“(...) vivemos num regime pornográfico das imagens em que tudo, mas mesmo tudo (incluindo a morte premeditada de um homem), é tratado como acontecimento 'normal' no interior de um fluxo de imagens que tende para a indiferença.”
31 dezembro, 2006
Da pornografia das imagens
“(...) vivemos num regime pornográfico das imagens em que tudo, mas mesmo tudo (incluindo a morte premeditada de um homem), é tratado como acontecimento 'normal' no interior de um fluxo de imagens que tende para a indiferença.”
29 dezembro, 2006
Conhecer Brígida
Brígida MendesBrígida Mendes. A crítica do Público Luísa Soares de Oliveira garante no Mil Folhas de hoje (Imagens para uma biografia) que é preciso reter este nome no panorama da criação fotográfica contemporânea portuguesa. A artista, a residir em Londres, mostra actualmente em Lisboa uma série de imagens onde a encenação de personagens assume um papel central.
Brígida MendesBrígida Mendes
Galeria Módulo, Calçada dos Mestres, Lisboa, nº 34 A
De seg. a sáb., das 10h00 às 19h30.
28 dezembro, 2006
Douro fotográfico
Olhando as uvas para o vinho do Porto, Rio Douro. Mark Klett, Julho 1995O mote foi a comemoração dos 250 Anos das Demarcações Pombalinas do território duriense. O Centro Português de Fotografia (CPF) juntou-se ao Museu do Douro para contar uma história da imagem fotográfica da região. As fotografias e as técnicas mais antigas de Fotografia no Douro: Arqueologia e Modernidade saíram das mãos de dois ingleses que viveram no Porto, o fotógrafo calotipista Frederick William Flower (1815-1889) e Joseph James Forrester (1809-1861), acérrimo defensor do vinho do Porto. A mostra tem o atractivo extra de dar a ver, pela primeira vez, imagens da colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior, comprada este ano pelo CPF. Para além deste espólio, há também fotografias provenientes das colecções de João Clode e Ângela Camila Castelo Branco e António Faria. Entre os fotógrafos com imagens arqueológicas contam-se nomes como, Joaquim Possidónio Narciso da Silva, Emílio Biel, Domingos Alvão, Aurélio da Paz dos Reis e Joshua Benoliel. Na fotografia mais recente, foram seleccionadas imagens de Gabriele Basilico, Bernard Plossu, Duarte Belo, José Manuel Rodrigues, entre outros. Antes de chegar ao Porto, esta mostra passou pelo Royal College of Arts de Londres, onde foi inaugurada, e pelo salão central da Comissão Europeia de Bruxelas.
Vila Nova de Gaia. Carregamento de vinho do Porto, Casa Alvão, s/d.Fotografia no Douro: Arqueologia e Modernidade
Centro Português de Fotografia, Porto
Edifício da Cadeia da Relação, Campo Mártires da Pátria
Tel.: 222076310
E-mail: email@cpf.pt
De ter. a sex., das 15h00 às 18h00. Sáb. e dom. e fer. 15h00 às 19h00.
Entrada livre
Até 28 de Fevereiro
23 dezembro, 2006
Antologia II
João Francisco Vilhena, Digitalis mariana subsp. heywoodii (P.Silva & M. Silva) Hinzo silêncio tem a espessura das papoulas murchas
e os objectos de barro parecem aproximar-se do sono
inclinam-se para o lado onde se situam os moinhos as ermidas os bosques diluídos
o nítido ladrar dos cães…
… que horas serão para lá desta fotografia?
João Francisco Vilhena, Eryngium maritimum L.22 dezembro, 2006
“Entre aspas”
Sebastião Salgado, floresta Bwindi, Uganda (Amazonas/NB Pictures)"Havia em casa dois gatos admitidos pelo velho doutor Homem, meu pai - permitiam-se-lhes certas liberdades e eram considerados parte da família, mas nunca foram fotografados para serem incluídos na galeria ou na genealogia domésticas.
(...)
Não, não me comovem as fotografias de animais. Sei que eles existem e desejo-lhes uma vida feliz, preenchida e serena. São, bem vistas as coisas, votos mais ou menos universais."
20 dezembro, 2006
Antologia
João Francisco Vilhena, Bellardia trixago (L.) All.Antologia, s. f. (do lat. anthologia, ánthos, flor + lógos, tratado), tratado das flores; colecção de flores. fig. Colecção de trechos escolhidos; selecta; crestomatia; florilégio.
Depois do homem (Os Sulitários), as flores do Alentejo. João Francisco Vilhena apontou a objectiva a essa imensidão de cores e formas, seres-vivos que tantas vezes nos passam despercebidos, que outras tantas se esmagam com os pés. Paulo Barriga mergulhou nos livros para antologiar uma série de poemas de quem se deixou “enredar pelo feitiço encantatório” dos campos alentejanos.
A beleza não cabe toda num livro. Flores da Planície não tem essa pretensão. Contenta-se só com uma ínfima parte dela. A escolha, claro, “não foi fácil, nem os critérios utilizados os mais pacíficos”. Primeiro veio a “subjectivíssima” razão estética. Logo a seguir (por ordem de importância), os critérios da raridade, originalidade, singularidade e valor científico (explicado por especialistas do Departamento de Ecologia da Universidade de Évora).
Estas fotografias de Vilhena mostram como se transforma extraordinariamente a percepção da realidade quando se isolam ou descontextualizam pequenas parcelas do mundo, do real.
João Francisco Vilhena, Papaver rhoeas L.Flores da Planície, Paulo Barriga, João Francisco Vilhena
Fundação Alentejo-Terra Mãe, Évora, 2006.
25 euros
16 dezembro, 2006
Jorge Molder X 2
Jorge Molder (Não tem que me contar seja o que for)Convém não perder a oportunidade de ver as exposições que Jorge Molder tem actualmente em Coimbra, no Centro de Artes Visuais, e em Lisboa, na Cinemateca Portuguesa. Não é todos os dias que se tem esta abundância do fotógrafo da transfiguração.
Jorge Molder (Condições de Possibilidade)Não tem que me contar seja o que for
Cinemateca Portuguesa
Rua Barata Salgueiro, 39, Lisboa
Tel: 213596200
E-mail: cinemateca@cinemateca.pt
Até ao fim de Dezembro
Condições de Possibilidade
Centro de Artes Visuais, Colégio das Artes, Pátio da Inquisição, 10, Coimbra
Tel: 239826178
E-mail: infocav@cav.net4b.pt
De ter. a dom., das 14h00 às 19h00
Até 28 de Janeiro
11 dezembro, 2006
Movimento
Robert Wilson, Brad Pitt
É o retrato total. De um sujeito total. Por um processo total - a videografia. É Brad Pitt.
Nos video-retratos de tamanho real de Robert Wilson o movimento e o som aliam-se à pose fotográfica para uma multiplicação finita (e circular) de imagens onde se podem isolar, pelo menos, três momentos: o primeiro (fotográfico), de pose expectante de partida; o segundo (videográfico), de pose activa; o terceiro (fotográfico), de pose expectante de retorno.
O exercício é estranho e provocatório, porque rompe com o cânone retratista. É um retrato videográfico que se move (no caso de Pitt durante 1,23 segundos); É um retrato fotográfico (por natureza estático) de interlúdio cénico que se estende no tempo e que provoca o universo da acção, ainda que de forma ténue, limitada e, neste caso, irónica.
Wilson diz que se inspirou nos retratos que Andy Warhol fazia aos que o visitavam na Factory, os Screen Tests. Mas ao contrário da desenvoltura, rapidez e baixo custo de produção dos curtos filmes do guru da pop art, os video-retratos Wilson são demorados, cénicos e super produzidos. E custam muito dinheiro: 120 mil euros. A última edição da Vanity Fair conta que cada video-retrato do artista implica, por vezes, a contratação de centenas de figurantes e, pelo menos, um dia de rodagem em dois formatos (horizontal, para ecrãs de cinema e televisão, e vertical, destinados a monitores plasma de alta definição). Para convencer a clientela (quem quer que seja) a pagar esta quantia, o artista serviu-se de uma agenda de contactos recheada de estrelas que se fizeram gravar de borla, em troca um video-retrato. As duas cópias restantes serão postas à venda em várias galerias de Nova Iorque, em Janeiro. Entre a lista de notáveis, há nomes como Winona Ryder, Sean Penn, Williem Dafoe, Isabelle Hupert, Isabella Rossellini, Steve Buscemi e Sharon Stone. Os 30 “videofotoretratos” de Robert Wilson vão poder ser vistos nas galerias Paula Cooper, Phillips de Pury & Company e Nathan A. Bernstein & Company.
Para ver o video-retrato de Brad Pitt clique aqui.
09 dezembro, 2006
*Três perguntas a...
Candida HöferCandida Höfer. Fotógrafa alemã que pratica o que se convencionou chamar de Nova Objectividade, corrente fundada por Bernd e Hilla Becher, professores de Höfer, que inclui ainda nomes como Thomas Ruff, Andreas Gursky ou Thomas Struth. No ano passado, o Centro Cultural de Belém desafiou-a para um grande projecto envolvendo espaços interiores de monumentos e edifícios, públicos e privados, portugueses. As 83 fotografias penduradas nas paredes do CCB mostram o resultado das quatro visitas que Höfer fez a Portugal entre Outubro de 2005 e Julho de 2006. A exposição chama-se Em Portugal.
¿Por que é que fotografa?
O que é que queria que eu fizesse? Que pintasse? (risos) Comecei a tirar fotografias porque era o suporte mais fácil para criar um trabalho.
¿O que é que tenta mostrar-nos nestas fotografias de grande formato?
Durante algum tempo eram mais pequenas, mas, à medida que foram crescendo em tamanho, foi também aumentando a sensação de estarmos dentro delas, dentro daquele espaço. Acontece a mesma coisa quando se publica um livro pequeno ou um livro grande. No caso de haver interiores, é nos livros de maiores dimensões onde nos sentimos mais dentro da situação.
¿Pretende continuar a captar espaços vazios?
Sim! (risos) Às vezes acontece haver pessoas nos espaços que quero fotografar, mas desde que não perturbem o meu trabalho não me importo que estejam lá.
Candida Höfer, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra I, 200608 dezembro, 2006
Tirar do escuro
Murmúrios do Tempo, Centro Português de Fotografia
Os catálogos de exposições e os (poucos) livros de fotografia editados em Portugal são, regra geral, caros. Quem os manda fazer prefere-os empilhados em armazéns a ganhar pó do que vendê-los a preços acessíveis. É uma espécie de cura do sono, até que alguém decide trazê-los à vida, que é como quem diz trazê-los à vista para deleite dos que decidem ficar com eles. Quando começam a brilhar as luzinhas em homenagem ao Menino, eis que várias instituições do país têm a feliz ideia de poupar uns metros quadrados de espaço reduzindo de forma significativa o preço das suas edições.
Estas foram as minhas últimas compras:
*Revelar Coimbra, Os Inícios da Imagem Fotográfica em Coimbra, 1842-1900. Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra, 2001. 7,50 euros (Museu Nacional Soares dos Reis);
*Os Putos, Fotografias de João Martins. Instituto Português de Museus, 1999. 5,00 euros (Museu Nacional Soares dos Reis);
*Paulo Nozolino, 1989-1990. FotoPorto-Bienal de Fotografia, Fundação de Serralves, Porto, 1990. 5,00 euros. (Fundação de Serralves);
*Neal Slavin, Portugal, 1968. FotoPorto-Bienal de Fotografia, Fundação de Serralves, Porto, 1990. 10,00 euros. (Fundação de Serralves);
*Murmúrios do Tempo. Centro Português de Fotografia, Porto, 1997. 5,00 euros (Centro Português de Fotografia);
*Gerhard Richter, Uma Colecção Privada. Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa, 2004. 7,50 euros. (Museu Nacional Soares dos Reis).
Gerhard Richter, Museu do Chiado04 dezembro, 2006
Guia de ver

As Edições 70 inauguraram uma nova colecção sobre imagem intitulada Construção do Olhar. O primeiro ensaio da nova série, coordenada por José Carlos Abrantes, chama-se A Fábrica do Olhar – Imagens de Ciência e Aparelhos de Visão (século XV-XX), de Monique Sicard. Este texto foi publicado originalmente pela editora francesa Odile Jacob, na colecção Champ Médiologique que reuniu vários ensaios em torno da ideia de mediologia, conceito construído por Régis Debray, na obra Pouvoir Intelectuel en France (1979), que pretende fazer uma análise transversal de todos os media retirando protagonismo aos media de actualidade. Nest’ A Fábrica do Olhar, Sicard debruça-se sobre tempos idos, mas dá constantemente relevo à modernidade. Dá importância às técnicas que fabricam imagens sem esquecer a dimensão social que, em cada momento histórico, tais imagens assumem. (...) Mostra como certas imagens surgiram e esclarece os seus processos de fabrico e difusão. O livro está dividido em três núcleos fundamentais. O primeiro (A Gravura) vai do Olhar Nu de Leonardo da Vinci e Bernard Palissy até ao Realismo dos Corpos de Jacques Fabien Gautier d´Agoty. O segundo (A Fotografia) vai desde as Legitimações de François Arago às vistas aéreas tiradas entre 1914 a 1944. O terceiro (A Imagiologia) começa nas Radiografias de Antoine Béclère à Globalização do Olhar com a sonda Pathfinder.
Monique Sicard é investigadora do Centre National de Recherche Scientifique e publicou vários livros sobre imagem e fotografia. Fez também documentários para televisão.
“(...) publicar palavras sobre as imagens, os olhares, os ecrãs, os modos de as fabricar, de as ler e usar. Palavras que possam ser contributos para construir o olhar, para nos revelar modos de ver. Palavras que se ambiciona nos ajudem a não perecer num tsunami de imagens: as imagens, sem palavras e sem outras formas de apropriação e expressão, podem ter efeitos devastadores.”
A Fábrica do Olhar – Imagens de Ciência e Aparelhos de Visão (século XV-XX), Monique Sicard.
Colecção Construção do Olhar, Edições 70, Lisboa, 2006.
29 novembro, 2006
“Entre aspas”
“O homem que levantou quatro paredes e sobre elas colocou um tecto, criou o vazio. Para existir (existir?), o vazio necessita que alguma coisa o limite, pela óbvia razão de que são os limites que dão forma ao vazio, que o encerram, que não o deixam escapar-se. Por outras palavras ainda: derrubem-se as paredes e o tecto de uma casa, de um teatro, de uma igreja, e o vazio desaparecerá. O mundo, poroso pela sua estrutura molecular, é-o também na sequência interminável dessa outra espécie de células que são os edifícios, onde a estabilidade do vazio é constantemente perturbada e interrompida pelas presenças humanas. Ao vazio não lhe importam móveis, objectos ou decorações, quaisquer que sejam. Assimila-os e neutraliza-os no mesmo instante em que são colocados no espaço que ocupa. Mas que uma só pessoa se vá sentar, por exemplo, na cadeira de um cinema, e já passa a ser impossível falar de vazio.
Não haverá ali mais que um espectador, mas o cinema deixou de estar vazio. E não teria qualquer sentido dizer que está “quase vazio” porque um estado de “quase vazio” é coisa que, em rigor, não existe. O vazio não contemporiza: ou é, ou não é. E, tanto num caso como
no outro, absolutamente.
Ao decidir fotografar interiores de alguns dos nossos edifícios mais conhecidos e emblemáticos, Candida Höfer não pretendeu juntar umas quantas imagens à colecção de milhares de bilhetes postais de que já dispomos. Queria, sim, capturar o vazio, imobilizá-lo, torná-lo visível. Tarefa impossível numa fotografia de dimensões habituais, por assim dizer domésticas, em que somente seríamos capazes de perceber o que se encontrava no espaço fotografado, e nunca o ambicionado vazio. Como fazê-lo então aparecer?
Só haveria uma maneira, e Candida Höfer descobriu-a ampliando a imagem, provavelmente por meio de ensaios sucessivos, mais, mais, mais, até encontrar o que procurava. E, de repente, aí estava ele, o vazio. Um vazio de que o observador terá o cuidado de não se aproximar demasiado, sob pena de fazê-lo desaparecer (já sabemos que vazio e presença humana são inconciliáveis…). Um vazio que, se é permitida uma contribuição da minha parte, se nos apresenta acompanhado por algo em que Candida Höfer talvez não haja pensado (ela o dirá): o silêncio. Não há novidade nenhuma em dizer que toda a fotografia é silenciosa, mas nestas imagens gigantescas o silêncio serve-se do vazio para se tornar mais profundo, do mesmo passo que o vazio se serve do silêncio para se tornar, agora sim, absoluto. O vazio, o silêncio.”
Shelley Rice, autora de um dos textos do catálogo da primeira grande exposição de Candida Höfer em Portugal, dá hoje (às 17h00) uma conferência sobre a obra da fotógrafa alemã na sala polivalente do Centro de exposições do CCB (entrada livre).
Rice é Professora Associada de Arte na Universidade de Nova Iorque, curadora de Deconstruction/Reconstruction (The New Museum, 1980) e Inverted Odysseys (University Grey Art Gallery, 1999-2000), e autora de várias publicações sobre fotografia como Inverted Odysseys: Claude Cahun, Maya Deren and Cindy Sherman ou Parisian Views ou co-autora de obras de referência como A New History of Photography, Álbum De Franca e Sandi Felldman: Sometimes with Shadows. O texto publicado no catálogo da exposição Candida Höfer chama-se Depth, Contained (Profundidade, Contida).
27 novembro, 2006
À venda 2 - o que foi

Já lá vão alguns dias sobre o segundo leilão de fotografia em Portugal, mas, ainda assim, julgo que vale a pena fazer um apanhado do que se passou no CCB.
Depois do efeito novidade e do entusiasmo gerados à volta do primeiro leilão de fotografia (1 de Junho), a segunda venda, apenas cinco meses depois, serviria, sobretudo, para perceber se existem de facto compradores para imagens antigas em Portugal. O leilão de 9 de Novembro mostrou que sim, mas deixou alguns sinais que devem ser considerados pela organização, a cargo da Potássio 4 e da Livraria Campos Trindade: os compradores sabem o que estão a comprar; alguns lotes apresentados como estrelas do leilão foram retirados de praça porque tinham preços demasiado elevados; a exigência com o estado de conservação dos lotes - havia algumas imagens em mau estado ou em muito mau estado - deverá ser cada vez maior; a quantidade de lotes envolvidos neste leilão fez com que a venda se transformasse numa maratona demasiado longa e por vezes demasiado frenética, prejudicando raciocínios mais lentos, sobretudo por parte daqueles que não tiveram oportunidade de ver os lotes antes do leilão; o fraco interesse manifestado pelos poucos lotes de fotografia contemporânea na praça mostra que um eventual leilão centrado em imagens mais recentes deve ter um elevado grau de exigência em relação à qualidade estética ou à importância histórica dessas imagens.
A percentagem de lotes vendidos, 62 por cento, é um sinal, ainda que tímido, de que afinal existe um grupo de interessados disposto a comprar fotografia de forma sistemática. Em 400 lotes foram retirados 149, o que não deixa de ser um bom indicador para vendas futuras.
Quanto à organização, este segundo leilão revelou nítidos progressos, como a projecção em tela gigante das imagens em praça, que só por uma ou duas vezes falhou, ou a entrega mais eficaz e organizada dos lotes vendidos.
Uma surpresa: Portugal 1934Surpresas
ESTEREOSCOPIA
Lote 11 (vista da Rua Augusta, Lisboa, cerca de 1900)
Preço: 15 euros (preço de venda 55 euros)
Lote 12 (desfile militar em Lisboa, cerca de 1890)
Preço: 15 euros (preço de venda 45 euros)
Os preços iniciais destas duas vistas estereoscópicas foram largamente ultrapassados por um motivo óbvio: todas as imagens de ruas que sofreram mudanças significativas no decorrer dos anos ganham um duplo valor histórico.
ÁLBUNS DE VIAGENS E OUTROS
Lote 49 (álbum de África com o monograma do rei D. Carlos (RCA, ?), cerca de 1890)
Preço: 750 euros (preço de venda 1100 euros)
As fotografias de África do século XIX são sempre imagens a ter conta. O facto de existir a possibilidade deste álbum ter pertencido ao rei D. Carlos dava-lhe um valor acrescido que se veio a confirmar na altura de levantar as placas na sala.
MONARQUIA
Lote 57 (desembarque da rainha D. Maria Pia no terreiro do Paço a 6 de Outubro de 1862)
Preço: 90 euros (preço de venda 260 euros)
É o caso de uma imagem valorizada essencialmente pelo seu carácter histórico, em contraponto com o mau estado de conservação em que se encontra. Foi a protagonista da primeira grande série de licitações da noite.
ARTES E ARTISTAS
Lote 265 (Fernando Pessoa aos 10 anos, 1898)
Preço: 800 euros (preço de venda 8500 euros)
Foi a fotografia que animou o leilão que até este lote não tinha tido ainda uma disputa tão surpreendente. O preço final desta carte-de-visite, arrematada por um alfarrabista de Lisboa, constitui um recorde para venda de fotografias em Portugal.
LIVROS E EDIÇÕES
Lote 376 (Portugal 1934)
Preço: 300 euros (preço de venda: 1375 euros)
É uma obra essencial para se perceber o uso da fotografia e da fotomontagem pela máquina do Estado Novo que, à data de publicação desta folhetim de propaganda nacionalista e imperialista, tinha acabado de contratar o antigo jornalista do Diário de Notícias António Ferro para liderar o Secretariado de Propaganda Nacional.
Lote 380 (Images Portugaises)
Preço: 30 euros (preço de venda: 140 euros)
Outra edição do período do Estado Novo alvo de grande interesse. A maior parte das imagens reproduzidas no livro são da autoria de Horácio Novais, um dos colaboradores mais assíduos do SPN e mais tarde do SNI.
Uma desilusão: álbum dos Jogos Olímpicos de Berlim, 1936Desilusões
DAGUERREÓTIPOS, AMBRÓTIPOS E FERRÓTIPOS
Lotes de 1 a 10 (retratos, várias datas)
Preço: (vários preços)
O leilão começou com a venda de daguerreótipos e começou mal. Seguiram-se outros processos da infância da fotografia, mas os lotes foram sendo devolvidos à procedência. As peças que foram levadas à praça tinham de facto pouco interesse para os coleccionadores portugueses. Apenas o lote 1, que foi vendido à posteriori, retratava portugueses.
ÁLBUNS DE VIAGEM E OUTROS
Lote 45 (álbum dos Jogos Olímpicos de Berlim, 1936)
Preço: 400 euros (preço de venda 220 euros)
Foi apresentado como uma das estrelas do leilão, mas o interesse na sala acabou por não se verificar. O pregoeiro viu-se obrigado a baixar o preço-base para metade para que alguém levantasse a placa.
Lote 50 (álbum com várias vistas de cidades europeias, cerca de 1880)
Preço: 1000 euros (retirado)
É um lote que reunia várias condições para que os compradores fizessem as suas propostas, não fosse um pormenor a eclipsar essas mais-valias: o preço. Foi o primeiro lote de vulto a ser retirado de praça.
MONARQUIA
Lote 64 (rainha D. Amélia com os príncipes D. Luís Filipe, D. Manuel e respectiva comitiva no Egipto)
Preço: 1500 euros (retirada)
O pregoeiro até baixou 500 euros ao preço inicial, mas o registo da viagem da rainha e do seu séquito ao Egipto não suscitou a mínima reacção por parte dos compradores. Para além de bem documentada, a fotografia apresentava um estado de conservação excepcional. Argumentos que não convenceram.
CARLOS RELVAS E MARIANA RELVAS
Lote 70 (retrato de Mariana Relvas e Carlos Relvas)
Preço: 600 euros (retirada)
O que se passou no primeiro leilão com uma fotografia de Carlos Relvas (escolhida para capa do catálogo do leilão) fazia antever o pior para o conjunto de imagens do fotógrafo da Golegã apresentadas nesta venda. No dia 1 de Junho, a paisagem ribatejana levada à praça foi vendida a custo. Neste leilão, nem os saldos oferecidos pelo pregoeiro salvaram o "amador" da lezíria que dos seis lotes em disputa (da sua autoria e de Mariana Relvas) só três foram vendidos por metade do preço-base.
PERSONALIDADES
Lote 123 (Oliveira Salazar, 1931)
Preço: 200 euros (retirada)
Era uma daquelas fotografias que à partida estaria vendida, quer pela excepcionalidade do momento captado pelo fotojornalista Ferreira da Cunha, quer pela importância histórica da imagem. Só que quando se apresentou o lote 123, ninguém disse nada. A imagem haveria de ser vendida à posteriori por 230 euros.
DESPORTO
Lotes 213 a 224
Preço: vários preços
Foi uma das apostas perdidas neste leilão. As fotografias relacionadas com temas de desporto suscitaram pouco interesse na sala. O pregoeiro tentou, outra vez, preços mais baixos do que estava estipulado no catálogo, mas nem assim os compradores decidiram levar para casa figuras como Eusébio, Coluna ou Torres.
FOTOGRAFIA DE AUTOR
Lote 295 (Saudades do Mar, de Constantino Varela Cid, 1940)
Preço: 600 euros (retirada)
Era uma das melhores fotografias do leilão. Ficou sem comprador, tal como os restantes lotes de Varela Cid.
LIVROS E EDIÇÕES
Lote 377 (álbum com várias vistas da região de Sintra)
Preço: 2000 euros (retirada)
O lote mais caro do leilão não despertou a mínima curiosidade na sala.
A Potássio 4 colocou os resultados globais deste leilão aqui.
Por dentro
Candida Höfer, Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra, 2006 (© Candida Höfer/VG Bild-Kunst Bonn)“Não tenho nenhuma visão dogmática sobre o que quero que os observadores vejam nas imagens: tenho interesses, sinto atracções, fotografo. O que significa que faço imagens. Nestas imagens o meu interesse reside nas – por assim dizer –camadas geológicas visíveis do tempo, nos vestígios das intenções iniciais e nas posteriores utilizações de espaços, de vestígios de utilizações passadas e de luz em locais construídos. ”
Em 2005, o Centro Cultural de Belém pediu à fotógrafa alemã Candida Höfer para captar imagens de interiores de edifícios públicos e privados portugueses. A revelação desse percurso pelo que está intramuros pode ser vista a partir do dia 1 de Dezembro, no CCB. O último número da newsletter photo.síntese, do Banco Espírito Santo, patrocinador da exposição, publica uma pequena entrevista com uma das discípulas Bern e Hilla Becher.
Candida Höfer, Coliseu do Porto, 2006 (© Candida Höfer/VG Bild-Kunst Bonn)
Em Portugal, Candida Höfer
Centro Cultural de Belém, Lisboa
A partir de 1 de Dezembro
24 novembro, 2006
Objectivas nos Objectivos
António Valente, produção de hortícolas com rega gota-a-gota do programa de micro-crédito da Associação Sol di Fogo, PatimAs objectivas de António Valente e Leão Lopes captaram imagens a partir de Cabo Verde sobre os Objectivos do Milénio, um conjunto de oito metas de desenvolvimento específicos, a serem atingidas até 2015, fixadas na Cimeira do Milénio da ONU, que teve lugar em Setembro de 2000. Às fotografias juntaram-se os textos de Mário Lúcio, Fátima Bettencourt, Ana Paula Tavares, Teresa Montenegro, Alexandra Lucas Coelho, Carlos Narciso, Pedro Rosa Mendes, David Gakunzi. O desenho da exposição e o grafismo do livro são da autoria de Levina Valentim.
Os Objectivos do Milénio
1 - Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome
2 - Alcançar o ensino primário universal
3 - Promover a igualdade entre os sexos
4 - Reduzir em dois terços a mortalidade infantil
5 - Reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna
6 - Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças graves
7 - Garantir a sustentabilidade ambiental
8 - Criar uma parceria mundial para o desenvolvimento
“Uma exposição fotográfica e um livro também para relembrar a responsabilidade
comum de estancar a violação insuportável da dignidade: o direito a um mínimo
de bem-estar, à educação, à igualdade de oportunidades, à maternidade e
nascimento saudáveis, ao tratamento de doenças como o Sida ou a malária, ao
acesso à água e ao equilíbrio ambiental, às tecnologias e ao trabalho digno para
os jovens. Sem discriminações. Sem fronteiras.”
Leão Lopes, construção de diques, AssociaçãoValverde e Organização das Associações de Desenvolvimento da Ilhas de Santo Antão, Ribeira da Torre
A Partilha do Indivisível
Imagens dos Objectivos do Milénio a partir de Cabo Verde
Iniciativa da ACEP (Associação para a Cooperação entre os Povos) com a colaboração do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
R. da Palma, 246
Tel: 218 844 060
E-mail: arqmun.fotografico@cm-lisboa.pt
De seg. a sex., das 10h00 às 19h00 (última entrada às 18. 30h)
Krassowski na K
Witold Krassowski, after-images of PolandPara além da experiência no workshop Contar Histórias Através de Imagens (1 e 2 de Dezembro), o polaco Witold Krassowski traz à [Kgaleria] uma amostra do seu trabalho.
Witold Krassowski Nasceu na Polónia em 1956. Trabalha como freelancer e é representado pela agência EK Pictures. Em Novembro deste ano foi um dos masters da World Press Photo Joop Swart Master Class.
Witold Krassowski, after-images of PolandWitold Krassowski, After-images of Poland
[Kgaleria]
Rua da Vinha, 43 A (Bairro Alto)
Tel.: 213 431 676/969 590 169
E-mail: kgaleria@kameraphoto.com
Até 27 de Janeiro
23 novembro, 2006
*Três perguntas a...
Daniel Barroca, fotografia anónima encontrada na rua, sem dataDaniel Barroca. Artista plástico de Lisboa. Expõe actualmente na Galeria Baginski a série de vídeos Vazio e um conjunto de desenhos. Os três vídeos apresentados foram captados em locais distintos e privilegiam a saturação digital criada pelo zoom, pelo desfoque e pela manipulação de cor e velocidade.
Texto de apresentação da exposição em pdf.
¿Acredita na capacidade das imagens para “invocar” o que “não tem nome e que é vital”?
É uma coisa muito religiosa. Há uma necessidade de que isso seja possível. Continuamos a ter necessidade de ter uma vida espiritual.
¿Que critérios usa para perceber que as imagens lhe estão a mostrar aquilo que nunca se viu?
Não sei se nunca se viram. Eu é que nunca as vi. Tem a ver com a utilização da imagem para ir percebendo como é que se formou a minha sensibilidade, como a influência da fotografia, ou das coisas exteriores a nós, aquelas que nos vão ensinando a olhar para o mundo (e a fotografia é importante quando falamos sobre isso, porque é um suporte que nos vai enquadrando o olhar, nos vai formando a sensibilidade, tal como a televisão e o cinema o fazem). No meu trabalho uso as imagens para perceber como é que isso funciona sobre mim e para encontrar uma espécie de vias de escape, uma brecha nesse cenário. Agarro nas imagens para perceber como é que elas se posicionam, como é que elas são. Para perceber como é que elas agem sobre mim e como é que eu posso agir sobre elas. Uma imagem que me satisfaz é aquela que tem a capacidade de me revelar alguma coisa que eu não sabia. E aí estou a dar e receber ao mesmo tempo.
¿Que suporte melhor se adapta a esta tentativa de mostrar “as coisas concretas da vida”?
É pelo desenho. Muito contaminado pelo olhar da fotografia. Não procuro uma forma de lidar com isso muito racional. O desenho é uma coisa que acontece muito naquele momento não é uma coisa muito planeada. Não tem a ver com fazer imagens ou vídeo e depois editá-las e conviver com elas muito tempo. O desenho é uma coisa muito mais imediata. Tem um imediatismo muito diferente da fotografia, mas quando falo do imediatismo no desenho estou a considerar a fotografia nessa relação.
Daniel Barroca, Vazio #3 (film still), dv, cor, stereo, 6`40, 2006Vazio, Daniel Barroca
Galeria Baginski, R. da Imprensa Nacional, nº 41, c/v esq.
De ter. a sáb., das 14h00 às 18h00
Até 21 de Dezembro
22 novembro, 2006
Remexer
Annie Leibovitz, Susan at the house on Hedges Lane, Wainscott, Long Island, 1988“Going through my pictures to put this book together was like being on an archaeological dig.”
Logo depois da morte de Susan Sontag, em Dezembro de 2004, Annie Leibovitz começou a organizar uma série de imagens da sua companheira feitas por outros fotógrafos com o objectivo de imprimir um pequeno portfolio para entregar durante o funeral. Primeiro eram para ser apenas imagens de outros, mas acabaram por entrar também imagens que Annie captou de Susan nos 15 anos que as duas viveram juntas. Esse exercício, que a fotógrafa americana chamou de escavação arqueológica, foi mais fundo do que previra e acabou por conduzi-la a um filão a que ela própria nunca tinha dado muita atenção: o seu arquivo íntimo. Nele, para além de muitas fotografias de Susan - uma das pensadoras da imagem, da política e da literatura mais importantes do último quartel do século XX - deparou-se com fotografias de toda a família em momentos de alegria e euforia, de tristeza e consternação. Registou o nascimento e deu conta do crescimento. Estava lá na morte a testemunhar o definhamento. A essas imagens de uma íntima proximidade acrescentou outras que traçaram o seu percurso como fotógrafa profissional, tanto em produções sofisticadas de retrato (Rolling Stone, Vanity Fair) como em reportagens mais cruas, como a que a levou a Sarajevo, em 2003. O resultado desse remexer no passado, que mistura o público e o privado, está em A Photographer`s Life 1990-2005, publicado recentemente pela Random House. Paralelamente ao lançamento do livro, o Brooklyn Museum organizou uma exposição onde podem ser vistas mais de 200 fotografias impressas na obra.
Annie Leibovitz, Brad Pitt, Las Vegas, 1994Brooklyn Museum
200 Eastern Parkway, Brooklyn, Nova Iorque
E-mail: information@brooklynmuseum.org
Até 21 de Janeiro de de 2007

A Photographer`s Life 1990-2005,
Annie Leibovitz
Random House, 2006.
Capa dura, 472 páginas, 58 euros.
21 novembro, 2006
“Entre aspas”
Araki Nobuyoshi, in Araki, Taschen“(...)Não se sabe de onde surgiu uma fotografia a preto e branco do japonês Araki. Era uma cara contorcida de mulher que parecia chorar. O que nela a atraía era não conseguir decifrar se era de sofrimento ou de êxtase o espectáculo revelado, porque ambos nele se confundiam. O preço não era elevado. Licitou uma e depois outra vez e outra ainda. O preço parecia decidido quando, de um canto da sala, de pé, um homem de fato de linho claro, levantou de novo a tabuleta. Ela sentiu-se ferida. Já queria a fotografia de verdade. Licitou outra vez com alguma raiva contida. O desconhecido respondeu. Entraram num despique absurdo e a certa altura Eugénia Maria levantou-se e saiu da sala devagar. Nessa noite mal conseguiu dormir a pensar na fotografia, na convulsão do prazer, no homem de fato impecável que permaneceria para sempre nada mais do que uma marioneta no seu teatro imaginado. No dia seguinte, pelas onze da manhã, o velho criado trouxe-lhe um embrulho enorme. Era a fotografia. Todas as paixões começam antes de começarem, pensou Eugénia ao recordar vivamente o acontecido. Levantou-se de um pulo e dirigiu-se para a janela por onde o mar entrava.(...)”
Pedro Paixão, A Última Duquesa, in Asfixia, Quetzal Editores, Lisboa, 2006
20 novembro, 2006
Revelações em Serralves
Bruno Ramos, Percurso (prova de cor cromogénea, 100x100 cm)Os trabalhos dos vencedores da segunda edição do BES Revelação já podem ser vistos na Casa de Serralves (Porto). Para além das obras com que foram premiados, João Serra, Nuno Maya, Bruno Ramos e Frederico Fazenda mostram outros projectos para um melhor enquadramento do seu percurso artístico até à atribuição deste galardão.
João Serra, sem título, (fotografia a cor, impressão lambda, 120x156 cm)BES Revelação
Casa de Serralves, Porto
De ter. a dom., das 10h00 às 19h00
Até 14 de Janeiro
Os limites
Samuel Kubani/EPAAna Machado escreve um texto no Público de sábado sobre algumas das conclusões do debate Direito à Imagem organizado no dia anterior na livraria Almedina. Pode ser lido aqui.
17 novembro, 2006
Contar histórias
Witold Krassowski, Winter TalesA [Kgaleria] convidou o fotógrafo polaco Witold Krassowski para orientar o workshop Contar Histórias Através de Imagens, agendado para os dias 1 e 2 de Dezembro. O primeiro dia servirá para apresentar o trabalho de Krassowski e explicar aos participantes os métodos e princípios do ensaio fotográfico. A sessão terminará com a análise de histórias fotográficas. O segundo dia de trabalho está reservado para os exercícios práticos e análise de histórias. Haverá depois uma discussão de grupo sobre as propostas apresentadas. Os participantes podem levar trabalhos antigos para exercícios práticos.
“O extraordinário no trabalho de Witold Krassowski é a sua simplicidade, uma espécie de impacto depurado. Krassowski apresenta-nos aquilo que nos é familiar de uma forma fresca e surpreendente. Procurando não colocar o seu ego entre o espectador e aquilo que está a ser mostrado dá a aparência de que o seu trabalho é muito fácil...”
Contar Histórias Através de Imagens, workshop (em inglês, sem tradução) com Witold Krassowski
1 e 2 de Dezembro, das 09h00 às 13h00
[Kgaleria]
Rua da Vinha, 43 A (Bairro Alto)
Tel.: 213 431 676/969 590 169
Email: kgaleria@kameraphoto.com
16 novembro, 2006
Para Paris
Vasco Araújo, da instalação O Que Eu Fui (2006)
Vista da exposição O Que Eu Fui, de Vasco Araújo, Galeria Filomena Soares, Lisboa (fotografia de Lúcia Conceição)
Arranca hoje a 10ª edição do Paris Photo, a feira internacional de fotografia antiga e contemporânea, uma das maiores montras mundiais da imagem fotográfica. Entre os participantes há 88 galerias e 18 editores, de 21 países. Portugal está representado apenas pela Galeria Filomena Soares que se estreia este ano no Paris Photo.
As propostas dos expositores são muito variadas e vão desde as mostras monográficas ou colectivas às imagens raras ou inéditas. Ao todo haverá fotografias de mais 500 artistas para apreciar. As casas livreiras ligadas à fotografia, como a Phaidon, a Hatje Cantz, a Stidl ou a Taschen, são outra das apostas do certame.
Para a edição deste ano, a organização decidiu fazer um convite de honra aos países nórdicos – Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia – pela sua contribuição para a “renovação da fotografia contemporânea”. A viagem pela criação imagética nórdica pode ser feita de 3 formas: pelas 8 galerias do sector Novos Talentos que exibem trabalhos de artistas emergentes; pela exposição principal que presta homenagem a cinco mulheres fotógrafas com credenciais firmadas - Charlotte Gyllenhammar (Suécia); Ulla Jokisalo (Finlândia); Astrid Kruse Jensen (Dinamarca); Ruri (Islândia); Mette Tronvoll (Noruega); e pelo Project-Room que propõe um olhar sobre a actual criação vídeo dos países nórdicos.
A Galeria Filomena Soares optou por exibir dois artistas que representam gerações muito diferentes na contemporaneidade artística portuguesa na área da fotografia. Vasco Araújo (Lisboa, 1975) tem conhecido uma carreira fulgurante, com uma exposição individual em Gand (2005), participações nas duas últimas Bienais de Veneza e de Moscovo e obras na exposição Densidade Relativa (CAMJAP, Fundação Calouste Gulbenkian – Lisboa). Mistura vídeo, fotografia e objectos vários em instalações “barrocas e sofisticadas” para uma “reflexão dramática sobre o teatro de vaidades que são a arte e a vida”. Na instalação sonora O Que Eu Fui (2006), as fotografias de estátuas de monumentos públicos misturam-se com a voz de uma mulher que, à beira da morte, “discorre de forma crítica e irónica acerca da sua vida”. Helena Almeida (Lisboa, 1934) mostra uma Pintura Habitada (1976) composta por 14 fotografias onde moram alguns dos movimentos artísticos pelos quais a artista orienta a sua obra – conceptualismo, performance, body-art.
Entre os galeristas, destaque para a exposição Photo libris, livres de photographes da Galerie Howard Greenberg (Nova Iorque) onde se podem apreciar livros raros de fotografia, cuja edição marcou a história deste suporte como são os casos de Tokyo (1960), de William Klein, Embrace (1971), de Eiko Hosoe, A dialogue wiht solitude (1965), de Dave Heath, East 100 th Street (1966), de Bruce Davidson, ou ainda Telex: Iran: In the name of the revolution (1983), de Gilles Peres.
Helena Almeida, segunda fotografia de uma série de 14 da instalação Pintura Habitada (1976), Galeria Filomena SoaresParis Photo
Salon International pour la Photographie XIXe, Moderne et Contemporaine
Carrousel du Louvre, Paris
De 16 a 19 de Novembro
15 novembro, 2006
Debater
Imagem retirada de um perfil do site Hi5 e posteriormente usada num blog satírico
A Livraria Almedina (Saldanha, Lisboa) tem agendado para amanhã, às 19h00, um debate sobre o Direito à Imagem, integrado no ciclo Falar de Imagens organizado por José Carlos Abrantes, actual provedor do leitor do Diário de Notícias. O encontro contará com a participação do fotojornalista Adriano Miranda (Público), do advogado Francisco Teixeira da Mota e do jornalista Pedro Ornelas. As perguntas a que o debate se propõe responder são:
¿O que está consagrado na lei portuguesa sobre imagens?
¿Teremos direito e possibilidade de nos opormos a que outros nos transformem em imagens?
¿Em que condições temos o direito de registar e difundir as imagens do que ocorre na nossa proximidade?
14 novembro, 2006
Natureza vs Humanidade
Yannick Demmerle, da série Les Nuits Étranges, 2004 (Courtesy of Arndt & Partner)“A fotografia tem sempre a opção de manter um pé firme na realidade, mesmo que tenha o outro onde lhe apeteça.”
Blake Gopnik (Pública/Los Angeles Times)
O International Center of Photography exibe actualmente a segunda trienal de fotografia em Nova Iorque. O tema proposto para esta edição é Ecotopia. Através de imagens fotográficas, vídeos e imagens web, umas mais realistas e directas, outras ficcionais e lúdicas, 40 artistas tentam mostrar as feridas abertas pela humanidade na natureza. A última edição da revista Pública traz um ensaio de Blake Gopnik (Los Angeles Times) acerca de alguns trabalhos mostrados.
Mitch Epstein, Amos Power Plant, Raymond, West Virginia, 2004 (Courtesy of Sikkema Jenkins & Co.)Ecotopia
International Center of Photography
Avenue of the Americas, 43rd Street, Nova Iorque
Tel.: 212-857-0000
Email: exhibitions@icp.org
Até 7 de Janeiro
13 novembro, 2006
Para lá do mar
(© Instituto Cervantes)O século XIX foi pródigo em grandes expedições político-científicas aos confins do globo. Os portugueses enviaram-nas sobretudo para África, os espanhóis para a América, do Sul e do Norte. Ao lado de instrumentos hidrográficos, físicos, meteorológicos, as máquinas fotográficas começaram também a viajar. A exposição Pacífico Inédito, 1862-1866, que actualmente pode ser vista no Centro Português de Fotografia (Porto), mostra um conjunto de imagens e objectos que estiveram na génese e constituem uma parte do resultado da chamada Expedição ao Pacífico, a derradeira expedição enviada por Espanha à América. As principais forças políticas que a promoveram queriam-na iluminista, à maneira do século XVIII. Mas os ideários românticos e nacionalistas que marcaram os Oitocentos impuseram-se. O movimento pan-hispânico pretendia garantir a manutenção da influência económica, política e cultural de Espanha não só nas antigas colónias, mas também nas regiões vizinhas sob domínio de outras forças coloniais. O itinerário que o general Pinzón levou consigo incluía passagens pelas ilhas Canárias, Cabo Verde, Brasil, Rio da Prata, Costa Patagónica, ilhas Maldivas, cabo de Fornos, Chiloé, costas chilenas e peruanas e Califórnia. Para além de quase uma centena de fotografias, Pacífico Inédito dá a ver instrumentos científicos, insectos dissecados, documentos, litografias de animais e publicações da época e actuais.

Pacífico Inédito, 1862-1866
Centro Português de Fotografia
Campo Mártires da Pátria, Porto
Tel.: 222076310
Email: email@cpf.pt
De Ter. a Sex., das 15h00 às 18h00. Sáb. Dom. e Fer., das 15h00 às 19h00
Até 29 de Dezembro
Entrada Livre
10 novembro, 2006
Recorde para Pessoa
W. B. Sherwood, Durban. Papel directo, formato carte-de-visite(frente)Foi a imagem da noite.
A fotografia que Fernando Pessoa tirou em Durban, na África do Sul, quando tinha 10 anos, foi vendida a um alfarrabista por 8500 euros, tornando-se na imagem mais cara alguma vez vendida num leilão em Portugal. O lote 265 tinha um preço-base de 800 euros, mas o pregoeiro começou com uma proposta que chegou à mesa de 5000 euros. A partir daí foi sempre a subir. A outra carte-de-visite de Pessoa colocada em praça (um retrato do atelier Camacho, de Lisboa), captada quando o poeta tinha cerca de 3 anos, foi arrematada por 460 euros (o preço-base era de 300). Fica prometido um post com o balanço do segundo leilão de fotografia para os próximos dias.
W. B. Sherwood, Durban. Papel directo, formato carte-de-visite (verso)09 novembro, 2006
Discutir
Galeria Baginski, dedicada à fotografia (Gabinete de Imprensa da FIL)
A ArteLisboa em colaboração com a revista online Arte Capital organizou uma série de debates para os dias em que vai durar a feira. Amanhã, às 19h45, o tema proposto é Fotografia: políticas e práticas.
A discussão vai ser coordenada por José Maçãs de Carvalho e conta com os depoimentos de Alexandre Pomar, Delfim Sardo, Horacio Fernández, João Mário Grilo, Pedro Letria e Rui Prata.
ArteLisboa, Feira de Arte Contemporânea
FIL, Parque das Nações
Das 16h00 às 22h00
Até 13 de Novembro
08 novembro, 2006
*Três perguntas a...
Lote 339. Rica mulher Gentia, fotógrafo não identificado, Goa, finais do séc. XIX, albumina (14x18 cm.)Luís Trindade e Bernardo Trindade. Os primos Trindade têm o negócio das antiguidades no sangue. Luís abriu a Potássio 4, dedicada à conservação e restauro, Bernardo segue as pisadas do pai na livraria Campos Trindade, especializada em obras antigas, mapas e gravuras. Os dois assumiram em Junho deste ano a responsabilidade de organizar pela primeira vez um leilão de fotografia em Portugal. O segundo está marcado para amanhã.
¿Por que é que decidiram fazer este leilão agora quando passaram apenas 4 meses da primeira venda de fotografia organizada em Portugal?
Luís Trindade - Este leilão já estava a ser organizado antes do 1º leilão de Junho. Sempre acreditamos que era um projecto para ficar. Achamos que era importante melhorar rapidamente alguns aspectos que tinham ficado aquém do que pretendíamos.
Bernardo Trindade - Vimo-nos a braços com a recepção de muitos lotes e espólios particulares para futuros leilões, talvez devido à grande visibilidade que o leilão teve por parte da imprensa. Nota-se também um capital de confiança, que penso termos conquistado com a boa organização do leilão (não renegando alguns aspectos a melhorar) e também com a boa percentagem de lotes vendidos.
¿Acreditam que se podem consolidar os leilões de fotografia em Portugal?
LT - Sim. Além destes leilões estamos já a explorar outras áreas. É esperar para ver…
BT - Não só acredito, como tenho a certeza que este caminho que nós tomámos veio fazer renascer o interesse já existente na área da fotografia com que todos os dias deparo na minha livraria alfarrabista. Foi também curioso ver no primeiro leilão o aparecimento de potenciais futuros coleccionadores, pessoas esclarecidas, que sabiam exactamente aquilo que queriam comprar, e que não tinham ainda aparecido no percurso “tradicional” do comércio de fotografia antiga dos alfarrabistas e antiquários. É perfeitamente possível realizar 3 leilões de fotografia por ano no nosso país.
¿O catálogo do próximo leilão já está a ser organizado? Haverá mais fotografia contemporânea?
LT - Sim, já está a ser organizado. Já temos confirmados alguns fotógrafos contemporâneos e fotojornalistas para os próximos leilões. Continuamos a receber propostas até Dezembro.
BT - Temos recebido muitos lotes nestes últimos tempos e o que posso dizer é que estamos a ser muito mais exigentes na qualidade dos lotes a ir à praça. A fotografia contemporânea vai estar bem representada no 3º leilão, a realizar no próximo ano.





