Chamadas Fotográficas:Imagens do QuotidianoÉ forçoso que aconteça também aqui. Mais cedo ou mais tarde as fotografias captadas a partir do telemóvel não serão tidas apenas como parte da cultura visual dos nossos dias - serão consideradas como potencial objecto estético, gerador de narrativas à pequena escala e a um ritmo alucinante, não fosse Portugal o país da Europa com mais aparelhos por habitante.
Associamos a fotografia de telemóvel à circunstância, ao casual, à errância e sobretudo ao efémero, porque o botão
delete está ali sempre à mão de semear. Se não gostarmos desta, é quase sempre possível tirar outra, e outra e outra. É a memória digital a dar-nos a possibilidade de rejeitar-mos o que não queremos ou de apanhar muitas coisas para depois escolher e apagar alguns ficheiros, ou ainda - porque não? - apagar todos. A memória digital está sempre lá para nos dar mais espaço.
Acontece que nem só de circunstância se faz a fotografia de telemóvel. Ela faz-se cada vez mais com propósito, mesmo que a definição, a cor, a velocidade não sejam as de uma máquina fotográfica tradicional. E não serão exactamente as limitações técnicas a que estão sujeitas estas imagens de usar e deitar fora a potenciar o seu valor estético, o seu encantamento?
Foi a pensar nos usos que diferentes gerações dão às máquinas destes aparelhos que o
designer Andrew Howard - responsável pela concepção das publicações do Centro Português de Fotografia – decidiu propor a dois grupos distintos de pessoas que captassem várias fotografias para depois as mostrar em público numa exposição –
Chamadas Fotográficas: Imagens do Quotidiano.
O primeiro grupo incluía alunos de uma escola secundária, com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos. As imagens enviadas, de enquadramento e composição básicos, mostram sobretudo auto-retratos, caras e mascotes.
Do segundo grupo faziam parte
designers, fotógrafos e estudantes de Artes. Foi-lhes pedido que tirassem fotografias de quatro momentos de um dos seus dias e que fizessem um filme de 15-20 segundos. As abordagens aqui são mais conceptuais e abstractas.
Uma das conclusões que a organização tirou deste exercício simples revela que “embora, os meios tecnológicos que existem à nossa disposição afectem e condicionem a forma como comunicamos, nunca é simplesmente a natureza da tecnologia que faz a imagem, mas a natureza da pessoa que comunica”.
Paralelamente à exposição, os visitantes são convidados a participar num concurso de fotografia digital captada por telemóvel. As melhores imagens serão sujeitas à apreciação de um júri que escolherá a fotografia vencedora.
Chamadas Fotográficas:Imagens do Quotidiano
Chamadas Fotográficas:Imagens do Quotidiano Chamadas fotográficas:Imagens do Quotidiano
Silo - Espaço Cultural, NorteShoppingPorto
Até
11 de Julho