Charles Nègre (1820 - 1880), Tuileries Statue: Boreas Abducting Orithyia, 1859, albumina (National Gallery of Art, Washington) Paris é a cidade da arqueologia da fotografia. As primeiras chapas de metal não foram lá sensibilizadas, mas foi lá que o daguerreótipo - o processo fundador que ficou para a história - se estreou no registo do real com a ajuda da luz.
A exposição
Paris in Transition: Photographs from the National Gallery of Art foi inaugurada recentemente em Washington para mostrar as transformações da cidade e a evolução dos processos fotográficos desde as primeiras imagens conhecidas até aos anos 30. A ideia é sublinhar também a importância de Paris como cidade fotografada e como porto de abrigo de muitos pioneiros.
A
National Gallery of Art afirma que o percurso foi organizado na perspectiva de um
flâneur, ou aquele que vagabundeia sem destino pelas ruas e praças. A viagem começa com imagens de ruas e arquitectura, ainda de olhar extasiado, de
Henry Fox Talbot,
Gustave Le Gray,
Auguste Mestral e
Charles Nègre. A seguir, a partir de fotografias de
Charles Marville,
Louis-Émile Durandelle e
Hippolyte-Auguste Collard, mostram-se as profundas mudanças urbanas que o barão de Haussmann, sob as ordens de Napoleão III, introduziu na capital francesa. Vem depois
Eugène Atget, o fotógrafo que viu a cidade para lá da sua identidade abstracta captando o que lhe é peculiar e individual – a vida do dia-a-dia. É aqui que estão também as imagens de
Alfred Stieglitz. Para a última parte, as imagens da uma cidade dividida entre a “nostalgia do passado” e a “vertigem da modernidade” captadas por fotógrafos que assentaram arraiais em Paris:
André Kertész,
Germaine Krull,
Brassaï,
Ilse Bing e
Jaroslav Rössler.
Mais imagens da exposição
aqui.
Brassaï (1899 - 1984), Couple at the Four Seasons Ball, Rue de Lappe, Paris, c. 1932 (National Gallery of Art, Washington) Paris in Transition: Photographs from the National Gallery of Art
The National Gallery of Art, WashingtonAté 6 de Maio