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24 outubro, 2006

*Três perguntas a...


Paulo Nozolino (Paulo Pimenta/PÚBLICO)

Paulo Nozolino. Fotógrafo lisboeta a viver no Porto. Mostra actualmente na Galeria Quadrado Azul, no Porto, 15 imagens sobre as difíceis condições em que vivem dezenas de famílias ciganas na Cité de Transit d`Erbajolu, em Bastia, na Córsega. A exposição chama-se Scalati (“atolados”).

¿Por que é que ainda fotografas?
Porque ainda tenho interesse pelo mundo em que vivo.

¿O que é que aprendeste com este trabalho em Erbajolu?
É uma grande lição ver pessoas que estão a viver em condições sub-humanas a manterem uma dignidade e uma postura que muitas vezes não se vêem nas pessoas que vivem bem.

¿Que trabalhos te ocupam neste momento?
Trabalho desde há muito sobre a Europa, desde 77. Continua a interessar-me a identidade europeia. Vou continuar a ir para os países de Leste, para os países que vão entrar na União Europeia, para tentar apanhar o que é o espírito europeu, que eu sempre senti. Acho que há uma consciência europeia que esteve latente e cada vez mais surge como uma realidade. A Europa é uma Fénix a renascer das cinzas.

12 outubro, 2006

*Três perguntas a...


António Carrapato, auto-retrato, 2006

António Carrapato. Fotojornalista do Público no Alentejo. Expõe actualmente na Fundação Luso-Brasileira um conjunto de fotografias sobre o insólito e o movimento nas ruas de Nova Iorque a Cuba.

¿Por que é que fotografas?
Gosto de registar as situações caricatas da vida. De construir pequenas narrativas à volta delas.

¿Que tipo de situações privilegias quando fotografas o quotidiano da rua?
O insólito e algum humor, não muito explícito.

¿Para além do trabalho de fotojornalista, que outros projectos te ocupam agora?
A Europa neste estado de globalização em que tudo é igual em todo o lado. E um projecto sobre o facto de eu ser alentejano e o Alentejo.

António Carrapato, Cuba, 2005

24 setembro, 2006

*Três perguntas a...


Nelson d`Aires (com Pedro Guimarães, Luís Olival e Ruca), Transmutação, 2005


Nelson d`Aires. Fotógrafo de Vila do Conde, vencedor do concurso Novos Talentos da FNAC. Mostra o projecto Contra-Fogo na loja do Chiado, em Lisboa.

¿Por que é que fotografas?
Não decidi começar a fotografar. A fotografia chegou a mim desconhecida e aos poucos começou a conquistar a minha solidão. Virou amor um dia. Todo o amor acolhe uma relação. Mudei a minha vida, recomecei do zero como se não houvesse ninguém que me impedisse de morrer mais cedo, nem mesmo este amor. Aí escolhi e não decidi. Faço escolhas porque não vivo de certezas.

¿O que é que tentas transmitir com as imagens de Contra-Fogo?
Uma história, uma consciência para além do facto. Tentei criar imagens destituídas da linguagem limpa e formal que é visível no dia-a-dia dos jornais para que as pessoas já habituadas, e por isso quase desinteressadas, pudessem mais uma vez parar e reflectir sobre este assunto que tanto afecta em geral o nosso país e muito em concreto as pessoas que vivem no meio das áreas devastadas pelos fogos.

¿O que é que fotografarias hoje?
Tenho 31 anos, estou a recomeçar do zero uma nova vida com a fotografia. Quero aproveitar esta força para fazer trabalhos que me possam pedir total disponibilidade. Sinto que não tenho o tempo que muitos dos fotógrafos têm ao começar a trabalhar aos 20 anos. Tenho ainda bastante para aprender, preciso de trabalhar muito para, no mínimo, daqui a dez anos poder sentir estabilidade e um maior acesso a trabalhos. Neste momento gostava de receber convites/propostas para fazer trabalhos com jornalistas freelancers, revistas, instituições ou associações. Acredito na fotografia como mais uma ferramenta com poder para melhorar o nosso entendimento para com o mundo em que vivemos. Durante os próximos tempos apetece-me fazer trabalhos em Portugal. Primeiro Portugal, depois o resto do mundo se assim se proporcionar. Interessam-me sobretudo histórias de vidas de pessoas. Histórias que possam servir de ajuda, conhecimento, exemplo e esperança para outras pessoas. Se neste momento tivesse os apoios mínimos, gostaria de iniciar um trabalho sobre crianças que vivem e lutam todos os dias contra doenças raras e sem cura. Documentar e mostrar como é a vida dessas famílias de acordo com as perguntas delas e as minhas também. De alguma forma, contribuir assim para uma maior divulgação de informação e de exemplos de luta e de vida. Gostaria também de poder fotografar e fazer um trabalho sobre as crianças órfãs existentes em Portugal: saber quantas são e quem são. Procurar quem quer adoptar e não consegue e porquê. Conversar e partilhar experiências de famílias que já adoptaram. Um trabalho que pudesse dar a conhecer as histórias de quem é órfão e quem sabe no fim haver pelo menos uma criança que fosse descoberta e adoptada devido a esse trabalho. Eu sei que estes temas já foram abordados por jornalistas. Acho porém que devem ser novamente abordados de uma forma mais extensa no tempo e ter a perfeita noção de que é com mais tempo que os resultados poderão surgir.


Nelson d`Aires (com Pedro Guimarães, Luís Olival e Ruca), Transmutação, 2005

11 setembro, 2006

*Três perguntas a...


Cristophe Nivaggioli, retrato de Marta Sicurella


Marta Sicurella. Fotógrafa italiana que tem desenvolvido o seu trabalho em Portugal. Venceu o Prémio Pedro Miguel Frade do Centro Português de Fotografia (CPF) em 2004. Actualmente expõe na Cadeia da Relação, no Porto, o trabalho Vesúvio.


Por que é que fotografas?
Fotografo para me exprimir. Não tento captar instantes ou guardar lembranças, mas sim pôr as coisas cá fora, criar beleza e desenhar percursos com os quais me identifico.

Porquê captar o acto de ver turístico?
O trabalho apresentado no CPF está intimamente ligado a um sítio (o Vesúvio) e ao dia em que lá estive. No fim de um percurso pedestre, existe um miradouro do qual é possível ver, muito ao longe, Pompeia, Herculano e o mar. Uma atmosfera estranha pairava nesse sítio, e o que despertou a minha curiosidade foi o facto de todos os turistas andarem a procura de Pompeia (de facto, mais imaginável do que visível), fotografarem a vista, mas, sobretudo, tentarem perceber o percurso destruidor da lava. Todos estavam a refazer mentalmente séculos de história, livros, textos, imagens, lembranças e toda a "bagagem cultural" relativa ao sítio e ao acontecimento que mais o marcou, numa confrontação, penso que inconsciente, entre o poder da natureza e a pequenez humana, pressentindo a presença simultânea da vida e da morte.

Que projectos te ocupam agora?
Preocupa-me muito definir uma estrutura de trabalho - passar da simples expressão à construção de conceitos. Quero dar ao meu trabalho um sentido mais envolvido, engagé como dizem os franceses, e acredito que o cerne deste envolvimento possa ser a ironia. Neste momento estou a desenvolver um novo trabalho de retrato e tenho uma exposição marcada para Junho 2007.

Marta Sicurella, da série "Vesúvio"

31 agosto, 2006

*Três perguntas a...

O Arte Photographica inaugura hoje uma nova categoria de posts: *Três perguntas a...
Regra geral os fotógrafos gostam pouco de falar sobre os seus trabalhos e projectos. Remetem para o clássico “as fotografias falam por si”.
Embora respeitando quem acha que a voz das imagens serve per si como roteiro de interpretação de um suporte cada vez mais difícil de ver, achamos necessário ouvir os fotógrafos acerca das imagens que fazem e mostram para uma abordagem do seu trabalho mais construtiva na crítica e mais eficaz na fruição estética.
Como nem só de fotógrafos depende a fotografia, tentaremos ouvir também quem decide o que vemos, quem se dedica a pensar a imagem fotográfica e quem, de alguma forma, se relaciona com ela, na escrita literária ou ensaística, na conservação, na investigação e na comercialização.
As perguntas dirigidas a fotógrafos seguirão uma estrutura mais ou menos fixa: uma pergunta sobre a(as) motivação(ões) que os levam a fotografar; outra sobre um aspecto particular da exposição, livro, prémio ou acontecimento que motivou a entrevista; e outra sobre os projectos em que estão empenhados.

O *Três perguntas a... arranca com António Júlio Duarte, fotógrafo cujo trabalho foi recentemente reunido num álbum retrospectivo organizado pela ADIAC (Associação para a Difusão Internacional da Arte Contemporânea) e distribuído pelo PÚBLICO.


António Júlio Duarte, sem título (auto-retrato), da série Agosto, Colecção João Jacinto, 2000

Por que é que fotografas?
Para justificar/validar a minha curiosidade pelos outros.

O que é que o flash te mostra que a luz natural não te mostra?
O uso do flash em alguns dos meus trabalhos começou por razões meramente técnicas, a necessidade de fotografar em locais escassamente iluminados. Tornou-se uma atitude de rejeição do papel tradicionalmente discreto do fotógrafo. Gosto que as pessoas aceitem e reajam à minha presença. É também uma atitude crítica. A luz fria e directa do flash destrói qualquer hipótese de “glamourização” da realidade.

Que projectos te ocupam agora?
Um trabalho de retratos de emigrantes em Madrid. Mudar de casa.


 
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