© Paulo Pimenta 05 julho, 2007
África
© Paulo Pimenta morada nova
João Kehl, ginásio de boxe, São Paulo, 1º prémio na categoria Sports Features(© João Kehl)
O World Press Photo vai ter nova morada em Lisboa: o Museu da Electricidade. Depois da inauguração da Colecção Museu Berardo no Centro Cultural de Belém deixou de haver salas disponíveis neste espaço para receber as imagens da principal exposição de fotojornalismo em Portugal que, este ano, será inaugurada no dia 16 de Agosto juntamente com as fotografias do Prémio Visão Fotojornalismo. Antes de se mostrarem na capital as imagens do World Press Photo vão poder ser vistas em Portimão, entre 20 de Julho e 12 de Agosto.
PHE07#uma por dia
Pierre et Gilles, La Madone au cur blessé, 1991(Cortesia galeria Jérôme de Noirmont © Pierre et Gilles)
PHOTOESPAÑA2007
Pierre et Gilles - Double je (1976-2007)
Le Jeu de Paume, Paris
Até 23 de Setembro
04 julho, 2007
“entre aspas”
Berlim, 2005(© Colecção Particular)
“As pessoas viajam para tirar fotografias. A esmagadora maioria não viaja para ver como são as outras.”
Baptista-Bastos, Ípsilon, 22.06.2007
PHE07#uma por dia
Guillaume Herbaut, sem título, da série Vendetta I – nº 19, 2004.(Fonds National d`Art Contemporain, Ministère de la Culture et de la Communication, Paris, © Guillaume Herbaut)
PHOTOESPAÑA2007
Márgenes. Vários Autores - Guillaume Herbaut
Centro Cultural Conde Duque
Até 22 de Julho
por Angola
© Kiluanji Kia Henda (prova de artista) Kiluanji Kia Henda galgou Angola de lés a lés. O resultado dessas viagens por várias províncias do seu país está na exposição Ngola Bar que o Centro Cultural de Sines decidiu programar no âmbito do Festival Músicas do Mundo 2007. Henda foi um dos fotógrafos representados na edição deste ano da Bienal de Veneza e ano passado participou numa exposição colectiva da Arco, a Feira de Arte Contemporânea de Madrid.
Ngola Bar, de Kiluanji Kia Henda
Centro de Artes de Sines
Todos os dias das 14h00-20h00
Até 30 Setembro
o Público errou
mah no PHE08
Juan Santos, NOPHOTO, da série Cross the Art Scene(© Juan Santos)
Pode-se dizer que a X edição do PHOTOESPAÑA correu de feição aos portugueses. Sérgio Mah, o comissário das duas bienais Lisboa Photo (2003, 2005), foi escolhido para liderar as próximas 3 edições do PHOTOESPAÑA, tornando-se no primeiro estrangeiro a liderar o festival. Mah é mestre em Ciências da Comunicação e Licenciado em Sociologia. Nasceu em Moçambique, em 1970, e vive em Lisboa. É professor da cadeira de Fotografia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é professor e coordenador-assistente do Curso Avançado de Fotografia no AR.CO: Centro de Arte e Comunicação Visual. É também sociólogo-investigador no Centro de Estudos e Investigação Aplicada do Instituto Superior de Serviço Social. Publicou vários ensaios sobre história e teoria da fotografia e é autor do livro A Fotografia e o Privilégio de um Olhar Moderno (2003).
Alexandra Prado Coelho falou com Sérgio Mah a propósito desta nomeação. A notícia está no Público de hoje aqui.
Sérgio Mah (© David Clifford/Público)03 julho, 2007
PHE07#uma por dia
Stratos Kalafatis, sem título, da série Journal, 1998-2002(cortesia Kalfayan Galleries, Tessalónica © Stratos Kalafatis)
PHOTOESPAÑA2007
Stratos Kalafatis - Diário Fotográfico, 1998-2002
Centro Cultural Caja Castilla la Mancha (Cuenca)
Até 22 de Julho
02 julho, 2007
Crónica
Bernd e Hilla Becher Um encontro com a exposição Typologien Industrieller Bauten (Tipologias de edifícios industriais)
Berlim, Setembro de 2005
Até parecia que tínhamos saído na estação de comboio errada porque o que havia por ali eram pequenos prédios de habitação, descampados, estaleiros e fábricas. Fábricas mais desactivadas do que a funcionar. O mapa dizia que era ali, por aqueles lados. Mas nada, nem sinais do que podia ser um museu de arte contemporânea: o The Hamburger Bahnhof – Museum für Gegenwart.
À estranheza do lugar juntou-se a estranheza do olhar das pessoas que abordamos com a pergunta, em inglês, sobre se sabiam onde ficava o tal Hamburger Bahnhof. Já tinha dado para perceber que o inglês não é uma língua muito simpática na Alemanha, mas o que se pedia era só que articulassem o mínimo que fosse, um “left”, um “right”, ou que esticassem o indicador em determinada direcção.
Ultrapassado o desnorte inicial, lá chegamos à antiga estação que, no último quarto do século XIX ligava Hamburgo e Berlim de comboio. A ideia era ir à descoberta do museu sem saber, à partida, que exposições havia em permanência ou em rotatividade. O que nos chamou a atenção, creio, foi a fotografia da fachada principal do edifício e a ligação - que funciona quase sempre - entre antigas instalações industriais e espaços para exibir arte. No Hamburger Bahnhof, para mim, ficou provado que o ferro, o tijolo, o pé alto e o cheiro a óleo jogam bem – nem sei bem explicar porquê - com as telas, as instalações, os vídeos e as fotografias de criação contemporânea.
E foram justamente as fotografias que aqui mais nos supreenderam. As fotografias de Bernd e Hilla Becher, de quem já tinha visto uma ou outra obra, mas nunca uma grande exposição como a que tivémos a sorte de encontrar em Berlim (Typologien Industrieller Bauten - Tipologias de Edifícios Industriais). E é perante o conjunto dos conjuntos de imagens “tipológicas”, como os Becher lhes chamam, que ficamos com a noção aproximada da magnitude do projecto que entusiasmou o casal durante quase 50 anos.
Logo às primeiras grelhas de imagens o sentimento que nos assalta é de incredulidade. É difícil não nos questionarmos sobre o que é que levou realmente este homem e esta mulher a dedicarem metade da vida a fotografarem silos, depósitos de água, fornos de cal e outros tipos de construções industriais que formam, à primeira vista, contextos paisagísticos repugnantes para os olhos. São sítios onde não apetece estar. Formas difíceis de ver. O que raio os moveu? O sucesso e a fortuna imediatas não foram de certeza, porque só passados quase 20 anos após as primeiras imagens é que os Becher viram o seu trabalho reconhecido dentro e fora da Alemanha.
Depois da incredulidade veio a estranheza. Por mais que façam parte da nossa memória visual, não é imediata nem fácil a aproximação ao sentido estético destas formas, normalmente identificadas com estereótipos negativos como o da exploração sem limites dos recursos ou a intrusão em espaços naturais. O certo é que à medida que percorríamos as salas do Hamburger Bahnhof fomos assimilando a mensagem que estava na origem e na razão daquelas séries de fotografias, meticulosamente arrumadas em categorias e em tipos. E isso aconteceu não tanto pela força de ver tantas imagens muito parecidas entre si, mas pela força da gramática visual com a qual os Becher querem que vejamos as suas imagens.
Essas “regras de ver”, que passam sobretudo pela subtileza da comparação, impuseram-se quase sem nos darmos conta. A meio da exposição já olhávamos para um elevador de cascalho com outros olhos de ver. Bernd e Hilla Becher ensinaram-nos que é possível encontrar beleza naquelas “esculturas anónimas”, erigidas sem qualquer pretensão de monumentalidade ou reconhecimento estético. Fizeram com sentíssemos naquelas peças de engenharia rude um resquício de humanidade e de génio. Fizeram com que sentíssemos admiração pelo que nos era invisível. Provocaram a dúvida e desfizeram-na. Ensinaram-nos a ver uma realidade envergonhada, cheia de complexos existenciais. A sua objectiva ensinou-nos a ver, não só através dela, mas com ela. Sem qualquer dose de paternalismo bacoco, fizeram com que chegássemos ao fim com a sensação de descoberta de uma nova realidade que até ali nos passava ao lado. E não é também para isso que serve a arte?
prémios PHE07
Robert Frank, Espanha, 1952(© Robert Frank)
A organização do PHOTOESPAÑA2007 divulgou recentemente os prémios atribuídos na X edição do festival. Aqui fica a lista completa das distinções:
Prémio PHOTOESPAÑA2007
::Robert Frank
Galardão máximo do festival atribuído pela sua trajectória profissional e pela sua influência na fotografia contemporânea.
Prémio Bartolomé Ros (melhor trajectória na fotografia)
::Marta Gili, directora do centro Jeu de Paume (Paris)
::Javier Vallhonrat, fotógrafo
Prémio Festival Off
::Galeria Magda Belloti, pela exposição de Juan Fernando Herrando
Prémio do público M2/elmundo.es
::BBVA, pela exposição África, de Sebastião Salgado
Prémio de Melhor Livro de Fotografia do Ano
::Making Time, de Thomas Struth (ed. Turner), categoria nacional
::Sob céus estranhos - Uma história de exílio, de Daniel Blaufuks (ed. Tinta-da-China), categoria internacional
Prémio de Melhor Editora de Fotografia do Ano
::Steidl Publishers
Prémio Descubrimientos PHE
::Harri Pälviranta, pelo portfolio Beaten People (Finlândia, 1971)
Harri Pälviranta, da série Beaten People(© Harri Pälviranta)
Harri Pälviranta, da série Beaten People(© Harri Pälviranta)
PHE07#uma por dia
Alberto García-Alix, El señor Stoneman, 1988.(© Alberto García-Alix)
PHOTOESPAÑA2007
Alberto García-Alix
Igreja de Santa Ana, Arles (França)
Até 16 de Agosto
01 julho, 2007
Edit!, parte 2
© Sharon Lockhart, da série Pine Flat Portrait Studio, 2005O segundo acto da exposição Edit!, no centro de artes visuais de Coimbra, começou ontem com mais uma selecção de imagens à volta da temática "corpo". Álvaro Vieira escreve no P2 de hoje um texto de apresentação da mostra.
O post sobre a primeira parte da exposição está aqui.
E sobre o trabalho de Sharon Lockhart aqui.
Edit!
Fotografia e Filme na Colecção Ellipse
segunda parte # de 30 de Junho a 9 de Setembro
Matthew Barney/Rineke Dijkstra/Olafur Eliasson/Robert Gober/Felix Gonzalez-Torres/Douglas Gordon/Candida Höfer/Cameron Jamie/Louise Lawler/Sherrie Levine/Sharon Lockhart/Jarbas Lopes/Steve McQueen/Gabriel Orozco/Jack Pierson/Gonzalo Puch/Rosângela Rennó/Collier Schorr/Lorna Simpson/João Tabarra/Wolfgang Tillmans/James Welling
centro de artes visuais
Pátio da Inquisição, 10, Coimbra
Tel.: 239826178
De ter. a dom., das 10h00 às 19h00
PHE07#uma por dia
© Marta Soul, da série Foto de Familia, 2007PHOTOESPAÑA2007
NOPHOTO, Marta Soul
Matadero de Madrid
Até 13 de Agosto
30 junho, 2007
PHE07#uma por dia
© Stanislas Guigui, da série MuroPHOTOESPAÑA2007
Stanislas Guigui - El reino de los ladrones
Centro Cultural Aguirre, Cuenca
Até 22 de Julho
29 junho, 2007
PHE07#uma por dia
Andres Serrano, Nomads (Sir Leonard), 1990(© Colecção Eddy Peeters, Bélgica/Andres Serrano)
PHOTOESPAÑA2007
Andres Serrano
Círculo de Bellas Artes, salas Picasso e Minerva
Até 1 de Julho
»vejamos»» [as sugestões dos leitores]
Chema Madoz, sem título (© Chema Madoz)»»José Paulo Andrade, propõe uma visita à exposição do espanhol Chema Madoz que pode ser vista na Galeria 111, no Porto, naquela que é a primeira mostra individual do artista na cidade.
O crítico Luis Arenas escreveu sobre as imagens de Madoz o seguinte:
“(...) os objectos nas fotografias de Madoz são atravessados por uma tensão estranhamente humana: a assolapada tensão de não serem tudo o que poderiam ter sido, de terem esquecido – quem sabe se por cobardia ou simplesmente pela natureza das coisas – outras possíveis, ou virtuais, existências. Soubemos de algumas dessas vidas não vividas graças às fotografias de Chema Madoz; ele falou-nos sobre tesouras que queriam ser o Concorde, sobre a pedra que sonhava em ser um cacto, sobre a areia que queria ser água e sobre o deserto que sonhava com a chuva, ou sobre o modesto gancho que estava disposto a tornar-se lágrima. Essa é a razão por detrás das infinitas simpatia e solidariedade que estes objectos nos inspiram (…) Nestas imagens, os objectos revoltam-se contra a sua condição de meros utensílios. Mas nada há de ameaçador nesta revolta; é essencialmente um jogo, uma partida de crianças. Madoz parece convidar-nos a ouvir os secretos diálogos que as coisas levam a cabo nas nossas costas.”
in, El Rostro Oculto de las Cosas, ed. Aldeasa, 2006
Nascido em 1958, Chema Madoz vive e trabalha em Madrid. Começou a fotografar em meados dos anos 80 e é hoje um dos fotógrafos espanhóis mais aclamados pela crítica nacional e mais reconhecidos internacionalmente. Em 2000, recebeu os prémios PHOTOESPAÑA, Overseas Photographer, do Higasikawa PhotoFestival no Japão, e o Premio Nacional de Fotografía, atribuído pelo Ministério da Cultura espanhol. Tem fotografias nas mais importantes colecções de Espanha.
Há mais fotografias desta exposição aqui.
Chema Madoz, sem título (© Chema Madoz)Chema Madoz
Galeria 111, Porto
R. D. Manuel II, 246
Tel.: 22 609 32 79
Email: info@galeria111.pt
Das 10h00 às 13h00, das 15h00 às 19h30
Encerra segunda de manhã, sábado de manhã e domingo
Até 28 de Julho
28 junho, 2007
reflectir
Constantino Varela Cid, Saudades do Mar, Nazaré, Ca. 1940O crítico do semanário Expresso Jorge Calado escreve na última Actual (23 de Junho) um texto de reflexão sobre o fenómeno dos leilões de fotografia em Portugal. O professor de química do Técnico lamenta a escassa oferta no mercado (?) de fotografia em Portugal justificada pelo "desprezo" a que está votado o património. Para Calado, os três leilões já realizados pela Potássio Quatro demontraram que existe por cá "não um, mas vários públicos para a fotografia", razão pela qual os lotes postos à venda são tão diversificados. Do lado das áreas com menos futuro, segundo Jorge Calado, estão as cartes-de-visite, monarquia, memorabilia e Estado Novo. Já os lotes históricos, os relacionados com África, o fotojornalismo e os livros estão em alta. O crítico refere-se depois à falácia das "edições limitadas" da imagem fotográfica e explica como, normalmente, esta manobra é usada como artifício para fazer subir a cotação de determinado autor.
Jorge Calado aponta a internacionalização como um dos aspectos mais positivos dos leilões da Potássio Quatro (mais de 50 por cento dos lotes foram para o estrangeiro) e sublinha a importância da venda do retrato de Fernando Pessoa (2º leilão, por 9775 euros) e do livro Lisboa: Cidade Triste e Alegre, de Victor Palla e Costa Martins (3º leilão, por 3047 euros).
E, por último, deixa esta pista:
“No mundo da fotografia, um dos desenvolvimentos recentes mais surpreendentes é a emergência da fotografia anónima e espontânea, dita vernácula. Já chegou ao museu e à galeria especializada. Se uma imagem é boa e desperta interesse é arte; se, além disso, for também um documento, tanto melhor; o resto é especulação financeira.”
PHE07#uma por dia
Federico Patellani, 1950(© Archivio Patellani)
PHOTOESPAÑA2007
Neorrealismo - La nueva imagen en Italia, 1932-1960
Federico Patellani
Centro Cultural de la Villa
Até 22 de Julho
27 junho, 2007
*Três perguntas a...
Inês d`Orey, auto-retrato, Porto, 2007(© Inês d`Orey)
Inês d`Orey. Fotógrafa do Porto de 29 anos. Tem formação superior em Relações Internacionais, Culturais e Políticas (Universidade do Minho) e uma especialização em fotografia (London College of Printing). Entre 1999 e 2002 foi bolseira do Centro Português de Fotografia. Já participou numa dezena de exposições colectivas. Desde 2001 que expõe individualmente. Vencedora do prémio Novo Talento FNAC Fotografia 2007 com o projecto Porto Interior. Foi uma das fotógrafas seleccionadas para a exposição de novos talentos DESCUBRIMIENTOS da PHOTOESPAÑA2007.
¿Por que é que fotografas?
Uma imagem forte que capte a atenção tem o poder de proporcionar uma nova forma de perceber o mundo, o poder de estimular emoções, de envolver a todos os níveis.
Fotografo para captar a realidade, ciente de que a corrompo. Gosto desta capacidade da fotografia nos ajudar a interpretar qualquer coisa, de dar a interpretar qualquer coisa, por mais banal que seja. De uma forma inesperada ou diferente, mas sempre tendo como ponto de partida a realidade física, aquela onde somos e não aquela que vemos. A fotografia permite, eventualmente, chegar a esse lugar e agrada-me, acima de tudo, esta ideia de criar artefactos geradores de experiências, nomeadamente emocionais, que permitem, de algum modo, sentir, mais do que pensar.
¿O que procuras mostrar neste Porto Interior?
De certa forma, uma surpresa pela ausência de vida, de movimento, de dados que permitam identificar na totalidade, de dados que permitam situar no tempo. Se calhar, em vez de mostrar, ou para lá de mostrar, procuro antes suscitar. O que se vê poderá ter muitas leituras. Interessa-me mais essa ideia de diversidade do que os respectivos conteúdos. Mas claro que quando se olha o Porto Interior, há conjecturas que se poderão formar, que podem ser interessantes, divertidas, sérias, pertinentes.
Acho que a fotografia comunica tanto através do que se vê, do que se interpreta como estando lá, como pela ausência de informação. Todas as imagens de Porto Interior foram captadas em espaços de acesso público por uma minha forma de ver muito privada. Todos estes espaços podem ser visitados e encontram-se quase todos ainda em funcionamento. A maior parte enche-se frequentemente de pessoas e de barulho e de coisas a acontecer, coisas perfeitamente normais como uma conversa, um cigarro a fumar-se, uma correria para chegar a qualquer lado, um encontro de convívio num sábado à tarde. Interessa-me despertar a imaginação: o que aconteceu antes e o que vai acontecer depois. E, porventura, a possibilidade do tudo que poderá significar.
A ausência e a ideia de tempo parado são um artifício desenvolvido no Porto Interior, que permite explorar este campo. E neste intervalo, entre esses dois momentos – o antes e o depois -, que é a fotografia, procuro intensificar sensações e sentimentos que se associam ao vazio: a melancolia, o abandono, a perda, a inaptidão, a duração, a solidão, a ausência, a desistência, o frio, o silêncio, o conforto, a calmia, a lonjura.
Acho que é uma procura que acaba por reflectir uma experiência urbana, como vivo e como vejo uma cidade, a minha cidade. Por ser tão minha, aos olhos dos outros, esta poderia ser uma cidade qualquer, onde se chega e se passa a descobrir, velha mas como nova.
Simultaneamente, tenho muito pouco poder sobre este Porto Interior. Ele próprio vai-se mutilando e alterando continuamente. Ao construir este trabalho, vou também mantendo, da forma que me é possível, a minha própria cidade, o lugar onde sou. É uma mundividência subjectiva e particular.
Imagino que entrar na casa das pessoas, nos seus espaços mais privados, para tirar fotografias não tenha sido tarefa fácil. Fala-nos um pouco do lado prático da concretização deste projecto.
Na realidade, todos os lugares que fotografei são de uso público ou semi-público. Isto não significa que seja imediato obter autorização para fotografar. Há locais onde basta chegar, pedir autorização e se podem logo fotografar. Outros sítios, os mais públicos de todos, não requerem pedidos de autorização, fotografam-se apenas, qualquer pessoa os poderá fotografar.
Como faço, profissionalmente, fotografia de arquitectura, tenho acesso a espaços que fotografo como trabalho.
Há, no entanto, instituições que simplesmente não permitem fotografar, como o Instituto de Medicina Legal ou edifícios militares.
Não fiz uma lista a priori do que iria fotografar. Os motivos vão surgindo com o próprio desenvolvimento do projecto. Há locais que me ocorreram de imediato, outros de que me vou lembrando ao longo do processo, ainda outros que vou descobrindo enquanto percorro a cidade, ou outros que surgem em conversas com outras pessoas. Na verdade, a lista não se completou ainda, sei que há fotografias que ainda quero fazer, e sei também que há sítios que ainda hei-de descobrir. De certa forma, este Porto Interior vai-se construindo à medida que vai crescendo. E acredito que poderia continuar ad eternum: como a própria cidade; impossível de conhecer ou captar na totalidade. Isto faz de mim alguém à deriva. Gosto desta sensação.
Monte Aventino, da série Porto Interior (© Inês d`Orey) PHE07#uma por dia
Zhang Huan, da série Family Tree, 2000(© Zhang Huan)
PHOTOESPAÑA2007
Zhang Huan
Secção Oficial
Fundación Telefónica
Até 26 de Agosto
Zhang Huan, da série Family Tree, 2000(© Zhang Huan)
26 junho, 2007
PHE07#uma por dia
© Shelby Lee Adams, 1988PHOTOESPAÑA2007
Local. El fin de la globalización - Shelby Lee Adams
Consejería de Cultura y Deportes
Até 2 de Setembro
Robert Frank
Robert Frank (© Barry Kornbluh)Robert Frank (Suíça, 1924) foi galardoado com o maior prémio do PHOTOESPAÑA2007. Para além do fotógrafo da geração beat, o festival distinguiu ainda, nas categorias nacionais, a galerista Marta Gili e o fotógrafo Javier Vallhornat.
O júri da 10ª edição do PHOTOESPAÑA2007 justifica a atribuição deste prémio a Frank com a "trajetória profissional" do fotógrafo e a "sua influência na fotografia contemporânea". Nascido numa família de judeus, Frank emigrou para os EUA no pós-guerra e começou a ganhar reconhecimento na década de 50 depois de ter publicado o livro The Americans, série de retratos que captou numa travessia pelo país. A obra revelava uma América racista e profundamente dividida em termos de classes sociais. Por causa deste livro foi acusado de “antipatriota”. Trabalhou com grandes nomes da beat generation como Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Gregory Corso e Peter Orlovsky.
25 junho, 2007
PHE07#uma por dia
Sebastião Salgado, Moçambique, província do Zambeze, 1994(© Sebastião Salgado/Amazonas Images/Contacto)
PHOTOESPAÑA2007
Sebastião Salgado - África
BBVA, sala de exposições de Azca
Até 22 de Julho
de Tomar
© Telmo MendesHá seis anos que o Curso Superior de Fotografia do Instituto Politécnico de Tomar, único no país, dá formação superior específica na área da imagem fotográfica. O Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa mostra desde a semana passada os melhores trabalhos de alunos e antigos alunos desta escola que conseguiu organizar cursos de qualidade fora dos grandes centros urbanos. Para além do critério estético foram escolhidos trabalhos que usam técnicas de impressão de finais do século XIX e início do século XX.
© Mário Ambrózio
© Tânia Rolo2001/2007 - Curso Superior de Fotografia
Arquivo Municipal de Lisboa/Arquivo Fotográfico
Rua da Palma, 246
De ter. a sáb., das 10h00 às 19h00
Tel. 21 884 4060
Metro: Martim Moniz
Até 31 de Julho
24 junho, 2007
PHE07#uma por dia
Myriam Abdelaziz, 2006, Behind the Velvet Rope, 2006(© Myriam Abdelaziz)
PHOTOESPAÑA2007
Descubrimientos PH07, Myriam Abdelaziz
Museo Municipal de Arte Contemporáneo
Até 22 de Julho
23 junho, 2007
dentro dos Police
Sting (© Andy Summers)Nos Police, nem só de cordas de guitarra se ocupava Andy Summers. De país em país, de cidade em cidade, o histórico guitarrista foi registando pela fotografia as movimentações da banda pelos quatro cantos do mundo. Na exposição I'll Be Watching You: Inside The Police, 1980-83, que abriu recentemente em Santa Mónica, Califórnia, Summers dá-nos uma visão privilegiada do universo íntimo do trio que arrastou multidões. Os Police acabaram. A paixão pela fotografia não. E Summers continuou a disparar. Prefere o preto e branco e os ambientes nocturnos. No ano em que o grupo decidiu voltar a tocar em palco, a Taschen publica um livro exclusivo com mais de 600 fotografias do guitarrista, que na sua maioria nunca foram publicadas. Foram feitas apenas 1500 cópias e todas estão assinadas pelo punho de Summers.
Há mais fotografias de Andy Summers aqui.
Da série City Like This Show (© Andy Summers)
Andy Summers (© Andy Summers)PHE07#uma por dia
Hellen van Meene, da série Barbara from home village, nº 44, 1999 (© Hellen van Meene)
PHOTOESPAÑA2007
Local. El fin de la globalización - Hellen van Meene
Consejaría de Cultura y Deportes
Até 2 de Setembro
22 junho, 2007
PHE07#uma por dia
© Sylvia Plachy, 1980PHOTOESPAÑA2007
Sylvia Plachy
Círculo de Bellas Artes
Até 1 de Julho
21 junho, 2007
para alfama
© Georges Pacheco, Zé António, decano do fado vadio, Alfama, 1999
Haverá ainda lugar para a surpresa numa Alfama canibalizada pela fotografia? Encontrar na encruzilhada de ruas do bairro mais fotografado da cidade a resposta a esta pergunta talvez seja o maior desafio daqueles que aceitarem participar na I Maratona de Fotografia Digital de Alfama, agendada para sábado, dia 23. Inspirada no modelo da extinta Maratona Fotográfica de Lisboa, esta inicitiva da Associação do Património e da População de Alfama propõe que se passe 12 horas no bairro histórico de máquina em riste para apanhar 12 surpresas suspensas em 12 fotografias. Ao longo do percurso, os participantes serão guiados por vários pontos de interesse onde encontrarão pistas vagas sobre os temas a procurar.
Os trabalhos distinguidos só serão revelados em Setembro, mês em que a associação cumpre 20 anos de existência.
Os prémios e o regulamento do concurso estão aqui.
As inscrições ainda podem ser feitas aqui.
O que te surpreende em Alfama?
I Maratona de Fotografia Digital de Alfama
12 horas/12 surpresas/12 fotografias
23 de Junho, a partir das 10h00




