994-2006)

Anabela Mota Ribeiro: Você capta-os no momento em que estão a sair da arena, com o rosto coberto de sangue e as roupas rasgadas. Mas parece que não aconteceu nada! Nenhuma emoção especial nos olhos, é uma expressão bastante vaga que mostram... Porquê? Isso surpreendeu-a? Esperávamos ver medo ou alegria.
RinekeDijkstra: Gostei simplesmente das expressões que eram um tanto introvertidas e os olhares dos toureiros não são muito teatrais.

Um dos mais fantásticos é um jovem, mais próximo do seu universo. Pode-nos falar sobre esta fotografia? Foi diferente porque se tratava de um rapaz e não de um homem? Foi diferente porque é sempre para si fotografar uma criança? Foi diferente porque naquele caso específico a presença de um rapaz era mais estranha?
Está a falar da foto do loirinho? Como sabe, estes forcados têm de pegar o touro. o seu "capo" não lhes diz antecipadamente quem vai pegar em primeiro lugar, porque é um acto perigoso e se eles estão muito conscientes não vão conseguir fazê-lo. Assim eles só sabem dois minutos antes. Este loirinho teve de pegar o touro em primeiro lugar, e foi a primeira vez na sua vida que o fez. Estava muito excitado por o ter conseguido sem se ter ferido muito. É por isso que está a sorrir.

As imagens para esta exposição são na sua maioria de 94. Foi esse o começo?
No início da década de 90 eu estava a dar aulas na Gerrit Rietveld Akademie de Arte, em Amesterdão. Uma vez por ano organizávamos um passeio para os estudantes. Em 1993 decidimos visitar Lisboa. Num domingo fui a Vila Franca de Xira com alguns alunos. Chegámos justamente no momento em que os forcados saíam da arena, cobertos de sangue. Tirei algumas fotos com uma simples máquina Polaroid e acontece que as fotos eram tão interessantes que decidi voltar no ano seguinte para fotografar estes rapazes com a minha máquina fotográfica 4x5 polegadas. Por isso, em 1994 fiquei duas semanas em Portugal.

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Museu Municipal, Faro
Até 30 de Setembro

PHE07»»NÚMEROS

Lynn Davis, Iceberg 31, Baía de Disko, Gronelândia, 2000
(Cortesia Galeria Karsten Greve © Lynn Davis)

A maior parte das exposições do PHotoEspaña2007 chegou ao fim. A organização divulgou um balanço da edição deste ano, considerada um momento de "pausa" em relação aos festivais anteriores.

Número de visitantes: mais de 600 mil

Orçamento: 3,7 milhões de euros

Exposições: 67

Artistas participantes: 378

Participantes da Noite da Fotografia: 55 mil

Participantes da Photo Maratona de Madrid: 760

Participantes do Campus PHE: 200 alunos de 12 países

Assistência do Encuentros PHE: 2100 inscritos

Participantes dos Recorridos Fotográficos: 500

Número de páginas vistas do PHEdigital.com: 5 000 000 (o dobro do PHE06)

Portfolios recebidos no Descubrimientos PHE: 814, de 40 países

Visitas guiadas gratuitas: 25

Fonte: PHotoEspaña

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Botelho:Marques:Andrade

Catarina Botelho, sem título (Luísa a descascar feijão verde), 2007
(© Catarina Botelho)

Catarina Botelho, Pedro Neves Marques e Ivo Andrade são os vencedores da terceira edição do Prémio BES Revelação/Fundação Serralves 2007.
Na apresentação dos nomes galardoados, Ricardo Nicolau, adjunto do director do Museu de Serralves, fez questão de sublinhar que estes criadores "utilizam o suporte fotográfico, mas não são fotógrafos". O prémio oferece uma bolsa de estágio individual de 7500 euros. Os projectos vencedores serão apresentados a partir de 16 de Novembro na Casa de Serralves, no Porto. O júri que decidiu por unanimidade os três vencedores era formado por Beatriz Herráez (crítica de arte e curadora), Maria do Mar Fazenda (crítica de arte e curadora), Chris Sharp (crítico de arte e editor da revista Flash Art) e ainda Ricardo Nicolau.

O comunicado de imprensa conjunto do Banco Espírito Santo e da Fundação Serralves explica assim os projectos que vão ser agora apoiados:

Catarina Botelho: Segunda Pele (fotografia)
As fotografias de Catarina Botelho compõem um universo familiar intimista que faz das relações humanas o seu centro de atenção. Os personagens das suas fotografias, que pertencem invariavelmente ao círculo familiar e de amizade, são revelados em diferentes situações. Trata-se de um delicado movimento onde a observação se traduz num gesto afectivo.

Pedro Neves Marques: (projecto ainda sem título - vídeo)
Pedro Marques recupera e revitaliza algumas das principais premissas da arte conceptual das décadas de 1960 e 1970, nomeadamente a serielidade e alguma anti-visualidade. No fundo, o artista desloca problemas iminentemente visuais para outros meios, nomeadamente o texto. Não sendo um fotógrafo, mas sim alguém que utiliza a fotografia entre outros meios, como o desenho, a pintura e a escrita, ele problematiza questões derivadas da utilização da fotografia nas últimas quatro décadas. O seu projecto, a produzir para a exposição em Serralves, em Novembro, consiste no registo vídeo de uma viagem de barco em que percorre, filmando, toda a costa portuguesa de Norte a Sul.

Ivo Andrade: (projecto ainda sem título - fotografia)
Ao esculpir rostos em batatas estes apenas vão ser visíveis no seu viço nas primeiras horas após terem sido esculpidos. A batata depois de ser esculpida entra num processo de apodrecimento, de decomposição e o rosto deforma-se em função desta (e vice-versa), pondo mesmo em causa o seu reconhecimento enquanto rosto e enquanto batata. Perceptivamente o objecto (batata esculpida) vai-se modificando com o passar do tempo, ganhando diferentes intensidades de tonalidades e formas, num decurso não controlado, natural e próprio da batata que é esculpida. É no fundo uma escultura condenada, à partida, a "desaparecer". Acabada na medida que não é mais trabalhada pela "mão", inacabada porque se altera e transforma incessantemente.
Através de um processo fotográfico são fixados diferentes estádios e alterações ocorridas no processo.
A forma como são fotografadas pretende dar-nos o objecto com um certo nível de neutralidade e pormenor (remetendo para fotografias dos arquivos museológicos, antropológicos e etnológicos).


Ivo Andrade, sem título
(© Ivo Andrade)

23 julho, 2007

Dussaud

© Georges Dussaud

Sérgio C. Andrade entrevistou Georges Dussaud a propósito da exposição retrospectiva Crónicas Portuguesas que o fotógrafo francês inaugurou recentemente no Porto, no Centro Português de Fotografia. O resultado dessa conversa está aqui.

Não me escondo atrás de uma teleobjectiva. Aproximo-me das pessoas. E isso é muito bom, porque possibilita a experiência do encontro. Faço fotografia de contacto, de afectividade com as pessoas.


© Georges Dussaud

Crónicas Portuguesas
Retrospectiva de Georges Dussaud
Centro Português de Fotografia
Campo Mártires da Pátria, Porto
De ter. a sex., das 15h00 às 18h00. Sáb., dom. e feriados das 15h00 às 19h00
Entrada livre
Até 16 de Setembro

Ibérica

Ricky Dávila, da série Ibérica
(© Ricky Dávila)

Ricky Dávila já leva cinco anos a tirar retratos para dar corpo a um amplo projecto a que chamou Ibérica. Ainda que não sejam totalmente claros os propósitos com que vai ampliando esta galeria - o próprio autor recusa trabalhar com teses sociológicas pré-estabelecidas preferindo um percurso sem um fim definido - adivinha-se a aproximação a uma "cartografia social" da Espanha dos últimos anos através de um estilo classificado como "documentalismo subjectivo". Ibérica (será que Dávila já ouviu falar dos últimos prognósticos ibéricos de José Saramago?) foi uma das exposições que o PHotoEspaña2007 levou até Cuenca, uma das extensões do festival além-Madrid. Andrea Aguillar, do El País, falou com o fotógrafo a propósito deste projecto. O artigo está aqui.

Yo intento explicarme el corazón del hombre con mi cámara.

Ricky Dávila, El País, 23-07-2007


Ricky Dávila, da série Ibérica
(© Ricky Dávila)

22 julho, 2007

PHE07#uma por dia - a última

Hans Christian-Schink, Bach.Ma1B, 2005
(Cortesia Galeria Arnés y Röpke © Hans Christian-Schink)

PHOTOESPAÑA2007
Hans Christian-Schink, Vietnam

Galeria Arnés y Röpke
Até 1 de Setembro

21 julho, 2007

cultura factor 40

Cristina Garcia Rodero, Bajo el Magnolio, Furnas, São Miguel, 2006
(Colecção Encontros de Fotografia © Cristina Garcia Rodero)

E eis que a “região All” (que dizem que fica lá para baixo, para os lados do Algarve) é benzida este Verão com o programa All, uma massagem de cultura factor 40, para não fazer mal nenhum.
O Ministério da Economia e Inovação e o Turismo de Portugal andam a pensar no assunto há algum tempo. Olharam para os exemplos de outras regiões com mar, areia e clima quase-tropical e chegaram à conclusão que o que é preciso quando se sai da praia de havaianas e a pele a latejar é um banho rejuvenescedor de exposições de arte contemporânea e concertos. Muitos concertos.
Do que se sabe, foram investidos 3 milhões de euros para dar alegria e life-style aos veraneantes que frequentam a “região All”. Metade deste orçamento, dizem, vai direitinho para a “divulgação”.
Mas afinal, o que é que queriam exactamente estas pessoas que nos governam quando pensaram em dar um “all” da sua graça à “região All”? Uma resposta tirada do site da iniciativa:
O que é o ‘Allgarve’?
É um programa integrado de eventos de animação que pretende, através do life-style, glamour e espírito cosmopolita que estes imprimirão, proporcionar experiências que marquem todos os que nele participarem.
Este programa será promovido tanto em Portugal como no estrangeiro, junto dos turistas potencialmente interessados em aderir ao espírito dos eventos.


Life-style, glamour e espírito cosmopolita”. Eu também quero “aderir”!

O “programa integrado” inclui “eventos” de fotografia, a saber as exposições Procurar Portugal 1994-2006, Procurar Portugal 1990-1996, ambas comissariadas pelo director do centro de artes visuais de Coimbra, Albano Silva Pereira. Não deixam de ser irónicos os títulos destas exposições no Algarve: uma região onde cada vez mais é preciso procurar Portugal.
Nos últimos anos, a alemã Candida Höffer, a britânica Hannah Collins e a holandesa Rineke Dijkstra têm voltado regularmente a Portugal para concretizarem trabalhos que, segundo o texto de apresentação, não são “uma busca saudosista ou retrógada”, mas a “procura das condições culturais de um país cuja identidade é a de um processo de negociação com a sua história e a sua tradição a partir de um ponto de vista contemporâneo.” Diz-se ainda que nestas propostas de Procurar Portugal 1994-2006 existem “mais diferenças do que similitudes”.
Já em Procurar Portugal 1990-1996, o comissário foi buscar ao arquivo dos defuntos Encontros de Fotografia de Coimbra encomendas feitas entre 1990 e 1996 a cinco fotógrafas Debbie Fleming Caffery, Flor Garduño, Cristina Garcia Rodero, Martine Voyeux e Inês Gonçalves. Debbie Fleming Caffery fotografou um Portugal rural em Vale do Mondego, Flor Garduño a relação do Norte com a natureza e os costumes ancestrais, Cristina Garcia Rodero os rituais católicos dos Açores, Martine Voyeux foi à procura da Lisboa popular, Inês Gonçalves tentou encontrar uma identidade nacional fotografando filhos de imigrantes.
Anabela Mota Ribeiro conversou com as três fotógrafas representadas em Procurar Portugal 1994-2006. Nos próximos dias farei posts com as transcrições com excertos dessas entrevistas publicadas na imprensa num suplemento especial sobre o badalado “programa integrado Allgarve”.
A par das exposições serão editados dois catálogos com textos de Albano Silva Pereira, Anabela Mota Ribeiro, Eduardo Paz Barroso, Filipa Oliveira e Nuno Crespo.

Procurar Portugal 1994-2006
Candida Höffer, Hannah Collins, Rineke Dijkstra

Museu Municipal, Faro
Até 30 de Setembro

Procurar Portugal 1990-1996
Colecção dos Encontros de Fotografia
Debbie Fleming Caffery, Flor Garduño, Cristina Garcia Rodero, Martine Voyeux e Inês Gonçalves
Galeria Trem, Faro
Até 30 de Setembro

PHE07#uma por dia


Lourdes Grobet, El hijo del diablo
(© Lourdes Grobet)

PHOTOESPAÑA2007
Lourdes Grobet. Espectacular de Lucha Libre
Casa de América

20 julho, 2007

paris rock`s


The kiss
(© Alfred Wertheimer)

Dizem que há muita fotografia mas não só. Há carros, guitarras, juke boxes, discos, filmes e outros objectos raros daquela que é considerada a primeira época de ouro do rock’n’roll nos Estados Unidos. Este regresso ao tempo do pente e da brilhantina foi organizado em Paris por uma instituição que se diz chamar Fondation Cartier pour l`art contemporain. A mostra está dividida em duas partes. A primeira promete mostrar l’air du temps, “o espírito de liberdade e rebelião que esteve na origem da explosão do rock’n’roll a meio dos anos 50”. A outra traça a história do rock’n’roll através da evocação dos principais locais, acontecimentos e protagonistas deste género musical.
No núcleo dedicado à fotografia, destaque para as imagens de Alfred Wertheimer, que seguiu Elvis Presley durante todo o ano de 1956, e de outros grandes fotógrafos americanos, entre os quais Bruce Davidson, Marion Post Wolcott, Ernest C.Withers e William Eggleston, do qual se apresenta uma série de fotografias inédita.


Rock’n’Roll 39-59
Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris
Boulevard Raspail, 261
Todos os dias, excepto às segundas, das 12h00 às 20h00. Terça até às 22h00
Até 28 de Outubro

PHE07#uma por dia

Jean-Marie del Moral, sem título, 2006
(Fundación Antonio Pérez © Jean-Marie del Moral

PHOTOESPAÑA2007
Antonio Pérez. Fotos para un libro
Fundación Antonio Peres, Cuenca

19 julho, 2007

PHE07»»PHE08

PHOTOESPAÑA2007
(© Nélson Garrido)

Há duas maneiras naturais de fugir ao calor: ir para debaixo da água ou para debaixo da terra. Assim que o ar condicionado do carro se desligou, ainda o bafo seco de Madrid era uma criança, optámos pela segunda hipótese. Enfiámo-nos logo debaixo da Plaza Colón, no Centro Cultural de la Villa, para ver a condição humana através da lente dos fotógrafos neorealistas italianos, entre 1932 e 1960. Foi estranho este ponto de partida no PHotoEspaña porque, à medida que víamos aquelas imagens a preto e branco, sala após sala, em vez de nos sentirmos de pés assentes na capital espanhola, naquele dia, viajámos para outro tempo e em direcção a um país que bem podia ser Portugal, de onde tínhamos vindo... (o texto completo está no P2 de hoje aqui)

»»A entrevista com Claude Bussac, directora do PHOTOESPAÑA2007, está aqui.
»»A entrevista com Alberto Martín, crítico de fotografia do El País, está aqui.
»»A entrevista com Joan Fontcuberta, fotógrafo, ensaísta e comissário, está aqui.
»»A entrevista com Sérgio Mah, novo comissário do PHOTOESPAÑA, está aqui.

PHE07#uma por dia

Amparo Garrido, sem título
(© Archivo Fotográfico Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid)


PHOTOESPAÑA2007
Percepciones. Itinerario Selectivo, Amparo Garrido
Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid

18 julho, 2007

PHE07#uma por dia

Ricky Dávila, da série Ibérica, Madrid, 2003
(© Ricky Dávila)

PHOTOESPAÑA2007
Ricky Dávila, Ibérica
Iglesia de la Merced, Cuenca

*Três perguntas a...

Jordi Burch, auto-retrato, Mindelo

Jordi Burch. Fotógrafo de Lisboa, de 28 anos. Afirma-se, trabalho a trabalho, como um dos mais talentosos fotojornalistas da nova geração. Nasceu na Catalunha, mas vive em Portugal desde os 5 anos. Tem formação em Fotografia e Historia da Arte (ArCo, Lisboa). Faz da fotografia a sua actividade principal desde 1998. Publica regularmente na imprensa portuguesa e internacional. Faz parte dos colectivos [kameraphoto]. Estreou-se este ano muma grande exposição com Estamos Juntos!, na Casa Fernando Pessoa. Está agora a ultimar um documentário sobre o fim da Polaroid, onde o escritor e fotógrafo Pedro Paixão é o protagonista.

¿Por que é que fotografas?
Faço fotografia porque é a linguagem que melhor conheço para exprimir o que quer que seja. Sendo que ainda não a conheço bem. Daí o interesse em estar sempre a fotografar, a procurar linguagens novas dentro da própria fotografia. Dá-me a sensação que são infinitas.

¿Estamos Juntos! é uma exposição de balanço ou um ponto de partida?
Estamos Juntos! tinha de ser a minha primeira exposição. A ideia de um sentimento global, de que estamos juntos com todas as diferenças e que com isso somos ainda mais felizes. Somos de várias cores e feitios e isso faz com que nos possamos admirar uns aos outros sem monotonia. Não somos iguais, mas estamos juntos e isso é lindo.

¿No último leilão da Potássio 4, dentro do grupo de fotografia contemporânea as tuas fotografias foram das poucas a serem todas vendidas. A que é que achas que se deve este interesse? Acreditas que os leilões de fotografia têm espaço no mercado da fotografia em Portugal?
Fiquei muito feliz com a venda das minhas fotos. Fiquei também surpreendido. Não é muito habitual, em Portugal, comprar fotografias em exposições. Num leilão é diferente, talvez as pessoas já pensem em gastar dinheiro numa fotografia. É muito bom que isso aconteça. É muito bom que críticos de arte se manifestem sobre as fotografias que vão a leilão. Que façam com que nós, fotógrafos, sejamos um pouco mais humildes e que trabalhemos com sentido crítico. Há países em que os fotógrafos sofrem com as críticas, em Portugal sofre-se pela falta dela.

17 julho, 2007

PHE07#uma por dia

Miguel Ángel Ríos, sem título # 519, 2006
(cortesia Galeria Arte Veintiuno © Miguel Ángel Ríos)

PHOTOESPAÑA2007
Miguel Ángel Ríos, Aquí
Matadero de Madrid
Até 22 de Julho

novas no CPf

Reservatório de Água na Universidade de Aveiro, 1988-1989
(© José Manuel Rodrigues)

Foram inauguradas no último fim de semana quatro novas exposições no Centro Português de Fotografia, no Porto. São as primeiras mostras na era pós-Tereza Siza, ainda que tenha sido a antiga directora a programá-las. O jornalista Sérgio C. Andrade já foi ver as novidades no CPF e conta a visita aqui.


Crónicas Portuguesas
Retrospectiva de Georges Dussaud

À flor da pele
David Infante (Prémio Pedro Miguel Frade 2006)

Landscapes Theories
Danilo Pavone

A estranheza de uma coisa natural
José Manuel Rodrigues

Centro Português de Fotografia
Campo Mártires da Pátria, Porto
De ter. a sex., das 15h00 às 18h00. Sáb., dom. e feriados das 15h00 às 19h00
Entrada livre
Até 16 de Setembro

16 julho, 2007

PHE07#uma por dia

Juan González, da série Deuses, 2007
(© Juan González)


PHOTOESPAÑA2007
Cinco Miradas Europeas. Varios Autores
Juan González

Instituto Cervantes
Até 9 de Setembro

Benoliel em Coimbra

Joshua Benoliel, Efeitos do assalto ao jornal A Nação, 21 de Outubro, 1913

Quem perdeu a oportunidade de ver a exposição sobre o repórter fotográfico Joshua Benoliel durante o LisboaPhoto 2005, pode ver agora uma boa parte dela na Fnac Coimbra.

Benoliel é um fotógrafo deste novo conceito de princípio de século – a urbanidade - em que o cidadão comum está na fotografia, construindo deste modo o primeiro indício de memória colectiva, na qual o mesmo revê também a sua memória privada, o seu microcosmos de acontecimento.
Emília Tavares, comissária


Joshua Benoliel, Repórter Fotográfico 1873 - 1932
Colecção do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
Galeria Fotográfica Fnac Forum Coimbra
Até 21 de Setembro

15 julho, 2007

PHE07#uma por dia

Li Tianbing, 1967
(Cortesia Long March Project, Pequim, China, © Li Tianbing)


PHOTOESPAÑA2007
Local. El fin de la globalización
Consejaría de Cultura y Deportes
Até 2 de Setembro

14 julho, 2007

homem vs robô

David Beckham (© Adidas)

Acontece muitas vezes: estar perante duas imagens sobre o mesmo assunto e não conseguir decidir de imediato qual destacar na homepage do Público Online, uma das rotinas diárias aqui na redacção.
Ontem, quando as agências internacionais começaram a divulgar imagens sobre a chegada de David Beckham aos Estados Unidos para jogar nos Los Angeles Galaxy, isolei duas fotografias, mas não consegui decidir-me por nenhuma delas.
Notei que, por estranho que pareça, a dificuldade da escolha estava sobretudo na grande diferença de conceito com que cada uma foi criada. Normalmente, a indecisão surge quando estamos perante um par de imagens muito parecidas e ambas de grande qualidade. Mas neste caso, tinha, por um lado, o clássico preto e branco, composição meio confusa (aparece uma câmara de filmar, metade de uma cara desfocada, personagens desconhecidas), mais do que normal num instantâneo típico de fotojornalismo; por outro, estava perante algo que classificaria de "imagem-barbie", com Beckham de braços caídos à frente de um fundo neutro, sem nada que lhe faça concorrência, a pisar uma coisa estranha, meio caminho entre sombra, nódoa e charco de chichi.
A segunda fotografia é uma produção estudada ao milímetro para dar ao futebolista uma aura de herói invencível. O que vemos é uma figura robótica, quase sem emoção, pronta a receber corda para se começar a mexer. Confesso que, ao início, fiquei mais inclinado para esta fotografia porque dá de Beckham a imagem mais forte que temos dele - um produto.
A primeira fotografia, que também pode ter sido estudada ao milímetro (foram as duas tiradas por fotógrafos contratados pela Adidas, marca do equipamento dos LA Galaxy), mostra o ex-jogador do Real Madrid embevecido com a nova camisola. Há aqui a intenção de revelar o lado humano de Beckham, supreendido nas traseiras de um prédio sem glamour. O preto e branco não é inocente - carrega o momento de dramatismo e dá-lhe um toque sério apesar do sorriso da figura central. À partida, mostrar esta fotografia no espaço da foto do dia da homepage interessava-me menos. Parecia-me ainda mais estudada do que a "imagem-barbie", esta sim, bem mais sincera nos seus propósitos: fazer publicidade a Beckham e ao patrocinador.
Contas feitas, fiquei num impasse. E nestes casos, o melhor é convocar outros olhos para a decisão final. Uma mini-votação, resultou na escolha da fotografia a preto e branco. Os colegas de redacção que votaram preferiram o Beckham-humano em vez do Beckham-robô.

David Beckham (© Adidas)

PHE07#uma por dia

Raymond Depardon, Chade, 1978
(© Raymond Depardon/Magnum Photos/Contacto)


PHOTOESPAÑA2007
Raymond Depardon
Centro Cultural Conde Duque
Até 22 de Julho

13 julho, 2007

al berto+whitman

Al Berto, Sines, c.1985

Walt Whitman, gravura de Samuel Hollyer, 1854
(a partir de daguerreótipo de Gabriel Harrison)

Al Berto e Walt Whitman - poetas que quiseram que a imagem do seu rosto e do seu corpo fosse um prolongamento dos seus textos.

O escritor de Sines (Coimbra, 1948 – Lisboa, 1997) foi um dos primeiros a ir contra a aversão dos editores às fotografias do autor na capa dos livros. Preferiu, desde logo, mostrar-se através da fotografia a quem percorria a sua poesia, os seus escritos.

Walt Whitman (Nova Iorque, 1835 – Nova Jersey, 1892) teve a ousadia de editar um livro com poemas da sua lavra (Leaves of Grass) identificando o autor apenas com uma gravura, aberta a partir de um deguerreótipo. Na maior parte das inúmeras reedições revistas e aumentadas lá aparecia a figura de Whitman em pose despreocupada e olhar ligeiramente desafiador.
A história da fotografia e da gravura de Whitman está aqui.

Numa altura em que passam dez anos sobre a morte de Al Berto, Paulo Barriga decidiu antologiar poemas do autor de O Medo que evocam o Alentejo. A obra chama-se Degredo no Sul. Al Berto está na capa, em nome e em fotografia, a olhar para dentro, em direcção à terra, ao caminho-chão. Degredo no Sul é lançado amanhã, às 16h00, na Casa do Alentejo, em Lisboa, onde serão ditos poemas em voz alta.


Degredo no Sul, Al Berto (Antologia de Paulo Barriga, Assírio & Alvim)


Leaves of Grass, Walt Whitman, 1855

PHE07#uma por dia

Jeff Bridges, 1989
(cortesia Rose Gallery, Santa Monica © Jeff Bridges)

PHOTOESPAÑA2007
Fotógrafos Insospechados - Vários Autores
Fundación Canal
Até 22 de Julho

 
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