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26 janeiro, 2010

entre aspas

Bruce Gilden, Haiti, Port au Prince, worker in La Saline, 1989
© Bruce Gilden/Magnum Photos

I'm known for taking pictures very close, and the older I get, the closer I get.

Bruce Gilden, in Magnum Photos Featured Photographer

21 dezembro, 2009

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Girl in bus and figures in street during snowstorm, Nova Iorque, EUA, 1967
© Erich Hartmann/Magnum Photos

A large portion of my work is concerned with people because people are the most inventive and news-making part of our lives. Yet I am as much attracted to the evidence of their presence and efforts, whether good or evil, as I am to the people themselves.

Erich Hartmann, in Magnum Photos Featured Photographer

06 dezembro, 2009

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Edouard Boubat, Lella, Bretagne, 1948

No es comparable la sensualidad de esse momento robado a una mujer normal que el artificio de una modelo que posa para la cámara de un fotógrafo. !Cuánto disfrutaría un fotógrafo o un pintor si pudiera moverse invisible entre todas estas mujeres despojadas de los adjetivos que proporciona la ropa! Cuánto disfrutaría cualquer amante de las mujeres si pudiera estudiar el cuerpo humano en todas as edades de la vida.


Elvira Lindo, Mujeres desnudas, El País, 15.11.2009

01 dezembro, 2009

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E em redor da mesa os jovens judeus olham primeiro atentamente para a disposição dos alimentos, e comem depois - como quem ouve. Pensam estar a comer, mas estão a aprender. E tal parece ser uma boa forma de olhar para as refeições do quotidiano. Em vez de um meio, um objectivo. Comer é ser ensinado. E mais importante ainda: é manter a memória. -Come esta refeição para não esqueceres os teus bisavós. Como se esta fosse um outra maneira de ver um álbum de fotografias antigo; fotografias que mostram familiares que os mais novos não chegaram a conhecer.

Gonçalo M. Tavares, Da minha janela subjectiva, Visão, 26.11.2009

22 novembro, 2009

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Como eram essas casas?
Eram sombrias, com corredores compridos, cortinas corridas, pianos e fotografias de mortos.


António Lobo Antunes, em entrevista a Sara Belo Luís, Visão, 8.11.2009

05 novembro, 2009

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Man Ray, Rayography Film strip & sphere, 1922
© Man Ray Trust

O ajudante de farmácia pediu para falar com o senhor doutor, gostaria que o senhor doutor lhe dissesse se tinha, sobre a doença, uma opinião formada, Não creio que se lhe possa chamar, em sentido próprio, uma doença, começou por precisar o médico, e depois, simplificando muito, resumiu o que investigara nos livros antes de ter cegado. Algumas camas adiante, o motorista escutava com atenção, e quando o médico terminou o seu relato, disse de lá, Aposto que o que sucedeu foi terem-se entupido os canais que vão dos olhos até aos miolos, Forte besta, resmungou indignado o ajudante de farmácia, Quem sabe, o médico sorriu sem querer, na verdade os olhos não são mais do que umas lentes, umas objectivas, o cérebro é que realmente vê, tal como na película a imagem aparece (...)

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago

26 outubro, 2009

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László Moholy-Nagy, Photogram, 1928

Levantou-se com cuidado, às apalpadelas procurou e enfiou o roupão, entrou na casa de banho e urinou. Depois virou-se para onde sabia que estava o espelho, desta vez não perguntou Que será isto, não disse Há mil razões para que o cérebro humano se feche, só estendeu as mãos até tocar o vidro, sabia que a sua imagem estava ali a olhá-lo, a imagem via-o a ele, ele não via a imagem.

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago

16 outubro, 2009

entre aspas

© Time Inc.

Devo dizer-te que pressenti o que estava para acontecer; ou melhor, percebi que estava para acontecer qualquer coisa, que não ia exactamente favorecer os intentos da Eve e, por isso, não fiquei tão espantado como a minha filha. A Lorraine irrompeu em lágrimas, a Doris disse 'Saia desta casa', e o Ira e eu levantámos a Eve do chão, levámo-la para o patamar e depois pela escada abaixo, e conduzimo-la à estação de Penn. O Ira ia sentado à frente, ao meu lado, e ela ia sentada atrás como se esquecida de tudo o que se tinha passado. Durante o trajecto para a estação conservou sempre o mesmo sorriso, o que fazia para as câmaras, e por baixo daquele sorriso não existia absolutamente nada, nem a sua personalidade, nem a sua história, nem sequer a sua infelicidade. Ela era apenas o que tinha estampado no rosto. Não estava sequer sozinha. Não havia ninguém para estar sozinha. Fossem quais fossem as origens vergonhosas de que tinha passado a vida a fugir, o resultado tinha sido este: alguém de quem a própria vida tinha fugido.

Casei com um Comunista, Philip Roth

07 outubro, 2009

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Scarlett Johansson & Dita von Teese, editorial para a revista Flaunt

- Sendo como é, a Eve aceita todas as extravagâncias do tipo, alinha em todas as suas loucuras, chega mesmo a ser apanhada por elas. Às vezes, quando a Eve desatava a chorar sem mais nem menos e o Ira lhe perguntava porquê, ela dizia-lhe: 'As coisas que ele me obrigou a fazer... o que eu tive de fazer...' Depois de ela ter escrito aquele livro, e o casamento dela com o Ira sair escarrapachado em todos os jornais, o Ira recebeu uma carta de uma mulher de Cincinnati. Dizia que, caso ele estivesse interessado em escrever também um livrinho, talvez lhe interessasse vir conversar com ela ao Ohio. Tinha trabalhado num clube nocturno nos anos 30 como cantora e tinha sido uma das namoradas de Jumbo. Dizia que o Ira era capaz de gostar de ver umas fotografias que o Jumbo tinha tirado. Talvez ela e o Ira pudessem colaborar numas memórias conjuntas - ele providenciava as palavras, e ela, por uma quantia a combinar, seleccionava as fotografias. Na altura o Ira estava tão obcecado pela vingança que respondeu à mulher e mandou-lhe um cheque de cem dólares. Ela garantia ter duas dúzias de fotos e ele mandou-lhe os cem dólares que ela pedia só para lhe mostrar uma delas.
- E chegou a recebê-la?
- Ela falava verdade. Mandou-lhe de facto uma na volta do correio. Mas como eu não ia deixar que o meu irmão distorcesse ainda mais a ideia que as pessoas tinham do significado da sua vida, tirei-lha da mão e destruí-a. Uma estupidez. Um assomo sentimental, presumido, idiota e nada inteligente. Pôr a fotografia a circular teria sido coisa pouca em comparação com o que depois aconteceu.

Casei com um Comunista, Philip Roth

30 setembro, 2009

entre aspas

Allan Grant, actriz Maria Felix em "Juana Gallo", México, 1960
© Time Inc.


(...) Conto isto para melhor compreenderem o meu espanto quando Mãe Mocinha se pôs a falar da minha vida com detalhes que apenas eu próprio julgava conhecer. Era como se fosse eu a falar de mim, embora com a distância e a lucidez de um estranho.

-Essa mulher não está apaixonada por você - disse, referindo-se a Kianda. - Quando olhamos para um espelho, não é o espelho que vemos. O que vemos é a nossa imagem reflectida nele. Você é como um espelho para essa mulher. Ela nem sequer repara em você, filho, está apaixonada pelo próprio reflexo. Do que ela gosta é do seu deslumbramento, gosta da forma como você a vê.
(...)

Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa

22 setembro, 2009

entre aspas


© Margaret Bourke-White

- O Teiger, o Sam Teiger, proprietário do Tavern, vê a Eve e traz à nossa mesa uma garrafa de champanhe. O Ira conviado-o a beber connosco e brinda-o com a história dos seus trinta dias como empregado do Tavern em 1929, e, agora que a sua vida se transformou, toda a gente aprecia a comédia dos seus infortúnios e a ironia de o Ira lá ter voltado. Todos nós apreciamos o desportivismo com que ele encara as velhas feridas. O Teiger corre ao escritório, volta com uma máquina fotográfica e tira-nos uma fotografia durante o jantar e, mais tarde, pendura-a na sala de fumo do Tavern, ao lado das fotografias de todos os outros notáveis que por lá tinham passado. Não teria havido qualquer razão para a fotografia não ter continuado lá pendurada até o Tavern fechar, já depois de 1967, se o Ira não tivesse ido parar à lista negra dezasseis anos antes. Soube que a tiraram de um dia para o outro, como se a vida dele tivesse sido transformada em nada.

Casei com um comunista, Philip Roth, ed. Dom Quixote

17 junho, 2009

entre aspas



© Ricardo Rangel, Pausa do Estivador, Lourenço Marques, 1958

No começo, eu não sabia por que tirava certas fotos. As pessoas diziam-me: 'Tu não és preto, por que é que andas a tirar fotografias a pretos?' Comecei a tomar consciência quando as queria publicar e a censura cortava. Nada de mendigo, o gajo todo roto a pedir, o polícia a algemar o 'indígena'


Ricardo Rangel em entrevista a Luís Carlos Patraquim, Público, 30.06.1991

11 maio, 2009

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Inês Gonçalves
© Enric Vives-Rubio/Público

[Fotografar] Para mim, é um desafio. Sei que é uma invasão, mas fazer uma entrevista também é. Uma invasão interessante e boa porque, ao contrário do que se possa imaginar, é raríssimo que uma pessoa não queira mesmo ser fotografada.

Inês Gonçalves em conversa com Ana Sousa Dias, Pública, 10.05.2009

11 março, 2009


entre aspas


No concerto em Lisboa, contou que o seu marido, Fred "sonic" Smith, costumava dizer: "Tricia, acho que és meio portuguesa!"
[risos] Sim. Ele dizia que um dia eu ia acordar e começar a falar como um pescador português, porque tinha tantos livros sobre Portugal - a nossa biblioteca era um pouco antiga, com álbuns de fotografia de Portugal dos anos 30, com imensos pescadores. (...)

Patti Smith em entrevista a Kathleen Gomes, Ípsilon, 6.03.2009

23 fevereiro, 2009


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Giulio Di Sturco, Itália, Agenzia Grazia Neri, bastidores da Indian Fashion Week, Deli
© Giulio Di Sturco/Agenzia Grazia Neri

El enquadre lo es todo: en la pintura, en el cine, en la fotografia, un límite casi siempre rectangular contiene lo que vemos y al mismo tiempo sugiere lo que queda fuera, que equivale a lo que las palabras de un relato no dicen y al tiempo que hay justo antes del principio e inmediatamente después de la música. (...)

Antonio Muñoz Molina, El País, Babelia, 13.12.2008

29 janeiro, 2009


entre aspas

© Antony Hegarty


Sempre gostei de desenhar; nada de figurativo, traços, linhas, rabiscos, e de combinar isso com outras técnicas, como a fotografia.

Antony Hegarty, Ípsilon, 16.01.2009




© Antony Hegarty


»»Isis Gallery presents: Antony - The Creek

19 janeiro, 2009


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Entre as Faucherys que não foi buscar para Marijana ver está aquela que mais profundamente o atormenta. É de uma mulher e seis filhos agrupados à porta de uma cabana de lama e caniços. Quer dizer, podia ser uma mulher e seis filhos, ou a rapariga mais velha podia não ser filha coisa nenhuma, mas sim uma segunda mulher, trazida para tomar o lugar da primeira, que parece esvaziada de vida, exausta de ventre.
Todos eles mostram a mesma expressão: não hostis ao estranho com a moderna máquina de tirar retratos que um momento antes daquele momento enfiou a cabeça por baixo do pano escuro, mas assustados, paralisados, como bois no portal do matadouro. A luz incide-lhes em cheio na cara, apanha todas as manchas da pele e da roupa. Na mão que a criança mais pequena leva à boca a luz expõe aquilo que pode ser doce mas era mais provavelmente lama. Como foi possível revelar tudo aquilo com as longas exposições necessárias naquele tempo, ele nem sequer consegue imaginar.

J.M. Coetzee, O Homem Lento, D. Quixote, 2008

07 janeiro, 2009


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A máquina fotográfica com o seu poder de captar a luz e convertê-la em substância, sempre lhe pareceu um dispositivo mais metafísico do que mecânico. O seu primeiro trabalho a sério foi técnico de câmara escura; o seu maior prazer era sempre o trabalho na câmara escura. À medida que a imagem fantasma emergia sob a superfície do líquido, à medida que os veios da escuridão no papel começavam a unir-se e a tornar-se visíveis, ele experimentava por vezes um pequeno arrepio de êxtase, como se estivesse presente no dia da criação.
Foi por isso que, mais tarde, começou a perder o interesse pela fotografia: primeiro quando a cor ganhou preponderância, a seguir quando se tornou claro que que a velha magia das emulsões fotossensíveis estava a desvanecer-se, que para a geração emergente o encantamento residia numa techne de imagens sem substância, imagens que podiam surgir repentinamente através do éter sem residir em sítio algum, que podiam ser sugadas para dentro de uma máquina e emergir dela adulteradas, infiéis. Desistira então de registar o mundo em fotografias e transferira as suas energias para a conservação do passado.
Dirá alguma coisa sobre ele, essa preferência nata pelo preto e branco e matizes de cinzento, essa falta de interesse pelo novo? Seria disso que as mulheres sentiam a falta nele, em particular a sua mulher: cor, abertura?

J.M. Coetzee, O Homem Lento, D. Quixote, 2008

23 dezembro, 2008


entre aspas


- O senhor também era fotógrafo, não era Mr. Rayment?
- Sim, tive um estúdio em Unley. Durante uns tempos também dei aulas de fotografia à noite. Mas nunca fui (como é que hei-de dizer?) um artista da câmara. Fui sempre mais um técnico.
É coisa de que se peça desculpa, não ser um artista? Porque há-de pedir desculpa? Porque havia o jovem Drago de esperar que ele fosse um artista, o jovem Drago, cujo objectivo na vida é ser um técnico da guerra?

J.M. Coetzee, O Homem Lento, D. Quixote, 2008

13 dezembro, 2008


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Antoine Fauchery, Austrália, 1858, Fauchery-Daintree Album

Para ela ver, retira as fotografias de grupo que constituem o âmago da sua colecção. Para a visita do fotógrafo alguns dos mineiros vestiam o seu melhor fato domingueiro. Outros contentam-se com uma camisa lavada, com as mangas arregaçadas até cima para mostrar os braços musculosos, e talvez um lenço de pescoço lavado. Enfrentam a máquina fotográfica com a expressão de grave confiança que assomava naturalmente aos homens no tempo da Rainha Vitória, mas que agora parece ter-se sumido da face da Terra.

J.M. Coetzee, O Homem Lento, D. Quixote, 2008

 
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