02 fevereiro, 2007

escolher

Galardão concebido por Joana Vanconcelos

Já podem ser enviados os portfolios para a 7ª edição do Prémio Fotojornalismo Visão/BES. Há sete categorias a concurso: Reportagem; Vida Quotidiana; Espectáculo; Retrato; Notícias; Desporto; Natureza. A data limite para a entrega dos trabalhos é o dia 16 de Fevereiro. O júri, constituído apenas por personalidades estrangeiras, reunir-se-á em Lisboa no final de Março. Os prémios serão entregues no dia 30 de Março.
O regulamento e o formulário de inscrição estão aqui.

31 janeiro, 2007

luz

© Désirée Dolron, Xteriors VIII

Passava os olhos por entre imagens que fizeram a história do último Mois de La Photo de Paris e fixei-me neste corpo prostrado, espécie de anjo de cabelos de fogo que encontrou o fim. Há nele uma luz que mente. Em que não acreditamos. E ainda bem. É essa luz pastosa que sai do escuro e se apodera das formas tornando-as quase impossíveis. E ainda bem. É uma luz representada e é por ela que vive a figuração. É dada como quem pinta. E ainda bem.
Désirée Dolron mostrou esta e outras imagens no Institut Néerlandais no final do ano passado. Exaltation, Gaze, Xteriors são o resultado de mais 15 anos de trabalho. Em Exaltation há uma visão documental sobre o sagrado, o misticismo e experiências religiosas várias do continente asiático. Em Gaze, Dolron segue pela via conceptual explorando as possibilidades do retrato em ambientes etérios. Na série Xteriors, a mais recente, explora meticulosamente as possibilidades da luz, primeiro com a fotografia, depois com a manipulação digital. A inspiração vem do claro-escuro e do ambiente “segredo” da pintura de Johannes Vermeer.


© Désirée Dolron, Xteriors X

29 janeiro, 2007

Ce jour-là

Willy Ronis

As fotografias não são só imagem. Quer dizer, são sobretudo imagem, mas não só. São também as condicionantes, as situações, os contextos que lhes deram origem. Cansados que estamos de ver imagens, raramente pensamos quem está por trás delas, quem as fez nascer. É demasiado penoso, obriga a algum raciocínio suplementar. No limite, esquecemo-nos que para determinada fotografia existir foi preciso um fotógrafo. É por isso que sabe sempre bem ler/ouvir relatos de quem decide carregar no botão. E não é só para que nos lembremos do fotógrafo. É sobretudo para que nos lembremos que o fotográfico ainda é consequência de uma opção – disparar. Para que nos lembremos que essa opção tem o poder de provocar outros acontecimentos e emoções. Willy Ronis, “o mais parisiense dos fotógrafos vivos”, como os franceses carinhosamente o apelidam, decidiu, aos 96 anos, contar-nos num pequeno livro as histórias à volta de 54 fotografias suas, captadas entre 1950 e 1960. Os textos, na primeira pessoa, começam sempre por um Ce jour-là. Estão lá os passos, as datas, os acontecimentos que por vezes desvendam, por vezes escondem. Ronis fugiu às imagens estereótipo da sua obra. Preferiu as menos vistas, as menos conhecidas. Não é um livro nostálgico, é um livro crepuscular. (...) Um manual de vida, diz o crítico do Le Monde Michel Guerrin. O mosaico dos 54 textos e imagens formam um retrato de Ronis e fazem uma homenagem à mulher que o acompanhou, Marie-Anne.
No ano passado, mais de meio milhão de pessoas viu a exposição Paris dans l'oeil de Willy Ronis, no Hôtel de Ville, na capital francesa.
Para ler uma entrevista do L`Express a Ronis clique aqui.
Para ouvir e ver uma conversa com o mestre francês clique aqui.




J`ai lá mémoire de toutes mes photos. Elles forment le tissu de ma vie, et parfois, bien sûr, elles se font de signes pardessus les années. Elles se répondent, elles conversent, elles tissent de secrets.

Willy Ronis, Le Monde, Le Monde des Livres, 19.01.2007


Ce jour-là, Traits et Portraits, Willy Ronis
Mercure de France, 184 p., 22 €

26 janeiro, 2007

*Três perguntas a...

I Spy, da série Collected Short Stories, 2003 (160x120 cm, © Daniel Blaufuks)

Daniel Blaufuks. Fotógrafo lisboeta com um trabalho ligado à imagem conceptual. Começou a estudar fotografia no Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual), Lisboa, e continuou no Royal College of Art, Londres, e na Watermill Foundation, Nova Iorque. Para além do suporte fotográfico usa outros meios para apresentar as suas obras, como o vídeo e os livros. Tem também um trabalho paralelo como documentarista. No ano passado foi seleccionado para a recta final do prémio BES Photo. A série que expõe agora no Centro Cultural de Belém dá a ver imagens de Terezín (antes chamada Theresienstadt, República Checa), uma localidade transformada em campo de concentração pelos nazis alemães.
Nota: com este *Três perguntas a..., inaugura-se uma série de pequenas conversas com os artistas escolhidos para a edição deste ano do BES Photo.

¿Por que é que fotografas?
A fotografia é apenas uma desculpa para um outro segredo.

¿Na série Terezín, as fotografias estão impressas com grandes margens brancas. Quiseste transmitir serenidade, candura?
As margens correspondem à paginação do livro, que é a base final do projecto, isto é, as fotografias são páginas do livro ampliadas. Daí que algumas apareçam descentradas. Mas penso que desta forma demonstro também o meu respeito pelos locais e rostos fotografados, suavizando a sua apresentação neste formato.


¿O que é que pensas dos usos menos convencionais que se fazem hoje da fotografia?
Não sei exactamente ao que aqui te referes. Mas a fotografia não é já necessariamente o que Robert Frank uma vez descreveu como "apenas uma folha de papel". Pode sê-lo, mas pode também ser exactamente o contrário - uma fotografia pode ser pequena, pode ser grande, pode inserir-se numa arquitectura, ou apenas num postal, fazer parte de um jornal ou de uma página na net.
Passámos da folha de papel para uma selva de imagens, em que o nosso olhar é constantemente invadido por imagens na televisão, publicidade na rua, nos jornais e tudo é passível de ser fotografado. Uma floresta democrática, como lhe chamou William Eggleston.
Para que uma imagem faça alguma diferença nas nossas vidas, nem que seja por segundos, necessita de uma intenção clara e precisa por parte do seu criador. E uma imagem numa parede de uma galeria não é igual, mesmo sendo uma fotografia idêntica, a uma imagem no exterior de um prédio no centro de uma cidade. Daí que a minha fotografia seja também um trabalho sobre a relação da imagem com outras imagens, públicas ou privadas, e com o espaço em que se insere, sobre como e onde a imagem é apreendida e sobre as suas possíveis leituras.

Olhar



Não é novidade nenhuma. Mas não fica mal lembrar de vez em quando que a intensidade de um retrato está, sobretudo, nos olhos e no olhar.




Biswaranjan Rout (© Associated Press)

24 janeiro, 2007

à procura

© Stan Guigui, vencedor do Descubrimientos PHE 2006. Da série The Reign of the Thieves, Bogotá



A organização do PHOTOESPAÑA está a receber portfolios de fotógrafos, profissionais ou amadores, no âmbito do projecto Descubrimientos PHE, com inscrição gratuita. Podem ser enviadas um máximo de 15 fotografias de temática livre, até ao dia 2 de Fevereiro. De entre todos os trabalhos apresentados, serão escolhidos 60 finalistas. Depois, estes autores terão de fazer uma inscrição (com um custo de 200 euros) para que o seu portfolio seja mais uma vez analisado pelo júri. É deste grupo que sairá o prémio Descubrimientos Vueling Best Portfolio. O autor galardoado terá direito a uma exposição individual no PHOTOESPAÑA 2008. Os restantes portfolios serão mostrados colectivamente durante a edição deste ano do festival, que comemora 10 anos.
Todas as informações acerca da inscrição podem ser consultadas aqui.


Descubrimientos, PHOTOESPAÑA
X Festival Internacional de Fotografia y Artes Visuales
Madrid: 30 de Maio » 22 de Julho
Escolha de portfolios: 1 » 3 de Junho

23 janeiro, 2007

Investigar fotografia



A revista History of Photography é uma das poucas publicações internacionais dedicada à crítica e à história da “unidade semântica básica de todos os media modernos – a fotografia”. Através do site da editora Taylor & Francis é possível receber o último número de forma gratuita.
Aqui fica a lista dos artigos publicados:

» William Stirling and the Talbotype volume of the Annals of the artists of Spain (Hilary Macartney)

» Taken from Life: Post-Mortem Portraiture in Britain 1860-1910 (Andrey Linkman)

» The Subcontinent as Spectator Sport: The Photographs of Hariot Lady Dufferin, Vicereine of India (Eadaoin Agnew e Leon Litvack)

» The Gift of Form: Brassaï and the Crypt of Saint-Sulpice (Meg Melvin)

» “Composition by the Rules” (Christian A. Peterson)

» Pictoring Atrocity: Photography in Crisis, a Symposion Report (Allison Moore)


Uma página do artigo Taken from Life: Post-Mortem Portraiture in Britain 1860-1910



History of Photography
Director: Graham Smith
School of Art History, University of St. Andrews, Escócia

22 janeiro, 2007


Entre aspas

© Georges Pacheco, Alfama, 1999


Para funcionar como prova, a imagem tem de se apresentar como capaz de captar o imprevisto; tem de se impor numa dimensão situada fora do campo das intenções dos autores.

Monique Sicard, A Fábrica do Olhar – Imagens de Ciência e Aparelhos de Visão (século XV-XX), Edições 70

21 janeiro, 2007

Aprender a ver

Susanne Themlitz

O serviço educativo do Centro Cultural de Belém vai fazer visitas guiadas todos os domingos às quatro exposições seleccionadas para o BES Photo deste ano. A excepção será em três domingos em que caberá aos próprios artistas a apresentação dos seus trabalhos. Apenas Augusto Alves da Silva não falará sobre a sua fotografia que está na fase final do prémio.
Para além destas visitas, haverá também ateliers para famílias. O desafio é tentar responder à pergunta Quantas palavras vale uma imagem?.

Visita guiada geral:
Domingos, 16h00

Falar Alto (Conversas com os artistas):
21 Janeiro (Domingo, 16h00), visita com Susanne Themlitz
28 Janeiro (Domingo, 16h00), visita com Daniel Blaufuks
4 Fevereiro (Domingo, 16h00), visita com Vasco Araújo

Quantas palavras vale uma imagem?:
3 e 24 Fevereiro e 10 Março, 11h00
Crianças dos 8 aos 14 anos, acompanhadas de um adulto
Nº participantes: 25
Duração: 1h30

Marcações/Informações:
Tel.: 21 361 28 00
De terça a sexta-feira, das 10h00 às 17h00
Email: servico.educativo@ccb.pt

19 janeiro, 2007

Do invisível

David Scull (Clinton Foundation)

João Lopes brinda-nos esta semana com mais um magnífico ensaio sobre o poder simbólico das imagens e a importância do que nelas não se diz, do que não se mostra. E não será ainda o poder de sugestão o principal responsável pelo encantamento?

(...) Podemos dizer que o amor pelas imagens nos inicia no paradoxal labirinto do invisível, quer dizer, naquilo que nunca será imagem. É bom saber que a ânsia de ver pressente as suas fronteiras.

João Lopes, Entre as Imagens, , Diário de Notícias, 19.1.2007

Para los angeles

Ras & Constanza Piaggio, Blue Picasso, Galeria Lisa Sette


Começou a photo los angeles, apresentada como a maior feira de fotografia dos Estados Unidos. O certame, a decorrer em Santa Monica, tem uma longa lista de galerias vindas de vários pontos do globo. De Portugal, não há nenhuma representação. As imagens apresentadas vão desde o início da fotografia até às mais recentes criações que usam a imagem fotográfica como suporte. Haverá ainda conferências e seminários com fotógrafos, consultores, curadores, historiadores e coleccionadores.


Irving Penn, Girl in Bed, Galeria Vintage Works


photo los angeles
Santa Monica Civic Auditorium, 1855 Main Street
Até 21 de Janeiro

18 janeiro, 2007

Fase final

Daniel Blaufuks, sem título, da série Terezín, 2006


Susanne Themlitz, Territórios e Estagnações Ambulatórias, 2006


É cada vez mais transversal o suporte fotográfico. É cada vez mais presente a sua linguagem nas várias expressões artísticas. O reconhecimento dessa capacidade mutante tem vindo ao de cima, colocando-se naturalmente lado-a-lado os meios convencionais de fazer fotografia e os que usam e se inspiram na sua lógica criativa. Na terceira edição do BES Photo, que amanhã abre ao público no Centro Cultural de Belém, estão presentes essas duas aproximações.
Augusto Alves da Silva, Daniel Blaufuks, Susanne Themlitz e Vasco Araújo, foram seleccionados por exposições realizadas entre Julho de 2005 e Junho de 2006. No dia 27 de Fevereiro vai saber-se quem é o vencedor. A escolha será feita por Kate Bush (directora da Barbican Art Gallery), Manuel Castro Caldas (directora executiva da Ar.Co), Olga Sviblova (directora e curadora do Moscow House of Photography), Pepe Font de Mora (director da Fundación Foto Colectania) e Tereza Siza (directora do Centro Português de Fotografia). Helena Almeida e José Luís Neto foram os vencedores das duas edições anteriores do galardão, o maior em valor pecuniário atribuído em Portugal (15 mil euros).


Augusto Alves da Silva, sem título, 2005-2006
(cortesia Galeria Fonseca Macedo, Ponta Delgada)



Vasco Araújo, Trabalhos para Nada, A Mulher que casou cinco vezes, 2007



BES Photo
Centro Cultural de Belém, Lisboa
Praça do Império
Tel.: 213612400
Até 28 de Março

17 janeiro, 2007

Pacífico Inédito em Lisboa

Grupo de expedicionários (© Instituto Cervantes)


A exposição Pacífico Inédito, 1862-1866 viaja do Porto para Lisboa. Antes da inauguração no Museu Nacional de História Natural, amanhã, haverá duas conferências, com início às 17h30, organizadas pelo Instituto Cervantes:
- A expedição e a exposição fotográfica, por Soraya Peña (coordenadora de exposições do Museu Nacional de Ciências Naturais, de Madrid);
- O legado cultural e científico da expedição, a sua conservação e recuperação, por Isabel Izquierdo (conservadora da mesma instituição).

Rafael Castro y Ordóñez foi o fotógrafo escolhido para acompanhar a chamada Expedição ao Pacífico, a última grande viagem científica espanhola às Américas. A decisão de enviar para o outro lado do globo, naquela época, alguém com capacidade para registar paisagens, costumes, tipos e cidades revela um modernismo perspicaz, uma grande visão estratégica de quem quer materializar uma nova abordagem do saber, cada vez mais alicerçada na imagem da realidade e já não apenas na realidade em si. Castro y Ordóñez terá conseguido trazer cerca de mil placas de vidro, das quais se salvaram apenas 300.
Boa parte dos negativos em vidro que deram origem a esta mostra, já vista em Nova Iorque, São Paulo e Rio de Janeiro, está em más condições. O espólio esteve na penumbra durante muito tempo. As cópias agora mostradas não escaparam às feridas desse esquecimento. Os riscos, a corrosão ou a quebra de objectos frágeis que eram as lamelas de vidro sensibilizadas não podem ser totalmente apagados das reproduções actuais. São danos irremediáveis. O que já não é irremediável é o trabalho de tradução dos textos que acompanham as imagens já expostas no Centro Português de Fotografia (da responsabilidade do Cervantes?). É pobre. Sobram nomes espanholados e algumas frases vertidas à letra perdem sentido. Fica a certeza de que podia ter sido feito bem melhor.

Grupo de expedicionários (© Instituto Cervantes)


Pacífico Inédito, 1862-1866
Museu Nacional de História Natural, Lisboa
R. da Escola Politécnica, nº 58
Tel.: 213 921 816
Até 29 de Março

16 janeiro, 2007

As escolhas de Lola

Dorothea Lange


Es mejor tener cinco buenas fotografias que 2000, porque lo que cuenta en una colección y lo que la distingue son lás imágenes, no el número o los nombres que tenga

Lola Garrido, El País, 2.1.2007

Que fotografias tem a colecção privada de quem se dedicou (e ainda dedica) a coleccionar fotografias para os outros? Que critérios usou? Quais foram os seus artistas de eleição? Que técnicas privilegiou? Que períodos preferiu?
Lola Garrido é directora artística da Fundación Foto Colectania, instituição catalã que possui um dos mais importantes espólios de fotografia da Península Ibérica. Durante as duas últimas dezenas de anos assessorou e construiu várias colecções de fotografia. À medida que foi dando corpo a esses espólios "por encomenda" foi reunindo também a sua própria colecção que conta hoje com mais de 700 fotografias.
É desta dupla postura de Garrido, no limite do conciliável, que resulta o maior interesse da exposição Sus ojos los delatan, uma selecção de 70 imagens que fornecem algumas pistas a quem quer (pode) dar os primeiros passos na colecta de uma memória visual fotográfica. Do gosto pessoal de Lola Garrido fazem parte várias imagens captadas por fotógrafos portugueses, entre os quais, Helena Almeida, Jorge Molder, José Luís Neto, António Júlio Duarte, Rita Magalhães e Augusto Alves da Silva.


La memoria no funciona como una película, sino que está hecha de fotografias, y por eso he decidido coleccionarlas. Mi colección es un estado de ánimo



P. Horst, Round the clock, 1987


Sus ojos los delatan, colecção de Lola Garrido
Fundación Foto Colectania, Barcelona
Calle Julián Romea, nº 6, D 2
Tel.: 93 217 16 26
Email: colectania@colectania.es
Até 28 de Março

15 janeiro, 2007

Mudar a história

Joe Rosenthal, Rising the Flag on Iwo Jima, 1945 (Associated Press)


No Y de sexta-feira, Alexandra Prado Coelho reconstrói as circunstâncias em que Joe Rosenthal (1911-2006) captou uma das imagens mais reproduzidas e vistas do século XX , ponto de partida para o filme As Bandeiras dos Nossos Pais, realizado por Clint Eastwood, actualmente em cartaz. Tal como Rising the Flag on Iwo Jima mudou o desenrolar da II Guerra Mundial, outras imagens estiveram na origem de derivações importantes em alguns dos mais significativos acontecimentos da história recente. Alexandra escolheu cinco: Guerra do Vietname (1968); manifestação na Praça de Tiananmen (1989); Guerra da Bósnia (1992); Mogadíscio (1993); Iraque (2004).


Eddie Adams, Vietname, 1968 (Associated Press)

11 janeiro, 2007

A Índia de Buainain

© Marcelo Buainain

Depois de anos a fazer retrato de celebridades, Marcelo Buainain voltou-se para a fotografia documental. Viajou. Passou pela Índia e voltou, uma vez, duas vezes. Voltou várias vezes para mostrar ao Ocidente um pouco de uma cultura milenar, cujos valores estão sedimentados na simplicidade, humildade, desapego, compaixão e amor. Com Índia: quantos olhos tem uma alma, que amanhã inaugura no Braga Parque, Buainain quer dar a alma de um país que dizem ter o maior património espiritual do planeta. Depois de ter sido publicado, em 1998, o projecto foi distinguido duas vezes: Prémio Máximo de Fotografia, da II Bienal Internacional de Curitiba (Brasil); Gold Medal, da Society for News Design (EUA), pelas reportagens publicadas no DNa, antigo suplemento do Diário de Notícias.


© Marcelo Buainain


Índia: quantos olhos tem uma alma, Marcelo Buainain
Braga Parque
R. dos Congregados
Tel: 253250360
Todos os dias, das 10h00 às 23h00
Entrada livre
Até 12 de Fevereiro

08 janeiro, 2007

Descubrir

Isabel Muñoz, Sergio e Barbie, 2002


A revista Descubrir el Arte, que é possível encontrar em muitas bancas portuguesas, está a oferecer duas cópias de fotografias de autores contemporâneos espanhóis. A iniciativa começou em Dezembro do ano passado com imagens de Ramón Masats e José Manuel Ballester. Seguiram-se Isabel Muñoz e Miquel Navarro. Para o próximo mês estão anunciadas cópias de fotografias de Chema Madoz e Carmen Calvo. Em cada número são publicadas entrevistas e trabalhos de fundo sobre os autores das imagens. A qualidade das reproduções é bastante aceitável face ao preço de capa da revista, que custa 3,60 euros.


Chema Madoz

*Três perguntas a...


Auto-retrato, 2002

Augusto Brázio. Fotógrafo alentejano a trabalhar em Lisboa, membro da agência [kameraphoto]. Ligado ao extinto suplemento DNa, do Diário de Notícias, desde a sua fundação, construiu aí uma forma muito particular de retrato, de grande capacidade narrativa. Continua a assinar no DN imagens da fisionomia humana, agora com um pendor mais sofisticado. Para o álbum Olha pra mim (Oficina do Livro), seleccionou dezenas de retratos que traçam um percurso marcado pela eficácia na hora de dar a ver o outro. Eduardo Prado Coelho assina os ensaios da obra.


¿Por que é que fotografas?
Tenho enorme curiosidade pelo que me rodeia. A imagem fotográfica é consequência.

¿O que é um bom retrato? O que é que procuras no retratado quando lhe apontas a objectiva?
Pode-se conhecer o outro com o que dele se mostra? A labuta não tem fim. Quanto ao bom retrato...

¿O retrato ocupou uma parte significativa do teu trabalho nos últimos anos. Continua a surpreender-te a figura humana?
Só faz sentido andar neste ofício se tiver toda a disponiblidade para a surpresa, positiva ou negativa, pequena ou grande... No final, é sempre olhar o outro.


António Ramos Rosa


Graça Moraes

05 janeiro, 2007

LisboaPhoto - o fim?

LisboaPhoto 2005, Hannah Starkey, The Dentist, 2003 (Cortesia de Maureen Plaley)


Parar para "repensar". Pelo menos é isso que garante a Câmara de Lisboa (CML), organizadora da Bienal LisboaPhoto, que em 2007 não vai ser realizada. A ideia do pelouro da Cultura da autarquia é fazer "um compasso de espera" para acertar o evento com o Mês Europeu da Fotografia, ao qual estão associadas sete capitais - Paris, Roma, Luxemburgo, Viena, Berlim, Moscovo e Bratislava. Ontem, a CML divulgou um comunicado sobre o assunto em resposta a uma notícia do Diário de Notícias que dava como certo o fim do certame por razões orçamentais. A autarquia reconhece "restrições", mas sublinha que "aquilo que define a LisboaPhoto - o seu modelo, o nome e a marca - é para manter". Confrontada pelo Público com a hipótese de uma ligação com Lisboa, a Maison Européenne de la Photographie, pela voz de Barbara Wolsser, mostra-se cautelosa, deixando no ar um "nim": "O Mês Europeu da Fotografia não é um festival é uma associação de sete festivais de fotografia que se federaram. No máximo podemos produzir uma ou duas exposições juntos, promover eventos, fazer comunicação, mas cada cidade faz a sua programação".
Antes do LisboaPhoto (2003 e 2005), os mais marcantes eventos de fotografia da cidade estavam quase todos nas mãos de promotores privados. O panorama era redutor. Estas bienais demonstraram como Lisboa ansiava por uma grande realização ligada à imagem fotográfica, promotora de espaços de reflexão alargada, divulgadora de espólios nunca vistos, reveladora de locais nunca visitados, potenciadora de talentos desconhecidos. É um erro grave pôr fim ao LisboaPhoto na expectativa de que os "outros" paguem aquilo que deveríamos ser nós a aprender a rentabilizar.


LisboaPhoto 2005, Corpo Diferenciado. Identificação fotográfica de um deliquente com perturbação mental, sem data (Instituto de Medicina Legal – Núcleo de Lisboa)

04 janeiro, 2007

Rir

Jan Grarup, politiken/RAPHO

Tinham passado já três semanas sobre o grande tremor de terra (7.6 na escala de Richter) que destruiu quase por completo Muzaffarabad, capital de província do lado paquistanês da região de Caxemira. Rahila, de cinco anos, foi uma das vítimas dos desmoronamentos que lhe esmagaram as pernas, mas não lhe roubaram a vontade de rir. O fotógrafo dinamarquês Jan Grarup fixou essa nesga de boa-disposição no meio do cataclismo. A imagem foi agora distinguida com o UNICEF Photo of the Year, um galardão que pretende alertar para as condições em que vivem as crianças. É a segunda vez que Grarup vence este prémio.
O sismo de 1o de Agosto de 2005 matou mais de 70 mil habitantes da região de Caxemira, 18 mil dos quais eram crianças, e deixou 3,3 milhões de pessoas sem casa. Um ano depois da catástrofe, 30 mil pessoas continuavam a viver em tendas.

31 dezembro, 2006

Da pornografia das imagens


João Lopes assina hoje um texto, no Diário de Notícias, sobre a utilização acrítica das imagens, partindo do exemplo dado ontem com a divulgação do vídeo de Saddam Hussein a caminho do enforcamento. Vale a pena ler.


(...) vivemos num regime pornográfico das imagens em que tudo, mas mesmo tudo (incluindo a morte premeditada de um homem), é tratado como acontecimento 'normal' no interior de um fluxo de imagens que tende para a indiferença.

29 dezembro, 2006

Conhecer Brígida

Brígida Mendes


Brígida Mendes. A crítica do Público Luísa Soares de Oliveira garante no Mil Folhas de hoje (Imagens para uma biografia) que é preciso reter este nome no panorama da criação fotográfica contemporânea portuguesa. A artista, a residir em Londres, mostra actualmente em Lisboa uma série de imagens onde a encenação de personagens assume um papel central.


Brígida Mendes


Brígida Mendes
Galeria Módulo, Calçada dos Mestres, Lisboa, nº 34 A
De seg. a sáb., das 10h00 às 19h30.

28 dezembro, 2006

Douro fotográfico

Olhando as uvas para o vinho do Porto, Rio Douro. Mark Klett, Julho 1995


O mote foi a comemoração dos 250 Anos das Demarcações Pombalinas do território duriense. O Centro Português de Fotografia (CPF) juntou-se ao Museu do Douro para contar uma história da imagem fotográfica da região. As fotografias e as técnicas mais antigas de Fotografia no Douro: Arqueologia e Modernidade saíram das mãos de dois ingleses que viveram no Porto, o fotógrafo calotipista Frederick William Flower (1815-1889) e Joseph James Forrester (1809-1861), acérrimo defensor do vinho do Porto. A mostra tem o atractivo extra de dar a ver, pela primeira vez, imagens da colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior, comprada este ano pelo CPF. Para além deste espólio, há também fotografias provenientes das colecções de João Clode e Ângela Camila Castelo Branco e António Faria. Entre os fotógrafos com imagens arqueológicas contam-se nomes como, Joaquim Possidónio Narciso da Silva, Emílio Biel, Domingos Alvão, Aurélio da Paz dos Reis e Joshua Benoliel. Na fotografia mais recente, foram seleccionadas imagens de Gabriele Basilico, Bernard Plossu, Duarte Belo, José Manuel Rodrigues, entre outros. Antes de chegar ao Porto, esta mostra passou pelo Royal College of Arts de Londres, onde foi inaugurada, e pelo salão central da Comissão Europeia de Bruxelas.


Vila Nova de Gaia. Carregamento de vinho do Porto, Casa Alvão, s/d.


Fotografia no Douro: Arqueologia e Modernidade
Centro Português de Fotografia, Porto
Edifício da Cadeia da Relação, Campo Mártires da Pátria
Tel.: 222076310
E-mail: email@cpf.pt
De ter. a sex., das 15h00 às 18h00. Sáb. e dom. e fer. 15h00 às 19h00.
Entrada livre
Até 28 de Fevereiro

23 dezembro, 2006

Antologia II

João Francisco Vilhena, Digitalis mariana subsp. heywoodii (P.Silva & M. Silva) Hinz

o silêncio tem a espessura das papoulas murchas
e os objectos de barro parecem aproximar-se do sono
inclinam-se para o lado onde se situam os moinhos as ermidas os bosques diluídos
o nítido ladrar dos cães…
… que horas serão para lá desta fotografia?


Trabalhos do Olhar - 11, Al Berto, em O Medo, Contexto/Círculo de Leitores, s.l., Outubro de 1991


João Francisco Vilhena, Eryngium maritimum L.

22 dezembro, 2006


Entre aspas

Sebastião Salgado, floresta Bwindi, Uganda (Amazonas/NB Pictures)

"Havia em casa dois gatos admitidos pelo velho doutor Homem, meu pai - permitiam-se-lhes certas liberdades e eram considerados parte da família, mas nunca foram fotografados para serem incluídos na galeria ou na genealogia domésticas.
(...)
Não, não me comovem as fotografias de animais. Sei que eles existem e desejo-lhes uma vida feliz, preenchida e serena. São, bem vistas as coisas, votos mais ou menos universais."

António Sousa Homem, Em Certos Aspectos, NS` (Diário de Notícias), 11 de Novembro 2006

20 dezembro, 2006

Antologia

João Francisco Vilhena, Bellardia trixago (L.) All.

Antologia, s. f. (do lat. anthologia, ánthos, flor + lógos, tratado), tratado das flores; colecção de flores. fig. Colecção de trechos escolhidos; selecta; crestomatia; florilégio.

Depois do homem (Os Sulitários), as flores do Alentejo. João Francisco Vilhena apontou a objectiva a essa imensidão de cores e formas, seres-vivos que tantas vezes nos passam despercebidos, que outras tantas se esmagam com os pés. Paulo Barriga mergulhou nos livros para antologiar uma série de poemas de quem se deixou “enredar pelo feitiço encantatório” dos campos alentejanos.
A beleza não cabe toda num livro. Flores da Planície não tem essa pretensão. Contenta-se só com uma ínfima parte dela. A escolha, claro, “não foi fácil, nem os critérios utilizados os mais pacíficos”. Primeiro veio a “subjectivíssima” razão estética. Logo a seguir (por ordem de importância), os critérios da raridade, originalidade, singularidade e valor científico (explicado por especialistas do Departamento de Ecologia da Universidade de Évora).
Estas fotografias de Vilhena mostram como se transforma extraordinariamente a percepção da realidade quando se isolam ou descontextualizam pequenas parcelas do mundo, do real.


João Francisco Vilhena, Papaver rhoeas L.


Flores da Planície, Paulo Barriga, João Francisco Vilhena
Fundação Alentejo-Terra Mãe, Évora, 2006.
25 euros

16 dezembro, 2006

Jorge Molder X 2

Jorge Molder (Não tem que me contar seja o que for)

Convém não perder a oportunidade de ver as exposições que Jorge Molder tem actualmente em Coimbra, no Centro de Artes Visuais, e em Lisboa, na Cinemateca Portuguesa. Não é todos os dias que se tem esta abundância do fotógrafo da transfiguração.


Jorge Molder (Condições de Possibilidade)



Não tem que me contar seja o que for
Cinemateca Portuguesa
Rua Barata Salgueiro, 39, Lisboa
Tel: 213596200
E-mail: cinemateca@cinemateca.pt
Até ao fim de Dezembro

Condições de Possibilidade
Centro de Artes Visuais, Colégio das Artes, Pátio da Inquisição, 10, Coimbra
Tel: 239826178
E-mail: infocav@cav.net4b.pt
De ter. a dom., das 14h00 às 19h00
Até 28 de Janeiro

11 dezembro, 2006

Movimento

Robert Wilson, Brad Pitt


É o retrato total. De um sujeito total. Por um processo total - a videografia. É Brad Pitt.
Nos video-retratos de tamanho real de Robert Wilson o movimento e o som aliam-se à pose fotográfica para uma multiplicação finita (e circular) de imagens onde se podem isolar, pelo menos, três momentos: o primeiro (fotográfico), de pose expectante de partida; o segundo (videográfico), de pose activa; o terceiro (fotográfico), de pose expectante de retorno.
O exercício é estranho e provocatório, porque rompe com o cânone retratista. É um retrato videográfico que se move (no caso de Pitt durante 1,23 segundos); É um retrato fotográfico (por natureza estático) de interlúdio cénico que se estende no tempo e que provoca o universo da acção, ainda que de forma ténue, limitada e, neste caso, irónica.
Wilson diz que se inspirou nos retratos que Andy Warhol fazia aos que o visitavam na Factory, os Screen Tests. Mas ao contrário da desenvoltura, rapidez e baixo custo de produção dos curtos filmes do guru da pop art, os video-retratos Wilson são demorados, cénicos e super produzidos. E custam muito dinheiro: 120 mil euros. A última edição da Vanity Fair conta que cada video-retrato do artista implica, por vezes, a contratação de centenas de figurantes e, pelo menos, um dia de rodagem em dois formatos (horizontal, para ecrãs de cinema e televisão, e vertical, destinados a monitores plasma de alta definição). Para convencer a clientela (quem quer que seja) a pagar esta quantia, o artista serviu-se de uma agenda de contactos recheada de estrelas que se fizeram gravar de borla, em troca um video-retrato. As duas cópias restantes serão postas à venda em várias galerias de Nova Iorque, em Janeiro. Entre a lista de notáveis, há nomes como Winona Ryder, Sean Penn, Williem Dafoe, Isabelle Hupert, Isabella Rossellini, Steve Buscemi e Sharon Stone. Os 30 “videofotoretratos” de Robert Wilson vão poder ser vistos nas galerias Paula Cooper, Phillips de Pury & Company e Nathan A. Bernstein & Company.

Para ver o video-retrato de Brad Pitt clique aqui.

09 dezembro, 2006

*Três perguntas a...


Candida Höfer

Candida Höfer. Fotógrafa alemã que pratica o que se convencionou chamar de Nova Objectividade, corrente fundada por Bernd e Hilla Becher, professores de Höfer, que inclui ainda nomes como Thomas Ruff, Andreas Gursky ou Thomas Struth. No ano passado, o Centro Cultural de Belém desafiou-a para um grande projecto envolvendo espaços interiores de monumentos e edifícios, públicos e privados, portugueses. As 83 fotografias penduradas nas paredes do CCB mostram o resultado das quatro visitas que Höfer fez a Portugal entre Outubro de 2005 e Julho de 2006. A exposição chama-se Em Portugal.


¿Por que é que fotografa?
O que é que queria que eu fizesse? Que pintasse? (risos) Comecei a tirar fotografias porque era o suporte mais fácil para criar um trabalho.

¿O que é que tenta mostrar-nos nestas fotografias de grande formato?
Durante algum tempo eram mais pequenas, mas, à medida que foram crescendo em tamanho, foi também aumentando a sensação de estarmos dentro delas, dentro daquele espaço. Acontece a mesma coisa quando se publica um livro pequeno ou um livro grande. No caso de haver interiores, é nos livros de maiores dimensões onde nos sentimos mais dentro da situação.

¿Pretende continuar a captar espaços vazios?
Sim! (risos) Às vezes acontece haver pessoas nos espaços que quero fotografar, mas desde que não perturbem o meu trabalho não me importo que estejam lá.


Candida Höfer, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra I, 2006

 
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